I
Samantha mais uma vez chegou ao seu ponto de apresentação em uma das ruas do centro da cidade de Fort Worth; ela era uma bela mulher mulata, com longos cabelos castanhos cacheados caídos como cascata em suas costas esguias. Ela carregava um case surrado de violão em um braço e no outro, uma pesada bolsa enfeitada com miçangas coloridas. Samantha suava um pouco, sentindo o calor abafado da estação. Ela secou as gotas que escorriam em seu rosto com as costas da mão que segurava o case do violão, sentindo uma pontada dolorida em seu ombro ao fazer o movimento. Ela teria que se cuidar, pois caso se machucasse, ela não poderia mais se apresentar e conseguir alguns trocados para garantir ao menos o jantar. Desde que ela saiu de sua pequena cidade para tentar a sorte em um grande centro urbano, era rotina para ela lutar para ter um jantar, nem que fosse apenas um cheeseburguer simples sem nenhum acompanhamento.
Alcançando finalmente a esquina, ela soltou um longo suspiro, largando sua bolsa no chão, que aterrissou no piso com grande estrondo devido às miçangas e objetos em seu interior; Samantha não deu muita importância a isso, pois afinal ela não tinha nada de valor mesmo, nem mesmo um celular. Com seu amado violão a coisa era diferente. Cuidadosamente ela deitou o case no chão, abriu o fecho enferrujado com uma pancadinha e retirou o instrumento com um largo sorriso no rosto. De tudo que tivera na vida, com certeza seu violão era o bem mais precioso.
Pensativa, ela passou seus dedos ao longo de toda a extensão do violão, destinando um carinho especial para as cordas. Dedilhando uma nota musical, ela conferiu a afinação, ajustando os acordes à medida que as cordas emitiam o som. Quando terminou, ela tinha um leve sorriso no rosto, levantando sua cabeça para receber os raios do sol que aquecia a manhã. Ela aspirou o ar profundamente, expirando lentamente. Ela aprumou-se e começou a tocar uma canção para aquecer e atrair a atenção do público, que ultimamente depositava cada vez menos dinheiro no case aberto do violão. Samantha estava desanimada, mas ela não queria desistir ainda. No fim, ela estava correndo atrás do sonho dela e de sua amada mãe.
Desde muito pequena, sua mãe percebera que Samantha tinha uma bela voz, destacando-se no coral da igreja em tenra idade. Na adolescência, Samantha era considerada a cantora principal do coral e fazia vários solos, arrancando aplausos da assembleia embevecida com sua bela voz. Sua mãe ficava inchada de orgulho; ela também procurava e acompanhava Samantha quando ela se apresentava em pequenos bares e outras igrejas. Com o pouco dinheiro que conseguiam com as apresentações, sua mãe incentiva-a para fazer aulas de canto e aprimorar seu talento. Na ocasião em que sua mãe ficou doente, Samantha teve que abandonar as aulas e as apresentações para dedicar-se a cuidar de sua amada mãe, mesmo com os protestos veementes dessa. Apesar de todos os tratamentos e cuidados, a mãe de Samantha morreu três meses depois que descobriram o câncer em seu estômago. Samantha ficou profundamente abalada com a perda da mãe, pois agora ela não tinha ninguém no mundo para se importar com ela. Eram só ela e a mãe desde que ela se lembrava como gente. Quando perguntava a respeito do pai, sua mãe dizia simplesmente que ele havia ido embora assim que soube da sua gravidez e nunca mais ela tinha ouvido falar dele. Samantha desejava conhecer o pai, mas respeitava a vontade da mãe em não contar mais detalhes a respeito dele, sequer o nome dele ela sabia, pois não havia sido registrado em sua certidão de nascimento. Como ela não conhecia a história de como sua mãe e seu pai se encontraram, ela não tinha nem ideia de onde começar a procurar. Então, assim que se viu sozinha no mundo após o enterro da mãe, ela juntou o pouco dinheiro que sobrou das despesas médicas e do funeral, reuniu seus parcos pertences em sua bolsa de miçanga, comprou o case do violão de segunda mão, vendeu os miseráveis móveis e eletrodomésticos da casa e pegou o ônibus rumo a Fort Worth, onde buscaria uma vida melhor, já que na sua cidade não havia mais nada a que se apegar.
