Aviso: Crepúsculo não me pertence.

Olá! Essa fic faz parte do Back to POSO, parceria do Back to Forks com o Projeto One-Shot Oculta em comemoração ao aniversário da Bella Swan. Confira todas as fics no perfil do POSO — bit (ponto) ly (barra) POSOffnet — Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors. Veja também as AUs e fanarts do projeto nos Twitters /backtoforks_ e /oneshotoculta

Queria deixar aqui um agradecimento especial a GioviSouza que me apoiou durante todo o processo de escrita dessa fanfic e que aturou todos os meus momentos de surto. Obrigada amiga, você é maravilhosa!

Para quem tiver interesse de me acompanhar, meu Twitter é o ACullenPerdida

A inspiração para escrever essa fic foi a trilha sonora de amanhecer parte 1, especificamente a música requiem on water + o trope (tema) gravidez não planejada. Espero que curtam


Requiem on water

Eu jamais seria capaz de esquecer o melhor e pior dia da minha vida! 30 de agosto de 2021, uma segunda-feira ensolarada em Hanover, mas bastante turva na minha vida.

Eu poderia começar a contar sobre o meu dia a partir de como ele começou mais cedo do que devia, quando eu estava completamente desperta antes mesmo do despertador tocar, porém eu prefiro começar pelo final da tarde.

Quatro horas da tarde, o sol de verão ainda estava claro no céu. Marquei com meu noivo de encontrá-lo no parque, no mesmo lugar de sempre: na margem do lago, ao sul do parque, sob a sobra de um enorme carvalho antigo. E quando eu cheguei lá estava ele, calça caqui e camisa branca com as mangas dobradas até o cotovelo, despreocupadamente escorado ao tronco da árvore enquanto mexia no celular, distraído. Meu sorriso foi instantâneo ao percebê-lo ali, Edward era meu porto seguro, eu sabia que nenhuma preocupação prevaleceria por muito tempo quando eu estivesse com ele.

–Oi – Sorri ao me aproximar.

–Oi – Ele devolveu a saudação me dando um beijo na testa e guardando o celular no bolso.

–Está tudo bem? – Perguntei ao notar que ele optou por beijar meu rosto ao invés de meus lábios.

Sua resposta foi apenas um aceno positivo.

–Podemos caminhar um pouco?

Ponderei sobre sua proposta, se deveria aceitá-la ou pedir para conversarmos ali mesmo. Por fim, concluí que seria bom uma caminhada para pensar no que dizer antes de introduzir qualquer tema com ele. Assenti em silêncio e entrelaçamos nossos dedos, como costumávamos fazer, começando a andar em volta do lago no parque quase vazio naquela tarde.

Por alguns minutos andamos em completo silêncio, eu estava presa nos meus pensamentos, calculando qual a melhor forma de abordar o assunto que eu precisava, talvez por isso tenha demorado a perceber que Edward parecia estranho andando ao meu lado. Ele estava tenso, seus movimentos pareciam mecânicos e forçados, como se algo estivesse o preocupando.

–Amor – Chamei puxando sua mão que estava entrelaçada a minha para fazê-lo parar de andar – Está tudo bem?

–Sim, está tudo bem – O tom mecânico também estava presente em sua voz.

–Edward, eu consigo ver que tem algo acontecendo, amor, e eu gostaria que você confiasse em mim para dividir seja lá o que for; eu não quero te pressionar, mas espero que você confie em mim e saiba que eu estou aqui para te ouvir – Falei firme, olhando no fundo de seus olhos, para enfatizar minhas palavras.

Ele me sorriu, mas aquele gesto não refletiu em seus olhos.

–Não vamos estragar nossa caminhada com assuntos chatos, está bem? – Mais uma vez ele tentou sorrir tranquilizador e novamente o sorriso não chegou aos seus olhos – Mais tarde conversamos.

–Eu não quero caminhar, quero saber o que há de errado com você.

Eu precisava saber. Eu tinha questões importantes para tratar com ele e não podia sequer pensar em trazê-las à tona sem saber o que se passava com meu noivo.

–Tem certeza, Bella? Não quero te aborrecer com certos assuntos agora.

–Se tem mesmo algo acontecendo com você eu quero saber o que é. Além do mais eu também tenho algo para falar com você.

–Você pode falar comigo o que quiser – Ele soltou nossas mãos para acariciar meu rosto delicadamente e depois colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

–Você primeiro – Ergui uma sobrancelha para ele em forma de desafio.

–Bella...

–Fale de uma vez! – Demandei.

Ele respirou fundo e fechou os olhos, voltando seu rosto para o céu ensolarado. Era como se ele não quisesse encarar meu rosto ao falar.

–Eu vou embora.

Após ouvi-lo meu cérebro não conseguiu processar a informação. Eu tinha entendido exatamente cada palavra que saiu da boca de Edward, mas de alguma forma elas não estavam fazendo sentido dentro da minha cabeça.

–Como? – Balbuciei com uma voz fraca.

–Estou indo embora – Repetiu antes de abrir os olhos e voltar a encarar meu rosto confuso – Nós estamos tentando ter um recomeço aqui, mas está difícil, você sabe que está difícil. Surgiu uma oportunidade de trabalho em Chicago eu decidi aceitar.

–Chicago, Edward?

–Não estamos em posição de escolher emprego, eu preciso abraçar a oportunidade que me foi dada.

–Nós podemos encontrar outra oportunidade aqui mesmo, na cidade que nós escolhemos para morar – Meu tom era quase de súplica, sentia meus olhos arderem com as lágrimas não derramadas.

–Nós já tentamos, Bella, mas não está acontecendo.

–Nós podemos voltar para casa...

–Aquele fim de mundo? Forks tem muito menos oportunidades para nos oferecer do que Hanover, isso chega a ser ridículo de tão óbvio.

–Como nós vamos para Chicago assim do nada? Nem conhecemos ninguém lá.

–Não, Bella – Ele tornou a fechar os olhos, passando as mãos no rosto – Você não entendeu, eu vou para Chicago, mas não posso levar você comigo.

De repente, um filme começou a se passar na minha cabeça. A primeira cena foi daquela manhã mais cedo, quando acordei mais cedo do que devia, antes do meu despertador tocar, a apreensão e a dúvida me mantiveram bem desperta. A cena seguinte pulou no tempo, para o horário do almoço, quando saí do hospital carregando na bolsa os papeis que com certeza mudaram minha vida pra sempre. O medo ainda era grande dentro de mim, mas uma pequena felicidade começava a tomar seu lugar. Então, a última cena em minha cabeça me levou ao passado num flashback. Foi um mês atrás, quando minha menstruação não veio, a princípio atribuí o atraso ao estresse, na época fazia sentido porque eu estava terminando a faculdade.

–O que? – Consegui balbuciar num fio de voz, por fim.

–Uma grande empresa Chinesa está abrindo filial nos Estados Unidos, em Chicago, e estão contratando pessoas de todos as partes do país para trabalhar nos escritórios, por isso eles estão disponibilizando uns lofts numa espécie de alojamento para os funcionários que não tiverem onde ficar. É onde eu vou morar, pelo menos até arranjar outro lugar melhor, mas eles têm regras e para morar lá eu não posso levar ninguém comigo.

Então eu percebi que ele tinha dito que ia embora, mas eu não estava inclusa nesses planos. Ele partiria me deixando aqui. Novamente minha cabeça começou a girar e nada coerente se formou para que eu pudesse falar.

A consulta desta manhã fora marcada na semana anterior, quando minha menstruação novamente não veio esse mês eu comecei a me questionar se não havia algo de errado com meu corpo, mas de todas as probabilidades que se passaram na minha cabeça, a palavra "positivo" no teste de gravidez era a última opção possível para mim. No entanto, depois da consulta e da espera pelo exame, lá estava aquela maldita palavra no papel do laboratório. Eu estava grávida.

