Nota da autora: Eu seeeeeei, eu não deveria estar com fic nova quando tenho A cor do dinheiro e outras histórias pra terminar depois de tantos anos... Mas essa aqui é curtinha. Espero que gostem da premissa. São 10 capítulos. Quem gostar pode comentar. E quem não gostar pode comentar também hahaha.

Bem, nem preciso dizer que a inspiração veio com Hanyo no Yashahime, né?

Acompanhem notícias das atualizações no meu perfil aqui no FFnet e também no meu Twitter: (arroba) ukitaketai.

Kazoku no Kizuna

Laços de Família

Cena 1: Primeira Noite

O castelo das Terras do Oeste, casa do Lorde do mesmo título da região, estava com uma movimentação absurdamente estranha em certa noite.

Naquele dia, a senhora do castelo, uma humana, entrou em trabalho de parto pela manhã. O senhor do castelo, um taiyoukai, chamou uma velha aldeã conhecida da esposa para fazer o parto dos hanyos. A mulher demorara para chegar com todo o reforço necessário – ervas, remédios, roupas para usar durante o parto... O senhor da região não pedira para trazer nada, mas ela insistira em dizer, ao chegar, que era necessário para a tarefa.

E por isso Lorde Sesshoumaru estava no grande salão da propriedade atento aos mínimos sons do quarto principal dos senhores – onde Kaede estava no momento realizando o parto de Rin.

Gritos.

Mais gritos.

Cheiro de sangue.

Incentivos de Kaede.

Estavam há horas nisso. Ele mesmo já se permitia dizer estar cansado. Queria estar no quarto, mas Kaede disse que colocaria um selo na porta para impedir a entrada de qualquer youkai que tivesse a ousadia de aproveitar o momento para atacar. Por enquanto, apenas ela ficaria com Rin no momento do nascimento. Disse que era importante para que os filhos se ligassem imediatamente à mãe pelo cheiro. Também faria alguma coisa com algumas ervas, mas não ficou claro bem o que seria. Garantiu-lhe, porém, que ele logo seria chamado para ter contato com as crias.

Sim, filhos. Recém-nascidos. Plural.

Sesshoumaru sempre ouvia dois corações distintos ao tocar e aproximar as orelhas do ventre de Rin.

Mais gritos.

Mais incentivos da velha Kaede.

Cheiro de sangue mais forte.

Até que, após mais uma hora de espera, ele ouviu.

Os olhos fechados em concentração abriram de um sobressalto. Ele ouviu distintamente um choro fraco. Tão fraco que parecia que não sobreviveria.

Mas sobreviveu. Um cheiro marcante, uma mistura de sangue de demônio com o de humano. Não como o do irmão. Era possível sentir fortes traços do sangue de Rin e do dele.

Saiu do ponto onde estava no grande salão e subiu a escadaria que levava ao segundo andar do castelo, onde estava o quarto de dormir dos senhores do castelo. Queria se aproximar da porta.

Parou na metade da escadaria. Dali o cheiro ficava mais forte. O choro de criança também.

Voltaram os gritos.

Voltaram os incentivos.

Cheiro de sangue por todo ambiente.

Foi realmente importante Kaede selar a porta: o sangue de Rin estava definitivamente muito forte. Aquela senhora garantiu que era natural e que a esposa iria se recuperar bem.

Meia hora depois, ele ouviu outro choro, um timbre com uma diferença mínima do outro.

-Muito bem, Rin! Muito bem! Que meninas lindas! – ouviu Kaede dizer daquela distância.

Meninas.

Duas hanyos.

Mesmo podendo ouvir o coração delas ainda no ventre, por algum estranho motivo ele não conseguiu distinguir se eram apenas machos, fêmeas ou um casal.

Definitivamente ele precisava agora entrar no quarto.

Plantou-se em frente à enorme entrada do quarto. Ficaria ali já para se acostumar com o cheiro das nobres herdeiras.

A voz de Rin estava extremamente fraca, mas conseguiu escutar uma frase aqui e ali. "Lindas". "Cara de Sesshoumaru". "O que é isso no cabelo?" eram algumas das coisas faladas por ela. Kaede respondia o que podia ou concordava.

Logo o olfato foi atacado por um forte cheiro de ervas. Kaede estava fazendo alguma coisa com elas.

Aproximou a mão da madeira da porta, mas sentiu uma fraca energia repelindo. Com youkais de classe inferior, aquilo seria o suficiente para destruí-los. Para ele, houve um incômodo, mas nada que não pudesse enfrentar.

-Eu sei que está aí, Sesshoumaru-sama. – a velha falou do quarto – Não se preocupe, estou quase acabando. Estou lavando Rin e limpando o sangue.

Então era para aquilo as ervas. Limpar e curar Rin.

Mas já alguns minutos que Rin não falava nada.

-Está tudo bem? – ele falou em um tom de voz suficiente para um humano ouvir.

-Sim. Só Rin está exausta.

Horas em trabalho de parto. Rin era mesmo um ser humano admirável. Como as humanas conseguiam passar por tudo aquilo e em tantas horas?

Mais uma hora de espera depois, ele ouviu passos se aproximando da porta e Kaede retirando o selo.

A porta se abriu e ele ficou frente a frente à velha Kaede, a quem confiou para cuidar de Rin por alguns anos.

-Pronto. – ela anunciou limpando as mãos em uma toalha branca – Tudo limpo e cuidado.

Da entrada, ele pôde ver o estado do aposento – Rin deitada na grande cama real com as filhas nos braços. Pareciam dormir. O cheiro de sangue ainda estava ali, mas muito mais fraco que antes. Era possível sentir há algumas horas do grande salão, e agora não havia quase resquício já dentro do ambiente.

