1

Passados um mês e cinco dias desde que Severo Snape encontrou Narcisa Malfoy em uma situação lastimável em seu pleno aniversário de 61 anos, pode-se dizer que sua amada teve uma boa melhora em seu estado clínico. Parou de usar drogas alucinógenas — que foram a causa de sua queda há mais de três anos, quando seu marido Lúcio faleceu de Varíola de Dragão — e também de beber. Neste segundo item, Snape ficou ressentido, já que gostava bastante de teu velho whisky bem pertinho toda vez que tinha vontade. Porém, pelo bem de sua querida Narcisa, ficaria este tempinho seu o seu destilado.

Qualquer coisa que a fizesse lembrar de narcóticos ou destilados poderia ser fatal para a sua recuperação. E estava indo tão bem... voltara a estudar, pintar, e principalmente... namorar. Disso, Snape não poderia reclamar jamais. Apesar de ainda se sentir um tanto culpado por ela ter se afundado nestes vícios malditos, ele ainda tentava voltar atrás a ajudando sempre que precisasse. Iria ser o companheiro que ela sempre mereceu, e não aquele canalha maldito do Malfoy que sempre se aproveitou. Pobre de sua querida Cissa...

Amanhã era dia dos namorados, e ele precisava preparar alguma coisa... um jantar especial ou algo do tipo. Um belo presente seria dar algumas flores de narciso junto com tubos de tintas... ou será que é um péssimo presente? Snape estava indeciso... queria comprar milhares de coisas — mesmo sabendo que o dinheiro estava bastante apertado — e ao mesmo tempo também estava sendo mão-de-vaca... tinha que pensar...

Mas é claro! Como ele não tinha pensado nessa alternativa? Com certeza sua linda iria adorar.

Uma pena que não poderia levá-la para mais longe. A doença ainda estava aí, e mesmo com as vacinas já sendo distribuídas em larga escala, Snape teria que continuar usando essa maldita máscara pelos próximos meses. Ele ainda não tinha conhecimento se o Ministério da Magia iria vacinar os bruxos — já que esta é uma prática pouco comum entre eles — porém, como se tratava de uma calamidade que não só envolvia-os, talvez esta fosse a primeira vez que seriam vacinados. E que alívio! Quem sabe isso não os inspire nas futuras cepas que possam surgir da Varíola de Dragão?

Chegando em casa, tinha ido ao mercado comprar alguns legumes para preparar uma sopa naqueles dias frios que antecedem o fim de um inverno que parecia não ter fim. O tempo está chuvoso como sempre. Na região que Snape morava em Edimburgo era comum alguns pingos durante o dia e céu bastante ameno, mas estava ocorrendo tempestades... alagamentos na Cidade Velha poderiam ser vistos. Isso o preocupava... não queria ter a casa alagada, e já aconteceu em anos anteriores de dar enchente e ele perder quase tudo de móveis. As únicas coisas que se salvaram — a qual, preza bastante — foram os livros.

Snape olhou para a sala de estar, e encontrou sua querida Narcisa pintando mais um quadro. Parecia ser com uma aurora boreal. Tinha uma pequena vila embaixo coberta pela neve, seguida então das lindas e fenomenais luzes causadas pelos fenômenos magnéticos da Terra. Snape tirou aquela máscara horrível, e foi para a cozinha deixar as sacolas em cima da mesa.

— Olá, querido. — disse Narcisa, terminando de pintar o quadro — Como foi no mercado?

— O mesmo de sempre. — respondeu Snape ao sair do banheiro para deixar sua máscara de lado — Trouxas idiotas se aglomerando, falando asneiras e outras coisas que são totalmente irrelevantes — Snape quase cuspiu no chão ao falar aquilo — Eles são uns imbecis. Não sabem que estamos vivendo uma peste.

— Falou o ranzinza que reclama de usar máscara quando sai. — Narcisa riu, enquanto assinalava seu novo quadro.

— Reclamo porque me dá alergia, mas eu sei que ela é importante para nos proteger, ainda mais que somos idosos...

— Ainda insiste em dizer que é velho, Severo... você é um homem maravilhoso, e bastante jovem para mim. Isso já não basta para que pare de pensar assim?

— Eu sei, Cissa... só que... não consigo me sentir mais aquele jovem de antes. Sei que me ama assim, mas algo dentro de mim fala para que eu cumpra com a minha idade de um idoso...

