Vinte e Seis

Sarada e eu estávamos na cozinha preparando juntas o seu primeiro bolo de aniversário e a empolgação de minha menina era grande o suficiente que contagiava tudo. Riamos juntas do jeito desengonçado quando ela quebrou o ovo, eu a ensinava e me sentia a pessoa mais feliz do mundo. A cozinha naquele momento estava toda suja de farinha de trigo e aquela foi a primeira vez que vi uma expressão diferente no rosto de Karin quando ela adentrou o cômodo.

- Minha nossa! Senhorita Haruno, isso aqui está uma desordem!

Ainda rindo eu fitei Karin parada no meio da cozinha, observando tudo com uma expressão pouco incrédula, pois aquela parte da casa estava fora de seu controle.

- Quando terminar aqui eu juro que limpo tudinho – respondi, segurava a bacia tendo o apoio da minha barriga para apoiá-la enquanto eu batia a massa com uma colher de pau.

- Karin, a minha ma... babá está fazendo um bolo de aniversário para mim. – Sarada própria se interrompeu quando iria mencionar a mim como sua mãe.

Depois que contamos a verdade a ela, Sasuke explicou de um jeito mais fácil e menos complicado o fato de ela não me chamar de mãe na frente de outras pessoas. Ele disse que ninguém podia saber que eu era sua mãe, pois estávamos passando por uma situação complicada e que o avô, pai de Sasuke, não podia nem sonhar que eu estava viva. E só de mencionar a palavra avô que Sarada logo concordou sem piscar, e o medo era visível em seu rosto enquanto me abraçava forte com a possibilidade de algo acontecer comigo. E não tirava a razão de ela temê-lo, pois pelo pouco que eu o conhecia falar sobre o progenitor do pai da minha filha, ele era o próprio diabo em pessoa.

Por essa razão Karin nem sonhava que eu não era uma simples babá. E por mais que ela fosse uma das pessoas que Sasuke mais tem confiança nesse mundo, segundo ele, aquele segredo não podia ser revelado, ainda.

- Eu procurei por velinhas e outras coisas e não achei nada por aqui, então eu pensei que...

- Eu já providenciei esses utensílios, senhorita Haruno – ela me interrompeu, voltando a sua fisionomia de sentinela, fitando-me sem um pingo de humor. – O mestre Uchiha comunicou-me sobre a festinha da pequena Sarada.

Apenas assenti, sorrindo forçado e desviei meus olhos para Sarada que estava sentada em cima do balcão catando as cascas dos ovos e colocando dentro do saco vazio da farinha de trigo.

Quando nos vimos sozinhas novamente acabamos rindo da expressão surpresa de Karin quando viu a cozinha imunda. As risadas de Sarada eram altas enquanto imitava a expressão da governanta. Depois de um tempo Karin adentrou novamente a cozinha com uma caixa de papelão abarrotada de coisas, alegando ser os utensílios para a pequena festinha. Sarada estava animada e dando gritinhos com as coisas que haviam ali, doces, velas coloridas, confetes, bolas de bexiga, brigadeiros enlatados e várias outras coisas, uma imensidão de cores.

Nós duas acabamos nos sentando no chão daquela cozinha revirando toda aquela caixa, imaginando aquela decoração no final enquanto o bolo assava no forno. Sarada não sabia se assoprava a língua de sogra ou a cornetinha amarela, ou brincava com os outros brinquedinhos de plásticos que haviam nas festinhas infantis. Nunca a tinha visto tão feliz e rindo como uma verdadeira criança saudável, tudo aquilo era novidade para ela, e eu não podia deixar de mencionar que eu estava amando tudo aquilo, era empolgante.

Eu ria toda vez que a via se empolgar demais e pular quando descobria para que aqueles brinquedinhos faziam, e ela amou os ioiôs e os apitos, soava bem alto, fazendo barulho, seu pulso lotado de pulseirinhas de plásticos coloridas e os dedos cheios de anéis.

