Encontros de Líridas

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Naruto (1999) pertence à Massashi Kishimo e Shueisa.

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Prólogo

Missão Rank-S nível genin!

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— Estão dispensados!

Energética e sem nenhuma hesitação, Tsunade pronunciava aquelas palavras como se fossem um decreto absoluto de sua vontade. Sakura ainda queria argumentar, ainda queria fazê-la entender que não era o momento para enviar sua melhor médica numa missão de três meses que poderia ser facilmente realizada por uma equipe de genins, afinal Konoha ainda lidava com as mazelas trazidas com o final da Grande Guerra Ninja, com feridos de todos os lugares do mundo aguardando para serem atendidos enquanto a vila ainda tentava se reerguer do ataque sofrido por Pain alguns meses antes.

A mulher fez aquele bico amuado, mas resolveu se resignar. Quanto mais rápido aceitasse que tinha sido descartada, mais rápido poderia fazer as malas, correr para Kirigakure, recuperar a bugiganga do Senhor Feudal e voltar para casa, local que ela jamais deveria deixar naquele tipo de situação. O problema era que Sakura nunca foi boa em superar esse tipo de adversidade de maneira rápido, ele sabia disso, e a aura raivosa que ela emitia enquanto saiam do escritório central da Hokage era palpável.

Um ninja deve ver através da decepção.

Tinha dito isso em algum momento para o time 7 numa aula qualquer, ou talvez tinha sido apenas para Naruto durante uma simulação de combate. Ele não sabia. Mas a verdade é que Kakashi concordava sumariamente com sua antiga aluna quando ela dizia que não era o momento para enviar dois entre os melhores ninjas disponíveis para uma missão de média duração enquanto Konoha estava lotada com doentes e pessoas de outras vilas, principalmente quando um desses dois ninjas era uma excelente ninja médica.

Tudo bem, Naruto estava na vila e Sasuke também, mas o primeiro estava sofrendo com a adaptação de seu novo braço feito das células de Hashirama, e o outro estava apenas esperando a decisão global de perdão ser protocolada para se mandar pelo mundo sem nenhum rumo aparente. Eles eram os ninjas mais poderosos do mundo, mas deviam se apoiar somente nisso?

Eles caminhavam pelo corredor lado-a-lado, os passos de Sakura eram mais pesados que os dele, mas o ruído da sola emborrachada em contato com o piso de madeira polida ainda era audível o suficiente. Kakashi não ousou ser o primeiro a tentar qualquer tipo de comunicação, afinal ele sabia que com Sakura o melhor era deixar as coisas acontecerem no tempo dela. Isso evitava respostas malcriadas e socos desnecessários, apesar que estes nunca foram deferidos contra ele.

Quando finalmente saíram do prédio, a luz do sol se fazia intensa demais, agredindo o pouco de pele exposta do homem, que levou seu olhar para a moça de maneira discreta. Sakura ainda parecia irritada, mas não tanto quanto antes. Ficaram parados por um segundo e obviamente tinham que negociar um horário para sua partida já que Tsunade tinha sido muito contundente em dizer que eles tinham doze horas para resolverem suas pendencias e se mandarem da vila.

— O portão oeste é mais conveniente, não é?

A voz de Sakura soou numa tentativa de parecer indiferente, mas a irritação ainda estava toda ali. Ele enfiou as mãos nos bolos genuinamente indiferente antes de olhar na direção do portão oeste e depois para a mulher novamente. Era um jeito abrupto de iniciar uma conversa, mas ainda assim eficiente para o que precisavam discutir.

— Sim, é melhor irmos por lá.

— Que horas nos encontramos?

Ele olhou para o céu e deveria ser por volta das três horas da tarde, por aí. Se tinham cerca de 12 horas, eles poderiam sair durante a madrugada, ou atrasar uma hora e sair por volta das quatro para aproveitar a luz do sol ao máximo durante o primeiro período do trajeto.

— Duas da manhã está bom pra você?

— Se sairmos às três em ponto ainda estaremos dentro do horário e podemos dormir uma hora a mais, além disso, às três e meia o sol nasce, vamos aproveitar melhor o trajeto se sairmos às três.

