- Eita. Em vez da chuva diminuir, piorou. - disse o loiro, dando uma última conferida na janela do quarto de seu capitão.
Já era tarde da noite quando começou a chover. Chifuyu estava de bicicleta, então havia decidido esperar mais um pouco para voltar para casa, apesar de já ter passado do tempo que havia se programado para ficar de bobeira com Baji. O jogo novo que haviam alugado era realmente muito bom, mas no fundo era a qualidade da companhia que fazia tantas horas passarem despercebidas.
- Pô, dorme aí, então. Amanhã é final de semana mesmo, que se dane a chuva.
- Verdade, tranquilo dormir aqui hoje.
Enquanto sustentava a aparência de casualmente concordar com o rapaz, em verdade estava agitadíssimo por dentro. Era a primeira vez que dormiria na casa de Baji, em mais de um ano de convívio. "Justo na semana em que comecei a ter uns sonhos malucos…", pensou, torcendo com todas as forças para não passar por nenhum aperto à noite.
- Caaara, bom pra crl, Yakuza total merece nego pagando tanto pau. Mas tô morto agora, sem condições de jogar mais hahaha - disse, enquanto estirava as costas no chão.
- Heheh realmente, me impressionei muito com os personagens e tal. É a primeira vez que vejo em jogo algo parecido com o que a gente vive na Toman. Pena que não tem jogo sobre delinquentes, só mangá mesmo.
- Ham? Mó ideia errada isso aí que você falou, yakuza não tem nada a ver com delinquentes. Os caras não se veem como amigos que nem a gente, a hierarquia tem um peso muito maior. Por exemplo, você é meu vice-capitão, mas é tão importante pra Toman quanto eu, que sou capitão.
- Baji-san… - e corou, feliz, mas sem saber o que dizer.
"Como sou idiota… Todo esse tempo achando que tinha algo mais rígido entre a gente, pra de repente descobrir que ele de fato me considera um amigo. Capaz que tudo seria completamente diferente se eu soubesse desde o início que ele se sentia assim", falou para si mesmo em pensamentos, sorrindo com um ar bem diferente do normal. Nunca foi costume do capitão reparar em detalhes como esse nas pessoas, mas dessa vez não tinha como não reparar que Chifuyu estava diferente - não apenas devido ao sorriso singular, mas também pela lágrima que escorria por seu rosto.
- Chifuyu… Tá tudo bem, cara?
- Ham? Ah - enfim percebendo que não pode conter como estava se sentindo, tratou logo de enxugar o rosto com a manga do casaco - Nossa, que imbecil que eu sou… Não se preocupa, Baji-san. Eu só estou feliz, deixa quieto isso.
- Tá de sacanagem?! Agora fala, né? Não posso te ver chorando e simplesmente ignorar!
- … É que eu nunca tive certeza se você me considerava um amigo. Sei que posso contar com você pra qualquer coisa, afinal enquanto vice da 1ª divisão eu confio a minha vida ao capitão, sob qualquer circunstância. E sei que você sabe que eu também faria qualquer coisa por você. - após certo tempo fitando-o fortemente, o rapaz abaixa a cabeça, um tanto envergonhado - Mas sei lá, na minha cabeça tinha esse algo entre a gente que não me deixava ver a nossa relação para além da Toman, que eu nunca seria importante como os seus amigos da época da fundação da gangue.
- … Bem, em parte você tem razão. Sem chance de você ser como os guri, eles são o maior tesouro da minha vida. - percebendo que o novo sorriso no rosto do outro era mais triste do que o da bad de há pouco, tratou logo de concluir - Por outro lado, você é sem dúvidas meu melhor amigo hoje, Chifuyu. Confesso que tô bem surpreso disso ser novidade pra você, qualquer um consegue saber só de olhar pra gente.
- Hehe verdade, sou mesmo um idiota. Acho que a admiração que tenho por você é tão forte que distorceu minha visão das coisas. - por fim, apresentou mais um sorriso que seu capitão nunca havia visto antes (desta vez, mais alegre e pueril) - Muito obrigado, Baji-san. Ouvir da sua própria boca que eu sou importante pra você a ponto de me considerar seu melhor amigo me deixou muito, muito feliz mesmo.
Desta vez, foi o loiro que não percebeu que o outro corou.
- …Bem, pode dormir aí na minha cama. Vou buscar um futon velho pra mim, já volto.
Chifuyu riu baixinho enquanto o rapaz se afastava, entretido com o fato de ele oscilar de grosseiro a gentil com tanta naturalidade. Sem ter dimensão do que a felicidade que estava sentindo significava, pegou no sono rapidamente, inebriado com o cheiro do cabelo escuro impregnado no travesseiro.