As emoções do dia podiam ter parado por aí, afinal eu precisava de tempo para digeri-las, porém isso não aconteceu. Com o resultado do exame em mãos eu precisava voltar ao consultório da Dra. Senna para pegar algumas orientações. Ela me deu uma lista de recomendações, também receitou algumas vitaminas para que eu pudesse tomar, por fim me levou a outra parte da sua sala para que eu pudesse fazer meu primeiro ultrassom e foi exatamente ali que estava minha segunda surpresa do dia.

Dra. Senna passou o gel sobre a minha barriga e a princípio mexeu nos equipamentos com a expressão séria, enquanto fazia algumas anotações e outras vezes me explicava algumas coisas. Porém, num breve instante sua expressão mudou para algo parecido com surpresa e ela abriu um sorriso. Aquela reação me deixou confusa, mas a doutora logo explicou: como eu já estava com cerca de 2 meses de gestação ela podia ver com clareza duas placentas, o que a mesma traduziu para minha linguagem leiga que eu estava esperando gêmeos e que, apesar de ainda não conseguir visualizar o sexo dos bebês, podia afirmar que não seriam idênticos.

Naquele momento, enquanto eu fitava os olhos verdes de Edward vazios do amor que eu costumava encontrar ali, meu pensamento caiu diretamente para o meu ventre, onde nossos gêmeos estavam, inocentes e alheios ao mundo que os esperava.

–E nós? Nós íamos nos casar daqui um ano... – Questionei ainda em um fio de voz.

–Eu não posso te prender a mim enquanto isso, você estará livre para seguir sua vida enquanto eu estiver seguindo a minha em Chicago.

–Você está terminando comigo?

Eu continuava encarando aquele homem que eu ainda amava com todo meu coração, mas apesar de seu rosto, seu corpo e seu toque ser o mesmo que eu reconhecia desde o ensino médio eu via o vazio no fundo dos seus olhos. Ali não estava mais o amor que eu costumava encontrar, apenas sombras preenchendo o vazio.

–Eu sinto muito, Bella – Ele falou, mas eu não queria ouvi-lo.

–Quando você vai? – Perguntei fria.

–Semana que vem, começo no trabalho segunda.

Automaticamente tirei o anel de noivado que ele me deu, afinal aquilo não fazia mais sentido para nós, coloquei a joia em sua mão e me virei indo embora dali. Ainda o ouvi me chamar, mas não interrompi meu percurso, seja lá o que ele ia me dizer não importava mais.

Uma pequena voz no fundo da minha mente me lembrava que eu deveria contar para ele sobre a gravidez, afinal era seu direito saber, porém ignorei aquele instinto. Eu só queria chegar logo à minha picape velha e me distanciar daquele parque, se não tinha espaço para mim na nova vida de Edward, com certeza ele também não teria nada de bom para oferecer aos nossos filhos e os dois não mereciam crescer carregando aquele fardo de terem sido rejeitados, como eu fui. Com essa determinação segui meu caminho firme até o carro, sem nem ao menos olhar para trás uma última vez.

"Nunca vai faltar nada a vocês, eu prometo, vocês terão todo amor desse mundo" prometi mentalmente aos meus filhos assim que me sentei na cabine da minha picape, me permitindo, pela primeira vez desde que descobri a existência deles, alisar o local onde os dois estavam crescendo.

Ao entrar no meu apartamento naquele fim de tarde, a dor que eu sentia desde a conversa que tivemos no parque ainda parecia que ia rasgar meu peito e, ao fechar a porta atrás de mim, me permiti derramar todas as lágrimas que vinha segurando desde então.

Escorreguei até o chão chorando copiosamente e por alguns minutos me permiti ficar daquela forma. Ainda não conseguia acreditar que Edward tinha me deixado por causa de um emprego. Nem sequer parecia o mesmo homem que, no ensino médio, decidiu mudar todos os planos que tinha feito para vir comigo para Hanover quando eu consegui uma bolsa de estudos em Darthmouth. Será que ele me culpava por não ter seguido os sonhos dele antes?

De onde eu estava conseguia ver todo o apartamento, afinal não era muito grande, e enquanto eu observava o lugar não podia deixar de me perguntar se Edward tinha razão, até certo ponto. Tínhamos nos formado na faculdade no mês anterior, ele em economia, eu em jornalismo. Estávamos procurando emprego desde então, mas não conseguimos nada. Ainda morávamos nos mesmos apartamentos perto do campus que alugamos quando viemos para cá, estávamos cercados de universitários e de nenhuma oportunidade. Eu estava me sustentando com a poupança que tinha feito para a faculdade e não precisei usar devido a bolsa de estudos, porém é obvio que se eu não achasse uma forma de me sustentar logo aquele dinheiro acabaria. E agora, grávida, seria ainda mais difícil conseguir um emprego e o dinheiro se tornava ainda mais curto para mim e para os meus bebês.

Me permiti chorar um pouco mais diante daqueles pensamentos, até que caí no sono, ali mesmo no chão.

Os dias foram passando sem que nada realmente mudasse na minha vida. Eu me levantava todos os dias, me alimentava, tomava as vitaminas que a Dra. Senna tinha me receitado e pensava se meus bebês estavam bem. Tudo que eu fazia era por eles, mas não via nada mudar. Cada dia mais eu me afundava em tristeza e não fazia mais nada da minha vida.

No dia 13 de setembro chegou meu aniversário. Minha família me ligou para desejar felicidades e me dizer que queria que eu estivesse com eles, para eles eu ainda estava com Edward, não tinha contado sobre nosso término para ninguém, mas pensar que eu estava passando o meu aniversário sozinha e triste por ter mantido as coisas daquele jeito me trouxe de volta para a realidade. Edward não ia voltar, as coisas não iam se ajeitar, e eu estava perdendo de estar ao lado de quem me apoiaria de verdade.

Por isso, no dia seguinte mesmo procurei o corretor para interromper meu contrato de aluguel. Embalei meus poucos itens pessoais, já que a mobília pertencia ao apartamento, coloquei tudo na carroceria da minha picape e parti de volta para Washington. Eu demoraria alguns dias para chegar, mas tinha o suficiente para algumas paradas no caminho para comer e dormir em algum lugar.

Não avisei a ninguém que estava voltando, preferia explicar tudo que tinha acontecido pessoalmente. Meu pai era policial aposentado, a esposa dele, Sue, era dona de casa e meu meio-irmão, Seth, tinha 14 anos e estava começando o ensino médio; por isso, deduzi que não seria difícil encontrar alguém em casa no horário que eu cheguei, no final da tarde de sexta.

Como eu imaginava, estavam todos em casa, até mesmo a filha da minha madrasta, Leah. Ela era dois anos mais velha que eu e saiu de casa primeiro para fazer faculdade, porém tinha estudado mais perto de casa, em Seattle, e depois da formatura voltou para trabalhar na única clínica veterinária de Forks, por isso não era raro encontrá-la visitando a mãe na nossa antiga casa.

Obviamente todos foram pegos de surpresa com a minha chegada e depois que eu contei tudo que tinha acontecido achei que meu pai fosse explodir de tanto ódio. Foi extremamente difícil evitar que ele saísse de casa para ir atrás da família Cullen e descobrir à força o paradeiro de Edward, porém eu o convenci de que manter distância de todos eles era o melhor a se fazer.

