AVISOS:
1. Era para ser uma oneshot, mas acabou ficando longa e dividi em 3 partes;
2. O ship é Hermione x Sirius, e se passa depois da Guerra;
3. Classificação M por linguagem adulta e cenas de sexo;
4. A shortfic está completa!
Por favor deixem reviews!
WICKED GAME
PARTE 1
Hermione havia ficado obcecada por Sirius Black. Talvez fosse o fato de que ele estava em todos os cantos daquela casa escura no Largo Grimmauld, que a castanha passou a dividir com Harry e Ron depois da guerra. Talvez fosse o fato de que ela havia ficado sozinha naquela casa desde o casamento do amigo e Ginny e do término com Ron, entrando no antigo quarto de Sirius mais vezes do que seria prudente. Talvez fosse o fato de que a curiosidade que a consumia a levou a mexer no antigo guarda-roupa do homem e perceber que o cheiro dele ainda estava em suas roupas. Aquele cheiro familiar de tabaco, couro e perfume caro. Talvez fosse o fato de que Harry constantemente confessasse que sentia falta do padrinho. Talvez fosse o fato de que ela passou a sonhar com ele, alimentando sua paixonite juvenil. Ou talvez fosse todas as opções juntas, misturando-se e remexendo-se dentro dela.
Hermione havia ficado obcecada por Sirius Black, e isso fez com que ela ficasse também obcecada em tê-lo de volta. Foram aproximadamente dois anos de pesquisas e tentativas frustradas, até que ela conseguiu. Um encantamento ilegal e uma corda comprada escondida na Borgin & Burkes, e ela foi capaz de adentrar o Véu e puxar o homem para fora.
Era sexta-feira e fazia quase uma semana que Sirius havia voltado, e os dois não se falavam. Sirius a odiava, e a punia com silêncio. Ela preferia que ele voltasse a gritar com ela, como havia feito logo após voltar à vida, culpando-a por brincar de enganar a morte, culpando-a por trazê-lo de volta após mais doze anos de uma vida perdida. Sim, ela preferia isso ao silêncio frio dele.
Hermione desceu as escadas da casa de número 12. Sirius escutava os saltos dela contra os degraus, e sabia que ela estava saindo para trabalhar. Como de costume, ele não tirou os olhos do Profeta Diário quando a ouviu – e sentiu – passar por trás do sofá em que ele estava sentado, dirigindo-se à porta. Ele ouviu quando ela parou, provavelmente na soleira da porta, e suspirou.
- Eu encontrei um lugar para ficar – ela disse, e era a primeira vez que ele escutava a voz dela em três dias, que foi quando ela simplesmente desistiu de pedir que ele falasse com ela – vou tirar todas as minhas coisas no domingo.
- Ótimo – ele respondeu secamente, passando para a próxima página do jornal.
Hermione engoliu em seco e saiu da casa, fechando a porta com cuidado. Quando chegou na calçada, encontrou Harry, que aparentemente estava indo mais uma vez visitar o padrinho. Os dois, naturalmente, haviam passado muito tempo juntos na última semana. Harry havia contado a Sirius, de forma rasa, sobre os acontecimentos dos últimos anos, convidara o padrinho para jantar e conhecer James Sirius, o que Hermione acreditou ter deixado o homem feliz. Acreditou, pois ela, de fato, não sabia. O padrinho do amigo havia deixado claro que não queria nada com ela, e então ela jantou todos os dias sozinha enquanto o homem visitava todos os antigos amigos.
É claro que Harry não levou a situação positivamente, inclusive fora ele quem se enfiara entre Sirius e Hermione quando o homem avançou sobre ela ao saber da morte de Remus. Mas Hermione havia tranquilizado o amigo de que estava tudo bem, o que era claramente uma mentira. Sirius voltara do Véu no domingo. Na segunda-feira Harry os convidara para jantar, e Hermione disse que estava atolada de trabalho no Ministério. Na terça-feira, Molly deu uma pequena festa de boas-vindas a Sirius, e Hermione disse que ainda não havia concluído os relatórios do dia anterior e ficaria até mais tarde trabalhando. Na quarta-feira os sobreviventes da Ordem se reuniram, e Hermione disse que havia uma consulta médica marcada. Na quinta-feira, Harry e Sirius saíram para beber em um bar bruxo, e Hermione não precisou inventar qualquer desculpa, já que o amigo sabia que o padrinho não queria nem olhar para a cara dela e, por isso, apenas lhe lançou um olhar de desculpas quando ela os pegou saindo da casa. E agora, sexta-feira, Hermione não sabia se Sirius ficaria em casa, mas, de qualquer forma, sabia que não estaria incluída em qualquer plano.
- Oi, Mione – Harry cumprimentou – como você está?
- Ótima – ela mentiu, e ele percebeu – e atrasada.
- Você sabe se Sir...
- Ele está lá dentro.
Harry encarou a amiga por um bom tempo, analisando as feições da bruxa e tentando desvendar como ela estava. E não precisou de muita análise para ele perceber que ela não estava bem. Os dois eram amigos há anos, mas foi somente depois dos longos meses que passaram juntos em busca das horcruxes que Harry passou a conseguir ler a amiga. Ele sabia que ela não estava bem, mas que também não estava disposta a conversar sobre o assunto. O moreno, então, limitou-se a tomá-la num abraço e sussurrar que as coisas iriam melhorar. Ela secou uma tímida lágrima com as costas da mão e se despediu de Harry antes de aparatar.
