Vinte e Sete

Depois que deixamos Sarada em seu quarto dormindo, Sasuke me conduziu até um outro quarto naquele mesmo corredor, o mesmo que acordei depois de meu desmaio, o seu quarto. Naquele momento eu pude prestar atenção naquele cômodo, era bonito com móveis escuros, paredes cinzas, a cama de casal com a cabeceira numa moldura estilo vitoriana, um lustre e cortinas claras e fechadas nas janelas. Era inevitável ignorar o cheiro de seu perfume impregnado em todo o local, assim como a sua presença atrás de mim, minhas costas sentindo seu peitoral sólido.

Estremeci quando sua mão tocou meu ombro, me fazendo prender a respiração por um segundo e fechar os olhos. Foram muitos anos afastados um do outro e a saudade a cada segundo me consumia como se uma parte de mim estivesse morrendo e que só agora eu encontrara um meio de ressuscitar.

Virei meu corpo para Sasuke e fitei seus olhos negros como pedras ônix me olhando daquele jeito que fazia minhas pernas vacilarem. Eu amava aquele jeito que ele me olhava, como se eu fosse uma deusa intocada, meu coração naquele instante estava a um passo de pular para fora de meu peito.

Sua mão tocou delicadamente meu rosto, lento, contornando as linhas desenhadas de meus lábios e fechei os olhos mais uma vez, prestando atenção em seu carinho. O silêncio naquele instante era bom, aquele era o nosso momento, o nosso tempo de ser redescobertos um ao outro através dos toques.

- A tantas coisas acontecendo... – ele começou, sua voz suave como veludo - tantos problemas... e tudo o que eu mais quero é me manter aqui com você, como se todo o resto não existisse.

Abri meus olhos, enxergando seu rosto perfeito e bonito.

- Me sinto pouco confusa, diante de tantas coisas que aconteceram... – e suspirei. – Não tenho ideia de como vai ficar a gente.

- Não vou permitir que você me escape mais uma vez – e agora era as suas duas mãos em cada lado do meu rosto.

Agarrei sua camisa preta de seda.

- Também não quero ficar longe de você – e balancei minha cabeça para os lados. – Por Deus, Sasuke, as minhas lembranças me trouxeram à tona uma enxurrada de sentimentos, e o fato de ter ficado esse tempo todo longe de você está me consumindo aos poucos.

E a sua testa tocou a minha, nossos olhos se enxergando mais de perto agora, nosso próprio mundinho particular.

- Então não fique, Iubirea mea. Eu estou aqui e eu sou todo seu.

Era impossível não sentir aquele sentimento de conforto, seus braços eram o meu lar, a sua boca na minha era meu complemento. Subi minhas mãos e enlacei em volta de seu pescoço, aprofundando aquele beijo, nossas línguas reconhecendo uma a outra. Eu finalmente me sentia completa, o vazio em meu peito havia se dissipado, eu tinha tudo agora e Sasuke era o ponto final.

Suas mãos nervosas estavam em minhas costas, puxando minha blusa branca que estava ensacada na saia. Estremeci quando seus dedos gelados tocaram a minha pele quente, aquela sensação gostosa de atrito que sentia toda vez que me tocava. Arfei contra sua boca, puxando de leve seus cabelos que caíam por sua nuca e sua boca deixou a minha, descendo por meu queixo até o meu pescoço. Ele me cheirou e me beijou, e soltei um gemido quando seus dentes rasparam a minha pele.

- Sasuke...

Suas mãos que estavam em minhas costas vieram para frente, desabotoando os botões de minha blusa para em seguida ela cair num canto no chão. E a sua boca beijou cada espaço do meu colo, parando na borda de meu sutiã.

- Você não faz ideia de quantas vezes eu me segurei para não mandar tudo para o inferno ir arás de você. – Ele disse, agora me olhando, sua íris vermelha me fitando, as pupilas dilatadas cheias de desejo, luxuria e muito amor.

- Seus olhos – murmurei, impossibilitada de desviar os meus dos deles, eram lindos.

- Isso é o que você causa em mim, minha cara – e agarrou meu rosto e me beijou a boca novamente. – Não tenho controle sobre mim quando estou com você. Você é minha.

- Eu sou sua.

E novamente a minha boca havia sendo capturada pela sua, minhas mãos trabalhando para me livrar de sua camisa e a sua em arrancar minha saia e me puxar para a cama. Me ajeitei no colchão, puxando meu corpo para cima, observando-o tirar a calça e os sapatos. Seu olhar vermelho por nenhum segundo deixando os meus.

Prendi a respiração com a visão incrível de seus músculos e gomos abdominais perfeitos de todo o seu corpo erguido e desprovido de roupas. Modi o lábio quando ele veio engatilhando na cama, passando suas mãos pelos músculos de minhas panturrilhas, seu nariz aspirando a pele de minhas coxas e depositando beijos até chegar a borda da minha calcinha.

E Deus, como eu podia ter passado tanto tempo longe daquele homem, só a amnésia para ter feito suportar aqueles anos longe dele e de seus toques. As pontas de seus dedos estavam no elástico de minha calcinha e logo ele a abaixou, se livrando dela também. Minha respiração estava acelerada, só de imaginar o que viria a seguir.

- Diga que me ama – ele pediu, seus dedos ágeis brincando com a fenda de minha intimidade.

Contorci-me com seu toque naquele lugar.

- Eu te amo.

Suas mãos frias afastaram mais as minhas pernas, me expondo a sua mercê. E Deus, sua boca beijou o interior de minha coxa, fazendo minha pele se arrepiar.

