Cap – 07 – Sonhar é Bom, Recordar é Viver!

A final do campeonato. Harry reviveu em sonhos o momento que erguia a taça de quadribol no seu sétimo ano escolar, muito orgulhoso pela vitória esmagadora sobre a Corvinal. Seus olhos recaíram cheios de luxuria em Draco, que olhava lívido de um canto das arquibancadas seu namorado ser suspenso por um bando de pessoas, muitos meninos e meninas que achavam Harry, seu Harry, mais do que um bom jogador de quadribol.

Ainda tocado pelo seu subconsciente incrivelmente fã de Draco Malfoy, ele se agarrou fortemente ao travesseiro, crente que a cena que se repetia em seus sonhos acontecia simultânea com os tempos atuais.

As imagens não se distanciaram do mesmo dia, ele se viu de novo com dezessete anos, na noite de comemoração do titulo do campeonato de quadribol entre casas.

Saíra um tanto embriagado do salão comunal da Grifinória com uma garrafa de uísque de fogo nas mãos, no intento de respirar livremente, sem que alguém viesse se pendurar no seu pescoço para lhe dar os parabéns pela vitória ou lhe entrevistar ou lhe fazer propostas sensuais para algo a mais, depois que todos fossem finalmente dormir.

Andava pelos corredores desafiadoramente livre, como se não estivesse embriagado e com a prova do seu estado alterado ainda em mãos, após o toque de recolher.

Depois de muitos passos estava de fronte para o Lago Negro e nem ao menos sabia por que fora parar ali. A noite era abafada, os grilos reclamavam entre as flores, arvores e arbustos tão verdes e tão naturais. Logo o ano escolar terminaria e o verão estava próximo para sua alegria e Harry não entendia nada, por conta da zoeira em seus pensamentos. Cansado se jogou no gramado a beira da água, retirou os sapatos e molhou seus pés na margem fria, mas agradável.

Quanto suas costas atingiram o chão ele fechou seus olhos, apoiando a cabeça em um dos braços e com a outra mão livre levou a garrafa até a boca automaticamente.

O liquido descia quente e ardido por sua garganta enquanto sua percepção se esvaia, mas ele sabia que estava sobre o brilho das estrelas e a claridade forte do luar fazia muitas sombras ao seu redor por causa das altas copas das frondosas árvores.

Tédio... Tédio... Tédio... Tantas pessoas ao seu redor, lhe paparicando na Grifinória ou pela escola inteira e mesmo assim, só havia uma que lhe faria sentir-se bem naquele momento.

E essa pessoa provavelmente estava enterrada no antro sonserino sabe-se lá Merlin fazendo o que. Preferia não pensar, poderia ser que sua mente o leva-se a criar imagens terríveis que envolvessem Draco, seu Draco e o atirado do Blaise Zabini, ou até mesmo na pior das piores de todas as hipóteses: a cadela pequinesa, Pansy Parkinson.

Quando levou a garrafa mais uma vez a boca ainda de olhos fechados já duvidando se teria condições de ingerir mais álcool, antes de colocar para fora a grande quantidade que já havia bebido, Harry trôpego percebeu por intervenção de Merlin, já que seus reflexos deram "tchau" para ele, há bastante tempo, uma sombra pairando a cima, crescendo, tapando o lusco-fusco que irradiava sobre ele.

Foi meio torpe que sentiu o ar se deslocando na direção do seu rosto e uma pessoa se aproximando, bem a tempo dele abrir os olhos embaçados para saber o que estava havendo. Uma massa loira e branca dobrou de tamanho na sua frente e por misericórdia seus olhos funcionaram. Harry abriu o sorriso mais safado e luminoso que conseguiu, era Draco.

- Hei... Está esperando quem tão disponível assim, Potter? Se eu fosse uma louca, ou uma maníaca querendo arrancar suas roupas não teria o menor problema em conseguir! – Draco se deitou tão colado a Harry que o hálito "sabor cana" do moreno vinha perturbar seu olfato só com a respiração do moreno.

O loiro apoiou sua cabeça na palma da mão enquanto seu cotovelo se encarregava de sustentar o peso, somente para que ele pudesse olhar Harry tão aberto assim.

- Oh, que ciumento você é! Por acaso está insinuando que eu sou fácil, Grey? – Perguntou Harry risonho, meio vesgo. – A propósito: já disse milhares de vezes, pare de vomitar o meu sobre nome! Odeio quando você me chama de Potter! Só estamos nós dois aqui, você pode me chamar do que quiser. - Permissivo ao extremo, Harry largou a garrafa virando a cabeça olhando para Draco.

O loiro estava perdido em estado de adoração suprema, bloqueando o pensamento de que ele estava se sujando deitado ali. Harry parecia mais pálido a luz do luar e a doçura da noite perdia a graça diante da tez tão clara do rapaz.

Seus cabelos temperamentais espetados em todas as direções, negros azulados, com um brilho incomum. Os olhos claros, em um tom hortelã, desfocados por causa da bebida, tão curiosos na direção de Draco e ao fundo tão famintos que não conseguiam disfarçar.

Ainda que o raciocínio de Harry estivesse mergulhado em destilado o silêncio que se instalara ali sem sua permissão, não foi por falta do que ter o que dizer. Ele não queria isso, queria aproveitar tudo que viesse de Draco, as palavras, os melhores olhares, os piores também e o seus sorrisos tão memoráveis, até o ciúmes desmedido do loiro.

Até aquele momento foram longos anos de desnecessária hostilidade entre eles e Harry se via no direito de aproveitar. Inclusive os instantes que tinha a sós com o loiro que eram tão raros.