Forks era muito pequena e seria difícil evitar o encontro com os parentes de Edward que moravam todos na cidade, mas eu tinha um plano. Primeiro, eu não poderia frequentar o hospital da cidade, onde o pai dele era médico e diretor. Eu daria continuidade ao meu pré-natal em Seattle, com a dra. Zafrina, que fora uma indicação da própria dra. Senna quando eu lhe falei que estaria de mudança pra Washington. Segundo, teria que evitar ao máximo sair de casa, o que não seria exatamente difícil quando eu não tinha vontade de ir a lugar nenhum.

Com o passar do tempo foi fácil ir me adaptando. Eu estava um pouco ansiosa de depender da pequena aposentadoria do meu pai e nessa questão Sue foi super prestativa. Ela era uma cozinheira incrível e para resolver meu problema de dinheiro ela concordou em abrir junto comigo um negócio de entrega de marmitas. Eu não cozinhava tão bem quanto ela, mas ia muito bem como ajudante, e o trabalho não era dos piores, eu até que me divertia.

Com a divulgação do nosso negócio de entrega de almoço rapidamente toda a cidade já estava sabendo que a filha do antigo chefe de polícia tinha voltado para casa, e não demorou para a notícia chegar nos Cullen. Alice, irmã de Edward, me ligou diversas vezes, mas eu me recusava a atender. Doía um pouco me afastar dela, além de cunhada ela costumava ser uma das minhas melhores amigas, mas se eu queria manter meus filhos em segredo, não poderia manter contato com a família do pai deles.

Cerca de um mês depois da minha chegada, Esme, minha ex-sogra, também tentou entrar em contato comigo, indo bater diretamente na porta da casa do meu pai. Por sorte, Sue que atendeu a porta, naquela época a pequena protuberância na minha barriga já era notável, por isso eu apenas pedi a minha madrasta que respondesse à visita que eu não queria falar com ninguém. Depois disso nenhum deles voltou a insistir em me procurar, e foi melhor assim, apesar de eu ainda gostar muito de todos os Cullens.

Com a chegada do quarto mês de gestação eu finalmente conseguiria ver o sexo dos meus bebês e eu estava extremamente ansiosa para aquela consulta. Papai e Sue, como no mês anterior, se ofereceram para ir comigo até minha nova médica em Seattle, porém eu preferia fazer aquilo sozinha, precisava vestir minhas calças de menina grande e sair de baixo das asas dos pais.

No entanto, papai não queria que eu enfrentasse a viagem de quase 4 horas dirigindo sozinha e, para não discutir com ele, concordei em pegar um ônibus até Port Angeles e depois um trem até Seattle. Além do mais minha picape velha não era mais tão confiável, eu passei por alguns sustos na mudança de Hanover para Forks e seria bom evitar enfrentá-los de novo.

Desse modo, a viagem se tornava ainda mais longa, e também ociosa, eu teria bastante tempo livre dentro do transporte. Confesso que nada ida não foi tão ruim assim, por ter saído de casa muito cedo dormi a maior parte do trajeto, tanto que quase perdi o ponto que ia descer. Mas a volta foi uma história completamente diferente.

A dra. Zafrina começou a consulta me fazendo as perguntas padrão e anotando em sua ficha antes de me levar para o ultrassom e, quando começou a movimentar seu aparelhinho sobre a minha barriga, levou um tempo para conseguir identificar o sexo dos bebês, segundo ela os dois estavam de costas ou algo assim, por isso não dava para ver com clareza. No entanto, meus filhos decidiram colaborar comigo e, durante o exame, mudaram de posição o que ajudou a vê-los. O primeiro, a doutora me informou, seria um menino, obviamente chorei emocionada no instante em que a imagem de um garotinho se formou na minha cabeça, então ela movimentou mais um pouco o equipamento e me informou o sexo do segundo bebê: uma menina. Eu não conseguia parar de chorar com a emoção pensando que teria um menino e uma menina, até o momento em que ela encerrou a nossa consulta, reforçando os cuidados com a alimentação que eu deveria ter, eu ainda não tinha conseguido controlar minhas emoções por completo.

Enquanto caminhava até o ponto onde eu pegaria o trem de volta para Port Angeles parecia que meus pés nem tocavam o chão, eu me sentia flutuando de tanta felicidade. No momento que embarquei no trem, comecei a fazer planos para os meus bebês, imaginei como eles seriam, seus rostinhos, se seriam parecidos ou completamente diferentes. Então fiquei triste quando imaginei a influência de Edward em suas aparências. Eles com certeza seriam lindos se fossem parecidos com o pai, infelizmente não o conheceriam para saber disso.

Uma pontada de raiva cresceu no meu peito, eu queria que meus filhos pudessem ter o nome do pai na identidade, não era justo negar aquela informação a eles. Então algo me ocorreu: um deles poderia ter o nome do pai nos documentos. Bom, não exatamente no campo certo, mas nada me impedia de chamar meu garoto de Edward Anthony.

Sorri satisfeita com minha decisão. Ele teria o mesmo nome do pai, eu poderia contar para os gêmeos quem foi o primeiro Edward Anthony e, quando eles quisessem procurá-lo, eu não iria impedi-los.

O nome do meu garoto estava decidido. Eu não precisava de mais tempo para pensar sobre isso, Edward Anthony era um nome lindo, além do significado que tinha. Então comecei a pensar sobre minha menininha. Seria justo com ela lhe oferecer um pouco da sua história, assim como faria com seu irmão.

Minha primeira dúvida era como eu poderia homenagear a história da minha filha no nome dela, eu precisava pensar quais informações que ela não teria em seus documentos e como eu poderia traduzi-las em seu nome. Então, num estalo, percebi o que estaria faltando: o nome dos avós.

Ela deveria então se chamar Esme? Era um nome lindo, Esme Swan, mas eu não parecia certo, não ainda. Além disso, havia algo a mais martelando na minha cabeça. Minha mãe, sua outra avó, não seria presente na vida deles também, então eu deveria incluir o nome dela nas opções?

Felizmente, a viagem de volta de Seattle até Forks era realmente longa, e eu teria bastante tempo para pensar nos nomes. Será que ela deveria se chamar Esme Renée Swan? Não, com certeza não. Renée Esme Swan? Melhor, mas ainda não parecia certo. Também faltava o nome do avô, eu queria alguma forma de incluí-lo naquela homenagem. Então comecei a misturar os nomes, brincando com as possibilidades para conseguir algo criativo e único, que fosse forte o suficiente para nomear minha menina.

Durante todas as horas da viagem de volta para casa minha mente vagou em torno das possibilidades, de modo que, quando cheguei de volta em casa, finalmente um nome se sobressaía dentre as opções. Renesmee Carlie Swan. A combinação perfeita entre os nomes das avós e dos avôs.

Quando eu tomei a decisão quanto ao nome dos meus filhos achei que aquela era a única ligação que eles teriam com a família paterna, mas é claro que com minha sorte eu estava enganada.

Com a chegada do mês de dezembro eu e Sue começamos a planejar como seria nosso natal, era a primeira vez que eu passaria em Forks depois de muito tempo. Quando estava na faculdade era difícil conseguir voltar para casa no breve feriado de fim de ano, por isso nos últimos anos Edward e eu passamos sozinhos em Hanover e lembrar disso me deixava um pouco triste, porém eu não iria deixar esse sentimento estragar a festa da minha família.

Logo no início do mês, minha madrasta me levou para fazer as compras da ceia. Ela gostava de antecipar essa tarefa para aproveitar promoções e encontrar produtos de melhor qualidade, segundo ela quanto mais próximo do natal menos opções têm nos supermercados. Eu nunca tinha comprado itens para uma ceia, nosso natal na faculdade consistia em pizza e cerveja no sofá da sala enquanto assistíamos filmes, mas até que era divertido pensar em todas as receitas que poderíamos fazer.

