Capítulo 1: Noite Fria
Acho que filmes de terror não cabem mais na minha vida, quando eu era pequeno eles me assustavam, quando entrei na adolescência eles eram a coisa mais descolada do mundo, mas agora eles são só filmes toscos que não servem pra nada além de me dar sono. Acho que, pra esse tipo de filme te dar algum medo, eles têm que te convencer que fantasmas existem e é meio difícil convencer alguém, com um cérebro, de que fantasmas são reais... a menos que ela veja com os próprios olhos.
Naquela noite era justamente o que estava passando na tv, uma maratona de filmes toscos de terror, não que eu estivesse prestando atenção, estava distraído com um jogo de estratégia em turno no meu portátil. Eu não tinha mais nada pra fazer, tarefas da faculdade, cozinhar, nem mesmo louça pra lavar, tempo livre de sobra, mas também tédio de sobra, já tinha zerado aquele jogo pelo menos umas duas vezes esse ano, mas não é como se eu tivesse dinheiro pra comprar a sequência, quem diria morar sozinho atrapalha um pouco os hobbies caros, não é?
Tinha começado a ficar frio, após um grunhido de frustação, eu finalmente me levantei, desligando minha televisão e indo pro quarto, me deitei na minha cama e estava pronto pra jogar a coberta por cima das minhas pernas, agora vestindo calças cumpridas, quando escutei uma algo.
— Não ouse! — Parecia uma voz feminina, era bonita, mas parecia estar irada.
Só podia ser coisa da minha cabeça, ou algum dos meus vizinhos tendo uma discussão, não era muito incomum, finalmente me cobri e comecei a jogar de novo, mas fui interrompido com o cobertor sendo puxado e caindo no chão.
— Não! — A mesma voz protestou.
Eu me assustei, mas a conclusão à qual eu cheguei foi que havia algum animal, talvez um rato, no meu quarto, o que me fez ignorar a "coincidência" da voz e começar a procurar por seja lá o que tivesse entrado na minha casa. Enquanto agachado, olhando embaixo da minha cama e pelo chão do quarto, alguma coisa acertou minha cabeça, quando peguei isso e olhei mais de perto, era uma bola feita de meias, como as que eu guardava na minha gaveta, ao olhar pra trás vi aquela gaveta aberta, um rato não poderia fazer isso, certo? O quarto estava ficando mais frio, absurdamente frio, comecei a colocar as meias que haviam sido jogadas em mim.
— Juro que se colocar essas meias eu vou congelar o seu rabo! — A voz advertiu, em um tom bem mais baixo que antes, mas muito ríspido e estava assustadoramente próxima da minha orelha.
Eu saltei para trás, batendo minhas costas no armário e derrubando uma caixa de tralhas no chão, velharias interessantes que eu havia comprado algumas semanas atrás em uma espécie de brechó, alguma coisa de dentro da caixa caiu na minha cabeça, após um inevitável "ai!", estendi minha mão para segurar aquilo que havia me atingido, um relógio esquisito, sem números, parecia feito de plástico e, apesar de seu externo não ter uma palheta de cores limitada a preto à preto e roxo, seu mostrador era bem colorido.
— Um Yo-Kai Watch?! — Disse a voz, repentinamente parecendo surpresa.
Ao me assustar novamente, com o que naquele momento eu já descreveria como assombração, acidentalmente apertei alguma coisa no relógio que ligou um tipo lanterna.
— Argh! — Ela grunhiu ao ser atingida nos olhos pela luz.
Iluminada pela lanterna do relógio, a voz se revelou uma mulher de estatura baixa, vestindo o que parecia ser um quimono azul claro, com círculos brancos estampados na boca de suas mangas e na base dele, seu rosto era lindo, seus olhos azuis combinavam, não só com suas roupas, mas com seu cabelo, de mesma cor, porém com um tom mais escuro. Eu estaria apaixonado se não estivesse apavorado... quem eu quero enganar? Eu estava os dois!
— Q-Quem é você? — Eu tentei não gaguejar, mas não é todo dia que uma mulher linda invade sua casa, muito menos enquanto flutua.
— Eu sou Fubuki-Hime! — Ela disse, cruzando seus braços e erguendo sua cabeça, com uma expressão orgulhosa, parecendo esperar algo.
— Desculpe, Fubuki... o que? — Eu perguntei, tentando não ser rude.
— Fubuki... Calma, eu não prestei muita atenção quando vinha pra cá, onde estamos? — Ela me interrompeu antes que pudesse responder sua pergunta — Não importa, aparentemente não é nada familiarizado com japonês, me chame de Fubuki, a controladora das nevascas, a rainha do gelo, a deusa do frio, a... — eu a interrompi.