O bruxo então se dirigiu à casa e entrou, anunciando sua chegada. Viu quando Sirius se levantou do sofá, fechando o jornal, e abrindo um sorriso ao afilhado enquanto se dirigia a ele para um abraço. O mais velho tomou o rosto do mais novo entre as mãos.
- Eu juro por Merlin que se não fosse por esses olhos eu poderia jurar que você é o seu pai.
Harry abriu um sorriso para o padrinho. Ele gostava de ser comparado a James. Não só porque James era seu pai, mas porque era uma pessoa muito amada e querida por Sirius e Remus, duas pessoas a quem Harry amava muito. Para o moreno, ser comparado ao pai era o melhor elogio que poderia receber.
- Vi Hermione quando cheguei – Harry disse fingindo despretensão.
- Sim, ela saiu para trabalhar ou seja lá o que ela faz – Sirius respondeu, rolando os olhos.
- Você está sendo muito duro com ela – Harry repreendeu, e viu o padrinho rolar os olhos mais uma vez enquanto voltava ao sofá e indicada uma poltrona para que o afilhado se sentasse.
Com um aceno de varinha, Sirius conjurou duas xícaras e um bule de chá. Naturalmente, o bule serviu as xícaras sozinho, enquanto o padrinho tirava uma carteira de cigarros do bolso interno do casaco e colocava um cigarro entre os lábios. Harry se sentou de frente para Sirius e bebericou de sua xícara.
- Talvez eu esteja – Sirius respondeu, dando de ombros – mas agora já está feito.
- Você poderia pedir desculpas a ela – Harry disse, pousando a xícara em cima da mesa de centro.
- Pedir desculpas a ela? – Sirius respondeu ofendido – ela quem deveria me pedir desculpas, eu não fiz nada de errado.
- Ela te pediu desculpas, caso você não lembre.
- Não me lembro disso – Sirius pontuou teimosamente.
- Sim, ela pediu desculpas – Harry suspirou, levando uma mão à têmpora, demonstrando cansaço – mas você não deve ter escutado, já que estava ocupado demais gritando com ela. Acredito que tenha sido entre "espero que esteja feliz por arruinar minha vida" e o "eu te odeio".
Pela primeira vez na vida, Harry viu Sirius envergonhado. O padrinho estava com o rosto corado e encarava as próprias mãos, que mexiam nervosamente no cigarro em seu colo.
- Ela pediu para ficar lá em casa, sabe – Harry continuou. Sirius finalmente o encarou, vestindo sua máscara de indiferença novamente, e o afilhado quase riu.
Harry aprendeu muitas coisas sobre o padrinho desde o verão em que passou com ele antes de seu quinto ano em Hogwarts. Aprendeu que toda a arrogância e indiferença de Sirius não passavam de uma máscara, que ele vestia para esconder o fato de que era, na realidade, muito atencioso e sensível. Em alguns poucos momentos, uma pessoa muito atenta conseguiria ver através da máscara. E esse fora um desses momentos.
- Ela comentou algo sobre ter encontrado um lugar para ficar, mas confesso que pensava que ela havia arranjado um apartamento.
- Ela não encontrou ainda um apartamento decente – Harry respondeu – então vai ficar comigo, Ginny e os meninos até encontrar.
- Ela poderia ficar aqui – Sirius deu de ombros – as coisas dela já estão espalhadas por todo o lugar mesmo, não é como se eu me importasse de ela ficar.
- Engraçado você mencionar isso, Sirius – Harry deu um sorriso debochado – porque parece muito que você se importa.
- Eu já entendi, ok? – Sirius cruzou os braços – eu vou... argh... pedir desculpas. Você é insuportavelmente igualzinho ao seu pai.
Harry sorriu satisfeito.
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Quando Hermione chegou ao Largo Grimmauld, já estava relativamente tarde. Ela havia vagado pelo Beco Diagonal por horas a fio, tentando passar o tempo antes de ir para casa. A casa dele. Não havia muito trabalho a ser feito, já que por dois dias ela ficou até tarde adiantando seus relatórios, sem sequer pensar que se adiantasse demais, não sobraria o que fazer no final da semana. A bruxa respirou fundo antes de entrar no número 12, e ficou surpresa ao perceber que a casa estava cheia.
- Finalmente você chegou! – Ginny exclamou, correndo até a castanha e dando um beijo estalado em sua bochecha enquanto oferecia um copo do que Hermione acreditava ser Firewhisky.
Os olhos da recém-chegada correram a sala de estar e visualizaram que todos os Weasley estavam presentes, assim como seus pares. Luna, Neville, Seamus e até o próprio Shackelbolt estavam ali.
- Por que demorou tanto? – George perguntou.
- Eu... ãhn... estava presa em alguns relatórios – Hermione respondeu.
- Relatórios? – Shackelbolt levantou uma sobrancelha – você já não me entregou os relatórios da semana ontem?