Logo ela percebeu que sua vida na cidade grande não seria tão fácil; ela foi rejeitada em vários bares e até mesmo igrejas não a quiseram como cantora. Sem dinheiro, Samantha começou a passar as noites em abrigos, onde distraia a todos com sua canção. Era o único momento do dia em que ela se sentia feliz. Ao amanhecer, Samantha reunia suas coisas e partia para tentar a sorte nas ruas do centro da cidade. Ela tinha conseguido se estabelecer um ´ponto movimentado de uma grande avenida e ficava ali religiosamente até o final da tarde, quando cansada e desalentada, recolhendo os poucos trocados e retornava cabisbaixa para o abrigo.
Por mais que sua situação estivesse difícil, Samantha ainda não queria desistir; ela tinha que continuar por sua mãe. De jeito nenhum ela abandonaria a música para limpar casas como sua mãe fez durante toda sua vida. Contudo, se ela não conseguisse um emprego em algum lugar como cantora, ela seria obrigada a render-se ao trabalho impiedoso da faxina. Por isso, ela insistia dia a dia em uma batalha quase perdida.
Naquele dia, um homem branco, muito magro, de cabelos negros com vários fios brancos postou-se em frente a ela, embevecido por sua ´música. Nas duas primeiras canções, Samantha imaginou que ele estava gostando de sua performance, mas a partir da sexta música, ela começou a ficar preocupada que o estranho homem fosse algum perseguidor louco. Por isso, ela o olhou desconfiada quando terminou sua apresentação, anunciando à pequena plateia que ela faria um intervalo. As pessoas aplaudiram sua apresentação, murmurando entre si como ela era talentosa e tinha uma bela voz; alguns misericordiosos depositaram uns trocados no case do violão e pouco a pouco, a pequena multidão dispersou-se, com as pessoas retomando seus caminhos.
Samanta estava recolhendo o dinheiro quando sentiu uma sombra atrás de si. Assustada, ela levantou-se em um salto, dando de cara com aquele homem estranho, que a encarava com olhos esbugalhados:
'' – Olá, posso ajuda-lo?''
Ele não respondeu nada, permanecendo observando-a atentamente, como se quisesse sugar sua alma pelo olhar.
''= Olha, eu não sei o que está acontecendo, mas este lugar eu conquistei há quatro meses.''
'' – Não quero seu ponto de apresentação.'' – sua voz era gutural, forte e profunda. Sem tirar os olhos dela, ele completou: '' – Estou impressionado com sua voz, é muito bonita.''
'' – Há... obrigada?!'' ela ainda estava muito ressabiada com o olhar penetrante que ele lhe dirigia. '' Olha só, eu tenho que ir, tenho um compromisso, uma apresentação em um bar logo ali.'' – ela apontou vagamente na direção do que ela pensava tinha um bar com música ao vivo.
'' – Mentira.'' – ele disse com firmeza, sua voz reverberando nos ouvidos de Samantha.
'' – O que?!'' ela ficou desconcertada, pega de surpresa diante da afirmação tão categórica do estranho homem que estava a sua frente. ''Como assim?! Tenho mesmo uma apresentação em breve, portanto, se me der licença, tenho que ir.''
O homem não disse nada; apenas acenou a cabeça enquanto Samantha se distanciava rapidamente, rezando para não ser seguida. Alguns quarteirões depois, ela sentiu-se segura o suficiente que não estava sendo seguida. Soltando um forte suspiro de alívio, ela analisou suas opções para a noite, concluindo que o habitual abrigo lhe serviria muito bem nesta noite.
Por três semanas, Samantha continuou com sua sofrida rotina de cantar naquela esquina, tendo ela esquecido completamente o estranho encontro com aquele homem sinistro. Era uma tarde de sexta-feira ensolarada quando aquele mesmo homem aproximou-se do grupinho de transeuntes que acompanhavam sua apresentação; ao vê-lo e reconhecer seu rosto na multidão, Samantha ficou preocupada, contudo, neste dia o homem não tinha a estranha aura que o cercou no dia que se conheceram. Ao final da apresentação, aplaudindo muito, ele aproximou-se dela, sorrindo a cumprimentou:
'' - Oi. Você lembra de mim? Vim aqui há algum tempo para acompanhar sua apresentação e creio que assustei você com meus modos rudes e secos.'' Ele disse isso com um sorriso charmoso e desconcertante, fazendo com que Samantha se desarmasse e mostrasse uma atitude mais amistosa na presença dele.
''- Sim, lembro. Bom, tudo bem. E quem é você mesmo?"- ela perguntou com um sorriso simpático no rosto, pois afinal aquele homem estranho poderia ser dono de algum bar ou casa de apresentação, quem sabe não seria a chance dela?
'' - Ah, claro, que estupidez a minha. Sou Greg. Greg Marshall a seu dispor.'' - ele estendeu a mão para apertar a dela com uma encantadora simpatia.
