Essa é a história de dois adolescentes, um laboratório de informática, uma música nada romântica, um ato de coragem, e uma guitarra que toca gentilmente ao fundo.

Antes de começarmos, temos de deixar algumas coisas claras: Sirius Black não era o tipo de garoto que se apaixonava, muito pelo contrário, ele era o tipo de garoto que dizia -e acreditava- que amor era só uma coisa que idiotas achavam que sentiam. Ninguém, nem mesmo James, achou que alguém quebraria essa casca grossa que a vida tratou de fazer Sirius criar, bom, pelo menos não até o primeiro dia de aula do ensino médio.

Acontece que quando você conhece alguém perdido na sala do coral, enquanto tenta encontrar o laboratório de informática -que simplesmente não estava em lugar algum-, e While My Guitar Gently Weeps começa a tocar, claramente o universo está te dizendo que essa pessoa deve estar na sua vida para sempre.

A segunda coisa que precisamos deixar clara é que Remus Lupin, apesar de extremamente gentil, educado, e completamente e irremediavelmente apaixonado por Sirius, nunca coube muito bem no estereótipo de segurar um rádio em cima da cabeça do lado de fora da sua janela.

Veja bem, muitas pessoas acreditam que ele era o tipo emocionado, e que seus sentimentos pelo moreno o faziam passar a mão na sua cabeça, mas essas pessoas estão equivocadas. Na verdade, durante os primeiros 6 meses de amizade, Remus não sabia se queria beijar Sirius ou apenas ignorá-lo pelo resto do ano para não matá-lo -sim, Black tem esse efeito nas pessoas-.

Outra coisa que deve ser esclarecida é: existe uma linha finíssima que separa se um gesto romântico é um grande sucesso, ou se é um grande fracasso e as pessoas vão acreditar que você é psicopata pelo resto da sua carreira escolar, essa linha é conhecida como a Dobler-Dahmer. Felizmente para Sirius, ele era um Dobler.

Vamos ao último esclarecimento antes de finalmente irmos ao que interessa: houve um tempo, que honestamente parece a Idade das Trevas, em que o amor entre duas pessoas do mesmo sexo não era visto como algo normal, e dois homens se casarem era um sonho impossível, e isso além de completamente absurdo, atrapalhou e muito a história de amor que estou tentando contar.

02 de fevereiro de 2012, coir room.

Remus não costumava se atrasar para as aulas, principalmente não em seu primeiro dia, mas ele e Pettigrew -um garoto loiro que acabara de conhecer e estava em sua classe- simplesmente não conseguiam encontrar o laboratório de informática. Eles seguiram o mapa, pediram informação, e ainda assim, nada do tal laboratório.

Quando finalmente viu a porta de uma sala que não parecia uma sala de aula normal, ele entrou, com Peter em seu encalço, e automaticamente foi arrebatado pelo som suave de uma música dos Beatles, uma música que gostava muito na verdade, começando a cantarolá-la no mesmo instante, enquanto varria a sala com o olhar.

Aquele claramente não era o laboratório de informática, mas ele não se moveu, afinal, dois rapazes haviam entrado pela outra porta, e pareciam tão perdidos quanto eles.

— Oi, hey! Meu nome é James, James Potter. — o mais alto, com cabelos castanhos rebeldes, óculos e ar descontraído o chamou — Esse daqui é o Sirius. — disse cutucando o mais baixo, que tinha cabelos negros e compridos, e uma feição de poucos amigos — Nós estamos procurando o laboratório de informática, será que vocês poderiam nos ajudar?

— Olá James, James Potter. — Remus parou de cantarolar e sorriu para o garoto simpático parado à sua frente — Alô Sirius, só Sirius. Adoraria ajudar vocês, mas apesar de eu achar uma sala onde está tocando Beatles muito mais agradável, eu e meu amigo Peter aqui, também estamos procurando o laboratório de informática. — o loiro disse com um sorriso ameno, e percebeu que agora o moreno o olhava como se decidisse entre agir como uma pessoa civilizada ou como um cachorro.

— Black, Sirius Black, apesar de que só Sirius me parece um nome muito mais real, considerando que fui deserdado. — Sirius disse dando de ombros, e então abriu um sorriso, arqueando uma sobrancelha e apontando para Peter — Bom, esse é Peter, como você estabeleceu categoricamente, estranho na sala do coral, mas eu devo continuar te chamando de estranho na sala do coral pelos próximos 3 anos, ou você pretende nos contar seu nome em algum momento?

Remus riu. — Certo, só Sirius, precisamos de um apelido mais curto para você, vou me cansar facilmente de ficar falando "só" toda vez que for falar com você nos próximos 3 anos… — ele acabou devaneando, e precisou se puxar novamente para a realidade — …certo, meu nome é Remus Lupin, prazer em conhecê-los, parece que a falta de consistência nos mapas da escola nos trouxeram até essa sala legal.

— Eu voto que fiquemos aqui pelo resto do dia, Slughorn me parece o nome de um professor que te faz dormir falando "oi". — Peter se pronunciou, arrancando uma gargalhada de James.

— Little Peter, sim, esse é seu apelido agora. — James disse se aproximando e passando o braço em volta dos ombros do menor — Eu gostei de você, e agora você não vai se livrar de mim nem que queira.

— Uou, amigável. — Remus murmurou com uma sobrancelha arqueada, examinando o mapa de novo.

— Primeiro: no momento em que você não fez a piada do James Bond, você automaticamente virou nosso amigo, lide com isso. — Sirius estabeleceu, tirando o mapa das mãos de Remus — E segundo: estou vendo o laboratório daqui. — disse apontando para a porta do outro lado do corredor — Vamos levar nossas lindas bundas para lá, antes que eu convença todos vocês a me ajudarem a roubar um cooler de cerveja, e irem beber comigo na calçada dos meus pais enquanto eu taco pedras na janela do quarto da minha mãe.

Ninguém discordou, eles apenas foram juntos para a aula, e continuaram andando juntos pelo resto do dia -e do ano letivo, para manter a honestidade-.

Mais tarde, quando estavam sentados na arquibancada, Remus folheava seu exemplar d'O Apanhador no Campo de Centeio, fazendo com que Sirius arrebatasse o livro de sua mão para tentar ler a sinopse.

— Sério, Remus? — ele disse franzindo o cenho e fazendo uma espécie de beicinho — Você realmente veste bem o estereótipo de sad boy não é?

Remus revirou os olhos e riu nasalado — O livro na verdade é muito bom, você saberia se tentasse ler. — revidou, pegando o livro de volta.

— Ok, menino lobo, digamos que eu leia esse seu livrinho existencial… — Sirius disse, se inclinando levemente, de maneira displicente, na direção de Remus — ...o que exatamente eu ganho em troca? — provavelmente não significava nada, afinal, o moreno parecia flertar com tudo e todos o tempo todo, era uma espécie de superpoder, como se ele realmente tivesse um magnetismo natural, mas ainda assim Remus se inclinou para a frente, arqueando a sobrancelha e sorrindo ladino, o "modo flerte" completamente acionado.

— Certo, garoto estrela, suponhamos que você leia, eu provavelmente teria de descobrir o que você quereria em troca, não acha? — sugeriu com a voz aveludada, baixo, como se realmente estivesse contando um segredo e ele fosse a única pessoa no mundo que pudesse saber.

Sirius assumiu uma postura que mais tarde Remus apelidaria de "Sirius Pavão", com o peito estufado e um sorriso triunfante, ele passou a língua pelos lábios antes de voltar a falar. — E eu posso escolher qualquer coisa, menino lobo? — Enfatizou o "qualquer coisa", deixando claro que haviam segundas intenções.

— Claro estrelinha, se ler o meu livro, eu definitivamente terei de ler qualquer livro que escolher. — o loiro disse por fim, oferecendo uma piscadela para o moreno, um sorriso maroto no rosto, se afastando novamente e abrindo seu livro.

Sirius parecia incrédulo que suas táticas de sedução infalíveis não funcionaram em Remus, sua boca estava entreaberta e seu olhar confuso, o que não durou muito já que ele logo contorceu os lábios em um sorriso cafajeste e tomou o livro das mãos do loiro novamente. — Temos um acordo, agora me deixe quieto, tenho um livro pseudo-cult para ler.

Com um sorriso fraco, Remus pegou a mochila e a colocou no chão ao lado do colo de Sirius, se deitando na arquibancada e a usando de travesseiro. Quando o dia começara, estava certo de que passaria o ensino médio sozinho, mas agora não só fizera três novos amigos, como claramente acabara de flertar com um deles. O ensino médio definitivamente seria mais divertido do que imaginou.

10 de março de 2012, cozinha dos Potter.

Sirius estava oficialmente cheio de tarefas, mas pela primeira vez no auge de seus 16 anos, em que não reclamaria disso, afinal, era por uma boa causa. Acabara de voltar de uma loja de doces do outro lado da cidade, comprou absolutamente todos os chocolates favoritos de Remus, e James vinha logo atrás, com uma mala de rodinhas cheia de cervejas e tequila.

Assim que entraram na cozinha, sentiram o cheiro da comida que Peter e Euphemia estavam preparando, caminhou até a mulher e lhe deu um beijo no rosto — Oi mãe. — ele disse, e aproveitou para roubar um pedaço de batata pré-cozida que estava na mesa. "Oi filhos" foi tudo o que a mulher respondeu antes de voltar a mexer na panela.

Enquanto James e Sirius haviam se prontificado a cuidar da bebida, dos chocolates e da decoração, Peter ficou muito feliz em ajudar Euphemia na cozinha. Mary e Lily também vieram para ajudá-los com os preparativos, e honestamente, estava tudo ficando incrível. Só havia um problema: Sirius estava se sentindo muito mal por fingir que esquecera o aniversário do melhor amigo, a cada tuíte dele na timeline, o moreno se coçava para lhe mandar uma mensagem contando tudo, o que resultou em uma intervenção onde James o segurou para que Lily confiscasse seu celular, com um "terá isso de volta quando tudo estiver pronto" a ruiva guardou o aparelho dentro de sua blusa, deixando Sirius com um bico enorme e três sacos de bexigas na mão.

