Ele parecia estar se afogando. Todo seu corpo estava dormente. Ele não sentia nada, somente a agonia. Não podia se mexer, nem gritar por ajuda. Havia gosto de água em sua boca. A garganta se fechava. Ele não podia respirar.
Damian acordou assustado, ele se inclinou pro lado e tossiu a água que estava presa em sua garganta, todo seu corpo doía e respirar era difícil. A água caiu sobre o travesseiro, ele olhou o liquido com certo nojo. Depois de algum esforço sua respiração voltou ao normal, ele ainda sentia sua garganta irritada e o gosto da água salgada na boca.
Isso não fazia sentido. Damian não teve contato com a água recentemente e nem se afogou em nenhum momento, nem ouve missão na noite passada eles ficaram sentados assistindo filme e comendo pipoca como parte da diversão obrigatória semanal que Kori ordenava.
Damian respirou fundo, sua garganta já estava melhor e como não queria preocupar ninguém fez o que sempre faz quando se sente mal. Ele finge que isso nunca aconteceu.
Ravena estava fazendo um chá quando Damian apareceu.
-Bom dia. –Ela entregou um xicara com o liquido pra ele.
-Bom dia. –Damian sentou na cadeira –Aonde estão os outros?
-Kori e Dick foram ao mercado, Garfield e Jaime estão jogando vídeo game.
-Hum. –Damian bebeu um pouco do chá –Vou treinar um pouco. –Ele se levantou.
-Damian.
-Sim?
-Está tudo bem?
-Sim.
Ravena o viu sair da cozinha, era obvio que ele não estava bem, mas tentar forçar Damian a falar era muito difícil. A garota decidiu esperar quem sabe ele viria falar com ela.
Damian acordou cuspindo água novamente, dessa vez o liquido estava mais salgado seus pulmões ardiam como se não respirasse a horas, a tosse dele era mais forte que o normal. Já fazia duas semanas que acordava assim.
Damian não era idiota era óbvio que algo estava acontecendo, ele fez testes, sem que a equipe soubesse, mas todos deram negativos. Não havia água nos pulmões e nem nada que pudesse provocar esses ataques pela manhã, o garoto achou que podia estar sofrendo de paralisia do sono o que não fazia sentido já que ele acordava sempre vomitando água.
TOCTOCTOC.
Damina respirou fundo e abriu a porta.
-Richard. –Sua voz estava um pouco fraca.
-Ei pequeno D eu ouvi você tossindo está tudo bem?
Claro que seu irmão ouviria o quarto que Dick ficava quando estava na torre era próximo do de Damian.
-Sim.
-Damian você está doente? E sua camisa está molhada.
Ele reparou que tinha um pouco de água na gola do pijama.
-É só água.
-Damian...
Dick não pode continuar pois o alarme disparou, eles correram até a sala Kori abriu as câmeras de segurança a cidade estava sendo atacada por um grupo que se chamavam Quinteto. Rapidamente eles colocaram os uniformes e foram para a cidade.
A luta perecia ser fácil, para os outros pelo menos já Damian estava tendo dificuldades. Seu corpo estava cansado e sua garganta dolorida.
Damian lutava contra Mamute e o grandalhão gostava de falar.
-O passarinho já está ficando cansado?
Robin não respondeu me vez disso ele deu um soco no queixo do homem.
-O mamute está ficando cansado? –O garoto sorriu.
-DESGRAÇADO!
Mamute agarrou a perna de Damian e o arremessou, ele bateu as costas em um grande chafariz que ficava perto da calçada aonde eles lutavam, Robin caiu na água.
Ele sentou na fonte, tinha sorte por não ter batido a cabeça quando caiu, mas mesmo assim se sentia tonto. Sua boca estava com gosto de sal novamente, Damian não conseguia mexer seu corpo seus braços estavam presos. Ele podia sentir seus pulsos sendo segurados pela água, eram mãos geladas que o apertavam.
-Damian. –A voz sussurrava – Damian.
Era uma voz distante, uma voz que Damian conhecia mas não conseguia se lembrar de onde.
-Damian.