Narcisa colocou delicadamente sua mistura de tintas ao lado do quadro, e foi até ele. Seu semblante era extremamente irritado e totalmente desconfiado.

— Severo Snape... se não parar de ficar reclamando que está velho... eu compro chupetas e mamadeiras para que você se sinta uma criança de novo. — disse em um tom ameaçador, mas Snape não se intimidou, e até achou graça.

— É mesmo, é? Então terá de comprar para você também... minha linda e amada flor de narciso.

Narcisa ameaçou dar um beijo em Snape, mas ele se afastou por alguns centímetros e segurou delicadamente seus braços, fazendo a bruxa olhar em seus olhos negros que brilhavam na luz natural.

— Irei tomar um banho. Devo estar contaminado ou sei lá...

— Maníaco por limpeza? Hum... interessante...

— Digamos que não. Apenas não quero que fique doente, só. Já venho. Veja se não vai aprontar nada agora que terminou de pintar seu quadro.

Narcisa franziu a sobrancelha e olhou-o desconfiada e ao mesmo tempo lhe dando um sorriso.

— O que está insinuando, professor Snape?

— Nada, mas... fique com a curiosidade.

Snape foi para o banheiro, e enquanto refletia debaixo do chuveiro, pensava em alguma coisa para alegrar Narcisa amanhã no dia dos namorados. Se fosse um dia comum, as ruas de Edimburgo estariam cheia de casais comemorando a data, passeando em shoppings, indo a pubs, porém... a doença impediu que as pessoas se reunissem. Tudo bem que, Snape nunca foi um homem de gostar de aglomerações — aliás, quanto mais longe possível ficar das pessoas, melhor — mas alguma coisa faltava para que aquele Dia dos Namorados fosse perfeito...

Essa não! Tudo bem que a quarentena parecia estar enlouquecendo algumas pessoas, mas caramba. Será que ele, Severo Snape, estaria mesmo querendo participar de festas barulhentas e cheias de pessoas ao redor? Não... aquilo era o cúmulo do absurdo. Acho que seria melhor ele parar de pensar em tantas coisas ao mesmo tempo, e focar no que realmente importava: a preparação para o dia, por mais que não fosse exatamente o que ele planejava.

Após tomar banho, Snape foi para a sala de estar e viu Narcisa sentada na mesa da cozinha e com o seu celular nas mãos. Ela parecia ter dificuldades com o aparelho — assim como ele tem, e nunca conseguia desbloquear aquela porcaria — e Snape fazia de tudo para tentá-la a se acostumar com as tecnologias dos trouxas.

— Severo... Draco andou falando com você?

— Às vezes conversamos. Ele é meio ocupado por causa dos assuntos do Ministério... — uma pausa — já sei o que você está pensando. Quer vê-lo, não é? Saiba que Draco nunca perdeu as esperanças de ter de ver de novo...

— Eu queria... — disse, se levantando e indo até o amado — ... mostrar a Draco que melhorei... por favor, me leve para a mansão.

— Não posso.

— Por que não? — disse indignada — Vai mesmo fazer isso comigo?

— Calma. Não quero te levar por causa da doença. Entenda, Narcisa: somos idosos. Draco é jovem, e pode estar contaminado e não saber. Sei que ele é um rapaz que se cuida, mas não podemos abusar, entende? E outra que... de qualquer forma, se formos até a Mansão Malfoy ele iria ficar irritado. Nestes tempos sombrios, temos que nos resguardar. Sei que dói não poder ver quem ama... minha mãe, por exemplo... não a vejo faz quase um ano. Prefiro que ela não me veja, do que eu acabar pegando esse vírus e passar para ela em uma visita qualquer. Entende onde quero chegar?

Snape se aproximou de Narcisa e tocou em seus ombros.

— Não faço isso por mal, Cissa. Draco faria o mesmo se estivesse no meu lugar.

— Eu sei, é que... eu ainda não me acostumei com este mundo em que vivemos... com esta doença nos impedindo de ver as pessoas que amamos. Isso machuca muito.

— Vou ser sincero com você: eu não acredito que tempos melhores virão, e teremos que nos acostumar a viver com a peste, mas podemos nos adaptar. Aliás, acho que tenho uma ideia de vermos o Draco sem estarmos presentes de fato, mas... ainda preciso combinar com ele o dia certo.

