Esta é uma resposta a um pedido (que recebi em outra plataforma, mas achei de bom tom postar aqui). E eu estou me sentindo bondosa quando se trata de BSG, então aproveitem (Mas não abusem *risos*)
Laura Adama Baby fic.
E a única forma viável que vi de conseguir escrever isso foi uma UA, Alguns eventos vão seguir o Cannon, porém nem todos na mesma ordem cronológica de BSG.
Mais uma vez, nos centramos no ponto de vista de Laura. Sim, eu sou uma negação em escrever do ponto de vista de Adama. (Perdoem-me.)
Eu tenho uma ideia do que quero fazer com isso, porém não sei quanto tempo vou demorar para concluir.
Também aceito opiniões sobre como as coisas devem seguir.
I - Primeiro Encontro
Os lençóis macios eram convidativos a mais alguns minutos de sono, era final de semana e ela não tinha nenhum compromisso, ao menos não até que suas irmãs chegassem enchendo a casa de vozes e risos e toda a felicidade que elas sempre levavam consigo. Laura nunca gostou de festas de aniversários grandiosas, ela preferia comemorações pequenas e familiares. Mas Cheryl insistia que ela precisava comemorar em grande estilo seus trinta e seis anos. Como se isso fosse algum marco na vida de uma mulher.
E ela obrigou Laura a caminhar junto dela pelo centro comercial, comprando balões, pratos e copos e todo o tipo de coisa supérflua para compor uma festa. Mas os risos dela eram tão cativantes que Laura apenas dizia sim. Sim a balões cor de rosa, a pratos de plástico e copos coloridos, a velas e aquelas faixas com um 'Feliz Aniversário' enorme em letras festivas.
O som insistente do despertador a fez se mover, esticando os dedos para fora do lençol sua mão alcançou o criado mudo e tateando às cegas ela encontrou os objeto que feria seus ouvidos, o desligou. Tudo entrou em silêncio e ela apenas continuou deitada, observando a luz solar entrando pelas frestas da cortina. A forma como as partículas de poeira se iluminavam e dançavam era hipnotizante. Os pássaros a cantar ao longe, uma dessas belezas naturais que normalmente ninguém presta a devida atenção. A vida que acontece sem que as pessoas se deem conta.
Foi o som do telefone que a tirou da inércia, jogando os pés no chão ela deixou o quarto em direção a sala. Já imaginava quem era do outro lado da linha e estava sorrindo quando atendeu o telefone. Pronta para ouvir as reclamações de Sandra com as inúmeras paradas não programadas para o banheiro devido ao estágio avançado de sua gravidez.
- Roslin.
Lentamente o sorriso que tinha se aberto foi perdendo o brilho, seu interlocutor após a identificação breve foi lentamente explicando a situação. Ela abaixou o telefone lentamente, a mão trêmula, os olhos cheios de lágrimas. Sequer sentiu suas pernas cederem, deitou no chão frio, olhando para o vazio enquanto as lágrimas desciam silenciosas. O som da vida lá fora pareceu parar, de repente o silêncio era esmagador. Não soube quanto tempo ficou ali, mal ouviu as ligações que iam para a caixa de mensagens. A última coisa que sua mente registrou foi a fatídica notícia.
Suas irmãs e seu Pai haviam sido vítimas de um motorista embriagado no caminho para a casa dela. Deuses, Sandra estava grávida de oito meses. Mais lágrimas vieram e se foram até sobrar apenas uma casca oca ao chão da sala escura.
Mal registrou a voz de sua amiga, tampouco os olhos castanhos e preocupados enquanto Christine a ajudava a ficar de pé. A água quente a puxou do abismo por alguns segundos ao ser colocada em uma banheira e ela ouviu apenas os fragmentos de perguntas como. "Você precisa comer alguma coisa?" Laura apenas negou, não se sentia confortável para alimentar-se, o estômago pesado demais com a notícia da tragédia. Agradecia que perguntas como 'Você está bem?' nunca vieram da boca de sua amiga. Deuses, ela estava tudo, menos bem.
Foram tempos sombrios.
Seis meses depois
O espelho refletia sua imagem e ela não se sentia muito à vontade com o batom vermelho que usava. A verdade era que ela sequer sabia o motivo de tê-lo escolhido, ela também não estava nada à vontade com o encontro às cegas que Christine lhe arranjou. Laura achava pura tolice, mas sua amiga estava começando a irritar com o discurso de que ela precisava voltar ao jogo. E que não faria nenhum mal se ela acabasse transando naquela noite. Já Laura não tinha tanta certeza disso e ainda havia aquele pequeno receio de que seu acompanhante para a noite não fosse exatamente uma companhia agradável, e não era apenas sobre aparência. Deuses ela não era o tipo de mulher fútil que se relacionava apenas com homens bonitos. Beleza ajudava, mas ela tinha um fraco para pessoas com personalidade cativante. Gente inteligente a excitava.