'' - Prazer, sou Samantha Priscott.'' - ela devolveu um pouco sem graça pois não havia nada a acrescentar em sua apresentação.
'' - Bom, enfim, Samantha, sou um cantor lírico moderno e estou iniciando uma escola para jovens talentos como você. Estaria interessada?''
'' - Ah, puxa, seria uma oportunidade e tanto, mas eu não tenho como pagar. Sinto muito.'' ela desculpou-se corando furiosamente, sentindo suas bochechas queimarem de vergonha.
'' Oh, mas meu projeto é para acolher justamente cantores como você que não podem pagar por uma educação musical. Sabe, tive uma carreira brilhante na música, fiquei muito rico e quero prestar um serviço à sociedade, incentivando os novos cantores em suas carreiras.''Greg finalizou seu discurso colocando muito calor em suas palavras. Samantha permaneceu olhando para ele bobamente, como se não acreditasse na sua sorte.
'' - Eu não terei que pagar nada? Nem quando acabar o curso?''
'' - Não. Minha única exigência é que você credite minha escola em suas apresentações, sabe, para divulgação do meu projeto, para que outros possam aproveitar.''
'' - Claro, claro, isso é ótimo.''
'' - Então, podemos começar?''
'' - O que?! Hoje?!''
'' - Sim. A não ser que você não queira.''
''- Não, claro que eu quero. Só estou surpresa, então vamos lá, lidere o caminho.'' - Samantha rapidamente começou a recolher suas coisas, guardando ataboalhadamente os trocados ganhos no dia, enfiando tudo em sua bolsa de miçangas, guardando carinhosamente o violão em seu case.
Greg a conduziu para seu veículo, um sedan preto, dirigindo por cerca de 1 hora; Samantha percebeu que estavam saindo do centro da cidade, indo em direção ao subúrbio, o qual ficava mais bucólico à medida que avançavam na estrada. A paisagem urbana foi deixada pouco a pouco para trás, para ser substituída por outra mais campestre, com árvores frondosas ladeando todo o caminho. Em um determinado ponto, Greg pegou uma saída à esquerda, em uma estrada de terra, cujos pedregulhos saltavam na carroceria do carro à medida que avançavam. Ao final desta estrada, estava um casarão cercado com portão e grades altos, sendo que Greg acionou a abertura do portão com um pequeno controle remoto que estava em seu bolso.
Durante todo o caminho, Greg manteve uma conversa fácil sobre música, partituras, seu planejamento de aulas, e a preparação dos cantores em sua escola. Samantha ouvia tudo atentamente, ainda particularmente extasiada que esta chance havia caído em seu colo. Depois de passarem pelo portão, Greg conduziu por uma alameda circundada por cercas vivas e parou em frente à porta do casarão. Samantha quase esperou que um mordomo viesse abrir a porta, mas Greg fez este trabalho com um floreio:
'' Bem-vinda ao Conservatório Lírico. Tenho certeza de que faremos grandes coisas aqui.'' Samantha apenas sorriu e acompanhou Greg para entrarem na suntuosa casa.
Lisbon despertou com o sol entrando pelas frestas de sua janela. Sonolenta, ela bocejou e espreguiçou-se longamente, vendo que Jane não estava do seu lado da cama. Provavelmente Alícia havia acordado e ele fora ter com ela. Sem se preocupar muito, Lisbon vagarosamente saiu da cama, dirigindo-se ao banheiro para fazer sua rotina matinal. Quando ela saiu do quarto foi surpreendida por Alícia correndo para seus braços:
'' – Mamãe!'' ela gritou alegre pulando no colo da mãe.
'' – Bom dia docinho.'' – Lisbon deu um beijo estalado na bochecha de Alícia. Apalpando a bundinha de Alícia, ela percebeu que estava certa: Jane havia se levantando antes e cuidado de Alícia. Sorrindo docemente, com Alícia escorada em seu colo, Lisbon terminou seu caminho rumo à cozinha, encontrando Jane assobiando alegremente enquanto cozinhava no fogão. Ela inspirou profundamente o cheiro delicioso de café que inundava a cozinha, misturado com os aromas das panquecas, bacon e ovos que Jane magistralmente manuseava. Colocando Alícia em seu cadeirão de alimentação, Lisbon aproximou-se de Jane, abraçando-o por suas costas, deitando suaves beijos em suas omoplatas definidas e musculosas que ela amava tanto.