E no meio disso tudo eu senti um pequeno arrepio em minha nuca e uma sensação de que estava sendo observada. Quando virei meu rosto para trás eu pude ter o vislumbre de Sasuke parado na entrada da cozinha, os ombros apoiados na parede e os braços cruzados enquanto um meio sorriso estava no canto esquerdo de sua boca. Observava o quando a nossa filha estava feliz com aqueles brinquedinhos de festas tão insignificantes, e que só quem já foi criança sabia o quanto aquilo tinha valor. Nossos olhos se encontraram por um segundo e reprimi um sorriso, voltei minha atenção para Sarada que agora percebia o pai e corria até ele para mostrar as suas joias de plásticos e assoprar a língua de sogra. Sasuke apenas riu baixinho, passando a mão na cabeça dela.

Organizamos toda a festinha no centro da sala, Sasuke ficou encarregado de mover a mesa redonda da biblioteca até a sala onde preparei o restante. O bolo de chocolate com cobertura e granulado ficava no meio da mesa e um monte de docinhos de brigadeiro e balinhas embrulhadas espalhados a volta e as bolas de bexiga por todo o canto da sala e Sarada as jogavas para cima enquanto o apito em sua boca soava insuportavelmente irritante. Sasuke mesmo não aguentou depois de um tempo aquele som sem nenhum tipo de intervalo e se trancou em seu escritório para não se estressar com Sarada, pois hoje era o dia dela.

Na hora de cantar o parabéns, acendi as velinhas coloridas e batemos palmas enquanto cantávamos aquela canção universal de aniversário. E não era de se admirar que Sarada mantinha um sorriso no canto a outro batendo palmas com os olhos brilhando e focados nas velinhas acesas. Sasuke estava ao meu lado enquanto batia palmas, tentava acompanhar a música que eu cantava, mas ele era péssimo. Karin também estava ali, mas um pouco afastada e de braços cruzados, observando tudo quieta e sentinelada.

- Agora você tem que fechar os olhos e fazer um pedido antes de assoprar as velas.

Sarada me fitou, com olhos ansiosos.

- Um pedido?

- Sim – sorri – um pedido no dia do seu aniversário sempre se realiza.

Sarada fechou os olhos e ficou algum tempinho quietinha, talvez processando o seu pedido. Em seguida seus olhos se abriram e nos fitaram ansiosos.

- Já fiz.

- Agora assopra as velas – disse Sasuke antes de mim, e assim ela o fez.

As únicas que comeram do bolo foram eu e Sarada, pois Sasuke nem chegou perto, preferindo ficar com seu copo de uísque com gelo, sentado numa poltrona observando eu e Sarada fazermos a festa e se entupir de doces e rir juntas enquanto comíamos as bolinhas de brigadeiros.

E assim se seguiu aquela pequena festinha de três pessoas, e a noite já havia caído lá fora. Sarada estava bem elétrica por conta dos doces e se acabou de tanto brincar com os brinquedinhos de sua festa e as bolas de bexigas. E depois de um tempo eu já estava esgotada, caindo sentada no sofá ao lado de Sasuke, e ficamos ali fitando a alegria de nossa filha.

- Estou bem enferrujada para esse tipo de coisa – disse ofegante, e sorri quando Sarada assoprava o apito e agarrava outro brigadeiro e levava a boca.

- Me lembre de não comprar mais esses apitos, isso dá nos nervos – ele resmungou, dando um gole de seu copo de uísque.

Virei meu rosto para ele e o fitei, e sua cara fazia uma pequena careta com o som do apito que Sarada tocava.

- Os apitos são normais e essenciais nas festinhas, até parece que não conhece.

E sua atenção se focou em mim, seus olhos negros me fitando e todo o meu corpo ficou quente.

- E não conheço, minha cara. Em minha época esses tipos de coisas não existiam.

- Ah.

- Perdão, mestre – a voz de Karin me fez desviar meus olhos para o lado. – O senhor tem uma ligação em seu escritório.

- Eu disse a você que não queria ser incomodado a noite, Karin.

- Me perdoe mestre, mas é o senhor seu irmão, e diz que é importante.

Sasuke suspirou e ficou de pé, me fitando de solaio.

