NOTAS INICIAS:
Oi, pessoal! Como vão vocês?
Quem me acompanhava no meu antigo Twitter, não se preocupem! Eu acabei fazendo um novo Twitter, se quiserem me seguir é queenofthelab0 (eu estou pouco presente devido a correria da vida, mas eu respondo, mesmo demorando rs).
Bom, para compreender algumas coisas dessa oneshot entre pai e filha é importante que vocês tenham lido Sasuke Shinden: Star Pupil (tem a novel inteiramente traduzida no site da Boruto Explorer) e lido minha oneshot Proteção (minha versão do porquê Sasuke deixou Sarada e Sakura em Konoha e seguiu em missão sozinho) e Destino (minha versão do Sasuke contanto toda a verdade sobre seu passado para a Sarada).
Espero que gostem, e aproveito também para agradecer a Bia por sempre estar betando minhas fanfics! 3 AMIGA, VC É BADASS!
Boa leitura, pessoal! :D
PARTE 1 - Uma lembrança infeliz
Não era tarde da noite ainda, mas já passara da hora usual do jantar. Sasuke havia finalmente chegado de sua recente missão, e por nenhum evento importante ter acontecido durante, não viu necessidade de reportar seu relatório de imediato ao Hokage, preferindo ir direto para casa e deixar seus deveres como shinobi para o dia seguinte.
O ambiente a sua volta estava calmo, e o clima, ameno. Não havia multidões na avenida principal da Vila da Folha devido ao horário, mas ele podia notar que tinha uma quantidade considerável de pessoas em bares locais.
Aproximando-se de uma rua residencial de Konoha, Sasuke teve um lampejo de memória quase que de imediato.
Estou no caminho errado.
Ele estava novamente indo até a rua que o levaria para vários blocos de prédios residenciais, onde sua esposa e filha moravam temporariamente. Porém, desde a sua última missão, a reforma em sua residência original — a que ele construíu quando ele e Sakura voltaram para a Aldeia da Folha — finalmente fora concluída, e agora, sua esposa e filha o aguardavam em seu verdadeiro lar.
Era estranho para Sasuke pensar na casa com um "lar" e o apartamento como algo temporário. Ele nunca se importou com aquele tipo de coisa, pois onde quer que Sakura e Sarada estivessem, lhe seria o verdadeiro lar.
Talvez, o apego emocional que ele tinha com a casa fosse suficiente para ele sentir-se feliz em entrar novamente na residência. Não fora uma casa comprada pronta, fora uma casa que ele planejou toda a construção. Fora a única casa que ele havia mostrado a Sakura quando chegaram na Vila da Folha, pois a mesma, havia se apaixonado de primeira pela residência alegando que parecia ter sido feita especialmente para eles.
Sasuke, por sua vez, nunca contou que o planejamento da casa fora feita inteiramente por ele. Ele preferiu ficar calado, e apenas ter dito que a hipoteca da casa seria baixa, e em pouquíssimos anos, com o salário de ambos, eles poderiam quitar a casa.
Havia coisas que ele preferia guardar para si, pois era ainda aconchegante saber que a esposa gostava de coisas que ele também gostava — sem ela sonhar que ele estava por trás.
Aproximando-se da residência recém-reformada, Sasuke sentiu uma aura quente e convidativa ao seu redor. Ver a parte da frente fez o sentir-se como há 9 anos atrás. Nada havia mudado, pelo menos não na parte exterior da casa. Sasuke viu-se ansioso para ver o interior da casa.
No momento em que tocou a maçaneta da porta, notou que somente um chakra estava presente. Sasuke franziu o cenho no mesmo instante. Somente uma emergência no Hospital manteria Sakura no ambiente de trabalho àquela hora, pois desde que a esposa havia assumido o cargo de Diretora do Hospital de Konoha, seus plantões haviam sido transferidos para outros médicos, e com isso, ela podia focar mais em suas pesquisas e projetos financiadas pelo País do Fogo, junto com seus deveres administrativos.
Notando o único chakra no segundo andar da casa, Sasuke preferiu apenas usar a janela do quarto principal.
Ele não se lembrava onde Sakura havia escondido as chaves dele.
