Vinte e Oito
Acordei sentindo mãos acariciarem meu corpo e uma boca deixando uma trilha de beijos por meus ombros. Sorri manhosa ainda de olhos fechados, desfrutando daquelas sensações gostosas, sua mão descendo por minhas costas e apalpava minha bunda. Reprimi um gemido quando seus dedos adentravam o meio de minhas coxas e tocava minha intimidade molhada.
Arfei, meus olhos semicerrados agora, observando um ponto qualquer daquele quarto pouco iluminado.
- Acho que vou acabar me acostumando sendo acordada desse jeito – minha voz saía pouco rouca e baixa, minha respiração começando a ficar acelerada.
A boca de Sasuke aproximou-se de meu ouvido e ele murmurou com sua voz putamente sedutora, fazendo todos os pelos do meu pescoço se enrijecerem:
- Bună dimineața dragă.
Gemi com seus dedos fazendo movimentos circulatórios em meu clitóris, e seu membro duro pressionando minha bunda era deliciosa, insana. Eu estava de bruços e Sasuke praticamente com seu corpo grande por cima do meu, esquentando partes com o calor de meu corpo.
- Posso presumir que isso seja um bom dia em romeno?
Ele sorriu contra a minha pele e mordeu minha orelha.
- Estás ficando boa nisso, minha cara – e sua mão que acariciava o meu ponto de excitação espalmou minhas coxas. - Abra as pernas.
Fiz o que ordenou, o desejo de tê-lo jazia logo abaixo da superfície, formigando minha pele, deixando-me hiperconsciente de tudo. Suas mãos alisaram minha bunda e seus dentes arranharam de leve uma de minhas nádegas. Uma de suas mãos escorregou para voltar a espalmar meu sexo e a pressão de seus dedos hábeis em mim me fez ver estrelas quando começaram a me acariciar, excitando-me ainda mais. Não contive um gemido, apertando os lençóis.
Senti sua boca pressionando beijos ao longo de minha coluna, enquanto dobrava minhas pernas, me empinando para cima, arreganhando-me ainda mais. Seu dedo deslizou para dentro de mim, mas aquilo não bastava, nem chegava perto de bastar. Ele inseriu um segundo dedo, estendendo-me um pouco, e uma vez, duas vezes, ele me golpeou para dentro e para fora. Mordi o lábio com força e pressionei-me de encontro a sua mão, precisando de mais. Qualquer vestígio de sono que pudesse existir em mim, havia evaporado.
- Ești foarte fierbinte, Sakura.
Gemi.
- O... o que... isso signifi-ca?
Seus dedos saíram de mim e essa havia sido uma perda excruciante. Em seguida ouvi o rasgo da embalagem da camisinha e logo o senti todo debruçado por cima de minhas costas, me afundando ainda mais no colchão, fazendo minhas pernas esticarem por causa de seu peso, seu membro duro colado na minha bunda. Sua boca encostou novamente em minha orelha, e sussurrou em meu ouvido:
- Eu disse, você é muito gostosa, Sakura.
Virei meu rosto para trás e a pouca iluminação que havia naquele quarto não me permitia ver nitidamente seu rosto, mas consegui enxergar um sorriso malicioso enquanto erguia seu corpo para trás. Ele deu um tapa em minha bunda, me pegando de surpresa. Segurou meus quadris.
- Empina essa bunda gostosa, sim?
Fiz o que me ordenou e dobrei minhas pernas, com meus joelhos no colchão, enquanto meu rosto estava afundado no travesseiro. Logo seu membro me pressionou, esfregando-me em minha abertura. Sasuke me penetrou num movimento lento e firme, preenchendo-me até que não restasse mais nada que não fosse ele e eu.
Por um instante ele parou, permitindo que eu me ajustasse, mas não demais. Suas mãos apertaram meus quadris e ele começou a se movimentar, cada estocada era um pouco mais rápida e mais firme que a anterior. A respiração arfante, o som de meus gemidos, as batidas de pele contra pele, e as palavras sujas que ele dizia para mim engolfava todo aquele quarto, e me deixava ainda mais excitada. Sasuke estava me fodendo e o cheiro de sexo pesava no ar.
Pressionei-me ao seu encontro, enfrentando cada investida naquele sexo bruto, cravando-me nele. Não havia doçura e muito menos lentidão, nenhum de nós dois queria carinho naquele momento, o prazer selvagem era mais gostoso, mais excitante.
Ele acertou algo dentro de mim que me fez arfar em surpresa, de novo e mais uma vez. Ele se concentrou naquele ponto, deixando-me desnorteada. Me senti superaquecida, como se um fogo ardesse dentro de mim, o suor escorria pela minha pele. Minhas mãos seguraram o lençol com todas as minhas forças e meu rosto afundou no travesseiro, meus olhos fechados. Minha voz clamou abafada sem meu consentimento, gritando seu nome.