Os olhos de Hermione correram a sala, percebendo que várias das pessoas ali a encaravam com interesse, a mesma expressão desconfiada do atual Ministro. Inclusive ele. Os olhos cinzas queimavam Hermione, encarando-a com interesse. Ela desviou os olhos muito rápido.
- Hermione é a funcionária mais competente do Departamento – Shackelbolt dizia para Arthur, mas em alto e bom som para quem quisesse escutar – essa semana, por exemplo, adiantou todo o trabalho e agora vou ter que arranjar o que repassar para ela!
O rosto de Hermione queimou.
- Eram outros relatórios sobre... sobre... vou me trocar – ela respondeu rapidamente e deixou a sala, subindo as escadas praticamente correndo, com o copo de Firewhisky ainda em mãos.
Adentrou em seu quarto e fechou a porta, suspirando aliviada e largando o copo sobre uma cômoda. Tirou os sapatos, afrouxou o colarinho da camisa, soltou os cabelos e se dirigiu ao banheiro enquanto desabotoava as calças. Precisava urgentemente de um banho quente para relaxar os músculos dos ombros. A bruxa se despiu do resto de sua roupa e entrou no chuveiro. Trancou a respiração e enfiou a cabeça embaixo d'água e ficou ali até precisar respirar novamente. Relaxava-lhe quando a água caía sobre seu rosto e molhava seus cabelos. Tomou um banho relativamente demorado, vestiu-se com uma calça jeans justa e um suéter branco de gola alta não muito pesado, já que a temperatura estava relativamente amena. Penteou os cabelos e desceu as escadas.
Risadas ecoavam da sala e ela resolveu ir até a cozinha se servir de um copo d'água antes de voltar àquela algazarra, já que sentia seus lábios secos. Voltou para a sala com o copo em mãos e, dessa vez, quem se aproximou foi Angelina, tomando o copo de água de sua mão e substituindo-o por um de Firewhisky.
- Não mesmo! É sexta-feira! – ela falou em tom alto, e Hermione soltou uma risada ao perceber que ela já estava levemente alcoolizada – eu não deixei as crianças com os avós para vir aqui e você beber água.
- A água era só para matar a sede – Hermione explicou, sorrindo – o whisky é para me divertir.
- Esse é o espírito! – George exclamou, batendo seu copo no de Hermione, fazendo um brinde, enquanto enlaçava a cintura da esposa.
- Eu estou indo buscar mais bebidas no depósito – Ron anunciou, enfiando-se entre Angelina e George – vocês três querem algo em particular?
- Veja se ainda tem aquele absinto de duende – George respondeu.
- George? – Angelina o encarou incrédula.
- O quê? – ele respondeu – estamos livres das crianças por dois dias inteiros, eu só saio daqui carregado!
Hermione riu e Ron assentiu, passando entre eles em direção à cozinha, e a bruxa castanha percebeu que o ruivo tinha um enorme arranhão que começava na lateral do pescoço e sumia por dentro da gola da camisa.
- Ron está machucado? – ela perguntou, preocupada e George riu de forma marota.
- Sim, de todo o sexo selvagem que ele e Lavender andam tendo – ele respondeu e Angelina lhe deu uma cotovelada nas costelas – OUCH! Mas é verdade! Ela virou uma versão feminina do Bill desde o fim da guerra, bifes crus e móveis quebrados durante o sexo. OUCH, pare de me bater, mulher!
Sirius estava relativamente perto e escutava o assunto com certo interesse. Afinal, quando ele "morreu" todos ali eram crianças, Ron tinha o quê? Quinze anos no máximo. E agora estava tendo uma vida sexual bastante agitada, com direito a móveis quebrados e arranhões no pescoço. Sirius não pôde deixar de sentir certa inveja. Não sabia há quanto tempo estava se aliviando sozinho por falta de companhia na cama.
- Eu fico feliz que Ron tenha achado alguém com quem tentar coisas novas – Hermione respondeu e Sirius apurou os ouvidos, um sorriso brincando em seus lábios. Estaria a bruxa com ciúmes? Ele sabia, é claro, que os dois haviam namorado, Harry lhe contara. E, aparentemente, o Weasley mais novo não costumava ter esse tipo de sexo com ela.
- Viu? Eu te falei que ela estava bem com isso – George disse a Angelina, que revirou os olhos e empurrou o marido para longe, engatando uma conversa com Hermione sem a presença dele. No entanto, as duas foram interrompidas por Ginny, que puxou Angelina pelo braço dizendo que George havia vomitado no tapete do corredor. A morena exclamou algo como "toda santa vez", e saiu, deixando Hermione sozinha.
Sirius aproveitou a oportunidade e se colocou ao lado da bruxa, que demorou poucos segundos para perceber sua presença, mas fingia não ter percebido. O mais velho limpou a garganta antes de falar.
- Eu não te odeio – ele disse, e ela o encarou com seus grandes olhos castanhos e uma sobrancelha levantada.
- Fico realmente aliviada de ouvir isso – ela respondeu, ainda desconfiada.