"Talvez seguir pelo caminho Tokan seja a melhor solução", Sarada murmurou para si mesma, circulando lugares específicos do mapa em sua mesa de estudo.
Ela estava ansiosamente aguardando pelo dia seguinte, o dia em que ela realizaria sua primeira missão como Chunin. Sem quase segurar a emoção no peito, Sarada havia agradecido várias vezes o Sétimo Hokage pela grande oportunidade, e dito que não o decepcionaria.
Não era uma missão perigosa, era apenas uma missão diplomática. Uma missão que seus amigos haviam reclamado de ser completamente tediosa e sem graça, mas que para Sarada, era sua chance de mostrar ao Hokage do que era capaz.
"Um Hokage deve sempre manter a diplomacia entre as nações pelo bem maior".
Ela lembrava das palavras de Shino Aburame, seu sensei durante sua formação na Academia Ninja. Ela jamais esqueceu-se daquelas palavras uma vez ouvidas.
Sarada havia sido escolhida pelo Hokage para acompanhar a abertura da Grande Corrida da Paz no País dos Rios, um evento anual e considerado típico no país desde a última Grande Guerra Mundial Ninja. Como costume, um membro era escolhido a dedo pelo Kage de cada País Ninja para estar presente na abertura, e ser responsável de cuidar da integridade dos jogadores que representavam o país de origem. Os jogadores eram obrigatoriamente não-ninjas, para manter a corrida justa.
Claro que, Sarada sabia dos riscos de atravessar a fronteira do Fogo até o País dos Rios. Havia lugares perigosos, mesmo com boa parte da fronteira protegida por ninjas de elite da Folha. Havia pequenos vilarejos no País dos Rios que não estavam por dentro de toda tecnologia ou notícias do mundo afora, muitos sendo contra toda a política shinobi que os países integravam. Os Kages respeitavam as diferenças desses vilarejos, mas nem sempre era possível ficar de olho em todo povoado que mostrava-se contra suas políticas.
Como futura Hokage, Sarada não podia ignorar esses problemas externos, e ela sempre se perguntava "Como posso mudar isso? Como posso auxiliar essas pessoas? Como o Sétimo lida com isso?".
Sarada cada vez mais compreendia que ser Hokage não era somente ser o mais forte e respeitável da aldeia.
Era ter coragem de tomar decisões difíceis.
—Toc Toc
"Hm?!", Sarada virou-se assustada para sua porta, completamente alheia ao seu redor, não notando um chakra familiar dentro de sua própria casa.
Vendo a fresta da porta abrindo-se lentamente, Sarada notou o rosto familiar de seu pai, e de imediato, abriu um largo sorriso para o mesmo.
"Papa! Você voltou!", ela disse, esquecendo-se completamente de seus devaneios e sua missão iminente.
"Estou em casa", Sasuke respondeu baixo, o rosto calmo e escondido por conta da luz apagada do corredor — mas mesmo assim, Sarada conseguia ver um pequeno sorriso no canto de sua boca.
Vendo que ele não se mexeria de onde estava, Sarada logo o convidou para entrar com um maneio de cabeça — notando que o mesmo olhava para seu quarto com curiosidade, e ela sabia exatamente o motivo.
Seu pai nunca havia entrado em seu quarto antes — pelo menos, que ela soubesse.
Seu quarto no apartamento era pequeno, e Sarada pouco ficava dentro do mesmo. Ela não considerava muito o apartamento sua casa, ela só desejava que a reforma em sua residência antiga ficasse pronta logo. Apesar da tristeza de não ter tido o pai presente em sua infância, Sarada tinha boas memórias na casa, e não queria perdê-las. Seu pai já havia entrado em seu quarto do apartamento, mas nunca o viu olhar o redor com tanta curiosidade como olhava naquele momento.
Talvez porquê Sarada realmente expunha toda sua personalidade em seu quarto — enquanto no apartamento, suas coisas viviam dentro de caixas de papelão, apenas esperando para serem arrumadas.
Com seu jeito enigmático, ela viu o pai passar o olho por todo o seu quarto, e então sentar-se em sua cama. Ele não usava sua grandiosa capa, provavelmente a pendurara em algum lugar. Sarada gostava de ver o pai completamente aberto dentro de casa, ele parecia sempre a vontade em sua residência.