— Faria isso por mim? Não sabe o quanto eu ficaria feliz por poder rever meu filho...

— Até parece que não me conhece, Cissa... é óbvio que eu faria qualquer coisa por você, ainda mais para reencontrar seu filho depois de tantos anos. — Narcisa pareceu derramar lágrimas. Ela tentou esconder, mas ele foi rápido e notou tudo — Venha aqui e me abrace.

Narcisa o abraçou forte e chorou em seus ombros. Snape sabia que ela merecia esse encontro, mesmo que não fosse presencial. Draco precisava saber como a mãe estava depois do horror que sofreu ao ficar vagando pelas ruas, e sob o efeito de drogas fortíssimas. Aquilo não era vida. Por outro lado, o que eles vivem também não é, mas sempre dava um jeito de contornar as coisas. E era isso que Snape faria após sua surpresa do dia dos namorados.

2

Severo Snape pediu para sua amada tomar um banho naquela noite do dia 14 de Fevereiro. Estava planejando tudo para que saia perfeito. Eram mais ou menos oito da noite, e o encontro com Draco seriam as onze, tudo combinado pelos dois. Narcisa iria adorar todos os presentes e chamegos. Snape não tinha muito dinheiro, é verdade, e apenas conseguiu comprar algumas coisinhas simples que tinha certeza que ela iria amar.

Narcisa, apesar de sempre se portar como uma dama da sociedade, usando coisas caras e finas, tendo um olhar arrogante e nojento perante todos, aquilo era apenas uma fachada para se mostrar o quanto era infeliz ao se casar obrigada por um homem que ela nunca gostou, e que também não tinha esses pensamentos preconceituosos como a maioria das pessoas pensavam. Narcisa havia lhe contado que a sua mãe, Druella Black, disse que isso era uma "obrigação" para se manter a tal "pureza de sangue", mas ela também lhe contou que nunca se importaria caso Draco escolhesse uma pessoa que não tivesse a mesma condição, já que, Narcisa apenas queria que o filho fosse feliz, não importa com quem e principalmente não tivesse o triste destino que o dela.

Snape ficava feliz ao ouvir aquilo, porque no fundo, também nunca deu a mínima para essas bobagens de condição. É verdade que ele tinha uma certa aversão pelos trouxas por causa de seu pai abusivo, o infame Tobias Snape, mas ele pensou por muitos e muitos anos e viu que, jogar essa raiva sem sentido em inocentes poderia cegá-lo para as belezas que a vida tinha a lhe mostrar. Primeiro, foi Lílian Evans, mas esta nunca amou-o de verdade e Snape sabia muito bem disso. Narcisa também tinha o nome de uma flor, mas ela sim era o amor de sua vida, e ele também sabia que, o amor que batia fundo em seu peito, batia no dela também.

Arrumou tudo e esperou que ela saísse do banheiro e torcia para que tudo desse certo.

Ao olhar para o corredor, viu a amada lindamente vestida com um vestido verde escuro com espartilho preto sem mangas e sapatos simples verdes claros. O espartilho era muito bem amarrado e com vários laços atrás. Como estava bela a sua linda amada Narcisa, bem diferente do que a viu há um mês atrás. Os cabelos bicolores estavam com o branco tendo mais destaque e amarrados em um coque, junto com a maquiagem forte e vibrante que ela sempre gostou de usar. As unhas estavam pintadas de um vermelho cintilante.

Já Narcisa ao olhar para a decoração, ficou surpreendida pelo tom verde e preto da decoração. Flores de cor lavanda foram postas, e Snape fez questão de fazer poções que davam tons neons para iluminar e deixar as cores ainda mais destacadas. Normalmente, as cores do dia dos namorados eram vermelhos, rosas e até roxas, mas este foi diferente, preparado pelo seu amado para nunca esquecerem o que de verdade os conectou.

— Sevie... você fez tudo isso?

— Adiantei algumas coisas, e outras fiz agora, como o jantar, por exemplo.

— Hoje é dia dos namorados, não é? — Snape fez sim com a cabeça — E-eu não tinha me lembrado...

— Eu queria fazer algo melhor, te levar para um restaurante ou a um passeio, mas você sabe que tudo está fechado.

