King of Hearts
Passos pesados resoavam na neve conforme um grupo de soldados atravessava a grossa camada branca espalhada por todo o redor. Assim que a estranha gaiola tinha desaparecido da ilha Minion, vários soldados começaram investigar todo o local, desde o castelo em chamas no topo da montanha até os campos abaixo, passando por vários piratas derrotados e alguns mortos. Já não era mais incomum ver manchas de sangue colorindo a neve branca de maneira agourenta, mas os homens de uniforme branco continuavam conforme suas ordens. Passado-se algum tempo, um deles chamou o resto do grupo no que encontrou alguma coisa.
Uma enorme mancha de sangue na neve rodeada de penas negras, e pedaços de uma camisa com estampa de coração.
− ...O Almirante não vai gostar disso. – Disse um soldado pesarosamente levantando uma das penas negras em sua mão.
...
...
Pouco sabiam os soldados de que o dono daquele sangue e penas havia se levantado um tempo atrás e com o que restava de suas forças, se arrastava em meio á floresta coberta de neve. Sua respiração fraca e pesada criava uma névoa quente em frente ao seu rosto e quase toda sua face estava manchada de sangue já seco.
Rosinante respirou profundamente sentindo os pulmões arderem e o corpo fisgar de dor, mas não hesitou por um passo sequer, ás vezes apoiando-se nas árvores para se equilibrar.
− Law...
O loiro se arrastou á frente com determinação, ignorando os grossos pingos de sangue que caíam na neve conforme ele caminhava.
A gaiola tinha desaparecido. Agora era sua chance... Tinha que fugir despercebido da ilha e encontrar Law. Precisava saber se ele estava á salvo...
E precisava voltar para casa.
...
...
...
Um mês havia se passado desde á batalha na ilha Minion. Depois de conseguir fugir em uma barca pequena Rosinante passou a maior parte da viagem ao mar descansando para se curar e recuperar as forças, tendo Law em sua mente o tempo inteiro. Assim que encontrou a ilha mais próxima, se colocou a procurar imediatamente. Mesmo que ás vezes assustando os moradores das vilas com seu tamanho e aparência um tanto assustadora - principalmente devido ao sangue seco e buracos de bala em suas roupas - Rosinante olhou em todo redor. Perguntou á todas as pessoas que encontrava se tinham visto uma criança pequena de 12 anos, que usava roupas brancas e chapéu. Sua expressão era infeliz e preocupada toda vez que ouvia um 'não', mas o loiro estava longe de desistir. Não pararia até encontrar Law novamente.
Rezava para que ele tivesse escapado com segurança da Família e de Doflamingo. Queria encontrá-lo e levá-lo com segurança para bem longe da Família, em algum lugar em que nunca fossem encontrados. Rosinante sentiu seu peito arder com a saudade que sentia de Maridia, também. Sabia que ela estaria sofrendo com sua ausência, e silenciosamente pediu desculpas ao olhar para o céu. Ele precisava encontrar Law primeiro.
Ilha após ilha, Rosinante navegou sem parar do dia á noite. Toda vez que desembarcava ele saía perguntando sobre Law, procurando alguém que tivesse o visto pelos arredores. E mesmo quando ninguém dizia tê-lo visto, ainda procurava pelas florestas, cavernas ou montanhas. Sua determinação mantinha-se forte apesar de seu corpo ainda ferido, e os olhos âmbar dele brilhavam com convicção. Não iria desistir. Jamais.
...
Em uma manhã ensolarada, Rosinante fechou seu casaco de penas ao redor do corpo a fim de não assustar o homem do qual ele se aproximava com as manchas de sangue, murmurando a pergunta que tinha feito incontáveis vezes.
− Um garoto? Baixinho, de chapéu? – O homem disse intrigado, apesar de também olhar para Rosinante cautelosamente. – Eu vi sim. Deve fazer uns 3 dias que eu vi ele na estrada. Saiu correndo assim que uma carroça passou, e foi bem longe para o outro lado da trilha. Talvez seja o garoto que procura.
Rosinante arregalou os olhos cheio de esperança.
− Obrigado! Pra que lado era a estrada? – Ele perguntou animado e ansioso, antes de agradecer com gesto de seu rosto e então sair correndo na direção que o homem apontou.