Sirius ficou tanto tempo bravo com ela que só agora percebia que ela havia se tornado uma mulher. Antes da batalha no departamento de mistérios, havia uma lacuna de quase vinte anos entre eles. Agora havia uma lacuna de o quê? Pouco mais de cinco? Os olhos castanhos permaneciam os mesmos, mas todo o resto estava... diferente. Ele desviou o olhar dela e deu um gole de seu Firewhisky.
- Você não precisa se mudar – ele continuou, olhando para frente em direção a Ginny, que estava realmente bêbada e ria sem parar de algo que Neville havia dito – essa casa é muito grande e deprimente para se viver sozinho.
- É esse o seu jeito de me pedir desculpas? – ela perguntou.
- Eu não estou te pedindo desculpas – ele respondeu, bufando – eu estou aceitando as suas.
- Está? – ela perguntou, parando em frente a ele, uma mão apoiada na cintura e outra ainda segurando o copo – isso é ótimo, mas eu acho que você também tem desculpas a pedir.
- Eu não vou pedir desculpas – ele respondeu malcriadamente.
- Você continua impossível – ela pontuou.
- E você continua irritante – ele rebateu.
- Você nunca me achou irritante! – ela exclamou.
- Eu sempre te achei irritante, só nunca disse antes – ele deu de ombros, e ela bufou.
- E você quer uma pessoa irritante morando com você? – ela perguntou em tom de desafio.
- É melhor que morar só com Monstro, não acha?
Hermione abriu a boca para responder, mas Harry entrou na conversa e encheu mais o copo dos dois.
- Vejo que fizeram as pazes – o mais novo disse – isso é ótimo!
- É, é ótimo – Sirius e Hermione responderam ao mesmo tempo com as caras emburradas. Harry não conseguiu refrear o sorriso e propôs um brinde. Os três beberam todo o conteúdo do copo de uma só vez e ouviram algo quebrando. Ginny havia deixado um vaso quebrar ao tentar se apoiar completamente bêbada para se levantar do sofá, e Harry correu até a esposa e ajudou-a a levantar do chão.
- Eu odiava aquele vaso – Sirius comentou.
- Era da sua mãe? – Hermione perguntou.
- Do meu pai. Fico feliz que estejam bêbados o suficiente para esquecerem de usar um reparo.
- Algo me diz que você vai começar a dar festas como essa com bastante frequência – Hermione respondeu rindo.
- É uma boa ideia – ele respondeu, virando-se para ela com um sorriso no canto dos lábios – ou vou ter que fazer no estilo Weasley e quebrar alguns móveis de outro jeito.
Hermione arregalou os olhos e ficou extremamente vermelha. O próprio Sirius não entendia a razão de ter dito aquilo. Estava, com certeza, ficando bastante bêbado. Bêbado o bastante para fazer piadinhas como se fosse um adolescente querendo chamar a atenção de alguém. Mas, no momento em que as palavras saíram da sua boca e ele percebeu Hermione enrijecer e sua pele esquentar, qualquer arrependimento ou vergonha simplesmente sumiram. Por algum motivo, ele gostou do efeito que causou nela.
- Você é um completo idiota, Sirius.
- Eu não disse que faria com você. Espere... Você quer fazer comigo? Você quer! – ele rebateu, um sorriso estampado no rosto e os olhos brilhando da bebida, enquanto Hermione parecia uma chaleira prestes a explodir.
- O que há de errado com você? Você me odeia por uma semana e agora está tentando me seduzir? – ela perguntou, incrédula.
- Está funcionando? – ele perguntou, molhando os lábios com a língua.
- É óbvio que não – ela rebateu, parecendo furiosa, mas sem sair do lado dele. Fato que ele não deixou de perceber.
- Eu sou um homem, e, diga-se de passagem, um homem muito bonito – ele disse, aproximando-se do ouvido dela – eu entenderia se você quisesse algo comigo.
- Não há outra bruxa aqui para você incomodar? – ela respondeu, virou as costas e subiu as escadas.
Sirius se pegou inclinando a cabeça e observando hipnotizado enquanto a castanha subia as escadas. Ele era um homem muito bonito, era verdade. Mas também já se fazia inegável o fato de que Hermione se tornara uma mulher muito bonita. E isso talvez fosse um problema.
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A rotina em Grimmauld Place mudou bastante desde que Hermione e Sirius voltaram a se falar. Os dois constantemente discutiam, e normalmente pelas menores e mais irrelevantes motivos, mas sempre acabavam voltando ao normal após algumas horas. Os dois cozinhavam juntos depois de longos minutos discutindo sobe o cardápio e sobre a melhor forma de preparo, e acabavam sempre dando gostosas gargalhadas sentados à mesa da cozinha. Sirius estava feliz, e não lembrava da última vez em que se sentira feliz.
Algumas vezes os dois compareceram juntos à Toca ou à casa de Harry e Ginny para jantar com os amigos. Era uma tradição que previa que, pelo menos uma vez por semana, todos os Weasleys se reunissem. Hermione continuava incluída nesses eventos, mesmo após o término com Ron. Molly, em verdade, nunca aceitou muito bem o término, ela amava Hermione como a uma filha. E, bem, Molly era a única mãe que Hermione tinha, já que sua verdadeira mãe permanecia na Austrália sem lembrar de sua existência.