'' – Bom dia amor.'' – ela cantarolou suavemente entre seus beijos, sendo recebida calorosamente com o afago de Jane em suas mãos. Ele virou-se e deu um beijo suave em seus lábios, voltando rapidamente sua atenção para o fogão com a intenção de não deixar queimar nada. Sorrindo satisfeita, Lisbon sentou-se ao lado da filha e ocupou-se em dar-lhe atenção, travando uma divertida conversa sem sentido com sua menina de dois anos. Alícia provou ser uma tagarela, característica que Lisbon supôs ter sido herdada do pai – Marcus -, já que ela mesma era de poucas palavras. Contudo, Alícia desabrochava em encantamento e alegria, enchendo o coração da mãe de felicidade.
Os três tomaram o café de forma divertida, tendo Jane e Alícia estabelecido uma deliciosa rotina de colocar pedaços de panqueca na boca um do outro. Ao final desta troca, ambos estavam lambuzados de geleia e melaço e ao ser posta no chão por Jane, Alícia sorriu maliciosamente:
'' – Vou chegar primeiro.'' – saindo correndo, com os olhos brilhando em travessura, claramente apostando corrida com Jane para ver quem iria alcançar o banheiro primeiro. Jane apenas sorriu com ternura, pondo-se atrás dela a passadas largas, porém sem ultrapassá-la, só para fazer-lhe cócegas em suas axilas, ouvindo-se pela casa as gostosas gargalhadas dos dois. Lisbon apenas balançou a cabeça de um lado para outro, perguntando-se quem era a mais criança da casa. Com um leve sorriso brincando em seus lábios, ela recolheu a louça do café da manhã, organizando-a na lava-louça e fazendo seu caminho até a suíte onde dormia com Jane, para tomar seu banho e se arrumar para outro dia de trabalho. No corredor, ela podia ouvir as risadas de Jane e Alícia do outro banheiro, divertindo-se muito com o banho. As exclamações de '' – pare tio Paddy'' de Alícia aqueciam o coração de Lisbon. Tomando seu próprio banho e ouvindo de longe a troca agradável entre sua filha e seu namorado, Lisbon não pode deixar de pensar como Jane teria sido um ótimo pai para Charlotte. Ela notava que ele passava longos momentos de melancolia observando Alícia brincar no chão, certamente relembrando os momentos em que sua filha Charlotte provavelmente estava na mesma posição, brincando no chão de sua casa em Malibu. O coração de Lisbon ficava apertadinho de angústia e compaixão e ela sempre colocava sua mão no ombro dele, acariciando-o com ternura e firmeza, mostrando a ele que ela estava ali ao lado dele e entendia sua dor. Geralmente Jane fingia que não sentia seu toque, porém, havia oportunidades que ele estendia sua mão para encontrar com a dela, fungando baixinho, lutando contra as lágrimas que enchiam seus olhos. A troca deles a respeito do assunto era tão intensa que dispensava palavras.
Quando finalmente Jane e Alícia estavam prontos e arrumados para saírem, Lisbon gemeu baixinho, revirando os olhos com uma fingida impaciência, pois estavam de novo atrasados. Abbott há muito desistira de cobrar horário de Jane e a partir do momento que ele passara a morar com Lisbon, automaticamente Abbott soube que ela também chegaria diariamente atrasada ao trabalho. Cho, sabedor há muito tempo dos lapsos de Jane, não se incomodava em olhar no relógio para a chegada do casal ao trabalho. Ele mesmo, depois de casado, por vezes chegava atrasado, pois a tentação de fazer amor com Kim logo de manhã era insuportável e sexy demais para ser ignorada. No frigir dos ovos, de manhã somente Wylie e Vega eram os que cumpriam o horário; eles estavam vivendo a tensão de compartilhar sentimentos românticos um pelo outro, sem ter coragem de se revelarem um para o outro. E naquele dia não foi diferente: eles encontraram-se no lobby do escritório após saírem dos elevadores, trocaram sorrisos tímidos e um baixo ''bom dia'', dirigindo-se cada um para sua mesa, onde fingiam estar concentrados no trabalho enquanto revezavam-se em levantar o olhar um para o outro. Quando os olhares se encontravam, eles abaixavam os rostos rapidamente, sendo que Wylie ficava com o rosto vermelho de vergonha. Com alívio, eles cumprimentaram a chegada de Cho e Fischer, os quais trocaram um rápido beijo antes de se separarem cada um para sua respectiva sala; logo depois, chegaram Jane e Lisbon, sendo que Jane estava com o braço protetoramente sobre os ombros de Lisbon, fazendo seu caminho para a sala de descanso, onde certamente Jane faria sua estimada xícara de chá enquanto Lisbon abasteceria sua caneca com café e voltaria primeiro ao lobby do escritório, para sentar-se à sua mesa e começar a trabalhar. Por último, Stella chegaria ao trabalho, bocejando e espreguiçando-se sem vergonha alguma assim que saísse do elevador, caminhando preguiçosamente para a sala de descanso a fim de aproveitar-se do chá de Jane. Invariavelmente, eles passariam um grande tempo discutindo sobre o recente caso enquanto tomavam suas xícaras de chá. Jane e Stella eram ótimos perfiladores, contudo, sua flagrante ausência em seguir os padrões normais do trabalho eram conhecido por todos. Assim que Stella chegou para unir-se à equipe, Lisbon não pode evitar de sentir ciúme pelo entrosamento de Stella com Jane, todavia, esse sentimento infantil de insegurança logo foi superado. Jane e Stella eram bons amigos, sendo que Jane não escondia o fato de que estava profundamente apaixonado por Lisbon, que por sua vez lembrou-se de como ele fora fiel à falecida esposa por muitos anos, portanto, Jane não era o tipo de homem que cederia aos prazeres da carne.