–Sue, você pode fazer aquela salada que eu amava quando era adolescente?

Nós tínhamos acabado de fazer as compras e levávamos as sacolas até o meu carro no estacionamento.

–Ah querida, você deveria ter lembrado dela antes, eu não peguei os figos que precisa para essa receita. Charlie e Leah não dessa salada, por isso eu nunca mais a fiz.

–Tudo bem, eu volto lá dentro rapidinho e compro os figos.

Entreguei a chave da picape a ela para que pudesse guardar o restante das compras, mas no instante que eu me virei para voltar ao interior do supermercado vi a figura conhecida passando a alguns metros de distância. Ela estava longe e não olhava na minha direção, mas Alice Cullen era inconfundível, com sua pequena estatura e os cabelos curtos repicados que tinha adotado no último ano.

–Pensando bem, eu posso ficar sem a salada – Voltei a me virar para o estacionamento e segui apressada para onde tinha deixado meu carro.

–O que aconteceu, querida? – Sue não estava entendendo nada.

–Alice.

Não precisei dizer mais nada para que minha madrasta compreendesse o que tinha acontecido e acompanhasse meu passo.

–Bella? Bella! – Ainda ouvi a voz de sino chamando meu nome ao longe quando chegamos à picape, mas fingi que não ouvi e não me virei, entrando apressada no assento do motorista enquanto Sue guardava as sacolas na carroceria.

Respirei aliviada quando arranquei com o carro do estacionamento sem que Alice conseguisse me alcançar, se ela só tinha me visto de costas meu segredo ainda estava seguro.

Por alguns dias eu realmente acreditei que minha gravidez não tinha sido descoberta, Alice não voltou a me procurar e eu relaxei voltando à minha rotina normal. Mas é claro que mais uma vez eu estava enganada.

Na época do natal minha família costumava fazer serviços voluntários junto ao grupo da igreja local. Em outros tempos eu também me envolvia nesses projetos, mas foi na igreja, entregando agasalhos a moradores de rua, que eu conheci Edward e no momento eu estava evitando qualquer atividade que nós dois costumávamos fazer juntos, as lembranças me machucavam mais que o normal. Por isso, quando papai, Sue e Seth me convidaram para acompanhá-los eu lhes disse que preferia ficar em casa, descansando.

Assim que minha família saiu, a campainha de casa tocou. Não estávamos esperando ninguém, mas Forks era uma cidade pequena e no natal era normal receber visitas inesperadas. Podia ser o coral da igreja cantando na nossa porta para pedir doações, podia ser algum vizinho nos dando alguma comida, o que era altamente comum – Sue mesmo estava planejando fazer tortas de maçã para todos os vizinhos da rua no dia seguinte – podia ser até mesmo o pequeno grupo de escoteiras da cidade vendendo biscoitos para conseguir fundos.

Me levantei com certa dificuldade, estava cada vez mais difícil me locomover com todo aquele peso extra, mas quem quer que estivesse na porta não tinha culpa de ter me encontrado sozinha em casa, então eu precisava fazer aquilo. Porém, no instante que abri a porta, pensei que teria sido melhor fingir que não estava. Se eu esperava ver ali vizinhos com guloseimas, criancinhas fardadas ou um coral e suas músicas alegrinhas, meu susto foi enorme ao encontrar na verdade Edward Cullen parado na varanda da minha casa.

Meu primeiro instinto foi me encolher dentro do moletom que eu estava vestindo, moletom que aliás era dele e tinha ficado comigo depois da sua partida, mas óbvio que aquilo era inútil, por mais que a roupa fosse larga eu estava grávida de 6 meses, com dois bebês crescendo dentro de mim. A barriga enorme era a primeira coisa que qualquer um via ao olhar para mim, foi exatamente para onde o olhar dele caiu.

–Edward! – Chamei sua atenção para que ele voltasse a olhar no meu rosto – O que você está fazendo aqui?

–A gente precisa conversar.

–A gente não tem nada o que conversar, não tem mais nada pra ser dito entre nós.

–Você sabe que tem – Novamente o olhar dele se dirigiu ao meu ventre – Posso entrar?

–Não! Aqui você não entra!

–Por favor, Bella, está um gelo aqui fora.

–Exatamente, está congelando, você pode fazer o favor de ir embora para eu poder voltar a fechar a porta?

–Tudo bem se você vai dificultar as coisas eu falo aqui mesmo.

–Eu não estou dificultando nada, Edward, foi você que me deixou, eu só quero continuar minha vida em paz.

–Bella, eu errei, eu sei que eu errei. Eu estou aqui justamente para assumir isso, eu me arrependi cada um dos dias que eu passei longe, eu não parei de pensar em você um minuto sequer. Mas eu tinha um plano, primeiro eu ia me estabilizar em Chicago, então quando eu tivesse uma boa condição financeira, firme no emprego, eu compraria uma casa para nós e então voltaria para implorar, se fosse preciso, que você me perdoasse e me aceitasse de volta.

–Você terminou nosso noivado – Acusei.

–Eu achava que não seria justo com você mantê-la presa a mim enquanto eu não podia estar do seu lado. Se você quisesse seguir sua vida enquanto isso eu não me via no direito de te impedir.

–Em vez disso você me deixou sozinha, grávida e sem nenhuma perspectiva de futuro.

–Eu nunca teria saído do seu lado se soubesse que a gente ia ter um filho.

–Você ficaria comigo somente por obrigação e depois passaria o resto da vida culpando a mim e aos meus filhos por ter frustrado os seus sonhos? Era exatamente isso que eu queria evitar quando mantive a gravidez em segredo.

–Espera, você disse filhos?

Oh droga!

–Sim.

–São gêmeos?

–Sim.

–Oh meu Deus! Dois filhos. Você devia ter me contado, Bella!

–Que diferença isso ia fazer? Um filho, dois filhos, isso não muda nada. Você me disse que sua vida não estava pronta para assumir uma família comigo, não faria diferença nenhuma que você soubesse sobre os dois.

–Pode não fazer diferença para você, mas e para eles? Você vai negar um pai a essas crianças?

Inferno! Ele sabia como tocar justamente no meu ponto fraco. Eu não queria privar meus filhos da convivência do pai e, por mais que achasse que Edward não merecia, eu estaria causando sofrimento também aos meus filhos se os afastassem.

–Eu ia te contar, eventualmente eu ia te contar.

–Quando? – Seu tom era cético.

–No futuro. Eu não pretendia mentir para os meus filhos, ou esconder nada deles, sempre esteve nos meus planos falar para eles sobre você e, quando eles quisessem procurar o pai, eu não iria ser contra. Mas por enquanto nós não precisamos de você e eu não tinha porque te contar nada agora.

–Bella – Ele respirou fundo – Eu não tenho a menor dúvida de que você vai ser incrível pra essas crianças e que nunca vai deixar faltar nada para eles, que você vai ser capaz de amar e cuidar deles como ninguém mais seria – Ele falava calmamente olhando no fundo dos meus olhos – E eu acredito quando você diz que não precisa de mim, mas, por favor, pensa nos nossos filhos. Eles precisam de um pai, tanto quanto eu preciso deles para viver. Por favor, não me tira da vida deles, não precisa fazer isso por mim, eu sei o quanto errei com você e te dou todo o direito de estar magoada comigo, mas faz por eles.

Ele falando daquele jeito derrubava todas as minhas barreiras. É claro que eu faria sempre o que fosse melhor para os meus filhos e, eu precisava admitir, ele tinha um bom ponto, a vida dos gêmeos seria bem menos complicada se já tivessem contato com ele desde bebês. Além disso, tinha aquele olhar verde penetrante me mantendo presa a ele e que me impedia de pensar com clareza.