Afastando o pensamento ela olhou para baixo e alisou o vestido azul que usava, sentindo-se um pouco mais confiante do que em relação ao batom. Parte disso tinha haver com o fato de que suas curvas ainda estavam preservadas para uma mulher próxima dos quarenta. Quando muitas mulheres perto da sua idade começavam a ganhar alguns quilos, ela mantinha a barriga reta e a cintura estreita sem nenhum esforço. Certa de que a avaliação de corpos não era algo agradável, e Laura defendia a liberdade de mulheres ser como elas queriam, ou como simplesmente deveriam ser, ainda havia aquela parte inconsciente e autocrítica que lhe dizia que manter a forma era melhor para ela. De modo que ela era grata aos Deuses por ter um metabolismo bom.
O som da campainha chamou sua atenção e ela respirou fundo antes de descer para conhecer seu acompanhante.
Em frente a porta ela parou, suspirou com uma mão apoiada nas costelas e dando um passo abriu a porta de madeira. A primeira imagem que teve foi de um homem de largos ombros de costas para ela a observar o céu noturno. E lentamente ele se virou ao som da porta se abrindo. Os olhos azuis calmos e um pequeno sorriso no rosto.
- Roslin?
Ao assentir com um pequeno sorriso ela notou que ele a olhou discretamente, o sorriso se abrindo um pouco mais em positivo reconhecimento. Laura sabia que tinha sido aprovada, seria grosseiro em uma outra ocasião, mas ele certamente estava tendo o mesmo problema que ela. Uma ansiedade terrível em saber quem era seu acompanhante. Era como se ele estivesse aliviado por ser ela. E Deuses, ela própria estava aliviada. Aquele homem era um Apollo. Ombros largos, cabelos levemente salpicados de branco, um rosto perfeitamente simétrico apesar de algumas cicatrizes de acne formando sulcos em suas bochechas, Ele era bonito, principalmente naqueles olhos azuis profundos.
- Adama?
- Bill, por favor.
Ela riu, erguendo uma sobrancelha ao dar um passo para trás e permitir a entrada dele. Além da beleza óbvia que Laura notou, ele tinha um excelente gosto. O terno escuro caía perfeitamente em seus ombros. Fechou a porta e de repente ela se sentiu com quinze novamente, ansiosa em seu primeiro encontro.
- Eu não demoro, aceita algo? - indicou o bar a um canto.
- Tome seu tempo, eu posso servir-me de um drink Roslin.
Ela estava a meio caminho de subir as escadas e girou em seu próprio eixo, o lábio inferior preso em seus dentes bem alinhados ambas as mãos indo até a cintura e apertando levemente.
- Se vamos fazer isso você deveria me chamar de Laura.
A forma como ele deu um sorriso torto e moveu brevemente a cabeça confirmando a deixou ansiosa. Laura apontou para as escadas e subiu, sentindo as pernas bambas por tão pouco. Christine tinha razão, Laura precisava voltar ao jogo. Principalmente se havia jogadores como Adama ainda disponíveis.
Ela se olhou no espelho uma última vez decidindo se abster dos óculos, a bolsa em seu ombro continha apenas coisas necessárias. Chaves, documentos, dinheiro, esse tipo de coisas. Calçou os saltos, ergueu as mãos os cachos ruivos dando uma última ajeitada e desceu grata que sua amiga tinha feito uma boa escolha para ela. Laura só esperava que ele fosse bom para a mente tanto quanto era para os olhos.
Ela o encontrou de pé em frente a sua estante de livros, ambrosia em uma mão, um volume na outra. Laura deu um sorriso, ela gostava de homens cultos. A professora dentro dela não a permitia flutuar longe disso. Se aproximou um pouco enquanto ele recolocava o livro no lugar de origem.
- Encontrou algo interessante?
Ele a olhou, de uma forma tão profunda que parecia alcançar sua alma, então tocou a lombada de A Murder on Picon com o indicador e depois de um pequeno gole da ambrosia em seu copo ele diminuiu a distância entre os dois.
- Você tem bom gosto para livros.
- Obrigada, alguns destes eram de minha mãe. Ela lecionou Literatura na Apollo University.
