Nota: Decidi traduzir os meus fics de Banana Fish porque sim.
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Aninhando-se contra o cabelo loiro suave, Eiji inspirou o aroma doce a citrinos do champô que Ash usara na noite anterior e sentiu-se enterrar ainda mais na cama, deleitando-se naquela preguiça matinal agradável. Apesar dos conselhos persistentes de Eiji para que não o fizesse, Ash continuava teimosamente a ir para a cama com o cabelo meio molhado; Eiji ainda conseguia sentir as manchas húmidas na sua almofada. Apesar de não ir parar com as suas reprimendas, na verdade ele apreciava secretamente estes momentos calmos de manhã quando a frescura e suavidade do cabelo do namorado ficava ainda mais fresca e mais fofa.
Infelizmente, cabia-lhe a si encurtar o momento maravilhoso.
- Ash... Ash. Temos de nos levantar.
Um grunhido não muito subtil de resposta fez Eiji rir contra a nuca de Ash.
- Sim, eu sei... mas o Shorter vai chegar não tarda. E ele-
- Hmmmmrph.
- Vá lá, Ash.
Eiji deu-lhe alguns segundos. Ash não fez qualquer movimento ou deu sinal mesmo quando Eiji lhe beijou a bochecha suavemente e lhe fez festinhas no braço.
- Vá, Ash. Está na hora de nos levantarmos.
Ash voltou a grunhir e agarrou o braço de Eiji, prendeu-o à volta do corpo e contra o peito, e enrolou-se numa bola de pura preguiça e rabugice, uma que não se ia levantar e passar a manhã de sábado com o amigo e ia continuar a desfrutar daquela muito apreciada moleza de sábado.
- Aaash-u. Ambos concordámos, lembras-te? O Shorter está entusiasmado com isto há que tempos. - Ash não respondeu. Eiji suspirou. - Tu também concordaste. Tu sabias que era a um sábado.
Eiji tentou persuadi-lo pressionando o nariz contra a curva onde o pescoço e o ombro de Ash se uniam, bocejando contra a pele logo depois.
- Vou levantar-me - anunciou, mesmo que fosse contra sua vontade também; mas um deles tinha de ser o adulto responsável nesta situação. Teve de se debater contra o aperto de Ash no seu braço. - Vou tomar um duche. Não queres vir comigo?
Uma proposta tentadora, e de forma intencional; mas não tentadora o suficiente para vencer a rabugice e sono de Ash. Quando Eiji regressou, secando o cabelo com pequenas pancadinhas com uma toalha, encontrou Ash completamente embrulhado debaixo dos cobertores, mesmo a cabeça, enroscado ainda mais sobre si próprio. Menos os pés. Os pés espreitavam pelo fundo do monte confortável em que ele se tornara, de um branco que se destacava totalmente contra os lençóis, e fizeram Eiji dar um riso e abanar a cabeça. Parecia-se com um gato que acreditava ser um mestre no disfarce quando tinha a cauda de fora.
Eiji não resistiu fazer-lhe cócegas na pele sensível da sola dos pés, fazendo um guincho abafando irromper algures sob os cobertores.
- Ash. Vamos.
- Não. Quero o meu miminho matinal.
Eiji suspirou. - Ash...
Ash espetou a cabeça para fora dos cobertores. Estava com a carranca mais maldisposta de sempre.
- Queres que fique com esta cara o dia todo?
- Isso chama-se chantagem.
- Sim.
- Isso não é bonito.
- Não quero saber. Fizeste-me cócegas nos pés.
Eiji soltou um suspiro derrotado e deitou-se de novo ao lado de Ash, esfregando a cabeça molhada contra ele para o provocar, sorrindo pelo 'hmmmmrph' de reclamação que recebeu. Ash enroscou-se contra o peito de Eiji com tanta força que Eiji teve de soltar um protesto também, apesar de puxar imediatamente Ash num abraço, apertando-o contra o seu corpo. Ele soltou um suspiro de contentamento e aninhou-se confortavelmente. Eiji bocejou, lutando para não ceder ao desejo de adormecer.
A campainha tocou. Depois parou, e recomeçou a tocar num ritmo consecutivo e alegre.
- Quero aquela campainha arrancada - grunhiu Ash contra o peito de Eiji.
- Precisamos de uma campainha, Ash.
- Não não precisamos.
Eiji deu-lhe mais um aperto forte de mimo antes de plantar um beijo na sua testa.
- Vamos lá. Já chega. O Shorter já cá está. Está na hora de te levantares.