Três horas depois -e de muitas mordidas da Lily na mão de Sirius quando ele tentava enganá-la para pegar o celular-, tudo estava pronto, e Evans finalmente entregou o aparelho para o moreno.

— Pronto Black, faça as honras. — a ruiva disse com um sorriso satisfeito.

— Acha que sou fácil assim, Evans? — Sirius retrucou, pegando o celular e cruzando os braços enquanto a olhava com ar de desafio.

— Para falar com o Rem? Definitivamente. — ela respondeu em tom de deboche e Sirius revirou os olhos. Pegou o celular, abrindo o contato de Remus e digitando uma mensagem.

"Oi, Rem, desculpa o sumiço, dia corrido… 'cê sabe como é. 'Tava pensando, 'cê pode vir aqui agora? Quero te mostrar uma coisa."

— Pronto, Evans. — ele respondeu em tom amargo, realmente não gostava de dar o braço à torcer, mas por outro lado era Remus.

Não passou muito tempo e Remus apareceu na porta de vidro da cozinha, apenas Sirius estava no cômodo, os outros amigos estavam escondidos na sala de estar. Não precisou mais que um olhar para perceber que o loiro estava cabisbaixo, o moreno sentiu uma pontadinha no peito por ter sido um dos responsáveis, queria quebrar o personagem e contar toda a verdade, mas só mais 3 minutos e tudo seria revelado de qualquer forma, mal podia esperar para ver sua reação.

— Rem! — ele pulou da banqueta indo em direção ao amigo com os braços abertos para cumprimentá-lo.

Remus sorriu amarelo, retribuindo o abraço de Sirius, colocou as mãos nos bolsos dianteiros de sua calça e se encostou na bancada — Então, o que queria me mostrar, Six?

Sirius sorriu ladino, caminhando em direção à porta da sala — Eu tenho um encontro hoje a noite, 'tava com tédio, não tinha nada melhor pra fazer, sabe? Dai queria te mostrar a descrição dos lugares, e você me ajuda a escolher qual é o melhor pra levar ela, pode ser?

— Ótimo. — Remus murmurou mal humorado, caminhando atrás do moreno — Certo, mas faça ser rápido, quero ir embora dormir, esse dia não acaba.

— Poxa Rem, aconteceu alguma coisa? — Sirius perguntou em falsa preocupação, e então fingiu ter desamarrado os sapatos, como desculpa para que Remus passasse à sua frente. — Vai na frente, 'tô bem atrás de você. — Disse por fim, e observou enquanto o rapaz caminhava lentamente, abrindo a porta da sala, e então uma luz se acendeu, todos os seus amigos se levantaram, alguns falaram "surpresa", outros falaram "parabéns", o grito de "viva o Remus" de Peter se sobressaiu, e Sirius se aproximou apoiando o queixo no ombro do loiro, sussurrando em seu ouvido: — Você não acreditou realmente que eu me esqueceria do seu aniversário, certo? E mais, não achou que eu realmente tinha um encontro, né?

Remus riu baixo, passando a língua entre os lábios, apoiou a mão em cima da do moreno que estava em sua cintura -Sirius jamais teria percebido se não fosse o gesto do loiro- — Devo confessar que fiquei com medo por alguns momentos.. — murmurou, fazendo com que Sirius se afastasse um pouco.

Colocou a mão rapidamente em seu bolso, caminhando em direção à estante — Não saia daí Mogli, vou buscar teu presente. — ele disse sobre o ombro.

Enquanto pegava o embrulho contendo o presente de Remus, ele se permitiu pensar por alguns instantes sobre como sua pele formigou com o toque do maior em sua mão, chegando rapidamente à conclusão de que estava com tesão acumulado e precisava extravasar. Girou nos calcanhares, indo em direção ao loiro, e enquanto caminhava, percebeu que talvez o tesão não fosse tão acumulado assim, talvez fosse apenas direcionado a algo que Sirius não poderia ter.

Chegou perto do loiro, estendendo o embrulho — Espero que goste, não consigo escutar sem lembrar do dia que nos conhecemos no coir room. — sorriu ao ver a reação do loiro ao encontrar o álbum "The Beatles" dentro do papel laminado — E só pra você saber… eu nunca esqueceria seu aniversário, nem que fosse uma mensagem mixuruca, você receberia meus parabéns.

O loiro levantou o CD, sorrindo tímido — Obrigado, eu realmente… obrigado. — foi tudo o que ele disse, e então tombou levemente a cabeça de lado — Bom saber disso, Black. Pode ter certeza de que eu me lembrarei disso nos próximos anos… Vou te abraçar agora, ok?

Sirius assentiu, aceitando o abraço do amigo, que logo se afastou, indo conversar com Mary Macdonald sobre algum tipo de shimeji, ou ceviche, ou uramaki, algum tipo de frufru japonês que Peter havia preparado para a festa.

Enquanto observava o amigo rir e conversar, o moreno se sentiu feliz, satisfeito consigo mesmo por ter sido responsável por boa parte do que colocou aquele sorriso no rosto do maior. Naquela noite Sirius Black teve duas experiências novas em sua vida: foi a primeira vez que se sentiu genuína e verdadeiramente atraído por Remus, assim como foi a primeira vez que percebeu o quanto gostava de ser o motivo que fazia o garoto sorrir.

09 de Setembro de 2012, 19:47, quarto do Remus.

Sirius chegou na casa de Remus o mais rápido que conseguiu, estava observando o loiro de longe há cerca de quarenta minutos, queria perguntar porque seus olhos estavam inchados, queria perguntar porque diabos ele o enviara uma mensagem sendo que os dois mal se falaram no último mês, mas se manteve quieto. O fato era que para um dos dois engolir o orgulho e falar com o outro, era porque algo realmente sério havia acontecido.

Hope apareceu na porta do quarto, seu rosto vermelho e inchado, indicando que ela havia chorado bastante, o que apenas fez com que Sirius sentisse uma pontada na boca do estômago "o que aconteceu aqui?" se perguntou mentalmente, e então olhou o celular, percebendo uma mensagem de James.

"Ei, Pads, como o Moony 'tá?

Eu sempre soube que o Lyall era um péssimo pai, mas isso foi o cúmulo.

Eu queria ter ido, mas ele disse no telefone que só queria falar com você, porque você era o único de nós 3 que entendia o que ele está passando. Bom, imagino que seja verdade, sobre pais intolerantes, surras e partidas, infelizmente, você é o único que sabe.

Avisei mamãe e ela disse que se você precisar passar a noite ai não tem problema.

Por favor, diz pra ele que estamos aqui se ele precisar.

É isso bro, manda notícias."

Foi como se as letras no celular se tornassem vermelhas, os olhos de Sirius arderam com lágrimas, Lyall havia… Lyall havia batido em Remus? Por que? Ele cerrou os punhos e trincou os dentes, sua vontade era de procurar o homem e revidar cada golpe, mas então seus olhos recaíram em Hope, ela parecia tão assustada, olhando para Remus como se ele pudesse quebrar a qualquer momento. Remus. Ele olhou para o loiro e percebeu que conhecia aquele olhar, conhecia aquela confusão, aquele medo, aquela raiva, aquela tristeza.

Se levantou e foi até a porta — Eu vou cuidar disso Hope, pode descansar… — ele murmurou, e então esperou que a mulher deixasse o quarto para finalmente ir até o loiro. Sem dizer sequer uma palavra, ele o abraçou, deitando o cabeça dele em seu ombro, e acariciando suas costas com cuidado.

Foram quase trinta minutos de silêncio antes que um dos dois falasse novamente, e foi a voz de Remus que se fez ouvir. — Obrigado por vir mesmo sem saber o que está acontecendo. — A voz dele soou quebrada, e isso fez com que um nó se formasse na garganta do moreno.

— Você é meu melhor amigo, eu sempre vou estar aqui por você mesmo que eu te odeie quando você estiver precisando, nossa amizade é mais importante do que o meu orgulho. — ele sorriu ameno, olhando os olhos amendoados do maior com ternura — Se contar a alguém que eu disse isso, eu vou negar até a morte.

Remus riu baixo e sem humor. — Acho que essa é a hora em que eu te conto o que aconteceu, huh? — Perguntou se dirigindo até a própria cama e se sentando na beirada do colchão, passou uma das mãos pelos cabelos loiro-escuros e suspirou. — Não sei nem por onde começar…

Sirius se abaixou no chão de frente para ele e segurou seu rosto, fitando seus olhos. — Não precisa, James me contou sem querer, ele, mamãe Euphemia e Peter estão morrendo de preocupação... — Ele murmurou, o polegar acariciando gentilmente a bochecha do loiro, lhe ofereceu um sorriso acolhedor e se levantou, se sentando ao lado do maior. — Eu 'tô aqui por você, Moony. — Sussurrou, colocando a mão em cima da dela e apertando levemente. — Desculpa por ter brigado com a Amelia, e por não ter pedido desculpa, e por me recusar a te responder no grupo do whatsapp mesmo sabendo que eu estava errado…

Remus riu baixo e nasalado, meneando a cabeça enquanto apertava a mão do moreno de volta. — É, você agiu como um idiota, você realmente se esforça para fazer as pessoas acreditarem que você é um babaca.

— É, eu consigo ser um grandessíssimo filho da Walburga quando eu quero. — Sirius retrucou, deitando a cabeça no ombro de Remus. — Obrigado por não me odiar.

— Eu nunca… — Suspirou e virou para olhá-lo. — Nunca te odiaria, Sirius nome do meio omitido Black. — Sorriu para ele e se recostou na cama, levando ambas as mãos até o cabelo. — Eu não sei realmente o que falar ou fazer agora… e eu costumo ser o que tem todas as respostas, bom, quase todas.

