Quero Estar Com Você


A lua e as estrelas enfeitavam o céu daquela noite. Ainda que emanasse um certo ar frio, era uma noite linda.

Kiyone, no entanto, não dava muita atenção. Em lugar disso, meditava sobre o que tinha acontecido. Mihoshi havia lhe dado um beijo por querer expressar seus sentimentos, mas Kiyone a tinha repudiado por pensar que ela fosse gay, algo que considerava hediondo pois sempre lhe foi ensinado que não era normal duas pessoas do mesmo sexo terem algo, ainda que uma delas se visse apaixonada, e que o amor devia ser só entre os sexos opostos.

Contudo, depois de uma conversa com Tenchi e as garotas e um pouco mais que ouviu de Katsuhiro, já não tinha mais certeza do que acreditava. Por muito tempo, tolerava Mihoshi como parceira, o que fazia sua vida parecer uma montanha-russa, mas ainda assim, gostava dela e a via como sua amiga mais querida, mas nunca considerou o fato dela poder ter atração por mulheres, porém Mihoshi lhe esclareceu não ter esse tipo de atração, mas não era por tal que a beijara e sim porque gostava dela de verdade, bem mais que uma amiga.

A jovem policial ponderou nesse ponto. Ela teve diversas chances de se separar de Mihoshi e obter um alto cargo na PG, mas no fim, algo a impelia a não abandonar sua parceira. Seria por amizade, por achar que ela não pudesse se encaixar com outra pessoa ou seria...por amor?

Amor. Algo que Kiyone teve pouco na vida. Os pais morreram durante sua pré-adolescência, levando-a a morar num orfanato. Ao sair de lá, tinha decidido que faria algo útil e respeitável de sua vida, determinação essa que a guiou até a Polícia Galáctica. Na maior parte da vida, dedicou-se a fazer carreira como policial, lhe sobrando pouco tempo para relacionamentos. Já namorou alguns colegas, mas nenhum que a levasse a sensação de estar nas nuvens como os apaixonados reais deveriam sentir. Desde que se conhecia, achava que apenas os sexos opostos deviam desfrutar disso, entretanto já não tinha certeza total dessa questão.

Ela via como todos os dias Tenchi era disputado entre Ayeka e Ryoko, não deixando dúvida de como as duas o amavam, apesar de Sasami pensar às vezes que elas só tentavam obtê-lo para disfarçar algo entre elas. Se Ryoko e Ayeka podiam ter tal atração, por mais que parecessem negar mas era evidente para todo mundo e ela e Mihoshi, embora tivessem seus atritos, porém mais de sua parte, seria possível que...

"Não, não. Será que tenho esse sentimento por Mihoshi? Ela faz muita besteira e me tira do sério toda hora e nem por isso...a odeio. Aquele beijo...foi um choque e tanto, mas...(suspiro) foi tão doce e meigo. Devia haver sexo entre nós? Seria assim tão...nojento ou talvez...? Bem, só tem um jeito de saber."

Voltando para casa, todos já havia se retirado para seus quartos, o que lhe foi uma alívio por não precisar aguentar as constantes piadas de Ryoko ou as declarações sarcásticas de Ayeka. Naquela hora, preferia que Tenchi ou Katsuhiro pudessem estar acordados para conversar um pouco mais, mas como não, decidiu tirar isso a limpo.

"Mihoshi? Posso entrar?"

Sem resposta, Kiyone entrou no quarto e viu a loira sentada de cabeça baixa sentada na cama. Sentou junto dela.

"E aí? Tudo bem?" "Acho que sim. Kiyone, me desculpa por minha precipitação. Não devia ter feito algo tão idiota quanto te beijar. Sou uma inepta, cabeça-oca, estúpida..."

"Ei, ei. Não se insulte." Kiyone lhe tomou a mão em amparo. "Olha, eu que tenho obrigação de me desculpar por ter estourado daquele modo. Sinto muito se meu preconceito te deixou pra baixo. Reconheço ter me assustado por causa do beijo, mas não era pretexto para ter falado aquelas ofensas todas."

