Vinte e Nove
Sorri um pouco mais, ignorando o fato de que as pontas de meus dedos estarem geladas e toda a palma de minhas mãos úmidas, sinal visível de que eu estava nervosa. E o fato do olhar azul de Naruto estar um pouco escuro - sinal claro de ressentimento e de magoas - não ajudava muito.
- Não vai nos convidar a entrar? – Perguntei, quebrando aquele silêncio constrangedor que havia se apossado naquele corredor.
- Seria até eufemismo arcar com essa tal proeza – mas mesmo assim ele abriu a porta para nós entrarmos. – E questiono-me até que ponto cheguei, acomunar no mesmo local que um vampiro.
- Saiba que para mim não está sendo nada fácil engolir meu orgulho e estar no mesmo ambiente que você. – Sasuke alfinetou, adentrando junto a mim naquele pequeno apartamento.
- Podemos ignorar esse pequeno detalhe de vocês se odiarem por alguns minutos e conversarmos civilizadamente?
Passei uma olhada rápida por todo o local pequeno com paredes esverdeadas e descascando a tinta em alguns pontos, um sofá velho de um lugar no lado esquerdo, perto de uma mesinha com uma televisão antiga em cima. Do lado direito uma cama de solteiro e uma cômoda, era visível as armas em cima dela. Ao fundo uma pequena geladeira azul, ao lado de uma pia e fogão e alguns armários pregados na parede.
Naruto soltou uma risada sarcástica, fechando a porta e cruzando os braços enquanto encostava suas costas nela.
- Como se fosse fácil engolir o fado desse daí ter escondido todos esses anos que você estava viva.
Sasuke apertou os olhos e avançou um passo na direção de Naruto.
- Meça as suas palavras para falar assim comigo, você não sabe de nada.
Naruto não pareceu nenhum pouco abalado, descruzou os braços e veio em direção a Sasuke, retrucou:
- Só para você ficar consciente, meus dedos estão coçando nesse momento para ter seu coração em minhas mãos.
- Dá para parar vocês dois?! – Os interrompi, me pondo no meio entre eles, minhas mãos esticadas uma para cada direção do outro. – Não estamos aqui para brigar.
- Não estaríamos nessa situação se não tivesse se envolvido com esse cara. – Naruto acusou, desviando seus olhos para mim, a boca crispada.
Sasuke avançou um passo, e minha mão espalmou em seu peito.
- Seu...
- Já chega! – Minha voz saiu um pouco mais alta que o normal. – Não é hora para ressentimentos agora. Estamos aqui para conversar. – E virei-me para o outro. – Naruto por favor, não provoque.
- Tudo bem, farei vista grossa aqui. – Sorriu irônico, levantando as mãos para cima e se afastando para perto de sua cômoda com armas. – Querem alguma coisa? Só não tenho sangue de humano – e olhou para o Sasuke. – Sabe como é, prefiro os de vampiro, é muito mais saboroso.
- Não queremos nada, obrigada. – Agradeci, impedindo uma próxima discursão entre os dois.
Desviei meus olhos para Sasuke que estava com a expressão nada boa, o cenho e a boca franzida.
- Vir aqui não foi uma boa ideia – resmungou, sem desviar os olhos de Naruto.
- Sasuke, você prometeu.
E logo fui alvo de seus olhos negros, eu queria tentar dizer por entre nossas trocas de olhares para ele ter um pouco mais de paciência.
- O que vocês querem? – Naruto perguntou.
- Nós precisamos da sua ajuda – respondi, voltando minha atenção para ele.
Ele arqueou as sobrancelhas, virando seu corpo todo para nós novamente.
- A minha ajuda?
- Sim.
- O que seria essa ajuda, minha querida amiga?
- Você está de deboche – acusei, apertando os olhos, estava detestando aquele humor ácido que ele demonstrava. Mas mesmo assim, eu não podia reclamar depois de ter descartado ele como se fosse um nada.
- E por que eu não estaria? Você me enganou... – e seus olhos desviaram para Sasuke também - quer dizer, vocês dois me enganaram.
- Enganei você para protegê-la. – Sasuke tomou a vez, o tom sério e frio.
- Protegê-la? Você diz isso como se eu não fosse confiável naquela época e agora depois de anos eu sou confiável? – Ele assentiu com a cabeça, agora batendo as palmas, irônico. - Parabéns, vocês dois são ótimos candidatos a vagas de cinismo.
Avancei alguns passos para perto dele.
- Naruto, escute, não foi a nossa intenção mentir para você...
- Sakura corria perigo e ainda corre – Sasuke me interrompeu, abrindo logo o jogo. - Fugaku não pode saber que ela está viva.
Retesei meus passos, e o silêncio tomou conta do local. Esperamos pacientemente para que Naruto processasse a seriedade daquela situação.
- Confesso que ver você viva na minha frente depois de ter dado à luz a um dampiro é impressionante. – Sua voz soou baixa enquanto me olhava. – Estou surpreso para falar a verdade.
- Estou viva graças a minha melhor amiga e a sua avó, devo muito a elas – disse, sentindo um pequeno aperto no peito por lembrar que a avó de Ino havia dado sua vida por mim.