— Existe um clube chamado "clube dos garotos gays ou bissexuais que foram abandonados pelos pais", e você não pode entrar, até entrar… — Sirius se inclinou, se deitando ao lado de Remus. — Eu realmente não queria que você 'tivesse entrado nele, mas agora que isso aconteceu… — Ele inclinou a cabeça, a apoiando no ombro do maior. — Da última vez que dormimos aqui, eu e o Prongs escondemos uma garrafa de vinho no seu guarda roupa para situações de emergência, o que me diz de abrirmos ela e bebermos fingindo que absolutamente nada aconteceu?

— Sirius Black, você é um bom amigo. — Remus respondeu com um risinho tímido.

Naquela noite, Sirius e Remus beberam por horas, primeiro o vinho que o moreno havia escondido lá, e depois as garrafas de whisky que estavam na adega de Lyall -já que o homem não voltaria para buscá-las mesmo-. Por fim, Remus adormeceu deitado no colo de Sirius, e enquanto sentia os dedos do menor entre seus cabelos, ele percebeu que não havia outro lugar ao qual poderia chamar de lar no mundo.

19 de Outubro de 2012, 10:35, banheiro masculino, Hogwarts High.

Havia uma sensação estranha quando algo realmente ruim estava prestes a acontecer, um frio diferente na barriga, um nó na garganta, um embrulho no estômago… Remus sentira todas essas coisas enquanto caminhava até o banheiro, desde que seu pai saíra de casa, ele parou de tentar esconder sua orientação sexual, não havia nada de errado em ser bissexual, e as pessoas importantes para ele o aceitavam como ele era.

Assim que foi lavar as mãos, avistou Malfoy recostado na parede o encarando, tentou ignorá-lo mas foi em vão. O rapaz o olhava de maneira perversa, e ele precisou respirar fundo antes de encará-lo.

— O que foi, Malfoy? — Remus disse em tom firme, sustentando o olhar do outro.

Lucius deu dois passos para a frente, um sorriso debochado nos lábios, e tentou tocar o rosto de Remus, que estapeou sua mão e deu dois passos para trás — O que foi, bichinha? Os únicos que podem te tocar são aqueles seus amigos nojentos?

— Lucius, o que você quer? — Tentou responder firme, mas sua voz estava trêmula, e ele calculava uma maneira de sair dali.

— Não é verdade que você gosta de rapazes agora? Bem, estou com tédio, me distraia.

— O-O qu-ue? Malfoy, a gente se odeia, eu não vou encostar em você. — o loiro retrucou.

— Ora, por que não? Não sou bom o suficiente para você, lupina? — Lucius respondeu, e Remus pode perceber que o irritara profundamente.

— Eu não, não! — Argumentou, dando mais um passo para trás.

— Você e sua turminha patética se acham tão melhores que os outros. — Lucius se aproximou, apertando o rosto de Remus com as mãos. — Eu não imploro pra ninguém trepar comigo, Lupin, mas sabe, a ideia de te dar uma surra me parece muito mais atraente.

Tump. Remus ouviu um baque, tinha os olhos fechados, esperando que o próximo acertasse seu rosto, ou qualquer outra parte de seu corpo. — Dá uma surra em mim, malfeito. Anda, bate aqui, vai! — A voz de Sirius quebrou o silêncio, e ao abrir os olhos, o loiro pode ver que tanto o moreno quanto James estavam ali, e definitivamente estavam dispostos a ensinar uma lição a Malfoy.

— Pads, PARA. — Remus falou, fazendo com que Sirius se virasse para olhá-lo, e murmurasse algo como "mas eu mal comecei". — Mas nada, vamos embora antes que vocês peguem uma suspensão, esse lixo não vale a pena.

— Certo. — Sirius disse cabisbaixo e saiu de cima de Malfoy.

— Só mais um chute, Moony? — James pediu como uma criança que pede para o pai deixá-la ir mais uma vez no brinquedo.

— Nada feito Prongs, se você for suspenso, eu tenho que vir pra aula a pé. — Remus retrucou, passando o braço em volta do ombro de Sirius e começando a sair do banheiro com os amigos. — Obrigado por fazerem isso, eu…

— Calado Moony. — Sirius retrucou. — Se você começar a ficar todo sentimental, eu vou ter mais vontade de voltar lá e socar aquele saco de batatas.

— Word. Cadê o Worms? — James disse franzindo o cenho. — Preciso contar pra ele que a gente quase matou o Malfoy por ser um bullie de merda. — O castanho disse absorto nos próprios pensamentos, e sem sequer se despedir saiu à procura de Peter.

Quando James já estava demasiado longe, Sirius os forçou a parar e virou para olhar para Remus. — Você 'tá bem, Re? Aquele imbecil te machucou? — Perguntou preocupado, e começou a "examinar" o maior.

— Estou bem, Six, realmente estou, ele apertou meu rosto, mas não machucou… eu iria acabar revidando, eu acredito, mas você sabe que eu não tenho controle quando estou com raiva… — O loiro disse encarando o chão.

— Não precisa se preocupar com isso, Re, eu vou sempre estar por perto para te salvar. — Sirius sorriu.

— Sempre?

— Sempre e para sempre, Moony.

03 de Novembro de 2012, 19:02, porão dos Potter.

Remus estava mexendo no rádio, procurava uma faixa específica no CD, e só sairia dali quando a encontrasse.

— Pelo amor de Morgana, Rem, vem logo! — Mary resmungou embaralhando as cartas.

— Espera… — Ele disse, pulando mais uma faixa, mordia levemente o canto do lábio inferior como sempre fazia quando estava concentrado. — Achei! — Ele comemorou e então se virou para os amigos. — Agora podem dar as cartas.

— While my guitar gently weeps? De novo? — James perguntou exasperado.

— Ei! É meu ritual com o Six, ok? — Remus disse em tom baixo, sabia que seus amigos se incomodavam, mas realmente era um ritual entre ele e Sirius, e era o aniversário do garoto, ele precisava colocar.

— Isso é verdade. — Sirius disse se sentando na roda, um cigarro pendurado de maneira displicente no canto de seus lábios. — E como hoje é meu aniversário, eu decido! E eu digo que: While my guitar gently weeps continua tocando.

— Eu odeio como vocês dois são um time irritante e sempre ganham tudo. — Peter disse se jogando em uma cadeira entre Mary e James. — Vocês vão jogar esse tal truco ou não?

— Claro que vamos, temos que criar uma tradição de ganhar do Pads no aniversário dele antes de o embebedarmos e o fazermos vestir um vestido. — Remus respondeu com um grande sorriso.

— The joke's on you. Eu fico fabuloso mesmo usando um vestido. — Sirius retrucou.

— E também, eu e Pads somos uma máquina bem lubrificada, vocês nem tem chance. — James disse convencido. James e Sirius perderam aquela queda, e as outras 6 que vieram depois. Sirius colocou um vestido de Mary que não fechou por nada no mundo, James colocou um vestido de Lily, que achou que um bom complemento para o look seria escrever "Sirius' bitch" na testa dele com um batom vermelho sangue. Foi uma boa noite, e pelo resto do ano Mary e Remus ouviram sobre como Sirius estava convencido de que eles roubaram no truco (ele pediu revanche e perdeu de novo, 7 vezes).

24 de dezembro de 2013, 22:00, sala de jantar dos Potter.

Já era o segundo ano consecutivo que Remus e Peter iam passar o natal na casa dos Potter, e eles tinham de admitir: era muito melhor que passar em suas respectivas casas. Enquanto Remus vivia deprimido porque sua mãe começou a beber desde que seu pai saíra de casa (o que por mais que ela dissesse que não era sua culpa, Remus não acreditava), dona Euphemia Potter o tratava com amor e carinho, e fazia questão de sua presença na ceia de Natal.

— Eu sei que vocês gostam muito de ouvir esse rádio antigo e jogar baralho, então eu arrumei a mesa ali no canto. — A mulher disse com um sorriso e beijou a testa dos 2 garotos. — Se precisarem de qualquer coisa podem pedir, eu vou estar na cozinha fingindo que estou cozinhando enquanto tomo a caipirinha do Fleamont.

— Obrigado tia Euphemia. — Eles disseram quase em uníssono, se levantando do sofá e indo para a mesa de truco.

Eles jogaram por horas, parando por fim quando Sirius ameaçou bater em Peter — Preferia quando você não sabia o que era truco, agora que te ensinei você usa contra mim… — bufou cruzando os braços no peito, e olhou para os amigos revirando os olhos. — Que? Eu não sei perder, qual a novidade?

Remus riu. — Já devia ter se acostumado a perder pra mim, Padfoot. — Ele sorriu irônico e cruzou os dedos na nuca.

— Por mais que eu ame quando vocês dois ficam flertando perto de todo mundo, a dancinha da minha mãe perto da árvore me diz que está na hora de trocarmos presentes. — James disse se levantando e puxando Peter, bagunçando os cabelos do loiro. — Vamos Pete, o seu presente é o maior.

Sirius e Remus os seguiram, o loiro ria do bico que o moreno havia montado, enquanto o outro lançava olhares de soslaio para o maior, frustrado porque odiava perder -principalmente no dia em que Remus não respondera suas mensagens por estar com Amélia Bones-.

James foi o primeiro a entregar os presentes, para Peter ele havia comprado uma batedeira planetária e um avental escrito "se estiver ruim, foi o Sirius", para Sirius ele comprou uma jaqueta de couro e um coturno, e para Remus ele comprou a coleção As Provações de Apolo, porque "alguém precisa me contar o que aconteceu com o Nico".

Logo foi a vez de Peter entregar os presentes, e então Sirius e Remus ficaram por último, entregando os presentes dos outros dois primeiro, afinal, eles pareciam ávidos para descobrir o que haviam ganhado. Remus cutucou Sirius, um sorriso brincalhão no rosto — Ei, não quer seu presente? — ele sequer percebeu o tom sugestivo em sua voz, já era natural flertar com o moreno mesmo que involuntariamente.

O menor sorriu ladino. — Também te comprei algo. — Ele mordeu a beira do lábio inferior e pegou a sacola, usando a outra mão para puxar Remus pela sala, passando pela cozinha e saindo na varanda de frente para a garagem.