— Não se preocupe com isso. Eu não desejo luxo, você sabe... — Snape olhou sério para ela — Tudo bem, eu era meio esnobe quando...

— "Meio"? — interrompeu Snape — Melhor rever isso, minha flor de narciso.

— Está bem, resmungão... eu era MUITO esnobe no passado, mas era fachada. Eu nunca fui assim... mas admito que gosto destes mimos, principalmente quando vem de pessoas... — Narcisa se aproximou sensualmente de Snape, e tocou levemente em seu peitoral — ... que eu gosto muito, como você.

Snape encostou suas mãos no rosto dela e lhe deu um beijo rápido. Se dependesse dele, aquilo seria mais do que um beijo porque, como ela estava linda e bela. Queria tanto abraçar, beijar e tocar em cada parte daquele corpo perfeito e belíssimo. Em primeiro momento, Snape não estava sequer pensando em sexo, apenas queria ter uma companhia para passar o dia dos namorados e deixar Narcisa feliz depois de tantos baques. Porém, se ocorrer mesmo — o que ele percebe que acontecerá, pelo recente furor e tensão que sua amada estava — que venha. Estaria pronto para amá-la mais uma vez.

O jantar especial estava na cozinha e a luz era de velas aromáticas de cor verde neon em cima de um pedestal. A comida, bem simples com ervilhas, cenouras e batatas cozidas acompanhadas de leves fatias de carne, e de sobremesa um pudim de frutas secas. Narcisa não escondia que estava com certa fome, mas mesmo assim, se sentou na mesa e começou a saborear os pratos preparados pelo amado de um jeito bem educado e sutil. Já Snape, comia normalmente e não tirava os olhos dela, como se estivesse esperando algo dela, um elogio ou até crítica.

— Sempre achei que cozinhava muito bem... agora estou até admirada. Está delicioso.

— Me alegro com o elogio. Fiz tudo pensando em você.

— Ah, mas acho que não precisava tanto... eu poderia ter te ajudado, Sevie.

— Não. Tem que ser um dia especial para nós dois, Narcisa. E não se preocupe que... eu também tenho mais surpresas.

Após o jantar, Snape levou Narcisa para a sala e lá tirou de trás da lareira um buquê de flores de narciso com vários tubos de tinta das mais diversas cores. Impressionada, Narcisa deu um sorriso e aceitou o buquê. Snape notou que seus olhos se enchiam d'água pelo presente tão lindo que ganhara.

— É simples, mas... de coração.

— Severo... esse buquê é perfeito. Flores de narciso com tubos de tinta. Nunca pensei que poderia me incentivar tanto na pintura...

— Você é ótima pintando, Cissa. É uma verdadeira artista. De início, pensei que não iria gostar do meu presente por achá-lo bobo, mas...

— Bobo? Está brincando comigo, Severo? — Snape mudou sua postura — Foi a coisa mais linda que já ganhei em toda a minha vida. Eu amo pintar, mas ninguém nunca me incentivou tanto quanto você. — Narcisa se aproximou de Snape e tocou em seu rosto, acariciando de leve partes das rugas que se formavam abaixo dos olhos — Eu te amo muito. Obrigada por sempre estar comigo.

— E estarei para todo o sempre.

Snape se aproximou com calma, fechando os olhos e dando o primeiro passo para o beijo. Narcisa parecia estar em plenos pulmões, assim sendo, foi mais avante e abraçou o pescoço e ameaçou usar a língua para deixar tudo mais ardente. Snape, que realmente não esperava transar naquela noite, teria que rever seus planos. Narcisa era uma mulher que o enlouquecia de prazer sexual, e não via a hora de vê-la completamente nua e em cima dele.

Snape separou seus lábios do dela, e começou a beijar seu pescoço e descendo lentamente até chegar próximo dos seios. Ele se levantou e ameaçou tirar o corset para poder admirar tamanha beleza, mas ela o interrompeu, e fez não com o dedo indicador, ao mesmo tempo em que lhe dava um sorriso libidinoso. Isso apenas o fez enlouquecer em seus sentimentos, e Narcisa explorava aquele gatilho.

— Vamos para o quarto, meu amor? — perguntou Snape, beijando-a novamente no pescoço e lhe dando um abraço.

— Por que não fazemos aqui mesmo? Está tão mais perto do que ir para lá...

