INFORMAÇÕES:
Os personagens pertencem à Stephenie Meyer.
Programa fictício inspirado em The Voice e The X Factor.
Nenhuma música é de minha autoria.
Pode contar gatilhos.
Prelúdio
Coloquei o violão preto na capa desgastada e peguei o caderno de composições que meu pai me deu no aniversário do ano passado. No início, Charlie resistiu ao meu sonho de cantar e não fazer faculdade de medicina, só minha mãe apoiava minha escolha. Talvez porque, quando eu tinha oito anos, ela conheceu um cara no posto, largou meu pai e eu em casa, e ganhou o mundo. Ela tinha medo que eu ficasse presa a Forks, mas eu gostava daqui. Hoje em dia ele me acompanha nos shows de talento e audições. Meus pais são completamente diferentes. Renée tem espírito livre, animal, como o verão. Já Charlie é como o inverno, exala calmaria e solidez. E eu, bem, sou os dois. Um eterno e confuso outono.
— Pai, tô indo na Angela ensaiar! — Gritei da escada.
— Não chegue muito tarde. Amanhã saímos às oito. — Ele respondeu da sala de tv.
— Estaremos em casa antes de escurecer.
Angela estava me ajudando com a preparação vocal. Não queria chegar perto do ridículo porque essa era uma chance que eu não poderia deixar escapar. Durante a primeira semana de setembro, a equipe de jurados e produtores do meu programa favorito, Sing, Go!, estarão no meu estado para as audições. Charlie já havia conseguido sua folga de dois dias na delegacia. Ele se sentia responsável por mim, mesmo sabendo que eu sobreviveria em Seattle facilmente. Ter dezoito anos para um policial significa nada. No final das contas, achei bom. Sua iniciativa de me acompanhar, permanecer em Seattle e entrar para torcer por mim, era sua forma de me apoiar. Ele não era muito bom com palavras, era melhor com ações e eu com músicas.
— Não entendo porque você escolheu essa música, se sabe de có e salteado qualquer música da Taylor Swift ou Paramore. — Disse Ângela, segurando o notebook nas pernas. Além de me ajudar a encontrar o tom correto para meu cover, ela ajudou a editar a música que eu usaria de background.
— Porque essa me testa. E é uma das minhas preferidas, dá licença? — Falei com sarcasmo, recebendo um olhar torto.
— Okay, eu também amo Rise Up. Mas, Bella, essa música é arriscada, você sabe, né?
— EI! Que tal um pouco mais de confiança? — Empurrei seu ombro com o peso do meu corpo.
— Não! — Ela me olhou assustada, eu sabia que ela não falava pra me desanimar. Estava preocupada. Como da última vez. Angela era minha melhor amiga desde quando me entendo por gente. Ela, Alice e meu pai eram minha fonte de esperança. — Desculpa, Bells, não é isso. É só que da última vez… — Interrompi.
— Olha, eu tô bem, prometo. — Cruzei os dedos no ar — Não posso me acovardar agora e preciso da sua ajuda.
— Sempre, pra tudo. — Ela largou o aparelho no chão e segurou minha mão. — Sob qualquer circunstância, inseparáveis.
— Sob qualquer circunstância, inseparáveis. — repeti.
Depois de lanchar os biscoitos incríveis da Sra. Weber, voltamos para minha casa. Ela iria comigo e meu pai para a capital. Em casa, depois do jantar, fizemos exercícios para descansar minhas cordas vocais.
Na manhã seguinte, acordei enquanto todos dormiam. Organizei meu violão, meu caderno e minha mala. Ficaríamos em uma pousada de sábado à terça-feira, à espera do meu resultado na audição. Amanhã iria me inscrever e esperar ser chamada para apresentar. Depois sentaremos no chão no aguardo de uma resposta divina. Estava tudo sob controle. Enquanto Charlie levantava, acordei Angela e fiz um café da manhã para todos.
Conseguimos sair no horário planejado, e após quase quatro horas de carro, chegamos ao nosso destino. Seattle era o oposto de Forks, nossa cidade natal. Angela já tinha me dito, porque ela veio no começo do ano para uma feira de profissões na UW*. Era menos horizontal. O pouco verde que compunha a paisagem era ideal. O clima era incrível, eu podia sentir o sol e o vento na minha pele, sem me molhar na chuva constante de Forks. Eu me sentia viva, simplesmente viva.
Nossos quartos eram simples. Um para meu pai e um para nós duas. Enquanto aquecia as cordas do violão em meu dedos, sentada na cama, pude ver Angela gravar algum vídeo na janela do quarto. Nem dez minutos depois seu celular tocou.
— Adivinha? — Perguntou ela, segurando com desleixo o celular.
— Hm, você postou alguma coisa no Instagram? — sorrimos, entendo onde isso ia parar.
— Com certeza. — Gargalhei com a confirmação dos fatos. Só podia ser uma pessoa. Alguém que estivesse ligado nas redes sociais 24 horas por dia.
— Oi, Alice! — Angela atendeu sorrindo. — Dessa vez você se superou, amiga. — Sorriu. Lhe mandei um beijo no ar.
Tentei manter minha atenção no violão e em notas musicais. As horas estavam passando, mas às duas da tarde parecia nunca chegar. Desconcentrei o que fazia quando ouvi Angela perguntar à plenos pulmões para Alice.
— De jeito nenhum! Vocês estão aqui? — Encarei seus olhos que vibravam em mim.
— Angie… — Cochichei.
— Não, eu sei. Ela já tá aqui me encarando, acho que já entendeu. — Disse ela, andando de um lado para o outro do quarto. Eu não podia acreditar nisso. Queria que ela dissesse que tinha um míssil próximo a cair na minha cabeça, menos isso.
— Vou dizer pra ela, relaxe Ali. A gente combina. Amo você também, amiga. — Angela desligou o telefone me encarando. — Mandou um beijo pra você.
— Obrigada. — Não tinha muito o que dizer. — O que ela disse?
— Bom, quando chegou ontem de Nova Iorque, o Sr. e a Sra. Cullen pediram para ela vir pra cá hoje… — Ela me olhava como se eu não precisasse ouvir o resto.
— Fazer o que? — Ela fez cara de deboche para minha ingenuidade repentina. — Diga que ele não veio com ela.
— Ela veio por causa dele. Sabe como os pais deles confiam em Alice, como se ela fosse a mais velha. Então por isso ela não ligou avisando que vinha. Mas quando viu meu vídeo, ligou.
— Angie, ele vai estragar tudo. — Joguei minhas costas na cama, depois de afastar meu violão.
— Não. Você vai arrasar. Levante-se! — Disse segurando minhas mãos. Encarando o chão, levantei. Minha amiga estava ali pra mim, sabendo de todos meus defeitos e fragilidades. Ela me ajudaria no que fosse preciso. Mas agora só conseguia pensar em uma coisa. Ou melhor, em uma pessoa.
— Edward Cullen vai competir. Edward imbecil Cullen. — sussurrei.
*Universidade de Washington