— Tudo isso para ninguém descobrir que eu sou seu soft spot, Black? — O loiro disse com a voz gingada, e então puxou o embrulho grande, o entregando para o moreno. — Espero que goste, não é nenhuma jaqueta de U$300, mas eu realmente tentei escolher algo que você fosse gostar.

Sirius pegou o embrulho com as duas mãos e o abriu, encontrando uma garrafa de whisky, uma foto dos 2 com James e Peter, e uma camiseta do Twenty One Pilots. O moreno sorriu e jogou os braços em volta do pescoço de Remus o abraçando. — Não ligo pra quanto custou, você sabe que são coisas que eu gosto muito, vou usar sempre a camiseta. — Ele deu um sorriso ladinho e levantou o embrulho em sua mão, o entregando para o loiro. — Vai. Sua vez.

Remus pegou o embrulho, soltando uma gargalhada ao abrí-lo e se deparar com um livro. — Red white and royal blue? Você me dando um livro de presente?

Sirius deu uma de suas risadas que mais pareciam um latido. — Eu terminei de ler o seu livro pseudo cult uma semana depois que fizemos o acordo, então agora você precisa ler o meu, trato é trato Mogli. — Ele ofereceu uma piscadela para Remus que riu e assentiu. — Agora continue, ainda não acabaram os presentes.

— Certo Krypto. — Ele brincou e mexeu na sacola, percebendo um envelope e uma caixa, puxou o envelope primeiro, se deparando um 2 ingressos para um show acústico da Taylor Swift que teria ali perto. — Sirius, eu não… você não… não precisava, mesmo, isso é… — Ele levantou o olhar para o amigo. — Isso é incrível, mesmo, obrigado.

— Para de me agradecer e continua, você deixou o melhor pro final.

— Six… — Remus murmurou enquanto abria a caixa, e seus olhos brilharam ao ver a câmera ali, ele a pegou entre os dedos e olhou para Sirius. — Você…

— É uma instax mini 9, eu sei que não é uma câmera profissional, super sofisticada, mas você gosta tanto de fotografar… eu 'tô te dando isso pra você sempre se lembrar que ainda vai ser o melhor fotógrafo que esse mundo já viu. — Remus pensou ver um rubor nas bochechas de Sirius enquanto ele falava. Levantou a câmera que havia ligado enquanto ele falava, e bateu uma foto dele, pegando o pedaço de "papel" que saiu na hora e mostrando pro rapaz.

— É incrível, obrigado. Tudo é perfeito, eu… obrigado. — Estava levemente inclinado na direção do moreno, e olhou para ele com um sorriso. — Te odeio porque a foto ficou boa mesmo você estando distraído.

— Nah, you don't. — Sirius respondeu em tom levemente debochado, e então olhou para cima, Remus seguiu seu olhar e sentiu um friozinho na barriga em antecipação ao ver o visco ali. Antes que perdesse o ímpeto de coragem, Sirius o beijou de maneira intensa, separando o beijo quando o ar se fez necessário. — Feliz… Natal… Moony. — Ele murmurou e deu um sorriso ladino, se afastando novamente de Remus.

— Feliz Natal, Pads. — Disse em tom descontraído, mesmo que tivesse notado quase instantaneamente que a música que tocava quando eles se conheceram, começara a tocar quase no mesmo instante em que eles começaram a se beijar, decidiu guardar esse detalhe só para si -ou pensou que o faria, afinal, os batimentos acelerados no peito de Sirius não o deixavam esconder que havia notado aquele mesmo detalhe-.

Eles não mencionaram esse beijo para ninguém durante muito tempo, mas nenhum dia se passou sem que eles pensassem a respeito do que aconteceu na varanda dos Potter 5 minutos antes da meia noite do natal de 2013.

31 de dezembro de 2014, 22:00, chácara dos Mckinnon.

No último ano deles na Hogwarts High, o pequeno grupo que se auto intitulava "Marotos e Mary" 'tiveram 3 adições permanentes: Lily Evans, a ruiva de grandes olhos verdes que já era uma velha conhecida deles, ótima amiga de Remus, e paixão platônica irremediável de James, Dorcas Meadowes, uma linda garota negra que estava fazendo intercâmbio em Hogwarts e pretendia ingressar em Ilvermorny (ela costumava dizer que jamais voltaria para o Brasil, nem que 'tivesse que obrigar Sirius a casar com ela mesmo que ambos fossem gays), e por fim, Marlene Mckinnon, a loira que sempre estava com Lily e que tinha o hábito de ganhar de James no futebol.

Ninguém sabia explicar como eles haviam começado a andar juntos, mas em um belo dia eles perceberam que não eram mais "Marotos e Mary" e que estavam mais para "Marotos e Maraudetes", ou como Mary gostava de chamar "Backstreet boys e Spice girls". Eles estavam juntos o tempo todo, era quase impossível ver um deles sem algum dos outros, o que definitivamente era tão irritante para quem estava de fora quanto era perfeitamente normal e adorável para eles.

Havia sido um bom ano, eles tinham de admitir isso, fora o último ano deles no ensino médio, e apesar de Remus e Lily terem carregado as notas do resto do grupo nas colas, quer dizer, costas, eles haviam aproveitado cada momento. Então quando no final de novembro Marlene disse que queria que o resto da gangue viesse com ela e Lily para a chácara de sua família no ano novo, todos concordaram felizes.

— Eu ainda acho injusto que o Pads esteja dirigindo só porque ele é o único entre nós que tem 18 anos. — James resmungou novamente no banco de trás. — E por que é que quem está na frente é o Moony, se sou eu que te aguento peidando na hora de dormir?

— É que eu tenho chocolate, Prongs. — Remus respondeu rindo e quebrou um pedaço da barra dando para Sirius.

— Uma afronta. — James cruzou os braços.

— Calma, calma, gafanhoto, já estamos chegando, a chácara fica a 3 minutos daqui segundo a moça do GPS. — Sirius disse.

— Certo… Moony, quero chocolate.

Remus quebrou um pedaço da barra e a deu para James.

Quando eles chegaram na chácara, cada um pegou suas malas e as colocou no quarto de hóspedes designado pela irmã mais nova de Marlene, Melissa. Sirius logo se jogou na cama, procurando sua playlist de festas com os amigos e começando com a clássica música que só agradava a ele e a Remus àquela altura do campeonato.

— Chega pra lá. — Remus disse, se sentando na beirada da cama e se deitando ao lado do amigo, colocou o braço em cima de seu rosto e fechou os olhos suspirando fundo.

Sirius esperou que James saísse atrás de Evans, e Peter fosse procurar comida para se virar de lado, agora olhando para Remus, apoiou a lateral do rosto na palma da mão, deixando que os cabelos negros caíssem por seu pulso. — Moony, eu sei que é uma droga que a Bones tenha terminado com você sem motivo, e que tenha jogado todo o papo de serem melhores como amigos, mas eu não gosto de te ver assim.

Remus abriu os olhos o suficiente para avistar Sirius e descobriu o rosto. — Eu só 'tô tentando entender o que eu fiz de errado.

— Moony, você provavelmente não fez nada, eu sempre te disse que a Ames era estranha.

— Você precisa parar de falar assim da minha namo-... — O loiro suspirou. — Certo…

— Precisa de um cigarro? — Sirius ofereceu, içando o corpo e puxando sua mochila pra pegar o maço de cigarros.

— Você me conhece tão bem… — Remus se levantou sorrindo, e esperou que o moreno se levantasse para que eles fossem para a sacada.

A noite fria de dezembro era contraditória, enquanto a vontade era de se enrolar na coberta e assistir netflix, ficar dentro de casa quando se podia ter uma visão tão espetacular parecia um crime. O loiro se sentou na beira da sacada, sendo seguido por Sirius. — É um lugar tão ridiculamente lindo, que me pergunto se não é errado que tenhamos isso só pra gente.

— Bom, não só pra gente… — Sirius disse passando o maço para Remus. — Também tem as Mckinnon, a Meadowes, a Evans, a mc lanche feliz, o Worms e o Prongs… — Usou o isqueiro para acender o cigarro do loiro, e em seguida o próprio.

— Foi o que eu quis dizer, Pads, nosso grupo parece tão privilegiado na noite de hoje que é fácil esquecer por alguns minutos que somos todos desajustados e fodidos pela vida. — O loiro tragou o cigarro e soltou a fumaça no ar.

— Sabe como aquele cantor brasileiro cantava que existem os dias de luta e os dias de glória? Nosso disco 'tava arranhado nos dias de luta, e agora graças à Lene, a gente 'tá tendo um dia de glória, então vamos aproveitar. — Sirius sorriu.

— Eu não achei que seria possível os dias de glória chegarem para nós dois, o tanto de merda que a gente já passou desde que se conheceu… e a gente só se conhece há três anos. — Remus riu, tragando o cigarro e olhando para o céu acima.

— Eu só consegui lembrar do dia que a Walburga me expulsou de casa… — Sirius tragou o cigarro novamente e se virou para olhar Remus. — Você lembra?

— Como esquecer de você me ligando 35 vezes às 3 da manhã e eu saindo de pijama e tênis pra te buscar na chuva? — Respondeu achando a memória engraçada.

— Desculpa ok? Eu não sabia pra quem mais ligar, e eu sabia que você ia me socorrer. — Sirius deu de ombros e levantou o olhar para encarar Remus.

O loiro passou a língua entre os lábios os umedecendo, e desviou o olhar para as próprias mãos. — I'd do it again if I had to. — Sorriu para o menor de maneira serena e apagou a bita de cigarro. — Acho que devemos ir lá pra baixo com nossos amigos, huh?

— Certo. — O moreno disse se levantando e seguindo o loiro para dentro do quarto. — Re?

— Sim? — Se virou para encarar o menor por cima do ombro.

— Sabe que vou te beijar à meia noite, certo? Você é literalmente a única pessoa que eu posso beijar nessa chácara. — Sirius estabeleceu.