- Então foi uma façanha incrível – ele disse com pesar. – Por que desde todos esses anos de vida nunca vi uma mulher sobreviver depois de ter dado à luz a um filho de um vampiro. Um dampiro nunca tem a sorte de saber qual é a sensação de ter o calor materno o protegendo e orientando sobre a podridão desse mundo em que vivemos. Crescemos jogados nos escanteios da sociedade, maltratados, humilhados como se fossemos parasitas. Pois nossa existência não faz o menor sentido, por que não somos nem humanos e nem vampiros. Somos apenas uma consequência de um ato carnal de um vampiro qualquer carente que resolve matar o tempo se envolvendo com humanas para destruir as suas vidas. Já nascemos assassinos de nossas próprias mães.
Não tinha o que falar, sua confissão mais íntima havia me pego desprevenida. A verdade extremamente sincera havia sido jogada a nossa cara e nos fazendo parar para pensar em nossas consequências. A dor que Naruto transmitia naquelas palavras me fez lembrar de Sarada e o fato de ela ter passado tanto tempo se sentindo excluída, jogada ao canto, sofrendo calada sem compreender do por que ser daquele jeito, de se sentir que não se encaixava no mundo. E por mais que eu estivesse ao seu lado agora, não apagaria de sua memória os anos que ela ficou sozinha sem o aconchego e o calor de uma mãe a protegendo de tudo, a orientando e a fortalecendo para as maldades que existia a volta. Eu me sentia mal por não estar com ela, e odiei o fato de estar ao meu lar com meus pais, resmungando sobre a minha falta de memória, alheia de que eu tinha uma filha e que ela precisava de mim.
Engoli a seco, e abaixei minha cabeça, fitando os meus pés. Podia sentir meus olhos húmidos, mas não iria derramar nenhuma daquelas lágrimas, pois não adiantava chorar agora, não resolveria nada.
- Eu sinto muito – minha voz soou mais baixa que um sussurro, e senti a mão de Sasuke em meu ombro.
- Não, Sakura, você não sente e muito menos entende.
- Ela não tem nada a haver com suas merdas – a voz de Sasuke soou irritada, apertando meu ombro. – Guarde suas lamentações para você.
- Sasuke... – e me virei para ele – chega!
Ele apenas franziu mais o cenho para mim. Ignorei e voltei a olhar Naruto que nos observava, o rosto sem expressão.
- Naruto, eu realmente sinto muito, de verdade. A minha dor pode não ser igual a dor da rejeição e solidão, mas é uma dor de uma mãe por não poder ter sua filha nos braços.
- O que quer dizer?
- Eu realmente morri naquele dia no meu parto – revelei, arrancando uma expressão surpresa de Naruto. – Mas uma pessoa muito querida deu sua vida por mim, me dando uma segunda chance. Eu acordei num hospital, havia perdido minhas memórias dos tempos que o conheci até o dia do meu parto. Não tinha ideia de que eu tinha uma filha, e o vazio andava comigo por muito tempo, até eu pirar de vez e largar a minha cidade e parar aqui em Konoha. Tem muito pouco tempo que recuperei minhas lembranças e isso explica o fato de eu não o reconhecer naquele dia na praça, não tinha a mínima ideia de quem você era.
- Mas você estava com o ele – se referia a Sasuke - e presumo que a menina era sua filha, eu senti a essência mista que ela exalava.
- Sarada é minha filha, mas naquele momento eu não tinha ideia de que ela nasceu de mim. Sasuke se manteve no escuro também, para mim ele era só o meu patrão.
Naruto sorriu irônico, passando as mãos nos fios dourados.
- Isso é um pouco louco. Você estava sem memória e foi parar justo na casa do cara que você se envolveu.
- Talvez o destino queria assim – conclui, e Naruto bufou. – Eu apenas segui meu coração, estava angustiada e queria desesperadamente voltar o que eu era antes, mas não conseguia, pois faltava algo. Agora eu sei, está claro para mim. O meu coração de mãe me levou até ela, até a Sarada.
Naruto olhou para Sasuke.
- E por que você não disse a ela quem você é de verdade?
- Por que eu havia prometido que deixaria ela viver sua vida sem interrupções, eu tinha que me afastar para não causar suspeitas. Fugaku estava na minha cola, apenas peguei a Sarada e me refugiei em Konoha.
- Deixando Sakura sozinha a mercê da sorte.
- Ela não estava sozinha e sim na proteção de uma bruxa – cuspiu Sasuke, revoltado com a acusação de Naruto.
- Uma bruxa qualquer.
- A Ino não é uma bruxa qualquer - me apressei em responder. – Ela descende de uma linhagem de bruxas muito antiga, os Bragadini.
E desta vez Naruto parou, franziu o cenho.
- Bragadini? Já ouvi falar sobre esse clã de bruxas que viviam no interior da Itália. Mas elas estão extintas, não estão?
- Quase extintas, Ino é a última bruxa da linhagem Bragadini.
- Está me dizendo que a loira que odeia homens é uma Bragadini? – Naruto ergueu as sobrancelhas e eu apenas assenti com a cabeça, concordado. – Nossa, impressionante.
- E por ela ser a última de sua linhagem, nós precisamos que você cuide da segurança dela.
E desta vez o rosto de Naruto se contorceu em uma careta.
- Cuidar da segurança daquela loira histérica? Sakura, a sua amiguinha não faz muito bem para os meus tímpanos. Ela grita demais, e é nervosinha demais...
- Você é a única pessoa que pode protegê-la – e me aproximei mais e toquei seu braço. – A Ino é importante para mim, devo minha vida a ela, e agora está quase na mira do Fugaku.
Naruto franziu o cenho.
- Mas o que diabos o Fugaku quer com uma simples bruxa reclusa?