Considerou as palavras dela com orgulho. Sakura era tão compromissada com as regras, mas não de uma maneira obcecada como um dia ele foi. A sua antiga aluna só descumpria regras se fosse absolutamente necessário e Kakashi admirava esse cuidado com o regimento.

— É melhor sairmos às duas.

...

— Você tá planejando seu atraso, não é?

Oh, sim... É verdade. Sakura o conhecia bem demais e devido a todas as missões que já fizeram, era de imaginar que teriam planos parecidos para o início de uma missão que ninguém queria.

Levou uma mão para trás da cabeça coçando seu cabelo como quem acabara de ser pego no flagra. A moça a sua frente cerrou o cenho em seu óbvio descontentamento.

— Tudo bem, nos vemos às três – Ele disse desistindo completamente de tentar discutir com ela.

Por favor, Kakashi-sensei, não vá chegar às 4. – Pediu naquela voz cansada e irritada ao mesmo tempo — Eu gostaria de dormir tanto quanto você. Não, na verdade, eu gostaria de ficar em Konoha tanto quanto você, então apenas tente não deixar tudo mais desconfortável.

Sakura às vezes precisava desabafar, principalmente quando não podia refutar as ordens de sua mestra. Tudo bem, era algo aceitável e ele não se sentiu magoado por ela praticamente dizer que viajar com ele já era um desconforto.

— Yare, yare... – Suspirou — Nos vemos às 3 horas, como combinado, Sakura. – Ele disse enfiando as mãos nos bolsos novamente enquanto lhe dava as costas. Discutir com ela era improdutivo naquele momento.

Se permitiu revirar os olhos com exagero assim que seu antigo professor lhe deu as costas. Duvidava que ele fosse mesmo aparecer às três, mas não podia fazer muita coisa sobre isso. Suspirou ainda com seus sentimentos irritadiços minando todo seu bom senso.

— Ah... Sakura...

Virou-se ao ouvir a voz preguiçosa de seu sensei chamá-la novamente.

— Lembre-se: Estamos indo à um festival, então leve mais roupas casuais e menos armas.

E antes que ela pudesse falar qualquer coisa, o homem continuava seu caminho para além das ruas e pessoas. A mulher revirou os olhos mais uma vez, porque ainda se sentia sendo tratada como uma criança e talvez isso fosse um pouco sua culpa. Ao invés de dizer a ele vamos sair às 3 horas pelo portão oeste, Sakura apenas deixou as coisas no ar como sugestões, afinal, Kakashi era uma figura de autoridade e mais conhecimento.

Ela não podia evitar deixar que ele tomasse certas decisões, mas ser lembrada do que deveria carregar em sua mochila era quase um insulto. Ambos estavam no escritório da Hokage quando foram informados daquela missão ridícula, então ela bem sabia do quê deveria se munir.

Fez seu caminho pela vila pensando no que precisava para a missão. Sua lista mental surgia rapidamente com itens de primeiros socorros, remédios, algumas kunais e shurikens... As lojas em Konoha voltavam a abrir lentamente, compondo um comércio vasto de itens diversos. Olhou para uma vitrine com uma bela yukata azul bebê e pensou que poderia levá-la para o festival, mas no final das contas achou que seria peso demais.

Entrou na floricultura quase por instinto. Ino estava lá com seu avental branco enquanto cortava de maneira precisa o talo de algumas flores que logo iriam compor um lindo buquê. A loira levantou seus olhos azuis brevemente apenas para se certificar de que não estava recebendo nenhum cliente, e voltou sua atenção para o que estava fazendo.

— Sua cara já é feia, mas ela fica especialmente mais feia quando você tá emburrada.

— Oi pra você também, Ino.

O ruído do corte oco dos talos ecoava um por um, contrastando com os passos frenéticos que, distantes, podiam ser ouvidos dali de dentro. Sakura circundou o balcão sem hesitar, eram amigas a tempo suficiente para que tivesse tal liberdade, e apenas se sentou na cadeira vazia antes de deitar sua cabeça no tampo da mesa num gesto quase desolado.