Deus.
Meu corpo não era meu. Minha libertação foi intensa, assolando-me com sensações arrebatadoras, enquanto todos os meus músculos ficaram rígidos e trêmulos. Sasuke continuou me penetrando, suas mãos escorregando em minha pele suada. Ele gozou no instante seguinte, arfando e dizendo palavras desconexas.
Seu rosto repousou em minhas costas, os braços ao meu redor. Minhas pernas desabaram, trêmulas, e Sasuke me segurou firme, ainda conectado a mim, mas logo senti o vazio quando ele se retirou, tombando ao meu lado.
Ficamos um tempo em silêncio, normalizando nossas respirações ofegantes. Virei-me, ficando com as costas para o colchão e observei Sasuke deitado ao meu lado. Sua mão acariciou meu rosto, colocando uma mecha de meu cabelo para detrás de minha orelha, seu corpo virando a minha frente.
- Está tudo bem?
Sorri como uma adolescente apaixonada, tocando seu peito nu e soado, deslizando até o seu ombro.
- Foi uma ótima forma para espantar o sono, eu gostei.
Ele riu baixinho e capturou meus lábios num beijo lento e calmo, fazendo meu coração superaquecer nas batidas.
- Também gostei – ele respondeu entre minha boca, e me beijou mais uma vez. – Te machuquei?
- Não.
Abracei seu corpo, afundando meu rosto em seu peito, sentindo seu cheiro gostoso embriagar-me.
Ele beijou meus cabelos e afagava minhas costas com seus dedos delicadamente, como se eu fosse preciosa, e eu confesso que amava aquele gesto depois de uma onda de sexo selvagem.
Mas de repente um tilintar me fez voltar ao mundo real e abrir os olhos de uma vez, a realidade batendo a porta.
- Que horas são? – Perguntei, puxando meu corpo pouco para trás, para ver o rosto de Sasuke.
Ele parecia calmo enquanto me fitava com seus olhos negros.
- Deve ser seis horas.
- Está na minha hora de me aprontar para acordar Sarada. - Tentei me desvencilhar de seus braços para saltar daquela cama, mas Sasuke não permitiu, apertando-me ainda mais em seus braços. – Ela tem aulas hoje, certo? E você é o novo professor dela, já que demitiu o senhor Hatake. E você me segurando desse jeito só complica as coisas.
Ele sorriu maliciosamente e me beijou novamente.
- Eu sou o patrão aqui, e você é a minha mulher. Não precisa se preocupar com esses detalhes.
- Mas tenho afazeres – contra argumentei, conseguindo me soltar de seus braços tentadores. – Nossa vida não se resume só esse quarto e sexo.
Ele se aproximou, insistente, seduzindo-me com seu olhar sedutor.
- Mas minha vida se resume a você.
Sorri, mordendo o lábio, minhas mãos agora espalmadas em seu peito. Ele estava ficando em cima de mim.
- Sasuke – murmurei, já sem forças contra suas vontades famintas por me ter embaixo de seu corpo.
Mas para a minha surpresa ele atravessou o meu corpo e saiu da cama, ficando de pé, me pegou no colo, me fazendo soltar um gritinho surpreso e agarrar seu pescoço.
- Mas antes vamos tomar um banho.
- Presumo que esse banho seja bem demorado, não?
Ele sorriu e me conduziu até uma porta que havia naquele quarto.
- Vai ser um banho inocente.
Eu reprimi a vontade de revirar os olhos, sabendo que de inocente esse banho não teria nada.
. . .
Nosso banho demorou como eu havia previsto, não fizemos sexo, mas nos beijamos em todas as oportunidades. Foram muito tempo longe um do outro e os sintomas das saudades não haviam sido saciados ainda.
Eu me arrumei no quarto de Sasuke, e agradeci por aqueles trajes de babá ser discretos, pois assim cobririam todas as marcas e chupões que ele deixou em mim. Nós teríamos que conversar sobre essas marcas que ele me deixava em lugares desapropriados.
Saí de seu quarto o deixando para trás, procurando o que vestir em seu grande guarda-roupas. O corredor estava vazio e agradeci por não ter nenhum sinal de Karin, acho que não iria conseguir elaborar uma desculpa esfarrapada que explicasse o fato de ter saído àquela hora do quarto do patrão.
Resolvi ver Sarada antes de descer para a cozinha para preparar seu dejejum. E era inevitável sentir aquela sensação gostosa que aquecia meu peito só de imaginar que aquele era o primeiro dia oficial que eu entrava em seu quarto de manhã para acordar a minha filha.
Minha linda filhinha.
Abri a porta devagar e inspecionei o quarto e não pude deixar de notar que ela estava sentada em sua cama, o cobertor por cima de suas pernas.