— Tá, entendi, mas o que você está fazendo na minha casa, vossa majestade do ar condicionado?
Ela pareceu brava com meu comentário, eu ainda estava com medo, mas eu tendia mesmo a ser sarcástico em momentos de tensão. Suas mãos se fecharam em punhos e seus braços estavam esticados e paralelos ao tronco enquanto gritava.
— Mais respeito comigo, sou provavelmente a Yokai mais poderosa que vai iluminar com a lanterna desse seu reloginho tosco!
— Ei, não fala assim do meu relógio, alma penada! — ela pareceu ficar ainda mais brava, seu rosto pálido, agora estava ficando vermelho. Eu não sabia bem o motivo de estar defendendo o relógio, só não gostava de gente gritando comigo.
O quarto estava agora mais frio que nunca, podia ver minha própria respiração, os olhos de Fubuki não paravam de me encarar, aquilo não ia dar em lugar nenhum, bom, talvez na minha morte e eu não queria isso.
— Tá bem, olha, desculpa te ofender, começamos com o pé esquerdo — eu estendi minha mão —, meu nome é Kuro, prazer em te conhecer, Fubuki.
Ela olhou pra minha mão e então voltou a encarar meus olhos, agora levantando uma sobrancelha.
— Seu nome é Kuro, mas não entende Japonês?
— Pais adotivos, não eram muito legais.
Após essa pequena conversa, Fubuki virou o rosto, evitando olhar pra mim, não parecia querer dar o braço a torcer, minha barriga começou a roncar, então dei de ombros e fui em direção à cozinha enquanto tentava puxar conversa com a pequena assombração.
— Então, o que você quis dizer com "Yokai"? — Perguntei enquanto passava pela porta, Fubuki flutuou logo atrás de mim ao notar que eu estava de saída do quarto.
— Somos como entidades, vivemos a vida após a morte causando desejos em humanos, os induzindo a fazer coisas que poderiam ou não fazer sem a nossa presença e também há os como eu, com poderosíssimos poderes. — Ela parecia orgulhosa das suas habilidades.
— Então você tava aqui em casa só pra me deixar com frio? Isso é meio fofo. — Fubuki corou e arregalou os olhos.
— E-Eu não escolhi você, só achei uma casa qualquer e quis passar o tempo! — Ela parou um pouco, respirou fundo e olhou pra mim como se eu tivesse matado alguém na frente dela — Mas você tinha que me desrespeitar com a sua cobertinha, não é?! — Ela gritou, parecia bem indignada agora.
— Você queria que eu fizesse o que?
— Que não se cobrisse, isso é um desrespeito pra princesa do frio, a grande... — eu a interrompi.
— Eu continuo só com a calça cumprida então, feliz? — Eu disse colocando pipoca no micro-ondas.
— É quase a mesma coisa! — Ela disse gritando mais próxima do meu ouvido — Não quero que se cubra com nada!
Revirei meus olhos e suspirei fundo em pura frustação.
— Tá! — Eu gritei.
Fubuki se assustou com o grito, mas definitivamente não foi seu maior susto da noite, esse viria a seguir. Abaixei minhas calças, em seguida minha cueca e então tirei minha camiseta.
— O-O que você tá fazendo?! — Ela estava surpresa e não era pra menos, eu estava completamente nu na frente dela e foi só quando ela fez aquela pergunta que eu me toquei do quão longe eu tinha ido.
Estava prestes a me desculpar e me vestir de novo quando ouvi um barulho que parecia vidro se chocando com o chão, olhei pra baixo e percebi uma pequena pedra de gelo, em seguida o mesmo barulho, uma segunda pedra do mesmo tamanho caiu ao lado da primeira, devagar eu ergui minha cabeça e vi de onde vinham, uma gota descia pelas pernas de Fubuki, flutuando na minha frente, e antes que a gota caísse no chão ela se transformava em gelo, não havia percebido a temperatura da sala até então, estava frio de novo, podia ver minha respiração novamente e, mais importante, podia ver a respiração de Fubuki, ela tentava conter, mas eu podia ver, era frequente, pesada e aumentava toda vez que ela tentava não olhar pro meu pau.
— Você... gostou? — Quando eu fiz essa pergunta ela pareceu sair de um transe.
— Seu humano... sujo e nojento!
— Ei, eu não fiz nada a mais do que você pediu, só não sabia que queria... dessa forma.
— Eu não quero de forma alguma!