- Diga de novo.

E engoli a seco, tentando recuperar o controle diante de sua boca avançando, seus dedos brincando com meu clitóris.

- E-eu t-te amo – gaguejei, minha voz saindo num sussurro.

Meu quadril saltou da cama com o contado de sua boca em minha intimidade. Cada partícula de meu corpo estava tensa e trêmula. Sua língua separou os lábios do meu sexo, escorregando antes de mergulhar. Suas mãos fortes escorregaram para trás da minhas nadegas, segurando-me firme a sua boca.

Eu gemia coisas incoerentes, vendo estrelas com sua boca me dando prazer. Sasuke não parava, apenas me atacava e não existia sutileza em seus movimentos naquele oral. Sua boca me manipulando com firmeza, lançando-me aos céus em questão de minutos, meu interior se contorcendo e desabrochando, a eletricidade percorrendo minha coluna. Eu tremia por inteiro, minhas forças abandonando-me e minhas costas se voltaram contra o colchão novamente. A respiração acelerada.

Aquilo foi incrível, todos os meus músculos se esticaram e minha boca se abriu num grito sem som e gozei. Levou apenas alguns segundos para meu coração voltar as batidas normais e abri os olhos. Sasuke estava ajoelhado entre as minhas pernas, arrancava a cueca e ressaltando sua ereção que resvalava o abdômen liso. Seus olhos vermelhos me encarando com as pupilas dilatadas de desejo.

- Não consigo esperar mais, minha cara.

- Não espere, apenas venha.

Minhas pernas apertaram ao redor de seu quadril, e uma de suas mãos permaneceu sob minhas nadegas, segurando-me firme no lugar.

- Está tomando remédio?

Neguei com a cabeça.

- Não.

Ele tirou minhas pernas em volta de seus quadris e se esticou para o lado, mais para cima, para a beirada da cama em direção a uma pequena cômoda que havia ao lado. Abriu a gaveta e retirou uma embalagem de camisinha, se ajeitando enquanto abria a embalagem no dente para depois colocar em si.

- Não vamos arriscar com a possibilidade de uma outra gravidez.

Ele se inclinou para cima de mim, e me beijou, sua mão passando para detrás de minhas costas e retirou a última peça que havia em mim. Uma de minhas pernas agarrou seu quadril enquanto minhas unhas arranhavam suas costas. Sua outra mão explorando cada pedacinho de meu corpo e parou em meu peito e o apertou, fazendo movimentos circulares com seu polegar em volta de meu mamilo, trazendo-me novamente aquela sensação excitante.

Ele abandonou minha boca só para guiar-se para dentro de mim e me penetrou tão devagar que mal consegui respirar. E gemi, naquele momento tudo que me importava era sentir aquela sensação dele me preenchendo. Seus músculos dos ombros se ressaltaram num relevo evidente quando ele começou a se movimentar, saindo e depois entrando.

- Você é minha – ele disse, possessivo.

E gemi como resposta, meus olhos semicerrados observando ele me fitando enquanto entrava e saía dentro de mim, seus dedos enterrando em meu quadril. Os meus estavam agarrados aos lençóis, minha pélvis indo de encontro a sua naquela fricção.

A expressão de Sasuke era selvagem, os cabelos negros caindo em seu rosto, a boca inchada e entreaberta, e os gemidos saiam por ela, uma verdadeira pintura do pecado.

E novamente sua boca amassou minha, abafando gemidos, nossas respirações se misturando furiosas numa só enquanto ele se movimentava com rispidez e duro. O suor nos cobria por igual. Sua boca desceu, e sugou uma porção do meu pescoço e desceu salivando uma trilha de beijos e capturando um dos meus seios e sugava com força enquanto os movimentos de seus quadris ficavam muito mais fortes.

O som de nossas pélvis se chocando ecoava por aquele quarto mal iluminado, mesclando com meus gemidos enlouquecidos diante daquele sexo selvagem. Eu extremei arranhando com mais força as suas costas e ele me calou com sua boca, me beijando com força. Cheguei ao clímax mais uma vez. E os barulhos que ele fazia e o modo que ele dizia meu nome enquanto ele começava a ficar lento, indicava que também havia chegado no seu, desabando sob o meu corpo, seu peso me pressionando na cama, sua pele pouco escorregadia de suor.

Ficamos assim por uns minutos, tentando normalizar nossas respirações, meus olhos estavam fechados. Senti a sua boca na lateral do meu rosto e seu corpo a seguir ergueu-se para cima e logo em seguida ele saía de dentro de mim. Foi inevitável não sentir a sensação de vazio sem ele me preenchendo.

Sasuke retirou a camisinha e deu um nó na ponta, se levantou da cama e sumiu por dentro de uma das portas que havia naquele quarto, voltando a seguir exibindo todo o seu corpo nu e deitando-se ao meu lado e puxando o cobertor para cobri nossos corpos.

Me aconcheguei em seus braços.

- Eu te amo – disse, beijando seu peito, e ele me apertou mais contra ele.

- Também te amo – e beijou o topo da minha cabeça.

Sorri com minha cabeça deitada em seu peito, fitando algo invisível naquele quarto, ouvindo o som acelerado de seu coração batendo forte, e confesso que o meu não era diferente. E o silêncio gostoso se apossou entre a gente, as lembranças de nosso encontro canal era vivo em minha memória, e eu não queria sair nunca de seus braços, era o melhor dos cenários. Ficaria ali para sempre.

- Estás quieta, minha cara.

