Vinte e Quatro
Quando entrei no Jeep Commander preto de Naruto minha mente estava enuviada e meu corpo anestesiado e trêmulo dos acontecimentos de minutos atrás. Eu havia escapado de uma morte prematura, de uma forma ou outra, mesmo sentindo uma ponta de medo por estar dividindo o mesmo carro que Naruto, eu devia a minha vida a ele. Se não fosse Naruto que tivesse chegado naquele momento, agora eu seria um cadáver descartado depois que aquela vampira tivesse me jantado.
Só aquele pensamento eu sentia todo o meu corpo tremer, assim por ter agora consciência de que vampiros não eram um simples ser mitológico, eles eram reais.
Desviei minha atenção para Naruto que remexia algo nos bancos de trás de seu jeep para em seguida estender uma camiseta cor-de-laranja para mim, voltando a sentar direito no banco do motorista.
- Tome, vista isso, está toda suja de sangue.
Por um segundo desviei meus olhos para meu estado lamentável de sujeira, o sangue daquela vampira estava por toda a minha blusa azul, e o cheiro de ferro era nauseante.
- Obrigada – agarrei a camiseta ainda meio receosa com tudo e por ele ser quem ele diz ser.
- Não precisa ficar com medo de mim, Sakura, não vou fazer mal algum a você. – Em seguida ligou o jeep, deu a ré e saiu majestosamente daquele lugar aonde ele havia estacionado. – Eu prometo.
Fechei meus olhos por um segundo, respirando fundo, controlando todo o meu interior para depois abri-los novamente. Senti um pouco de timidez quando arranquei aquela blusa que vestia, ficando só por alguns segundos de sutiã e coloquei a camiseta que Naruto havia me dado. Desviei meus olhos para ele por um segundo para ver se me olhava ou tentava espiar, mas seu olhar era sério, fitando a estrada movimentada a nossa frente.
Peguei a minha blusa e passei por minhas mãos, limpando os vestígios de sangue e por meu rosto que não tinha a mínima ideia de como deveria estar. Meu braço esquerdo doía, assim como o meu quadril esquerdo devido à queda que causou também mãos e cotovelos ralados. Minha situação não era muito boa, me sentia péssima fisicamente e cansada mentalmente.
Depois de alguns minutos a voz de Naruto soou, quebrando o silêncio que havia no jeep depois que ele começou a dirigir:
- O que estava fazendo ali naquele lugar?
Fitei minhas próprias mãos trêmulas em meu colo.
- Estava indo me encontrar com... – Hesitei por um segundo em responder – um amigo.
Achei melhor não mencionar Sasuke a ele, já que se denominou ser um caçador, e mesmo com as evidências apontando que Sasuke seja um... daqueles que me atacou, não queria que ele estivesse na mira de um caçador.
- As partes mais desertas e escuras da cidade são ótimos pontos para os ataques deles.
Ergui meus olhos e o fitei.
- Você sumiu de repente e depois volta de repente.
- Agora você sabe as minhas condições que causa meus sumiços – e olhou de solaio para mim com um meio sorriso na boca.
- Você está sempre caçando... eles?
Ele voltou a atenção para frente.
- Na maior parte do meu tempo sim, é o meu destino.
- Você não tem medo de que eles te machuquem?
Desta vez Naruto soltou risadas debochadas me fazendo franzir as sobrancelhas.
- Eles não me machucam, Sakura, sou mais forte que eles.
- Você está soando como um exibido agora – crispei os lábios por seu pouco caso com os vampiros.
Ele me olhou de lado com o sorriso que iluminava como sol.
- Vamos dizer que eu esteja querendo impressionar uma certa garota ao meu lado.
- Idiota – murmurei, virando meu rosto para a janela ao meu lado, sentindo o queimo em minhas bochechas.
E por mais que eu estivesse um pouquinho irritada com ele, seus comentários de alguma forma dizimou o receio que eu sentida dele, trazendo de volta a sensação confortável que sentia quando ele estava por perto, a mesma quando passeávamos juntos por Shinjuku.