— Já que você não tem escolha… — Remus lhe ofereceu uma piscadela e saiu pela porta. — Não precisa inventar desculpas como viscos e viradas de ano para me beijar, Black, I'm single and you're hot. — Disse sem olhar para trás, sabia que Sirius estava com uma expressão de surpresa e que provavelmente tentaria "se vingar".

Sirius não tentou dizer nada, apenas sorriu involuntariamente, era bom ter Remus de volta -não que ele tivesse ido a qualquer lugar, mas ele passou um ano namorando Amélia, e por mais que o moreno gostasse da garota, não era a mesma coisa-. Seguiu o loiro escada abaixo, se juntando aos seus amigos no que mais tarde ele iria descobrir que fora uma das melhores comemorações de réveillon de sua vida.

02 de fevereiro de 2014, 10:00, Ilvermorny University, dormitório dos marotos e Frank.

Uma das coisas que mais estavam animando Remus a respeito de começar na universidade, além de seu curso, era o fato de que como ele iria morar no campus, ele não tinha mais de lidar com os problemas em casa, não o entendam mal, ele amava Hope mais que tudo em sua vida, mas era insuportável vê-la caindo em pedaços, pensou que talvez ele saindo de casa, ela tivesse uma chance de voltar com seu pai.

Assim que ele e os amigos chegaram no dormitório, eles se depararam com um garoto alto, um pouco musculoso, os cabelos castanho claros bagunçados e um óculos na ponte do nariz. — Ei! — Ele abriu um largo sorriso ao vê-los e repousou o livro que estava lendo sobre a escrivaninha. — Fiquei sabendo que teria colegas de quarto, mas ninguém me avisou que vocês já se conheciam. — Ele se levantou e estendeu a mão para eles. — Prazer, eu sou Frank, Frank Longbottom.

Remus riu e estendeu a mão para ele. — Prazer Frank, eu sou o Remus.

James como sempre, se aproximou do garoto e passou o braço em volta de seu pescoço. — Olá Longbottom, eu sou o James Potter e eu sou incrível, aquele ali é o Sirius, e aquele o Little Peter, nós somos quadrigêmeos siameses, você vai descobrir…

— Já está amolando o novo colega de quarto, Potter? — Uma voz conhecida se fez ouvir, e os 5 garotos se viraram para vislumbrar a figura ruiva recostada de maneira displicente no batente da porta. — Chico, a Lice 'tá te procurando… acho que ela já vem pra cá. Vejo que já conheceu os imbecis dos meus amigos e o Remus.

— Ouch. — Peter resmungou cruzando os braços.

— Evans, você pode tentar esconder, mas você nos ama mais que a vida. — Sirius disse se virando para Frank. — Eu acho mais fácil você se juntar a nós, nós somos insistentes… foi assim que fizemos o Moony e a Liloki virarem parte do grupo.

Frank riu. — Prazer em conhecer vocês… acho que qualquer amigo da Lily é uma pessoa legal.

— Você diz isso porque não conheceu o ranhoso, Lily realmente consegue ser ingênua quando quer. — Marlene disse entrando no quarto e se jogando na mesma cama que agora James estava deitado.

— Vocês nunca vão me deixar esquecer sobre o Severus, não é? — Lily bufou, se jogando entre os 2 amigos.

— Não enquanto você não aprender que o nome dele é ranhoso, Lírio, repete comigo ra-nho-s-AU — James começou a provocá-la, mas Lily começou a estapear-lo como de costume. — Certo, sem ranhoso, entendi. PARA DE ME BATER LÍRIO, EU SOU SENSÍVEL.

Frank riu sonoramente e se virou para os outros garotos. — Eles são sempre assim?

— Nah, normalmente a Lily xinga o James também, uma vez ela começou a jogar livros, até que foi divertido. — Remus respondeu enquanto começava a tirar as roupas de dentro da mala e guardá-las na cômoda.

— Sabe, normalmente esse nível de ódio é amor. — Frank disse pensativo.

— Pare de ficar analisando as pessoas Longbottom, você não é um guru do amor. — Uma garota de cabelos castanhos e lisos entrou no quarto, ela tinha os olhos azuis e uma aura calma e tranquila, fazia você querer sentar e só ouvir ela falar por horas.

— Amor. — Frank disse sorrindo e se aproximou dela, lhe dando um selinho. — Pessoal, essa é Alice Fortescue, minha namorada, Lice, esse é o pessoal. Aquele cabeludo largado na cama é o Sirius, aquele jogando no celular é o Peter, aquele deitado com a Lils e a Lene é o James, e esse organizando tudo é o Remus.

— Oi pessoal… — Ela os cumprimentou com um sorriso enquanto passava o braço em volta da cintura de Frank. — Eu não quero atrapalhar, então se você quiser cancelar o cinema amor, 'tá tudo bem.

— Lice, confia em mim, o Frank estará mais seguro com você. Já, já a Does vai trazer a tequila e a gente vai brincar de verdade ou desafio, os desafios serão tarefas domésticas pra guardar e arrumar as coisas deles, se não só o Remus vai fazer, e ninguém 'tá a salvo. — Marlene disse se sentando na cadeira de rodinhas perto do loiro mais alto que ainda guardava roupas dobradas nas gavetas.

— Ok, agora até eu quero participar, me compadeci do Remus. — Alice disse.

— Ótimo, porque eu cheguei e essa é sua última chance de desistir. — Dorcas disse sorrindo, e atravessou o quarto indo até Marlene e lhe dando um beijo rápido. — O que me dizem senhores casal-mais-adorável-do-mundo?

— Diga ao povo que fico. — Frank disse. — Então, como isso funciona, vamos sentar em uma roda ou…?

Enquanto eles jogavam, o grupo percebeu que Frank e Alice realmente eram o casal mais adorável do mundo, que Frank iria facilmente se tornar parte do grupo, e que Lily não parecia mais achar James tão repulsivo. Era o começo de uma época muito feliz para a pequena família que eles haviam se tornado.

23 de Maio de 2015, 22:30, PUB universitário Caldeirão Furado.

Já fazia algumas horas que o grupo de amigos estava bebendo, depois de uma longa argumentação -que durou cerca de 20 segundos-, eles escolheram ir ao seu pub universitário favorito, o Caldeirão Furado ficava a apenas 10 minutos a pé do campus, logo, ninguém precisava dirigir e ficar sem beber.

Sirius estava sentado na mesa ao lado de Frank, enquanto observava os amigos na pista de dança, seus olhos acompanhavam Lupin sem que ele os controlasse, era difícil deixar de olhá-lo, a maneira como ele sorria e ria com os amigos, como ele rodopiava Mary completamente fora do ritmo da música… Remus Lupin era hipnotizante para Sirius, era como uma droga na qual ele estava dolorosamente viciado, e ele havia tentado largar esse vício, de novo e de novo, mas era praticamente impossível. Frequentemente se pegava pensando a respeito do melhor amigo desse jeito, não era uma escolha, simplesmente acontecia, e ele tampouco conseguia se impedir de ter esses pensamentos, quanto conseguia esconder dos amigos, afinal, não demorou muito para que James se sentasse na cadeira ao seu lado e Frank virasse uma cadeira para se sentar de frente para ele.

— E aí, campeão, pensando em fazer algo a respeito disso? — Frank perguntou em tom condescendente.

— Não faço ideia do que está falando, Longtop. — Sirius tentou se fazer de sonso, pegando a garrafa de cerveja e a virando na garganta.

— Pads, pelo amor de Deus, eu estou observando você se apaixonar pelo Remus desde o coir room, será que você poderia admitir isso em voz alta para que possamos falar sobre? — James falou como se implorasse pro amigo o deixar ajudá-lo.

Sirius revirou os olhos nas órbitas e bufou. — Certo, eu sou apaixonado pelo Moony, 'tá feliz? Não é como se eu planejasse me envolver com alguém, e o Moony é o tipo de cara com quem você passa o resto da vida, não só uma noite. Eu não 'tô pronto pra isso. — Desviou o olhar para os amigos que ainda dançavam, incapaz de se conter, sabia que Remus não o amava, mas queria olhá-lo mesmo assim.

Frank suspirou pesado e terminou o copo de whisky que tinha na mão. — Escuta, Sirius, somos há o que? 3 meses? Esse cara aqui é seu amigo desde que vocês se conhecem por gente, ele te acompanhou se apaixonar pelo Lupin, e se ele 'tá te falando pra investir nisso, você deveria… — Sirius abriu a boca para responder mas o outro levantou a mão o impedindo de continuar falando. — Ainda não terminei, Black. Pelo pouco que eu conheço o Remus, você 'tá 100% certo na sua afirmação de que ele é o tipo de cara com quem você passa o resto da vida, mas pelo pouco que eu te conheço, você 'tá tentando se enganar, por medo ou qualquer coisa do tipo. Então eu vou te contar uma coisa: quando eu conheci a Alice, eu era bem parecido com você, e eu tinha muito medo de entrar em um relacionamento e me machucar, mas chegou uma hora que ou eu tomava vergonha na cara e falava pra ela como eu me sentia, ou eu perdia ela… o meu ponto é: não fale nada pro Lupin se você não estiver nisso até o fim, ele merece mais do que sofrer por você quando você sabia que isso iria acontecer, mas se em algum nível, você acha que vocês tem alguma chance, se em algum nível, qualquer nível, o que você sente por ele é verdadeiro, Sirius, stand up and take it, before you lose him.

Apesar de prestar atenção em cada palavra de Frank, Sirius ainda acompanhava Remus com olhos brilhantes, agora o loiro havia pego Mary no colo, a balançando no ritmo da música, achou a cena adorável, incapaz de parar de observá-los. Pigarreou e abriu mais uma cerveja, dando um longo gole. — Eu não sou o tipo que se prende em um relacionamento, eu sou apaixonado por ele? Claro. Sempre serei. Mas nós nunca seremos algo real.

— Então conta pra ele. — Lily, que havia chego em algum momento da conversa, falou, se sentando do outro lado de Sirius.

