Nota: Decidi traduzir os meus fics de Kuroshitsuji porque sim.

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- Bem. Isso é um pinheiro miseravelmente pequeno.

Cedric abraçou o minúsculo arbusto com muito pouca semelhança a um pinheiro.

- Mas que palavras cruéis, Claudia. O pobrezinho também tem sentimentos.

- Hã hã. - Claudia tentou soar pouco impressionada, mas foi traída pela imagem tola à sua frente: um homem adulto vestido de preto da cabeça aos pés abraçado a um caule de ramos tortos (eram uns ramitos, na verdade), quase sem folhas, no meio de uma funerária.

Na verdade, como nobre, Claudia crescera habituada a ter as mais luxuosas árvores de Natal todos os anos, decoradas com centenas de ornamentos coloridos e reluzentes, uma ostentação de classe social por si só. Quanto a Cedric, bem, não haviam muitas formas de alcançar algo semelhante. Independentemente de toda a riqueza e estatuto que pudesse ter tido noutra vida, agora era tudo menos rico, e a sua funerária não era nenhum hall majestoso cheio de luz e janelas. E os seus recursos natalícios não abundavam neste momento - embora, nesse aspecto, não podia bem ser culpado, já que esse era o cerne da questão.

- Estamos em Outubro - notou Claudia rispidamente.

- Correcto, my Lady - resolveu Cedric com um sorriso.

- Porque queres decorar uma árvore de Natal em Outubro?

- Não disse que queria decorar uma árvore de Natal. É Hallowe'en! Podemos decorar uma árvore de Hallowe'en em vez disso.

Claudia resfolegou, agora com um sorriso maior.

- Muito bem. O que vamos usar para decorar?

Cedric sorriu largamente e pousou o pinheiro delapidado no seu vasinho no chão, apressando-se a reunir os materiais.

Rodeados por enfeites de pequenas caveiras feitas à mão (- Há quanto tempo tens isto planeado? - perguntou Claudia abruptamente ao vê-los e o quão cuidadosamente tinham sido pintados), vários colares de pérolas, quer imitações quer verdadeiros (- Algumas das minhas clientes presentearam-me com estes. Ficaram muito mais elegantes nos seus caixões sem eles - palrou Cedric com um sorriso.), tiras de renda preta de diferentes padrões e larguras (- Mesmo fornecedor, imagino? - perguntou Claudia, um som satisfeito ao aceno de Cedric), e alguns crânios de pássaros, Claudia e Cedric sentaram-se no chão da funerária e começaram lentamente a montar a sua versão pessoal de árvore festiva. Ninguém por perto para os julgar, ninguém para criticar, ninguém para repreender Claudia pelo penteado prático ou por se sentar no chão com o vestido espalhado e amarrotado, nenhum humano para troçar e fugir de Cedric e nenhum Grim Reaper para o proibir de viver.

Chovia lá fora, e as dezenas de velas que iluminavam a funerária faziam as vezes de uma confortável lareira crepitante, transformando isto na sua versão mórbida, maravilhosa, de uma tarde calma e agradável. Sob a luz bruxeleante, apreciaram a obra de arte que tinham construído. Renda preta fazia as vezes de laços, pérolas roxas em vez de fitas e crânios penduradas do ramos sem folhas, uma pitada de teias de aranha aqui e ali, um alfinete ornamentado dos Phantomhive preso no topo.

- Está maravilhosa - disse Cedric em absoluto deleite; bem, na verdade não a via muito bem sem quase pressionar o rosto contra ela, mas sabia que estava linda.

- Nunca tinha decorado uma árvore de Natal - admitiu Claudia, soando incrivelmente satisfeita.

- Lamento informar que ainda não decoraste, Claudia.

- Sim, tens razão. Mas isto é muito mais divertido. - O seu sorriso estava tão claro na voz que Cedric desejou poder vê-lo no rosto dela com a mesma nitidez com que o ouvia e sentia. - Mas não devia ser mais laranja? Sinto que lhe falta laranja, e amarelo.

- Porquê laranja?

- Bem, é Hallowe'en. Jack-o'-Latern. Esse tipo de coisa. São os tons da época, não?

- Hm - Cedric ponderou sobre o assunto por um momento. - Bem, se isto fosse uma árvore de Natal, deveria ser decorada em tons vermelhos e dourados e verdes, mas invertemo-la numa árvore de Hallowe'en, portanto deveriam ser laranjas e prateados e castanhos. Podemos então inverter isso e obtemos o oposto de laranja, roxo, e seguindo essa lógica, obtemos então uma verdadeira e única árvore de Halloween só nossa, my Lady, em toda a sua glória roxa e negra e cor de osso.

Claudia voltou a tentar parecer severa, mas não conseguiu.

- Só tu encontrarias sentido nessa lógica, Cedric.

- Vou tomar isso como um elogio, my Lady.

- Era um elogio.

- Obrigado, Claudia. E eu diria, só tu acharias esta beleza tão maravilhosa quanto eu.

- Vou tomar isso como um elogio também.

- Era um elogio.

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fim

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Obrigado por lerem, se acharem erros por favor digam.

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