E por falar em Shinjuku, acabei lembrando de Ino e possivelmente lembrei de meu celular. Eu havia deixado para trás.
- O que foi? – Naruto me perguntou.
- Eu deixei meu celular naquele beco – e dei um tapa em minha testa. – Droga.
- Eu volto lá e pego para você, não se preocupe.
- Obrigada. – O fitei e sorri comprimido por sua gentileza. – O que estava fazendo naquele lugar?
- Um pouco óbvio, não?
- Estava caçando – mordi o lábio. – Entendi.
Ele soltou uma pequena risada nasal.
- Estava na cola daquela lá já tem um tempo, peixe pequeno vamos dizer assim e bem idiota também. Geralmente os vampiros saem para a caçada altas horas da noite por causa do movimento baixo para não chamar atenção.
- Quantos vampiros existem?
- Muitos.
- Você acaba com todos?
- Os que consigo capturar sim. – E me fitou rapidamente, voltando a atenção para frente.
- E como você consegue localizá-los?
- Essas criaturas vivem nas sombras e se alimentam de sangue humano, desaparecimento de pessoas ou aparecimento de pessoas mortas é um sinal de que há um deles por perto.
E o carro parou, me fazendo perceber que havia chegado em meu prédio.
- Acho que é aqui que mora, não é? – E o fitei, ele me olhava agora. – Tenho o endereço que me passou naquele dia.
- É aqui sim, obrigada.
- Sakura – ele pausou por um segundo, me fitando os olhos e por um segundo eu tive receio que o azul deles ficassem vermelhos. – Por mais assustada que você pareça estar, eu peço que não saia espalhando essa história por aí.
- Eu sei Naruto, não se preocupe – e sorri mínimo. – E até parece que alguém iria acreditar nessa história. É um pouco meio que absurdo.
- Ok. E mais uma coisa, mantenha-se longe de becos escuros e andar por aí até tarde da noite, e principalmente mantenha-se longe de pessoas estranhas com portes duvidosos. Os vampiros se camuflam a noite pelas pessoas sem ser percebidos e seduzem suas vítimas para alimentar-se delas. São seres traiçoeiros e nada confiáveis.
Por um segundo eu imaginei sendo seduzida por Sasuke e o fato de que meu coração batia desenfreado quando ele estava por perto não passava de uma mera ilusão que ele podia causar. Eu poderia ser uma simples vítima e que ele só estivesse brincando com a comida.
Travei meus pensamentos engolindo a seco, o que diabos eu estava pensando? Eu nem sabia que Sasuke era mesmo um vampiro ou não. Tudo o que eu tinha era ó desconfianças e nada concreto.
Sorri novamente para Naruto, jogando aqueles pensamentos para o mais fundo de minha mente.
- Obrigada pelo conselho, mas acho que vou ir agora, estou bem dolorida.
- Tudo bem – sorriu de volta –, quando encontrar seu celular eu lhe entrego.
- Obrigada.
. . .
Fui direto para o banheiro assim quando entrei no apartamento, meus cabelos estavam bagunçados e meu rosto havia vestígios de sangue daquela vampira quando me olhei no espelho. A imagem daquela criatura em cima de mim com aquela boca aberta com seus dentes afiados a mostra preste a me morder, assim como acontecia nos filmes de vampiros que eu assistia com Ino fez um frio subir a minha espinha e meu estômago embrulhar. Vomitei tudo o que havia em meu estômago e a ânsia de nojo era grande quando imaginava meu corpo sujo daquele sangue de cor mais escura que o sangue normal.
Arranquei aquelas roupas sujas e fui direto para o box tomar o banho, lavando meus machucados nos meus cotovelos e minhas mãos, o lado de meu quadril doía muito e uma mancha roxa já era pouco visível diante do tamanho da queda. Esfregava o máximo que eu podia com sabão o meu corpo, arrancando qualquer tipo de vestígio daquela vampira de mim que não havia percebido que chorava baixinho naquele processo. Meus braços estavam vermelhos de tanto que esfreguei, assim como o meu colo e minha barriga com manchas vermelhas. Soltei o sabão e agachei-me até o chão, escondendo meu rosto nos meus joelhos, sentindo a água do chuveiro nas minhas costas e nuca e permiti-me naquele momento jogar para fora todo o meu medo e angustia que senti naquela hora no beco escuro e fedido.