- Mamãe.
Como uma palavra podia causar tanto impacto numa pessoa? Ser chamada de mãe por minha própria filha era algo surreal, estava me acostumando ainda, e confesso que eu amava aquele título.
- Bom dia, meu amor. - Sorri e adentrei mais o quarto, me aproximando de sua cama. – Já estar acordada?
- Acabei de acordar – e coçou os olhos, e depois sorriu para mim.
Me sentei na ponta de sua cama e ela me abraçou pelo pescoço, e retribui aquele gesto, apertando-a contra mim, me sentindo a mulher mais feliz do mundo.
- Dormiu bem? – Perguntei, beijando sua cabeça para depois me desvencilhar de seus braços para enxergar seu rosto lindo de boneca.
Sarada assentiu com a cabeça.
- Sonhei com você, o papai e eu na pracinha comendo algodão doce. A Chōchō estava lá também e nós brincamos muito e foi muito legal.
Afaguei o seu rosto, sentindo a maciez de sua pele delicada.
- Então foi um sonho bom.
- Foi sim – e balançou a cabeça para cima e para baixo. – E estou com saudades da Chōchō, queria ir na pracinha para brincar com ela.
Umedeci meus lábios e minha mão pousou em seu ombro.
- Meu amor, tem coisas que estão acontecendo que são muito perigosas – eu media palavras para não dizer a ela o que não devia para não a deixar assustada. – Eu queria muito te levar a pracinha novamente para você brincar com a Chōchō, mas no momento não pode.
Ela abaixou o olhar, fitando as suas mãos em seu colo.
- O papai me disse isso – murmurou, meio que triste. E depois me fitou. – Isso tem a ver com o vovô, não é?
Me pus em alerta, franzi o cenho.
- Por que pensa assim?
- O papai não gosta quando o vovô vem aqui. Os dois brigam, e o vovô diz que eu sou um monstro.
Segurei os dois lados de seu rosto, odiando ainda mais o progenitor do pai da minha filha.
- Você não deve dar ouvidos ao que seu avô diz, ele que é um monstro, não você. – Ralhei aquelas palavras, mas Sarada não parecia convencida. – Você é a minha filha, e eu a amo com todas as minhas forças e farei de tudo para te proteger dessas pessoas que lhe querem mal.
- Eu também te amo, mamãe – e me abraçou novamente. – Eu estou feliz que a senhora está viva.
- Também estou feliz de estar aqui com você, minha filha.
Eu já podia senti as lágrimas embaçarem meus olhos, mas consegui reprimi-las. A emoção e a raiva lutando para tomar o controle, e naquele momento eu prometi que faria o possível e o impossível para acabar com aquele homem que Sasuke tinha como pai. Nunca mais queria ver minha filha ser menosprezada e ameaçada por um monstro sem coração que desgraça a vida das pessoas por benefício próprio.
Deixei Sarada em seu quarto para se arrumar enquanto fui para cozinha preparar algo para ela comer e para mim também, pois estava faminta. Encontrei Karin na cozinha, trancando a porta do refrigerador de sangue com a chave.
- Bom dia, Karin. – A cumprimentei educadamente enquanto abria os armários, pegando os utensílios para o preparo daquele café da manhã.
- Bom dia, senhorita Haruno – sua voz soando milimetricamente projetada.
Sorri para ela enquanto abria uma gaveta para pegar uma faca, ignorando aquela sensação incômoda de estar sendo observada por seus olhos capitalizadores. Não aguentando mais sentir ser alvo de seu olhar e fingir que nada acontecia, ergui meus olhos para ela que estava parada perto do balcão, me observando astutamente.
- Precisa de algo?
- Percebo que está de bom humor – ela disse, sem desviar os olhos de mim.
Desviei meus olhos para os meus afazeres.
- É mesmo?
Silêncio.
- A senhorita não dormiu em seu quarto essa noite e muito menos no quarto da pequena Sarada.
Prendi a respiração e não respondi, continuando com minha atenção na jarra de leite que preparava. O que Karin queria me abordando daquele jeito?
- O mestre está feliz essa manhã quando o encontrei na biblioteca.
- Hm.
Sasuke havia dito para permanecemos em segredo sobre quem eu era e minha relação consigo e com Sarada, mas Karin não era idiota, isso estava óbvio. E eu sabia que ela já sabia o que estava rolando naquela casa, e a forma como ela me olhava dizia que nada fugia de seus olhos de águia.
O silêncio novamente havia se formado naquela cozinha e aquela sensação angustiante que ela causava em mim quando me pressionava para soltar algo me deixava tensa. Mas ela não iria tirar uma só palavra de mim, isso eu tinha certeza.