- A Ino é essencial para os preparativos para a cura do vampirismo – respondeu Sasuke.
- O quê? Cura? Que merda você está dizendo, Uchiha?
- Existe uma cura para o vampirismo.
- Vocês estão brincando!? - Naruto se afastou de mim e caminhando para o meio do seu pequeno apartamento, levemente atordoado.
- É verdade, Naruto – eu disse, me virando para ele que nos fitavam incrédulos. – Existe uma cura para o vampirismo.
- Vocês só podem estar zoando a minha cara – ele negou. – De todos esses meus anos vividos eu nunca ouvi falar sobre uma cura para o vampirismo, muito menos que vampirismo tinha cura.
- Isso não é um tema que todos saibam. – Sasuke explicou. - Fugaku fez de tudo para abonar os boatos que rondavam na época quando surgiu, aniquilou todos que descobriu, assim como todos os Bragadini.
- Mas por que os Bragadini?
- Por que essa merda toda começou por causa de uma Bragadini. – E os olhos de Naruto arregalaram-se, e eu estava atenta a cada explicação de Sasuke, pois havia muitas coisas que eu não sabia. – Eu e minha família somos os primeiros vampiros da linhagem vampírica, surgidos nas montanhas do interior da Transilvânia. Fomos criados por uma magia de uma bruxa Bragadini que se uniu ao meu pai que na época era um mercador viajante que tinha fascínio pela imortalidade. Na época estávamos condenados a isolação da peste e como consequência a morte amaldiçoou-nos a viver sobre a escuridão. E só uma Bragadini pode desfazer o malfeito.
- E como você sabe de tudo isso? Como surgiu esse boato? Por que essa sua historinha está difícil de engolir.
- Meu irmão mais velho conheceu e se apaixonou por uma Bragadini nos tempos em que viveu na América. No começo ele não sabia que ela era uma bruxa, mas conforme eles se envolviam acabou que a verdade surgiu e ambos foram sinceros um com o outro. Ele contou a ela quem era realmente e ela confessou ser uma Bragadini. E não era uma Bragadini qualquer, mas sim uma descente direta da Carlota Bragadini que nos deu o poder da imortalidade e a condenação as trevas. Ela possuía o diário de sua descente que contava sobre a façanha e como desfazer, mas precisava do grimório dela que estava perdido. Apaixonado, meu irmão alegou que encontraria o grimório de Carlota para que ambos assim conseguisse produzir a cura e acabar com tudo.
- E o que precisa para produzir a cura? – Naruto quis saber, a voz soando cautelosa.
- Eles teriam que procriar um herdeiro, para que assim a junção de seus sangues, o sangue do procriador vampiro, o sangue da humana que concebeu e o sangue da criança dampiro mesclado com a magia da bruxa Bragadini. Essa é a fórmula para a cura do vampirismo.
Naruto não disse nada, apenas olhava de Sasuke para mim sucessivamente, a expressão surpresa, agora entendendo a gravidade da situação e associando a história contada por Sasuke com o nosso caso. Havia uma esperança para banir o que não deveria existir.
- Então... – começou Naruto, apontando para mim e Sasuke – o sangue de vocês e o da menina e com a magia da loira histérica é a cura para essa merda toda?
- Sim.
- E o que pretende com essa cura? Dar a todos os vampiros? Se não percebeu, existe milhares deles espalhados por aí, uma verdadeira doença para humanidade.
- Pretendo tomar a cura e acabar com toda a linhagem vampírica que descende de mim, assim como darei a cura a minha mãe e meu irmão, acabando com quase todos eles.
Naruto ergueu as sobrancelhas para cima.
- E o seu papai? Não vai dar a cura a ele não?
- Negativo – Sasuke respondeu curto e sério. – Dou meu pai de bandeja para você. Eu sei que você quer se vingar pela morte do Jiraya. Te darei sua vingança.
Naruto apertou os olhos, parecia desconfiado.
- E você não terá um pingo de ressentimento por me ver arrancando a cabeça de seu papai e pendurar numa daquelas lanças do matadouro que ele tem naquele castelo podre que vive?
- Fugaku deixou de ser meu pai no momento em que ele condenou a mim e a minha família a viver sobre a escuridão. Ele é como uma praga que veio a esse mundo para causar transtornos e desavenças. Não merece a chance de viver como um humano para correr o risco de fazer tudo novamente. Não tenho nenhum sentimento sobre ele a não ser a vontade de vê-lo ardendo no inferno.
Eu havia prendido a respiração com a confissão sombria de Sasuke e um curvar de lábios de Naruto, para em seguida uma risada sarcástica como se Sasuke houvesse dito a coisa certa ou alguma piada.
- Então darei as honras de abrir as portas do inferno para ele.
. . .
Estávamos no carro enquanto Sasuke dirigia de volta para a mansão. Eu estava calada olhando para a paisagem pouco iluminada por aqueles vidros fumê, a cabeça longe, especificamente na conversa com Naruto. Havia sido delicada, e muitas coisas estavam em jogo, assim como o primeiro passo para derrotar o nosso maior inimigo, o pai de Sasuke. Não o conhecia pessoalmente, mas os relatos e o ódio que via no olhar de Sasuke alertava-me que eu tive sorte até aquele momento por nunca ficarmos cara a cara. Mas eu não era nenhuma ingênua para não saber que o momento de ficarmos cara a cara estava se aproximando, e só de pensar nessa possibilidade fazia um frio subir a minha espinha. Pois até aonde eu sabia, o homem era praticamente o próprio diabo.