O homem piscou surpreso vendo que o outro já tinha imediatamente desaparecido de tão rápido que correu, e deu de ombros silenciosamente antes de voltar ao seu caminho. Rosinante no entanto, correu o mais rápido que pôde passando pela estrada até que chegou em uma cidade, perguntando á mais pessoas se tinham visto Law em algum lugar. Alguns balançavam á cabeça negativamente mas outros assentiam, apontando para o norte da ilha. Rapidamente o loiro se apressou naquela direção sentindo o coração acelerado. Será que era ele mesmo...? Tinha que ser!
...
Suspirando, Law se sentou debaixo de uma árvore, na sombra. Colocou a mão sobre o estômago sentindo ele roncar e assumiu uma expressão amarga no rosto, morrendo de fome. Não tinha comido nada desde á tarde anterior quando tinha roubado comida de uma banca, e suspirou pesadamente. Aquela ilha não seria muito útil, e ele ainda achava estar perto demais da Ilha Minion... Queria desesperadamente ir para longe dali, o mais longe possível. Fungando de leve Law esfregou o rosto com um braço e abraçou as próprias pernas.
Acharia algum bote para fugir dali e ou se infiltraria em algum navio que o levasse para longe. Isso tinha sido seu plano desde que fugira, mas não tinha sido longe o suficiente ainda. E pior, se sentia completamente perdido. Não tinha se dado conta de quão boas as coisas tinham sido com Cora-san apesar das constantes fugas e de sua doença; tinham sempre abrigo e comida, e Cora-san sempre o ajudava a dormir bem. Se sentia seguro com ele... Mas agora estava completamente sozinho.
Apoiando a testa em seus joelhos Law permaneceu silencioso e amargurado. Ainda sentia tanta falta dele... Daquele idiota do Cora-san... Por quê tinha que morrer...
Fungou de leve novamente antes de piscar, ouvindo um som ao redor. Rapidamente Law levantou seu rosto e se colocou de pé. Podia ouvir alguém na floresta, mas não conseguia ver nada ao redor. Sacou uma faca que também havia roubado e a ergueu preparado para se defender. Tinha tido que se defender de ladrões e animais selvagens algumas vezes, e estava pronto para fazer isso de novo se necessário.
Sua expressão era firme porém Law se sentia tenso, uma gota de suor escorrendo pelo seu rosto. Ainda olhava ao redor com os olhos verdes atentos, tentando identificar de onde vinha o som. Piscou assim que ouviu um galho se partir do seu lado e pulou, levantando a faca pronto para esfaquear quem quer que fosse.
No entanto, Law piscou rapidamente e começou a estremecer. A figura que se aproximou por entre as árvores afastando os altos arbustos era a única pessoa que ele não esperava ver; mas a que mais queria ver.
− Law! – Rosinante gritou assim que passou pelas árvores e o viu. Tinha seguido as direções do povoado até a encosta oposta da ilha e á floresta, tendo procurado por algum tempo antes de enfim encontrá-lo.
− C... Co... – Law tremia e soltou a faca, que caiu de ponta no chão, afundando de leve na terra seca. Os olhos verdes dele estavam arregalados em choque, mas ele imediatamente começou a correr na direção do homem alto á sua frente, se jogando nos braços dele quando Rosinante se agachou para recebê-lo. – Cora-san!
Rosinante fechou os olhos com força assim que Law estava em seus braços e o espremeu contra si, mal acreditando. Tinha o encontrado, finalmente...!
− Estou aqui, Law...! Estou aqui! Sou eu mesmo! – O loiro dizia com a voz trêmula, lágrimas já escorrendo pelo seu rosto descontroladamente. Abraçou a criança com toda sua força mas sem machucá-lo, rindo fracamente.
− C... Cora-san! Cora-san! – Law continava gritando enquanto agarrava na camisa dele, completamente incrédulo enquanto as lágrimas escorriam sem fim de seus olhos. Aquilo era real? Ele tinha visto Cora-san prestes a morrer na neve... Mas se ele estava morto, quem é que estava ali? Será que estava sonhando...? Se estivesse, ele não queria acordar. Queria ficar ali e fingir que as coisas estavam bem. – Cora-san...! Eu... Eu p-pensei...
Balançando seu rosto negativamente, Rosinante murmurou ainda de olhos fechados mantendo a pequena criança em seu abraço. – Não importa agora. Eu estou bem, e você também... Estive procurando você... Que bom que te achei, Law...!
Law fungou com o rosto ainda lavado, levemente se afastando para olhar para o loiro.
− M... Mas... Como? Você não estava...