— Você vai mesmo me fazer perguntar o que está acontecendo? – Ino perguntou compenetrada no seu afazer.

Flor por flor era manuseada pelas experientes mãos de Yamanaka Ino, que parecia muito precisa em cada movimento que fazia. Sakura a observava daquela posição deixando seus olhos acompanharem os movimentos da amiga de maneira quase hipnótica.

— Tenho uma missão. – Resmungou — Parto em doze horas para Kirigakure.

— Eh? Deve ser algo muito urgente para Tsunade-sama te deixar sair da vila com aquele hospital superlotado.

— Eu queria muito poder te contar, porque isso está me consumindo – Ela suspirou como se quisesse livrar-se da raiva que subitamente voltava — A única coisa que eu posso dizer é que é uma missão Rank-S que um genin poderia fazer.

Ino arqueou a sobrancelha, parando com seu afazes para olhar Sakura de maneira bem direta.

— Sabe, você pode me contar – Deu os ombros — Eu já aceitei meu cargo como chefe da inteligência, só falta protocolar.

Oh, sim... Depois de tudo, os pais de Ino e Shikamaru haviam falecido por um ataque massivo ao quartel general. Houve luto, dor, e desolamento, mas o tempo não espera. Ino era a única qualificada para assumir o posto do pai dentro de uma das funções mais importantes para o funcionamento da segurança interna de Konoha, e por mais que ela quisesse adiar aquele momento, não havia muita escapatória.

Ela assumiria as responsabilidades do pai com suas funções na vila, no clã, na floricultura... Ino tinha resolvido continuar com o legado de seu pai e fazer jus ao nome Yamanaka.

— Você tá bem? – Sakura perguntou vendo a amiga dar os ombros novamente, colocando uma mão na cintura com seu olhar afiado.

— Porque não estaria? – Respondeu simples e direta.

Sorriram uma para outra de maneira cúmplice. Ino tinha esse jeito mais assertivo como se estivesse pronta para qualquer coisa que pudesse acontecer em sua vida e Sakura se sentia com sorte por ter alguém com esse nível de certeza em sua vida numa época em que a única coisa que fazia era duvidar de si mesmo. Ino era uma inspiração, sem dúvidas.

— Agora apenas me conte suas mazelas – Disse antes de voltar a trabalhar naquelas flores.

— Ahn... Em resumo, eu e Kakashi-sensei fomos escalados para ir à Kirigakure para recuperar um item de valor sentimental do Senhor Feudal do país do Fogo. – Disse de maneira quase polida, não fosse pelo tom de voz com um deboche incutido por trás.

— Não parece uma missão exatamente fácil a ponto de um genin ser capaz de realizar.

— Bem, sim... Mas o que você não sabe é que está tudo armado. O Senhor Feudal se aproveitou da aliança pós-guerra para pedir esse pequeno favor à Tsunade-sama, que entrou em contato com a Mizukage na tentativa de resolver isso sem precisar aplicar recursos maiores. O lance é que esse item está dentro do palácio do Lorde Feudal do país da Água e é algo do qual ele se orgulha bastante de possuir.

— Já entendi – Ino disse com uma voz estranhamente divertida — A Mizukage não pode simplesmente pegar o item porque isso seria um crime contra a própria nação. Poderia ser acusada de conluio na pior das hipóteses. Então ela vai fazer vista grossa para as atividades de vocês em Kirigakure.

— Exatamente. – Sakura confirmou revirando os olhos — Vamos para Kiri com a desculpa de participar de um festival que acontece no próximo mês e durante nossa estadia teremos que recuperar o item sem a menor resistência. – Ela deu uma pausa sentindo-se irritada — Uma missão que um time de genins poderia realizar.

— Não seja exagerada – Ino disse com humor — É uma missão bastante delicada na verdade. Se algo der errado durante a operação isso pode ocasionar uma nova guerra. Estamos em paz, mas paz é algo delicado.

— Ok, então um time de chunins – Sakura resmungou revirando os olhos.

A jounin está se achando boa demais para uma missão?