Depois que alguns minutos, Karin percebeu que não iria dizer nada, e acabou se dando por vencida, saindo da cozinha e me deixando sozinha. Soltei todo o ar que prendia, levando minha mão ao peito, meu coração batia forte.
Aquilo havia sido por pouco.
. . .
Mais tarde naquele dia, depois de Sasuke ter dado as aulas particulares a Sarada e ela ter almoçado e agora brincava em seu quarto com suas bonecas e seus brinquedinhos da festa de ontem, eu travessei o escritório de Sasuke, fechando a porta, trazendo sua atenção para mim, sentado em sua cadeira de couro atrás de sua mesa escura polida e brilhante.
- Precisamos conversar – disse quando parei a sua frente, do outro lado da mesa.
Sasuke ergueu as sobrancelhas para cima, me fitando com mais atenção.
- Aconteceu alguma coisa?
- Karin desconfia da gente.
Ele relaxou em sua cadeira, cruzando os braços.
- Não se preocupe, tenho plena e total confiança em Karin.
Arqueei as sobrancelhas, surpresa com sua declaração.
- Têm?
- Sim.
Cocei meu pescoço, desviando meus olhos para um objeto em sua mesa, sentindo-me um pouco desconfortável.
- Desculpe, mas não compartilho dessa mesma sensação – mordi o canto de minha boca, voltando a fitá-lo. – Ela é tão... meticulosa.
- É só o jeito dela – garantiu, descruzando os braços e agora erguendo seu corpo para frente. – Karin já passou por uns maus bocados nessa vida. Ela apenas se desligou de todos os seus sentimentos para evitar mais sofrimento.
- Você a conhece muito bem, pelo que vejo.
- Conheço.
Minha unha do dedo enfincou em minha palma.
- Tem muito tempo que a conhece? – Eu senti na necessidade em saber, sentindo um pequeno desconforto.
- Muito.
Era impossível não perceber a sinceridade em suas respostas e a forma como ele respondia sem hesitar, seus olhos me observando sempre, e eles sorriam para mim, assim como o canto de sua boca que se erguia para cima naquele momento.
Ah, não!
- Estás com ciúmes, minha cara?
Meus olhos se abriram mais e consequentemente dei um passo para trás.
- Ciúmes? É claro que não.
Eu estava na defensiva e cruzei meus braços numa forma de defesa contra aquele olhar e aquela sobrancelha arqueada.
Sasuke se levantou de sua cadeira e se aproximou de mim como um predador.
- Mas seus olhos dizem o contrário, Miere.
- Não dê atenção aos meus olhos então.
Ele encostou seu quadril na mesa, a mão segurando a borda enquanto reprimia uma risada.
- Saiba que só tenho olhos para você – e me puxou pela mão de encontro ao seu corpo.
- Isso soa bem clichê – abracei sua cintura com meus braços, suas duas mãos agora em meus ombros e sua testa encostou a minha.
- Você e a Sarada são a únicas razões da minha vida.
Seu tom era sério assim como sua expressão, fitando-me o fundo de meus olhos. Me senti uma tola por nutrir por alguns segundos um sentimento estúpido de ciúmes por Karin. Sasuke era meu, e ele havia demonstrado isso em mil e uma formas.
Acabei com o pouco espaço que existia e colei nossas bocas, e demonstrei através daquele beijo o quanto ele era importante para mim, e o quanto eu era apaixonada por ele. Nós estávamos juntos agora e era isso que importa, o resto eram pequenos detalhes.
- Confesso que senti um pouquinho de ciúmes – disse baixinho.
Ele beijou minha boca mais uma vez e o soltei, dando um passo para trás.
- Karin foi uma das poucas pessoas que eu transformei.
- Você a transformou? – Perguntei, pouco surpresa com a revelação. Ele assentiu com a cabeça. – Pensei que não gostasse de transformar as pessoas.
- E não gosto – declarou -, mas ela foi uma exceção. Não me sinto no direito de contar sua história, é bem trágica, mas confesso que a ajudei a se vingar daqueles que lhe fizeram mal. Karin é grata pelo o que fiz a ela e me serve como uma fiel aliada como uma forma de me pagar o que fiz por ela. Não a cobro por nada do que a fiz, ela faz por livre e espontânea vontade. Tenho plena confiança a ela, o que ela ver aqui morre aqui.
- Entendi.
- Ela também me ajudou a cuidar de Sarada.
- Acho que sou grata a ela por isso. – E era verdade, agora podia ter uma noção do que pensar daquela mulher, sua expressão fechada guardava um passado de dor e sofrimento.
- Também sou grato a ela – ele disse. – Karin cuidou e protegeu Sarada enquanto me via em lamúrias com minha dor por ter perdido você. Mas ela não é boa com sentimentos e sua frieza torna as coisas mais difíceis.
