DÓI?
DISCLAIMER: Os personagens que não são meus, são propriedade de Massami Kurumada, da Toei, de alguém lá do Japão. Se fossem meus, Shunrei seria amazona da nebulosa de Thor's Helmet.
A única coisa que ganho escrevendo essas histórias é alegria e expansão da imaginação.
Uma cena da Guerra Galáctica.
Indicação de música: Satellite, cantada por Saltnpaper.
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Não havia ninguém no vestiário para onde o levaram. Pediram que ela esperasse com ele até que a ambulância viesse.
Shunrei não conhecia absolutamente nada nem ninguém ali. Descera do avião e viera direto para o Coliseu da Fundação Graad, seguindo as instruções do Mestre Ancião. Seu coração batia muito rápido e apertado no peito ao vê-lo naquele estado. Não se recuperara do susto de quase tê-lo perdido momentos atrás.
- Por favor, fique deitado. – as mãos dela tremiam ao tocar no corpo cheio de hematomas.
Shiryu distinguia o som da voz, pensando que sonhava. Sentia dificuldade de respirar e tossiu muito, um gosto metálico perceptível na boca. Seu instinto foi se levantar e se inteirar da situação. Abriu os olhos e piscou até focar a luminária branca.
- Eu preciso sair daqui. – ele murmurou, conseguindo sentar. Sua força física era maior que a dela mesmo naquele estado. – Não posso ficar aqui.
- Eles virão para levá-lo ao hospital. – a garganta dela travou assistindo o rosto ficar pálido e o tronco oscilar. – Você quase morreu, Shiryu. – ela falou baixinho, temendo atrair a má sorte novamente.
Shunrei vasculhou o lugar procurando algo para cobri-lo. Alguns dos ferimentos estavam vermelhos, outros já adquiriam a coloração roxa. Não havia nada.
- Você pode me ajudar a levantar? – ele pediu, a respiração falhando. Os olhos dela encheram de lágrimas. – Vamos até eles. – Shiryu sentia que ou recebia atendimento médico agora ou não resistiria. Seus braços estavam pesados e seu coração parecia espremido entre duas agulhas. Sua visão era invadida por pontos escuros.
- Fique aqui. Vou chamar alguém. – ela planejou gritar da porta do vestiário, mas, assim que se afastou do banco, ele levantou, deu meio passo e caiu de joelhos.
Shiryu teve medo de que ela o deixasse para sempre. Não queria morrer sozinho ali, de uma forma tão boba e prematura. Ainda não mostrara seu valor. Assim que levantou, seus músculos viraram gelatina e a luz sumiu de seus olhos.
- Shunrei... – o nome saiu como um sopro entre os lábios dele.
Ela conseguiu ampará-lo, apoiando a cabeça em seu ombro.
- Por que tão teimoso? – ela ralhou, a voz embargada. – Não consigo colocar você de volta no banco. - Abraçou-o com suavidade, desejando transferir um pouco da sua vida para ele.
O corpo de Shiryu reagiu ao toque delicado, arrepiando-se. Foram raras as vezes em que eles ficaram tanto tempo em contato físico. Ele tentou erguer os braços para corresponder, mas não conseguiu. Suas mãos estavam frias e pesadas, inertes no chão.
Era a primeira vez que Shunrei o via tão debilitado. O Mestre era muito rigoroso e exigia muito dele, mas nunca o deixara ferido daquela forma. Ela fechou os olhos, acariciando os cabelos suados. Não queria deitá-lo no chão frio.
- Eu estou aqui com você. – ela murmurou, como as mães faziam com os filhos quando se machucavam. Não se via como parente dele, mas a intenção de acalmar e consolar era a mesma. – Não vou sair do seu lado.
Shiryu ouvia-a repetir as frases e seu coração foi diminuindo o ritmo aflitivo. Entreabriu a boca para aliviar a pressão do peito. Sentia-se seguro ali, nos braços dela. Confiava tanto nela que começou a chorar. Não um choro de sacudir o corpo. As lágrimas saíam para fazer a garganta, os olhos e o coração pararem de arder e doer. Não queria que ela pensasse que ele era fraco, mas se não as deixasse sair, não conseguiria mais respirar.
Shunrei não disse nada, apenas moveu as mãos muito levemente pelas costas dele, como um manifesto de apoio. Ela podia contar nos dedos de uma mão os momentos em que ele se mostrara vulnerável assim. De repente, sentiu os músculos contraírem.
- Dói? – os dedos finos tocaram a região onde o Cavaleiro de Pégaso o golpeara para fazer seu coração voltar a bater.
Shiryu respirou devagar, demorando a pronunciar cada palavra.
- A dor... mos... mostra que estou – ele engoliu para umedecer a garganta seca. - ... vivo... Graças a você.
Foi a vez dela se emocionar. E os olhos azuis ainda estavam mergulhados em água salgada quando os paramédicos finalmente vieram colocá-lo na ambulância.
E, em todos os anos por vir, as memórias desses breves instantes no chão frio afloravam quando todas as outras luzes pareciam ter se apagado. Lembravam que precisavam viver para honrar a confiança, a dor e o amor.
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Olá! Uma cena que me veio na madrugada e quis compartilhar com vocês! Baseada na fanart que ilustra a capa, que eu achei muito bela e triste por imaginar como os dois estariam se sentindo no momento retratado.
Espero que gostem.
Até a próxima!
Beijos,
Jasmin