Sakura revirou os olhos com a provocação da amiga. Tinha subido de patente logo após a guerra por seus feitos notáveis, assim como Shikamaru. De sua geração, apenas eles detinham o status de jounin, sendo que todos sabiam que logo os outros seriam promovidos. Bem, ao menos uma parte deles. Sakura e Shikamaru só foram promovidos de imediato porque não havia o que deliberar diante dos feitos.

Mas nada mudou em sua vida. Ela continuava sendo a mesma médica ninja atolada em trabalho e potencialmente mal-humorada.

Ah, vai te catar... – Resmungou vendo a amiga rir em consequência — Sério, Ino! Não faz sentindo ser mandada numa missão tão longa quando a vila claramente precisa de qualquer esforço médico possível, e como se não bastasse, o futuro Hokage também vai. É um exagero para uma missão tão simples. Um exagero que não deveria ser cometido.

A loira suspirou com humor. Sakura era apenas resmungona às vezes, e isso fazia com que se cegasse para certos detalhes.

— Sakura, Tsunade-sama nunca toma uma decisão arbitrária. Tenho certeza que se ela mandou vocês dois, então as suas habilidades em conjunto são fundamentais para o sucesso da missão.

Fala sério...

— Além disso, você está trabalhando demais naquele hospital. – A outra considerou ignorando os protestos muxoxos da amiga — Desde aquela conversa que você teve com o Sasuke-kun, você se enfurnou no hospital e nunca mais saiu. Tenho certeza que Tsunade-sama notou isso e resolveu tirar você de lá antes que se tornasse parte da mobilha.

Viu a mulher de cabelos cor-de-rosa fazer uma careta amuada, desviando seu olhar para as peônias no canto da loja. Tudo bem que ela não quisesse falar sobre Sasuke e a conversa definitiva que tiveram, e ainda que estivesse bem com o que foi esclarecido, ficava muito claro que a moça ainda estava ajustando as coisas dentro de si. Foram muitos anos dedicados a um sentimento que se mostrou muito diferente do que ela achava que fosse.

Tudo bem ter um tempo de adaptação para encerrar as coisas dentro de si, e Ino não negava a surpresa em ver que Sakura estava passando por esse processo de uma maneira muito fluída e pouco danosa. Não estava triste ou irritada. O que ela demonstrava era mais como um luto solene que estava prestes a acabar, Ino tinha certeza.

— Na verdade, pensando bem, acho que essa missão soa como férias forçadas – E riu do próprio pensamento — Quer dizer, ela precisava de dois ninjas competentes para pegar algo durante um festival no país da Água, e você precisava de férias.

Viu a amiga revirar os olhos.

— Se fosse mesmo férias, então não faz sentido ela mandar Kakashi-sensei comigo – Retrucou — Quer dizer, o que eu e ele faremos juntos durante nossas férias? Seria melhor mandar alguém como você comigo.

— Fico lisonjeada, testuda, mas eu tenho todo o departamento de inteligência para me aventurar, não poderia ir numa missão tão longa e Tsunade-sama sabe disso. – Disse com aquele olhar esperto — Acho que a escolha do Kakashi-sensei ser sua companhia é justamente porque ele irá se tornar o próximo Hokage e vai ficar enfurnado na vila para sempre. Soa como se ela quisesse dar uma oportunidade para ele espairecer antes de assumir um cargo tão definitivo.

Sakura sustentou seu olhar em Ino por um longo momento enquanto as palavras faziam cada vez mais sentindo em sua cabeça. É claro... Tsunade jamais tomaria uma decisão sem pensar em todos os pontos, e tudo que sua amiga estava dizendo parecia ser crível o suficiente para explicar essa decisão de mandar dois dos seus melhores ninjas para fora da vila durante as etapas finais da reconstrução.

Desviou o olhar sentindo que havia sido derrotada, apesar de não concordar com a decisão. Naruto ainda estava em processo de adaptação ao novo braço feito das células de Hashirama, e Sasuke ainda estava esperando a decisão do conselho da Aliança Ninja para ser libertado ou não. Ela queria estar na vila pelos dois – e de forma completamente não romântica – porque se importava com seus companheiros de equipe.

