Esses dias eu estava lendo uma fic Inazuma Eleven sobre uma estação de trem e tive essa ideia meia doida. Espero que gostem! ^^
Ryo Marufuji correu o mais rápido que podia para pegar o trem, não queria ter que ficar esperando pelo próximo durante meia hora em plena sexta-feira. Desceu correndo as escadas amaldiçoando a mochila que não queria ficar parada em seu ombro e de vez em quando se desculpava com alguém havia esbarrado.
Grunhiu entre dentes, estava quase lá, só mais alguns passos e estaria tudo acabado, mas claro que a sorte não estava ao seu lado naquele dia, tudo tinha começando quando as primeiras gotas de chuva começaram a cair naquela tarde.
Arrgalou os olhos esverdeados ao ver a multidão de pessoas entrando nos vagões e acelerou o passo. Já podia sentir seu fôlego se esgotando de tanto correr, mas não iria desistir agora que estava tão perto. Sorriu de forma aliviada por só faltar alguns passos, mas sua alegria não durou muito mais tempo, quando estava à apenas um passo de entrar as portas se fecharam e o trem começou a se mover o deixando para trás.
- Merda! - rosnou jogando sua mochila no chão no momento de raiva, sentia vontade de gritar para todos que aquilo era totalmente injusto! Havia corrido tanto e só faltava um passo! Realmente aquele dia parecia que as forças do universo estavam contra ele.
Suspirou passando as mãos pelos cabelos se sentindo mais calmo e recuperado da corrida, pegou sua mochila do chão e olhou em volta. O lugar estava praticamente vazio, havia apenas algumas pessoas sentadas em bancos próximos e outras perto das grades de proteção esperando pelo seu trem.
Com um encolher de ombros caminhou ate um banco vazio ali por perto e se sentou deixando escapar um longo e audível suspiro. Aqueles seriam trinta longos minutos de espera...
Foi tirado de seus devaneios por passos calmos, quase silenciosos, se aproximando. Ergueu o rosto se deparando com um garoto se sentando ao seu lado com um livro em mãos, que logo abriu e se pôs a ler atentamente. Ryo observou o garoto com o canto dos olhos, reparou que ele deveria ser dois anos mais novos que ele próprio, pele quase num tom muito pálido, o que se destacava com o negro do cabelo e dos olhos.
Não vendo mais nada o que fazer naquele lugar ele se inclinou um pouco mais perto tentando ver se conhecia o livro, mas não conseguiu identifica-lo, apenas percebeu que era um livro velho de capa vermelha e páginas amareladas. Não parecia ser muito interessante no entanto.
O garoto percebendo que estava sendo observado pelo outro ergueu o rosto encarando o mais velho, sua expressão estava em branco, como se estive apenas olhando para algo logo atrás de Ryo e o mais velho conteve ao impulso de olhar sobre o ombro para ter certeza.
Por algum motivo aqueles olhos lhe pareciam ser familiares, só não conseguia dizer de onde. Não teve tempo de perguntar algo para ele, quando abriu a boca para dizer algo o som o trem o interrompeu e antes que pudesse piscar o garoto já havia se levantando e sumindo entre as pessoas.
Ryo suspirou entediado e se recostou ao banco logo depois do trem partir novamente deixando tudo em silêncio. Mesmo sem conhecer o garoto aquela sensação familiar no olhar ainda o incomodava um pouco e passou pelo menos dez minutos tentado se lembrar de algo quando um pensamento veio a sua mente. Sho.
Claro que a cor, o tamanho e o formato eram diferente, mas algo naqueles olhos negros o faziam se lembrar do irmão. Ele nem fazia ideia de onde seu irmão estava agora, depois da separação de seus pais nunca mais se viram. Suspirou balançando a cabeça, não deveria ficar pensando nessas coisas agora. Foi interrompido pelo som de seu trem chegando, se levantou e correu para dentro do vagão, dessa vez não tinha como perde-lo novamente.
oOOo
E novamente Ryo estava atrasado para pegar o trem, mas dessa vez ele nem se esforçaria em sair correndo feito um louco para alcança-lo, sabia que não conseguiria. Caminhou calmamente ate o mesmo banco que havia se sentado na semana passada e para a sua surpresa aquele mesmo garoto estava ali, sentado com o livro aberto.
Sem dizer nada ele se sentou. Novamente com o canto do olho ele o observava, algo nele atraia sua atenção e não era apenas os olhos. Reparou que a leitura dele havia avançado um pouco desde a outra semana que o encontrou, mas não muito.
- Se o quer tanto, posso vende-lo. - os olhos esverdeados se arregalaram em surpresa por finalmente ouvir a voz dele, não era nada mal.
