Prologo
~~FLASHBACK ON~~
Agosto de 1918 – Chicago, Illinois – USA
EPOV:
"Você já sentiu como se toda a sua vida tivesse lhe preparado para um momento especifico?", ela perguntou, sentada ao meu lado no banco de madeira em frente ao lago Michigan.
Virei para observá-la, fascinado com os fios de cabelo que escapavam de seu coque devido à brisa que o píer de Chicago oferecia. O vestido cor de sangue que usava contrastando com a pouca pele branca como a neve que ficava a mostra, que mesmo escassa de quaisquer tipo de cobertura, parecia de porcelana. O olhar direcionado à calmaria das aguas e o leve sorriso nos lábios indicava o quão à vontade se sentia.
"Como se tudo finalmente tivesse ganhado sentido?", disse, não me preocupando se meu olhar fixo em seu rosto soasse rude aos olhos das pessoas que passavam. Sem dúvida observando curiosos quem era a sorridente senhorita ao lado de Edward Masen.
"Sim, exatamente como isso", ela disse, finalmente me olhando. As bochechas ganhando um tom de vermelho que eu tanto amava. Os olhos fixos nos meus. Algo tão raro para as senhoritas daquela época, porém, tão Bella. Ela não desviava o olhar, e nem aceitava tudo o que lhe era dito sem mais nem menos. Ela era uma mulher de opinião forte, que amava literatura e apesar da péssima coordenação, pintava telas como ninguém.
Logo seu rosto tão delicado foi tomado por uma expressão preocupada. Seu sorriso leve sendo substituído por um olhar triste. Algo raro para a primogênita da família Swan.
"Edward...", ela quebrou, seu lábio tremendo e os olhos lutando para não deixarem escapar lagrimas de medo. "E se... E se não estivermos destinados à ficarmos juntos? E se fugirmos juntos e daqui alguns anos você se arrepender de ter deixado sua família, ter deixado sua... sua noiva?", perguntou. A voz sempre tão altiva e cheia de vida soando triste como nunca visto.
"Bella...", sussurrei desesperado, e não me importando com quem olharia, com o que pensariam e no que poderia causar, estiquei meu braço até que minha mão direita alcançasse a mão dela no meio do banco. Mesmo com a luva, conseguia sentir o calor e a sensação avassaladora que sentia sempre que a tocava. "Bella, não haverá lugar para dúvidas. Nunca existiu e nunca existirá. Não desde o primeiro momento em que você apareceu na minha vida.", disse, silenciosamente implorando para que aquela tristeza em seu olhar fosse embora. "Além disso, não terei como me arrepender de deixar minha noiva, porque estarei fugindo justamente para me casar com ela. Com a verdadeira.", falei, traçando o anel de diamantes em seu dedo anelar.
O anel que eu ganhei de minha mãe para dar à mulher que eu amasse. A mulher que deveria ser minha suposta noiva, Samantha Zoefild. Mas que jamais pertenceria à qualquer outra além de Isabella Marie Swan.
"Eu confio em você, Edward", disse ela, sorrindo, as lagrimas caindo por suas bochechas apenas reação tardia de seu medo. "Eu amo você!".
"Eu também amo você, Bella", disse, entrelaçando os meus dedos aos dela, tentando passar a segurança e a certeza que eu tinha de que ficaríamos bem. "Pra sempre!".
~~FLASHBACK OFF~~
Janeiro de 2007 – Forks, Washington – USA
Eu segurava a única prova que eu tinha de que ela era real. Isso e as memorias, que apesar do que diziam sobre como ao longo dos anos sumiriam, ainda eram vivas e claras em minha mente.
Segurava a pequena imagem em minhas mãos e, como em todas as noites desde que soube que a perdi, imaginei como teria sido nosso casamento. Quantos filhos teríamos tido. Se teríamos tido uma menininha com os olhos de chocolate dela ou um garotinho com os meus olhos verdes. Se teríamos nomeado uma de nossas filhas com o nome de sua avó paterna, Claire. Se teríamos morrido de velhice de mãos dadas numa tarde chuvosa ou a morte teria nos separado de qualquer forma. Não... O destino poderia ter nos separado, mas não daquela forma. Não quando não pude dizer o quanto a amava, ou ter segurado sua mão e ouvido suas últimas palavras.
A fotografia não fazia jus à beleza dela. O pequeno papel que guardei todos esses anos não conseguia retratar de forma exata toda a pureza e alegria que a aquela bela mulher possuía. O pedaço de papel, hoje amarelado e frágil, era a única prova material de que Isabella Swan, meu único amor, realmente existiu.
