Disclaimer: Nem essa história e nem Victorious pertencem a mim. A história é do Quitting Time (estou apenas traduzindo), e Victorious é da Nickelodeon.
Capítulo 1 - Uma antiga foto
Jade estava em seu segundo mês do primeiro ano no exterior na Inglaterra quando ela entrou em uma loja que iria mudar sua vida. Tendo recentemente se graduado no colégio Hollywood Arts, ela ganhou uma bolsa para frequentar uma prestigiosa escola de artes particular chamada Faculdade Broadlands. Era localizada em uma pequena comunidade conhecida por Herford, logo saindo de Londres.
As coisas andavam bem, se instalou em um pequeno apartamento em cima de uma padaria. Além de passar o tempo ocupada com trabalhos da faculdade, ela frequentemente usava seu livre para explorar a cidade. Uma comunidade que se orgulhava por ser uma cidade pequena, por estar localizada tão perto de Londres.
Nesta específica tarde de domingo, ela perambulou em uma loja de antiguidades, que ficava logo fora do centro da cidade. Esperava encontrar algo de aparência gótica para decorar seu simples apartamento. Era uma loja pequena, preenchida por antiguidades do chão ao teto. Jade se perguntou como que eles conseguiram fazer caber tanta coisa.
Porém nesta visita, nada demais chamou atenção. Uma mesa de cabeceira sim, mas assim que viu o preço de 300 libras, o interesse logo foi embora. Tinha apenas 55 libras para gastar.
"Nada chamou sua atenção ainda, senhora?" Perguntou o velho lojista, em um sotaque londrino.
"Não." Jade responde, balançando a cabeça.
"Está procurando por algo específico?"
Deu de ombros. "Decorando meu apartamento. Vendo se eu acho algo interessante."
"Bom, é só falar comigo se precisar de algo." Disse o senhor, deixando Jade sozinha mais uma vez.
Eventualmente, Jade andou em direção à uma mesa com uma placa; "Recém chegado". Estava para dar as costas, quando uma pequena fotografia em uma moldura dourada chamou sua atenção. Era uma foto muito antiga de uma jovem mulher em um longo vestido branco coberto de rendas. Ela estava segurando um buquê de flores e seu cabelo estava para cima com uma flor. Parecia estar em uma espécie de casamento ou em algum tipo de retrato formal.
Jade colocaria a foto de volta, se não fosse por uma coisa. O rosto da jovem. Era o mais lindo que já tinha visto. Ela parecia um tanto hispânica, e tinha maçãs do rosto, lábios perfeitos, e um par de olhos escuros que fizeram seu coração bater feito louco. Jade não conseguia desviar os olhos da mulher. Porém, uma coisa a incomodou sobre a foto; a jovem da foto parecia triste. Solidão foi a primeira palavra que passou pela sua mente.
"Porque eu acho que ela é solitária...?" Jade devaneou.
De qualquer modo, o fato desta linda criatura parecer infeliz a incomodou. Jade, que era abertamente gay desde o ensino médio, não lembrava de ver um rosto tão bonito quando esse.
"Quem é você?" Murmurou baixo.
Pensando, abriu a parte de trás da moldura para procurar um nome. Se qualquer coisa, ela tinha que saber o nome dela pelo menos. Sorte estava com ela, pois no verso da foto, escrito de lápis estava:
Victoria Vega Walker - Julho de 1869
"Vega?" Jade disse, distraída. "Espanha não fica longe, talvez ela seja meio espanhola." A ideia de que esta moça pudesse ter sangue espanhol apenas aumenta o mistério. Jade colocou a parte de trás da moldura volta, virou-o e sorriu. "Olá, Victoria. Que tal vir pra casa comigo?" Disse para a foto. Estava rotulado como 7 libras. Não tinha certeza do por quê, mas ela simplesmente tinha que ter esta foto. Não era só o fato desta mulher ser incrivelmente bonita, não. Era muito mais e Jade não tinha certeza do que a dava este sentimento.