Eu estava mais aliviada por saber que Naruto concordou em fazer a segurança de Ino, ele partiria amanhã bem cedo para Tóquio. E pela primeira vez - desde que pus meus pés em Konoha - eu sentia uma vontade absurda em ver a minha melhor amiga. A saudade era grande, assim como a ansiedade por compartilhar tudo o que passei nesses últimos meses na mansão do pai da minha filha. Sentia saudades dos comentários e os conselhos dela, assim como suas broncas por eu ter bancado a desmiolada inconsequente por preocupar a todos. Eu precisava ouvir a sua voz só para constar que ela estava em segurança, e pedir perdão por eu ter sido uma péssima amiga depois de tudo o que ela fez por mim. Queria abraçá-la forte e reforçar que ela era a pessoa importante para mim, minha irmã do coração, minha melhor amiga e anjo da guarda.
- Estás distante, minha cara - a voz de Sasuke, assim como a mão que ele pousou em meu joelho coberto pelo jeans chamou a minha atenção.
Olhei para ele, que desviava seus olhos da estrada para mim.
- Eu estava pensando em tudo o que a gente passou... a Ino correndo perigo e o quanto fui ingrata a ela – mordi o lábio –, assim como Naruto. Ele concordou em nos ajudar, mesmo estando ainda magoado por ser descartado.
E sua mão apertou meu joelho.
- Naruto é uma raposa velha, ele vai entender que tudo foi feito por sua segurança. A Ino vai ficar bem e tudo vai dar certo.
Suspirei, voltando a olhar para frente.
- Eu queria ter a sua confiança – murmurei, abraçando meu próprio corpo como se pudesse me proteger. – E não sentir esse medo de que tudo pode dar errado – e virei meu rosto para ele. – Não quero te perder, e muito menos a Sarada ou qualquer pessoa que eu amo.
- Você não vai me perder, Miere, e nenhuma das pessoas que você ama – e me fitou, os olhos mais negros. – Eu prometo.
Sorri comprimindo os lábios, pousando a minha mão em cima da sua que estava em meu joelho e nossos dedos se entrelaçaram automaticamente.
- Obrigada.
- Não precisa agradecer, não deixarei nada de mal acontecer com você e com a nossa filha.
As suas palavras confiantes de alguma forma me confortaram, mas a sombra do medo ainda solava dentro de mim, mas eu tinha Sasuke comigo e eu confiava nele. Sabia que faria o possível e o impossível para me pôr em segurança. Mas não demorou para aquele desconforto de medo desse lugar a curiosidade sobre a história que ele contou sobre seu irmão e que não finalizou no apartamento de Naruto.
- O que aconteceu com o seu irmão e a Bragadini?
- Eles tiveram a infeliz má sorte de ser traído por um amigo próximo e Fugaku acabou descobrindo o plano. Ele armou uma emboscada, capturou a bruxa e arrancou sua cabeça. Enquanto a Itachi, o prendeu dentro de um caixão por cento e setenta cinco anos por sua traição em armar por suas costas. Levei mais de cem anos para descobrir o esconderijo aonde Fugaku escondeu Itachi e o libertei, na mesma época que estávamos na mira de um dos primeiros dampiros que existiu. Conseguimos despistar Fugaku quando sua maior prioridade estava bem a sua frente, o dampiro Jiraya, o qual que lhe estava dando muita dor de cabeça na época. Ele foi o primeiro e único dampiro a ser morto.
- É ele que Naruto quer vingança – decretei, entendendo um pouco aquela rivalidade que Naruto tinha com Sasuke e sua família.
- Jiraya, como vou dizer... ele meio que foi um tutor para o Naruto... não sei bem como é a relação dos dois, mas sei que ambos fazem parte do pequeno grupo de dampiros.
- A Bragadini nunca ficou grávida?
- Não que eu saiba. Itachi me confidenciava tudo, assim como o diário de Carlota Bragadini para escondê-lo antes de Fugaku os capturar. Guardo comigo desde então, mas tem algumas páginas arrancadas e não tenho a mínima ideia do que pode estar escrito ali.
- Hm.
Desviei meus olhos para minhas mãos sobre o meu colo, imaginando toda aquela confusão. Deveria ter sido difícil para Itachi ter perdido a pessoa que ele ama pelas mãos de seu próprio pai. Não consigo imaginar o tamanho dessa dor, mas eu tinha um pouquinho de consciência de como deveria ser, pois já havia ficado frente a frente com a própria morte de Sasuke. E só de imaginar aquele dia fazia a bile subir em minha garganta.
- E o grimório? – Perguntei, afastando aqueles pensamentos depressivos de minha mente.
- Sua amiga é uma Bragadini, talvez ela tenha um.
E tinha, me lembrava perfeitamente daquele livro grande e velho de capa de couro que por muitas vezes estava aberto enquanto Ino lia seu conteúdo.
- Acho que está na hora de ligar para Ino – comentei, percebendo o carro subir a colina que levava a mansão. – Temos muitas coisas a conversar.
- Seria bom – respondeu Sasuke parando o carro em frente ao portão de grade, tirou um pequeno controle do porta-luvas e apertou, fazendo os portões de ferro se abrirem automaticamente. – Talvez você seja a pessoa certa a falar com ela.
- Talvez não – e abaixei meu olhar, enquanto o carro se movimentava para dentro e os portões se fechavam. – Eu fui horrível com ela antes de largar a minha cidade e vir parar aqui.