— Quer mesmo que seja aqui? Acho que não seria muito confortável. A cama é bem melhor, e dá para tentarmos coisas diferentes. — Snape continuou a beijar o pescoço dela, dando um chupão que deixou uma leve marca avermelhada — Mas... se quiser aqui na sala, eu também não irei me opor. Farei o melhor para te dar muito carinho, minha flor de narciso.

Snape se separou dela, e os dois ficaram parados por alguns segundos trocando olhares. Narcisa tocou em seu peitoral e começou lentamente a desabotoar toda aquela quantidade de botões. Narcisa sempre achou que aqueles botões eram como um oceano para Snape, e cada um guardava lágrimas e sofrimentos diferentes. Via que o amado tinha superado muita coisa na sua vida, mas outras acabavam por permanecer. Ele precisava esquecer tudo, recomeçar e por mais que nessa altura da vida, nem Snape e nem ela poderiam ter filhos, pelo menos estariam juntos e felizes — e quem sabe, o menino Escórpio não começasse a tratar seu amado como avô? Narcisa tinha a total certeza de que ele seria melhor do que o verdadeiro foi.

Depois de ter desabotoado tudo, Narcisa tirou o sobretudo e jogou-o no chão, agora partindo para a camisa branca simples, removida com sensualidade e jogada da mesma maneira. Snape fechou os olhos ao sentir os dedos dela passando lentamente pelo peitoral, roçando levemente os dedos nos pelos, e ainda mais suave em seus mamilos. Não eram apenas as mulheres que sentiam prazer ao ser tocadas nos mamilos, os homens também. Snape era um deles e gostava muito, principalmente quando era uma pessoa que amava muito fazendo.

Narcisa lhe deu outro beijo, lhe surpreendendo e abraçando seu pescoço. Tal beijo foi tão intenso e profundo que fez Snape novamente abraçá-la na cintura. Suas línguas se entrelaçavam e ele, já com a fúria completa pelo prazer sexual, queria muito ver sua amada nua. Narcisa virou de costas e de propósito, encostou seus quadris na ereção dele no intuito de provocá-lo ainda mais.

— Que pervertida. — disse Snape ao encostar suas mãos próximos aos seios dela, e mesmo ela ainda com o corset, fazia massagens leves — Está querendo me provocar, senhora Malfoy... ou diria, senhora Black?

— Chame-me do que quiser. Apenas quero que me deseje, Severo...

— Então vamos para a cama, que lá vou te mostrar uma coisa.

Narcisa se virou para beijá-lo novamente, e Snape a surpreendeu segurando entre suas pernas para levantá-la e levá-la até o quarto, que não ficava muito longe. Narcisa estava extremamente feliz, e completamente realizada, e enquanto o amado lhe segurava pelo colo, dava mais beijos. Ao chegarem no quarto, Snape a colocou delicadamente deitada na cama enquanto dava-lhe um olhar completamente cego de desejo. Como Narcisa achava aqueles olhos negros lindos...

A decoração do quarto era praticamente a mesma da sala, com caldeirões e potes exibindo o mesmo líquido verde neon, e flores de narciso para todos os cantos, somente para lembrar o quanto que se sentia bem ao ter aquela bruxa como sua namorada — e futura esposa, assim queria, porque apesar de já ter certa idade (Snape ainda continuaria batendo nessa mesma tecla quanto a sua idade) queria ter um casamento digno, fazer Narcisa feliz e dá-la o maior amor e carinho que seu coração e alma poderiam dar.

Narcisa se levantou da cama e ficou de joelhos encarando Snape por alguns segundos e depois se virou para que ele pudesse retirar seu corset. Ele acompanhou a amada, e começou a remover com calma todos aqueles laços e amarras que faziam-na ficar com uma cintura leve e natural, nada muito apertado para criar uma silhueta que sequer poderia existir. O problema eram todos aqueles fios que já estavam lhe irritando.

— Cissa... por que gosta tanto de laços?

— Ora, o que foi? Eu não reclamei quando tive que desabotoar todos aqueles botões do seu terno...

— É... acho justo.