Com a fotografia em mãos, foi em direção ao caixa e colocou-o no balcão.
"Vejo que achou algo." O senhor disse, olhando para a moldura.
Jade sorriu. "Acho que ela precisa de um lar. Você sabe de onde é essa foto? Eu peguei daquela mesa de recém chegados."
O homem pareceu pensar por um momento e se lembrar. "Ah sim! Demoliram uma mansão semana passada, na propriedade antiga dos Oliver. A casa estava caindo aos pedaços e vazia por anos! A terra foi vendida para uma desenvolvedora que vai construir um novo supermercado Tesco. Meu sobrinho, que estava na equipe de demolição, encontrou isso, e uma caixa de coisas velhas no porão. Parecia que ninguém tinha tocado naquilo há mais de 100 anos! O tribunal de falências vendeu tudo e queria o resto descartado, mas ele sabia que eu podia fazer um dinheiro com essas coisas, então ele passou pra mim. Se não fosse por isso, teria sido tudo jogado fora. Fico feliz que você vai dar um lar a esta moça. São 7 libras!"
Jade deu ao homem uma nota de 10 libras, pegou seu troco e saiu, foto em mãos.
Enquanto andava os 5 blocos de distância para o seu apartamento, sentiu uma estranha inquietação para ter sua nova aquisição em casa. Era como se quisesse mostrar a Victoria sua nova casa. Era estranho, já que ela provavelmente já estava morta há décadas. No seu pequeno apartamento de um quarto, Jade imediatamente pensou sobre onde colocar Victoria. Apenas um lugar veio à mente. Seu minúsculo quarto.
Depois de pensar por uns momentos, Jade pendurou a foto na parede do lado cama. Ao longo das próximas noites, enquanto ficava na cama lendo, como era de costume antes de ir dormir, sua atenção frequentemente se desviava para Victoria.
Jade parava e se perguntava quem ela era, como sua voz soava. Que cor eram seus olhos. Na verdade, Jade ficou obcecada com aquilo. Será que eram azuis escuros? Ou castanho? E, claro, sempre se perguntava, porque ela era tão infeliz. Se encontrou amar olhar para a foto. Até moveu-a para mais perto da cama para que pudesse ver melhor. Tinha uma estranha posse sobre ela, mas, sinceramente, não poderia ligar menos pra isso.
POV - Jade
Já tenho a foto há uma semana e, a cada que passa, parece ter um poder maior e maior sobre mim. Ela é linda de um jeito que, cara, não consigo nem explicar. Só olhar pra ela faz o meu coração despedaçado querer bater de novo.
Eu nunca achei que eu ia querer ficar com alguém depois da Becca. Eu conheci ela em uma festa no meu segundo ano em Hollywood Arts.
Ela tava encostada contra a parede, observando as pessoas com um olhar perspicaz. Ela tava usando uma calça jeans azul rasgada, uma camisa dos Slayer, e uma jaqueta de couro apagada. Seu rosto era oval, como olhos azuis penetrantes e cabelos pretos curtos e pontudos. Momentos depois ela virou e me olhou.
Ela era gótica que nem eu. Já estive com garotas antes, mas eu nunca quis uma como eu queria ela. Eu não conseguia nem começar a entender o que aqueles olhos que mais pareciam geleiras faziam comigo. A gente mal fez contato visual e eu já sabia que ela estava me julgando; procurando por todas as falhas. Aquilo só deixou ela mais atraente. Seus lábios pretos estavam curvados em uma carranca que me deram arrepios no pescoço. Ela parecia a pessoa mais fria que eu já conheci, e é assim que eu soube que eu ia amar ela. E então tinham aquelas calças de couro, que, sinceramente. Ela exibia cada curva de suas pernas.
Antes de eu perceber, eu já tava indo em direção a ela. Parecia como um chamado, e eu não conseguia resistir. Bem como uma sereia da antiga mitologia grega, sua atração era tão forte quanto.