Suspirei e saí do caminho da porta.

–Entra. Está frio aqui fora.

Edward passou para dentro de casa e eu fechei a porta, voltando a manter o frio fora do ambiente. Quando me virei ele estava olhando ao redor, parecia procurar alguma coisa.

–Minha família saiu – Informei, caso ele quisesse saber.

–Eu sei. Estava lá fora esperando uma oportunidade de conversar que você a sós.

–Somente em Forks alguém consegue vigiar a casa de um policial aposentado sem ser considerado suspeito – Rolei meus olhos.

–Imagino que seu pai queira minha cabeça numa bandeja de prata.

–Você não está errado – Dei um sorriso amargo. Eu nem sei o que Charlie seria capaz de fazer se soubesse que Edward estava na casa dele.

–Eu também não estou muito satisfeito comigo mesmo agora. Se você soubesse como me arrependo das decisões que eu tomei...

–Não quero saber dos seus problemas de consciência.

–Tudo bem, vamos falar apenas sobre as crianças.

–Como você ficou sabendo?

–Minha irmã te viu no supermercado e me ligou esbravejando um monte de coisa que eu não entendi nada, mas quando eu finalmente entendi o que ela estava querendo dizer eu percebi que precisava vir aqui conversar com você pessoalmente.

Droga, Alice! Então ela realmente tinha me visto naquele dia e estragou todos os meus esforços de manter minha gravidez em segredo.

–E agora que você sabe sobre eles, o que pretende fazer?

–Eu quero estar presente

–E como você pensa em fazer isso?

–Eu não sei... Preciso assumir que eu não tinha um plano muito elaborado quando vim até aqui. Mas eu quero estar presente, sempre que eles precisarem, sempre que for possível, eu gostaria que você me chamasse não importa a situação, eu só quero fazer parte da vida dos meus filhos.

–A próxima consulta do pré-natal é no dia 14 de janeiro, à tarde. No hospital de Seattle. Se você estiver mesmo disposto a acompanhar o desenvolvimento dos bebês pode me encontrar direto lá.

–Eu estarei lá – Garantiu.

–Eu sempre quis que de alguma forma você estivesse presente para eles – De repente uma necessidade urgente de confessar a verdade me dominou.

–Como assim?

–Eles não poderiam ter seu sobrenome sem o reconhecimento da paternidade, mas um deles ainda poderia ter seu nome na certidão de nascimento. Edward Anthony Swan, meu EJ, mesmo que oficialmente ele não tenha o Junior no final do nome.

O homem na minha frente parecia paralisado após ouvir a informação. Nos olhos, lágrimas não derramadas começavam a se formar.

–São meninos? – Perguntou com a voz embargada.

–Um menino e uma menina – Confessei.

Se iria deixá-lo fazer parte da vida dos bebês não faria sentido continuar restringindo aquelas informações.

Ele ofegou.

–E você já escolheu os nomes?

–Ah por favor! Não venha me dizer que você quer ter direito a opinar. Até meia hora atrás eu estava sozinha nessa, nada mais justo que eu já saber os nomes dos bebês – Bufei.

–Não, não é isso. É que eu já perdi tanta coisa. Tudo por causa de uma maldita escolha errada que eu fiz e que me arrependo amargamente agora. Nossos filhos já têm nome e eu nem sequer sabia.

–Bom, se o garoto ia ter um pouco da sua história ligada ao nome dele, pensei que a menina pudesse ter um pouco também dos avós. Renée, Esme, Carlisle e Charlie. Renesmee Carlie Swan.

–Oh Bella! – Ele cruzou o espaço entre nós e de repente estava me envolvendo num abraço – Muito obrigado! Obrigado por tudo. Obrigado pelos nossos filhos, por estar me dando essa chance, por pensar em mim e nos meus pais quando eu não merecia isso...

A princípio o abraço dele me pegou de surpresa e me deixou paralisada, porém a medida em que ele ia falando eu me permiti devolver o gesto e abraçá-lo de volta.

Então ele se interrompeu, no meio de seu discurso emocionado e afastou um pouco a cabeça para olhar nos meus olhos. Ficamos algum tempo preso naquele olhar. Mesmo com tudo que tinha mudado entre nós ainda era fácil ler o que tinha naquele olhar. Emoção, saudade, dor, recordações, amor e aceitação. Sobretudo aceitação, que eu sabia que ele também estava vendo nos meus olhos, e foi com aquela aceitação mútua que zeramos o espaço entre nossos lábios e nos beijamos com fervor.

O beijo foi quente, cheio de saudade e, com certeza, intenso. As mãos dele passeavam por toda a extensão das minhas costas, as minhas se emaranhavam nos cabelos da sua nuca, exatamente como eu sempre gostei de fazer. O calor do corpo dele junto ao meu era arrebatador e eu não era capaz de dizer com palavras o quanto senti falta daquilo. Senti meu coração acelerar conforme aprofundávamos nosso contato e os bebês mexiam-se inquietos no meu ventre, mas eu não podia ter me importado menos com aquilo. Estava no meu lugar favorito no mundo, nos braços de Edward.

Mais cedo do que eu gostaria, o ar nos faltou. Nos separamos ofegantes para recuperar o folego e, conforme o oxigênio voltava a circular no meu corpo, os pensamentos coerentes voltaram a agir com clareza. Eu estava me sentindo sozinha e carente, mas também ainda estava muito magoada com tudo o que aconteceu, não podia ceder àquele tipo de tentação que só bagunçaria ainda mais as coisas entre nós.

–Isso foi errado! Vai embora, Edward.

–Bella...

–Vai embora. Meu pai vai chegar logo e eu prefiro explicar primeiro a ele que nós conversamos do que ele te encontre aqui.

Diante daquele argumento ele não tinha como discordar. Com um último olhar transtornado para mim ele saiu, parecendo contrariado.

Obviamente papai não ficou nada feliz quando retornou para casa e eu contei tudo que tinha acontecido em sua ausência. Ele quis imediatamente ir à caça de Edward para tirar satisfações. Foi difícil, mas eu o convenci a não fazer aquilo.

Meu pai tinha medo que eu sofresse de novo, mas eu o convenci que não deixaria Edward voltar a se aproximar de mim, eu também ainda estava muito magoada com ele, nossa trégua era referente apenas aos bebês. E, assim como eu, Charlie só queria o melhor para os meus filhos então, com a maior carranca que eu já tinha visto em alguém, ele aceitou minha decisão sem discutir mais.

Passar o natal com a minha família talvez tenha sido a melhor parte de ter que abandonar minha vida em Hanover e voltar para casa. Logo após terminarmos o café-da-manhã eu e Sue assumimos a cozinha para começar o preparo da ceia. Papai, como mandava muito mal no fogão, ficou responsável por limpar a casa. Seth saiu assim que acordou para ver o namorado, como cada um iria passar a noite de natal com suas respectivas famílias eles queriam aproveitar pelo menos o dia juntos. Leah teve que atender pela manhã na clínica veterinária, mas na hora do almoço ela se juntou a nós na cozinha. Eu tinha que confessar, era divertido ter um dia só de garotas com minha madrasta e minha irmã postiça.

O sol já estava se pondo quando Seth voltou para casa, papai terminou a faxina e Sue, Leah e eu colocamos todos os pratos na nossa pequena mesa de jantar, isso tudo quase ao mesmo tempo. Depois nós 5 partimos para nos arrumar. Era um inferno ter que voltar a brigar pelo banheiro com Seth e Leah, como nos anos da minha adolescência, mas dessa vez eu tinha o argumento de que estava grávida para passar na frente dos dois.