Ela furiosamente flutuou em direção a sala, porém não antes de deixar mais gelo cair no chão, fazendo com que ela flutuasse mais rápido. Decidi vestir ao menos minha cueca e então seguir ela, olhei ao redor da sala, mas ela não estava lá, inclinei meu corpo e minha cabeça para olhar o quarto, também não estava lá. Achei que talvez ela tivesse ido embora, mas foi então que ouvi um som, vinha do banheiro, eu não imaginava que yokais, sejam lá o que exatamente eles fossem, precisassem ir no banheiro. Me aproximei da porta e encostei meu ouvido nela, escutei algo como soluços e deduzi que ela estava chorando, preocupado, abri a porta e não foi exatamente o que eu vi.
— Mas que porra... — Fubuki rapidamente, tirando suas mãos de entre suas pernas, fechou seu quimono e começou a flutuar, saindo de cima do vaso fechado.
Ela estava vermelha, eu não sabia dizer se por vergonha ou se o que estava fazendo antes de eu abrir a porta estava muito intenso, eu presumi que eram as duas coisas.
— Eu... é que... você... — não foi fácil formular uma frase, por sorte eu desisti de tentar e fechei a porta, encostando minhas costas, tentando processar tudo aquilo e me acalmar.
Eu tinha acabado de conhecer um fantasma, isso não parecia bem um problema até então, mas eu definidamente não imaginava que veria um fantasma se masturbando no meu banheiro quando levantei da cama. A porta se abriu atrás de mim e por pouco não mantive meu equilíbrio, me voltei pra Fubuki, nos encaramos por alguns segundos, eu pensava em como lidar com aquilo, enquanto ela provavelmente pensava se enfiava a cabeça em buraco ou me congelava junto com o resto do meu apartamento, assim enterrando toda essa história e a vergonha que estava sentindo, a essa altura eu já imaginava qual seria a decisão dela, então eu precisava agir e foi o que eu fiz, beijei sua boca tão subitamente quanto sua aparição no meu quarto. Era estranho pensar que a "princesa das nevascas" poderia ficar com o corpo tão quente, o beijo ficava mais intenso conforme minhas mãos desciam pelos seus quadris Seus braços estavam agora ao redor do meu pescoço e eu nem tinha os visto chegando lá, abri novamente seu quimono, o que não demorou muito, por ter sido amarrado com pressa, e então acariciei sua pele com meus dedos, erguendo as mãos até seus seios, eu já tinha os visto quando abri a porta do banheiro, não eram enormes, mas eram grandes, principalmente para o seu tamanho.
— Vamos pro quarto — eu disse interrompendo o longo beijo por um estante.
— Eu nunca iria pra cama com um humano — ela respondeu sussurrando, envergonhada e tentando desviar o olhar, meio clichê.
Comecei a beijar seu pescoço enquanto a abraçava, ela continuava com a respiração pesada e podia ouvir ocasionais gemidos quando beijava alguns pontos.
— Não acha que agora devíamos terminar o que começamos? — Eu sussurrei voltando a beijar seu pescoço.
Ela balançou a cabeça, cedendo, com os olhos fechados e evitando falar, provavelmente pra que não deixasse escapar outro gemido, fomos até o quarto e eu me sentei na cama, enquanto Fubuki lentamente descia no ar pra sentar no meu colo, ainda evitando contato visual. Passei meus dedos por suas coxas, beijando seus ombros, dirigindo minhas mãos pra entre suas pernas, procurando seu ponto mais sensível e acariciando suavemente, em seguida colocando meus dedos em seu interior, agora voltando a dar atenção aos seus lábios, podia ouvir e, até mesmo, sentir seus gemidos abafados pela minha boca, assim como suas pernas tremendo quando meus dedos se posicionavam de uma maneira específica, que eu passei a tentar replicar após prestar atenção em suas reações. Sua cabeça estava agora sobre meu ombro, podia ouvir seus gemidos baixos próximos ao meu ouvido, suas unhas pareciam querer perfurar a pele das minhas costas quando meus dedos se moviam mais rápido.
— Ah, merda! — Ela disse um pouco mais alto, porém quase tão baixo quanto seus gemidos.
— Quase lá? — Eu perguntei sorrindo enquanto olhava pro seu rosto.
Fubuki pareceu envergonhada e permaneceu sem dizer mais nada, comecei a mover mais os dedos e sua respiração ficou mais rápida, enquanto me apertava com mais foça, em seguida ela soltou um suspiro que parecia liberar todo o estresse e tensão de seu corpo. Eu a beijei mais uma vez, mas não durou muito, ela se abaixou, sem rodeios, se ajoelhando no chão e puxando minha cueca.
— Não quer descansar um pouco antes? — ela permaneceu olhando pra minha ereção, que estava lá desde que vi o gelo cair na cozinha.