Ele fazia círculos com o polegar um pouco acima de minhas nadegas, aquele gesto bem conhecido por mim.

- Estou pensando.

- Em que estás pensando?

Umedeci meus lábios e depois os mordi. Por mais que o momento bom que tivemos a alguns minutos atrás, a realidade estava ali batendo na porta e não podíamos simplesmente ignorar e viver dentro de nossa bolha de amor. Isso era praticamente suicídio, tínhamos muitos problemas para enfrentar pela frente e muitas perguntas sem respostas. Teríamos que enfrentá-los uma hora ou outra.

- Estava pensando em Sarada.

- O que tem ela?

- Ela é igual ao Naruto, e lembro-me que ele tem por sua natureza a caça aos vampiros. – Levantei um pouco minha cabeça para enxergá-lo, seus olhos eram negros agora. - Eu só não entendo por que a Sarada não tem essa necessidade de caça que nem ele.

- Essa necessidade de caça vem devido à ausência dos pais e a prova do sangue vampírico.

Franzi o cenho.

- Sangue de vampiro?

- Eu nunca permiti que Sarada experimentasse o sangue de vampiro, é ele que desencadeia a necessidade de caça. – E agora eu podia compreender melhor. – A Sarada é um híbrido, tem duas opções de alimentação, e não pode viver sem nenhum das duas. Seu lado humano precisa da comida, e seu lado vampírico o sangue.

- Então ela não precisa do sangue de vampiro?

- Não exatamente – e se remexeu, tentei sair de cima dele, mas sua mão espalmada em minhas costas não permitiu tal afastamento. – Ela precisa, só que eu nunca a fiz desenvolver esse lado, a mantendo numa dieta. É como nós os vampiros quando mantem uma dieta com sangue de animal, alimenta, mas não é saboroso e muito menos saciável do que um sangue de humano. A mesma coisa é com os dampiro, o sangue humano o alimenta, mas não é tão saboroso para eles do que o sangue de um vampiro.

- E se ela experimentar o sangue de vampiro?

- O seu lado de caça que está adormecido virá à tona, o vício e o descontrole por mais fará com que ataque a mim ou qualquer vampiro que aparecer a sua frente. É o mesmo que acontece com vampiros recém transformados, o descontrole por sangue de humano faz com que cometam loucuras e ataquem quem ver pela frente para saciar o vício e a fome.

- Entendi.

Agora dava para entender a repulsa que tinham da menina. O fato de que Sarada dizia que todos não gostavam dela, para mim não era o fato de gostar ou não, eles se sentiam cautelosos sobre o fato de sua alimentação e mantê-la bem longe de seus pescoços. Pois pelas minhas lembranças com o trabalho que Naruto dava para a população vampírica, Sarada podia ser igual.

E por falar em Naruto, a lembrança dele naquele dia na pracinha me veio à cabeça e tive curiosidade por saber o que ele fazia ali.

- Naquele dia que levei Sarada para passear na pracinha e que vi Naruto, o que aconteceu depois quando fui para o carro?

- Ele estava incrédulo quando te viu ali, não sabia que você tinha sobrevivido ao parto e me questionou a respeito.

- O que ele fazia ali?

- Ele estava me rastreando no intuito de alertar-me sobre uma coisa.

Ergui meu corpo para cima, para vê-lo com mais atenção, sentindo que viria boba pela frente.

- Alertar sobre o quê?

Eu observava seu rosto sem nenhuma expressão de humor, e parecia hesitar sobre contar ou não. Em seguida ele suspirou, fechando os olhos por um segundo, os problemas estavam batendo a nossa frente.

- Sasuke.

- Ele veio me alertar que violaram o seu túmulo.

- O quê?

- Antes de você ter a Sarada, o meu pai ficou sabendo que estava grávida e meio que fugimos para a Bulgária. Naruto estava nos acompanhando para fazer a segurança sua, da Ino e Tsunade. Ouve um confronto na entrada de Veliko Tarnovo com alguns dos aliados do meu pai que vieram atrás de nós, e Naruto se encarregou deles, afastando-se da gente por dois dias. Nesse tempo você teve a Sarada com a ajuda de Ino e Tsunade. Fizemos seu túmulo para despistá-los e mentimos para Naruto enquanto você estava em coma por causa da magia das Bragadini. Despistei de Naruto e menti para ele dizendo que você havia morrido. Lutamos naquela noite, ele quase me matou se eu não tivesse jogado sujo e fugir. Fui atrás de você naquela noite que estava escondida, e a levei de volta para Tóquio com Ino e Sarada e o corpo de Tsunade. Bom, não foi o melhor dos meus dias para ser contado, e sim o mais doloroso por causa da escolha que fiz.

Parecia que toda a cena que Sasuke contava passava como flash por minha mente, pelo menos parte dela que me lembrava.

Ele continuou:

- Seus pais estavam preocupados com você e seu sumiço de meses, te deram como desaparecida por um tempo. Nesse tempo estava em minha casa para guardar os meses da gestação, então a deixamos na rua de sua casa e fizemos uma ligação anônima para sua família, e vi quando eles a acharam e choraram com o seu aparecimento. Depois foi a vez de dar um jeito na situação da avó de Ino. Bom, acho que já sabe o que aconteceu, não é? Fui embora com Sarada e a deixei voltar a sua vida normalmente como se eu nunca tivesse existido.

- E isso parece que não deu muito certo.

Ele sorriu meio que amargurado.

- Sim, e você está aqui.

- E o que tinha no túmulo?

- Nada – e suspirou.