Sua garganta se fechou, havia água em sua boca Damian não conseguia respirar, ele sentia seus pulmões queimarem implorando por ar.
-Damian. –A voz ficou mais alta –Venha para mim! –Era uma ordem.
Seus pulsos estavam sendo puxados, sua boca estava cheia de água salgada e o cheiro do mar invadia suas narinas. Damian sentiu que se afogava
Mais distante Ravena que lutava contra Jinx percebeu Robin sentado na fonte, algo não estava certo.
-Preste atenção na luta! –Jinx atirou uma luz rosa em direção de Ravena que bloqueio com facilidade.
-Eu não tenho tempo pra você! Azarath Metrion Zinthos!
Ravena se transformou em um corvo e se lançou em direção da garota de cabelos rosa, JInx caiu inconsciente.
Ravena viu quando Mamute correu em direção do Damian, ele estava pronto para dar um soco no garoto.
-ROBIN! –Ravena gritou, mas Damian não se mexeu.
Ela lançou um feche de luz negra sobre o Mamute que se afastou de Damian. Ravena voou até Robin, ela se abaixou na fonte com ele.
-Robin? Você está bem? Robin responda! –Ravena segurou os ombros dele ela viu um pouco de água saindo de sua boca. –Damian? –Ela falou mais baixo.
-Eu vou matar vocês dois! -Mamute correu na direção deles.
Ravena estava assustada por Damian que não respondia e cansada por essa luta que já havia passado do limite! Seus olhos ficaram brancos e uma onda de poder saiu por suas mãos, Ravena acertou Mamute com todo seu poder. Ele caiu inconsciente no chão.
A garota se virou para Damian ele ainda não se mexia.
-Damian preciso que acorde desse transe, agora! –Um fecho de luz foi disparo na cabeça dele.
Damian cuspiu a água e começou a tossir, seus braços se soltaram. Ravena o segurou pelos ombros para que o liquido saísse melhor.
-Tudo bem com calma Robin. –Ravena passava as mãos pelas costas dele.
-R-Ravena?
-Está tudo bem.
Damian deixou sua cabeça cair nos ombros dela, a escuridão e cansaço o venceram.
Quando acordou, Damian estava na enfermaria logo Ravena o fez sentar e tirar a parte de cima do uniforme para que pudesse curar seus pequenos cortes contra a vontade do garoto, Dick estava encostado na porta olhando pra ele.
-Eu estou bem, Richard. –Damian olhou para a amiga –Não precisa me curar é só um arranhão.
-Suas costas estão bem machucadas.
-Já estive pior.
-Eu sei, mas isso não quer dizer que vou deixar você sofrer se posso te curar.
Ainda bem que Damian estava de costas assim Ravena não viu seu rosto ficar vermelho. Dick sorriu seu irmãozinho estava crescendo, ele partiu para que os dois tivesse um tempo sozinhos.
Ravena terminou de cura-lo, ela deu a volta e ficou em pé de frente para Damian. A garota agradeceu por estar de capuz assim pode olhar para Damian sem que ele soubesse Ravena mordeu o lábio, estaria mentindo se dissesse que Damian não tinha um corpo bonito, ele vestiu a camisa do uniforme novamente e olhou pra ela.
-Obrigado. -Ele se levantou –Vou tomar um banho.
-Damian o que aconteceu lá?
-Eu fui descuidado e...
-Não minta pra mim! –Ravena cruzou os braços –Sei que algo está acontecendo com você, me diga o que é.
-Não se preocupe. –Damian sorriu –Ando dormindo pouco é só isso.
Damian saiu da enfermaria deixando uma Ravena preocupada pra trás.
Ele chegou no banheiro e ligou a água na banheira, Damian tirou a roupa e entrou. Seu corpo ficou todo submerso pelo liquido era tão relaxante. Damian não podia tomar banhos assim na liga sua mãe não permitia que ele tivesse esse tempo de descanso. Sua mãe não permitia que ele tivesse nenhum descanso.
Damian fechou os olhos e deixou se afundar mais na água, ele se lembrou da última vez que viu sua mãe de como ela controlou seu pai e quase matou Richard e ele. Damian nunca imaginou que sentiria medo de perder seu pai e irmão e tudo porque mãe queria que Bruce a amasse. Talia queria ter o homem do seu lado como se ela pudesse controlar a vida dele.