Chorei mais.
Meu coração batia acelerado e por mais que eu negasse as evidências não podia contradizer com a verdade. Eu não vivia em um mundo que passei a minha vida inteira pensando ser de um jeito, eu vivia em um mundo paranormal aonde seres diferentes e obscuros vagueavam a noite pelos becos ladeando uma trilha de carnificina por aonde passava. Era assustador quando a mente se abria para a verdade, deixando a ignorância de lado.
E eu estava com medo.
Meu banho demorou um pouco mais de meia hora e quando entrei em meu quarto e coloquei meu pijama, me joguei em minha cama, enrolando-me dos pés à cabeça com meu cobertor como se ele fosse a forma mais protetora contra tudo o que era de ruim que existia do lado de fora. Pensei em Ino e do fato de não conseguir me comunicar a ela, e tudo que eu podia fazer era rezar para que nada acontecesse a ela na sua volta para casa naquela noite.
Conforme meu corpo relaxava eu sentia todos os meus músculos doerem, meus cotovelos latejavam em ardor, assim como os arranhões em minhas mãos, mas o que mais doía era o meu quadril e meu braço. Eu me sentia um lixo.
Quase uma hora depois e meus olhos pesando de cansaço a campainha tocou, fazendo meu coração dar um salto e um frio circular meu estômago devido ao susto da pequena elevação de sono. Por um momento eu cogitei a ideia de ignorar quem quer que fosse do lado de fora, mas conforme a campainha tocava e ao fato de Ino não estar em casa e eu sem um meio de comunicação, não podia ignorar. E só o fato de saber que vampiros existiam e o medo que sentia não diria a eles que eu sabia a verdade sobre eles, só ria me deixar mais atenta ao que me acontece ao redor e evitar certos lugares e pessoas estranhas como Naruto havia me aconselhado.
E com isso em mente eu deixei meu lado covarde e me levantei daquela cama, meu corpo inteiramente dolorido, arrastei-me até a sala escutando novamente o som da campainha. E quando abri a porta eu não sabia o que sentir a respeito, se era medo ou prazer em ver Sasuke que estava ali parado do outro lado do portal. Estava vestido inteiramente de preto, de seus sapatos envernizados a calça social e a camisa de seda com os dois primeiros botões abertos e as mangas arregaçadas até os cotovelos. Seus cabelos estavam jogados para o lado cobria uma parte de seu rosto, seus olhos negros me fitavam intensos e ele estava diabolicamente sexy.
- Sasuke – minha voz soou como um sussurro baixo.
Minhas pernas tremeram vacilantes diante do monumento de homem que ele era. Engoli a seco e soltei a maçaneta dando vários passos para trás, meus olhos sem desviar dos deles. Eu não conseguia desviar, por mais que meu coração estivesse a tempo de sair por minha boca de tão forte que ele batia e toda minha consciência gritava para eu correr, me esconder em algum lugar, pois ele era o predador e estava ali para me pegar.
Sasuke franziu as sobrancelhas levemente, mas sua expressão era quase indecifrável, observando detalhadamente tudo e qualquer movimento que eu fazia.
- O que aconteceu? Esperei por você, mas não apareceu. – E deu um passo para dentro do apartamento e consequentemente deu mais três para trás, agora presa naquele detalhe de que ele estava a minha frente. – Te liguei várias vezes, mas você não atendeu.
Mordi o lábio com força, minha respiração estava rápida. Eu estava encurralada agora.
- E-eu... eu perdi o celular.
Ele me estudou com mais atenção, estava nervosa o suficiente que não conseguia disfarçar.
- Está fugindo de mim?
Comprimi meus lábios para dentro e balancei minha cabeça para os lados. E seus olhos desviaram para as minhas mãos.