E a forma que ele parecia hesitar novamente, sabia que não havia acabado.

- Aconteceu mais coisas, não é?

- Itachi ligou-me para dizer que tem boatos que existe bruxas Bragadini.

E a surpresa era visível em meus olhos e temi por Ino.

- O quê? Como isso aconteceu? A Ino!

- Não tenho ideia, meu pai tem contatos, muitos contatos e ele está ligando os pontos. Eu sinto isso, e não vai demorar para ele perceber o que tramo por suas costas.

- Ele vai vir atrás de mim.

- Isso não permitirei – e sua mão apertou em minhas costas. - Falarei com Naruto para manter guarda na segurança de Ino.

- O Naruto ainda está na cidade?

- Não permiti que ele a visse.

- Eu quero vê-lo. – Decretei.

Ele franziu o cenho.

- Você não vai.

Apertei os olhos, pronta para não perder aquela batalha.

- Acho que ele não vai arcar com suas ordens assim de boa depois de ter descoberto que você mentiu.

- Foi preciso, era para sua segurança.

- Mas ele vai escutar a mim.

- Isso está fora de cogitação, esqueça.

Ergui mais o meu corpo com minhas mãos espalmadas em seu peito.

- Sasuke!

- Não Sakura, não vou colocá-la em perigo.

- Ficarei em perigo se você deixar de ser cabeça dura. – Retruquei, começando a ficar irritada com sua insistência. - Quero falar com Naruto, ele é meu amigo e explicarei tudo a ele e fazê-lo cuidar de Ino.

- Você é tão teimosa que me irrita – ele resmungou, bufando a seguir.

Sorri, mordendo o lábio, sabendo que aquela batalha já estava ganha.

- Eu vou mesmo e você não vai me impedir.

Ele apenas suspirou, dando-se por vencido.

- Queria que me obedecesse pelo menos uma vez na vida.

- Sabe que estou certa – e me estiquei e o beijei, seduzindo-o para mim.

E logo mais eu estava de baixo dele novamente e com sua boca beijando-me furiosa, e ele estava animado, seu membro desperto tocando minha barriga.

- Amanhã resolvemos isso, agora quero que seja minha novamente.

Sorri, desejando-o dentro de mim mais uma vez.

- Como quiser, meu romeno – e o beijei novamente.

E naquela noite nós fomos um só mais uma vez, matando a saudade de temos ficado longe um do outro, com a promessa de o amanhã ser um outro dia.

. . .

Eu estava assustada, como estava assustada. Depois quando cheguei em casa eu me tranquei em meu quarto e fiquei o resto da tarde encolhida em minha cama abraçando meus joelhos com a cabeça apoiada neles. Um peso parecia que havia se instalado em meus ombros depois que vi a notícia do corpo da prima do professor Neji que coincidia na vampira selvagem que havia me atacado e que consequentemente Naruto a matou para me salvar. A polícia havia encontrado o corpo e possivelmente faria uma perícia, e o pior, era que meu celular havia sumido. O meu celular! Havia noventa por cento de chances de que a polícia tivesse achado e o pior, me ter como principal suspeita daquele crime.

Minhas mãos tremiam, eu não sabia o que fazer e torcia com todas as minhas forças para que um milagre pudesse acontecer e que a polícia não batesse a qualquer momento em minha porta, querendo me levar para a prisão.

E eu não havia feito nada

Maldita hora que resolvi ir procurar Sasuke naquela noite... espera, se o Naruto não achou meu celular podia ter a possibilidade de Sasuke ter encontrado para mim.

- Sakura. – Ino apareceu no meu quarto, as feições preocupadas comigo. – Ainda pensando naquele celular?

- E o fato da polícia aparecer a qualquer momento na nossa porta para me levar presa.

- Amiga, cá entre nós, se a polícia estivesse com seu celular, eles já estariam te pegado a muito tempo. E, aliás, você não disse que tem a possibilidade do Sasuke ter pegado para você?

Ergui meus olhos para Ino.

- Sim – e suspirei. - Estou com medo.

Ela se aproximou e sentou-se na beirada da minha cama e me fitou.

- Eu liguei para Tenten atrás de mais informações, e ela disse que na autopsia dizia que a causa da morte havia sido natural.

- Como assim? Morte natural, Ino? – Franzi o cenho. – Eu estava lá, eu vi quando Naruto deu um tiro na cabeça dela e depois enfiou uma estaca de madeira no coração dela. Isso não é nada como uma morte natural.

- Talvez não estejamos falando da mesma pessoa.

Mordi o lábio balançando minha cabeça para os lados.

- Não, é a mesma pessoa, eu sei disso.

- Talvez você estivesse nervosa o suficiente e acabou se confundindo. – E neguei mais uma vez com a cabeça. – Existe muitas pessoas com rostos incomuns.

- Não acredito numa coincidência desse tipo.

Ela suspirou e pousou sua mão sobre o meu joelho.

- Amiga, você não pode ficar trancada dentro desse quarto achando que vão te culpar por uma coisa que você não teve culpa só por causa de um celular.

- Eu preciso falar com o Sasuke.

- Geralmente eu iria desconcordar dessa sua ideia, mas acho que só ele poderá acalmá-la nesse momento agora. Vai ligar para ele?

- Me empresta seu celular?

- Vou lá pegar – e se levantou da cama e saiu do quarto, voltou minutos depois com seu aparelho e entrou para mim. - Aqui.

- Valeu.