"Eu não quis fazer nada que te constrangesse, mas Kiyone...eu gosto de você de verdade. É a pessoa mais legal e compreensiva que conheço. Sempre disposta a me dar outra chance por mais besteiras que eu faça, o que me deixa triste por um lado por ser um estorvo na sua meta de ser promovida. Talvez você pudesse ser mais feliz com outro parceiro."

"Sem chance alguma de querer outro e sabe a razão? Porque não importa o quanto eu fique pra baixo ou desanimada após um dia amargo, você traz um brilho de doçura e alegria. Por mais cinza que seja o dia, com você junto à mim, ele vira um imenso arco-íris no final." A garota de cabelo esverdeado puxou Mihoshi pra junto de si e abraçou-a com suavidade e aconchego. Ambas ficaram dessa forma por vários segundos.

Durante desse instante afetuoso, Kiyone podia notar como era bom estar junto de sua companheira, amorosa e carinhosa como nenhuma outra, e da fragrância que ela exaltava de seu cabelo. Sim, ela amava o cheiro de seu cabelo. Enfim, lhe dirigiu um leve olhar.

"Escuta, Mihoshi, temos que conversar sério. Realmente tem esse desejo de querer ficar comigo? Se eu fosse homem ou você fosse, não acha que...daria mais certo?"

"Eu te amaria mesmo se fosse homem, pois é por você ser quem é que te amo, independente do seu sexo."

"Jura? Bem, isso é bom, mas sabe que se um dia quiser filhos, entende que sexos iguais...bem, não são capazes de realizar o processo necessário e por mais que Washu possa estar certa de criar um processo onde..."

"Eu andei conversando com Tenchi e o pai dele sobre isso e tem outra coisa que poderíamos fazer: adotar um criança. Sabe que tem muitas crianças que necessitam de um lar?"

"Eu entendo bem como é. Sabe que cresci num orfanato e não me oponho a adoção, mas Mihoshi...poderia dar certo duas mulheres adotarem crianças? Como poderemos estar certas de dar a educação devida, sabendo que nós...?"

"Kiyone. O pai do Tenchi me contou que é bem normal pessoas de mesmo sexo terem filhos adotivos e dos que ele me contou conhecer, não tiveram dificuldades ou problema de adaptação, uma vez que não fazem nada diferente do que casais heteros fariam. Dois amigos dele de trabalho são homens casados e tem 3 filhos adotados e as crianças vão muito bem. O que acha ser mais importante: a questão biológica ou o amor? E depois, sei que seríamos boas mães. Que criança não ia desejar uma mãe que sabe quando ser séria e a outra, bem divertida?"

"É assim que nos vê? Uma mãe séria e outra divertida?"

"Sim, ué. Especialmente sei que você se daria perfeitamente bem porque é a garota mais divertida que conheço."

Por essa Kiyone não esperava. Mihoshi, aquela Mihoshi a considerava divertida, sendo que pensou justamente o contrário? Sem poder se conter, a moça de cabelo verde caiu na gargalhada e ria como uma louca. Não conseguia parar de maneira alguma e de tanto dar risada, tombou de costas na cama e ficou rindo por quase dois minutos. Ao terminar e se erguer, tinha os olhos lacrimejando.

"Kiyone? Está bem?"

"Ah, agora estou. Hi, hi. O-obrigada, querida. Uma boa gargalhada era tudo que precisava. Como falei, você não deixa de iluminar minha vida."

"Tudo pra te ver feliz."

"Como tenho sorte de tê-la em minha vida. Bem, quanto a questão de filhos, creio estarmos de acordo, mas...Mihoshi..."

"Sim, Kiyone?"

"Andei pensando muito e quero saber se quer...fazer amor comigo."

"Sim, eu quero, mas achei que...não gostasse disso de...sabe, sexos iguais."

"Confesso que me sinto meio insegura quanto a isso, pois...você sabe, meio que penso que se fossemos um homem e uma mulher..."