- Agora entendo por que a Sarada comentou que Karin não gostava dela.
Karin não mostrava sentimentos e isso não queria dizer que ela não a tratava bem.
Suspirei agora mais aliviada por saber que Karin era uma liada fiel, e minha mente logo foi para o meu próximo tópico da conversa.
- Quero encontrar o Naruto – declarei de uma vez, sem rodeios.
Sasuke ficou sério novamente.
- Conversamos sobre isso – disse, afastando-se de mim, dando a volta na mesa em direção a sua cadeira.
O segui, certa de que não iria deixar ele me enrolar como me fez ontem.
- Você prometeu. – E parei a sua frente, ele estava sentado em sua cadeira novamente.
- Não acho que seja seguro você o encontrar.
- Ele é meu amigo, e sei que ele não vai fazer nada comigo. Você sabe disso mais do que ninguém.
- Eu posso fazer isso sozinho – ele continuou relutante com sua decisão.
Ousei-me seguir por outro caminho, não tinha mais escolhas.
Sentei-me em seu colo, enlaçando seu pescoço com meus braços, minha boca estava próxima da sua, e seu olhar vez ou outra desviava para os meus lábios.
- Você me prometeu – disse manhosa, acomodando-me ainda mais em seu colo, sentindo os efeitos que causava nele em minha bunda.
- Sakura – sua voz era mais baixa que um sussurro.
- O que você me diz?
Minha voz era baixinha, meus lábios roçando agora os seus, e antes de eles serem capturados por sua boca faminta eu desviei meu rosto para o lado. Suas mãos estavam em meus quadris, pressionando-me ainda mais em seu volume que fazia em suas calças. Gostei de saber que tinha pleno controle sobre ele e por aquela situação. Sorri, rebolando um pouquinho em seu colo o fazendo arfar, sua boca depositando beijos em minha mandíbula e pescoço.
Eu não podia perder o controle.
- Sasuke – chamei, segurando seu rosto com minhas duas mãos, fazendo ele me olhar. – Qual é a sua resposta?
Ele ficou um tempo em silêncio, observando-me enquanto sua boca estava entreaberta.
Ergui minhas sobrancelhas para cima, esperando.
- Ao anoitecer – seu tom parecia no automático -, está bom para você?
Reprimi um sorriso que queria surgir e assenti com a cabeça.
- Está ótimo...
Ele atacou a minha boca com fúria, não me deixando terminar de responder. Suas mãos me apertando ainda mais, e uma delas adentrava a minha saia, o homem estava descontrolado. Mas eu tinha que tomar o controle novamente, e não o deixar me dominar, e aquela não boba não podia subir ainda mais por dentro da minha saia, senão eu estaria perdida.
Retirei sua mão boba da minha saia e me desvencilhei de seus braços, acabando com o nosso beijo. Me afastei alguns passos para longe dele, minha respiração ofegante.
- O que pensa que está fazendo? – Ele franziu o cenho, e era claro o seu estado visível de excitação que parecia que saltaria daquela calça.
Umedeci meus lábios e me fiz a mais cínica que pude, sorrindo enquanto dava a volta a mesa, ficando uma boa distância dele.
- Você estava querendo me enrolar, então merece ser castigado.
Sabia que era uma brincadeira perigosa, e sabia que tinha cem por cento de chances de ele me dar o troco, mas Sasuke tinha que entender que não aceitaria ser enrolada por ele como ele queria me enrolar.
- Você não está falando sério, está? – Seus olhos se abriram mais, as mãos espalmadas sobre a mesa.
- Você começou – outro passo para trás, o meio sorriso não saía do meu rosto.
Ele me observou por alguns segundos, e apertou os olhos.
- Vai ser assim? – Eu apenas ergui as sobrancelhas como resposta. - Sfântă porcărie – murmurou consigo mesmo, para depois um sorriso brotar em sua boca. – Se quer jogar esse jogo, Draga mea, então jogaremos.
Senti um frio circular meu estômago e talvez a minha decisão não tenha sido tão boa assim, principalmente por causa do sorriso sujo que ele tinha no rosto. Mas já era tarde para voltar atrás, e aceitaria aquele joguinho.
- Vou ver a Sarada agora.
- Ok.
Ele ainda sorria quando me virei para sair, mas parei com a mão na maçaneta quando me lembrei de algo. Virei meu rosto para trás e voltei todo o meu progresso percorrido parando a sua frente novamente.
Sasuke ergueu as sobrancelhas para cima num olhar debochado.
Estendi minha mão.
- Quero meu celular de volta.
Ele não hesitou em abrir a gaveta de sua mesa e tirar meu aparelho e estender para mim.
- Aqui, senhorita. – Estava me provocando, e a forma que me olhava, excitado, me deixava mais ansiosa.