- Que machucados são esses, minha cara?
Ele avançou um passo e dei mais outro para o lado, escondendo minhas mãos atrás de minhas costas fazendo ele parar e voltar sua atenção novamente para mim.
- Eu cai... para falar a verdade, me empurraram.
- Empurraram? – Franziu mais o cenho, e seus olhos ficaram mais negros e por mais que estivesse com medo eu pude ver um brilho de preocupação que eles transbordavam. – Você está bem?
- Eu vou ficar.
Silêncio.
- Aconteceu alguma coisa, você está diferente – ele declarou, certo em suas palavras depois de me analisar bem.
E naquele momento eu soube que havia chegado a hora da verdade, não tinha mais para aonde fugir. Se Sasuke era mesmo o que penso que é, eu não tinha chances de fugir sem ser capturada, ainda mais toda dolorida do jeito que estava. E dessa vez não haveria Naruto para me salvar de uma morte prematura. A minha sorte estava lançada e se for para morrer eu queria morrer sabendo de toda a verdade. E foi por esse momento que permaneci parada e resolvi confrontá-lo de uma vez por todas, mesmo sentindo todos os meus alertas indicando para fugir.
- Aconteceu sim – respondi, minha voz dessa vez soou sólida, e ele estava prestando atenção. – Descobri algumas verdades e dessas verdades eu pude ter algumas conclusões que estavam estampadas a minha frente esse tempo todo.
- Conclusões.
Umedeci os lábios e continuei:
- Conclusões sobre você. Talvez eu possa estar errada com essas conclusões que elaborei a seu respeito, eu confesso que quero muito está enganada sobre isso, mas as evidências apontam sempre para um só ponto e não há escapatórias que eu possa me agarrar.
Eu observava cada detalhe de sua expressão e posso dizer que ele não se abalou nenhuma vez, permanecia como uma rocha solida e impenetrável.
- O que descobriu, Sakura, conte para mim!? – Sua voz era calma e suave como um veludo, causando-se um arrepio na espinha.
Eu me sentia uma presa acuada diante de um predador de sangue frio.
- Você nunca é visto durante o dia – meu coração acelerava mais quando comecei a listar as evidências. – Sua pele é pálida e fria como um inverno congelante e seus olhos mudam de cor. Das vezes que nos encontramos você nenhuma vez se alimentou com comida normal a não ser o álcool que ingere das vezes que nos encontramos no bar.
- E qual foi a conclusão que tirou dessas evidências?
Fechei meus olhos com força e balancei minha cabeça para os lados, a resposta entalada em minha garganta. Eu não conseguia soltá-la, não conseguia pronuncia-la.
Era demais para mim.
- Me fale, Sakura – ele insistiu, meu nome parecia ser cantada por seus lábios –, qual foi sua conclusão sobre mim?
- Não me acho no direito de dizer – e abri os olhos sentindo-os molhados, fitando os seus –, mas queria ouvir de sua boca. Quero ouvir você dizer que estou enganada com minhas conclusões errantes sobre lhe julgar. Quero que me chame de tola por acreditar em meras evidências e por misturar realidade com fantasias. – Senti a lágrima descer por meu rosto. – Me diz, Sasuke... quem é você?
Ele deu um passo, mas desta vez continuei no mesmo local.
- Eu sinto muito, minha cara, mas você está certa em suas conclusões. – Todo o meu interior congelou com a sua afirmação tão certeira quanto um punhal. Ele deu mais outro passo. – Sou um ser amaldiçoado pelo destino a vagar pela escuridão e alimentar-me da espécie que um dia fui por toda a eternidade. – Outro passo. – Sou aquele que possui uma alma corrompida por pecados e destinada a descansar no inferno. – Outra lágrima desceu rolando por meu rosto e outro passo que ele deu. – Sou um predador que dilacera e mata suas vítimas sem sentir nenhum remorso. – Mais outro passo. – Sou um demônio criado pelas essências de uma praga para devastar tudo o que é vivo e causar o caos por aonde passar. – Minha boca tremia e ele parou a um palmo a minha frente. – O que está a sua frente minha cara Sakura, é um vampiro.