Teve de deixar a criança rabugenta na cama para se certificar que o amigo não ficava pendurado eternamente à porta (e para que ele não os deixasse aos dois, e todos os vizinhos, surdos com aquela brincadeira na campainha). Quando abriu a porta, no entanto (sem espreitar pelo óculo, algo pelo qual Ash constantemente o repreendia) encontrou não só Shorter, mas mais duas pessoas, uma pequena multidão reunida à porta de casa.
- Olá, Eiji! - cumprimentou Sing alegremente, um raio de energia nesta manhã muito sonolenta.
- Arranjei-nos companhia! - Shorter apontou o óbvio, abrindo os braços para agarrar cada um dos rapazes dos seus lados. Yut-Lung ficou tudo menos satisfeito com isso, com uma careta na sua cara perfeitamente maquilhada. Destacava-se tanto dos outros dois rapazes, completamente casuais e com roupas largas, com o seu modelito de alta costura e penteado delicado que era quase engraçado.
- Olá, rapazes - cumprimentou Eiji também, convidando-os a entrar. - Desculpem, estamos um pouco atrasados. O Ash ainda se está a preparar.
- Aquele preguiçoso ainda 'tá a dormir, não 'tá? - supôs Shorter. Imediatamente e sem aviso berrou do fundo dos pulmões: - ASH! MEU CABRÃO PREGUIÇOSO, ACORDA MAS É!
- VAI P'Ó CARALHO, SHORTER! É SÁBADO!
- É UMA DA TARDE, PORRA!
Eiji teve de pressionar os lábios com força para não rir. A forma como aqueles dois mostravam o amor um pelo outro era tão... ahem, "amável".
- Oh, ele já 'tá acordado. - Shorter foi bater suavemente à porta do quarto deles. Um contraste brutal com a troca de gritos. - Veste-te mas é, vamos atrasar-nos.
- Eu não sou como vocês dois! Raios dos velhos que acordam com as galinhas!
- Ash! Meu, é uma da tarde. Levanta-me esse cú preguiçoso da cama!
Eiji conseguia vê-lo de onde estava, e pressionou os lábios com mais força quando o olhar fulminante de Ash se cruzou com Sing e Yut-Lung a seu lado.
- Porque é que 'tá meia Chinatown na minha casa - exigiu ele friamente, recebendo respostas não muito intimidadas de ambos os rapazes.
- O Shorter convidou-nos para testemunhar a sua grande estreia de tatuagens - explicou Sing.
- Eu só aqui estou para o ver desmaiar - acrescentou Yut-Lung com um encolher de ombros e um sorriso.
- Ah. Como se isso fosse acontecer. Eu sou um badass hardcore - defendeu Shorter a sua honra.
Eiji ouviu o rosnado vindo do quarto que acompanhou a almofada que foi atirada contra a porta para a fechar. Shorter voltou-se de novo para eles com um sorriso de vitória, sabendo que aquilo era um sinal de sucesso.
- Não o consegues fazer-se mexer com falinhas mansas - disse ele a Eiji. - Ele faz de ti o que quer se fores assim. Tem de ser um amor mais à brut-
- Tens aqui amor à bruta - completou Ash dando-lhe um toque (uma chapada) na nuca, basicamente passando-lhe a ferro a parte de trás da crista. Estava completamente vestido e pronto, apenas com o cabelo ligeiramente despenteado.
Eiji não conseguiu evitar sentir uma súbita pontada de espanto no peito pela mera visão do seu namorado. Esperava que não tivesse sido demasiado aparente no seu rosto, porque tinha noção do quão tolo aquilo era; via Ash todos os dias e sabia melhor do que ninguém o quão bonito ele era. Mas hoje, nesta total casualidade, ele simplesmente brilhava ainda mais. Sem nenhum penteado ou roupas chiques, só Ash puro. Só... perfeito.
Como se alguma vez tivesse pensado outra coisa.
- Porra, como é que te despachaste tão depressa?
- Não estamos atrasados? - usou o lava-loiças para atirar rapidamente água para cara e passou os dedos casualmente pelo cabelo, como se aquele ar saído da cama fosse o aspecto que pretendia ter desde o começo. E estava perfeito à mesma, um modelo acabado de sair de um catálogo de moda. - Vamos lá. Quero ver-te desmaiar.
Ash agarrou nas chaves de casa a caminho da porta, enlaçando o braço à volta de Eiji e beijando-o na testa.
O pequeno grupo de escolta foi até ao salão de tatuagens para a sessão agendada de Shorter, cujo artista ficou ligeiramente espantado perante a comitiva. Mas ficou mais espantado com a rapidez com que Shorter desmaiou assim que as agulhas lhe tocaram na pele, e Ash e Yut-Lung desataram a rir enquanto Eiji e Sing o tentavam reanimar com açúcar e leques de papel.
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fim
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Obrigado por lerem, se acharem erros por favor digam.
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