Tenha controle, Sakura. Disse para mim mesma pegando meu celular, evitando que meus dedos tocassem os seus.
- Obrigada.
E saí daquele escritório o mais rápido possível antes de desistir e me jogar em cima dele.
. . .
Quando anoiteceu eu já estava arrumada com minhas roupas comuns, jeans, blusa, casaco e tênis. Já tinha preparado todo o jantar de Sarada e Karin iria ficar cuidando dela enquanto Sasuke e eu estivermos fora. A noite estava fria e nublada como todos os dias, e o caminho até o centro havia sido em silêncio, falamos apenas o essencial, e a forma séria que Sasuke estava, dizia que não estava de acordo com sua decisão que o forcei na base da minha sedução feminina.
O carro estacionou no pequeno prédio de três andares um pouco afastado do centro daquela pequena cidade. O movimento era mínimo apesar de ser cedo, e a luz fraca que saía do poste mal iluminava aquela rua deserta.
- É aqui?
- Sim. Naruto está hospedado no segundo andar desse prédio.
Nos olhamos por um breve segundo antes de Sasuke abrir a porta e sair do carro. Em segundos a porta ao meu lado abriu e eu pude sair para o frio que fazia naquela noite. Encolhi-me dentro do meu casaco e com uma mão espalmada em minhas costas, Sasuke me guiou para dentro daquele prédio.
Não havia portaria, e muito menos um porteiro, apenas um lance de escadas que nos levava para os andares de cima. Subimos alguns lances de escadas estreitas até chegarmos no segundo andar. O corredor era estreito e pequeno com duas portas, uma de frente a outra.
- Qual delas? – Perguntei para Sasuke, desviando meus olhos para ele.
- Essa – ele indicou a porta do lado esquerdo e paramos sobre ela e ele deu algumas batidas na madeira.
Esperamos, e a ansiedade era visível em cada célula do meu corpo, havia tempos que não via Naruto, tirando o dia que nos encontramos na pracinha. Mas estava sob os efeitos da amnésia e não o reconheci. Eu queria vê-lo, abraça-lo e explicar a causa de minha morte falsa e pedir que protegesse a pessoa que mais fez por mim. Minha melhor amiga Ino. Eu sabia que ele iria entender, ele tinha que entender, pois Ino corria perigo.
Dois minutos depois a porta foi aberta e um cara de cabelos loiros, camiseta laranja e olhos azuis nos fitava, surpreso.
Abri um sorriso contido, revendo em minha mente o que eu diria a ele, não seria uma conversa fácil.
- Sakura! – Seu tom era baixo, mas surpreso, os olhos nenhuma vez desviaram-se de mim.
- Oi, Naruto.
. . .
Minha respiração estava presa na garganta enquanto observava aquele homem sorrir para mim de um jeito galante, com minha mão em sua posse. Uchiha? Ele era irmão de Sasuke?
Antes que eu formulasse qualquer tipo de teoria a porta daquele cômodo se abriu num estrondo, me fazendo saltar com o susto. E novamente num piscar de olhos Itachi não estava a minha frente e sim jogado uma parede do outro lado daquele cômodo, com um Sasuke furioso segurando seu pescoço, enquanto cuspia palavras furiosas em seu rosto:
- Seu idiota, o que pensa que está fazendo?
Soltei todo o ar que estava preso em meus pulmões, tentando desastrosamente que meu coração desacelerasse nas batidas. Minhas pernas tremiam, assim como todo o meu corpo.
Uma risada soou pelo local.
- Não fiz nada, irmãozinho – seu tom era debochado, e desvencilhou de Sasuke, o socando em seguida tão forte que o jogou a alguns metros para trás, caindo próximo de mim.
- Sasuke! – Gritei seu nome, desencostando minhas costas da parede, fazendo menção de ir até ele, mas Sasuke foi mais rápido e agora socava seu irmão que o revidava e o socava no estômago e os dois agora rolava pelo cômodo, destruindo tudo o que via pela frente. – Parem vocês dois!
Tomei impulso e agindo pela adrenalina eu me aproximei deles, desviando de um vaso que caía de cima de uma prateleira na hora que um jogou o outro na parede.
- Parem de brigar! – Gritei novamente parando atrás de Itachi ao mesmo tempo que ele saía com sua super velocidade, fazendo automaticamente o soco que ele iria tomar vir direto para mim, parando uns três centímetros afastados do meu rosto.
Prendi respiração e meu coração falhou algumas batidas, ao mesmo tempo que os olhos de Sasuke arregalavam, parando seu punho a tempo de me atingir.
- Sakura! – Ele estava surpreso.
- Oi.
Ele abaixou seu punho e me puxou para seus braços, abraçando-me apertado, contra seu corpo.
- Me desculpe, eu não queria... – ele disse, meio que atordoado por quase me acertar, seu sotaque estava bem forte quando ficava nervoso.