— Contar o que? Por quê? — Sirius perguntou exasperado.

— Que nunca vai rolar, ele precisa saber. — Lily afirmou.

— Por que, Evans? Não é como se eu 'tivesse dado qualquer esperança pra ele algum dia, ou como se ele sentisse algo por mim.

— Get your head out of your ass, Black. — Lily disse revirando os olhos. — Ele gosta de você, vocês tem aquele tipo de química que nunca acaba, você é o motivo de ele não namorar ninguém, você é o motivo de ele não ter dado certo com a Amélia, mesmo que inconscientemente, ele vem se auto sabotando com a expectativa de que um dia ele vai conseguir ficar com você.

— E-eu… você 'tá falando merda Evans. — Sirius disse, ainda fitando o loiro pelo salão. — Nós dois sabemos que o beijo que demos na varanda da casa do James foi só isso, um beijo, nada demais.

— VOCÊS SE BEIJ- — James começou a falar, mas foi interrompido por Frank, que sinalizou para que ele deixasse Lily terminar de falar.

— Prove. Vai contar pra ele. — Lily disse em tom desafiador.

— O que? Aqui? Agora? — Sirius perguntou alarmado, finalmente tirando os olhos de Remus e encarando a ruiva.

— Sim, vai lá. — Ela respondeu.

Sirius se levantou inseguro, indo até Remus que agora estava encostado no bar tomando uma gin e tônica. — Hum, Moony, pode- — Ele começou a falar, mas se perdeu quando o loiro se virou para olhá-lo com os olhos âmbar e sorriu ladino.

— Quieto Pads, eu sei o que vai dizer. — Remus disse terminando de tomar sua bebida.

— Sabe? — Sirius perguntou confuso.

— Sim, vamos mostrar a esses amadores como se faz. — Ele disse puxando o moreno pelo braço até o pequeno palco onde uma dupla cantava música acústica. Passou o violão para Sirius e lhe ofereceu uma piscadela. — Boa noite, eu sou o Remus, ele é o Sirius, e nós vamos tocar um pouco de Beatles para vocês. — As pessoas no bar se agitaram, interessadas no que estava por vir. — Padfoot, Do You Want To Know a Secret? — Ele perguntou oferecendo uma piscadela para o moreno que começou a tocar imediatamente, sorrindo quando o loiro começou a cantar.

Remus não havia escolhido aquela música por acaso, havia muito tempo que tentava contar a Sirius como se sentia, mas nada parecia funcionar, então se lembrou de algo que havia se provado eficaz no passado: Beatles.

Enquanto eles cantavam aquela música e Lily batia palmas lentas na mesa, ambos refletiam como era absolutamente tudo o que queriam dizer um pro outro mas não conseguiam. Sirius nunca disse a Remus que eles não ficariam juntos, afinal a química entre eles naquele pequeno palco de madeira foi incontestável, e se você tem química você só precisa de uma outra coisa… timing. But timing really is a bitch, huh?

27 de Junho de 2015, 23:00, baile beneficente de verão, salão de eventos da Ilvelmorny University.

O baile havia começado às 21h e Remus havia dançado com Mary por boa parte da noite, até que, finalmente, Peter a tirou para dançar, e então enquanto observava James e Lily -que começaram a namorar recentemente-, Dorcas e Marlene, Frank e Alice, Regulus e Gideon, e por fim, Mary e Peter, Remus se sentiu solitário. Era a primeira vez em anos que Sirius não se juntara a eles, desde que chegara o moreno não deixou a mesa, não bebeu ou saiu pra fumar, não fez nenhuma piada suja ou tirou algum dos amigos para dançar.

Por mais que se preocupasse e sentisse a falta do outro, Remus decidiu respeitar seu espaço, então apenas se afastou até a mesa de bebidas, se servindo de sua boa e velha companheira: a tequila.

Viu pelo canto do olho quando Sirius se levantou, parecendo absurdamente determinado, e marchou até o palco, onde tirou o microfone da mão da garota que cantava uma balada lenta. — Oi, oi, boa noite. vocês não me conhecem mas eu sou o Sirius Black. — Algumas garotas deram gritinhos histéricos. — Ok, ok, alguns de vocês me conhecem… de qualquer forma, eu preciso dizer algumas coisas. — Todos do grupo de amigos deles pararam e cochicharam algo, alguns olhares -ou todos- se voltaram para Remus, e Lily pareceu particularmente interessada no desenrolar da história. — Certo, lá vai, eu nunca, nunca mesmo, acreditei no amor, na verdade eu sempre achei que amor era uma espécie de lenda urbana, alguma bobeira que só idiotas achavam que sentiam, eu fingi amar a minha vida inteira, pra conseguir… vocês sabem. — Ele deu um sorrisinho ladino, mas então seus olhos se encontraram com os de Remus, que levantou o copo como se brindasse com ele. — Mas tudo isso mudou quando eu conheci alguém na sala de coral da minha escola de ensino médio, e esse homem tem um maldito laço no meu coração que eu não poderia desfazer mesmo se eu quisesse, e acreditem, houveram vezes em que eu quis. Tem sido enlouquecedor, um pouco humilhante e até doloroso algumas vezes, mas eu não consegui deixar de amá-lo mais do que eu consegui deixar de respirar, estou irremediável e irritantemente apaixonado por ele, mais do que ele sabe. — Remus tinha a boca entreaberta em uma expressão incrédula, ele se perguntava se havia entendido certo, afinal, podia ser Peter. — E eu nunca soube exatamente como lidar com isso, como contar pra ele, nunca realmente tive que fazer isso, e também não sou muito bom com palavras românticas, vocês podem perceber… mas eu me lembro da música que tocava na primeira vez que eu o vi, como se fosse ontem, e eu pensei que a melhor forma de contar, seria dedicando ela pra ele agora. — Sirius se virou para a garota de quem havia tomado o microfone. — Cissa, toca While My Guitar Gently Weeps por favor.

— Fácil assim, priminho? Quero saber pra quem. — A loira perguntou.

— Remus Lupin. — O moreno lhe ofereceu uma piscadela e lhe devolveu o microfone.

Enquanto a banda começava a tocar, Sirius desceu do palco, atravessando a multidão e indo direto até Remus.

— Eu sei que isso foi exagerado… — Ele começou parecendo inseguro. Remus sorriu.

— I've been waiting for you all night. — O loiro respondeu com uma antiga piada.

— I'm sorry, sir, I came as fast as I could. — Ele respondeu e riu baixo. — Então não está bravo?

Remus colocou ambas as mãos na cintura de Sirius e o puxou para perto selando seus lábios. Quando o ar se fez necessário, ele olhou dentro das íris acinzentadas do menor e passou a língua entre os lábios. — Eu te amo, Pads.

— Eu te amo, Re.

Nenhum dos dois precisou perguntar ou falar nada, eles sabiam, a partir daquela noite, eles eram namorados e tudo estava certo no mundo por um tempo.

17 de Agosto de 2019, 20:00, Farhampton Inn., recepção do casamento dos Potter.

Remus, Sirius, Frank e Peter estavam sentados na mesa observando a primeira dança do casal, Lily estava radiante, e James parecia o homem mais feliz do mundo. Era o segundo casamento do pequeno grupo de amigos naquele ano, o primeiro fora de Frank e Alice, era incrível ver como todos estavam felizes e com suas vidas se endireitando.

Peter e Mary haviam acabado de alugar um apartamento juntos, Dorcas e Marlene haviam acabado de chegar do mochilão que fizeram juntas pela Europa, e Remus e Sirius já estavam morando juntos na antiga casa de um tio de Sirius há alguns meses. A vida era boa.

Quando a música acabou, James se aproximou da mesa, se sentando com eles.

— Desculpem, aparentemente o lado ruim de ser o noivo é que as pessoas esperam que você realmente faça coisas além de beber e conversar com seus amigos, pfff. — James parecia cansado, e ainda assim, era absolutamente normal que ele fizesse piadas, seu olhar não o deixava negar que aquele era o dia mais feliz de toda a sua vida.

— Eu te avisei que casamento só servia pra gastar dinheiro e dar dor de cabeça. — Sirius disse bebericando sua cerveja.

— Sirius Black, você está matando o sonho desse grupo de ver um casamento wolfstar um dia? — James disse em falso drama.

— Não é como se ele tivesse muitas escolhas. — Remus disse rindo. — Século XXI meus amigos, Estados Unidos da América, deixem as gays se casarem.

— As gays só querem subir no altar de smoking e usar uma florzinha no cabelo pra fazer um charme. — Gideon disse, se juntando à roda de conversa.

— Como os irmãos Black acabaram sossegando com dois caras tão românticos? — Sirius brincou.

— Você acha que o romântico da relação é o Gideon, bro? Eu sou o gado por aqui. — Regulus comentou sorrindo, e então colocou a mão no ombro de James. — Parabéns, Potter, vocês são definitivamente o segundo melhor casal hétero que eu conheço… — Disse sorrindo, e então percebeu a confusão nos olhos dos outros na mesa. — O primeiro é Fralice gente, sem drama, direto ao ponto.

Remus riu. — Eu gosto de como sua mente funciona, Little Black.

— Deve ser incrível me ter como cunhado, né? — Regulus pensou alto, se sentando ao lado de Gideon. — De qualquer forma, Lupin, se pretende pedir meu irmão em casamento, a última audiência é amanhã, quem sabe o casamento homossexual não seja permitido por lei à partir de agora?

— Amanhã? Já? — Remus perguntou interessado, e durante os próximos 50 minutos, todos na mesa debateram sobre como era completamente ultrapassada a lei que impedia que duas pessoas do mesmo sexo se casassem.

Remus pensara sobre pedir Sirius em casamento se a lei fosse aprovada, eles estavam juntos há 4 anos, eles moravam juntos, ele era seu melhor amigo no mundo, parecia certo… mas por outro lado, eles já moravam juntos, e ele era, bem, ele era o Sirius. O loiro afastou o pensamento junto com o whisky, agradecendo apenas por ter o moreno ao seu lado, não precisava de um pedaço de papel para afirmar isso, eles ficariam juntos pelo resto da vida, ele sabia.

