A Prisioneira


Capítulo 1 - Capturada


Olhou para o homem sem vida no chão, os olhos azuis e opacos estavam vidrados olhando para o céu escuro e sem nuvens. Puxou a espada do peito do homem com facilidade; Seus olhos vermelhos, no entanto, brilhavam na escuridão enquanto via a poça de sangue se formando no chão. Limpou o sangue da espada na manga da própria camisa antes de colocar na bainha novamente. Suspirou desativando sua linhagem sanguínea enquanto ouvia Suigetsu e Karin vindo logo atrás, discutindo algo que ele não fazia questão de saber o que era.

- Eu disse que isso seria uma péssima ideia, Suigetsu! Não vejo no que isso poderia nos ajudar neste momento. - A ruiva estava um pouco afastada, e parecia realmente irritada com o rapaz de cabelos brancos.

Ele, por sua vez, apenas olhava na direção de Sasuke, visivelmente entediado em ter que estar ouvindo a mulher resmungar aquilo por tanto tempo. Quando Karin observou Sasuke, pulou um dos corpos ensanguentados, o ignorando completamente (assim como todos os outros corpos que estavam ali perto), com um sorriso apaixonado no rosto. A Uzumaki correu e ofereceu o braço para que o Uchiha sugasse um pouco do seu chakra, sentiu sua intimidade formigar em excitação quando os lábios dele tocaram em sua pele. Corou, mirando uma árvore qualquer daquela floresta. O silêncio predominou até Sasuke soltar o braço da mulher e se pronunciar.

- E então?

- Conseguimos libertar os experimentos de Orochimaru. Mas no caminho encontramos algo que talvez você goste... - Disse Suigetsu, um sorriso malicioso dançando em seus lábios enquanto Karin bufava e resmungava algo para si mesma, já se afastando se Sasuke.

Só quando Suigetsu se aproximou um pouco mais, o moreno viu dois braços extremamente brancos em volta do pescoço dele enquanto ele segurava as coxas de uma mulher.

- A encontrei a alguns quilômetros daqui. Estava tentando enviar uma mensagem para sua vila. Achei melhor interceptar antes que ela continuasse enviando informações importantes... Como nossa localização - Suigetsu abaixou-se com cuidado e a colocou no chão. Sasuke pôde ver a tatuagem no braço da mulher e a máscara ANBU estava quebrada pela metade e pelo canto dos lábios jazia um filete de sangue seco - Achei que gostaria de tê-la.

- Claro que Sasuke-kun não irá querê-la! - Karin falou antes que Suigetsu continuasse a falar mais coisas para Sasuke - É só uma ninja qualquer de Konoha. Deveria tê-la matado quando a viu. Na verdade... Ainda podemos fazer isso - Karin pegou uma kunai numa bolsa que estava presa em sua coxa e começou a se aproximar do corpo que estava no centro, entre Sasuke e Suigetsu. Ajoelhou-se ao lado da garota e, retirando o cabelo da frente do pescoço, Karin pareceu ansiar por ver o sangue da moça escorrer pela pele sedosa. Segundos antes que a ponta da kunai estivesse na pele da mulher que estava no chão, Sasuke atirou uma kunai na que a ruiva segurava. O som do metal a assustou, mas se manteve abaixada próximo ao corpo desacordado. Olhou para Sasuke um pouco assustada e curiosa. Não era o tipo de coisa que costumava fazer.

- Deixe-a. Preciso verificar algo antes. - A voz rouca de Sasuke se fez presente novamente, autoritária e cortante. Karin se levantou a contra gosto, e caminhou para o lado de Suigetsu, esperando novas ordens de Sasuke. Só lhe restou observá-lo pegando a mulher e jogando-a em seu ombro com todo o cuidado que conseguia ter com alguém. O que não era muita coisa. Apenas deu uma breve olhada para os dois antes de desaparecer em fumaça.

- Vamos lá, Karin. - Suigetsu tentou animar a amiga, que possuía uma verdadeira paixão por Sasuke - Você não quer deixar ele sozinho com ela no esconderijo por muito tempo... Quer? - Ela pareceu sair do torpor que estava quando ele pousou a mão em seu ombro. Ela suspirou e olhou para a lua crescente brevemente e depois começou a correr pela floresta, para o esconderijo onde os três moravam, segura de que Suigetsu a estaria acompanhando.


- Hinata não se comunica com ninguém há muito tempo - disse Shikamaru, se preocupando - Faz mais de cinco horas que não recebemos mensagem alguma - parecia entediado, mas Tsunade conseguia sentir a urgência em seu tom de voz - O correto seria uma mensagem a cada três horas. Foi o combinado.

Tsunade bebeu um pouco de sakê que estava num copo, ao lado de uma pilha de papéis em cima de sua mesa e pareceu pensar no que fazer. Acabou apenas saindo uma pergunta com a voz um pouco trêmula que não havia conseguido disfarçar bem. Já estava temendo o pior.

- O que tinha na última mensagem?

O silêncio na sala foi um pouco desconfortável, até que Shikamaru se pronunciou, e ela desejou que ele tivesse permanecido em silêncio.

- Sasuke e seu time, Taka, estavam lutando com Orochimaru. - Fez uma pausa e bagunçou as pontas do cabelo - Ela também mencionou que havia muitos ninjas do Bingo Book e que talvez tivesse que lutar por sua vida. A última mensagem foi há cinco horas.

