Disclaimer: Harry Potter e seus personagens não me pertencem. Pertencem a tia Jo, Warner Bros. e quem mais faça dinheiro com isso. Escrevo só por diversão.

Sirius Black não era um assassino.

Sirius Black não sabia, ainda, que passaria por isso mais uma vez, em alguns anos, e que demoraria treze anos até que conseguisse o perdão do único amigo que lhe restaria e do afilhado cuja infância ele não poderia acompanhar.

Mas, naquele momento, no auge de sua inconsequente adolescência, ele sabia que seriam apenas alguns dias para que ele e James voltassem a conversar normalmente; Peter seguiria o amigo, como sempre. Era o outro que o preocupava, quem fazia seu estômago afundar sempre que o olhava com seus olhos profundamente marcados pela recente passagem da lua cheia e uma enorme tristeza, sem lhe dizer uma palavra.

Os outros alunos não entendiam o que havia acontecido para que Sirius se sentasse sozinho e encarasse a lareira com olhos duros, ou para que os cabelos de James começassem a se assentar em sua cabeça, sem seus dedos para bagunçá-los.

Foi depois de algumas semanas, em que nem mesmo as meninas que se acumulavam ao redor de Sirius pareciam diverti-lo, que James foi até o amigo e rompeu o silêncio:

– Porra, Sirius.

– Eu sei. – Sirius afundou em sua cama no dormitório.

– Ele poderia ter morrido. Não sei como Dumbledore não te expulsou.

– Não faria falta.

– OK. Remus poderia ter matado ele. – Corrigiu, suas palavras atingindo Sirius como um soco na boca do estômago e o deixando sem ar por alguns instantes.

– Eu não pensei nisso.

– É claro que não pensou. – James suspirou. – Você sabe que eu te amo, Padfoot, mas, honestamente, seu senso de humor às vezes me preocupa. – Fez uma pequena pausa. – Me preocupa.

Uma risada escapou pelo nariz de Sirius, meio divertido, meio aliviado ao sentir a tensão começando a se dissolver.

– Como ele está?

– Triste. Decepcionado. Sentindo sua falta.

Sirius levou uma mão ao queixo, o coração acelerando sob as vestes.

– Bem, 'tá um tempo ótimo lá fora. Se quiser, sabe onde nos encontrar. – Jogou o Mapa em cima do amigo e saiu do dormitório.

Sirius abriu o Mapa e correu os olhos por ele. Os nomes Frank e Alice estavam estacionados na Torre de Astronomia que, exceto por eles, estava vazia; nas Masmorras, o nome Regulus fez sua boca se contrair involuntariamente e ele logo olhou para outro canto, encontrando Severus na biblioteca e sentindo uma onda de ódio invadir seu corpo.

Os amigos sabiam que ele gostava de andar pelos arredores da escola na forma animaga, tomando cuidado para não encontrar com os professores. Eles sabiam, também, todas as coisas que ele descobria quando ninguém se dava conta de sua presença: nada escapava aos seus atentos ouvidos caninos.

Nada mesmo.

Nem a tarde em que Severus Snape conversava aos cochichos com outro Sonserino sobre os desaparecimentos dos Marotos todos os meses, durante a lua cheia, e como Remus parecia tão mais doente quanto mais a lua se enchia no céu. Disse também que tinha um plano quase completamente arquitetado para confirmar suas suspeitas.

Não demorou mais de uma lua cheia, no mês seguinte, para que Sirius o mandasse seguir Remus, levando ao fatídico dia em que James teria que salvá-lo e os amigos não o olhariam nos olhos por semanas a fio.

Foi com essas lembranças que encontrou os nomes James, Remus e Peter próximos ao lago, de onde ele sabia que era possível ver Lily e outras garotas de Gryffindor de uma certa distância, como não poderia ser diferente.

Respirando fundo, Sirius saiu a passos largos pela escola, caminhando até o jardim com seu melhor sorriso, na tentativa de encantar seu caminho até o perdão de Remus.

– Me desculpa, Moony. – Disse, à guisa de olá. – Eu deveria ter dito isso antes.

– Você não deveria ter feito...

– Eu sei. Eu sinto muito. Me perdoa?

Sirius se sentou sobre os calcanhares na frente do amigo e tomou suas mãos, fazendo seu rosto corar.

– Ah... Tudo bem. Ninguém saiu ferido, mesmo.

– Eu não sei o que faria se você tivesse.

Remus puxou suas mãos para si com um "me solta, 'tá todo mundo olhando" e Sirius deu sua gargalhada rouca, sentando-se ao lado do amigo e passou o braço por trás dele, apoiando sua mão na grama.

– Você preferiria se ninguém olhasse? – Sussurrou.

– Pelas barbas de Merlin, Padfoot, o que deu em você?/

Sirius riu quando James reclamou que não havia recebido um pedido formal de desculpas por ter tido de se arriscar para salvar Snivellus, recebendo-o com uma reverência e um beijo na mão, atraindo a atenção de todos ao redor – e disfarçando bem menos do que pensava os olhares que lançava à ruiva e suas amigas, claramente interessado em saber se tinha ou não sua atenção.

Após uma tarde no jardim, relaxando antes dos NOMs, que viriam em algumas semanas, Sirius se esgueirou no dormitório antes dos amigos subirem, rasgou um pedaço de pergaminho, escreveu um bilhete, colocando-o dentro do livro que Remus lia todas as noites antes de dormir e saiu, dizendo aos amigos que daria uma volta pela escola.

"Moony,
Quero me desculpar de verdade com você. Sem espectadores. Me encontra na Torre de Astronomia?

Seu,
Padfoot.

N/A: Deve fazer pra lá de dez anos que escrevo nada. Sejam bonzinhos com quem anda tão desacostumada. A_A