Claro que depois de ser passada para trás na fila do banho, Leah foi a última a ficar pronta, e esperar por ela com fome deixou meu pai e meu irmão bem mal-humorados. Mas obvio que tudo foi resolvido quando fizemos nossa oração e Sue liberou o acesso à comida.

Apesar de ter sido uma reunião simples, somente com minha família, nosso natal tinha sido bem divertido. Na verdade, qualquer conversa envolvendo Seth não era nada menos que animada. Nossa mesa foi bem farta e todos nós comemos até nos empanturrar, por fim estávamos saboreando as sobremesas enquanto ouvíamos Seth falar sobre o namorado, Jacob. As histórias se tornavam ainda melhores com as reações do nosso pai ali do lado, ele era extremamente ciumento conosco e odiava o fato do meu irmão caçula estar namorando.

Para salvar papai do constrangimento total a campainha tocou e o mesmo se propôs a atender mais rápido do que eu achava ser possível.

–O que você está fazendo aqui? – Pelo tom bravo de Charlie eu deduzi que somente uma pessoa poderia estar na nossa porta para ser alvo de todo aquele rancor.

–Eu posso falar com a Bella? – E ao ouvir a voz do visitante confirmei que estava certa.

Levantei com dificuldade, mas o mais rápido que pude, antes que meu pai expulsasse Edward da nossa varanda a pontapés.

–Tudo bem, papai – Toquei seu ombro gentilmente – Eu falo com ele.

Com uma expressão não muito boa, ele se retirou, mas me dirigindo um olhar com um significado muito claro: ele estaria por perto e nos ouvindo, pronto para nos interromper ao menor sinal de que eu precisava de ajuda.

–Você quer entrar? – Perguntei cordialmente.

–Não, não quero ser inconveniente. Eu só vim desejar um feliz natal para você e trazer os presentes dos nossos filhos.

–Não precisava se incomodar.

–Não é incomodo. Eu só queria trazer alguma coisa para as crianças, para não deixar o natal deles passar em branco.

–Fico feliz que você tenha vindo, a sua presença é importante para os dois, mesmo que eles ainda não tenham consciência disso.

–Posso? – Ele estendeu a mão para minha barriga e eu assenti.

Edward acariciou de leve o topo do meu ventre e imediatamente as crianças se moveram lá dentro, como se reconhecessem o toque. Então ele se curvou, deixou dois beijos no volume e sussurrou alguma coisa que eu não entendi. Em seguida, voltou a se endireitar e olhar nos meus olhos.

–Minha mãe queria ter vindo também, mas achei melhor não tumultuar seu natal.

–Obrigada, Edward – Agradeci a ele, não só pelos presentes, mas também por pensar em mim naquele momento.

–Apesar disso mamãe fez questão de mandar presentes pros bebês também. Não só ela mas meu pai e meus irmãos também, todo mundo lá em casa quis mandar alguma coisa para os gêmeos – Ele me mostrou as sacolas que trazia e eu as recebi.

–Obrigada. Agradeça a eles também por mim, por favor. Tenho certeza que Renesmee e EJ vão amar os presentes.

–Feliz natal, Bella.

–Feliz natal, Edward – O abracei.

–Acho que a gente se vê em janeiro, na consulta.

Assenti e ele se despediu, voltando ao seu carro.

Fechei a porta e retornei para a sala de jantar onde minha família ainda estava. Agora todos estavam calados, atentos à minha conversa.

–Vou levar esses presentes lá para cima. Já volto – Disse a eles na expectativa de que o natal voltasse ao normal, que eles voltassem a relaxar e retomassem as conversas amenas.

Eu também precisava de um tempo para me recompor. A presença de Edward ainda mexia muito comigo, e eu não queria deixar isso transparecer quando eu voltasse ao andar inferior da casa.

Decidi abrir os presentes para ganhar mais algum tempo. Todas as sacolas estavam identificadas com os nomes de quem estava presenteando. Optei por começar pela que tinha o nome de Edward.

Dentro dela haviam três caixinhas. A de cima era rosa e assim que abri vi lá dentro uma boneca de pano, com um vestidinho florido rosa e lilás. O presente de Renesmee era lindo, eu já podia até visualizar minha filha em seu berço com aquela boneca.

A segunda caixinha era azul. Ali dentro estava um sapatinho infantil de crochê na cor azul, com a figura de um carrinho colorido costurada em cima. O brinquedo de EJ também era lindo, Edward tinha sido muito atencioso na escolha dos presentes para as crianças. Porém eu não entendi porque tinha mais uma caixa dentro da sacola.

A terceira caixa era branca com um laço prateado, quando a abri a primeira coisa que notei foi o papel dobrado ao meio, repousado cuidadosamente sobre o tecido preto.

"Bella,

Queria poder te dar alguma coisa nesse natal, mas eu sabia que você não aceitaria o presente, não se viesse de mim. Então queria deixar claro que esse presente também será para os nossos filhos, apesar de ser você que vai usar. É uma blusa de grávida, para você vestir enquanto estiver com eles na barriga. Logo, vai servir para eles também e depois você não precisa mais usar. Eu espero que você aceite o presente, eu li na internet que grávidas estão sempre precisando de roupas novas, vai ser útil. Além disso, é de coração e foi a forma que eu encontrei de estar presente para você também neste natal."

Com lágrimas nos olhos após ler aquele pequeno bilhete retirei o celular do meu bolso abrindo no aplicativo de mensagens.

"Obrigada pela blusa, Edward. É linda!"

Agradeci.

"Os outros presentes também. Obrigada, com certeza EJ e Renesmee vão amar."

Completei.

Quando concordei que Edward estivesse presente na vida dos bebês eu não achei que ele fosse realmente comparecer na consulta, mas quando eu cheguei ao hospital de Seattle lá estava ele a minha espera. E esse padrão se repetiu nos dois meses seguintes, ele jamais perdeu uma consulta do pré-natal, sequer se atrasava. Eu me questionava como ele estava fazendo com o trabalho e com as viagens de Chicago até Seattle, mas ele não perguntava sobre mim, eu também não perguntava sobre ele, nos limitávamos a falar assuntos relacionados à gravidez e era melhor assim.

Enquanto nos mantínhamos falando sobre as crianças nossa relação era até amigável e eu preferia mantê-la assim. E naquele acordo silencioso nós convivemos numa paz fria nas poucas vezes que nos encontramos nos meses de janeiro, fevereiro e março para as consultas.

Se em 30 de agosto de 2021 eu conheci a felicidade extrema misturada com a mais pura dor, em 5 de março de 2022 eu conheci o sentimento de pura alegria de um ser humano.

O dia começou cedo para mim, eu mal tinha conseguido dormir com meus bebês inquietos dentro de mim, estava sentindo até um pequeno desconforto no ventre de tanto que eles mexiam. Obviamente papai e Sue ficaram extremamente preocupados quando me encontraram parecendo um zumbi na mesa do café e quando eu expliquei para eles o que estava sentindo os dois triplicaram a atenção que tinham comigo. A cada movimento que eu fazia eles corriam para me amparar e a cada 5 minutos um dos dois perguntava se eu estava bem, eu já estava cansada de afirmar que sim. Seth acordava bem tarde aos sábados e como nosso serviço de entrega de comida só funcionava de segunda a sexta estávamos os 3 desocupados dentro de casa, o que só deixava mais tempo de sobra para eles ficarem preocupados, e eu precisava urgentemente fugir daquilo.

–Sue, não acabou o macarrão e a berinjela das nossas marmitas? – Introduzi o assunto displicentemente quando acabamos de lavar e guardar a louça do café e fomos para a sala assistir TV.

