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Olá queridos leitores. Hoje acordei com uma inspiração para retratar um Universo Alternativo após a fuga de Jane, quando ele finalmente eliminou o algoz de sua família e estava na ilha, sozinho e com saudades de Lisbon. Espero que gostem! Para aqueles que acompanham minha outra história: ''Patrick Jane & Ângela Ruskin – Uma história de amor'' não se preocupem: terminarei a história.

I

Raios de sol brincavam no rosto dele, passando por entre as cortinas do pequeno quarto. Sob os filetes amarelados da luz do sol, partículas de poeira brincavam no ar, formando um conjunto belo de luz e pó. Aos poucos, ele abriu os olhos para a manhã que se derramava sobre ele. Tendo sido vencido pelos raios de sol, ele piscou um pouco, olhando preguiçosamente para sua janela, onde as cortinas brancas com detalhes florais graciosos esvoaçavam com a leve brisa. Bocejando e espreguiçando-se muito na cama, ele permaneceu por mais uns minutos deitado observando o lento vai e vem do tecido que cobria sua janela.

Apertando um pouco os olhos, ainda deitado, ele buscou seu relógio buscando as horas e ao olhar no calendário, percebeu que fazia dois anos que ele matou Thomas McAllister ou Red John; Patrick Jane havia conseguido sua vingança. Havia eliminado o algoz de sua família. Ele ainda podia sentir a doce sensação de ver a vida esvaindo-se dos olhos dele, enquanto o sufocava. Vê-lo suplicando por sua vida só estimulou que Jane apertasse ainda mais sua garganta. Ali, naquele momento, ele sentiu que todo o peso da culpa, da dor, do sofrimento das mortes de sua amada Ângela e sua querida filha Charlotte finalmente tinha diminuído em suas costas. Então, como ato final, ele levou a pistola até seu rosto, imaginando matar-se e assim, encerrar para o mundo, o livro de sua vida. Afinal, depois do que ele fez à sua família, não merecia viver.

Porém, o peso da arma tornou-se quase insuportável quando a imagem de Teresa Lisbon surgiu em sua mente, tomando conta do seu coração. Ele viu-se ofuscado pela gratidão que sentia por ela. Seu coração gritou o amor que ele sentia por ela. Seus olhos verdes, tão perspicazes, seu altruísmo, sua força, seus ideais, aos poucos preencheram a lacuna que a tristeza de perder sua família havia deixado em seu coração. Ela aos poucos tornou-se tão importante para ele, que pensar nela doía. Ele a amava profundamente. Depois da morte de Ângela, ele pensou que nunca mais sentiria algo tão forte assim, contudo o destino o provocou e quando percebeu, ele estava perdidamente apaixonado por ela.

Talvez seja por isso que ele deitou a arma na mão de MacAllister e puxando o telefone, ligou para o número que ele sabia de cor, sem esforço. De algum modo, ele sabia que ela não atenderia e no fundo, ele rezou que ela não atendesse, por que senão, ele não seria capaz de perpetrar sua fuga. Aliviado, ele ouviu o tom da caixa postal dela, deixando um simples recado: '' Acabou. Quero que saiba que estou bem. Vou sentir sua falta.'' E assim, sentindo-se o pior ser do mundo, ele correu para sua fuga, abandonando a bagunça para Lisbon consertar. Como ele sempre fez desde que a conheceu. Por isso, ele não a merecia.

Depois de seis meses de ter chegado na ilha, a saudade dela era insuportável, então, como uma válvula de escape, ele escreveu uma carta para ela. Sem saber para qual endereço enviar e não querendo colocar Lisbon em maus lençóis, pois ele sabia que o FBI estava investigando o paradeiro dele, resolveu enviar a carta para que Pete e Sam entregassem para ela. No momento em que postou a carta, sentiu uma alegria tão grande, tão viciante, que um mês depois, ele escreveu outra e isso tornou-se uma rotina agradável para ele. Mesmo sem receber nenhuma resposta dela, o fato dele compartilhar sua rotina, suas observações da ilha por carta, trazia um pouco de paz para seu coração.

Com o passar do tempo, as cartas não eram suficientes para aplacar a saudade que ele sentia dela. E agora, deitado na cama do seu pequeno quarto, ele suspirava profundamente, desanimado por acordar mais um dia sabendo que ele não veria o lindo rosto de Lisbon. Sem muita vontade, ele livrou-se do lençol que o cobria, fez sua higiene matinal e preparou seu chá. A cozinha era minúscula, para tinha uma ótima vista para o grande oceano que se derramava na praia não muito longe dali. Pegando sua xícara de chá, Jane entregou-se à tarefa que mais gostava do dia: escrever uma carta para Lisbon. Todas as vezes, suas mãos tremiam de ansiedade e seus lábios abriam-se de felicidade, pois de certa maneira, ele estava conversando com Lisbon. Invariavelmente, todas as vezes ele se lembrava das conversas que tinha com ela deitado no sofá de sua sala na CBI; do riso fácil, da sensação de acolhimento que a amizade dela lhe proporcionava. E todas as vezes, seu coração torcia-se de saudades dela. Era mais intolerável que a saudade de Ângela, pois esta havia falecido, enquanto Lisbon ainda vivia e estava longe dele.

Ele selou o envelope, saiu de casa e dirigiu-se à pequena venda, que também servia de agência do correio. Como sempre, trocou algumas palavras gentis com as doces senhoras que sempre estavam ali. A dona era uma mulher de meia idade, magra, pele queimada de sol, olhos castanhos muito atentos e cabelos lisos cortados à altura dos ombros; sua companheira já era uma mulher rechonchuda, sua pele não estava tão queimada do sol e seus olhinhos miúdos observavam com atenção tudo que acontecia na rua. Ele tinha certeza de que sempre que saía de lá, as mulheres deviam trocar conversas e risinhos sobre ele.

Jane foi até a barraca de Alfredo para tomar seu café da manhã; brincou com o Hugo, o cão do dono – um animal vira-latas, malhado de cinza e preto, mas muito amoroso. Enquanto esperava seu chá e ovos mexidos, percebeu uma bela mulher sentada a algumas mesas dele. Ela era esbelta, belos cabelos encaracolados ruivos e tanto seu falar quanto sua pele muito branca, denunciavam que ela era turista e que falava a língua dele. Finalmente, ele pensou, teria com quem conversar sem tropeçar no péssimo espanhol que desenvolveu morando na ilha. Eles trocaram algumas palavras cordiais e foram dar uma volta na praia. Jane sentia-se estranhamente incomodado com esta mulher – que disse que seu nome era Kim – mas não conseguia dizer o que era. Ele optou em ignorar esse sentimento e desfrutar da companhia dela. Quando falaram de sua aliança no dedo esquerdo, ele ficou intimamente surpreso que ainda usava aquele anel que Ângela havia lhe dado tantos anos atrás. E de um modo novo para ele, pela primeira vez, não sentia o anel pesando em seu dedo como antes. Ele descobriu que a culpa e o ressentimento haviam ido junto com MacAllister. Então, talvez ele estivesse pronto para seguir em frente. Ele testou essa teoria ao aceitar o convite de Kim para jantar.

Quando ele e Kim voltaram do passeio, Alfredo disse que Franklin, seu amigo que trabalhava no único hotel da ilha, havia ligado. Retornando a ligação para Franklin, por um momento a cor fugiu do rosto dele: Dennis Abott tinha chegado à ilha e estava procurando por ele.