Não pude evitar pensar na ironia daquilo tudo. Eu vim para a festa para fazer uma conquista. Alguma caloura bêbada que queria ver como a outra metade vivia, talvez. Não... Hoje à noite, eu seria a conquista.
Enquanto eu me aproximava, o sorriso dela se alargou. Ela sabia que já me tinha. "Percebi que você sabe o que quer. Eu gosto disso numa garota." Ela disse, em um tom abafado.
Senti a necessidade de fazer alguma coisa, tomar alguma iniciativa. Ela estava muito bem no processo de me reduzir a uma coisa patética que ficaria feliz em venerar sua forma. Mas meu orgulho não ia permitir.
Eu não disse nada e olhei para ela lambendo meus lábios por um momento. Então dei um passo à frente e pus uma mão na nuca e a outra nas costas dela. Antes dela poder reagir, pressionei meus lábios contra os dela e dei o beijo mais apaixonado que eu pude. Foi incrível, meu corpo todo parecia estar em chamas. Mas eu tinha que deixar ela querendo mais, e aquela parte de mim que queria ser uma coisa patética se ajeitou. Então quebrei o beijo.
Ela parecia atordoada por um momento, mas logo se recuperou. Eu tinha temporariamente tomado o controle. Algo que, suspeito eu, o orgulho dela não ia tolerar. Me provei certa cerca de um segundo depois.
Ela pegou minha mão e me encarou nos olhos com um olhar paralisante. "Você é minha!"
Quando me senti ficar molhada naquele momento, sabia que ela estava muito certa.
Pegamos um dos quartos, e logo estávamos uma na outra. Depois, conversamos e descobrimos que tínhamos gostos parecidos em música, filmes e livros. Nos damos bem e em questão de um mês, éramos oficialmente um casal. Alguns diriam que nós éramos gêmeas, baseado no fato de que a gente se parecia muito. Durante todo o segundo ano e a maior parte do terceiro, éramos um casal. Passávamos muito tempo em boates góticas, saindo. Era ótimo. Sexo, o que eu posso dizer sobre o sexo. Ela amava sexo. Eu eventualmente tive que aprender a estudar sozinha, porque quase toda vez que estudávamos juntas, a gente acabava na cama. Pensando nisso, quase sempre acabávamos na cama. Eu a amava e achei que seria para sempre.
Por volta de um mês depois que começou o terceiro ano, descobri sobre a competição pela bolsa para a Faculdade Broadland. Já tinha ouvido falar dela e da sua grade muito prestigiada de teatro. Mencionei isso pra Becca, e ela me encorajou a tentar. Então eu tentei. Preenchi a inscrição, escrevi minha dissertação, fui pra entrevista para os jurados e esperei pelo melhor.
Me disseram que eu só teria o resultados depois de vários meses, então fui fazendo minhas coisas normalmente. A vida na escola e com a Becca estava boa. Mas um dia, no meio de Fevereiro, eu recebi uma carta. Fui selecionada. Eu realmente nunca achei que eu ia ganhar, mas ganhei.
Eu fui direto pra casa da Becca pra contar a novidade.
"Eu consegui. Eu ganhei!" Eu disse, mostrando a carta quando Becca abria a porta.
"O que?" Ela perguntou confusa.
Eu tava muito empolgada. "A bolsa! Uma viagem completa pra Faculdade Broadland, logo de fora de Londres. Não é ótimo?!"
Ela sorriu e me abraçou. "Isso é ótimo, bebê! Tô muito feliz por você."
Eu devia ter percebido na hora. Teve uma breve, mas sutil, mudança na expressão dela. Mas eu tava muito feliz pra realmente notar.
Eu percebi só depois. Ela começou a demorar mais tempo pra responder minhas mensagens e ligações. Às vezes ela nem atendia. Ela parecia me tocar menos e menos. Até durando o sexo, parecia que tava faltando algo. A paixão parecia estar indo embora. Ela tinha mudado de repente. Parecia como o vento que tinha subitamente mudado da brisa quente de verão, para o vento gélido do outono.