- Já volto.

- Ok – e assenti com a cabeça observando Sasuke sumir da sala.

Karin estava me observando com uma expressão indecifrável e aquilo de algum modo me incomodou. Ela não era tola, percebia que algo estava diferente na minha relação com Sasuke. E sabia que aquele segredo não demoraria para ser desvendado por ela.

Mais tarde naquela noite eu estava com Sarada em sua cama enquanto contava uma história antes de ela dormir. E apesar do dia ter sido cheio de emoções ela estava exausta e acabou dormindo no meio da história, sua cabeça apoiada em meu peito e sua mão em volta da minha cintura. Ela estava aconchegada em mim, ressonando como um anjo inocente que ela era, minhas mãos afagavam seus cabelos lisinhos e macios.

Sasuke entrou no quarto com passos leves sem emitir som, observando-nos. Ele havia passado o resto da noite trancado em seu escritório resolvendo seus assuntos importantes. Sarada deu por falta dele por um momento, mas fiz de tudo para preencher aquele espaço que Sasuke deixou com sua ausência. Não podia cobrá-lo tanto, pois sabia que Sasuke estava fazendo o possível e o impossível para nos manter em segurança. Por que o fato de eu estar viva depois de dar à luz a uma criança dampiro era uma ameaça a comunidade vampírica.

- Ela já dormiu? – Perguntou baixo, sentando-se na ponta da cama e observando o ressonar de Sarada.

- Sim – respondi enquanto assentia, voltando a olhar o rostinho de minha filha. – O dia foi bem emocionante para ela, chegou uma hora que suas energias esgotaram.

- Foi a primeira vez que vi ela sorrir tanto – comentou aleatoriamente. – Obrigado.

- Ela é minha filha, Sasuke, é o mínimo que eu podia fazer por ela.

- Você já fez muito em tão pouco tempo do que eu fiz nesses dois anos. Não sou um bom pai.

Ergui meus olhos para ele.

- Não se subestime. Só de ela está aqui, linda, saudável e segura não condiz que você seja um pai ruim.

- Mas eu podia ter feito mais – e me fitou. – Fiquei meses remoendo a dor que sua ausência me causava que a deixei lado, sabendo que seu desenvolvimento era acelerado, perdi vários momentos de sua vida. Cada dia é como se fosse semanas, os meses foram anos, e quando dei por mim, ela estava crescida e uma barreira de gelo entre nós dois.

- É impressionando a forma como ela se desenvolve rápido – e voltei a olhar. - Ela só tem dois anos de idade, mas a estatura, o jeito de pensar e agir é de uma criança de nove anos.

- É por isso que cada dia é importante, e fui um péssimo pai por não está presente nos seus primeiros dias de vida.

E o silêncio pairou ali, cada um preso em seus próprios devaneios e o fato de como seria a nossa vida sem aquela tanto de interferências. O destino podia ser cruel quando quer, nos obrigando fazer escolhas que afetam não só a gente, mas como todos ao nosso redor.

Suspirei, e tirei uma mecha de cabelos negros do rosto de Sarada, colocando para trás de sua orelha, descobrindo um pouco de seu rosto infantil.

- Ela é tão linda – minha voz saiu mais baixo que um sussurro.

- Ela se parece com você.

E ergui meus olhos para Sasuke que observava Sarada.

- Ela se parece mais com você.

Ele me olhou agora.

- Não estou falando da fisionomia e sim no jeito, ela tem algumas de suas manias

Sorri, observando-a com mais detalhe, os formatos dos olhos eram iguais aos meus, assim como o contorno e as maçãs do rosto. Já o nariz, a boca, a testa, a cor dos olhos e dos cabelos eram de Sasuke, ela se parecia com nós dois ao mesmo tempo. E isso era incrível.

- Nós precisamos conversar. – Sasuke disse de repente, trazendo minha atenção para ele.

- Eu sei – e voltei a olhar minha filha. – E eu estou com medo.

- Não precisa ter medo minha cara, não farei nada a você.