–Bem lembrado, querida. Acho que hoje é um bom dia para ir fazer as compras. Eu aproveito e compro também alguns temperos que também estão acabando.

–Na verdade, Sue, eu ia me oferecer para ir, acho que estou precisando me mexer um pouco, andar vai me fazer bem.

–De jeito nenhum que você vai andar daqui ao supermercado e depois ainda vai voltar carregando as sacolas – Papai esbravejou sentado ao nosso lado.

–Pode ficar tranquilo, papai, eu vou no carro, estou pensando em andar só dentro do supermercado. Circular entre as sessões deve servir para esticar um pouco as pernas...

–Tem certeza que você está bem para isso? – Sue inqueriu – Eu ou seu pai podemos ir no seu lugar.

–Eu estou ótima – Garanti convicta – Só preciso mesmo me mexer um pouco.

Por fim, os dois se convenceram que eu podia ir e, enquanto eu me trocava, minha madrasta preparou uma lista com outros itens que também estavam faltando no nosso negócio e também em casa.

Eu nunca fui fazer a feira tão feliz em toda minha vida. E até que foi uma boa ideia andar nos corredores do supermercado, os bebês estavam muito mais tranquilos enquanto eu fazia as compras.

Estava tudo indo muito bem, exceto pelo fato que eu tinha que me esforçar bastante para equilibrar todo meu peso extra e não cair feio tentando alcançar o frasco de palmitos da prateleira de baixo. Malditos supermercado que sempre colocavam os produtos com melhor preço quase no chão.

–Precisa de ajuda? – Eu não consigo nem mensurar o tamanho do susto que eu tomei ao ouvir a voz de Edward bem ao meu lado.

Ele se abaixou e pegou o frasco de palmitos em conserva com facilidade, colocando nas minhas mãos em seguida.

–O que você está fazendo aqui?

–Compras? – Sua resposta saiu como uma pergunta, como se ele achasse que minha pergunta era idiota.

–Digo, o que você está fazendo aqui em Forks. Você não deveria estar em Chicago agora, trabalhando?

–Ah, eu estou morando aqui agora – Ele coçou a cabeça, como se estivesse envergonhado de confessar aquilo – Desde o natal eu não voltei mais para Chicago, estou morando na casa dos meus pais permanentemente agora.

–E o seu trabalho?

–Eu pedi demissão.

–Como é?

–Eu te falei, não estava feliz trabalhando lá, e depois que eu descobri sobre os nossos filhos eu decidi que não queria ficar muito longe deles. Nem de você – Completou baixinho e eu preferi fingir que não ouvi, pois não sabia como reagir.

–Então você largou seu tão sonhado emprego e agora está morando aqui?

–Eu tive que aprender da pior maneira possível que existem coisas mais importantes que estabilidade financeira.

–Então você não está mais trabalhando e agora mora com seus pais?

–Não, na verdade eu estou trabalhando em Seattle, consegui uma vaga de auxiliar de professor numa escola particular. Não é o trabalho de escritório que eu tinha em Chicago, mas eu até que estou gostando. O salário também nem se compara, mas agora eu tenho outras prioridades e por enquanto está sendo suficiente, talvez no futuro eu faça outros cursos e me candidate a uma vaga de professor principal...

–Ai! – Interrompi o que Edward dizia quando a cólica que senti durante a noite retornou e se tornou insustentável.

Me curvei um pouco para frente e me segurei em seus braços. As pontadas estavam cada vez mais fortes e quase insuportáveis.

–Está tudo bem? – Ele perguntou apreensivo, mas eu não conseguia responder. Apenas neguei com a cabeça, enquanto apertava os olhos com força esperando a dor passar.

Ele me amparou como pôde e eu senti sua mão, a que eu não estava apertando com toda minha força, fazer um carinho gentil nas minhas costas, enquanto ele esperava pacientemente que eu conseguisse me recuperar para explicá-lo o que estava havendo. Então eu senti o liquido quente escorrendo pelas minhas pernas.

A bolsa estourou!

–Edward! – Olhei alarmada para ele somente para encontrar o mesmo choque nos olhos dele – Não está na hora ainda! Eles ainda não estão prontos para nascer.

–Senhor, Senhora, vocês precisam de alguma ajuda? – Um jovem, trajando um colete de treinamento do supermercado se aproximou de nós, notando que alguma coisa estava acontecendo.

–A bolsa dela estourou – Edward explicou.

–O que? – O rapaz, um adolescente para falar a verdade, parecia confuso.

–Nossos filhos estão nascendo!

–Ai. Eu... O-o se-senhor quer que eu chame uma ambulância? – Eu teria rido do desespero do garoto gaguejando se eu não estivesse sentindo tanta dor.

–Não, até eles chegarem aqui vai demorar demais, eu consigo levar ela mais rápido no meu carro. Vocês têm cadeiras de rodas aqui? Não acho que ela consiga andar – Edward continuou a ser o porta-voz da situação.

–Cadeira de rodas, claro.

Então o garoto saiu. Edward me manteve no círculo de seus braços, acariciando minhas costas e me dizendo frases como "vai ficar tudo bem". Por um instante, me permiti ficar grata por ele estar ali comigo.

Não demorou muito e o estagiário voltou trazendo uma daquelas cadeiras de rodas com uma cesta de compras acoplada nela. Os dois me ajudaram a sentar e logo Edward estava me levando em direção ao estacionamento. No corredor do supermercado começava a se formar um aglomerado de curiosos. Ótimo, eu iria me tornar a fofoca de Forks, a mulher que pariu no supermercado. Revirei os olhos internamente.

–Obrigada por estar fazendo isso por mim – Agradeci a ele quando consegui dizer alguma coisa. Àquela altura já avançávamos pelas ruas de Forks a caminho do hospital.

–Você não precisa me agradecer. Eu jamais me perdoaria se algo acontecesse a vocês três – Ele falou com o tom ainda exasperado.

Depois disso um silêncio pesado se instalou dentro do carro.

–Eu vou ligar para o meu pai, pedir para ele me encontrar no hospital – Informei depois de alguns segundos.

–Bella, não acho que a essa altura eu consiga chegar com você até o hospital de Seattle para a dra. Zafrina ver você – Ele falou.

–Tudo bem, nesse momento eu também não tenho nenhuma objeção ao hospital de Forks mesmo.

Novamente o silêncio pesado se instalou entre nós até que eu encontrei meu celular na bolsa e disquei o número de casa.

–Alô – Papai atendeu com sua voz grave depois de dois toques.

–Pai – Percebi como minha voz saiu estrangulada quando uma cólica mais forte me atingiu.

–Bella? Bella, você está bem? – Papai perguntou alarmado antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa.

–Pai, a bolsa estourou quando eu estava no supermercado, os bebês estão nascendo.

–Onde você está, Bella? – Ele praticamente gritou do outro lado da linha – Eu estou indo te buscar agora mesmo.

–Eu estou a caminho do hospital de Forks, você pode me encontrar lá.

–Você está indo para o hospital? Bella, por tudo que é mais sagrado não me diga que você está dirigindo!

–Não papai, Edward está me levando.

–Edward?

–Sim, nós nos encontramos por acaso no supermercado e agora ele está me levando ao hospital. Em poucos minutos estaremos lá.

–Certo, hoje não vou reclamar da presença dele, pelo menos está sendo útil – Papai bufou – Sue está aqui do meu lado, estamos indo para o hospital, encontramos você lá.

–Pai, vocês podem levar as coisas dos bebês? Eu não trouxe nada comigo...

–Claro, Sue já cuidou disso.

–Obrigada, papai.

–Não me dê mais um susto desses, menina.