Snape realmente percebeu que estava reclamando sem ter motivo, já que também usava uma roupa com botões o suficiente para irritar alguém ao tirar. Por isso, se acalmou e removeu com mais delicadeza as amarras e os laços. E até estava conseguindo fazer mais rápido. O corset tinha ficado mais frouxo e ele apenas precisou puxar um pouco para o lado, assim removendo-o com sutileza. Analisando as costas nuas de Narcisa, começou a tocar brevemente, sentindo os arrepios da bruxa e ouvindo seus gemidos baixos. Snape se aproximou mais para dar-lhe um longo beijo no pescoço enquanto deslizava sob a cintura até chegar aos seios, tocando-os levemente com as pontas dos dedos. Em seguida, ele segurou levemente os mamilos entre os dedos e começou a estimulá-los com o dedo indicador das duas mãos. Narcisa ia a beira da loucura, sentindo já seu ventre arder de desejo e puro deleite ao prazer libidinoso.

Snape não queria apenas tocar, mas também senti-los de uma forma mais íntima. Narcisa virou-se, roubando-lhe um beijo e depois acariciando o belo rosto daquele homem que amava tanto. Snape se abaixou para beijá-la mais, do pescoço e descendo até seu peito, onde deu um beijo perto do seio direito, deslizando sensualmente até o mamilo para sugá-lo e usar a língua para estimulá-lo, enquanto que no seio esquerdo, fazia pequenos contornos com o dedo, para deixá-la ainda mais delirante. Narcisa gemia, e tocava nos cabelos negros e lisos dele, querendo e desejando muito mais. Snape se levantou e olhou com desejo para a amada, beijando-a novamente nos lábios enquanto a fazia deitar na cama.

Narcisa o obedeceu, e como em um gesto puro abriu suas pernas e Snape se aproveitou para remover a saia verde, deixando-a apenas de calcinha. Segurando com delicadeza, removeu a peça íntima e jogou-a para o lado, deixando-a completamente nua. Narcisa abriu ainda mais as pernas apenas para incentivar o lado mais pervertido e sexual do amado. Ele não demorou muito para deitar, admirando a linda paisagem que pairava agora sob seu campo de visão. Iniciou-se um leve toque com os dedos no clitóris e desceu até o fim, sempre com muito carinho e paixão, até mesmo para não machucá-la. Snape abaixou mais e agora usava a boca para sentir o gosto de sua amada, dando puxões leves nos lábios e fazendo movimentos rápidos com a língua por todo o contorno. Narcisa gemia, tocava nos próprios seios e olhava para baixo, onde ele dava-lhe um olhar sensual enquanto — novamente — usava seu nariz para provocá-la.

— Você gosta de usar esse seu nariz para me provocar, não é? — disse para ele dando um sorriso enquanto se levantava para ficar sentada.

— É. — disse Snape, quase sem ar por estar completamente perdido pelo prazer — Foi o que imaginei que diria...

— Admito que é real a fama que certos homens de nariz grande têm por aí...

— É mesmo? E quais homens que conheceu que possuíam essa fama?

— Hum... só me lembro de um certo ex-professor que está agora completamente apaixonado porque só pensa em cortejar a sua linda e amada flor de narciso. — Snape sorriu para ela.

Snape se levantou da cama e ficou de pé, enquanto usava os dedos para tocar seu clitóris e sentir toda sua lubrificação que ficava ainda mais intensa após aquele início excelente. Na primeira vez que se reencontraram, ele não deixou que ela também o sentisse, porque estava apenas pensando em fazê-la feliz. Se pudesse, seria assim toda vez que transassem, pois Snape não liga em não sentir nada. Só que desta vez, deixaria que Narcisa levasse adiante o seu desejo de cortejá-lo depois de tanta insistência da mesma.

Narcisa avançou devagar até as calças e tocou levemente na ereção fazendo uma pequena massagem. Depois, pegou a barra da peça e puxou-a com certa brutalidade, onde até mesmo a cueca fora junto, deixando-o completamente nu. Snape afastou as próprias roupas com os pés para que pudesse ter certa autonomia. Narcisa segurou com delicadeza o pênis e movimentou-o primeiro, em um ritmo lento e assíduo. Depois de alguns segundos, ela se agachou para poder sentir de início, a glande e usar a língua para estimular a ponta, junto com as mãos, a qual usava para tocar e apertar levemente os testículos dele. Narcisa ouviu o gemido que o amado dera apenas por ela ter encostado de uma maneira bem simplista naquela região. Não foi forte ou qualquer coisa do tipo, mas suficiente para ela compreender onde Snape sentia mais. Aquilo fora como uma comunicação corporal, para que ela continuasse.