Sesshoumaru não pediu licença para entrar no próprio quarto. Simplesmente passou por Kaede com a elegância típica de um lorde. Aproximou-se do leito e parou a dois passos dele.

Duas meninas dormindo.

Rin exausta, olhos também fechados, respiração regulada. Estava quase para entrar na terra dos sonhos.

-É importante que passe a noite com elas. – Kaede explicou dobrando as toalhas sujas de sangue – Troquei os lençóis também. Expliquei a Rin quais remédios precisa tomar e por quanto tempo. Ela conhece todos. Quando morou comigo, ela também me ajudava nos partos.

Sesshoumaru apenas assentiu. Queria logo que ela se afastasse para ficar apenas com o cheiro da mulher e das filhas no aposento.

-Kaede. – ele virou o rosto lentamente, o canto dos olhos sérios – Você pode ficar no aposento apenas para convidados. Jaken deixou preparado desde cedo. Amanhã cedo pode retornar para a aldeia.

A velha assentiu.

-Obrigada, lorde Sesshoumaru.

Dito isto, ela pegou toalhas e lençóis sujos de sangue e outros utensílios dela e retirou-se, fechando a porta atrás de si.

Quando o lorde finalmente viu-se sozinho, ele sentou-se na beirada do leito para observar o rosto de Rin e as recém-nascidas.

A esposa tinha o aspecto cansado, o rosto virado para a janela que iluminava o quarto, cabeça descansando em três grandes e macios travesseiros que a deixavam quase sentada, cobertor até o ventre dela. As pálpebras tremiam um pouco, como se lutasse contra o sono e ele fosse invencível. Ela queria provavelmente se manter acordada para conversar com ele. Mas estava tão cansada que nem percebeu quando ele entrou e falou com Kaede.

Agora as meninas...

As duas estavam deitadas no busto da esposa, protegidas por panos roxos, apenas o rosto e parte do cabelo descobertos. Os olhos fechados e respirando regularmente, já provavelmente tendo os primeiros sonhos.

A que estava do lado esquerdo de Rin tinha os cabelos mais brancos como os dele. A do lado direito tinha a mesma cor dos cabelos de Rin. Não havia, aparentemente, sinais de meia-lua e as marcas magenta e lilases típicas dos inuyoukais.

Pegou cuidadosamente a menina de cabelos prateados para examinar de perto.

Abriu com mais cuidado ainda o pano que a protegia.

Dois braços. Duas pernas. Cinco dedos em cada mão. Orelhas humanas. Uma tira magenta nos cabelos. Parecia que estava ali a marca dele.

A cria pareceu sentir a presença do pai, pois abriu lentamente os olhos ao sair da terra dos sonhos.

Dois enormes olhos magenta, da mesma cor das marcas nas laterais do rosto dele, encontraram os olhos dourados. Os lábios abriram para falar alguma coisa, como se tentasse se comunicar com ele.

-Sesshoumaru? – a voz fraca e sonolenta de Rin chegou aos ouvidos dele.

Viu a esposa com a mão protetoramente em cima da cabeça da outra filha, a outra mão estendida para ele. Os olhos estavam abertos, mas com um esforço sobre-humano.

-Meu lorde, você pode subir em nosso leito.

Sem falar nada, ele colocou um joelho em cima da cama e deitou-se com o máximo de cuidado, ainda segurando a filha com cuidado.

-Cansada? – ele perguntou por educação para iniciar a conversa, sabendo do estado dela pelo rosto.

-Acho que vou dormir por dez horas, pelo menos. – a voz dela estava mole. Em mais alguns minutos ela apagava.

-Minha senhora, você ficou por doze horas em trabalho de parto. – ele observou – Se dormir pelo mesmo tanto ainda não fará jus ao descanso que merece.

A resposta dela foi um sorriso sincero e fraco. Estava cansada demais até para isso.

-Parecida com você. – ela observou, indicando com o queixo a menina que ele tinha nos braços.

-Com minhas marcas também nos olhos e cabelo. – ele notou que a pequena voltara a fechar os olhos – Estão cansadas também.

-Quer ver a outra? – ela ofereceu e ele assentiu.

Com habilidade, ele colocou a menina de cabelos prateados no leito ao lado de Rin e pegou com extremo cuidado a outra que era oferecida.

Cabelos castanhos. Uma madeixa magenta se destacando. E uma cauda.

-Ela parece com você. – ele disse com incrível interesse – Com meus traços também.

Rin deu um riso debilitado.

-As duas parecem com você.

Assim como a irmã, a menina abriu lenta e preguiçosamente os olhos para ele.

Violetas. Como a meia-lua na testa dele.

-Sesshoumaru... – a voz de Rin estava sonolenta – Você se importa se pudermos escolher os nomes delas amanhã? Eu acho que não vou mais aguentar de sono.

O lorde segurou a filha com um braço e com o outro estendeu na direção da esposa, tocando-lhe a lateral do rosto.

-Claro. Amanhã então.

Viu o sorriso dela e sentiu que ela beijara-lhe os dedos antes de fechar os olhos.

Sesshoumaru viu que a outra menina também adormecera. Deitou-a do lado da irmã, e também deitou-se.

Aproveitou também a proximidade para posicionar o corpo de Rin de forma mais confortável: retirou o excesso de almofadas e conseguiu deitá-la na cama com um travesseiro. Outro travesseiro serviu para ele deitar o rosto e outro serviu para colocar no meio deles, com as meninas dormindo em cima. Dois pequenos pacotes roxos adormecidos.

Ficou então na cama: Rin, a menina de cabelos prateados, a filha de cabelos castanhos e ele.

Fascinado com aqueles pequenos seres, ele demorou a dormir enquanto se colocava a observar os detalhes delas, mas eventualmente isso aconteceu em algum momento na primeira noite em família reunida.