− Não. Cheguei perto, mas... Não era minha hora ainda. – E Rosinante colocou de leve uma mão sobre o chapéu de Law afetuosamente, apesar de ainda estar todo coberto de lágrimas e os olhos marejados. Sorriu daquela forma tão familiar que Law reconhecia de longe. – Eu não podia deixar você sozinho, Law.
Respirando fundo e rapidamente, Law esfregou os braços em seu rosto molhado depressa mas ainda fungava tendo dificuldade em controlar as lágrimas. Planejava dizer alguma coisa mas piscou ouvindo Cora-san falar outra vez.
− Precisamos ir embora daqui, depressa. Mas... Não posso voltar para a Marinha.
− P... Por quê? – Law perguntou piscando. Já não se importava mais se Cora-San era da Marinha ou não, tudo que importava era que ele estava de volta e que estava vivo.
− Bem... Eu... – Rosinante começou a dizer no que endireitou seu corpo, mas imediatamente bambeou e caiu de lado, tombando pesadamente no chão.
Instantaneamente Law ficou em pânico, agarrando no casaco dele de forma aflita com as duas mãos. – Cora-san! Cora-san, não! Agora não, de novo não!
Rosinante respirou fundo mas fracamente, a fatiga do mês de sua procura finalmente o atingindo.
− Desculpe, Law... Não comi nada desde que começei a te procurar... – Ele admitiu dando um sorriso frágil no que tinha o corpo ao chão, e o rosto encostado na terra seca. – Me sinto um pouco fraco mas vou ficar bem... Só preciso de um tempo.
− N... Não comeu nada? – Law arregalou os olhos atônito, apesar de ainda temeroso de Cora-san estar morrendo outra vez. Se não tinha calculado errado, fazia mais de um mês que tinha fugido da Ilha Minion... Isso significava que Cora-san não comia nada fazia um mês... Como é que estava vivo ainda? Law sentiu-se estúpido por reclamar de fome apenas alguns momentos atrás e balançou o ombro do loiro de leve. – Eu vou pegar alguma coisa pra você!
Rosinante sorriu suavemente, ainda no chão. – Eu não tenho dinheiro, Law...
Law insistiu balançando a cabeça depressa, os olhos se enchendo d'água de novo.
− Não importa, eu vou conseguir alguma coisa! Não vou deixar você morrer de novo! Não vou perder você! – A voz dele apesar de trêmula, era cheia de convicção. Law se colocou de pé após esfregar seu rosto de novo. – Fique aqui!
Com cuidado e muita força, Law rangeu os dentes no que puxou o corpo grande e pesado de Cora-san, conseguindo fazer com que ele se sentasse recostado á uma árvore. Parecendo muito cansado, o loiro murmurou. – Eu devia ir com você. Não posso te deixar sozinho de novo.
− Não! – Law disse firmemente, arrumando seu chapéu. – Vai ficar aqui, eu já volto.
E esfregou os olhos marejados outra vez antes de sair correndo pela floresta. Não deixaria Cora-san morrer! Iria roubar comida e ajudá-lo a se recuperar, nem que fosse a última coisa que fizesse! Com pressa Law correu até a cidade enquanto Rosinante respirava profundamente. Sorriu consigo mesmo e fechou os olhos feliz.
Law se importava com ele... Que bom.
...
Quando voltou o céu já havia se tornado escuro, portanto Law providenciou gravetos e folhas secas para fazer uma fogueira também. Assim que entrou na floresta e refez seus passos no lugar onde tinha deixado Cora-san, sentiu um aperto no seu coração. O homem alto estava ainda sentado onde ele tinha o deixado, mas tinha o rosto abaixado e levemente inclinado para um lado.
− N... Não... Não, não não – Law derrubou os gravetos e o saco de comida no chão correndo na direção do homem. – Cora-san, não morra! Você não pode morrer! Cora-san!
Já começando a chorar de novo, Law piscou vendo com que o homem começou a se mexer.
− Hmm...? – Rosinante abriu os olhos devagar, piscando e olhando para Law preguiçosamente. Ergueu um braço no que sorriu e coçou a nuca timidamente. – Desculpe, eu acho que caí no sono enquanto esperava você voltar...!
A próxima coisa a vir foi o som da pancada que Law deu na cabeça do loiro.
− NUNCA MAIS ME ASSUSTE DE NOVO! – Law rosnou furioso no que Cora-san tremia com o recém-obtido galo em sua cabeça mas então riu.