As discussões entre os dois não davam trégua nem mesmo na presença de outras pessoas. Qualquer motivo era um motivo, seja o jeito que ele colocava os talheres na mesa, seja a escolha de bebidas que ela fazia para a janta, seja o tempo lá fora ou a temperatura lá dentro. Eles sempre discutiam sob os olhares curiosos dos outros, e Sirius sempre puxava Hermione pela cintura e os dois aparatavam juntos de volta para casa, sob olhares mais curiosos ainda.
Nas duas semanas após a festa, Sirius levou três bruxas diferentes para casa em dias alternados, e Hermione revirava os olhos e bufava de raiva toda vez que cruzava a porta de entrada e escutava os gritos e gemidos vindo do quarto de Sirius. Ele não podia usar um feitiço silenciador?
Após a gritaria, que denunciava o quanto ele estava se divertindo, ele sempre descia as escadas de banho tomado com um cigarro entre os lábios, inventava alguma desculpa esfarrapada para a bruxa em questão e a mandava embora. Ele também sempre encontrava Hermione deitada no sofá junto à lareira fingindo ler um livro. Ele sabia que ela fingia por uma série de motivos, entre eles o fato de que ela segurava o objeto com uma força desmedida, o fato de que ela demorava mais que o normal para mudar de página, e o fato de os lábios crispados dela denunciarem que ela havia ouvido ele transando no quarto e, por alguma razão, estava brava com ele.
E, como sempre, ele se dirigia ao sofá em que ela estava, levantava os pés dela com cuidado e se sentava com as pernas dela em seu colo. Quando ela usava meias, ele ficava brincando com o elástico da peça de roupa e, quando ela estava descalça, ele tomava os pés dela nas mãos e começava a massageá-los. Na primeira vez que o fez, esperou para ver a reação dela e ficou positivamente surpreso quando percebeu que ela só se ajeitou mais no sofá, sem nunca tirar as pernas de cima dele. Desde então, o fazia sempre. Ele sempre perguntava o que ela queria jantar como um cachorro sem dono, como se pedisse desculpas. Ele percebia que sempre que isso acontecia, ela afrouxava o aperto no livro e, por vezes, escondia o rosto com o objeto para não mostrar que sorria. E ele sempre sorria de volta, sabendo que tudo estava bem.
Depois de algumas semanas, Sirius parou de levar mulheres para casa, mas manteve o ritual de encontrar Hermione no sofá e sentar-se junto a ela. Percebeu que ela agora dificilmente usava meias, e sabia que era proposital. Percebeu, também, que ela já não segurava o livro com tanta força, e que ele mal se sentava no sofá e ela já colocava as pernas em cima do colo dele. As semanas se tornaram meses, e eles viviam aquela rotina de discutir por alguma bobagem, sentarem-se juntos no sofá e fazerem as pazes em silêncio, decidirem a janta, cozinharem juntos, discutirem um pouco mais por alguma provocação dele, e terminar a noite em frente à lareira bebendo e rindo das histórias que um contava ao outro. Sirius sempre dormia com um sorriso no rosto, e acordava somente a tempo de vê-la saindo para o trabalho. Ele sentia a falta dela durante o dia e então gastava a energia atazanando Monstro, e comemorava internamente quando o fim de semana chegava, porque isso significava que ela não precisaria trabalhar.
Naquele dia não fora diferente. Ele estava sentado com ela, massageando os pés macios da bruxa, e dessa vez ela realmente estava lendo muito concentrada. Movia os lábios acompanhando a leitura e passava as páginas com uma certa velocidade. Ele resolveu ousar e subiu as mãos pela panturrilha dela, estendendo a massagem para aquela região. Ela não pareceu se sentir incomodada, e sim pareceu gostar, pois se ajeitou no sofá ficando mais perto do corpo dele.
- O que quer jantar? – ele perguntou, deslizando os dedos do início da panturrilha dela até a ponta de seus dedos do pé. Ela não tirou os olhos do livro.
- Eu não sei, o que você quer comer?
Você, ele pensou. Ele estava inegavelmente atraído por ela, e já sabia há algum tempo. Ela tinha todos os atributos que lhe chamavam a atenção: beleza, inteligência e um gênio tão difícil quanto o dele. E, por uma dádiva de Merlim, poucos anos os separavam. Ele se sentia um tolo por ter ficado tão bravo com ela quando ela lhe trouxe de volta. Agora só o que ele conseguia pensar é como estava grato por ter sido trazido de volta tantos anos depois, porque isso significava que ele não precisava nutrir qualquer sentimento de culpa por querer tê-la. E ele a queria, muito, mais do que lembrava já ter querido alguém.
- Podemos sair para jantar, o que acha? – ele sugeriu, e ela fechou o livro, apoiando-o no encosto do sofá e recolhendo as pernas para se sentar de frente para ele. Ele lamentou internamente que suas mãos tivessem sido privadas tão repentinamente da pele dela.
- Está falando sério? *– ela perguntou.
- Você sabe que eu sou – ele respondeu debochado, e ela revirou os olhos – vamos?
- Vou só me arrumar bem rápido, pode me esperar?
- Espero você o tempo que precisar – ele a respondeu e observou se levantar do sofá e subir as escadas correndo.