Mas Talia também fez o mesmo com Damian a diferença é que no final ela nunca o quis.
Damian sentiu que a água já estava transbordando, o piso começou a ficar molhado. Ele já não tinha desligado a torneira? O cheiro de mar era forte, seu corpo todo submerso na água já implorava por ar.
-Damian. –A mesma voz de antes o chamava, agora era mais forte –Damian.
Igual as outras vezes Damian não conseguia se mexer. Havia braços segurando seu corpo que o impediam de sair da água.
-Damian venha para mim!
Ele sentia sua consciência sumir.
Ravena estava na cozinha quando sentiu um calafrio, ela suspirou e um pouco de ar gelado saiu de sua boca. Assustada ela viu as janelas ficando congeladas aos poucos como se a neve estivesse caindo. Ela sentia que algo estava errado, alguma entidade forte estava presente.
Ravena andou pelos corredores o frio se intensificou quando ela chegou perto do quarto do Damian. Ela bateu na porta.
-Damian? –Os calafrios eram mais fortes o frio que saia pela boca dela não era normal. Seja o que fosse era um ser forte e Damian estava em perigo.
Sem esperar por uma respostas ela abriu a porta, o quarto parecia em ordem se não fosse o gelo subindo pela a janela e o espelho rachando lentamente. Quando Ravena olhou para a porta do banheiro ela viu água saindo pela fresta o liquido corria até molhar as pontas dos pês descalços da garota.
Ravena abriu a porta, a banheira transbordava água molhando todo o cômodo, a torneira da pia estava aberta assim como a da banheira, os vidros estavam gelados e Ravena podia sentir a forte presença maligna no local. Ela se aproximou da banheira e viu Damian submerso dentro dela.
-Damian!
Ravena tentou puxa-lo, mas havia algo segurando ele com força. O cheiro de água salgada era muito forte, o banheiro estava muito gelado e Ravena sabia que se não tirasse Damian da banheira logo ele morreria.
-Eu não sei quem é você ou porque está atrás dele, mas Damian não pertence a você! –Seus olhos ficaram brancos e seu corpo se transformou em energia negra –Liberte-o agora!
Ravena conseguiu puxar o garoto dessa vez o tirando da água e o jogou no chão do banheiro, ela sentiu que a presença havia partido as torneiras se fecharam lentamente, os vidros já voltavam ao normal e o ar não estava mais frio, por hora Damian estava seguro.
Até perceber que ele não respirava.
-Damian! Fala comigo!
Ravena começou a fazer ressuscitação primeiro massageou seu peito e depois aplicou o boca-a-boca.
-Um...Dois...Três...
Ela massageava seu peito nos intervalos, ela encostou seus lábios no dele e soprou o ar na sua boca, Deus ele estava tão gelado. Ravena não parava de fazer a ressuscitação mesmo com seus braços doendo ela continuava.
-Por favor Damian eu não posso te perder! –Ela sentia seus olhos arderem de lágrimas. –Por favor não me deixa.
Ravena fez novamente o boca-a-boca e dessa vez Damian cuspiu a água presa nos seus pulmões.
-Damian! –Ela o virou de lado para que pudesse tirar a água melhor.
-COFCOFCOF!
Damian não parava de tossir, mas pelo menos estava vivo.
-Tá tudo bem, tudo bem! Você está vivo. –Ravena queria se convencer pois ainda estava assustada.
-R-Rav COFCOFCOF! –Damian tentou falar, mas um ataque de tosse o impediu.
-Não se esforce!
Ela viu Damian apontando para uma toalha foi quando Ravena percebeu que ele estava nu, ela pegou a peça e jogou em cima dele rapidamente, a vergonha nem ao menos apareceu já que ainda estava assustada por quase perde-lo. Ele ainda estava tossindo Ravena precisava leva-lo para o centro médico e rápido.
-SOCORRO! ALGUEM ME AJUDA!
Em questão de segundos Dick aparaceu correndo.