- Você sempre fala da Ino com muita animação, eu vi o quanto são unidas.
- Ela é praticamente uma irmã para mim, eu a amo muito.
Sasuke estacionou ao lado da garagem e virou toda a sua atenção para mim, seus olhos negros me olhando intensos.
- Eu sei que sim, como também sei que uma briga tola não separará as duas.
Senti os cantos de minha boca se erguerem para cima e concordei com a cabeça tirando o cinto e me aproximando dele, as minhas mãos em cada lado de seu rosto e selei nossos lábios. Sasuke se virou mais um pouco, sua mão em meu braço. Tentei abrir a sua boca com a minha, mas ele desviou seus lábios dos meus para meu pescoço, subindo os beijos e mordeu o lóbulo de minha orelha, arrancando um pequeno gemido de mim. Sussurrou em meu ouvido com a sua voz rouca e sedutora:
- Não esqueci o que me fez no escritório mais cedo, minha cara.
Abri meus olhos e pisquei algumas vezes, tentando entender o que estava havendo ali.
- Ahn?
Sasuke se afastou para trás enquanto um sorriso sujo estava em sua boca, seus olhos havia um brilho que por alguns segundos eu hesitei sobre o que se passava por sua cabeça, ao mesmo tempo odiando-me por ter começado mais cedo aqueles joguinhos de sedução.
Ele estava jogando comigo agora.
Voltei ao meu lugar, tentando disfarçar a minha frustração e abri a porta do carro, sendo arrebatada pela friagem daquela noite. Passo depois de passo eu ia em direção a porta da frente, subindo os degraus que dava a uma pequena varanda, e não precisava virar para saber que Sasuke estava ao meu lado agora. Eu não queria olhar para seu rosto naquele momento para constar a sua expressão convencida por ter me frustrado no carro.
Abri a porta e quando dei os primeiros passos para dentro, a mão de Sasuke segurou meu ombro, me fazendo parar.
- Espera! – Sua voz era baixa e cautelosa.
- O que foi? – Perguntei, virando meu corpo para trás e observando seu rosto tenso, olhando um ponto no final daquele salão, as sobrancelhas franzidas.
- Merda.
Franzi o cenho com aquela atitude e seu corpo inteiramente rígido, como se algo de errado estivesse acontecendo.
- Sasuke...
E antes que eu terminasse de completar o que estava para dizer, uma voz pouco conhecida soou no fundo, e não sabia que aquilo era bom ou ruim:
- Olá, irmão.
Meu corpo ficou rígido na mesma hora e automaticamente virei meu corpo para trás e o vi. Itachi Uchiha aparecendo, do mesmo jeito que havia em minhas lembranças. Os cabelos negros amarrados para trás e algumas mechas caídas para frente, os olhos negros, felinos e misteriosos nos fitando com uma certa surpresa, as sobrancelhas negras arqueadas quando estava focado em mim. Se Sasuke tinha pretensões de manter o segredo de que eu estava viva, Itachi havia acabado de descobrir.
- Itachi, o que faz aqui? – A voz de Sasuke soou fria e bem cautelosa, dando alguns passos para frente e me ocultando em suas costas na visão de seu irmão.
Escutei uma risada abafada e passos vindo lentamente, fazendo meu coração acelerar gradativamente.
- Você estava quieto demais, e decodifiquei que talvez você estivesse... sei lá, aprontando algo? – Eu podia ver Itachi a nossa frente agora, seus olhos em mim e um sorriso debochado na boca. – E veja só? E não é que você está aprontando?
- Itachi...
Sasuke foi interrompido pelas risadas escandalosas de Itachi, tombava a cabeça para trás.
- Não sei se continuo rindo por você ter feito Fugaku de idiota esse tempo ou fico com inveja por você ter sido esperto e conseguido me ultrapassar.
- Acho melhor você segurar essa língua e não falar o que não devia – disse Sasuke entredentes, o rosto sério.
Itachi apenas manteve o sorriso malicioso no rosto, erguendo as sobrancelhas negras para cima e seus olhos desviaram pela primeira vez de mim para seu irmão.
- Só se você me dizer qual vai ser o plano para acabar com o coroa.
. . .
Era terça-feira à tarde e eu estava desde de manhã mostrando o bairro para Naruto em nosso tour que havia prometido semana passada. Estava de férias e a maior parte passava no apartamento de Sasuke, passava em casa só para pegar algumas mudas de roupas limpas e deixar as sujas. Sentia um pouco mal por deixar Ino sozinha, mas na segunda-feira ela foi para casa de sua avó e só voltava na quinta à noite, mas não sem antes de me fazer prometer que iria usar o rosário de Jashin. Ela havia ficado irritada por eu ter esquecido em casa no dia em que dormi no apartamento de Sasuke pela primeira vez. E desde então o rosário não saía mais do meu pescoço.
Confesso que no começo eu fiquei com um pouco de receios de Naruto quando nos encontramos no ponto marcado, mas conforme o tempo passava e o jeito descontraído e falante de Naruto por algumas vezes dizendo algumas besteiras bobas fez com que ficasse mais confiante ao seu lado. Naruto era uma boa companhia, confesso que gostava de sua presença, era engraçado e por muitas vezes eu me pegava rindo de suas piadas sem graças.