- Shizune! - Chamou Tsunade e não esperou que ela respondesse para terminar a frase - Me traga mais sakê.


Sua cabeça doía e poderia jurar que tinha quebrado o braço esquerdo, pela dor que sentia no local. Abriu os olhos lentamente, e tudo o que encontrou foi um teto rochoso e íngreme, o local era clareado por algumas velas que estavam espalhadas estrategicamente pelo recinto. O local era quente e ela viu o motivo alguns metros à frente: uma fonte termal. Mais para a esquerda havia a única porta do local. Ao seu lado tinha alguns futons e cobertores dentro de um espaço retangular escavado na parede da caverna, tinham mais três ao lado do que possuía os futons, um possuía toalhas e sais de banho, outro possuía roupas e o que ficava ao lado das roupas estava vazio. O que separava os espaços eram pedaços de madeira. Da mesma madeira, pareciam ser feitas a mesa e as duas cadeiras que possuíam ali dentro. Tentou ativar seu byakugan, mas não obteve sucesso. Tentou mais uma vez... Nada.

- Você não vai conseguir. Todo este local está selado por fora - falou Sasuke, fechando a única porta do local atrás de si, e Hinata sentiu o pânico tomar seu corpo. A única saída - Também não conseguirá sair. Há muitos corredores, e não estamos sozinhos. Sasuke ficou um pouco surpreso por estar certo sobre quem ela era, agora que a confirmação estava o encarando de volta. Depois de tanto tempo...

- Por que você não me matou de uma vez? - Hinata perguntou, ainda em sua posição de defesa, um pouco confusa por ainda estar viva em absoluto.

- E que graça teria? - Ele suspirou enquanto retirou a camisa que usava - Faz um bom tempo que não me divirto...

A mulher abriu e fechou a boca algumas vezes em busca do que falar, mas nada saiu. Ele começou a andar em sua direção e Hinata continuou em seu lugar, tentando não deixar abalar pelas palavras e pela pessoa que estava com ela... Mas ele a ignorou e se dirigiu à parede onde estavam as toalhas, pegou uma e caminhou com ela sob o ombro esquerdo até chegar em uma das pedras que ficavam na beira da pequena fonte e depositar a toalha lá. Ao perceber que continuaria a ser ignorada, deixou seu corpo relaxar e olhou o homem retirar a espada e jogá-la ao lado da toalha, o barulho ecoou no quarto. Desatou a corda em sua cintura e Hinata se virou tão rapidamente quanto o vermelho tomou conta de suas bochechas, e por um momento havia se esquecido que ele era um dos ninjas mais procurados do mundo. Se ele quisesse, teria a matado naquele momento. E foi pensando nisso (que poderia morrer por sua timidez) que ela se virou novamente, mas ele já estava dentro da água. O corpo submerso e os braços descansando na beirada próxima à parede, de frente para Hinata.

- Por que não me matou? - Perguntou novamente, e dessa vez o seu tom de voz estava mais sério.

- Não sei. - Disse sinceramente - Você me lembra de algumas coisas...

Ela sorriu, cética. Era por capricho?

Sasuke desapareceu por meio segundo, e ela virou-se para o mesmo local que ele tinha aparecido: atrás dela. A espada dele estava em seu pescoço e os dedos dela, indicador e médio, estavam em cima de um ponto de chakra dele, atrás da nuca, fazendo-a ficar perto demais. Se ela estivesse sem as roupas e ele sem a espada, quem os visse diria que estavam em um momento muito íntimo. A respiração dela estava ofegante e os olhos se encontraram.

- Tenho que admitir que tem um bom reflexo - Ele disse, e pressionando a espada um pouco mais no pescoço dela, fazendo alguns fios do cabelo longo serem cortados por causa da espada afiada - Mas eu acho que você deveria ter se lembrado que estamos selados aqui dentro. Todos nós. Nada de chakra. Eu poderia matá-la agora, se quisesse. - Ele sorriu de canto.

- Não me subestime - sibilou entre dentes, fazendo ainda mais pressão na nuca do rapaz, desejando que pudesse usar seu chakra naquele momento.

Ele retirou a espada do pescoço dela mas não se afastou. A espada foi largada no chão novamente e a mão dele afastou os cabelos longos do caminho. Depositou um beijo abaixo da orelha da Hyuuga, que arregalou os olhos brevemente, o coração descompassou e a confusão começando a tomar conta de sua mente. Quando pensou em se afastar, ele já havia feito.

- Ainda não sei o porquê você está aqui, Hyuuga. - Confessou - Não sei quando vai sair daqui. Se irá sair. Por enquanto, só não me arrume problemas.

Hinata apenas observou a silhueta e os músculos das costas definidos enquanto ele voltava para a termal.


Olá, pessoas!

Venho aqui com a maior cara de pau, depois de anos, atualizar essa fanfic e tentar aos poucos voltar a escrever. Como não sou mais a mesma de anos atrás, resolvi mudar tudo o que não me agrada mais nessa história e em outras que também pretendo postar por aqui. Espero que ainda gostem dos meus escritos e que ainda tenha gente que acompanhe. hahahhaha.

Beijos, Dre.