Piscou algumas vezes confuso franzindo a testa - Se quero tanto o quê? - perguntou curiosamente se inclinando ligeiramente mais perto do mais novo.
- O livro. - o garoto respondeu simplesmente erguendo uma sobrancelha - Era o que você estava observando, certo? Eu posso vende-lo, nem é tão bom assim. - disse com um encolher de ombros casualmente.
- E por que eu iria querer um livro velho? - Ryo retrucou com certa diversão na voz que fez o outro bufar meio irritado.
- Se não esta interessado pare de olhar, isso me incomoda e tira minha concentração. - o mais novo reclamou voltando a abrir o livro e dirigindo sua atenção as palavras, mesmo que houvesse dito que não era bom ele parecia interessado nele.
- E seus olhos? Você me venderia eles também? - as palavras saíram da boca de Ryo antes que ele tivesse a chance de para-las.
O garoto de cabelos negros o olhou estranhamente parecia estar se decidindo se ele era um louco ou simplesmente um idiota, mas não disse nada, simplesmente continuou o encarando ate alguns segundos depois seu trem chegou e ele apenas se levantou e caminhou entre a multidão de pessoas sem nem ao menos olhar para trás deixando Ryo sem uma resposta.
oOOo
Ryou estava sentindo que se atrasar para pegar o trem estava ficando cada vez mais frequente. Já seria a segunda vez naquela semana. Por algum motivo estranho quando olhou para o relógio e percebeu que se atrasaria a imagem daquele garoto de olhos escuros veio a sua mente e ele se pegou imaginando se iria vê-lo novamente.
Sem nem pensar o garoto de cabelos azul petróleo caminhou ate aquele mesmo banco perto da plataforma e sorriu ao ver o garoto ali novamente, exatamente como da última vez que se atrasou.
Em silêncio Ryo se sentou ao lado dele o observando, se perguntando se ele havia percebido a sua presença ou se simplesmente o estava ignorando, mas logo teve sua resposta - Você novamente? - o garoto perguntou num tom aparentemente aborrecido sem desviar a atenção da leitura.
O mais velho não conteve o sorriso no rosto - Sim. Sou eu novamente. - disse num tom divertido e isso fez o outro erguer o rosto o olhando com a testa franzida sem entender onde estava a graça naquilo tudo - Então, pensou na minha proposta?
- Você é idiota? Eu não posso simplesmente vender meus olhos. - o outro exclamou com revirar de olhos bufando.
- Claro que pode. Só me diga o que quer em troca. - o mais velho num tom casual, como se estivessem conversando sobre algum assunto aleatório e não sobre a troca dos olhos de alguém.
O garoto apenas o olhou piscando algumas vezes antes de fazer uma careta voltando sua atenção ao livro - Você é estranho. - murmurou com um encolher de ombros fazendo Ryo sorrir largamente.
- Obrigado. - foi tudo o que o mais velho respondeu. Ficaram daquela forma por mais algum tempo, Ryo observava a movimentação ou se inclinava perto do mais novo para ler algumas palavras do livro, mas logo se desinteressava e voltava a observar as pessoas a sua volta. Jun continuava lendo e ignorando a presença do outro - Eu sou Ryo Marufuji. E você?
- Por que eu iria te dizer meu nome? - o outro retrucou de modo defensivo fazendo Ryo rir um pouco. O garoto de cabelos negros o observou parecendo estuda-lo e decidir se deveria ou não dizer seu nome. Por fim ele suspirou - Jun. - disse simplesmente ganhando uma sobrancelha erguida do mais velho - Apenas Jun. Meu sobrenome não interessa a você. - murmurou virando a página do livro e ignorando o outro.
Minutos mais tarde seu trem chegou, ele se levantou e caminhou ate o trem como sempre fazia, mas foi parado por uma mão em seu braço. Se virou erguendo uma sobrancelha para o tal de Ryo - Eu quero te encontrar novamente. - o mais velho disse de forma apresada, não queria fazer Jun perder o trem - Quero dizer, não apenas aqui, na estação.
Jun estreitou os olhos o estudando atentamente - Você esta falando serio? - Ryou sorriu assentindo e o mais novo desviou o olhar parecendo envergonhado - Tudo bem... - murmurou baixinho - Me encontre aqui amanhã no mesmo horário.
Ryo sorriu se inclinando mais perto dele e o beijou no rosto fazendo Jun ficar vermelho arregalando os olhos - Tudo bem. Te vejo amanhã então. - ele disse sorrindo. O outro sorriu meio sem jeito antes de acenar e entrar no trem.