Tentei lembrar do número de Sasuke, fiz um pouco de força em minha memória enquanto digitava número por número e esperei os toques de chamada. Ele atendeu no quarto toque, sua voz carregada de seu sotaque romeno soou do outro lado da linha:

- Alô?

- Sasuke... sou eu, Sakura.

- Olá, draguta mea – e sorri com sua voz sedutora soando como veludo. – Estava pensando em ti nesse exato minuto.

Mordi o lábio e observei Ino revirar os olhos e sair do meu quarto, me deixando sozinha.

- É mesmo?

- Da. – Ele disse. – Queria você aqui comigo.

E aquela sua vontade era bastante tentadora, pois queria ele ali comigo também.

- Aonde você está?

- No meu apartamento. Quer vim?

- Eu tenho que trabalhar hoje.

- Mas posso te pegar na hora de sua saída.

- A proposta parece tentadora. – Disse, pensando seriamente naquilo. - Mas eu te liguei foi por outra coisa.

- Fale, minha cara.

- Você achou meu celular?

- Sinto muito, mas não.

E meu coração falhou uma batida. Ele continuou:

- Havia policiais no local, eles pegaram o corpo.

- Merda.

- Não se aflija, interroguei alguns policiais, mas eles não acharam nada no beco, apenas o corpo.

Franzi o cenho.

- Não?

- Não. – E ele deu uma pausa. – Sinto que estás tensa, o que houve?

- Eu pensei que a polícia havia achado meu celular.

Se não foi Sasuke que pegou e nem a polícia, então sobrava Naruto, e provavelmente havia mentido para mim. Mas por que ele mentiria para mim sobre o meu celular? A não ser que ele estivesse desconfiado sobre mim e o... será que ele estava tentando me associar a mim e Sasuke? Não, isso não fazia muito sentido, pois eu me lembro de que ele não parecia que estivesse mentido. Apesar que não o conhecia o suficiente para tirar tal conclusão se ele era confiável ou não.

- Sakura.

- Oi – e saí de meus devaneios com sua voz me chamando. – Desculpe, você pode repetir?

- Disse para não se preocupar, sobre a polícia, está tudo sob controle. E quanto o seu celular darei mais outra inspecionada no local para ver se o encontro.

- Ok.

Uma outra pausa se fez do outro lado da linha antes de sua voz soar novamente:

- Tenho que desligar, minha cara, vou resolver uns probleminhas aqui.

- Tudo bem.

- Mas tarde nos vemos.

- Sim.

Ino apareceu em seguida, os olhos curiosos me observando.

- E aí?

- Ele não achou o celular e me garantiu que a polícia também não achou ele.

Ino mordeu a unha de seu dedão e pegou seu celular que eu estendia.

- Então o Naruto mentiu?

- Acho que sim.

Ino e eu ficamos uns segundos nos encarando, processando o que poderia vir depois.

- Ele sabe sobre você e Sasuke? – Ela arriscou, seu tom cauteloso.

- Eu não sei.

. . .

Fui trabalhar naquela noite, chamei um carro por aplicativo para me levar até o bar. Depois de ontem eu estava com medo de sair à noite e ainda mais sozinha. Ino não podia ir, pois ficou em casa estudando para sua prova amanhã. O movimento do bar estava moderado diante dos outros dias, mas mesmo assim era cansativo e meio solitário, já que era a primeira vez que trabalhava ali sem a presença de Hidan, ele era uma ótima companhia de distração. E sua saída ainda era um mistério, assim como sua súbita sumida do mapa.

Sasuke apareceu no meio da noite, com aqueles seus trajes pretos de alfaiataria que o deixava perfeito. E era incrível como todo o meu corpo regia a sua presença e me sentia mais segura sabendo que ele estava ali e fiquei mais tranquila para terminar o meu turno naquela noite.

Saí no meu horário normal, depois da meia noite, já que havia chegado mais cedo no trabalho. Sasuke me conduziu até o seu Ford Fusion Titanium preto. Abriu a porta do carona para mim e sorri em agradecimento para ele enquanto entrava naquele carro. Ele fechou a porta, dando a volta no carro e sentando ao meu lado no banco do motorista. Meus pés estavam me matando de tanto que fiquei de pé e estava pouco cansada, mas está com Sasuke valia a pena ignorar o cansaço e os pés doloridos.

Senti a mão dele pousada em minha perna por cima dos jeans, trazendo meus olhos para ele que mantinha a atenção no tráfego de Tóquio naquele começo de madrugada, mas desviou os olhos negros para mim e sorriu de lado.

- Dorme comigo hoje.

E meu coração acelerou algumas batidas com seu pedido.

- No seu apartamento? – Aquela havia sido uma pergunta idiota.

- Falamos disso mais cedo, minha cara.

- Amanhã tenho aulas, e as minhas coisas estão em casa.

- Te deixo cedo em seu apartamento para se trocar e te levo para faculdade.

- Isso é um bom plano.

E ele sorriu como resposta e dirigiu para uma rota totalmente diferente da roda da minha casa. Seu prédio não ficava muito longe do bar aonde trabalhava, apenas alguns minutinhos de carro e logo ele entrou na garagem subterrânea de seu prédio que ficava no lado mais nobre daquele bairro e estacionou em sua vaga. Ele saiu do carro e quando fiz menção em abrir a porta ao meu lado, ela havia sido aberta e sua mão estava estendida para mim, pelo cara mais cavalheiro que já conheci. Sorri e aceitei sua gentileza, sentindo seus dedos frios em volta da minha mão.