E voltei a olhar ele novamente, observando seu rosto sério me fitando e meu coração acelerou, ele sempre acelera quando ele estava por perto e ficava quente quando ele me tocava.

- Eu não tenho medo de você Sasuke, nunca tive. Tenho medo do que está para vir e do que iremos enfrentar.

Ele se esticou e tocou meu joelho coberto pela saia.

- Saiba que estarei ao seu lado e disposto a mover céus e terras para deixá-la segura.

Sorri comprimido, umedecendo meus lábios ressecados.

- Eu agradeço, mas chega um momento na vida que eu terei que deixar o medo de lado e lutar também.

- E garanto minha cara, você não estará sozinha.

. . .

Era quase meio dia quando eu atravessava o campus em direção a saída, e não podia deixar de mencionar que estava atenta, mais do que devia. Meus olhos corriam de um lado para outro, tentando encontrar algo de suspeito, algo diferente, mas parecia tudo nos conformes.

Depois de ontem, e de ter dormido muito mal por causa dos pesadelos de minha possível quase morte num beco escuro e fedido, eu amanheci um pouco meio paranoica. Parecia que ontem eu estava nos efeitos de uma anestesia e agia no automático, ignorando todos os perigos que passei e que pudesse passar pela frente. A verdade era assustadora e naquele momento eu estava com medo de topar com mais um desses vampiros por aí, mesmo sabendo que eles não apareceriam durante o dia. Mas minha imaginação projetava mil e uma maneiras que eles pudessem burlar aquele detalhe e sair atacando as pessoas com se elas fossem filé mignon.

- Sakura!

Ergui meus olhos para frente e pude ver Naruto desencostando de seu Jeep Commander, vestido de jeans rasgado, uma camiseta da Puma preta com detalhes na cor laranja e um boné de baseball na cabeça. E ele estava incrivelmente lindo com seus olhos azuis reluzindo como um céu limpo.

- Naruto – murmurei sentindo um pequeno friozinho de receio quando ele se aproximava e parava a minha frente.

- Você está bem?

- Estou – e cocei meu pescoço, sinal claro de que estava desconfortável. – Depois de uma noite bem dormida de sono – mal dormida – acordei melhor.

- Que bom.

- Ah, depois te devolvo a sua camisa, eu coloquei para lavar.

- Não esquenta, tenho várias dela – e dessa vez sorriu aberto, mostrando seus dentes perfeitamente brancos.

Sorri comprimindo os lábios, sentindo toda aquela situação estranha. Era difícil não olhar para Naruto e não me lembrar de ontem à noite e da forma fria que agia ao exterminar os vampiros, não parecia em nada com o cara descontraído e com sorriso bacana.

- Então, não encontrei o seu celular.

- Não?

Ele pareceu pensar no que iria falar a seguir.

- Eu procurei por todo canto, mas não estava lá.

Se não estava lá então Sasuke deveria ter encontrado para mim.

- Tudo bem, eu compro outro – e sorri –, não se preocupe.

Ele ficou observando cada detalhe e expressão que eu fazia e tive receios de que ele fizesse a mesma coisa que fez ontem, seus olhos ficando vermelhos.

- Está indo para casa?

- Estou esperando minhas amigas.

- Você está me devendo um tour pela cidade.

Ergui as sobrancelhas.

- Você sumiu no dia do tour.

Ele sorriu novamente.

- Mas podemos remarcar, garanto a você que não mordo.

Um tour pela cidade com ele não poderia ser uma má ideia, ainda mais se eu pudesse usar isso para arrancar-lhe informações.

- Não disse que você mordia – soltei uma pequena risadinha. – Mas podemos remarcar, estou de provas no momento, estrarei de férias semana que vem. Uma terça-feira está bom para você?

- Perfeito... – em seguida de uma pausa, parecia pensar. - Você tem algum papel e caneta?

- Claro.

Abri minha mochila e tirei meu caderno e minha caneta, abri na página em branco e entreguei a ele. Naruto anotou alguma coisa antes de me devolver.

- Meu número para me ligar quando conseguir um celular.

- Ok, vou ligar.

E foi aí que seus olhos azuis desviaram de mim para algo trás de mim.