"O que está fazendo?", para sua surpresa, fora ele a puxar assunto. Sarada sorriu orgulhosa ao respondê-lo.
"Estou planejando minha rota para amanhã. Quero chegar na Vila dos Artesãos o mais cedo possível".
"Ahhh", Sasuke ficou pensativo por um momento, ignorando o olhar de Sarada e focando em um objeto em particular em cima de sua cama, mas continuou, "Está designada para uma missão?".
"Sim", ela respondeu alegre, "O Hokage-sama confiou essa missão a mim, como minha primeira missão como Chunin. E sozinha!", ela não conseguia evitar sorrir de orelha a orelha com tal afirmação.
Sasuke não conseguiu não sorrir de volta, completamente orgulhoso de sua primogênita. Porém, um lampejo de preocupação não podia ser ignorado em seu interior. Ele sabia que as rotas até a Vila dos Artesãos era perigosa, e muitos rebeldes costumavam armar emboscadas para estrangeiros.
Ele sabia que Sarada era uma Kunoichi formidável, forte e tremendamente talentosa. Ela não havia recebido sua promoção a Chunin após poucas semanas de quando completou 13 anos a toa.
Sasuke sabia que estava sendo exagerado, talvez até paranóico. Mas não conseguia ignorar o desejo de impedir a decisão de Naruto em confiar tal missão solo para Sarada.
Ele não poderia interferir nas decisões do Hokage.
…mas como amigo, ele poderia, não?
Sarada não precisaria saber que ele quem estava envolvido na nova decisão do Hokage.
Porém…
….o sorriso e o orgulho de sua filha eram tão puros e genuínos que ele já se odiava por pensar que com isso seria o indiretamente responsável por tirar-lhe aquilo.
Ele precisava entender que Sarada já não era mais uma garotinha indefesa, mas aquele processo estava sendo doloroso para ele. Ainda mais quando ele possuía gatilhos tão próximos de si para afirmar aquilo.
"Papa?", Sarada chamou sua atenção. Aparentemente, ela havia lhe dito mais coisas, mas ele estava tão absorto em seus pensamentos que não notou.
"Hm?"
"Eu perguntei se estava com fome. Mamãe precisou sair em uma missão para o País da Areia, e volta somente daqui uns 3 dias. Eu deixei uma mensagem no e-mail dela avisando que sairei amanhã, mas provavelmente, voltaremos no mesmo dia".
"Ah…", então era daquilo que se tratava a última carta de Sakura.
"…talvez eu vá ver a situação de Suna em algumas semanas, mas será coisa rápida — mudando de assunto, você precisa ver a plantação aqui em casa, comprei um…"
"Às vezes eu nunca sei dizer se o senhor presta a atenção em mim ou não", apesar das palavras duras, o tom de voz de Sarada era divertido, "Parece que você sempre está pensando em outra coisa...".
"E estou", ele confirmou à filha, quase que envergonhado por não conseguir pensar em nada para desmenti-la.
"Ah, é? Posso saber em que?", ela quis saber, completamente curiosa com o que poderia tirar o pai tão facilmente do mundo real.
Olhando fixamente para o objetivo que chamou sua atenção desde o momento em que adentrara ao quarto da filha, Sasuke esticou o braço até o outro canto da cama de Sarada e pegou uma pelúcia velha, cheia de remendos.
Sarada levantou-se da cadeira de sua mesa de estudos e caminhou poucos passos até a cama, e sentou-se ao lado do pai. Seu rosto estava completamente confuso, se perguntando o porquê seu leão de pelúcia captara a atenção do homem a sua frente.
"Você ainda o tem", Sasuke disse após minutos analisando a pelúcia em suas mãos.
O leão parecia ter sofrido uns maus bocados. Um de seus olhos havia sido substituído por um botão de camisa, e todo seu corpo estava remendado com pedaços de tecidos de cores diferentes — parecendo várias cicatrizes.