"Kiyone. Posso falar com toda honestidade?" Consentimento com a cabeça. "De verdade não vejo muita diferença entre homem e mulher, exceto que a mulher tem a voz mais fina e que tem mais em cima do que o homem, que tem mais coisa embaixo do que a mulher. Fora isso, dá na mesma para mim."

Kiyone parecia um tanto confusa pela lógica expressava por Mihoshi, o que era raro de se dar com sua amiga e precisava concordar: ela tinha certa razão.

"Bem, acho que não devemos desprezar algo antes de experimentar. Contudo, se virmos que não vai dar certo, você vai ficar chateada?"

"Olha, se não der certo, podemos continuar sendo só amigas. Tudo bem?"

"Ok, está combinado. Bem, por onde começar? Ah, feche os olhos."

A loira bronzeada obedeceu e fechou os olhos. Kiyone veio bem devagar, já que sentia-se ainda um tanto relutante, porém superou essa insegurança e tocou na boca de sua companheira, lhe dando um beijo.

Em lugar do desconforto que imaginava por se relacionar intimamente com uma mulher, veio uma sensação de desejo e afeição nunca sentida antes. Nem quando namorou com rapazes teve tal sensação e embora se conscientizasse de não ser lésbica, estava apreciando cada segundo de poder beijar uma mulher e não era qualquer mulher, mas sua amiga de tantos anos. Pela expressão de Mihoshi, reparava-se que a garota também sentia tal sensação de afeto e amor.

A cada minuto que ia se dando o beijo, Kiyone menos pensava no que fazia. Era como se tudo fosse sumindo ao seu redor e nada restasse além dela e Mihoshi, sua adorável e linda Mihoshi, que também amava cada momento daquilo. Kiyone achou que era hora de ir mais a fundo e começou a desabotoar seu pijama e o de sua amante. Logo em seguida, tirou seu sutiã e o dela, expondo os belos seios que tinham protegidos pelas blusas de pijama agora removidas. Com Mihoshi sentada na cama, a moça de cabelo esverdeado deslizou-se por seu corpo bronzeado até chegar ao ventre dela, puxando-lhe a calça e a calcinha delicadamente. Uma vez liberando sua parte baixa, focou na vagina de pelos louros como o cabelo da companheira, cheirando e lambendo com muito prazer.

Mihoshi gemia bem baixinho, mas extasiada pela língua de sua amiga penetrar em sua clitóris, indo de cima para baixo em movimentos suaves e macios, incitando-a a desejar mais prazer.

"Ohhh. Ahhh, Delícia, delícia. Tão bom. Err...Kiyone, espera um pouco."

"Algo errado, Mihoshi? Não quer mais?"

"Não, não é isso, mas não acho justo só eu ter essa sensação tão gostosa. Quero que também tenha. Aqui, deita em cima de mim e vamos dar prazer mútuo." Mihoshi se puxou pra mais em cima da cama, ficando deitada para cima. Kiyone sorriu e tirando o resto de sua roupa, revelando seu corpo nu, foi para cima da loira e virou-se do lado contrário, assim fazendo uma ficar de rosto sobre a vagina da outra.

"Está bom assim?" "Está sim. Por favor, continua que farei aqui pra você." Ambas seguiram com os toques de língua sobre as partes íntimas, lambendo e esfregando também com os dedos incansavelmente, cada uma buscando dar mais prazer à parceira.

"Ahhh, que bom está aqui. Mihoshi, está gostando também?"

"Muito, Kiyone. Seu corpo é tão saboroso e macio. Como gosto de tocar nele, ainda mais no seu traseiro. Puxa, seu bumbum é tão gostoso de mexer."

"Preciso dizer que estou adorando isso também. Ohhh, como seu corpo é lindo e cheira tão bem. Hmmm, que gostoso está aqui."

As duas continuavam se esfregando e passando suas línguas mais depressa e mais fundo em cada uma. Parecia que seus corpos tinha se unido num só, não desejando de jeito algum se separarem até que chegassem ao clímax da paixão.

"K-Kiyone. Eu tô sentindo algo dentro de mim. Parece com a vontade de ir ao banheiro, mas está mais intenso."