- Hmm… O que foi? - resmungou, já levantando de sua cama improvisada. Ele era do tipo de pessoa que acorda com facilidade, justificando o característico mau humor pelas manhãs. - Ei, Chifuyu! Falou alguma coisa?
Mesmo subindo o tom, o amigo não ofereceu resposta. Em vez disso, continuou murmurando alguma coisa em tom de quem estava falando enquanto dormia. Curioso, o moreno acendeu o abajur próximo de sua cama e puxou a coberta para forçar que o outro também acordasse, mas não obteve sucesso.
- Heh cê fala dormindo, é? Que engraçado, achei que tava me chamando… Impressionante como nem o frio te faz acordar.
De repente, ouviu com toda clareza seu nome saindo dos lábios do rapaz a sua frente, entrecortado por um barulho que mais parecia um gemido. Assustado, Baji gelou por um momento, para enfim prestar mais atenção à imagem que tinha diante de si: Chifuyu não apenas gemia seu nome de forma extremamente sexy, como contava também com um volume considerável despontando de suas calças…
- C-Chi..Chifuyu…?
- Baji… -san...
"Cacete, que que tá acontecendo?!", pensava o capitão, completamente desnorteado. Nunca havia cogitado a possibilidade de que o amigo fosse gay, mas diante do que via e ouvia não restava dúvidas. Infinitas lembranças dos momentos que passaram juntos nesses últimos anos passavam em sua cabeça, talvez para procurar sinais que o outro poderia ter deixado escapar… Mas isso só acabou alimentando seu desespero, de forma que sua respiração começou a pesar e o coração a bater muito mais forte do que jamais bateu por qualquer garota gostosa que chamou sua atenção. Pior do que isso - olhando para baixo, percebeu que seu próprio corpo estava reagindo favoravelmente àquilo tudo…
- Q-quê?! Eu tô com tesão no Chifuyu?
- Baji-san... Baji-san~
Atraído pelos gemidos cada vez mais provocantes, aproximou-se involuntariamente do rosto do loiro - talvez para acordá-lo e dar um fim a tudo aquilo, talvez para dar início a algo que seu corpo inegavelmente estava sedento para acontecer. Sem jeito, com a cueca já apertando contra a calça com violência, tentou acordá-lo uma última vez.
- Chi-Chifuyu… Você tá mesmo a fim de-/?
E de repente, mal abrindo os olhos, o rapaz ainda sonolento reage à proximidade da voz e encerra a dúvida do capitão com um beijo (o mais intenso que já tinha dado na vida, diga-se de passagem). Confuso e completamente seduzido, antes que pudesse pensar por um breve momento já havia se entregado à apaixonante sensação de ter o loiro em seus braços, contorcendo-se contra sua virilha de forma que várias vezes quase achou que já estava prestes a gozar. Também ele começava a chamar pelo nome do outro entre os beijos interrompidos pela perda de fôlego, inebriado pelo cheiro que enfim reconheceu ser tão familiar, mas que nunca havia se dado conta que tanto apreciava até a experiência daquele momento.
Tão impaciente quanto nervoso, Baji se esforça para diminuir o ritmo da investida e acordar de vez o amigo sonolento. Se iria mesmo seguir adiante e ir até o final, precisava colocar algumas condições na mesa.
- Pera um pouco, Chi-Chifuyu… É isso mesmo que eu tô entendendo? Posso..?
A vergonha era tanta, que ainda não havia percebido que o rapaz não apenas não ouvia uma palavra a que lhe dirigia…
- Você me conhece, não tem a mínima chance de eu dar o meu cu pra você… m-mas então é você que vai dar pra mim? Tá ok mesmo com isso?
… como a mínima redução de adrenalina foi suficiente para que ele caísse em um sono ainda mais profundo, em que nem ao menos chamava seu nome como antes. De repente, parecia que nada daquilo tinha acontecido, que diante de si só havia o bom e velho vice-capitão da 1a divisão da Toman - completamente apagado, já até começando a roncar.
- Grrr… Não tô acreditando que tá dormindo depois de me deixar com um tesão da porra desses! CHIFUYU, SEU DESGRAÇADO! - gritou com verdadeira raiva, se segurando para não esmurrar a cara da múmia sonolenta em que estava montado, já totalmente disposto a avançar para além das preliminares.
Inesperadamente, o capitão teria que resolver suas necessidades sozinho naquela noite.
Muito obrigada pela leitura! Já escrevi o cap. 2 também, mas sempre irei considerar feedbacks para escrever os próximos capítulos ^^