"Isso?", Sarada perguntou com uma sobrancelha arqueada, olhando seu velho leão de pelúcia nas mãos no pai, "É só uma pelúcia velha, devo ter esquecido de me livrar disso na mudança", ela parecia querer soar com indiferença, mas Sasuke conseguiu perceber um traço diferente em sua voz.
"Se ainda o tem, é porquê significa algo para você", ele tentou entender o motivo dela querer negar a existência da pelúcia ainda em seu quarto.
Sarada achou curioso a observação do pai, e aquilo fez com que uma lembrança amarga viesse a sua mente. Era verdade que o leão de pelúcia possuía um significado oculto, mas o que a irritava no assunto, era que nem ela entendia o motivo de ter doado todos os seus bichos de pelúcia porque não mais brincava com eles, exceto o leão de pelúcia.
Mas Sarada lembrava-se muito bem de um fatídico dia. Um dia que ela sentira tanta angustia que descontara totalmente em seu bicho de pelúcia favorito. Um dia que ficara marcado em sua vida por ter sido a primeira vez que mentira para a própria mãe.
"Eu não sei", ela fora sincera, "Talvez seja o sentimento de culpa por eu ter feito isso com ele", ela confessou, envergonhada.
Sasuke analisou bem o estado da pelúcia. Apesar de todo remendado, ainda estava limpo e com um leve cheiro de lavanda, mostrando que Sarada tinha o cuidado de limpar a pelúcia, como se quisesse que ele durasse.
"Parece bem cuidado", Sasuke observou, ignorando os remendos da pelúcia, e sua falta de olho esquerdo — substituído por um botão. Apesar de tudo, estava apresentável.
"Eu nunca entendi o porquê fiz isso", Sarada retirou a pelúcia da mão do pai delicadamente, observando bem o leão em suas mãos, "Eu só me lembro de sentir raiva, e descontar completamente nele. Eu o amarrei num tronco no meio da floresta, e comecei a arremessar várias shuriken em sua direção. Eu lembro que eu gritava "Mentiroso! Mentiroso!", Sarada riu de maneira sem graça ao lembrar-se daquele dia, "Eu não me lembro porquê dizia aquilo, nem porquê estava com raiva. Eu recebia várias provocações na Academia Ninja nos primeiros dias, mas as coisas pararam com o tempo conforme fui fazendo amizade com a ChoCho, o Inojin, o Shikadai e o Boruto-baka — eles nunca me deixavam sozinha, e sempre me defendiam", Sarada admitiu a vergonha em seus primeiros dias na Academia, dias conturbados onde escondia completamente da mãe o bullying que tanto sofreu por ser uma Uchiha.
Sasuke não gostou nada daquela informação. Parecia que Sarada não tivera somente boas lembranças como ele imaginava que teria. Saber que ela recebia provocações na Academia Ninja trazia uma irritação tremenda. Por que mexeriam com Sarada? Seria ela tímida demais? Ele sabia como algumas crianças podiam ser cruéis, e ter conhecimento que sua filha em algum momento da vida sofreu com aquilo o machucava demais.
"Teve dificuldade de fazer amigos?", ele tentou soar indiferente, mas não sabia se sua irritação estava bem mascarada.
"Nah", ela negou com a cabeça, "Em poucos dias eu fiz amizade com o pessoal. Mas…", Sarada parecia relutante em compartilhar com o pai aquele detalhe.
Ela não sabia o quanto aquela informação o machucaria, dado que ela sabia muito bem de tudo que ele havia passado. Sarada sabia tudo sobre o clã Uchiha e o passado do pai. Há poucos meses atrás o mesmo havia se aberto com ela, contado-a tudo que ela sempre quis saber: a verdade sobre sua família, e o porquê eles eram os únicos Uchiha vivos.
Sarada nunca julgou o pai por seus erros, muito pelo contrário - saber sobre o passado dele fez com que ela o compreendesse ainda mais.
Ela o entendia.
E por entendê-lo, não sabia se compartilhar aquela informação do passado seria pertinente.
"Mexeram com você por ser minha filha?", Sasuke adivinhou sua relutância. Sua voz controlada e rouca — completamente diferente do que ele realmente sentia.
Sarada fez um 'O' com a boca, estupefata com sua conclusão.
Não era sua intenção dizer a verdade, mas não havia como ela enganar o pai como uma vez enganara a mãe.