- Está tudo bem, não se preocupe.
- Está vendo a merda que você fez, seu idiota! – Ele brigou com o irmão que estava próximo da porta escancarada, assistindo a nossa cena.
- Eu não fiz nada – ergueu as mãos para cima, o sorriso ainda estava em seus lábios. – Minha consciência está limpa. Só queria dizer um olá aquela que está desviando você de sua mania por trabalho. – E seus olhos pousaram em mim. – Saiba que você fez um grande progresso em pouco tempo, mocinha.
Sasuke tentou avançar para cima dele, mas eu o impedi, com minhas mãos em seu peito.
- Sasuke, por favor, não faça isso.
Ele segurou meus olhos, seus olhos me fiscalizando por inteira.
- Ele te machucou?
Balancei minha cabeça para os lados.
- Não... ele não fez nada. Só me assustei, não estou acostumada com esse tipo de situação.
- Viu só, não fiz nada com a sua distração.
Sasuke desviou seu olhar furioso para Itachi.
- Pleacă, fiule de cățea.
Itachi ergue as sobrancelhas para cima.
- Que feio, xingar a mamãe desse jeito.
- Vai embora, agora!
- Ok, ok, estou indo – ele deu um passo para fora do cômodo. – Depois nós nos falamos. Foi um prazer em conhecê-la, .ra.
Sasuke rosnou irritado, e Itachi riu, saindo do nosso campo de visão e alguns segundos depois o som da porta de saída abrindo e fechando soou.
Eu podia respirar aliviada diante aquela tensão, e Sasuke bufou, me observando, e percebia que ele tentava se controlar.
- Você está tremendo.
- Acho que sim.
Ele afagou o meu rosto, depositando um beijo em minha testa e consequentemente fechei os meus olhos, apreciando aquele gesto.
- Me perdoe pelas merdas do meu irmão – e abri os olhos e o enxergando novamente. – Se eu soubesse que ele viria aqui hoje não teria trazido você e a colocado em perigo.
- Ele não me fez nada.
- Itachi é um idiota intrometido que adora me irritar. – Em seguida segurou minha mão. – Venha tomar uma água para se acalmar.
Ele me conduziu até a sua cozinha luxuosa e moderna, como todo aquele apartamento. Ele abriu a geladeira tirando uma garrafa de vidro de água e um copo para mim, e entregou-me com o líquido dentro.
- Obrigada – agradeci, pegando o copo e tomando alguns goles.
Seus olhos por nenhuma vez deixaram de me olhar, avaliando-me de cima a baixo, e um brilho de malícia faiscavam deles. E foi inevitável não sentir um calor em meu rosto e pescoço.
- Por que está me olhando desse jeito?
E seus olhos negros focaram em meu rosto, e ele se aproximou cautelosamente.
- Gosto de ver você usando minha roupa, minha cara.
- Ah... – e olhei para sua camisa sobre mim. – Espero que não se incomode.
- Jamais – e sorriu pousando uma mão em meu quadril e com sua outra estendeu um celular.
O meu celular.
Franzi o cenho, deixando o copo em cima do balcão e pegando meu aparelho, o reconhecendo.
- Meu celular? – E liguei o display, aparecendo a minha foto com a de Ino dando língua como protetor de tela. – Você disse que não tinha o encontrado.
- Itachi o encontrou.
Ergui meus olhos para ele.
- Como?
Sasuke umedeceu os lábios e tirou sua mão de meu quadril.
- A vampira que lhe atacou estava sob os cuidados de Itachi e o imbecil acabou fazendo merda e a perdeu de vista. Ela não era tão equilibrada das ideias, não tenho ideia de como era sua personalidade antes de se transformar.
- Qual era o nome dela? – Perguntei, extasiada com aquela revelação, por saber que Sasuke a conhecia.
- Hinata.
Minha boca se abriu com o choque. Eu estava certa, era a estudante desaparecia. A prima do professor Neji.
- Essa garota desapareceu alguns anos, deu em todos os jornais locais.
- Entendo. Ela foi seduzida por um dos amigos de Itachi e ela acabou se apaixonando por ele e fazendo a burrada por se transformar. A maioria dos vampiros só querem diversão com os humanos, sexo e se alimentar de seu sangue. Essa Hinata era a distração desse cara e a desilusão por ser descartada acabou a deixando louca devido aos sentidos descontrolados da transição.
- Que trágico.
- Ela sempre nos causava problemas, saindo por aí e atacando sem pensar nas consequências.
- Entendo.
E naquele momento eu me sentia angustiada por Hinata ter um fim ruim e por uma curiosidade sobre o vampirismo.
- Como é que se transforma em um vampiro?
Sasuke franziu o cenho e se afastou alguns passos para trás, crispando a boca.