Eu flagrei ela, um mês depois, em uma boate, paquerando uma outra garota. Com raiva, fui até ela, peguei seu pulso e afastei ela pra longe.
"Gostaria de se explicar, Becca?! Você tava me evitando a semana toda e agora eu te acho aqui, dando em cima de outra garota!" Eu gritei, enfurecida.
Ela se endireitou e tomou uma postura desafiadora. "Terminamos. To seguindo em frente. Eu ia te dizer amanhã, mas acho que hoje também serve."
Eu fiquei em choque. Ouvir ela querer terminar colocou meus sentimentos em piruetas. "Assim, desse jeito, terminamos?! Estivemos juntas por um ano e meio! O que é? É por causa da bolsa?"
Ela assentiu. "Sim."
"Perdoa minha memória falha, mas eu me lembro de você encorajando a me inscrever!" Eu retruquei, de repente saindo de desespero para raiva de novo.
"Sim, mas eu não pensava que ia realmente conseguir. Agora você vai pra Londres e eu vou ficar aqui."
"Eu te disse, a gente poderia conversar por Skype, eu ia te visitar, e você ia..." Eu disse, voltando a ficar desesperada.
Ela riu, zombeteira. "Então eu só poderia foder uma vez a cada sei lá quantos meses. Por acaso eu pareço o tipo que esperaria por alguém? Se você não pode satisfazer minhas necessidades, então eu preciso encontrar outra pessoa."
Aquilo foi como uma faca no meu coração. Eu realmente achava que ela me amava. Eu odiava chorar, especialmente em público, mas as lágrimas não hesitaram em cair.
"Eu achei que você me amava... Isso é tudo que eu era pra você? Alguém pra satisfazer suas necessidades?"
Ela cruzou os braços e me olhou como se eu fosse idiota. "Ah, eu amava ficar com você, e a foda era ótima. Mas você tem que perceber que-"
Eu nunca deixei ela terminar a frase, porque, naquele momento, dei um soco forte diretamente no nariz dela. Ela caiu pra trás no chão, sangrando.
Quase todos os meus instintos gritavam pra eu acabar com ela, mas o meu coração sussurrava pra eu correr. Correr e chorar.
E foi exatamente isso que eu fiz.
Aquela foi a última vez que eu vi, ou falei com a Becca.
Eu fui pega de surpresa. Pura e simplesmente. Eu dei a ela todo o meu coração, e ela o esmagou. Era óbvio pra mim agora, que ela brincou comigo como eu se eu fosse uma idiota desde o dia que nos conhecemos. O problema é que, ela era tão parecida comigo, que eu realmente devia ter esperado por isso. Foi burrice minha. Desde aquele dia, meu coração continuou quebrado e parado. Até eu ver aquela foto. E então senti ele bater novamente.
Victoria parece ser o completo oposto de Becca. Ela é bonita, tem cabelos compridos esvoaçantes, e eu não consigo olhar pra ela o suficiente. Becca não queria ter uma relação a longa distância, as necessidades dela pareciam ter mais prioridade que qualquer outra coisa. Agora eu me encontro em uma relação dessas. Não separadas por quilômetros, mas por 145 anos.
É tarde e eu tenho que ir dormir, tenho aula às 8 da manhã. Eu tomo mais um momento para estudar o rosto de Victoria e, mais uma vez, eu consigo sentir meu coração bater.
"145 anos." Eu digo com um suspiro, enquanto penduro a foto de volta à parede.
Desligando as luzes, eu imagino o seu suave corpo contra o meu, quando um trecho de uma música dos anos 70 vem à mente.
Amantes imaginários nunca discordam
Eles sempre se importam
Eles estão sempre lá quando
Você precisa de satisfação garantida
Primeiro capítulo. Segundo vai sair amanhã ou depois!
Herford não existe, QT que inventou :p
A música é "Imaginary Lover" de The Atlanta Rhythm. Peguei a tradução no Vagalume ehe.
To postando aqui e no no Wattpad. Talvez coloque no AO3 também, não sei.