"Sim", ela confirmou, de cabeça baixa.
"Sakura sabe disso?", ela podia sentir o controle do pai se esvaindo conforme ele mexia a boca.
"Nunca contei a mamãe", Sarada viu quando o pai começara a se alterar, e logo emendou seu raciocínio, "Não queria que mamãe soubesse disso. Eu via o quão triste ela ficava quando eu a interrogava sobre você. Eu sempre queria saber mais, e depois, me arrependia quando via o quão triste a mamãe ficava. Não queria que ela soubesse que mexiam comigo na Academia. De qualquer maneira, não durou muito tempo. Foram só nos primeiros dias", Sasuke não se acalmou com aquilo, na verdade, a relutância de Sarada em guardar aquela informação para si mesma o irritava muito.
Ele sabia que não tinha direito. Ele sabia que fora sua escolha proteger sua família ao assumir sua missão secreta para os Kage. Ele sabia que teria que aceitar o provável destino que teria quando retornasse para casa. Ele sabia que deveria aceitar caso a família não o recebesse de volta, mesmo que sua missão fosse para o bem da mesma. Mas Sakura sempre deixava claro que o esperaria, e Sarada… Sarada tinha somente três anos quando ele havia deixado sua família sob a proteção de Konoha.
"O que diziam para você?", Sasuke demandou — a voz irritada.
"Papa—"
"Sarada, o que diziam para você?", ele insistiu, ávido.
"…", Sarada parecia pensar nas suas próximas palavras, mas vendo que não teria escapatória, decidiu ser sincera, "Que não era justo a filha de um renegado da Vila ser ninja e viver sob o mesmo teto que todos que lutaram com suas vidas na Grande Guerra. Me diziam coisas… que eu não quero me lembrar, por favor", Sarada pediu, levando o rosto, e olhando diretamente nos olhos do pai, "Eu era ignorante e alheia a todas essas informações. Eu não podia acreditar quando vários Genin recém-formados começaram a me dizer que eu era filha de um detento da Vila, que meu pai era um traidor. Aquilo não era verdade pra mim. Não era o que a mamãe me dizia. Mas então… um sensei me confirmou o que diziam… e aquilo foi um baque para mim. Eu simplesmente corri para o mais longe possível de todos eles", notando a reação corporal do pai, Sarada resolveu que contar toda a verdade seria o ideal no momento, "Claro que, aquele dia foi o último que mexeram comigo. Quando viram que eu havia desaparecido pela floresta, eu pude ouvir os gritos do Boruto, deixando claro que quem mexesse comigo novamente, ele contaria tudo ao pai dele, que resolveria, pois ele era o Hokage. Nunca mais o sensei se aproximou de mim, nem mesmo os Genin que mexiam comigo. Eu não sei se o Boruto chegou a dizer algo para o Sétimo, mas nunca mais mexeram".
Sasuke parecia estar suando frio com aquelas informações, e Sarada estava completamente desconfortável em ter compartilhado aquela lembrança amarga. Não era algo que ela uma vez pensara em compartilhar, ainda mais para o pai.
Ela não se orgulhava nem nem um pouco de ter de depender de outros para poder se defender. Ela sentia-se fraca.
Inútil.
Apesar do passar dos minutos, a atmosfera do quarto continuava pesada com as recentes informações, e Sarada sentiu a mão do pai pegando novamente o leão de suas mãos.
"E resolveu descontar sua raiva nele?", ele perguntou baixo, como se quisesse entender o motivo do leão ter sofrido as consequências.
"Eu comecei a chorar quando percebi o que tinha feito", Sarada balançou a cabeça, completamente desacreditada com o que tinha feito, "Eu corri até o hospital, e pedi para a mamãe consertá-lo. Quando ele me perguntou o que tinha acontecido, eu menti dizendo que uns garotos do parque o fizeram de alvo. Mamãe queria ir até o parque, mas eu pedi para que ela não fizesse isso, pois eu não me lembrava do rosto dos garotos. Eu estava tão nervosa que mamãe nem percebeu que eu havia mentido para ela. Ela realmente acreditou em mim", Sarada então sustentou o olhar do pai, "Eu nunca havia mentido para a mamãe, até então".