Sasuke morava na cobertura daquele prédio e me via deslumbrada com o luxo iluminando os meus olhos. Eu contemplava encantada aquela luxuosa sala ampla, o dobro de todo do meu apartamento que dividia com a Ino. Uma parede era toda de vidro que dava uma perfeita visão da cidade luminosa de Tóquio, a noite estrelada e a lua cheia no céu deixava tudo muito bonito. Senti um par de mãos me rodeando a cintura, aconchegando meu corpo com o corpo de trás. Minhas mãos seguraram as suas mãos por cima, meu coração acelerava com o toque de nossas peles, o quente no frio.

- Gostou da vista?

- É linda – respondi, meus lábios se curvando para cima. – Nunca vi Tóquio por esse ângulo de altura, parece até outro lugar.

Ele segurou minha mão e me virou para ele, capturando minha atenção com seus olhos negros. Tocou meu rosto com as costas de seus dedos frios, causando-me um formigamento em minha pele por onde ele tocava. Colocou uma mecha de meu cabelo para detrás de minha orelha e desceu as pontas de seus dedos pelo meu pescoço, sem desviar nem um segundo seus olhos dos meus.

- O que foi? – Perguntei, a voz saindo baixinha depois de alguns segundos naquele silêncio.

- Estou apenas contemplando o quanto tu es linda.

Sua voz suave fazia com que as borboletas em meu estômago ficassem agitadas e o coração batesse mais rápido. Desviei meus olhos dos deles, incapacitada de continuar encarando seus olhos intensos.

- Assim você me deixa sem jeito – murmurei, sentindo meu rosto quente.

- Não precisa ficar tímida, apesar de gostar de vê-la com o rosto rubro. Mas só digo o que meus olhos veem. – Tocou o meu queixo, trazendo minha atenção para si. – E meus olhos não mentem quando contemplo seus olhos verdes e enxergar a pureza de sua alma. O mesmo com seu sorriso, é como contemplar uma constelação de estrelas. Você é a recompensa por todos os meus anos vividos. Eu a amo, Sakura. Amo-te tanto que minhas entranhas se contorcem quando penso na possibilidade de perdê-la. Não sei como será minha vida daqui para frente sem ti, sem os seus toques, sem a sua presença. Sou um homem corrompido por pecados que encontrou a paz em seus braços.

Eu soltei todo o ar que eu prendia em meus pulmões. Aquela havia sido a melhor declaração que alguém fez por mim, eu não sabia o que responder, e o melhor a se fazer era ser honesta com meus sentimentos e declará-los de uma vez por todas não só para ele, como para mim mesma:

- Eu também te amo – toquei seu peito -, e sinto medo desse sentimento. Tenho medo de você ser apenas um sonho e quando abrir meus olhos eu me deparar com o vazio pela falta de sua presença. Tenho medo de você não ser real, de eu não ser boa o suficiente para você...

Ele havia me calado com seus lábios macios e frios tocando os meus. Apenas um pequeno toque, que desencadeou vários sentimentos dentro de mim.

- Nunca mais fale isso, você é perfeita – ele estava me repreendendo, suas duas mãos segurando o meu rosto agora -, totalmente esculpida e moldada para mim. Você é tudo o que eu mais quero nesse mundo, Sakura. Você me faz feliz pelo simples fato de existir em minha vida e por fazer me sentir humano novamente.

Não existia mais o que contestar, apenas selei nossos lábios como também nossas confissões de juramentos. Nossas línguas se encontraram mais uma vez, um complemento perfeito de que éramos feitos um para o outro. Assustei-me quando Sasuke me pegou no colo, me fazendo soltar um pequeno gritinho, mas logo fui calada por sua boca na minha mais uma vez.

Ele me levou para o interior de seu apartamento enquanto nos beijávamos e me pós no chão assim quando chegamos em outro cômodo. Afastei-me um pouco para observar o local, era seu quarto e a cama king estava localizada no meio com lençóis em tons escuros, assim como as cortinas fechadas nas janelas. Ele não deixou eu terminar de comtemplar a beleza de seu quarto e me puxou de encontro a sua boca novamente, me beijando de um jeito mais sensual, me seduzindo com suas mãos passeando por meu corpo, segurando a barra da minha blusa e a puxando por cima da minha cabeça, nos fazendo separar por alguns segundos.

Seus olhos com faíscas de desejo avaliando-me só de sutiã me deixou pouco tímida.

- Não sabe o quando esperei por esse momento – e suas mãos passando por minha cintura, sentindo a textura de minha pele.

Meu corpo era uma massa trêmula em seus toques, minhas mãos pousadas em seu peito, meus olhos incapacitados de desviarem dos seus, mesmo se eu tentasse.

- Também estou feliz de estar aqui com você.

Suas mãos subiram e pararam no fecho atrás de meu sutiã.

- Eu a amo, nunca tenha dúvidas disso.

E aquilo foi o estopim para ter certeza do que eu fazia era o certo. Sasuke era a minha melhor decisão, e eu o amava.

Nossas bocas se encontraram mais uma vez enquanto ele soltava o fecho do sutiã, arrancando com suas mãos ágeis. As minhas trabalhavam nos botões de sua camisa e logo me livrei delas, tendo acesso a seu peitoral definido sob a minhas palmas.

Sasuke grunhiu sob a minha boca e me girou, encurralando-me contra a porta, sua pélvis alinhada com a minha e nosso beijo ficando mais intenso. Suas mãos seguraram os meus seios e eu perdi minha instabilidade, meu corpo inteiramente quente, e minha habilidade de pensar de maneira coerente havia ido para o espaço.

- Sasuke...