-Ravena o que... DAMIAN! –Ele se jogou no chão –O que aconteceu?!
-Enfermaria agora!
Dick pegou o irmão no colo e correu para a enfermaria com Ravena logo atrás.
Assim que limparam a água do pulmão do Damian e Dick se certificou que o garoto estava bem o interrogatório começou e é claro que o resto da equipe já sabia o que tinha acontecido. Jaime e Garfield queria ficar, mas Kori os mandou embora dizendo que Robin precisava descansar, para garantir que isso acontecesse a ruiva os seguiu confiando em Dick e Ravena para ajudar Damian.
-O que aconteceu Dami?
-Eu não sei Richard. –Sua voz estava fraca –Acho que dormi.
-Do que se lembra? –Ravena estava ao pé da cama, ela o olhava atentamente.
-De abrir a torneira e encostar a cabeça na borda da banheira.
-E?
-Nada.
-Sentiu algo diferente? Um cheiro? Uma voz? Qualquer coisa? –Ravena viu ele apertando a coberta com força.
-Cheiro de mar... Água salgada... Parecia que alguém estava me prendendo... Não conseguia me soltar... Foi pior que antes...
-Antes? –Dick sentou na cadeira perto da cama –Como assim antes?
-Mais cedo na luta eu senti alguém me segurando no chafariz. –Damian desviou o olhar –Tem algo acontecendo, todos os dias acordo vomitando água como se estivesse me afogando.
-Todos os dias? Damian porque não me falou? –Richard estava aflito.
-Não quis que se preocupasse.
-Damian... –Dick o abraçou –Vamos fazer alguns teste em você para saber o que é. Tudo bem?
-Eu já fiz antes deu negativo.
-Faremos de novo. –Dick o soltou e foi atrás das coisas que usaria.
-E quanto a voz Damian?
-Escuto alguém me chamando... Mas deve ser coisa da minha cabeça.
Ravena ficou em silencio, ela participou dos exames e ajudou quando necessário no final todos deram negativos, mas Dick ordenou que Damian ficasse de repouso pelo menos até o dia seguinte, emburrado o garoto obedeceu. Para garantir Kori ficou com ele até que adormecesse.
Ravena encontrou Dick na cozinha.
-Posso lhe fazer uma pergunta? –A garota sentou na frente dele.
-Claro. –Dick tomou um gole de café.
-Como a mãe do Damian morreu? Eu sei sobre o avô dele, mas não muito sobre ela.
-Talia tentou controlar o Batman, queria força-lo a nos matar incluindo Damian. Ela caiu no mar. –Dick tinha uma amargura na voz –Bruce ainda fez uma busca pelo local durante semanas, mas o corpo nunca foi encontrado. Iriamos erguer um lapide pra ela Damian não quis. Talia está morta e Damian não quer enterrar um caixão vazio, respeitamos sua escolha.
-Como sabem que ela morreu?
-Não tinha como sobreviver e além do mais se estivesse viva já teria vindo atormentar a vida do filho. –Dick terminou seu café. –Porque a pergunta?
-O que aconteceu com Damian não foi um acidente, algo está provocando isso.
-Quem?
-O que seria a pergunta. Acredito que seja um espirito. Uma entidade forte e muito ligada a Damian.
-Ravena isso...
-Eu sei parece impossível, mas acredite em mim essas coisas existem. Eu senti uma presença perto dele, forte, dominadora, desesperada. Seja o que for está com medo de ficar sozinha e quer que Damian se junte a ela.
-Como?
-Matando da mesma forma em que ela foi morta.
-Afogando ele? Então...
-Talia Al-Ghul quer o filho de volta. De um jeito ou de outro.
-Meu Deus! –Dick estava com medo – Como a paramos?
-Sem corpo fica difícil, ainda não sei ao certo. Tenho que fazer algo logo ela tá mais forte a cada dia e na próxima vez pode realmente matar Damian.
-Ravena –Dick segurou as mãos da garota com força –Por favor me diz em que posso ajudar.
-Fique perto dele eu cuido do resto.
Ravena pesquisava em vários livros sobre como deter o fantasma e pelo o que descobriu só existia uma forma.