"Está quase na hora, então. Mihoshi, se senta e coloca suas pernas entre as minhas."

Rapidamente, Mihoshi e Kiyone se puseram de frente e introduziram as pernas como que emparelhando-as, juntando suas vaginas o mais que conseguiam. Seus gemidos iam se intensificando conforme se esfregava por baixo e tocando em seus seios. As faces exibiam todo o prazer e sensação apaixonada que eram produzidas por seus corpos.

"Kiyone. Acho que vai sair. Está pronta?" "Sim, querida, estou. Vamos juntas. Ahhh, ohhh, ahhh. Eu vou...eu vou..."

"AHHHH. GOZO GOSTOSO. ESTÁ SAINDO." Ambas gritaram como nunca, sentindo o tremor de ansiedade e intenso amor tomando seus corpos completamente.

Exaustas pela emoção de terem gozado, as duas amantes se esticaram na cama, cobertas do líquido liberado de suas intimidades, ofegantes como que saídas de uma corrida e de mãos dadas, tendo os olhos ligados entre si.

"Kiyone. Foi bom?" "Mais que bom, meu bem. Foi a sensação de estar nas nuvens que sempre ouvi dizer, mas que jamais senti com nenhum namorado que tive. Como uma mulher teve sucesso onde nenhum homem nem passou raspando?"

"Será porque...foi com amor?" "Acho que sim e como sei?" A garota de longo cabelo verde se inclinou até chegar ao rosto da companheira e lhe dar mais um beijo, pondo sua língua dentro de sua boca, tocando na dela. ""Porque eu te amo. Acho que sempre te amei. Sinto não ter dito isso logo e lamento meu preconceito ter retardado o que sinto."

"Tudo bem. Eu também te amo. Quero ficar com você para sempre...se você quiser." Mihoshi acomodou seu braço por cima do corpo suado de sua amiga.

"E quero, mas me prometa que será só minha e nunca vai se deitar com mais ninguém. Não quero repartir você com ninguém, exceto com a criança ou crianças que formos adotar um dia."

"C-crianças? Querida, está dizendo que...você quer...?"

"Sim, minha cabecinha de vento. Você aceita?" "Sim, eu aceito. Quero ser somente sua."

"Então, eu também serei só sua. Não quero mais sexo que não venha de seu lindo corpo bronzeado." Kiyone abraçou carinhosamente sua amante, descansando sua face em seus peitos.

"Olha, já que nós estamos noivas, que tal pedirmos para o vovô nos casar? Ele é sacerdote, não é?" Sugeriu Mihoshi, sem tirar sua visão da companheira.

"Excelente ideia. Vejo que o amor está te deixando mais esperta. Não que você não fosse esperta...bem, do seu jeito, digo..."

"Tá tudo bem. Vindo de você, aceito como elogio. Então, vamos contar pros outros sobre o que decidimos?"

"Amanhã. Já está bem tarde e enquanto isso, que tal um pouco mais de sexo?" Kiyone não deixava de exibir um semblante malicioso enquanto via a beleza nua diante dela.

"Ah, quero sim. Até quando vamos?" "Que tal...até cairmos no sono? Me beija?"

"Com prazer, minha paixão." Mihoshi juntou seus lábios com os de sua noiva, agraciando-a com outro beijo, este mais intenso e delicioso de sentir. Não pensavam em nada naquela hora senão na companheira de cama, desfrutando de todo prazer, emoção, carinho que só o verdadeiro amor, que ia além da fisionomia e aparências, podia consentir.

E assim foram por toda a noite, seguido de gemidos e carícias, até que caíram no sono, ambas envoltas por seus braços.

FIM.


Desde que li 'Love Is Not Exclusive', sempre pensei como seria caso Kiyone resolvesse dar razão à emoção e dizer a Mihoshi o que de fato sentia por ela e como o conto original terminou incompleto como muitos que li e aguardava a continuação, pensei em dar sequência do meu jeito, uma vez que gosto de escrever sobre a relação amorosa entre elas e que espero um dia ser oficializada no anime.