Mostrei vários pontos turísticos, começando pelo Tokyo Dome que era o maior estagio de baseball quando passamos em frente, assim como o Jardim Botânico Koishikawa, passamos a maior parte do tempo no jardim que era a coisa mais linda. Fizemos uma pausa em um dos quiosques para comermos algo antes de voltarmos em nosso tour, fomos ao Santuário Nezu e a última parada foi o museu histórico. Quando chegamos lá era quase cinco da tarde, o sol se preparando para se por.
O local tinha muita pouca gente e pegamos um mapa guia na entrada para nos orientarmos lá dentro. Confesso que era a primeira vez que eu ia naquele museu e estava fascinada pelas coisas expostas.
- Não sou tão fã de museus, mas esse aqui não é tão entediante – disse Naruto, observando um veado no corredor dos animais. – Eles parecem de verdade.
- Sim, os detalhes são muito bem trabalhados. – Respondi, observando os contornos e as texturas perfeitas daqueles animais, que pareciam de verdade.
Ergui meu olhar para o lado e vi que Naruto me fitava, observando cada gesto que eu fazia.
- O que foi? – Perguntei, sorrindo pela cara engraçada que ele fazia.
- Estou adorando esse dia... com você.
Meu sorriso se tornou comprimido, seus olhos azuis estavam com um brilho diferente que fazia uma luzinha de alerta se acender em meu interior.
- Eu também estou gostando desse dia, estou me divertindo muito. – Desviei meus olhos para o guia em minhas mãos. – O corredor da ala dos antigos samurais é por ali.
Apontei para um corredor logo a frente e tomando frente para avançar, mas a voz de Naruto me fez parar no segundo passo:
- Sakura. – Virei-me para ele que continuava no mesmo local, parado. – Eu preciso te falar uma coisa.
- Pode falar.
Ele deu alguns passos para perto de mim, abriu a boca, mas voltou a fechar, levando a mão para detrás de sua cabeça, coçando seu pescoço. Eu esperei pacientemente o que ele tinha para me dizer, mas meu celular a seguir tocou em minha bolsa.
- Só um segundo – pedi, abrindo a bolsa e tirando o aparelho, vendo que era uma mensagem de Sasuke.
Ele havia saído em viagem para Taiwan ontem à noite para fechar um contrato numa joalheria e voltava hoje. Não disse a ele que sairia com Naruto, pois sabia que ele iria me pedir e eu havia prometido a Naruto e não gostava nem um pouco de quebrar as minhas promessas.
JÁ CHEGUEI EM TÓQUIO.
ESTÁ EM CASA?
Sorri automaticamente enquanto digitava rapidamente a resposta.
ESTOU COM SAUDADES.
E NÃO ESTOU EM CASA.
Dois segundos depois a resposta chegou.
POR AONDE ANDA, MINHA CARA? ESPERO QUE NÃO ESTEJA APRONTADNDO.
Meus ombros tremeram um pouco com uma pequena risada abafada.
NÃO ESTOU APRONTANDO, APENAS PASSEANDO.
- Você encontrou o celular? – A pergunta de Naruto me vez voltar a realidade e perceber que ele me observava aquele tempo todo, e foi inevitável não ficar constrangida por agir como uma boba apaixonada na frente dele enquanto trocava mensagens com Sasuke.
- Ah... – O que eu falo? Não podia dizer a ele que foi o irmão do Sasuke que encontrou para mim. Pensa. – Eu... comprei... um novo... eu comprei um novo.
Naruto ergueu as sobrancelhas para cima e eu guardei o celular na bolsa.
- Sério?
- Uhum – e sorri assentindo com a cabeça, tentando parecer tranquila.
- Depois me passa o seu número novo.
- É o mesmo número... quer dizer, eu consegui resgatar o meu antigo para um novo chip.
- Entendo.
- E o que você queria me falar? – Desviei o assunto para o outro antes.
- Não era nada importante – e puxou o guia de minhas mãos e o abrindo. – Vamos ver a ala dos samurais.
- Ok.
. . .
A noite já havia tomado todo o dia quando Naruto estacionou seu Jeep de frente ao meu prédio.
- Obrigada por me trazer – disse já tirando o cinto e ajeitando a alça da minha bolsa no ombro.
- Eu que agradeço por passar esse dia comigo – e o sorriso de lado que abriu, fez-se destacar a sua covinha. – Podemos marcar uma próxima.
- Quem sabe – dei de ombros e o meu celular começou a tocar. – Eu tenho que ir.
- Tudo bem, também tenho uns assuntos a tratar agora.
Despedi-me de Naruto e saí do seu jeep, acenando para ele e ao mesmo tempo que eu abria a minha bolsa. Naruto foi embora e tirei o celular da bolsa vendo o nome Sasuke na tela, atendi.
- Oi – e olhei para os lados daquela rua deserta, e o Jeep de Naruto virou uma rua próxima.
- Ainda está na rua?
- Acabei de chegar. – E comecei a caminhar com passos lentos em direção a entrada do prédio. – E você?
- Quase chegando aí.
Parei de andar.
- Serio?
- Estou virando a sua rua nesse exato momento.
Voltei todo o caminho percorrido podendo agora ver o carro preto de Sasuke se aproximando e foi inevitável controlar as batidas no meu peito.
- Eu estou vendo – e desliguei o celular ao mesmo tempo que o carro estacionava a minha frente.
Fiquei esperando até ele sair do carro e sorri quando sua figura apareceu no meu campo de visão. Aproximei meus passos e nos encontramos no meio do caminho e meus braços foram direto ao seu pescoço, entrelaçando-o. O beijo a seguir veio cheio de saudades e desejos, nossas línguas furiosas por espaço, suas mãos me apetando forte contra seu corpo, e nada me importava naquele momento.