Ao contrário do que Sirius esperava, Hermione não demorou muito para ficar pronta. Ela desceu as escadas apressadamente e ele se dirigiu a porta para esperá-la assim que ouviu os saltos tocando os degraus. Ela vai me enlouquecer, ele pensou no segundo em que colocou os olhos nela. Ela vestia uma calça preta bastante justa, uma bota de mesma cor com um salto grosso e um suéter fino vermelho, escondido sob a jaqueta de couro preta. Ela havia soltado os cabelos do coque que usava habitualmente dentro de casa e o cabelo caía em ondas por suas costas e ombros. Um batom leve deixava sua boca mais rosada e desejável do que ele queria. Seria muito difícil segurar a língua aquela noite e não falar nada. Não falar o quanto ele queria que sua língua fizesse mais do que falar com ela.
Os dois aparataram até um restaurante bruxo que Sirius costumava ir com James e Lily antes do estouro da primeira guerra. Era um lugar relativamente simples, mas servia uma comida caseira que lembrava muito a comida de Molly. Sirius puxou a cadeira para que Hermione se sentasse, e ela franziu o cenho.
- Você está bem? – ela perguntou desconfiada.
- Por que não estaria? – ele respondeu, e ela ficou de frente para ele e pousou as costas da mão na testa dele. Inconscientemente ele enlaçou a cintura dela com um braço enquanto a encarava.
- Você está sendo um cavalheiro, acho que deve ser febre – ela disse em tom brincalhão e ele se segurou para não rir. Levou sua mão livre até o queixo dela e puxou o rosto dela para mais perto, enquanto o outro braço firmemente a segurava pela cintura.
- Eu sou um cavalheiro, gatinha.
Hermione trancou a respiração e umedeceu os lábios com a língua, movimento que Sirius acompanhou com os olhos. A tensão sexual entre os dois naquele momento estava mais forte do que normalmente. O bruxo roçou os lábios no contorno da mandíbula dela.
- Na minha cama ou na sua? – ele sussurrou, e Hermione o empurrou para trás.
- E voltamos ao normal! – ela exclamou e se sentou na cadeira, puxando-a para frente e pegando o cardápio.
Sirius se sentou do outro lado da mesa, de frente para ela, e sorriu de canto quando ela abriu o cardápio e desnecessariamente o posicionou bem na frente de seu rosto, a fim de que Sirius não conseguisse enxergá-la. Ele pegou o próprio cardápio e passou a analisar as opções. Vez que outra direcionava uma olhadela à Hermione, que seguia com o cardápio em frente ao rosto. Ele, então, procurou as pernas dela embaixo da mesa com seu pé, roçando a ponta de seu sapato na canela dela. Ela lhe respondeu com um leve chute, e ele abriu um sorriso ainda maior. Merlin, ele amava provocá-la! De todas as maneiras, seja com cantadas, brincadeiras ou mesmo discussões. Ele gostava de ver as reações que conseguia provocar nela e gostava mais ainda de como ele reagia às ações dela.
- Vai ficar brava comigo por quanto tempo? – ele perguntou.
- Eu não estou brava – ela respondeu – estou escolhendo o que comer.
Sirius arrancou o cardápio das mãos dela e levantou a mão para um garçom, que se aproximou rapidamente da mesa.
- Mas que diab...
- Ela vai querer o prato da casa, e eu também – Sirius a ignorou e disse ao garçom – e queremos um vinho também.
- Quem disse que eu quero o prato da casa? – ela perguntou em desafio.
- Eu disse – ele respondeu e se inclinou para frente, abrindo um sorriso para ela – eu adoro o fato de que você não consegue ficar brava comigo, por mais que tente.
- Eu posso garantir a você que eu consigo, sim – ele respondeu, levantando uma sobrancelha. Ele ainda tinha aquele sorriso zombeteiro no rosto e ela acabou não aguentando e soltou uma risada. – você é um idiota, Sirius.
- Não posso discordar – ele pontuou, e o garçom trouxe os pedidos. Assim que o homem virou as costas, Sirius novamente levou a ponta do sapato até a canela dela.
- Você vai continuar com isso? – ela perguntou, tentando segurar o sorriso.
- Eu não estou fazendo nada – ele respondeu de forma dissimulada, levantando as duas mãos como se isso comprovasse alguma coisa.
- Okay – ela respondeu e passou a cortar o filé calmamente enquanto tirava um pé da bota com a ajuda do outro pé. Depois, tirou a meia. Levou o pedaço de carne até os lábios.
Sirius notou que ela se movimentou embaixo da mesa, mas quando a encarou não notou nada de diferente. Ela parecia indiferente à sua presença, cortando os pedaços de carne e levando à boca. Ela, então, escorou-se no encosto da cadeira e pegou a taça de vinho, bebendo-a enquanto encarava o maroto à sua frente. Ele a encarou intrigado.