Narcisa era muito boa para entender todos os gestos corporais de Snape, assim como ele é para com ela — na maior parte das vezes, pelo menos. Continuando, desceu mais um pouco, porém sabia que se fosse além, poderia deixá-lo um pouco aborrecido. Apenas ficou naquela extremidade, concentrando sempre na parte agora que ela sabia bem que o deixava completamente transtornado em ver aqueles lindos e sedutores lábios rubros tocando em sua pele. Narcisa se separou dele e voltou a deitar na cama agora de lado, com mais luxúria e o provocando sempre com o olhar. Snape deixou-se levar e se deitou atrás dela, erguendo suas pernas delicadamente para poder admirar melhor tamanha beleza.

Narcisa era linda de cima a baixo. Ele tinha vontade de explorar cada canto daquele corpo belo...

Snape deu-lhe um beijo no pescoço e desceu em tênue até fazê-la ficar completamente deitada de costas. Aqueles olhos... a paixão que sentiam um pelo outro... a furor e luxúria do momento. Ele estava decidido a fazê-la feliz. Dando um rápido beijo em seus lábios, Snape segurou seu pênis e começou a massagear a região úmida da amada até penetrá-la com calma e iniciar os movimentos, que foram lentos. Enquanto isso, Snape massageava os seios de Narcisa e beijava seu pescoço. Estava completamente apaixonado e hipnotizado pelo cheiro maravilhoso que sua querida possuía.

— Eu te amo. — disse ele, completamente anestesiado e dando um beijo rápido no rosto dela.

— E-eu também te amo muito, Sevie.

Narcisa encostou as mãos no rosto dele e roubou-lhe um beijo, fazendo as mechas negras dos cabelos de Snape roçarem delicadamente sobre suas bochechas, enquanto que ele aumentava mais a rapidez de seus quadris pensando em somente enloquecera. E estava surtindo efeito. Narcisa parou o beijo simplesmente para gemer e dizer o quanto estava se sentindo realizada e feliz. Snape abaixou-se para envolver sua língua novamente nos seios dela, e estimular o outro com os dedos. A bruxa ia à beira da loucura e já não conseguia mais raciocinar. Só queria era Snape em seus braços, para chamá-lo apenas dela. Ambos pertenciam um ao outro, e suas almas se interligam como uma melodia de orquestra.

Snape beijou-a novamente no pescoço e depois se separou, ficando de joelhos na cama, enquanto ela se levantava para ficar de quatro com as pernas bem abertas, e com a região completamente exposta em uma clara tentativa de seduzi-lo. Snape não iria esconder absolutamente nada e com certeza, a tática deu certo. Segurando nos quadris dela e dando leves puxões em sua pele, foi bem próximo para penetrá-la de novo. Seus corpos entraram novamente em sincronia, Narcisa gemia e sentia toda a tensão sexual sendo liberada aos poucos, porém extremamente forte e poderosa. Snape também estava completamente embebecido de prazer carnal, intensificando mais os movimentos, sentindo a pele de sua amada juntamente com a lubrificação da região. Como gostava de presenciar todo aquele fogo sendo liberado por seus poros, se sentindo completamente amado e desejado. Segurando gentilmente a cintura dela, acelerou conforme ela lhe pedia e Narcisa gemia cada vez mais, mostrando toda a sua satisfação.

Snape se separou dela e a olhou com mais desejo, mas ela ainda não estava satisfeita. Deu um sorriso completamente sensual e ficou sentada na cama e de pernas abertas para mostrar o que ainda aguardava o amado. Ele andou de joelhos e se sentou no início da cama, enquanto Narcisa, como um gatinho manhoso querendo carinho, foi engatinhando até ele, se levantando e cruzando as pernas para ficar em cima dele. Encostando a ereção próxima da região, Narcisa fez questão de pegá-lo e fazer movimentos carinhosos de vai-e-vem, que faziam Snape ficar completamente sem ar. Queria ela, e não se cansava de repetir isso.

— Você é tão linda... — disse Snape, ao tocar suas mãos nos seios dela, e usar o polegar para estimular os mamilos.

— São os seus olhos, Severo. — disse ela se agachando para lhe dar um beijo e depois levantando — Diga-me a verdade: quer-me ver gozando em cima de você, né? Gostoso.