O mais velho apenas ficou ali, parado, observando o trem se afastar com um sorriso bobo no rosto. Quando não podia mais ver o trem ele suspirou - Uau! - murmurou para si mesmo.
Não havia percebido que queria tanto conhecer melhor o outro. Seu corpo tinha se movido por conta próprio e quando se deu conta as palavras já haviam saído de sua boca. Se sentiu nervoso enquanto esperava uma resposta de Jun, mas valeu a pena, Jun havia aceitado e aquele sorriso... Foi o primeiro sorriso de Jun que ele havia visto e aquilo foi o bastante para tranquiliza-lo. Mal podia esperar o dia seguinte chegar...
oOOo
- Ele esta atrasado... - era tudo o que Ryo dizia nos últimos sete minutos que estava ali, sentado no mesmo banco de sempre esperando por Jun. Havia passado o dia esperando para encontra-lo novamente, sentia a necessidade de conhece-lo melhor e poder olhar por mais tempo para os olhos negros dele. Se pegou pensando se havia acontecido algo ou se Jun simplesmente não queria se encontrar com ele e suspirou desanimadamente.
- Com licença. Posso me sentar aqui? - foi tirado de seus pensamentos por uma voz suave a o seu lado. Olhou para cima encontrando uma mulher alta e loira sorrindo educadamente. Ryo piscou algumas vezes antes de acenar em concordância, afinal quando Jun chegasse não ficariam ali.
A mulher sorriu e se sentou ao seu lado abrindo um livro. Ryo não pôde deixar de reparar que era o mesmo livro que Jun tanto lia e riu baixo ao se lembrar que toda a conversa entre eles começou por causa do livro.
A loira ergueu o rosto - Você já o leu? - perguntou curiosamente.
Ryou acenou negativamente rindo um pouco - Não, mas conheço alguém que já. - respondeu divertidamente.
- Ah... - ela murmurou em entendimento - Era de um amigo, mas ele morreu alguns anos trás. - disse num suspirou, mas logo sorriu - Ele dizia que não era muito bom.
O mais velho não pode deixar de sorrir internamente. O livro deveria mesmo ser muito ruim para tantas pessoas dizerem a mesma coisa - O que aconteceu com ele? - perguntou inclinando a cabeça para o lado, não queria ser indelicado, mas estava curioso.
- Ele havia visitando um amigo nosso no hospital e enquanto esperava o trem, aqui mesmo nessa estação, um grupo de ladrões o empurrou nos trilhos. - ela explicou num tom meio melancólico sorrindo fracamente, provavelmente se lembrando do tal amigo.
Ryo franziu a testa, ele realmente se lembrava de ter ouvido falar de algo assim anos atrás, mas não se lembra de muita coisa. Só sabia que as grades de proteção nas plataformas foram colocadas depois desse acidente e que as pessoas sempre vinham deixar flores no local. Se não se engana ate hoje eles ainda colocam flores perto das grades, deduziu que provavelmente os amigos do garoto faziam isso.
- Aqui. - saiu de seus pensamentos por ela lhe entregando o jornal aberto em uma das primeiras matérias - Este é o meu amigo. - ela disse indicando onde ele deveria olhar.
Ele começou a ler e revirou os olhos ao perceber que era mais uma daquelas matérias sobre assombrações, mas leu de qualquer maneira. A cada palavra deixava um suspiro escapar por entre os lábios e seu coração batia mais forte.
Na Estação Domino* havia um jovem que perdera o trem depois de visitar um amigo no hospital local. Enquanto esperava pelo próximo trem ele foi abordado por um grupo de ladrões. O jovem foi empurrado para fora da plataforma caindo nos trilhos de trem onde encontrou o seu fim
Ainda hoje pessoas relatam ter visto o jovem de pele clara, cabelos negros e brilhantes olhos escuros esperando pelo trem.
Os olhos de Ryo se arregalaram e sua mão tremia enquanto olhava para a imagem ao lado da matéria. Era uma foto em preto e branco de Jun, com o mesmo sorriso e olhar que ele havia visto no dia anterior.
Abaixo da imagem podia ser lido: Jun Manjoume, de 1985 à 1999.
Ryo não sabia o que dizer, apenas olhou novamente para a foto e murmurou num fio de voz - Jun...
oOOo
Os meses passam, as pessoas vem e vão na estação, mas Jun ainda continua ali na plataforma observando as multidões com um pequeno sorriso, agora à espera de Ryo...
Domino*: Bem, não sou criativa, então usei esse nome mesmo... ^^''
E esse foi mais um dos meus surtos da madrugada, espero que tenham gostado e se quiserem deixar essa autora baka feliz, deixem um comentário!
~Kissus~