Ele depositava beijos em meu pescoço e aquilo era bom, sua língua em minha pele, arrancando-me gemidos. E num movimento ele me suspendeu, fazendo minhas pernas agarrarem os seus quadris e ele me levou para cama, se posicionando em cima de mim.

A boca dele se curvou num sorriso antes de abocanhar um dos meus seios e gemi com minhas mãos em seu cabelo diante de seu trabalho ótimo com sua língua circulando meu mamilo. Suas mãos fazia o trabalho de desabotoar minha calça e não demorou para ele se livrar delas, assim como meus sapatos e a minha calcinha.

Eu estava nua diante de seus olhos e acesa por dentro, misturada com meus hormônios agitados.

- Você é linda, Iubirea mea – suas mãos passeavam por minhas coxas, e se inclinou mais uma vez para cima de mim.

Eu puxei de volta para minha boca, segurando seus cabelos negros entre meus dedos. Nossos beijos eram ávidos, famintos, sua boca se moveu para o meu maxilar e queixo e depois o pescoço e tudo dentro de mim ficou tenso.

- Sasuke...

Ele se afastou e me fitou, seus olhos estavam vermelhos e as pupilas dilatadas.

Prendi a respiração.

- Seus olhos.

- Eles ficam assim quando estou muito excitado. – E meu coração bateu forte quando o canto de sua boca se ergueu para cima. – Isso é o que você faz comigo.

Ele desabotoou suas calças e o barulho do tecido era o único som naquele quarto depois de nossas respirações ofegantes. Sasuke nu com seu membro duro apontado para mim desafiava qualquer descrição que possa imaginar. Sua mão curvou sobre o meu quadril, os cabelos caindo para frente de seu rosto. Ele se inclinou para baixo e me beijou com suavidade. Sua mão sobre meu quadril passeou para o abdômen, circundou o meu umbigo antes de se aprofundar nele, fazendo-me estremecer.

- Ești atât de frumos – ele sussurrou.

Não consegui formular palavras para perguntar o que ele havia dito, pois, seus dedos acariciaram acima do meu sexo antes de se moverem para os músculos de minhas coxas enquanto a língua viajava pela extensão do meu pescoço. Aquilo era maravilhoso.

Virei meu rosto para ele a procura de sua boca e ele ajustou seus lábios nos meus. Minhas mãos tocavam tudo que estivesse a meu alcance, afagando os ombros e sentindo a rigidez e a suavidade de suas costas. Quando suguei sua língua ele gemeu fundo da garganta e assim ganhei mais confiança em minha ousadia, e a sua mão escorregou por entre as minhas pernas.

Apenas a pressão de sua palma me fez interromper o beijo, incapaz de respirar. Primeiro ele tocou-me com suavidade, deixando-me sentir e acostumar-se com as coisas que aqueles dedos faziam. A ponta de seu dedo me pressionou, penetrando-me apenas um pouquinho e logo afastou-se antes de voltar a pressionar. Meu quadril naquele momento se movimentava em busca pelo prazer e empurrando o dedo dele mais para dentro. Ele arremeteu entre minhas pernas e o prazer aumentou.

Seu olhar demorou um pouco em seu seio até ele abocanhar novamente e minhas costas arquearam para trás. Eu me sentia formigar e dois dedos se mexiam dentro de mim enquanto Sasuke abocanhava o outro seio. Seu polegar esfregava meu ponto sensível, fazendo meus olhos se revirarem dentro das órbitas, e assim cheguei ao clímax, gemendo e todo meus músculos se retesando. Me senti flutuando, o corpo inerte e saciada até a próxima vez.

Quando voltei a abrir os olhos ele estava esperando e o sorriso que estava em seu rosto era algo que eu nunca iria me esquecer. Eu mal tinha me recuperado quando ele se moveu entre minhas pernas.

- Tudo bem?

Apenas assenti, ainda ofegante.

Ele suportou todo seu peso nos cotovelos, seu corpo me pressionando novamente na cama e se guiou para a minha fenda e me penetrou firme e espesso. Gemi quando o sentia entrando e saindo, pele contra pele, apertei minhas coxas contra seu quadril.

- Me beije – ele ordenou e eu o fiz, segurando seu rosto com minhas mãos e ele começou a se mover lento, seu polegar escorregou sobre o meu clitóris e afagou em movimentos circulares.

Estávamos suados enquanto ele ainda se mantinha lento, e eu me contorcia querendo mais.

- Mais rápido... – disse contra sua boca.

E assim ele acelerou, entrando e saindo, nossos corpos se movimentando escorregadios. Ele beijava meu ombro enquanto acelerava, penetrando-me de um modo que só provocava prazer. Minhas pernas enlaçaram seus quadris e cheguei ao ápice balbuciando seu nome e ele se pressionando com mais força contra mim. Quando ele gemeu seu corpo inteiro estremeceu enquanto ele se derramava todo dentro de mim, enterrando a cabeça em meu pescoço a respiração tocando minha pele.

Minhas pernas caíram bambas para os lados, meu coração transtornado nas batidas e a respiração acelerada e pouco dificultada com o peso do corpo de Sasuke todo sobre o meu. Ficamos assim daquele jeito por algum tempinho até quando ele se ergueu para cima e com cuidado saiu de dentro de mim, desabando ao meu lado da cama, ainda ofegante.

- Isso foi incrível – e virou seu rosto para mim. – Você está bem?

Sorri, sentindo-me uma mulher realizada.

- Sim.