Law queria ficar enfurecido com ele e lhe descer a porrada, mas não conseguia não sentir o peito se encher de alívio e alegria no que olhou na direção de Cora-san, vendo-o rir de olhos fechados á sua frente. Soltou um suspiro e esfegou os olhos com as costas de uma mão, sorrindo de leve sentindo-se muito, mas muito feliz por tê-lo de volta.
...
Depois que se certificou de que Cora-san se alimentasse bem - apesar de que ele insistiu em dividir a comida e Law teve que ceder, agradecendo internamente já que estava com muita fome também - Law se sentou ao lado dele em frente á fogueira acesa. Passaram um tempo conversando no que Cora-san explicou como tinha fugido da ilha uma vez que a gaiola sumiu, e de como tinha chegado até ali. Sentindo-se admirado e grato que ele tinha sofrido tudo aquilo e ainda assim tinha procurado por ele, Law levemente fungou.
− Eu estou feliz que você está vivo – Law admitiu finalmente, abraçando as próprias pernas no que deixava a fogueira aquecê-lo.
Piscando, Rosinante abriu um sorriso alegre e bobo, o que fez Law rolar os olhos.
− Não me olhe assim! – Ele bufou defensivamente. – E sua cara está toda ensanguentada ainda!
Surpreso o loiro exclamou e esfregou as mãos em seu rosto depressa. – Desculpe! Não tinha pensado nisso...
Murmurando, Law observou-o antes de falar novamente. – O que vamos fazer? Pra onde nós vamos?
Respirando fundo depois de limpar um pouco o sangue seco em seu rosto, Rosinante olhou para Law.
− Nós temos que sair daqui e ir para um lugar seguro. Eu infelizmente sei que não posso voltar para o Quartel General agora, mas... Eu sei de alguém que pode nos ajudar.
− Quem? – Pergunta Law surpreso, não tendo idéia de quem Cora-san se referia.
Sorrindo, Rosinante olhou para as chamas trepidando na fogueira.
− Uma pessoa muito importante pra mim. – Ele disse lentamente.
Após uma pausa, Law murmurou. − Alguém da Marinha?
Piscando ao olhar novamente na direção dele, Rosinante assentiu.
− Sim. Ela é muito corajosa e tenho certeza que vai nos ajudar. É perigoso agora pra mim aparecer por aí, mas eu confio minha vida á ela. Assim que amanhecer, nós vamos procurá-la. Está bem?
Law assentiu devagar e piscou quando o loiro ajeitou parte de seu casaco sobre ele de forma carinhosa. Cora-san sorria como sempre e Law sentiu seu peito se apertar, mas aproximou-se de leve do lado dele, querendo permanecer próximo. Depois de tanto tempo ele tinha Cora-san de volta, e não queria perdê-lo de novo.
...
...
Assim que amanheceu, a primeira coisa que Law fez depois de esfregar seus olhos foi olhar para o lado e se certificar de que não tinha sonhado os acontecimentos da tarde anterior. De forma ansiosa ele rapidamente ergueu seu rosto e com alívio viu Cora-san ali, levemente inclinado em sua direção de olhos fechados no que tinha permanecido próximo a noite toda e o mantido aquecido durante a noite. A fogueira já tinha se apagado, e as cinzas eram levadas pela brisa leve.
Law sorriu e suspirou com alívio, olhando para Cora-san dormindo de forma contente. Não tinha sido um sonho. Que bom.
Levantando-se devagar ele se adiantou pela floresta á procura de algumas frutas e comida, querendo preparar um café da manhã para Cora-san como tinha feito antes. Juntou alguns alimentos no mesmo saco que tinha trazido no dia anterior e trouxe novos galhos secos para reacender a fogueira, começando a preparar a comida no que Cora-san lentamente começou a piscar, despertando. Assim que o viu, o loiro sorriu abertamente. Esperou a comida ficar pronta e logo depois ambos estavam comendo animadamente.
Limpando sua boca depois de um tempo, Law perguntou: − Essa pessoa que vamos encontrar... Quem é?
− Oh. − Piscando com a pergunta, Rosinante sorriu então explicando ao gesticular com os braços. – O nome dela é Maridia, ela é uma tenente da Marinha. Ela trabalhava comigo, e... Bem, pode-se dizer que somos próximos, quer dizer... Ah... Bom, eu... Ela também fica no QG,e nos víamos toda vez que eu voltava pra lá, e...-
− ...Por quê não diz logo que é sua namorada? – Law interpõs sem rodeios com uma sobrancelha erguida.