Além disso havia Ino que tinha perdido o pai, Tenten chorosa por conta de Neji, as diversas cirurgias pelas quais Gai-sensei estava passando e Lee, inconsolável, precisava de algum apoio.

Ela queria ficar por todos eles.

Era injusto que logo ela ganhasse férias divertidas em Kirigakure enquanto todos os outros ainda estavam sofrendo pelas coisas que foram vividas. Uma vitória com um gosto amargo de derrota e perda.

— Sakura, se anime – Ino disse em sua voz suave como quem sabia exatamente o que se passava na mente da amiga — Você merece umas férias divertidas, então apenas foque em curtir sua viagem. Coma o que há de melhor, usufrua do hotel quando puder, vá ao festival, dance e beba... – Deu os ombros com um sorriso gentil — E transa com alguém que não seja o Kiba, pelo amor do Rikkudou.

Argh...

— Você tinha que estragar o momento, não é? – Sakura disse com humor.

— Ora! Foi só Sasuke-kun não ser mais um pretendente em vista que você caiu matando no Inuzuka.

Ele caiu matando, e eu estava bêbada.

— Então você também estava bêbada quando foi na casa dele depois? – Ino provocou vendo a amiga corar enquanto desviava o olhar. — Kirigakure é como uma oportunidade para pegar alguém diferente! Você é a carne nova no pedaço, além disso tá famosa depois do que fez na guerra, então todos os caras vão estar na sua.

— Ino, eu to indo em missão...

— Oh, sim! – A loira falou mais energética — Sua missão é transar com um jounin bem gostoso nessa sua viagem!

— Ino...

— Quando você voltar eu quero detalhes sobre um romance de verão sob as luzes do festival, ok? Se não tiver uma história assim para mim, então é melhor nem voltar.

— Pensei que você queria sexo.

Eu quero tudo!

Sakura olhou para a amiga tão energética falando aquelas coisas constrangedoras e começou a rir. Ver Ino sempre lhe deixava com um humor mais leve, principalmente porque vê-la significava falar sobre qualquer coisa em uma velocidade assustadora. De repente, Sakura se sentiu que estava mais inclinada a partir nessa missão e que de alguma forma voltaria com uma história para contar para sua melhor amiga, ainda que provavelmente não fosse nada romântico ou quente.

Mas também não era como se não pudesse acontecer, não é?

— Eu vou te dar o que eu puder.

Sakura respondeu finalmente e elas riram com aquela promessa fajuta.

Era o suficiente.

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— Yo, Sakura!

— Tá atrasado!

A moça ralhou de maneira apressada e irritada diante do homem que se aproximava com passos despretensiosa e o mesmo olhar preguiçoso de sempre estampado no rosto. Eram quatro e vinte da manhã e o sol já estava firme por trás das montanhas mais longínquas, uma hora e vinte de atraso, uma hora e vinte que demorariam para chegar em Kirigakure.

Não que ela realmente achasse que seu sensei cínico não atrasaria, por isso ela também planejou um breve atraso de meia hora, mas atrasar uma hora e meia? Era inconcebível. Como ele pretendia assumir um cargo tão importante como ser chefe de uma das maiores vilas ninjas do mundo quando não conseguia sequer chegar no horário para fazer sua última missão?

Pff...

— Eu me perdi no..

Caminho da vida. Eu sei.

Ela interrompeu com pressa em sua carranca pouco amistosa o homem apenas suspirou. Sempre impaciente, Sakura nunca tolerou bem suas manias de atraso. Mesmo Naruto, que era muito mais irritante, já tinha desistido de apontar essa falha em seu modo de agir, parando de se importar com seus atrasos, mas Sakura...? Ela ainda ficava irritada com isso, e somado a sua pouca vontade de participar daquela missão, tudo ficava um pouco pior.

— Yare-yare...

— Vamos logo! – Ela disse de maneira mais direta, arrumando sua mochila cor creme nas costas.

A moça estava vestida numa versão adaptada do uniforme ninja. A camisa azul escuro com redemoinhos vermelhos nos ombros tinha mangas mais justas, mais curtas, indo até abaixo do seu cotovelo. Não estava com o colete verde, o que transformava seu visual em algo bem casual. Vestia aqueles shorts pretos que sempre usava, e as botas de cano alto iam até abaixo do joelho. A bandana vermelha destacava em seus cabelos rosas recém cortados, o que significava que ela gastou um pouco de suas doze horas em cuidados com seu próprio corpo.