Tampei minha boca com minhas duas mãos, as lágrimas rolavam com mais intensidade agora. A verdade era paralisante, uma lâmina afiada que me cortava por inteira. Sasuke era um vampiro e não havia mais chances para mim e doía pensar que eu havia sido seduzida até chegar aquele ponto aonde ele arrancava minha vida, assim como deveria ter feito com todas as outras vítimas que ele as encurralou, brincando com sua comida para o sabor ser melhor.
Eu havia sido uma tola.
- E é agora que você me mata – conclui, minha voz como um miado.
Sua mão se aproximou e automaticamente fechei os olhos com força, esperando o momento de minha morte, mas para a minha surpresa eu senti foi sua mão fria afagar meu rosto delicadamente. Pôs uma mecha de meu cabelo para detrás de minha orelha e secou a trilha de lágrimas que caíam.
- Por mais que seja tentador provar o sabor de seu sangue e saciar minha vontade demoníaca, sou incapaz de tocá-la desse jeito.
Abri meus olhos e pude ver seu rosto lindo me venerando de um jeito que fazia meu coração aquecer e a nuvem de medo evaporar lentamente.
- Por quê?
Ele secou os últimos vestígios de minhas lágrimas antes de responder:
- Por que eu a amo.
E o friozinho gostoso circulou meu estômago aquecendo ainda mais meu coração, fazendo bater de um outro jeito acelerado. Os meus pensamentos sombrios foram enxotados por sua declaração e sua expressão honesta que me fitava. Naquele momento havia dois lados meus com opiniões diferentes e se manifestando ao mesmo tempo, a minha consciência dizia para me afastar, que suas palavras bonitas era apenas um truque, uma ilusão, mas o meu coração dizia exatamente o oposto, ele queimava ao declarar que os sentimentos declarados coincidiam com as batidas aceleradas de seu coração. E sim, eu podia ouvi-lo bater em seu peito na mesma proporção que o meu batia e naquele momento eu tinha a certeza na minha próxima decisão.
Sasuke afastou sua mão de mim, dando dois passos para trás.
- Está com medo de mim. – E aquilo não havia sido uma pergunta.
- Não – a resposta soou rápida, num tom desesperado, sentindo os efeitos de seu afastamento.
- Não minta, Sakura – declarou, certo em suas palavras. – Eu posso escutar como o seu coração está acelerado, assim como a velocidade que seu sangue corre em suas veias. Está movida a adrenalina do momento e eu sinto muito por isso.
Dei um passo para sua frente.
- Confesso que tenho um pouco de medo, a verdade é assustadora – mordi o lábio -, mas não sinto medo exatamente de você e sim de tudo o que descobri.
- Floarea mea, tens minha palavra que nunca farei mal a você. – Ele tentou me tocar novamente, mas sua mão parou no meio do caminho, voltando a abaixá-la. – E para você ter certeza de que falo a verdade... – ele deu uma pausa – estou disposto a sair de sua vida, se assim você quiser. Garanto a ti que nunca mais me verá em sua vida.
Todo o meu corpo paralisou, e senti meus olhos arregalarem e o medo possuir cada célula de meu corpo, e não era medo de saber sobre ele ser um ser diferente, mas sim o medo de nunca mais poder o ver.
- O quê?
- Não quero causar-lhe mais sofrimento a você, és boa demais para mim e eu não a mereço. – Ele se afastou novamente de mim. – Sou um monstro egoísta por ter entrado em sua vida e sou mais monstro ainda por querer desesperadamente que você fique comigo, mesmo tendo consciência de que irei arruinar a sua vida e destruir seu futuro. Sou um demônio na pele de humano, irei te destruir sem ao menos perceber.
- Você não pode falar essas coisas – minha voz saiu mais alta que o normal, o desespero tomando conta de mim. Agi no impulso do momento e acabei com o pouco espaço que existia entre a gente e o abracei pela cintura, afundando meu rosto em seu peito, me embriagando com seu cheiro amadeirado.