- Olá... Ino, não é?

Virei-me para trás enxergando Ino parando ao meu lado com as sobrancelhas erguidas, observando Naruto.

- Sim, e você o vizinho que deu um bolo na minha amiga a uns meses atrás.

Ele riu coçando atrás da cabeça.

- Tive uns assuntos que não podia deixar para depois, eu já me expliquei com Sakura.

- Não ligue para Ino, ela sabe ser uma chata pregada a detalhes quando quer – eu disse, tentando descontrair.

Olhei feio para Ino com sua indireta.

- Entendo – e não pareceu nada afetado. – Eu vou indo então.

E se virou em direção ao seu Jeep, e abrindo a porta.

- Belo Jeep – disse Ino, fazendo Naruto olhar para ela.

- Valeu, se quiser dar uma volta – e piscou para ela.

- Vai ter que ficar para uma próxima, estou passando por uma desintoxicação de cromossomos Y.

Apenas ergui as sobrancelhas, eu havia escutado Ino chorar a noite toda e amanhecer como se nada tivesse acontecido e mais maquiada que o normal e sarcástica com os homens, sintomas de que ainda estava bastante abalada com o término de seu relacionamento.

- O que ele queria? – Perguntou Ino assim quando vimos o Jeep Commander virar no final daquela rua.

- Veio me dizer que não encontrou meu celular.

- E?

- E nada – e a fitei. - Ele foi bem evasivo e minucioso nas palavras.

Ino apenas ergueu as sobrancelhas muito bem-feitas para cima.

- Ele não tem cara de que é um caçador de vampiro, está mais para um surfista de Havaí.

- Mas vi ele em ação e o quanto ele pode ser assustador e...

- E?

Pausei. A forma que Naruto tentou me coagir com aqueles olhos vermelhos fazia um frio subir a minha espinha. E eu não havia mencionado aquele detalhe a Ino, ela estava frágil com seus problemas e se fazia de forte para me consolar.

- Antes de ele me contar a verdade, ele tentou fazer algo comigo.

- Como assim tentou fazer algo com você? – E franziu o cenho, virando e ficando de frente para mim. - E por que só agora está me contando isso?

- Estava confusa, me dê um desconto.

- Só desta vez.

Suspirei, e observei as pessoas transitarem de um lado para o outro, ignorando duas garotas paradas perto da entrada do campus tendo uma conversa nada normal.

- Os olhos dele ficaram vermelhos de repente e ele dizia coisas... tipo, coisas como eu esquecer tudo e voltar para casa, algo assim – e a fitei.

- Hipnose?

- Isso, mas parece que deu algo errado.

Ino pareceu pensar por um segundo.

- Os olhos dele ficaram vermelhos? – Ela balbuciou consigo mesmo. - Ele não é um vampiro também não?

- Não – e balancei a cabeça para os lados -, isso ele me garantiu.

- Ele pode estar mentindo para você.

- Ele não é um vampiro, Ino – decretei, certa no que eu dizia. - E além do mais, os vampiros não andam na luz do dia.

- Ele pode ser... sei lá, um vampiro 2.1.

Revirei os olhos.

- O Sasuke disse que o conhece, e que ele o caça a mais de cinquenta anos.

E desta vez os olhos de Ino arregalaram, surpreso.

- Você está tentando me dizer que o surfistazinho gato tem mais de cinquenta anos?

- Dá para você falar mais baixo, quer chamar atenção? – Reclamei, franzindo as sobrancelhas e olhando para os lados se ninguém ouviu ela falar em tom mais alto que o normal.

- Foi mal, mas isso é praticamente impressionante.

- O Naruto não é humano e nem vampiro, é os dois juntos.

- Como assim?

- O Sasuke disse que ele é um dampiro.

- Dampiro? – E piscou algumas vezes, tentando processar o que havia dito. - O que é isso?

- Eu não sei, o Sasuke não entrou em detalhes, só me mandou ficar longe dele.

- Claro que ele iria mandar você ficar longe, já que tem o rabo preso. Se o surfista gato associar você com ele pode o pegar rapidinho.