Dando um sorriso que estreitou seus olhos, ela pegou o copo quase vazio da mão dele e terminou a bebida, uma marca de batom surgindo no copo sextavado. Laura de repente estava se sentindo mais interessada neste encontro. Levou o copo para a mesinha de centro, perdendo a forma como ele olhava para suas costas onde o vestido tinha um decote quadrado expondo grande parte de suas costas totalmente lisas, sem nenhum tipo de marca ou imperfeição.
O jantar foi agradável e eles encontraram vários assuntos em comum entre as questões básicas que ditavam o ritual de conhecer alguém novo. Ele contou que havia sido casado, que tinha dois filhos ainda pequenos, Lee e Zak, mas tudo ficou a um nível vago, como se essa informação tivesse saído sem querer e ele só pincelou sobre o assunto. Laura não insistiu, ainda era cedo para ir muito além da superfície e os Deuses sabiam que ela tinha muito o que guardar. Quando ela falou sobre sua família, ainda mais brevemente que ele, Laura agradeceu a empatia que ele exibiu, mudando o assunto. Aquela era uma ferida que devia ser deixada para cicatrizar sozinha. Haveria tempo para detalhes mais profundos, se eles se decidissem levar isso para frente.
E foi uma surpresa quando ele contou que era um Major da Frota Colonial, porque muito diferente de outros militares que ela já conheceu, Bill Adama, apesar de orgulhoso de seu trabalho, não tratava isso como único assunto à mesa. Ele estava aberto a discutir literatura, arte, política. Ele a ouviu, quando ela contou sobre ser professora escolar, nenhum escárnio em sua voz quando ele perguntou se ela gostava do trabalho que ela tinha. E Laura amava lecionar, moldar a mente de um ser humano e o tornar alguém que poderia fazer a diferença no mundo. Laura riu das tolices que ele contou, histórias de brig de um tempo em que ele era um Piloto Viper rebelde.
Depois do jantar eles compraram sorvetes e seguiram caminhando por Kairós Boulevard, a conversa não parecia encontrar nunca um caminho sem saída, eles pareciam velhos amigos. As luzes amareladas refletiram nos cabelos de Laura enquanto seguiam em direção a estátua da divindade que dava nome ao local. A grande criatura alada que se curvava para baixo com uma balança vazia que pendia para um lado em favor do outro. Era como se a expressão severa estivesse atenta a cada mortal que passava sob seu corpo de pedra branca.
Laura parou e Bill avançou alguns passos antes de virar-se para olhar a mulher que tinha uma expressão profunda, como se se de repente estivesse entrado em gnosis. Ele sentiu uma paz estranha na expressão dela, uma calma que irradiava em ondas. Bill nunca foi um crente, mas naqueles segundos ele quase acreditou que Laura era uma deusa. E em seguida uma felicidade genuína tomou conta do delicado rosto dela, a ponta da língua tocando os dentes enquanto ela sorria olhando da grande escultura em direção a ele. Naquele momento ele pensou que ela era a mulher mais bela que viu em toda sua vida. Os cabelos pareciam irradiar calor e os olhos tão verdes eram gentis e parecia conhecer mundos. E então ela se moveu da forma mais elegante e sedutora que ele jamais achou possível alguém ser capaz. Ela lambeu o sorvete e se aproximou.
- Quer compartilhar o que foi isso?
- Eu fiz uma prece a Kairós.
- Hm?
- Para que mais momentos como este se mostrem em minha vida. Você sabe, ele é o Deus da experiência do momento oportuno. E eu vejo este, - ela gesticulou entre eles. - como um momento assertivo. Estou grata por ter aceito esse encontro.
- Então eu preciso agradecer também. Foi o momento perfeito para um homem que precisava de um pouco mais da vida.
Laura sorriu com a declaração tão aberta dele. Era raro um homem que não tinha medo de expressar os sentimentos. Deuses, Bill Adama era um em um milhão. Continuaram a andar, o peito de Laura se enchendo de esperança enquanto o sorvete tinha seu fim. Ela estava lentamente fazendo as pazes com os Deuses. Tinha se sentido abandonada por eles, primeiro quando sua mãe morreu para o câncer de mama, depois quando o resto de sua família foi arrancada dela. Ela sofreu como o inferno, entrando em um ciclo autodestrutivo de bebidas fortes e muita erva. Tudo o que ela queria era não sentir a dor que rasgava seu peito. Nunca foi boa em lidar com perdas. Sua alma tão despedaçada que ela mal tinha forças para as tarefas básicas. Nesse tempo sombrio Christine foi seu bote salvavidas, a única pessoa que conseguiu lidar com aquele seu lado negro a mesma pessoa que de alguma forma a conseguiu resgatar.