Corando profundamente Rosinante arregalou os olhos surpreso, e então agitou os braços.
− B-Bem, quer dizer...! É, eu... Sim, é isso mesmo! – E riu timidamente esfregando sua nuca outra vez.
Law rolou os olhos mas observou-o de forma curiosa. Cora-san tinha uma namorada...? Isso era algo que nunca tinha passado pela sua cabeça. Que tipo de pessoa será que ela era? Será que era tão boba quanto Cora-san ou será que era uma pessoa firme e séria? Sendo tenente da Marinha ele supôs que sim, mas afinal, Cora-san era Comandante e mesmo assim era um idiota...
− E como vamos fazer pra falar com ela? Você não disse que não pode voltar pro Quartel agora? – Law perguntou de forma eficiente.
Rosinante passou uma mão por seu queixo de forma pensativa. Pausou por um tempo antes de dizer: − Provavelmente termos que nos infiltrar no QG e procurar por ela.
Piscando, Law pareceu surpreso. – Não pode simplesmente ligar para ela com o Den Den Mushi?
Balançando a cabeça Rosinante murmurou, ajustando as pernas compridas no chão.
− Não. Agora que Doflamingo descobriu a verdade sobre minha identidade, é provável que queira interceptar ligações da Marinha. Pode ser muito perigoso, e eu não quero envolvê-la demais nisso. – O tom dele era sério e Law piscou, surpreso.
− O que vamos fazer então?
Respirando fundo o loiro colocou-se a pensar e permaneceu assim por um tempo, até que falou outra vez. – Teremos que ir pessoalmente até o QG, e você irá entrar lá.
− Eu? – Law arregalou os olhos.
Rosinante assentiu e tocou nos ombros dele, se inclinando para a frente para olhar nos olhos de Law.
− Sim. É arriscado demais pra mim entrar no QG, mas se eu usar meus poderes em você, Law, você conseguirá entrar sem ser notado. – O loiro começou eficientemente. – Não fará som algum e poderá encontrá-la dentro do Quartel, provavelmente na sala dela.
− Mas como eu vou falar com ela se não puder fazer som algum? – Law levantou uma sobrancelha com a falha na missão.
Rosinante piscou e franziu o cenho antes de balançar o rosto.
− Apenas a convença á seguir você, se for preciso! Escreva em algum papel, alguma coisa do tipo! – Ele disse de forma urgente. – Precisamos da ajuda dela. Maridia vai poder conseguir um lugar seguro para ficarmos. Pra isso, precisamos falar com ela pessoalmente. Se você conseguir atraí-la para fora do Quartel e levá-la até mim, eu explicarei tudo!
Murmurando em concordância, Law assentiu. Esperava mesmo que essa tenente fosse de confiança e que fosse capaz de ajudá-los.
− Tudo bem. Vamos? – Ele disse eficientemente e Cora-san sorriu.
Se colocando de pé sendo estupendamente alto como de costume, o loiro sorriu abertamente.
− Vamos lá! O plano vai dar certo! – Não escondendo muito bem o quão ansioso estava para rever Maridia.
...
...
Uma vez que Law e Corazon tinham conseguido chegar até New Marineford, os dois espiavam na direção da espantosa construção visível á distância. Law nunca tinha imaginado que o Quartel General da Marinha fosse tão grande, e vendo-o agora ele se sentia um tanto inseguro com a missão. Porém balançou a cabeça afastando esses pensamentos e se virou para Cora-san com a expressão determinada. Tinha repassado os passos um por um outra vez.
− Lembra do que eu expliquei, certo, Law? – Rosinante disse no que agachou na direção do garoto. – Ala leste, segundo andar, corredor principal e então á esquerda, terceira porta, azul.
Law assentiu. – Sim. Estou pronto.
Sorrindo orgulhoso, Rosinante assentiu de volta. – Ótimo! Lembre-se de subir pelo muro externo na parte traseira do prédio. Onde ver uma árvore saberá que é a área de treinamento. Se estiver deserta, por lá você já vai poder achar seu caminho pro segundo andar com facilidade. Você consegue fazer isso, Law!
− Eu sei, chega dessa conversa estimulante – Law bufou de leve, apesar de não estar irritado de verdade.
Rindo brevemente, Rosinante então olhou para ele e alcançou sua mão em sua direção.
− Calm.