A expressão de Fubuki era uma mistura de foco e irritação, estava claramente excitada a um nível que não se aguentava o suficiente pra simplesmente ir embora, mas definitivamente seu orgulho ainda falava alto suficiente para que permanecesse calada e agisse como se estivesse me fazendo um favor, eu teria parado pra conversar com ela sobre isso, mas assim como ela, não tinha força o suficiente para isso. A esse ponto Fubuki tinha começado a me masturbar usando suas mãos macias, eventualmente colocando a cabeça do meu pau na boca e lambendo o topo, quando se sentiu confiante para colocá-lo mais fundo na boca eu deixei escapar um gemido e tive quase certeza que vi um sorriso em seu rosto enquanto movia sua cabeça, pra frente e pra trás, com os olhos fechados. Acariciei seus cabelos com meus dedos e suavemente guiei sua cabeça no ritmo que achava mais agradável, sua boca parecia ainda mais quente do que em nossos beijos e sua língua parecia se mover ainda mais vigorosamente ao redor do meu pau, soltei vários outros gemidos baixos durante o boquete, e agora estava prestes a gozar.
— Fubuki... — fui interrompido por seus movimentos acelerando e me fazendo suspirar, quando estava próximo de chegar ao clímax, Fubuki tirou meu pau da boca e deixou todo o sêmen cair no chão enquanto o continuava masturbando para que tudo saísse.
Ela limpou o topo da com as mãos e então subiu na cama.
— Não gosta de engolir? — Eu perguntei esperando que dessa vez ela não me ignorasse.
— Não quero nada seu dentro de mim por mais tempo que o necessário — ela disse, encostando as costas na cabeceira e abrindo as pernas, ainda sem olhar nos meus olhos.
Ainda não tinha conseguido compreender Fubuki, em sentido nenhum, ela queria sexo, era de se esperar que não queria nada além disso, mas até mesmo o sexo era esquisito, como se no fundo não quisesse fazer, por um segundo pensei em deixar meu tesão de lado e acabar com aquilo por ali, mas pensando melhor isso poderia custar minha vida, acho que de todas as coisas que eu poderia fazer pra sobreviver, transar com uma fantasma sexy não era a pior. Decidi que faria aquilo do meu jeito, levantei Fubuki, que pareceu assustada quando subitamente a deitei na cama enquanto me posicionava por cima dela.
— O que está fazendo?!
— Eu prefiro essa posição — eu sorri.
A beijei mais uma vez, enquanto penetrava sua vagina devagar, novamente seus gemidos eram abafados pelo nosso beijo, em seguida desci minha boca pelo seu pescoço e ombros, me dirigindo aos seus seios. Os gemidos de Fubuki ficaram mais frequentes, causados, não só pela forma como eu a penetrava, mas também pelos movimentos da minha língua ao redor do seu mamilo, onde parecia bem sensível.
— Você não precisa ser tão rabugenta, sabia? — Eu disse sorrindo.
Fubuki me ignorou mais uma vez. Me aproximei do seu rosto e olhei nos seus olhos, novamente desviaram olhando pro lado, eu beijei sua bochecha e comecei a empurrar com mais força, a fazendo gemer.
— Não tem graça se for tão... frio! — Eu dei uma pequena risada, mas só recebi mais silêncio — Tudo bem, eu vou só parar... —
— Não! — Ela disse entre os gemidos — Não para, por favor!
De repente parecia menos fria, quase implorando pra que eu continuasse, isso me fez, quase que involuntariamente, sorrir.
— Tudo bem, minha princesa do gelo.
Comecei a empurrar mais forte, agora nos olhávamos nos olhos, eu agarrava seu seio esquerdo enquanto tomava cuidado para apertar seu mamilo entre meu dedo indicador e o médio, causando gemidos mais altos em Fubuki.
— Eu... Eu estou... — Fubuki gemeu e sussurrou com olhos fechados.
— Tá tudo bem, só relaxa — beijei seu rosto esperando que ela gozasse mais uma vez, continuei empurrando e gozei logo em seguida.
Me deitei na cama, exausto, e abracei Fubuki, que não se afastou, mas também não retribuiu nenhum ato de carinho, liguei a pequena tv ao lado da cama, ainda estava passando a maratona de filmes de terror, era meio irônico.
— Esses filmes são toscos— Fubuki disse baixinho, fiquei feliz que tivesse desistido do silêncio.
— É, são bem toscos mesmo — eu respondi sorrindo.
Bom, acho que eu teria sentimentos diferentes em relação a filmes de terror daqui pra frente.