Ela ainda tinha altos e baixos, dias horríveis que ela não queria deixar a cama, os olhos inchados de lágrimas que vinham tão silenciosamente quanto iam. Ela aprendeu a lidar com a depressão que podia tirar o melhor de seus dias de um segundo a outro. Bastava um gatilho que a lembrasse de suas tristezas. Um cheiro, uma música, qualquer pequena lembrança.
Mas ali, ao lado daquele homem que conhecia por pouco mais de algumas horas, ela sentia que havia algo mais. Laura se sentiu estranhamente conectada a ele, como se o conhecesse de outra vida. Como se suas almas fossem feitas para se conectar. Parecia certo quando ela o puxou pela mão e se sentou perto de um chafariz.
- Parece que te conheço de outro tempo. - os dedos longos dela tocaram o rosto dele.
- Frak. - a voz dele saiu muito baixa quando ele se inclinou e pegou os lábios dela nos seus.
Bill simplesmente não conseguiu resistir, ele apenas não queria estar interpretando errado aqueles sinais. Foi um beijo tão leve, apenas bocas se tocando, mas ainda assim arrancou dele algo importante. Ao se afastar e ver o sorriso nos lábios, a forma como ela moveu a língua sobre os dela, Bill sabia que isso não era qualquer coisa, havia um poder sobrenatural entre eles.
Nesse encontro, tudo denunciava que podia ser algo grande. A mão dela puxou seu rosto de volta, tão lentamente que pareciam estar na superfície de um maldito buraco negro, onde o tempo desacelerava ao ponto de quase parar. E ele temia que a qualquer momento tudo ficasse estático. A boca dela se abriu e a língua veio primeiro sobre os lábios de Bill, acariciando levemente a pele fina e de repente era como se eles pulassem de um salto para o outro.
Laura sentiu a pele se arrepiar conforme as línguas enlaçadas seguiam em um ritmo antigo e sensual. Ela esteve pensando em como seria beijar Adama, enquanto ele falava sobre seu livro preferido. Homens inteligentes a atraiam como flores a abelhas. Seus poucos relacionamentos foram com homens extremamente cultos. Um professor na sua época de universidade, o secretário de cultura pouco antes da morte de sua mãe. Esses foram os dois únicos relacionamentos realmente significativos, mas ainda assim todos os outros eram homens inteligentes.
Eles se afastaram no beijo e Laura sorriu, feliz, realmente feliz. Isso era um pouco novo, se sentir assim com alguém tão rápido. Porém, se você perguntasse, ela diria que acreditava em almas gêmeas, seres predestinados. Talvez em algum lugar do universo, os nomes deles estivessem escritos para estar juntos. Porque Deuses, nada nunca pareceu tão certo.
- Você disse que está de folga.
- Uhum.
- E quando precisa voltar, para sua Battlestar?
Havia apoiado o rosto no ombro dele, sentindo o calor da pele e o aroma de uma colônia que fazia cócegas em seu nariz. Era confortável. Mais ainda quando a mão dele começou a se mover em padrões aleatórios pouco abaixo de seu ombro esquerdo. Laura não queria se mover, não queria sair do agradável meio abraço no qual havia se colocado.
- Em alguns dias. Por quê?
- Porque de forma alguma eu vou perder a chance de um segundo encontro. - ela sentiu o peito dele sacudir em uma risada. - Ousado demais?
- Não, na verdade eu estava pensando em como perguntar sem parecer um adolescente ansioso.
Laura riu, uma gargalhada que ela tentou conter várias vezes, levando os dedos à boca apenas para novas ondas de riso virem.
- Oh Deuses, eu tenho crises de riso quando fico nervosa. - explicou entre uma onda e outra.
Mas para Adama isso era adorável, Laura Roslin era uma mulher autêntica, ela não estava jogando jogos, apenas sendo quem era. E ele queria mais disso, mais risos, mais conversa e definitivamente mais daqueles beijos. Viu ela secar o canto dos olhos com os dedos e se levantar oferecendo uma mão.
- Eu preciso voltar, tenho um pequeno compromisso amanhã cedo.
- Podemos marcar outro jantar? Sua casa talvez?
- Devo alertá-lo Bill, eu não sou exatamente alguém com talentos culinários.
- Não se preocupe Laura, eu sou.