- Eu sei, e eu não quero que isso aconteça.

Ino arqueou as sobrancelhas.

- Você sabe que eu sou contra esse seu romance, não é?

- E eu sei que você é minha melhor amiga e vai me ajudar a conseguir algumas verdades

- Que verdade?

- Qualquer uma e eu sei que você é mais curiosa do que eu.

- Pode até ser – e deu de ombros. – Mas ainda assim não estou do lado do seu namorado.

- Ok... – e me interrompi quando meus olhos enxergaram Tenten bem longe aonde estamos. – Olha lá a Tenten – e apontei em direção a ela.

- Por que ela está andando rápido desse jeito?

- Eu não sei – disse, observando o jeito espalhafatoso de Tenten ir para uma direção que não era aonde nós estávamos.

- Tenten! – Ino a gritou com as mãos em volta da boca.

Tenten parou e olhou para os lados até nos encontrarmos e virou sua direção e veio até nós.

- O que foi que aconteceu? – Perguntei, observando sua expressão incrédula.

- Vocês não sabem da maior – ela disse quando parou a nossa frente, os olhos arregalados.

- O quê? – Disse eu e Ino em uníssonos.

- Acharam o corpo da prima do professor Neji.

- Sério? - Ino estava mais surpresa do que eu.

Tenten assentiu sacando o celular de seu bolso e digitando algumas coisas.

- Saiu uma nota na internet – disse com a atenção no aparelho e depois ergueu para a gente. – Aqui.

- Corpo encontrado da adolescente desaparecida a dois anos. – Ino leu o título da notícia em voz alta.

Eu também via o título, assim como a foto de um corpo coberto por um saco preto.

- O professor Neji deve está arrasado, não é? – Comentei quando Tenten virou o celular para sua frente.

- Oh se tá – disse ela remexendo no aparelho. – Ele tinha esperanças de que a polícia a encontrasse com vida.

- Isso é pouco difícil, já que a garota desapareceu faz anos. – Disse Ino.

- Pois é – e depois ela virou o celular para nós mais uma vez. – Aqui a foto dela.

E na hora quando meus olhos posaram na foto no celular de Tenten o meu corpo congelou.

- Ela era bem bonita – disse Ino, observando a foto.

- O nome dela era Hinata – disse Tenten. – E o pior era que as autoridades encontraram o corpo todo em decomposição.

- Que horror – disse Ino.

- Não pode ser. – murmurei comigo mesmo, meus olhos grudados na imagem daquela garota.

Os cabelos negros com franja, a pele pálida e os olhos claros... os olhos eram a única coisa de diferente diante de todo o resto.

- Eu estava indo lá falar com o professor e dar o meu apoio. – E a voz de Tenten voltou a soar, mas meu consciente não estava processando mais nada, a imagem da garota morta não saía da minha mente.

- E aproveitar e tirar uma casquinha, não é? – Alfinetou Ino com um tom sarcástico.

- Eu não sou de ferro, querida – e soltou um beijo para ela. – Vou lá consolar o meu boy.

- Ok.

E Tenten se foi, afastando-se de nós com passos rápidos.

- Ei – ela me chamou, mas não respondi. – Sakura – e me sacolejou, ganhado minha atenção agora. – O que foi? Você está pálida.

Eu podia sentir a bile subir em minha garganta e uma sensação ruim tomar conta de mim.

- Ino – murmurei e engoli a seco, mordi o lábio e balancei a cabeça para os lados.

- Sakura você está me deixando assustada. – Era visível a preocupação no rosto de Ino.

Fechei os olhos com força, tentando normalizar as batidas do meu peito antes de voltar a fitar minha melhor amiga.

- Você está passando mal?

Balancei a cabeça para os lados.

- Não.

- Então o que foi?

- A prima do Neji...

- O que que tem? Ela morreu, é trágico eu sei...

- Não Ino – a interrompi. – A prima do Neji é a vampira que me atacou ontem.

E eu pude ver que qualquer expressão no rosto de Ino havia desaparecido.

- Ah meu Deus!