-É muito perigoso. –Ela virou a página –Deve ter outro jeito.
A garota estava no seu quarto, já se passou dois dias desde do último acidente e Damian estava longe de ficar bem. Dick dormia com ele caso o adolescente acordasse se afogando, o que sempre acontecia. Os dois concordaram em não contar nada a ele até resolverem a situação, do jeito que Damian é tentaria lidar com o problema sozinho e isso seria perigoso demais pra ele.
Ravena via que o garoto mal se aguentava, esse espirito estava ganhando a guerra e o premio seria a vida de Damian.
Ela respirou fundo e começou a juntar tudo que o feitiço pedia, seria uma espécie de Vudo. Era ariscado mas valia a pena tentar. Ravena juntou os ingredientes e os colocou em uma bolsa preta pequena, logo ela sentiu um calafrio.
-Não!
Ravena saiu para o corredor, ela escutou o barulho de água vindo da cozinha assim que chegou viu Damian olhando para o liquido que sai da torneira.
-Damian? –Seus olhos estavam opacos ele parecia estar em transe –Damian! –Ravena o chamou mais alto.
O garoto começou a piscar, a torneira se fechou sozinha ele olhou para Ravena na porta do cômodo.
-C-Como eu cheguei aqui?
-Não se lembra?
-Eu estava dormindo e... Tive um sonho.
-Com quem?
Damian viu uma pequena gota escorrer pela pia.
-Mãe.
O ar frio saiu pela boca dele. Talia ainda estava presente. Ravena se aproximou e segurou sua mão, ela o levou até o quarto e o fez deitar na cama, Damian ainda estava meio confuso por isso não protestou.
-Tente dormir um pouco.
Ravena passou pelo Dick que dormia no colchão improvisado no chão, ela apagou a luz e saiu. Eles estavam ficando sem tempo estava na hora de fazer algo.
A garota seguiu à risca o ritual.
-Segundo as informações do Asa Noturna é aqui.
Ravena pousou em cima de uma plataforma, Talia teria morrido em algum lugar próximo. Ela desfez a bolsa tirando um giz branco de dentro, Ravena desenhou um círculo com uma estrela de seis pontas no centro ao redor escreveu a palavra MORS ET VITA, ela jogou folhas de alecrim e terra de cemitério ao redor do círculo. Ravena se sentou no centro e começou o encantamento.
-VITA VIESTE FUIT ET IN VITA EXTRA MORTEM SUAM CONSOLATIONEM QUARIT SED IN MORTE DEBET CONSOLATE. TALIA AL-GHULL IN MORTE MENERE DEBET! –Ravena sentiu o vento ficando mais forte.
Isso não era um bom sinal.
Damian sentiu o cheiro do mar, seus pés estavam molhados pelas ondas que perdiam a força na areia. Ele não se lembrava de ter caminhado até a praia.
-Damian. –Aquela voz era... –Meu filho.
-Mãe?
Uma mulher estava parada perto das rochas que ficavam mais distantes da praia, ela tinha cabelos ruivos e um vestido azul, não, aquilo era água do mar cobrindo seu corpo. Seus braços abertos estavam o chamando, Damian se aproximou ele sentiu a água batendo nos joelhos.
-Mãe é você? –Sua voz saiu fraca.
-Meu filho querido... Venha para mim.
Damian não entendia, seu lado logico dizia para dar meia volta e correr se esconder na torre até que Talia fosse embora, mas seu corpo o mandava seguir. Toda vez que Damian se aproximava sua mãe ficava mais longe a água agora batia no peito dele o gosto do sal invadia sua boca.
-Damian. –Ele viu o vulto tremer como se fosse desaparecer.
Talia parecia confusa e isso fez Damian parar sua caminhada, seu corpo parecia voltar a obedecer seus comandos.
-Não! Damian venha para mim! AGORA!
O rosto bonito da mulher foi substituído por algo assustador. Seus olhos estavam virados pra trás Damian só podia ver a parte branca deles, sua pela clara estava azul e cheia de feriadas como se tivesse apodrecido, seus dentes amarelos e pontudos, seu cabelo ruivo já faltando e Damian podia ver parte de seu crânio exposto.