Atualmente, eles estavam trabalhando em um caso de estelionato, cujas vítimas eram senhoras aposentadas; naquela manhã, enquanto tomavam seu costumeiro chá na sala de descanso, Jane e Stella discutiam a respeito do perfil do criminoso:
'' – Estive pensando sobre nosso suspeito, Patrick. Acredito que ele seja um homem jovem, charmoso e sedutor, com lábia suficiente para enganar suas vítimas com falsas promessas de investimento.''
'' – Concordo.'' – Jane respondeu simplesmente, olhando para a movimentação de agentes no escritório.
'' – Talvez devêssemos procurar casos semelhantes em outras cidades; aposto que não é a primeira vez que ele aplica estes golpes.''
'' – Sim, com certeza.'' – Jane ainda olhava apaticamente o vai e vem das pessoas no andar.
'' – Você já descobriu quem é ele não é?!'' – agora Stella olhava irritada para ele, sabendo que sua suposta distração era na verdade sinal de tédio, pois ele já havia solucionado o caso.
'' – Você me insulta, Stella.'' – Jane pousou a xícara no balcão para levar sua mão dramaticamente ao peito, fingindo estar ofendido.
'' – Ah tá, vamos pular para a parte em que você diz quem é o estelionatário.'' – Stella gesticulou as mãos em círculos impacientemente.
'' – É o enfermeiro cuidador.'' – Jane disse simplesmente, como se fosse óbvio o tempo todo.
'' – William Conrad?'' – ela franziu a testa, revisando mentalmente suas observações. '' – Verificamos suas contas bancárias, ele está limpo.''
'' – Verificaram as contas da esposa dele, Suzanne?'' – Jane lavou sua xícara enquanto lavava, anda com aquele irritante tom de condescendência. Stella abriu a boca para contra-argumentar , sendo interrompida por Lisbon, que chegara à sala de descanso com uma folha de papel nas mãos:
'' – Conferimos as contas de Suzanne, como você sugeriu Jane e realmente, ela recebeu vários depósitos substanciais nos últimos dois anos. E também descobrimos que ela adquiriu alguns imóveis no subúrbio, cujos aluguéis complementam a renda do casal.'' – ela levantou o olhar para encará-los.
'' – Viu, eu não disse?!'' – Jane exibia seu sorriso egocêntrico por ter acertado – de novo – em sua análise do perfil. Stella apenas acenou com a cabeça, lançando olhares de falsa raiva em direção a Jane, saindo do ambiente rumo a sua mesa e talvez, a um eventual novo caso.
'' – Não sei por que ela fica tão brava.'' – Jane falou a Lisbon com um ar de inocência. '' – Esses casos são tão entediantes.''
'' – Nem imagino a razão disto.'' – Lisbon devolveu sarcasticamente, visto que ela fora vítima destes enervantes insights de Jane durante anos. Agora, como casal, ele adquiriu o bom hábito de compartilhar com ela todas suas impressões sobre os casos, por mais absurdas que fossem, cuja atitude foi recebida de bom grado por Lisbon. Finalmente, ele estava sendo sincero com ela e era muito bom para variar.
N.A. Após receber uma crítica muito bem colocada, resolvi reescrever a história quanto ao núcleo Jane e Lisbon, e particularmente, gostei e em senti mais à vontade com o novo aspecto dado. Espero que compreendam e que também gostem das alterações feitas. Como sempre, comentários e críticas serão sempre bem-vindos!