Não demorou muito para Sirius sentir que o pé dela roçava em seu calcanhar, tentando levantar a barra de sua calça. Quando os dedos dela tocaram sua pele por baixo da barra da calça, ele percebeu que ela estava descalça. Levou sua própria taça aos lábios, sem tirar os olhos dela. Queria ver até onde ela ia com aquilo. Hermione abandonou o calcanhar dele por menos de meio segundo, somente para deslizar seu pé por toda extensão da panturrilha dele, chegando até a dobra do joelho, seguindo pela coxa dele, até chegar no meio de suas pernas. Sirius não conseguiu disfarçar a surpresa. Normalmente, era ele quem a provocava desse jeito até ela ficar brava. Ela nunca sequer havia cedido ou dado andamento às suas cantadas. E, no entanto, ela estava ali, roçando o pé descalço na virilha dele e deixando o seu pau duro. Ele engoliu em seco.
- Você está brincando com o perigo, gatinha – ele disse, com a voz rouca.
- Dois podem brincar desse jogo, gatinho – ela respondeu, e ele sentiu um rugido se formar em seu peito.
Ele levou uma mão para baixo da mesa e segurou o pé dela, puxando-a para frente e fazendo com que a barriga dela encontrasse a mesa e os pratos e taças balançassem com o baque. Ele deslizou os dedos por dentro da barra da calça dela.
- Você sabe que eu sou um cachorro – ele respondeu, e ela sorriu. Repentinamente, ela tirou o pé do colo dele, ajeitou-se na cadeira e chamou o garçom.
Quando o homem chegou, ela disse que estava satisfeita e que gostaria do cardápio das sobremesas. Sirius a encarou incrédulo enquanto ela passeava os olhos pelo cardápio como se absolutamente nada tivesse acontecido e como se ele não estivesse ainda com a calça apertada embaixo daquela maldita mesa. Ele mordeu os lábios. Se ela quer jogar assim, ótimo. Eu posso jogar assim também, ele pensou.
Foi muito difícil para Hermione analisar o cardápio enquanto calçava novamente a bota por baixo da mesa com a ajuda de seu pé já calçado. A meia ela já tinha dado como perdida. Ela sentia os olhos de Sirius a queimando e sabia que não estavam mais cinzas, mas pretos graças à pupila dilatada. Ele a queria, ela sabia. E ela o queria, desesperadamente. Foi por querê-lo tanto que o trouxe de volta. Foi pelo cheiro dele naquela casa, pelas roupas que ainda tinham no quarto, pelas fantasias que ela alimentava de noite antes de dormir. E ele a provocava, todos os dias, em todas as oportunidades. Mas ela não queria ser somente mais uma na lista dele. Não queria que ele a fizesse gritar seu nome como ela ouviu as outras bruxas gritando, e depois a levasse até a porta e nunca mais a procurasse. Ela não queria tê-lo uma única vez. Ela o queria todos os dias, o tempo inteiro. Ela queria aquele bruxo de cabelos negros e olhos cinzentos para sempre.
- O que você vai querer? – ela perguntou, tirando os olhos do cardápio e o encarando. Merlin, ele ainda a encarava como se ela fosse um pedaço de carne e ele o homem mais faminto do mundo.
- O que você sugere? – ele respondeu, e ela voltou os olhos para o cardápio.
- Para ser honesta, eu perdi a vontade de comer doce. Vamos para casa? – ela questionou, ainda fingindo da melhor forma que conseguia que não havia simplesmente esfregado a virilha de Sirius Black por debaixo da mesa de um restaurante. Ele a encarou desentendido.
- O quê? – ela perguntou, fazendo-se de inocente – você prefere que eu espere até você conseguir levantar?
Ele acabou sorrindo de canto, entendendo que ela continuava naquele joguinho e, sem vergonha alguma, levantou-se da cadeira, mostrando para quem quisesse ver o volume de sua calça. Hermione ficou com rosto vermelho feito um pimentão e ele a conduziu para fora do restaurante, sentindo-se satisfeito.
Os dois aparataram para Grimmauld Place e a bruxa anunciou que iria dormir, subindo as escadas e deixando Sirius plantado junto à porta. Ele foi até a cozinha e bebeu quatro goles de whisky direto da garrafa, apoiado na mesa da cozinha esperando até que a "situação" normalizasse para que pudesse subir e se deitar. No entanto, a situação só piorou quando ele se deitou em sua cama, já que conseguia ouvir os gemidos vindos do quarto dela.
Não era nada incomum que Hermione se tocasse antes de dormir, mas ela normalmente silenciava o quarto para evitar qualquer constrangimento. Naquela noite, no entanto, propositalmente ela não o fez, e Sirius enfiou a cara no travesseiro e gritou em frustração quando ouviu Hermione, ao longe, gemer seu nome enquanto gozava. Ela dormiu com um sorriso no rosto ao ouvir Sirius praguejando e abrindo o chuveiro.
As semanas seguintes seguiram em sua normalidade, com uma pequena exceção: Hermione respondia às provocações de Sirius, e isso o deixava louco. Estava cada dia mais difícil seguir naquele jogo, mas ele não queria ser o jogador a ceder. Ele queria que ela cedesse, por mais difícil que fosse não a jogar contra uma parede e arrancar aquele sorrisinho debochado dela com sua própria boca, e por mais que ele se tocasse todos os dias pensando nela.