- Sakura!?
- Você não pode simplesmente entrar na minha vida e depois sair sem mais nem menos, não quando já é tarde demais para mim.
Suas mãos pousaram em meus ombros e me afastou para poder fitar meus olhos, e naquele momento eu não sabia o que pensar sobre ele, ou sobre mim ou o nosso destino. Eu só pensava no agora e no que eu estava sentindo.
- Não quando eu estou completamente apaixonada por você.
E a surpresa se fez presente em seu rosto, a boca entreaberta e os olhos mais abertos me observando. Era a primeira vez que eu dizia com todas as letras que eu o amava, ignorando as evidências e os perigos que podiam surgir por estar ao seu lado. Mas não importava, eu o amava e não iria deixar de amá-lo menos por saber que ele é um dos maiores predadores que existe no mundo.
Eu simplesmente o amava.
- Sakura - e caiu de joelhos a minha frente, e agora era eu que havia sido pega de surpresa. – Fui um escravo do destino, sem opções, e você é como um anjo que entrou na minha vida para trazer um pouco de luz a minha alma. – E abraçou minha cintura, apoiando sua testa em minha barriga. - Amo-te como nunca amei ninguém, amo-te tanto que tenho medo de que algo de ruim aconteça com você. Eu me imponho a sua mercê, pois tu és minha grande fraqueza assim como o sol que ilumina todo o dia.
- Sasuke...
Agachei-me também, ficando de joelhos, agarrei os dois lados de seu rosto, fitando o mais profundo de seus olhos negros como uma escuridão de trevas e beijei seus lábios gelados, sentindo o gosto de sua boca movimentando-se contra minha, despejando todo os meus temores e suplicas diante daquele amor mediúnico.
Ele me abraçava forte, trazendo-me para mais perto de si, enquanto éramos envolvidos naquele momento perfeito que nos unia e que éramos o ponto mais sensível do outro.
- Te iubesc, dragostea mea.
- O que significa isso? – Perguntei, as nossas testas coladas.
Seus olhos se abriram e suas mãos subiram por meu corpo, pousando em cada lado de meu rosto, o pequeno sorriso no canto esquerdo de sua boca, o primeiro daquela noite
- Significa – e me beijou profundamente antes de responder -, eu te amo, meu amor.
Foi inevitável evitar que um sorriso bobo de uma garota apaixonada se abrisse em meus lábios, ignorando as dores pelo meu corpo.
- Eu também te amo – e o beijei – muito – beijei novamente – muito – outro beijo – muito.
E ele sorriu abertamente contra a minha boca antes de se afastar, sentou-se no chão me fazendo sentar também, e o movimento fez uma fisgada forte no quadril me atingir, mas consegui reprimir o gemido de dor e sorri para disfarçar. E ele me beijou novamente, e havia uma certa urgência naquele beijo.
- Vem comigo para meu apartamento.
- Seu apartamento?
- Sim, quero amá-la essa noite, quero senti-la por inteiro e beijar cada canto de seu corpo e me embriagar com seu cheiro de flores e primavera.
Não ouve um canto de meu corpo que não se arrepiou com a possibilidade de entregar meu corpo para aquele homem e ser dele a noite toda, mas o desconforto que sentia naquele momento impossibilitava qualquer ato brusco que pudesse fazer. E eu queria que a minha primeira vez com Sasuke fosse uma coisa especial, assim como era o nosso amor.
- Acho que... – uma outra fisgada e apertei os olhos fazendo uma careta – isso vai ter que ficar para uma próxima.
- Está machucada – ele declarou, agora preocupado, se pondo de pé e me ajudando a ficar de pé também. – O que realmente aconteceu com você?
- Uma vampira me atacou a um quarteirão do seu apartamento.
Resolvi dizer a verdade, já que as verdades estavam sendo jogadas naquele momento.
Sasuke franziu o cenho.
- Como? Você... – e me fiscalizou por inteira, tentando achar mais algum machucado ou talvez mordidas – ela fez alguma coisa com você...