— Sua safada... pois é isso mesmo que eu quero... que goze em cima de mim...

— Vou sim, meu amor... e você também... desta vez, irá Sevie... e se recusar...

— Não irei, mas não quero que seja dentro.

— Por que? Ainda está ressentido?

— Sempre estarei, principalmente que, nos tempos em que ficou perdida nas ruas, não lhe fizeram nada bem.

— São águas passadas, Sevie. Estou bem agora, de verdade. Mas... se você não quiser, irei te respeitar... mas você vai gozar, e adivinha: vamos fazer isso juntos.

Snape gostou da ideia — mesmo que, tais possibilidades sejam impossíveis — e apenas queria o amor de sua Narcisa e nada mais lhe interessa. Começou a fazer uma massagem em sua cintura, e sentiu quando ela colocou-o dentro e começou a mexer lentamente seus quadris. Snape ficou admirado e achava aquela paisagem bela. Sua linda e amada flor de narciso o deixava em êxtase. Queria mais, muito mais. Ajudou-a um pouco também mexendo seu corpo e usando o polegar para massagear lentamente o clitóris. Narcisa tocava os próprios seios e já sentia o furor das emoções vindo em breve.

Percebendo que a amada iria gozar, Snape segurou mais forte sob a cintura dela e deixou-se surpreender. Narcisa era ótima, uma mulher deslumbrante e cheia de vida. Iria fazer quantos elogios sua amada quisesse. Os gemidos dela ficaram mais fortes, até que veio o furor máximo. Narcisa desabou sob o peitoral de Snape, tremendo e se contorcendo ainda com os corpos estando juntos. Que mulher perfeita e deslumbrante!

Snape também parecia ter chegado ao seu ápice, e então removeu o pênis dela e começou a movimentar lentamente, até poder sentir a completa tensão que estava em seu corpo, liberando o líquido quente próximo da intimidade de Narcisa, que sentiu tudo e deu um rápido beijo nos lábios dele. Snape se sentia extremamente cansado e completamente suado, mas não se importava. Estava ao lado de sua amada e a amando muito, como sempre mereceu.

— Viu? Eu disse que a gente iria gozar junto...

— Mulher... v-você me deixou completamente quebrado...

— Deixei, é? Severo... ainda não viu nada...

— Ainda quer mais, minha flor? Deixe-me descansar um pouquinho, sim?

— Não falo de hoje, mas de outros dias... em que esteja mais preparado.

— Irei adorar.

Narcisa deu um longo beijo em Snape, se amando e deleitando no próprio prazer e amor que sentiam um pelo outro.

3

Onze horas, como combinado. Snape tinha acordado antes e pediu para Narcisa colocar as roupas de volta, pois tinha uma excelente surpresa. Os dois se vestiram e foram para a cozinha onde o celular de Snape estava vibrando. Draco lhe fazia uma chamada de vídeo, e mesmo tendo dificuldades para desbloquear o telefone — como sempre — conseguiu e aceitou a chamada. Draco apareceu do outro lado, e Narcisa o viu timidamente. Estava com os cabelos longos, como o pai, só que melhor e já beirava os seus quase quarenta e um anos.

— Professor Snape... deve ser a primeira vez que fazemos uma chamada assim...

— Já disse que não precisa me chamar de professor, Draco... e eu apenas fiz essa chamada porque preciso que veja uma pessoa... eu tenho certeza de que vai gostar.

Snape foi até Narcisa e entregou o celular para ela, explicando como deveria fazer para que o filho pudesse vê-la.

— Mãe? — perguntou Draco assustado.

— D-Draco? É você mesmo, meu filho? — disse, já emocionada, e olhou de volta para Snape — Severo, tem certeza de que Draco pode nos ver e ouvir com essa coisa?

— Pode sim, acredite. Bem... deixarei os dois a sós. Vocês têm muito o que conversar.

Snape se afastou, mas olhou algumas vezes para trás enquanto observava os dois conversarem e matarem a saudade de anos. Dando um sorriso, ele observou o quadro que Narcisa tinha feito naquele dia, e pegou o para colocá-lo em algum canto superior da sala. Estava se sentindo ótimo por ter ajudado ela a ter voltado a falar com o filho, mas ainda tinha muito a se fazer.