- Olá meu amor – eu disse com aquele sorriso de uma boba apaixonada, mordendo os lábios enquanto observava seu rosto esculpido perfeitamente. Lindo.
- Estás muito bela, minha cara – e seus olhos avaliadores me olharam de cima a baixo quando deu dois passos para trás.
- Obrigada – e segurei sua mão. – Vamos subir?
- Tenho consciência de que não serei bem-vindo.
- A Ino não está, o apartamento é só nosso.
- É mesmo? – E me puxou pela mão para mais perto. – Estava pensando em levá-la ao meu apartamento.
- Hm... – Me fiz de indecisa, minhas mãos em seu peito brincando com o tecido de seu blazer preto. – Acho que preciso pensar um pouquinho.
E como resposta o meio sorriso fez um friozinho circular em meu estômago.
- Então posso mostrar as vantagens de vir comigo – e aproximou seu rosto em meu pescoço, depositando beijos em minha pele.
- Estou ansiosa para saber sobre as vantagens – e nossas bocas colaram novamente, num beijo para lá de faminto e arrebatador. Eu estava numa situação que não imaginava minha vida sem a presença de Sasuke. Sabia que nosso romance tinha um prazo de validade e era por isso que eu aproveitava cada segundo ao seu lado como se fosse o último. Estava entregando meu corpo e alma naquele relacionamento, pois eu estava desesperadamente apaixonada por àquele homem.
Mas de repente Sasuke acessou os beijos tão rápido e bruscamente que me deixou levemente atordoada, me fazendo abrir os olhos e piscar algumas vezes.
- O que foi? – Perguntei, minha respiração acelerada, observando seu rosto sério procurar algo por aquela rua, sua mão apertava minha cintura.
- La naiba. – E agarrou minha mão. – Temos que sair daqui!
Franzi o cenho enquanto ele me puxava em direção ao carro.
- O que está acontecendo, Sasuke? – Meus olhos passaram para os lados daquela rua, não encontrando nada.
Ele abriu a porta para mim e me empurrou para o banco do carona.
- Ele está aqui.
- Ele?
Mas não respondeu, apenas fechou a porta ao meu lado, e o que veio a seguir foi rápido demais para meus olhos acompanharem. Só vi vultos se movimentando do lado de fora e barulho de coisas batendo, alguns tiros me fez pular de susto no banco e gritar apavorada, a respiração rápida.
- Sasuke!
Me eu coração batia acelerado, uma luta estava sendo travada do lado de fora. Eu não sabia o que fazer e torcia internamente para que Sasuke estivesse bem. E o segundo susto veio quando um corpo se chocou com violência contra o para-brisa, fazendo um barulho estrondoso por todo o carro, me fazendo soltar mais outro berro estrangulado. Todo o meu corpo tremia e a porta ao lado do motorista se abriu e de relance vi o vulto do corpo de Sasuke.
Prendi a respiração, e logo em seguida do barulho na frente do carro chamou minha atenção ao mesmo tempo que o berro de Sasuke soou, trazendo minha atenção ao seu perfil de pé do lado de fora com as mãos na porta aberta e outra na lataria, não dava para ver seu rosto, mas podia ver alguém atrás de si.
- Sasuke! – Gritei apavorada, passando para o banco do motorista ao mesmo tempo que ele saía da porta e ia para trás com sua super velocidade e o tiro a seguir me fez parar por um momento, me recolhendo. – Ah, meu Deus!
Meus olhos naquele momento estavam marejando, todo o meu corpo tremia de medo e de pavor. Eu tinha que fazer alguma coisa. Mais tiros soou, me fazendo levar as mãos a boca para suprimir outro grito.
Tomei coragem e coloquei meus pés para fora do carro e olhei na direção aonde Sasuke foi, o encontrando a alguns metros, arrastando seu corpo no asfalto, deixando uma trilha de sangue para trás. Levei minha mão a boca novamente, desesperada, minhas pernas tremiam tanto que mal conseguia ficar de pé.
Outro tiro.
E meus olhos focaram no autor daquela tragédia, e a surpresa era visível em meu rosto quando identifiquei Naruto completamente armado, apontado para o homem que eu amava.
- Não! – Gritei, chamando sua atenção para mim, a expressão que estava em seu rosto era a mesma quando ele aniquilou a vampira que me atacava no beco a noite. Ele iria matá-lo. – Para com isso, Naruto.
- Depois de tudo que eu disse, de tudo que alertei sobre os perigos que rondam a noite, os seres diabólicos que existem e você está se envolvendo com o mais desprezível. – Ódio era o que saía de sua voz, cuspindo cada palavra como se fosse veneno.
- Isso não é da sua conta – entrei na defensiva e um calor de coragem crescia de repente dentro de mim. – Você não tem o direito de tirar a vida dele!
- Você não sabe o que diz – ralhou contra mim, o cenho e a boca franzida. – Está intoxicada por esse cara, não percebe a desgraça que está trazendo a sua vida, e quando perceber já vai ser tarde demais.
- A vida é minha e você não tem o direito de interferir nela!
- Tem razão, não tenho direito de interferir em sua vida – ele disse, a voz gelada como um iceberg. – Mas estou fazendo o meu trabalho e irei terminar esse serviço.