Law olhou para o próprio chapéu quando Cora-san o tocou, e então olhou para suas mãos. A sensação era a mesma da última vez em que tinha tido os poderes de Cora-san usados nele. Assim que Cora-san fez um gesto encorajando-o a experimentar se estava tudo certo, Law se virou e chutou uma pedra. A pedra voou silenciosamente e caiu sem fazer ruído algum. Sorrindo ele se virou para o loiro e Cora-san abriu um grande sorriso de volta.
− Pode ir! – Rosinante gesticulou. – Se as coisas ficarem ruins, saia correndo e venha direto pra mim.
Assentindo, Law respirou fundo em silêncio e olhou na direção do prédio focado. Então, com os passos completamente abafados pelos poderes de Cora-san, ele correu até o Quartel General.
...
Uma vez que tinha conseguido entrar no Quartel sem ser notado por ninguém, Law moveu-se depressa através dos corredores lembrando de cada instrução que Cora-san lhe deu. Subiu pelas escadas e avançou pelo caminho sem fazer ruído algum, até notando ás vezes alguns soldados trabalhando, nem sequer dando atenção á ele devido ao silêncio total. Agradecido pela cobertura, Law se adiantou á esquerda e continuou a correr, olhando cada porta até que chegou á terceira, a porta azul.
Era aquela!
Olhando ao redor por um momento antes de alcançar a maçaneta, Law agarrou-a e virou.
A porta não se moveu.
Law piscou e trouxe sua mão de volta perto de seu corpo.
Droga! Cora-san não tinha dito nada sobre a porta estar trancada! E agora?
Rapidamente Law olhou ao redor novamente, mas não havia ninguém por ali. Bateu com seu corpo contra a porta algumas vezes sem fazer ruído, mas não tinha adiantado nada. Suspirando, ele cerrou as sobrancelhas se virando de costas para a porta. Podia ver que através do corredor haviam várias janelas e algumas varandas, então pensou: Talvez houvesse um jeito de entrar pelo outro lado. Adiantando-se para o fim do corredor Law fez seu caminho até o lado oposto daquela área, e deslizou para fora de uma janela. Se não tivesse errado os cálculos, poderia seguir pela parede até encontrar a janela da sala, e entrar por ali. Se não estivesse trancada também...
Balançando o rosto Law se focou e agarrou com força na parede, engolindo em seco silenciosamente no que começou a esgueirar por um parapeito curto, evitando de olhar para baixo. Se Cora-san o visse agora provavelmente piraria...
Assim que achou a janela certa, Law a empurrou com a mão e soltou uma exclamação silenciosa no que a janela se abriu e então ele caiu para dentro, sem fazer som. Esfregando uma mão na cabeça, Law se colocou de pé. Estava dentro da sala, afinal; mas parecia que não havia ninguém ali. Haviam estantes cheias de livros, uma mesa e um espaço ao lado, mas espiando por todo o redor Law não viu ninguém. Agora aborrecido e sem saber o que fazer, ele olhou na direção da mesa da tenente e subiu na cadeira, começando a abrir as gavetas.
Piscou quando viu algumas papeladas e tirou algumas de dentro da gaveta, olhando para a folha que estava no topo com atenção.
...
...
Rosinante esperava de forma preocupada, de vez em quando andando em círculos. Aguardava escondido em uma pequena floresta próxima do Quartel até que piscou notando a figura de Law a correr em sua direção. Ele sorriu com antecipação e esperou Law chegar perto dele para desfazer o efeito de seus poderes.
Sem conter sua ansiedade, o loiro olhou ao redor por trás de Law. – Você voltou! Onde ela está?
− Não está em lugar nenhum, Cora-san. – Começou Law, o que fez o loiro piscar imediatamente alerta. – Mas eu achei isto.
E ele estendeu a folha de papel na direção de Cora-san, que a pegou e ergueu para lê-la sem entender. O homem alto franziu o cenho levemente confuso e pausou enquanto lia a informação no papel.
− ...Documento de transferência...? – Rosinante piscou claramente confuso. – Crystal Island?
Law esperava claramente sem entender também.
Rosinante parecia confuso e agora preocupado. Maridia não podia ter sido transferida. Era impossível.
− Não sei de nenhuma base da Marinha nessa ilha... É a primeira vez que ouço falar nela. Mas esse documento parece recente, e é a única pista que temos. – A voz dele era preocupada.
− Então o que estamos esperando? – Law disse com pressa. – Vamos encontrar esse lugar!
Piscando Rosinante parecia surpreso antes de sua expressão tornar-se determinada, e ele assentiu com convicção.
− Sim. Vamos para Crystal Island.
...