"Você mentiu antes sim", Sasuke a corrigiu de imediato, franzindo o cenho com a negação de Sarada.
"Omitir e mentir são coisas completamente diferentes. Não foi o que já me disse?", Sarada o desafiou com uma sobrancelha arqueada. Vendo que o pai não a responderia, ela soltou um muxoxo.
"Sabe", ela resolveu dar um fim no assunto, "Nunca entendi o motivo de nunca tê-lo doado juntos com minhas outras pelúcias e brinquedos. Mamãe sempre me disse que eu dormia com ele, e sempre tinha preferência por ele. Sempre foi minha pelúcia favorita, mas eu não sei explicar o motivo. Talvez seja só uma daquelas manias bobas de criança", ela analisava o leão remendado na única mão do pai enquanto falava.
"Fico feliz que tenha o guardado", seu pai lhe disse após alguns minutos olhando fixamente para a pelúcia selvagem. Ele parecia ter se acalmado — a postura firme de antes já estava mais relaxada.
"Um leão velho e sem graça? Nem sei porquê ainda o tenho", Sarada respondeu com desdém, não querendo demonstrar mais do que sentia.
"Velho e sem graça? Não foi isso que me disse quando o dei a você", Sasuke respondeu com um tom irônico a voz. Apesar do nervosismo a pouco, a melancolia dominava sua voz ao lembrar-se de quando viu o leão de pelúcia pela primeira vez — na vitrine de uma pequena loja de brinquedos em Kumogakure.
"Hm?", Sarada fez um bico engraçado com a boca.
"Você estava fissurada por leões desde que viu um perto da cabana onde morávamos em Koamgakure", Sasuke disse com o tom nostálgico. Sarada não tinha certeza se era um projeto de sorriso em seu rosto, "Quando voltei de uma pequena missão em Kumo, eu trouxe um leão para você parar de pedir para mim e sua mãe um de estimação", Sasuke riu com a lembrança.
Uma pequena Sarada de vestidinho vermelho e um grande laço também vermelho na cabeça veio a sua mente. A pequena que ele guardou com tantas boas lembranças em sua memória quando precisou deixá-las em Konoha, antes de tudo acontecer.
"Eu…", Sarada parecia estranhamente feliz em saber daquela informação, "Não sabia".
"Claro que não. Você era pequena demais para se lembrar", Sasuke respondeu-a, e em seguida, lhe devolveu o leão de pelúcia, "Mas você adorou o presente", o sorriso satisfeito do pai fez com que Sarada lhe devolvesse um parecido.
Pegando o leão de volta, Sarada deu uma boa olhada em todos os seus remendos. Ela sentia-se feliz por saber que ainda possuía o leão de pelúcia, ainda mais agora ao saber que fora um presente de seu pai.
Sem dúvida, aquele leão continuaria com ela.
Com remendo e tudo.
"Vai doá-lo?", Sasuke perguntou de maneira indiferente — pelo menos tentou se mostrar indiferente — quando viu Sarada se levantar da cama e colocá-lo em cima da mesa de seu computador.
"Nah", ela negou com a cabeça, e retornou a sentar-se ao lado do pai na cama.
"Não precisa tê-lo só pelo o que eu te disse. Você não é mais criança, e eu entendo isso", Sasuke preocupou-se de ter falado algo a mais que mudasse a ideia de Sarada. Sua intenção não era aquela, mesmo admitindo a si mesmo que ficaria chateado se Sarada quisesse se livrar do leão.
"Acho que agora entendo…", talvez, no fundo da minha mente, eu sabia que papai estava ligado ao leão de alguma forma, Sarada pensou extasiada, "É sempre bom guardar algo da infância, faz a gente se lembrar de quem já fomos".
"Acho… que tem razão", Sasuke respondeu relutante, não sabendo exatamente o que pensar ou o que dizer. Olhando para um ponto acima da cabeça de Sarada, notou que já passavam das 23h, e Sarada precisava descansar para sua missão no dia seguinte, "Você precisa descansar se vai acordar cedo para sair amanhã", ele mudou completamente de assunto.