23 de Agosto de 2019, 18:00, sala da casa de Remus e Sirius.

Remus havia chego cansado do serviço, tudo o que queria era encontrar o marido e talvez arrastá-lo para a banheira, precisava se distrair, precisava descansar, e a única pessoa no mundo capaz de tirar sua mente dos problemas era Sirius.

Assim que atravessou o corredor e chegou na sala, bufou ao tentar acender o interruptor, percebendo que a luz provavelmente havia queimado. — Ótimo. — Resmungou, tentando acender a luz mais uma vez. Para sua surpresa, uma luz delicada em tom salmão se acendeu, revelando vários post-its espalhados pelo chão, o loiro pegou um por um, começando a lê-los.

"Quando eu te conheci, por incrível que pareça, a primeira coisa na qual eu reparei, foi o seu sorriso."

"Eu acho adorável como você morde a tampa de todas as suas canetas porque te ajuda a se concentrar."

"Não existe outra pessoa no mundo com quem eu preferiria estar, nem mesmo o Andrew Garfield."

"Eu teria um gato por você, mesmo que eu ainda ache que gatos querem dominar o mundo."

"Quando você sorri o sol fica com ciúmes."

"Sempre tento ter chocolates quando você tem algo estressante no serviço."

"O jeito que você suspira quando 'tá lendo e algum personagem faz merda, me faz rir e em seguida te achar muito adorável mesmo."

Remus não fazia ideia do que estava acontecendo, mas sorria, não era do feitio de Sirius fazer coisas românticas, na verdade, em todos os anos em que estavam juntos, essa era a segunda vez que ele fazia algo remotamente romântico, a primeira tendo sido quando ele se declarou. Remus olhou um post-it em um antigo rádio -do tipo que ainda tinha toca-fitas-, o pegou e leu "escute essa fita", olhou ao redor, encontrando por fim a fita com os dizeres to Remus.

Encaixou a antiga fita e deu play, reconhecendo imediatamente a primeira música como Do You Want To Know A Secret?, sua mente viajou diretamente para o dia em que eles cantaram juntos no Caldeirão Furado, um sentimento de estar em casa se apossando de seu peito. Em seguida, reconheceu Here Comes The Sun, e sua mente foi para o último inverno, em que eles viajaram para a Bahia, Remus se lembrava vividamente de passar 6 meses explicando para Sirius que enquanto era inverno por aqui, era verão no Brasil, ele só entendeu quando teve que comprar várias roupas novas para não derreter durante a viagem. Em seguida veio Hey Jude, que o lembrou todas as vezes que eles deram papos motivacionais para James no porão da casa dos Potter, parecia que havia se passado uma eternidade desde aqueles dias, ele era grato por ainda tê-los em sua vida. Quando tocou I Want To Hold Your Hand, Remus apenas sorriu, era realmente uma boa música, o mesmo com All You Need Is Love, mas então, seus olhos marejaram ao ouvir a introdução de While My Guitar Gently Weeps. — Claro. — Ele disse com a voz embargada, seu coração se aquecendo com todas as memórias deles, se lembrou de quando se conheceram, e de todas as vezes que a colocaram pra tocar durante as reuniões que faziam com os amigos, se lembrou de seu primeiro beijo no Natal, na varanda dos Potter, e claro, se lembrou de como Sirius escolheu se declarar.

Ele respirou fundo, se recusando a chorar por algumas músicas, mas claro, ele não esperava o que viria a seguir. Quando a música acabou, ele pode ouvir o pigarro que Sirius sempre fazia quando ia falar algo importante, olhou ao redor, o procurando, até perceber que o som vinha da fita, quando ele começou a falar: Eu não sou o tipo de homem que cede, mas eu cedi por você. Eu não sou um cara de grandes gestos, grandes smokings e grandes altares na praia no fim da tarde, com ministros, padrinhos e pajens, mas eu definitivamente serei por você. A minha vida inteira foi como se eu estivesse perdido, até que vocês me acharam e me salvaram, e tudo está incrível, mas falta algo, e esse algo é nossos sobrenomes juntos, brindes de champagne e o Frank e a Alice fazendo um dueto brega na recepção. Porque eu te amo, e eu não consigo mais viver sem assinar Lupin no meu nome, eu já tentei, e não da. Remus John Lupin, sem mais delongas, você quer se casar comigo?

É claro que Remus estava chorando, nem em um milhão de anos ele imaginou que se casaria com Sirius, era Sirius. E se imaginasse, com certeza não imaginaria que o pedido viria do menor, sempre se imaginou ajoelhado com um grande discurso, torcendo para que Sirius não surtasse. Tudo isso era… muito mais do que ele imaginava merecer.

Se levantou, se virando a fim de subir as escadas para encontrar o rapaz, mas se deparou com ele encostado no batente da porta. — E então? — Sirius parecia apreensivo, como se realmente acreditasse que existia alguma realidade na qual Remus diria não.

O loiro sorriu, usando as costas da mão para secar as lágrimas de seu rosto, e atravessou a sala indo até ele, segurou seu rosto delicadamente e o beijou com calma. — Sim. — Selou seus lábios novamente. — Sim. Sim. Sim. Sempre vai ser sim.

— Sim? Você disse sim? — Sirius sorriu incrédulo, e voltou a beijar o rapaz. — Eu vou ser Sirius Black Lupin?

— Sim, Sirius Black Lupin, huh, gostei de como isso soa. — Remus mordeu a beirada do lábio inferior e voltou a beijar o menor, dessa vez de maneira mais intensa, o envolvendo em seus braços e começando a caminhar com ele para fora da sala.

Não precisou falar mais nada, eles se entendiam bem demais para saber o que Remus faria a seguir, então quando o loiro pegou o moreno no colo, ele apenas entrelaçou as pernas nas suas costas e se deixou ser levado escada acima.

Assim que eles chegaram no quarto, o loiro fechou a porta atrás deles com os pés e virou seus corpos, prensando o menor contra a madeira. Sua boca desceu por seu pescoço, explorando seu torso enquanto desabotoava lentamente sua camisa. Sirius tratou de afrouxar a gravata do maior, deixando que ela caísse no chão, e então começou a desabotoar sua camisa como conseguia, afinal Lupin havia terminado de abrir sua própria camisa e agora explorava o abdômen do moreno com a boca e ele precisava se concentrar para não tombar a cabeça para trás e apenas aproveitar o momento.

Assim que terminou de desabotoar a camisa do loiro, ele começou a empurrá-la para fora de seu corpo pelos ombros, fazendo com que Remus se afastasse apenas o suficiente para tirá-la e jogá-la no chão.

Ainda sem deixar de beijar e mordiscar cada centímetro da pele recém descoberta de Sirius, Remus desceu a mão até sua bunda, o segurando por ali, e o guiou até a cama. Com o moreno já deitado, o loiro continuou o caminho para baixo em seu abdômen, culminando, por fim, no fecho de sua calça, beijou e chupou a pele enquanto abria o botão, puxando seu zíper para baixo com os dentes.

Puxou sua calça levemente para baixo, percebendo que o outro já começava a ficar ereto para si, passou a língua por sua extensão em cima do tecido fino de sua cueca, puxando o elástico com a boca e olhando nos olhos do outro.

— Porra, Remus, você nunca se cansa de me provocar? — Sirius perguntou em falsa frustração, seus olhos começando a ser tomados pela luxúria e então riu rouco quando Remus negou com a cabeça. — Você vai me fazer pedir, não vai? — Perguntou frustrado, o loiro assentiu e começou a puxar sua cueca para baixo em um gerúndio arrastado, enlouquecedor até mesmo para ele, que queria colocá-lo na boca de uma vez. — Porra, eu não… — Ele se interrompeu quando o loiro começou a massagear sua glande com o polegar. — Ahh-. — Levou os dedos até a nuca do outro, os entrelaçando nos curtos cabelos que estavam ali. — Você poderia por favor colocar o meu pau na sua boca?

Remus passou a língua entre os lábios os umedecendo e riu rouco. — Já que você pediu com jeitinho, verei o que posso fazer. — Ele circulou sua glande com a língua, segurando sua base, e então desceu a língua por toda a sua extensão a acariciando, alcançando seus testículos e colocando um deles na boca enquanto acariciava o outro com a ponta dos dedos, e então inverteu as posições. Subiu a língua novamente por sua extensão, circulando novamente sua glande enquanto estimulava sua base com os dedos fechados em seu entorno, o envolveu na boca, descendo devagar, colocando o máximo que conseguia dentro da boca, apenas para subir novamente, nunca deixando de acariciar seus testículos gentilmente. Ouviu o primeiro gemido abafado de Sirius e o tirou da boca, chupando dois de seus dedos antes de voltar a chupá-lo, levou os dedos recém umedecidos até sua entrada, a acariciando gentilmente, percebendo que o moreno mexeu o quadril contra sua boca, o encorajando a ir em frente. Introduziu um dos dedos dentro dele, começando a dar pequenas estocadas enquanto ele se acostumava, e então introduziu mais um dedo, aumentando o ritmo das estocadas até as sincronizar com o ritmo de sua boca.

Alguns minutos naquele ritmo e Sirius já havia começado a gemer seu nome e puxar seus cabelos a cada vez que ele o estimulava. Remus sabia que o menor estava próximo de seu primeiro orgasmo, mas não iria parar enquanto não o visse satisfeito, então aumentou o ritmo, introduzindo mais um dedo dentro de Sirius, o que o fez soltar um gemido alto e o pedir para não parar. Não demorou muito para que o corpo todo do moreno se enrijecesse e então se relaxasse, junto com um gemido sôfrego e um jato quente na boca de Remus.

O loiro se aproveitou de cada gota, usando as costas da mão para se livrar do que havia sobrado, e então içou seu corpo para que pudesse olhar nos olhos do moreno novamente, atacando seus lábios em um beijo quente.