Ela deixava a porta do quarto aberta e do banheiro semiaberta de propósito para que Sirius conseguisse enxergar sua silhueta enquanto tomava banho. Sirius não deixava barato e andava pela casa só de cuecas, fazendo com que Hermione deixasse cair a torrada na primeira vez que o viu seminu. Ela gemia o nome dele à noite e ele enfiava o rosto no travesseiro e abafava o grito frustrado. Ele acordava duro de manhã e caminhava propositalmente na frente dela para que ela visse o que fazia com ele, e ela sempre ruborizava, e Sirius se sentia vitorioso. As provocações eram mais quentes, as discussões diminuíram drasticamente, os toques eram mais recorrentes e já não tão despretensiosos. Mesmo um singelo roçar de dedos quando um alcançava algo para o outro já era motivo para que uma corrente elétrica percorresse a espinha dos dois. A casa inteira estava sob essa grande e densa névoa sexual entre eles.
Sirius esperou, pacientemente, o momento de se vingar pelo que ela fez no restaurante. E o momento chegou em uma noite em que eles, mais uma vez, voltaram juntos d'A Toca após uma janta com os antigos integrantes da Ordem. Os dois aparataram juntos, como de costume, e Hermione lamentou quando os dois chegaram à soleira da porta e ele soltou a sua cintura, como de costume. O tempo estava começando a esfriar, o inverno já se anunciava, e Hermione sentia cada vez mais a necessidade do contato quente do corpo dele. E ele estava, se isso era possível, ainda mais bonito que o normal. As ondas negras jogadas para trás, o desenho de suas costas marcando a camisa branca enquanto ele tirava o cachecol preto e o sobretudo igualmente preto. E tudo nele era sexy. O jeito como ele caminhava por aquela casa, como se fosse um aristocrata, praticamente flutuando sobre o chão. O jeito que ele jogava o casaco na poltrona, que ele apontava para a lareira e a acendia, deixando o ambiente mais aconchegante e o jeito que ele virou para ela sob a luz baixa do fogo com aqueles olhos cinzentos e aquele meio sorriso.
- Você está disfarçando muito mal, gatinha – ele comentou zombeteiramente.
- Disfarçando o quê? – ela perguntou, fingindo desinteresse enquanto tirava o próprio casaco e o jogava na mesma poltrona que Sirius havia largado o casaco dele. Ela parou em frente a ele, com as duas mãos na cintura.
- Que você me quer desesperadamente na sua cama – ele respondeu, aproximando-se dela e ela, em um breve momento de choque, deixou os braços caírem ao lado do próprio corpo. Poucos segundos de choque, já que no momento seguinte ela já estava séria.
- Eu não te quero, Sirius.
- Não? – ele perguntou baixo, enlaçando a cintura dela com o braço e a puxando para mais perto, conduzindo-a até a parede mais próxima – eu te escuto, você sabe?
- Me escuta o quê? – ela provocou, mantendo o olhar sério e sentindo suas costas encostarem na parede fria.
- Eu escuto você se tocando todas as noites – ele sussurrou junto ao ouvido dela, e ela arfou – eu sinto o cheiro dos seus dedos quando você os tira de dentro de você.
Sirius deslizou a barra do vestido dela para cima e puxou uma perna dela para que encaixasse em sua cintura. Subiu os dedos dentro do vestido e alcançou a pele da cintura dela, subiu mais até chegar ao sutiã dela.
- Eu escuto você gemer o meu nome – ele sussurrou – eu escuto você gemer o meu nome quando goza.
Sirius tomou a boca dela num beijo sedento, e ela correspondeu igualmente. Ela bagunçava os cabelos dele e o puxava para mais perto. Ela provava dos lábios dele e eles eram exatamente do jeito que ela tinha imaginado que seriam em seus sonhos. Ela corria os dedos pelos ombros, braços e peitoral dele, desvendando os contornos, a temperatura e a textura do corpo dele. Ele, por sua vez, agarrava sua coxa levantada com força, enquanto a outra mão firmemente segurava a sua cintura. Ele escorregou os lábios para o ouvido dela.
- Eu quero ouvir você gemendo o meu nome quando goza comigo – a rouquidão da voz dele penetrou os ouvidos dela, e ela sentiu a espinha arrepiar.
Sirius moveu a mão que estava apertando a coxa dela para a calcinha dela, e brincou com a renda da peça de roupa. Ela arfava em expectativa com o que viria. Ele deslizou os dedos por dentro da calcinha e tocou a abertura úmida dela de leve, e Hermione gemeu quando sentiu os dedos entrando nela. No entanto, Sirius retirou a mão e quebrou o beijo. Hermione estava uma bagunça. Os cabelos com fios selvagens pelo rosto, as bochechas vermelhas, os lábios inchados e a respiração ofegante. Estava escorada contra a parede e se segurava contra o pedaço de concreto. Sirius ajeitou a calça e levou os dedos que estavam tocando nela até os próprios lábios e os sugou, encarando-a com os olhos completamente negros.
- Você é deliciosa, mas eu acho que preciso ir dormir – ele disse com um sorriso sacana, e ela não acreditou. Sirius Black teve sua vingança.
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* Em inglês, a pronúncia de "serious" (sério) e Sirius é muito parecida.