- Eu estou bem – o interrompi, afastando um pouco de sua fiscalização, era pouco agoniante. – Ela tentou me jantar, mas não conseguiu... um amigo me ajudou.
Sasuke retesou qualquer movimento que pretendia fazer e me olhou com mais atenção, o cenho ainda franzido, a expressão séria.
- Amigo?
Agora eu não sabia se era uma boa ideia falar sobre Naruto, mas agora não tinha como voltar atrás.
- Ele é um caçador de vampiros.
- Nenorocitule. – Ele pareceu praguejar, cuspindo aquela palavra, afastando-se de mim e andando para perto da minha janela.
- O que significa isso?
- Ele fez algo com você? – Ele perguntou, ignorando a minha pergunta, virando-se para minha frente.
- Não! – Meu tom saiu pouco alto, e me aproximei dele. – Ele me salvou e acabei perdendo o celular naquele beco sem saída, estava ligando para você quando ela me atacou.
- Vou tentar recuperar o celular para você.
- Naruto disse que iria recuperar para mim – declarei, mordendo a língua quando disse o nome do veredito.
Sasuke soltou uma risada meio debochada, meio irritada e voltou a fitar a paisagem escura da janela.
- Você está bravo?
- Estou.
- Desculpe.
Ele se virou para mim e me fitou incrédulo.
- Por que está se desculpando? Não estou bravo com você e sim com a situação de perigo que você estava subjugada.
- Mas eu estou bem – segurei seu braço.
- Por enquanto – e ficou todo virado para a minha frente.
- Ele matou ela.
- Eu sei que matou – e em seguida me beijou, me puxando para mais perto e me abraçou.
- Sabe?
Ele assentiu com a cabeça, depositando um beijo em minha testa.
- Não fique mais perto dele, ok?
Tombei minha cabeça para o lado.
- Ele disse a mesma coisa com os vampiros.
- La naiba cu tine.
- Você pode parar de ficar falando em romeno se não for traduzir para mim? – Me irritei, até por que ele havia ignorado minha pergunta anterior.
Suas mãos que estavam em minhas costas agora pousavam em meus ombros.
- Prometa para mim que vai se manter o mais longe possível desse cara.
- Por quê? – Franzi o cenho e sorri pouco indignada. – Sasuke eu conheço ele, é meu amigo e ele me ajudou.
- Ele pode associar você comigo e usar você para me pegar.
- E por que ele faria isso? – Pisquei algumas vezes, tentando compreender sua lógica. – Espera... você conhece o Naruto?
- Esse infeliz está me caçando a mais de cinquenta anos.
- O quê? – Eu quase gritei, incrédula, era nítido minha expressão de surpresa em meu rosto. - Como assim a mais de cinquenta anos? Naruto não aparenta ter a idade que tem e ele não é um vampiro, isso ele me garantiu.
- O seu amigo não é vampiro e muito menos humano, Sakura. Ele é as duas coisas juntas.
- Não estou entendendo.
- Ele é um hibrido, um dampiro.
- Dam... dampiro?
- É complicado – e depois suspirou. – Tudo o que digo é que ele é o mais problemático de sua espécie e está me causando muitos problemas. Então minha cara, afaste-se dele. Ele é capaz de tudo para enfiar aquela droga de estaca em meu coração, e não medirá esforço para usar você se for preciso.
Era pouco difícil imaginar Naruto sendo um dos caras maus, sendo que ele alegava que só pegava os vampiros, e os vampiros estavam na oposição de maldade naquela história. Eram eles que machucavam as pessoas e Naruto era o que os capturavam, mas a situação que me encontrava era delicada, pois eu havia me apaixonado pelo homem que estava do lado oposto e não era o lado do bem. E novamente eu deixei meu coração falar mais alto e o abracei, apenas assentindo com a cabeça para confortá-lo, pois seria eu mesma que tirarei minhas próprias conclusões, pois uma coisa eu sabia, sempre existe uma segunda versão da mesma moeda.