Sirius retribuiu o beijo e não demorou para inverter suas posições, ficando por cima de Remus. — Minha vez. — Ele disse em tom rouco e começou a descer beijos por seu tronco, fazendo o caminho para baixo e começando a desabotoar sua calça, passou a mão por cima de seu pau que já parecia dolorosamente ereto, o massageando por cima da cueca.

Puxou sua cueca e sua calça para baixo de uma vez, o segurando pela base e o bombeando antes de colocá-lo na boca, esticou sua língua para acariciar sua extensão enquanto massageava seus testículos. Desceu a boca, colocando o máximo que conseguia na boca, e subiu novamente, repetindo o movimento várias vezes.

Não demorou muito para que Remus entrelaçasse os dedos nos cabelos da nuca de Sirius e o fizesse parar o que estava fazendo. Se levantou, terminando de tirar a calça e a cueca e as jogando em um canto do quarto. — Você já brincou demais. — Disse em tom rouco e o puxou para que ele se deitasse na cama, levou a mão até a escrivaninha, pegando uma camisinha e a abrindo, a colocando em seguida. Se debruçou e beijou Sirius, explorando sua boca com a língua enquanto acariciava sua entrada com a ponta dos dedos, e então se levantou novamente, puxando uma de suas pernas para seu ombro.

O penetrou devagar, enquanto beijava sua perna, parando apenas quando se sentiu inteiro dentro dele, se inclinando para beijá-lo novamente. Sirius riu entre o beijo. — Amor, eu já te disse, I like it when you go rough. — Ele disse e mordeu o lábio inferior, impulsionando o quadril contra Remus, fazendo com que ele fosse ainda mais fundo dentro dele.

— Certo… — Remus disse em tom rouco, e então deu uma estocada forte, apertando os dedos no quadril dele, o impedindo de fazer movimentos bruscos, e então aumentando o ritmo. Sirius gemeu alto, e se contraiu em volta dele, o sentindo ir cada vez mais forte e mais rápido, atingindo seus pontos de maior prazer.

O loiro cravou as unhas na perna dele, beijando sua perna e se permitindo ir cada vez mais forte, em estocadas ritmadas. Levou a mão livre até o pau do moreno, o bombeando e sincronizando os movimentos de sua mão com os de seus quadris.

Continuou nesse ritmo por alguns minutos, parando em seguida, se inclinando para beijar seu abdômen e saindo de dentro dele. Sem falar nada, tirou a perna dele de seu ombro, o girando na cama e o colocando de bruços, beijou suas costas, indo em direção ao seu pescoço e tirando seus cabelos do caminho, passou a língua por sua pele até encontrar seu lóbulo, onde mordiscou levemente. — Você conhece as regras, se quiser que eu pare, você só precisa falar. — Murmurou rouco, e então se colocou dentro dele novamente, dessa vez, dando estocadas mais fortes. Sirius jogou o quadril pra cima, indo de encontro com as estocadas de Remus, que aproveitou a deixa para deixar um tapa estalado em sua bunda.

Envolveu os dedos nos cabelos negros do menor e aumentou o ritmo das estocadas, o sentindo rebolar e se contrair contra ele. Continuaram nesse ritmo por alguns minutos, até que Remus sentiu todo o seu corpo se enrijecer e então relaxar, saiu de dentro dele, se livrando da camisinha e então se abaixou beijando suas costas e o virando para si, selou seus lábios ainda ofegante, tirando seus cabelos de seu rosto. — Te amo.

— Continue me amando assim, e eu peço para casar com você todos os dias. — Sirius respondeu ofegante e o beijou novamente, envolvendo seus braços em seu pescoço. — Te amo.

25 de Julho de 2020, 16:00, Miami Beach.

Quando Sirius disse que se casaria com Remus na praia, o loiro não imaginou que estariam realmente se arrumando para o casamento em uma praia 11 meses depois, os melhores 11 meses de sua vida, diga-se de passagem. Ele se olhou no espelho mais uma vez, ajeitando o smoking, normalmente faria um calor insuportável, mas Sirius insistiu que eles se casassem de smoking, segundo ele, eles poderiam ficar até de sunga se quisessem depois, mas as fotos do casamento deveriam mostrar elegância.

Para a felicidade de Remus, quase na hora da cerimônia, o sol baixou e uma brisa fresca de verão começou a soprar. Ele se virou e saiu da tenda, todos estavam em seus lugares e esperavam que eles entrassem, um frio bom se instalou em sua barriga e seu coração disparou quando ele viu quão deslumbrante Sirius estava, seus cabelos penteados perfeitamente para trás, e seu braço dado com Euphemia Potter, que o levaria até o altar.

Assim que Remus se posicionou atrás de Sirius, sussurrando um "existe algum jeito de você não ser o homem mais bonito do ambiente?", e dando o braço para que sua mãe segurasse, a banda começou a tocar Can't Help Falling In Love With You, e o moreno foi o primeiro a caminhar até o altar. O loiro foi em seguida, assim que o moreno chegou no altar e piscou para ele, quando passou por Gideon e Regulus, pode ouvir os sussurros sobre alguma aposta a qual Gideon havia perdido, já que Sirius havia sossegado afinal.

— Oi. — Remus disse assim que parou na frente do noivo.

— Oi. — Ele respondeu, e então a cerimônia começou.

Foi realmente uma cerimônia adorável, Euphemia estava em prantos na primeira fileira, emocionada por ver seu filho de consideração se casando, Peter se enrolou durante o brinde, se emocionando, enquanto James se limitou a desejar felicidade aos amigos e fazer algumas piadas.

Mas provavelmente o momento preferido de Remus foi quando um Sirius já levemente alterado, pegou uma das flores que decoravam a festa e colocou atrás da orelha do loiro. — Achei tão bonita quanto você. — Ele murmurou antes de selar seus lábios, e o loiro sorriu, incapaz de acreditar que aquele dia era real, achava realmente impossível se sentir ainda mais feliz do que ele se sentia naquele momento.

30 de Outubro de 2021, 03:30, Maternidade St Mungus.

Já passava da meia noite quando Peter ligou avisando que Mary havia entrado em trabalho de parto, e eles deixaram a casa tão rápido que Remus não trocou a calça de pijama e colocou os chinelos por cima das meias. Enquanto passava as mãos por cima da aliança, ele pediu que Sirius avisasse James, ele veria de manhã e saberia que o afilhado estava nascendo, parecia que faziam apenas semanas desde que estiveram ali para o nascimento de Harry, mas a verdade era que já haviam se passado 3 meses.

Tudo foi muito rápido, assim que eles chegaram, os médicos disseram que apenas os pais da criança poderiam ficar na sala de parto, e por mais que eles tentassem explicar que eram os pais da criança, mas Peter era o noivo de Mary, eles não deixaram o loiro entrar.

Remus segurou a mão da amiga durante todo o tempo, agradecendo mais de uma vez pelo imenso favor que ela estava fazendo. Sirius obviamente estava pálido, perguntando repetidas vezes a Remus se aquilo doía "tanto quanto levar um chute no saco", o que fez com que várias enfermeiras o olhassem como se ele tivesse acabado de cometer um crime.

Quando o relógio marcava exatamente 03:30 da manhã, Killian nasceu, Remus foi o primeiro a pegá-lo, perguntando a Mary se ela não queria, ao que ela apenas respondeu com um sorriso fraco e um "mais tarde". O loiro olhou os imensos olhos azuis de seu filho, sentindo seu coração ser inundado por um amor que ele não sabia ser possível sentir e seus olhos marejarem, o ninou, passando o dedo ternamente por sua bochecha -dedo esse, que Killian agarrou instantaneamente, parecendo perceber que aquele era seu pai-.

Não demorou para que Sirius se aproximasse, apoiando o queixo no ombro de Remus e abraçando sua cintura por trás. — Ele parece com você, mas ele tem meu sorriso, eu sei que é impossível, mas ele tem. — Ele sussurrou baixo no ouvido do marido.

— Eu concordo. — Remus respondeu em tom baixo. — Bem vindo ao mundo, Killian, nós já te amamos muito.

10 de Novembro de 2025, 07:00, sala de jantar dos Black-Lupin.

A manhã estava fria, o tipo de clima que Remus apreciava quando ficaria em casa o dia todo, mas era segunda feira e ele se encontrava em sua sala de jantar tomando café da manhã antes de mais uma semana de trabalho se iniciar. Observou enquanto Sirius descia as escadas já todo arrumado, com Killian no colo e sorriu ao lhe dar um beijo de bom dia.

— Bom dia amor, sabe me dizer que horas a Jasmine vem hoje? — Ele perguntou enquanto se sentava perto de Remus e se servia de café.

— Ela já deve estar chegando amor, você sabe a tradição dos Potter em se atrasarem às segundas feiras. — Remus respondeu calmamente e abriu o jornal para ler os classificados.

Ouviu um click e levantou o olhar para ver o que estava acontecendo, sorrindo ao ver do que se tratava: Killian havia encontrado o antigo rádio que Sirius havia usado para pedir Remus em casamento e agora estava passando pelas músicas. Sirius se levantou antes que ele pudesse, e pegou o garoto no colo, e enquanto ele explicava para o filho sobre a importância de não mexer no que não é seu, ele se esqueceu de desligar a música, que logo trocou para While My Guitar Gently Weeps.

Remus sorriu observando aquela cena, seu coração se enchendo de uma felicidade inexplicável, ele olhou ao seu redor percebendo que estava vivendo o que sempre sonhou, tinha o emprego dos sonhos, um belo filho que apesar de colocar todos os brinquedos possíveis na boca, era um doce de criança, e por fim, era casado com o homem de seus sonhos. Talvez aquele tenha sido o momento em que Remus finalmente percebeu o quão sortudo era, não poderia pedir por mais… terminou seu café e se levantou, dando um beijo breve no marido e se despedindo do filho antes de sair pela porta, sabendo que se sentiria daquela forma por todas as manhãs pelo resto de sua vida.