E se virou novamente com a arma apontada para Sasuke que mal se mexia naquele asfalto. E o desespero falou mais alto me fazendo agir inteiramente no impulso, mandando o controle para as minhas pernas bambas e avancei contra Naruto interrompendo a mira perfeita do disparo contra Sasuke, que havia acertado uma lixeira agora.
- O que pensa que está fazendo? – Ele ralhou irritado, me empurrando para o lado e me fazendo dar alguns passos tropeços para trás.
Recuperei meu equilíbrio e saí correndo em direção a Sasuke e me fiz de barreira com meu próprio corpo para protegê-lo.
- Não vou deixar você matá-lo.
- Saia daí Sakura, ou serei obrigado e te machucar – ele ameaçou, dando passos para perto, a arma na mira para atirar.
Eu agia inteiramente no automático, mesmo que meu corpo estando inteiramente trêmulo de medo e as lágrimas caiando, deixava tudo embaçado em minha visão, mas eu não iria abandonar Sasuke.
- Você... vai ter que me matar primeiro – minha voz saiu meio que embargada e tropeças.
- Sa... kura – a voz de Sasuke soava como um sussurro fraco em seguira de uma sessão de tosses, me fazendo virar para ele e aproximar mais de corpo do machucado e ensanguentado. Naruto havia atingido em vários pontos de seu corpo.
- Sasuke, não se agite tanto – e eu chorava baixinho agora, passando a mão em seu rosto e vendo-o abrir os olhos lentamente.
- Não... chore – ele respirava pesado. – Fuja para... longe.
Apenas neguei com a cabeça, mordendo o lábio enquanto chorava mais.
- Saia, Sakura – a voz de Naruto me fez erguer minhas cabeça para cima, ele estava muito próximo agora.
Abracei o corpo de Sasuke com o meu num meio de protegê-lo contra aquela ameaça que era Naruto agora.
- Não, por favor... – eu chorava horrores, minha cabeça ficando tonta. – Por favor, não mata ele, Naruto, por favor, não o mate.
Os segundos que se passaram foram os mais torturosos da minha vida, os olhos de Naruto não deixaram nenhuma vez os meus, e eu nenhuma vez cogitei a ideia de desviar. Não confiava em Naruto para essa tal proeza, eu queria que ele visse com seus próprios olhos o que eu estava decidida e a quem eu iria proteger com garras e unhas.
E Sasuke era a minha primeira opção.
- Você foi uma decepção para mim, Sakura – ele começou. – Não imaginava que você fosse me apunhalar pelas costas. – Eu não respondi e ele continuou: - Eu fechei meus olhos para esse detalhe, permiti lhe dar uma segunda chance, mas você me provou o contrário. É idiota e tola por imaginar que terá uma vida feliz ao lado da prole do diabo. – E soltou uma risada amarga. – Mas fique você sabendo que ele vai acabar com a sua vida, vai massacrar o seu futuro e condenar a sua alma. E quando você acordar e perceber a merda que você fez com a sua própria vida, irá chorar lágrimas de sangue.
Mordi meu lábio trêmulo, tentando não me sentir afetada com suas palavras cruéis. E todo o momento feliz que passamos mais cedo havia sido enterrado com a cena de seu perfil erguido e assassino, as feições duras e magoadas e o olhar gélido e decepcionado.
Ele abaixou a arma.
- Isso é desprezível – e cuspiu no chão. – Não vou mais está presente para vê-la se desfilhando aos poucos. Mas uma cousa eu digo, vou caçá-lo até os confins do mundo e arrancarei seu coração e o comerei, quando esse dia chegar. E isso é uma promessa.
E assim Naruto desapareceu da nossa frente quando pisquei meus olhos. Precisei de algum tempo para voltar em órbita e soltar toda a respiração que prendia, e chorei com uma angustia que me corroía por dentro. Chorei por que pela primeira vez eu sentia o peso de minha decisão em minhas costas. Chorei por ter condenado Sasuke a uma caçada mortal depois que minha existência não existir mais nesse mundo.
- Iubirea mea... não... chore.
Fitei Sasuke e chorei mais ainda, aliviada por ele ainda está vivo. O medo que senti por perdê-lo havia sido uma experiência horrorosa. Não queria passar por aquilo novamente.
Ele levou sua mão e secou as lágrimas que escorriam em meu rosto.
- Você... você está... todo machucado – minha voz saiu entrecortada com os soluços do choro.
- Vou ficar... bem – ele dizia com dificuldades. – Você só precisa... tirar essa estaca... que estar... nas minhas costas... por favor.
Sequei meus olhos com as costas de minhas mãos e funguei algumas vezes enquanto Sasuke ficava de bruços revelando uma estaca grossa de madeira enfincada em sua carne.
- Ah meu Deus.
- Puxei-a com força – sua voz era cansada.
Me ajeitei naquele chão e minhas mãos seguraram à estaca e puxei de uma vez, arrancando um grito contido de Sasuke. O buraco que ficou em suas costas era visível para meus olhos.
- Acho que você vai precisar de pontos...
- Eu vou ficar bem – e virou seu corpo, tentando se levantar, e eu ajudei. - Droga... – chiou com o rosto em uma careta – têm frepas de madeira tocando meu coração – e me olhou. – Vou precisar da sua ajuda novamente para tirá-las.
- Vamos subir para o meu apartamento – e o ajudei ficar de pé, estava sustentando seu corpo grande e pesado. – Acho que daqui a pouco vai chegar um monte de curiosos.
Sasuke apenas assentiu com a cabeça.