"A missão! Eu já havia me esquecido!", ela parecia assustada, e correu até a mesa para pegar o mapa que tanto estudava, "Preciso só terminar de planejar minha rota".
Algo passou pela mente de Sasuke naquele momento.
Ele não seria enviado tão logo para uma próxima missão.
Sakura não estava na Aldeia.
E Sarada sairia no dia seguinte.
Ele passaria os próximos três dias completamente sozinho.
Se ele não tivesse um Uzumaki o infernizando para treiná-lo, é claro.
Sasuke estava mais do que acostumado com a solidão de seu dia a dia em missões no mundo a fora, mas ficar sozinho em sua aldeia natal não era a mesma coisa. Konoha para ele era motivo de alegria, pois era o onde ele podia estar ao lado de sua esposa e filha. Ele esquecia-se completamente o que era solidão ao lado das mulheres que ele mais amava na vida.
Talvez, aquele seja um momento perfeito para ficar ainda mais tempo ao lado de sua única filha.
"Eu conheço todas essas rotas com a palma de minha mão", Sasuke quebrou o silencio do quarto, notando Sarada rabiscando o mapa em sua mesa.
Ele esperava muito que Sarada gostasse da proposta.
Ele respeitaria se ela quisesse ir sozinha.
Alias, a missão era dela.
Mas… ele não podia negar o quão feliz ele ficaria se ela aceitasse.
"O papa pode me mostrar qual é a mais segura?", Sarada sentiu-se aliviada em saber que teria ajuda. Ela passara horas determinando todas as rotas, e ainda não conseguia determinar qual era a mais rápida e mais segura a se pegar.
"Se quiser… posso pessoalmente lhe mostrar", ele ofereceu, levantando-se e se aproximando da filha em sua mesa de estudo.
Para sua satisfação, Sarada empolgou-se com sua resposta.
"É sério? Você não tem nenhuma missão? Você pode ir comigo?", ela fez uma pergunta em cima da outra, completamente ansiosa com a possibilidade.
"Se não se importar com minha presença, posso acompanhar você em sua missão. O comando é seu, não se preocupe", ele piscou para ela, e o ato inusitado fez com que ela risse em alegria.
Sem pensar, Sarada apenas o abraçou, apertando o rosto em seu peito. Sasuke não demorou muito para aconchegá-la com seu único braço.
"Obrigada, Papa", ela disse em seu peito, remexendo o rosto em doçura.
Sasuke não sabia o que dizer no momento — tamanho amor que sentia com aquele abraço — então apenas continuou abraçado com a pequena figura que ele tanto se prontificava em proteger.
Pois proteger sua esperança…
…era proteger o futuro de sua filha.
"Ei, papa".
"Hm?".
"Trate de acordar cedo, eu não quero me atrasar para a primeira missão que sou líder, shanaroo".
"Eu sempre acordo cedo".
"É só um lembrete", ela respondeu com a cara séria.
Achando adorável o quão sério sua filha estava levando uma simples missão diplomática, Sasuke não podia sentir mais do que orgulho.
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"Sim, senhora".
NOTAS FINAIS:
Espero que tenham gostado! 3
A propósito, se vocês notarem a indireta, sim, terá uma parte 2, e creio que vocês já saibam do que se tratará!
MISSÃO COM PAI E FILHA!
OBS:
A propósito, se há dúvidas quanto a idade de Sarada nos eventos citados nessa PARTE 1, a Sarada aqui entrou na Academia Ninja com 6 anos, ok? Idade que acho compatível com o OVA "O dia que Naruto se tornou Hokage", onde mostra ela, Boruto e outros de sua geração com essa idade aparente.
No meu entendimento, a reunião de Naruto, Sasuke e Sakura com os Kage em Naruto Gaiden ocorreu quando a Sarada tinha 3 anos (o Naruto ainda estava sendo treinado para assumir o lugar do Kakashi, e por isso o Sasuke falou que ele precisava ficar em Konoha para cuidar da aldeia como Hokage, pois logo o posto seria dele, e a missão não tinha prazo para finalizar). Interpretação minha para cruzar e fazer sentido o OVA "O dia que Naruto se tornou Hokage" e também com os eventos do próprio mangá de Boruto.