E aproximei-me de seu corpo e ele passou o braço sobre minha cintura, me puxando para que ficasse deitada em cima dele.

- Que bom – e beijou minha cabeça.

Ficamos um tempo sentindo a respiração e as batidas do coração um do outro, meus olhos estavam cansados, eu me sentia cansada diante do dia agitado, a noite de trabalho e a madrugada de sexo. Acho que merecia um descanso e o fato do polegar de Sasuke fazendo movimentos circulatórios em minhas costas ajudava a relaxar.

Eu estava quase dormindo quando abri os olhos com o som da campainha, fazendo meu corpo estremecer de sustos e me afastar de Sasuke e olhar para ele.

- Quem será?

Suas sobrancelhas estavam franzidas e a boca crispada.

- Merda – ele grunhiu me tirando delicadamente de cima dele e saltando da cama rapidamente e agarrando sua calça jogada no chão.

Quando fiz menção de sair da cama também, agora já desperta e tensa de quem poderia ser diante a irritabilidade de Sasuke, ele me parou.

- Fique aqui.

Parei, de joelhos na cama, o observando colocar as calças.

- Mas Sasuke...

- Não saia do quarto, por favor. – Pediu, subindo na cama e me beijando. – Fique.

Apenas assenti com a cabeça, observando ele sair do quarto abotoando a calça e fechando a porta atrás de si.

Sentei sob meus calcanhares e mordi a unha do meu dedão, imaginando quem poderia ser naquela hora. Bom, Sasuke era um homem noturno, acho que era normal receber visitas tarde da noite, não é?

Saltei daquela cama e fui até uma outra porta que havia naquele quarto luxuoso e descobri ser um banheiro. Eu me limpei e joguei um pouco de água em meu rosto, observando minha fisionomia no reflexo do espelho e meus cabelos bagunçado pôs sexo. Passei os dedos sob eles para arrumá-los e não pude deixar de notar o quando o meu corpo estava todo cheio de marcas vermelhas, consequência das pegadas de Sasuke. Sentia também um certo desconforto por entre minhas pernas.

Voltei para o quarto e catei minha calcinha jogada bem longe da cama e vesti. A camisa preta de Sasuke estava perto da porta e a usei, abotoando alguns botões e percebendo que tampava toda a minha bunda.

Curiosa, eu abri a porta do quarto devagarinho e pude escutar vozes, uma delas era de Sasuke a outra não consegui identificar, mas era de um homem. Não consegui entender o que eles discutiam, pois falavam em romeno. Me meti no corredor, meus pés descalços no piso frio não faziam barulho nenhum enquanto me esgueirava em direção as vozes, meu corpo se arrastando próximo as paredes. Parei já perto da entrada da sala e voltei minha cabeça para trás, me mantendo escondida assim quando o homem que estava de frente para Sasuke dizia agora no meu dialeto:

- Eu sei muito bem que está escondendo algo, você não me engana – e um pausa se formou e a voz debochada que soou a segui fez meu corpo paralisar: – E o cheio bom que sinto me diz que estou certo.

E num piscar de olhos eu estava de frente a um homem alto, os olhos eram negros, cabelos pretos e amarrados num rabo de cavalo que estava jogado sob o ombro direito. O rosto era familiar e um sorriso malicioso fez todo meu interior se contrair de tensão, meus olhos arregalados.

- Então esse é o seu segredinho, irmão?

Prendi a respiração e no outro piscar de olhos eu estava nos braços de Sasuke, que me apertava de um jeito possessivo.

- Não tem nada que lhe interesse aqui, vai embora. – Sasuke grunhiu, suas mãos me apertando mais, a atenção no homem a nossa frente.

Eu não consegui dizer nada, apenas piscava várias vezes tentando entender o que estava acontecendo. Tudo estava acontecendo rápido demais.

- Seria nada cordial sair assim sem uma apresentação formal – e me fitou com olhos me avaliando de cima a baixo, e posso dizer que me senti nua com a forma que ele me olhava. – Ainda mais com o seu novo passatempo.

E seus olhos predadores pararam em meu rosto, me encolhi em volta dos braços de Sasuke, que estava como um escudo protetor contra aquele homem.

- Vai embora. – Sasuke disse entredentes.

O clima era intenso ali e odiei-me por ter saído do quarto. Quando pensei que o homem iria obedecer às ordens de Sasuke, o que aconteceu a seguir me pegou de surpresa. Numa velocidade fora do comum, o homem arrancou Sasuke de mim e o jogou para longe, fazendo-o caindo por cima de algo no meio da sala, e um estrondo enorme de algo se quebrando ecoou naquele apartamento.

- Sasuke! – Gritei virando meu corpo aonde ele tinha caído, mas fui pega pelo braço e levada para dentro de um cômodo e trancada com aquele homem de frente para mim.

Estremeci dando vários passos para trás, sentindo a adrenalina tomar conta do meu corpo e o medo me dominando diante do sorriso malicioso daquele homem.

- Não tenha medo, cara dama – e avançou alguns passos em minha direção enquanto eu dava vários para trás, tentando manter a distância, mas sabia que eu não tinha chances contra ele.

- Me deixe em paz. – Disse e senti a parede nas minhas costas, fim da linha.

Meu coração batia freneticamente e o homem parou a minha frente. Agarrou minha mão que estava espalmada na parede e eu pude sentir o quanto ela era gelada, assim como as de Sasuke, e levou a seus lábios depositando um beijo sobre elas.

Seus olhos me fitando e o sorriso não havia saído de sua boca quando disse:

- Muito prazer, sou Itachi Uchiha.