- Se está pensando na possibilidade de se transformar pode ir descartando. Não desejo essa vida miserável para ninguém.
- Não estou pensando em me transformar, só estou curiosa.
Ele não me respondeu, e eu me aproximei dele, segurando a sua mão gelada, e entrelaçando nossos dedos. Olhei em seus olhos.
- Eu te amo e sei que nosso tempo tem um prazo de validade. Vou envelhecer e você vai continuar jovem e lindo.
Ele levou uma mão ao meu rosto.
- Irei amá-la para todo o sempre, mesmo estando velhinha – e sorriu, mas logo voltou a ficar sério novamente. – Mas tenha em mente que nunca irei tirar sua humanidade para viver uma vida sob a escuridão. Você é o sol que ilumina meu mundo de trevas, Sakura. Você é o centro de todo o meu universo.
Sorri com suas palavras bonitas e beijei sua mão gelada. Sasuke era perfeito em várias formas e eu o amava com todas as forças do meu ser.
- Já que não irá me contar como se transformar, então me conte como é a sensação de se transformar em um vampiro?
Ele umedeceu seus lábios e me pegou pela cintura, me suspendendo para cima e me sentando no balcão negro de mármore. E me beijou suavemente e lentamente, como se eu fosse uma boneca de porcelana. Suspirei contra sua boca, até ele se afastar alguns centímetros, e colocar meu cabelo para detrás de minha orelha.
- É uma sensação ruim, muito ruim – ele começou, brincando com meus cabelos. – Uma febre alta e forte invade o seu corpo, o deixando inconsciente, como se a morte estivesse o levando aos poucos. A dor a seguir é insuportável, como se enfiasse milhares de agulhas flamejante dentro de sua pele. O frio é surreal, como se estivesse sem roupas dentro de um lago congelante. A transição não é algo que alguém em sã consciência queira para si. Você fica refém da noite, se alimenta do sangue dos inocentes, seus sentidos ficam aguçados e apurados, seu temperamento mais sensível e os sentimentos mais intensos, moldando toda a sua personalidade. Você se torna um predador com uma fome e desejo sexual que nunca acaba. O cheiro e o som do sangue correndo nas veias é como se fosse uma droga que deixa qualquer ser descontrolado.
Engoli a seco com seus relatos, não era nada como uma história bonitinha de romance.
- Você... – umedeci e mordi meu lábio rapidamente, sem desviar meus olhos dos de Sasuke. – Você não sente... vontade de me... morder?
E seus olhos ficaram mais escuros.
- Por que me faz essa pergunta, Sakura?
- Por que o vendo assim, não acho que tenha esse descontrole sobre o sangue humano, já que me tem como namorada e nunca tentou algo a mais... como se alimentar de mim.
Aparentemente Sasuke não disse nada, ficou me observando por um tempo, olhando-me detalhadamente e senti-me uma tola por trazer o tópico à tona. Seu rosto se aproximou e desviou-se para meu pescoço, e foi inevitável controlar a desenfreada que ficou meu coração, meus olhos arregalaram com a possibilidade de sentir seus dentes perfurando a minha pele.
Prendi a respiração, sentindo todo o meu corpo paralisado, tenso e esperei. Esperei ele se alimentar do meu sangue, mas para a minha surpresa, eu senti foi seus lábios acariciarem meu pescoço com beijos molhados e suáveis. Fechei meus olhos por alguns segundos, e nada aconteceu.
- Você não tem ideia do quanto eu quero morder o seu pescoço e sugar cada gota do seu sangue.
- Então, por quê? – E abri meus olhos, observando ele me olhar.
- Por que o que sinto por você é mais forte do que a necessidade de morde-la. Agarro-me todos os dias a esse sentimento para me manter no controle. Você é deliciosa, Sakura. Seu cheiro é inebriante. – Ele cheirou o meu cabelo. – Gosto do seu cheiro, gosto de sua pele macia – e acariciou meu rosto com as costas de sua mão. – Gosto de saber que você está viva e isso é tudo para mim. Nada me importa a não ser você. – E segurou os dois lados do meu rosto com suas mãos. – Saiba que vou ao inferno por você.
- Isso soa meio que doentio.
Ele sorriu encostando sua testa na minha.
- Sou doente por você, minha cara Sakura.
E me beijou mais uma vez, deixando tudo às claras, seus desejos e medos. Confesso que gostei de ouvir sua sinceridade, apesar de sentir-se aflita por suas confições obscuras, mas estávamos desprovidos de máscaras, sinceros um com o outro naquela relação.
- Agora vamos dormir – e me agarrou, me fazendo enlaçar sua cintura com minhas pernas. – Já está tarde e manhã tem aulas.
- Sim.
E seguimos para o quarto aos beijos.