Ele tentou recuar, mas os braços de Talia o prenderem puxando para dentro do mar.
-VOCÊ E EU JUNTOS PARA SEMPRE CRIANÇA! –Sua mãe gritava, ela apertava o pescoço dele.
Damian não podia lutar seu ar acabou ele sentiu que era levado para o fundo do mar, a água entrava em seus pulmões, seus olhos ardiam e tudo o que via era Talia gritando enquanto lentamente tirava sua vida.
Ravena surgiu na praia a tempo de ver Talia levando Damian para o fundo do mar. Com um saquinho pequeno preto ela voou até o local e despejou o que parecia ser areia roxa na água.
-PRAECIPIO TIBI UT EUM SOLUM RELINQUAS ET AD UBI ESSETIS!
A água começou a brilhar e lentamente a se acalmar, Ravena escutou o grito de dor da mulher, Talia voltou para a superfície sua carne estava pegando fogo e seus gritos ficaram mais altos.
-Vai para o inferno! –Ravena assistiu a mulher sumir e suas cinzas caindo no mar e sumindo lentamente pelas ondas. –Damian!
Ravena mergulhou na água, ela logo o achou e o levou para a praia, graças a Deus, Damian estava consciente. Ele deitou na areia recuperando o ar, as marcas no pescoço das mãos sumiram rapidamente. Damian olhou para Ravena.
-Está tudo bem acabou agora. –Ela o abraçou –Acabou.
Já fazia uma semana desde o acidente na praia e Damian estava agindo estranho. Depois que Ravena contou tudo para ele, Damian se trancou no quarto e recusava a falar sobre o ocorrido com alguém, todos respeitaram e agiram como se aquilo nunca tivesse acontecido.
Ravena sabia que não podia força-lo a falar, mas ela também sabia a dor que era carregar tudo sozinha e foi por isso que Ravena caminhou até a praia e sentou do lado de Damian esperando ele falar.
Damian via a ondas se quebrarem quando batiam na areia, o pôr do sol dava ao cenário um ar de tristeza ou será que era ele que se sentia triste?
-Eu só queria saber o porquê?
-Nunca saberemos o que se passa na cabeça de um espirito.
-O que acontece?
-Cada cultura acredita em algo. Na minha, se nossas almas não seguirem o caminho que deve quando morrem elas ficam presas na terra e com o tempo viram seres malignos que machucam e destroem os outros.
-Não. –Damian negou com a cabeça e encarou Ravena –O que acontece quando usa aquele feitiço? Pra onde ela foi?
Ravena não iria mentir.
-Sua alma era ruim havia ódio e sentimentos de vingança nela, acredito que tenha ido para o inferno. –Ravena desviou o olhar –Sinto muito Damian, só pensei em te salvar.
-Ei! – Damian segurou o queixo dela e a forçou olhar para ele –Não estou te culpando, mãe sempre foi complicada. –Damian a soltou e olhou para o mar –É errado eu sentir saudades dela? É errado não guardar rancor por ter tentado me matar em vida e em morte? É errado eu ama-la?
Sua voz estava embargada e um pequena lágrima escorreu pelo olho.
-Não. –Ela sussurrou.
-Obrigado Ravena por tudo.
Damian encostou sua cabeça no ombro dela, ele deixou as lágrimas rolarem em silencio e Ravena olhou o sol se pôr no horizonte.
É isso um especial de Dia das Bruxas DamiRae pra vcs espero que tenham gostado!
Nota: MORS ET VITA significa MORTE E VIDA está em latim segundo o Google Tradutor.
VITA VIESTE FUIT ET IN VITA EXTRA MORTEM SUAM CONSOLATIONEM QUARIT SED IN MORTE DEBET CONSOLATE. TALIA AL-GHULL IN MORTE MENERE DEBET!
NA VIDA FORA DA MORTE PROCURA O SEU CONSOLAMENTO, MAS DEVE CONSOLAR NA MORTE TALIA AL-GHUL.
PRAECIPIO TIBI UT EUM SOLUM RELINQUAS ET AD UBI ESSETIS!
DEIXE-O AONDE ELE DEVE ESTAR.