Ele me repreendeu e, sem mais nenhuma despedida, encerramos a ligação. Nós dois não éramos muito abertos a demonstrações de afeto um com o outro e aquela conversa estava ficando mais piegas do que o normal.

–Papai vai me encontrar no hospital – Informei a Edward quando desliguei a chamada.

Ele não me respondeu, então achei que eu precisava dizer mais alguma coisa.

–Você quer que eu ligue para sua casa? Afinal você estava fazendo as compras e largou tudo para me ajudar...

–Foda-se as compras, Bella! – Seu destempero parece ter pego até ele mesmo de surpresa, tanto que ele tomou uma longa lufada de ar antes de voltar a falar e eu cheguei a me questionar se ele não estava mais desesperado que eu mesma – Mas você poderia, por favor, ligar para a minha mãe e informar o que está acontecendo? Acho que ela gostaria de ficar sabendo do nascimento dos nossos filhos.

–Claro, sem problemas – Assenti e tornei a pegar meu celular.

–Três, meia...

–Pelo amor de Deus, Edward, eu tenho o número da sua mãe na agenda – Foi minha vez de elevar o tom de voz.

–Sinto muito, eu não sabia – Ele me respondeu baixinho.

Encontrei rapidamente o nome de Esme no meu telefone e chamei. Assim como meu pai, ela também não demorou a atender.

–Alô?

–Oi, Esme, aqui é a Bella.

–Oi Bella, aconteceu alguma coisa? – Seu tom doce encheu meus ouvidos e por um instante acalentou minha alma, eu sentia muita falta da presença dela e de todo sentimento bom que isso me trazia.

–Na verdade sim. Eu encontrei com Edward no supermercado e ele está me levando para o hospital agora mesmo.

–Hospital? O que houve?

–Minha bolsa estourou.

–Os bebês estão nascendo? Mas não estava muito cedo para isto?

–Sim, estava, eu só espero que fique tudo bem com eles.

–Vai ficar, minha filha, vamos ter fé. Carlisle está de plantão, vou ligar para ele e pedir para encontrar vocês lá.

–Obrigada, Esme.

–Obrigada você por me ligar, querida. Eu também estou indo direto ao hospital.

–Não precisa...

–Eu faço questão – Ela me interrompeu – Agora eu preciso desligar, ainda tenho que avisar Carlisle.

Quando encerramos a chamada o carro de Edward já entrava na rua do hospital e em poucos instantes ele estacionava de qualquer jeito na frente do enorme prédio, me ajudando a sair com cuidado. Percebi que o pobre coitado parecia atordoado com tudo que vinha acontecendo, talvez até mais do que eu e, por um instante, me permiti me compadecer do seu desespero. Queria poder tranquilizá-lo, mas no momento eu não estava em condições de fazer qualquer coisa por alguém.

No momento que passamos pelas portas automáticas do hospital, um funcionário notou meu estado e me trouxe uma cadeira de rodas para que eu não tivesse que andar.

–A bolsa dela estourou, mas ela ainda está com 8 meses de gestação – Edward informou à recepcionista que rapidamente começou a falar alguma coisa em seu rádio.

–Obrigada, Edward, por ter me trazido até aqui – Falei para ele enquanto a funcionária ainda falava no rádio – Se você já quiser ir eu posso me virar sozinha daqui.

–De jeito nenhum que eu saio do seu lado hoje! – Ele parecia ultrajado.

–Bella! – Carlisle entrou na recepção vindo de alguma outra parte do hospital – Esme me contou o que aconteceu. Venha, eu vou levar você para a sala de exames.

–Eu vou com ela – Edward se prontificou.

–Senhor, você não pode deixar o carro ali – O mesmo funcionário que me trouxe a cadeira de rodas o interrompeu.

–Fique aqui filho, você também tem que preencher a ficha de admissão dela. Depois eu te levo aonde ela estiver.

Meio contrariado Edward concordou e se aproximou novamente do balcão para preencher os papéis, enquanto Carlisle empurrava minha cadeira para dentro do hospital. Logo, uma equipe médica me rodeava, fui levada rapidamente para ser examinada e uma enfermeira me ajudou a substituir minhas roupas pela bata do hospital. Quando eu já estava pronta e alojada num quarto outro médico, que não Carlisle, apareceu para me examinar. Ele não se demorou em sua avaliação, mas seu diagnóstico foi preciso.

–Precisamos fazer uma cesárea – Me informou.

Eu ainda estava muito assustada com tudo que vinha acontecendo neste dia, não estava na hora dos meus bebês virem ao mundo ainda, mas eu só queria que eles ficassem bem. Por isso, assenti meio inerte às palavras do médico e logo toda a equipe estava me levando ao centro cirúrgico e me preparando para o procedimento.

Edward entrou na sala – também todo paramentado como a equipe – no instante em que o médico me explicava sobre a anestesia. Sem dizer nada, ele parou ao meu lado e segurou minha mão direita. Também em silêncio sorri para ele, era bom poder compartilhar aquele momento com o pai dos meus filhos.

Uma espécie de cortina tinha sido colocada ente meu rosto e minha barriga, então eu não poderia ver o que estava acontecendo, por isso mantive meus olhos concentrados na figura de Edward durante todo o procedimento. Ele dividia sua atenção entre meu rosto e o trabalho da equipe médica e sua concentração pacífica me acalmou um pouco. Vez ou outra ele distribuía beijos nos dedos da minha mão que ainda estava entrelaçada à dele, no meu rosto, na minha testa e na minha têmpora. Nunca nos meus lábios, eu sabia que ele estava respeitando a distância que existia entre nós, mas eu estava feliz de poder estar com ele ali.

Então um pequeno choro encheu a sala.

–É uma menina – Alguém informou.

Minha filha tinha nascido. Eu sorria e chorava ao mesmo tempo. Olhei no rosto do homem ao meu lado e encontrei a mesma emoção espelhada ali. Apesar da máscara que ele usava o brilho nos seus olhos entregavam toda sua felicidade.

Uma enfermeira trouxe minha filha para junto do meu rosto para que eu pudesse vê-la e eu nunca pensei que um amor tão forte fosse capaz de existir daquela maneira. Estiquei minha mão esquerda para fazer um leve carinho no rostinho dela, meu peito parecia que ia explodir de tanta felicidade.

–Você é linda – Sussurrei para Renesmee. Minha pequena e doce Renesmee.

–Ela é sim – Edward concordou, seu rosto bem junto ao meu – Obrigado por trazer ela ao mundo, meu amor – E deixou mais um beijo na minha bochecha.

–Nós temos que levá-la para alguns exames agora, srta. Swan – A enfermeira que segurava Renesmee rompeu nossa bolha de felicidade.

–Tchau, meu anjo, logo a mamãe vai estar com você de novo – Acariciei mais uma vez seu rostinho coberto de sangue antes dela ser levada para fora do centro cirúrgico.

Não demorou muito tempo para que o segundo chorinho preenchesse o ambiente.

–Um menino! – Disseram.

Meu pequeno EJ. Edward Junior. Meu garotinho chegava para completar meu mundo.

Assim como fizeram com sua irmã, também o trouxeram para junto do meu rosto, para que eu pudesse vê-lo. Depois de ter visto Renesmee eu duvidava que alguém pudesse alcançar sua beleza, mas ali estava EJ, tão lindo quanto sua gêmea.

–Meu filho! – Exclamei fazendo carinho no rosto dele – Tão lindo...

E assim como fizeram com a minha menina, logo o levaram para fazer alguns exames.

–Obrigada por ter me dado eles – Sorri em direção a Edward.

–Eu que agradeço por compartilhá-los comigo.

Ele deu um último beijo na minha testa antes que eu caísse exausta na inconsciência.