Casual, mas não muito.

O engraçado era a coincidência disso tudo, porque ele também tinha cortado o cabelo, e também tinha decidido usar o uniforme ninja de forma incompleta, deixando seu colete e luvas no armário.

Bem, era uma missão de férias, não é? Então tudo bem viajar de maneira mais casual.

Foi isso que ele pensou quando estava se arrumando para sair e provavelmente ela chegou à mesma conclusão, ainda que parecesse irritada pela viagem que obviamente não queria fazer. Férias forçadas. Gai tinha lhe dito para aproveitar o translado, mostrar a Sakura um pouco do mundo já que, mesmo sendo uma ninja incrível, ela tinha pouco conhecimento com relação ao exterior da vila.

Oh, sim... Ele já tinha percorrido todo mundo ninja em suas missões, mas Sakura não conhecia quase nada comparado a ele, e tudo bem que já tivessem ido a Kirigakure anos antes, mas ela era uma genin na época, provavelmente não se lembrava de muita coisa.

Ela ainda não era a companhia que gostaria de ter numa missão de férias, mas já que era sua única companhia, talvez pudesse fazer um esforço para tornar a viagem melhor para ambos, ainda que tivesse começado com o pé esquerdo por conta daquele pequeno atraso. No final das contas, Gai tinha razão: Kakashi deveria apenas tentar aproveitar a viagem.

— Ok. Sakura, escute. – Ele disse chamando-a quando ela estava prestes a cruzar o portão enorme — Temos três meses para ir e voltar, e o festival só começa daqui a cinco semanas. No caminho mais curto levaríamos cerca de três semanas para chegar à Kirigakure, mas acho que podemos esticar nosso translado para irmos por outra rota.

A mulher franziu o cenho sem entender o porquê daquela explicação. De Konoha à Kiri haviam mais ou menos umas trezes rotas possíveis, e dependendo da rota escolhida, eles poderiam levar três ou quatro meses para chegar ao seu destino. Tudo bem que não era essa rota que ele tinha em mente, mas Sakura imaginava o porquê de ele querer ir por um caminho que tornaria sua viagem mais longa quando obviamente não precisavam.

— E por que nós iriamos querer pegar outra rota senão a mais rápida? – Perguntou genuinamente interessada, afinal, seu antigo sensei não era conhecido por tomar decisões aleatórias.

Ele deu os ombros.

— Às vezes a melhor parte da viagem é o caminho, e não a chegada. – Respondeu de uma maneira que Sakura não sabia dizer se ele estava falando sério.

A mulher olhou para o lado vendo a estrada de barro batido seguir para o horizonte e sumir na fina linha que dividia o cenário com o céu. Olhou para o outro lado vendo a copa das altas árvores serem iluminadas pelo sol macio que brotava logo por trás das montanhas mais atrás. Voltou os olhos para o seu sensei que parecia tranquilo tal como aquela manhã, calmo como sempre, preguiçoso como sempre.

Era sua viagem de férias, não é? Além disso, também era a viagem de férias dele, então porque não ceder um pouco e fazer algo que ele queria fazer?

— Tudo bem – Ela disse por fim, colocando uma mão na cintura enquanto um sorriso breve brotava em seu rosto — Vai ser divertido conhecer novos caminhos, então... Faça as honras, sensei.

Ele sorriu satisfeito com a melhora na atitude dela.

— Ok! Vamos lá!

E então ambos saltaram em velocidade, Kakashi brevemente mais a frente liderando o caminho. Alcançaram as árvores altas, saltaram de galho em galho dando inicio aquela fatídica viagem, e Sakura iria descobrir, finalmente, como era bom se perder no caminho da vida. Já Kakashi, bem... Esse iria descobrir como é bom ser achado no mesmo caminho.

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CAN I ASK FOR REVIEWS? AHAHAHAHA

3 STAY WITH ME, LET'S START THIS TRIP TOGETHER.