Draco não ficaria assim do seu lado para sempre. Certa hora ele teria que voltar para as torres e o loiro para as masmorras. Quem sabe um dia, só um dia depois que exterminasse Voldemort ele poderia enfim ficar junto de Draco sem se esconderem, sem que isso fosse tão secreto. Quem sabe até não viveriam juntos?

- No que está pensando? – Perguntou Harry, encarando Draco com a voz embargada da bebedeira levando a garrafa a boca.

Draco foi puxado à realidade abandonando seus devaneios para responder.

- No jogo. – Mentiu o loiro, olhando extasiado para Harry, que deixou que o líquido escorresse por sua garganta e vazasse pelos cantos de seus lábios.

- Sabe, – disse Draco se apoderando da garrafa com a mão livre. – acho que você já bebeu demais e nem me ofereceu um gole. – Com isso o loiro virou a garrafa na boca dando um trago longo.

Harry nem se quer fizera menção de retirar a garrafa da mão do loiro, nem impedi-lo de beber, estava mais torto do que A Toca e não teria moral alguma para impedir Draco de se embriagar também. Porém, com certeza sentiu inveja da garrafa tão colada aos lábios de outro rapaz.

Uma brisa tímida perpassou o rosto de Harry e a onde o liquido havia escorrido pelo seu rosto ficou fresco e quando ele levou a mão para enxugar, Draco o interrompeu.

- Não, – Disse o loiro protestando com brandura. – deixa que enxugo para você.

Draco abandonou o uísque no gramado a seu lado e com languidez passou os dedos finos sobre a maçã do rosto de Harry. O toque sutil mais cheio de significado fez Harry se arrepiar e sem querer gemer baixinho, as mãos de Draco tinham efeitos desastrosos sobre seu corpo, bastava o loiro tocar-lhe a pele de qualquer forma que seu ventre formigava ansioso.

Draco sorriu, os olhos acinzentados cintilando, cobiçosos. Ele se curvou quase que em câmera lenta em cima do moreno, aproximando seu rosto. Sua franja escorreu de sua testa, fazendo sombra sobre Harry, que prendera o ar desejoso com a aproximação tão promissora do loiro.

Draco beijou-lhe o canto dos lábios calidamente e com a pontinha da língua fez a trilha do liquido sumir do rosto de Harry, que afogueou-se de acordo com a temperatura que subia rapidamente o seu grau de excitação.

O contato visual entre os dois era intenso e hipnótico, Draco continuou distribuindo beijos pelo rosto de Harry, que encantando recebia o carinho entorpecido.

Finalmente o loiro entre abriu os lábios, fechou os olhos inspirando profundamente e passou a pontinha da língua entre os lábios de Harry um momento antes de tomar a boca do moreno totalmente para si.

Harry fechou seus olhos sentindo Draco invadir a sua boca com gula e isso despertou mais ainda "seu sinal interior de fogo".

Totalmente desesperado, já entregue aos beijos molhados e deliciosos de Draco, Harry agarrou as vestes do loiro e o puxou.

Draco estava em cima de Harry, os lábios ainda unidos, agindo em conformidade com a sede de ambos por se provarem mais e mais. As mãos curiosamente furiosas de Draco sem delicadeza alguma passeavam sobre o moreno, fortes e impiedosas, arranhando a pele desprotegida e arrancando com uma velocidade impressionante as roupas do outro ao mesmo tempo, parecendo deliciosamente possuídas, mas Harry estava pouco se importando com o restante do mundo, ou o que aconteceria a eles se fossem flagrados ali, aquela hora, daquela maneira.

Harry ajudava como podia a se livrar das peças e mesmo vergonhosamente bêbado até a raiz dos cabelos o seu reflexo para tal tarefa se mantinha imbatível.

Logo Harry estava sem camisa e Draco também, prontos para arrancar qualquer impedimento entre eles que dificultasse o contato pele com pele. Descabelados, ofegantes e sem condições de racionalizarem que estavam em um local comunal da escola, eles continuaram a se beijar furiosamente, se esfregando, gemendo e se apalpando como se a vida deles dependesse disso.

Os beijos continuaram exigentes, sedentos e incessantes, mas o sexto sentido do loiro lhe cutucou e de repente Draco estacou em cima de Harry, olhando para os lados desconfiado.

- Harry, você tem a mesma impressão que eu?

- Hum... Que? – Perguntou o moreno confuso.

- Tem alguém de olho na gente, idiota! – Reclamou Draco.

Harry torceu o pescoço para um lado, depois para o outro e não viu absolutamente nada ao redor deles, ou além da orla da floresta ou nas águas calmas do lago, por que Draco estava em cima dele tapando a visão para o centro das águas onde somente os olhinhos miúdos da Lula Gigante estavam para fora da superfície, fitando atentamente os dois rapazes animados embolados, se amassando com gosto, disputando o mesmo espaço físico, se misturando a grama.

- Não vejo nada. Deixa de ser paranoico, Grey, ou você está arranjando desculpa para ir embora? – Provocou Harry desafiadoramente.

O sorriso de Draco alargou-se mais, adorava ser contestado por Harry.

- Harry? – chamou Draco meio incerto se estava meio paranoico mesmo.

- Fala, Grey. – O moreno colocou as mãos sorrateiras no traseiro de Draco lhe dando um senhor apertão nas nádegas, trazendo o quadril do loiro de encontro a sua dureza. O loiro arqueou as costas prensando mais ainda o namorado abaixo dele.

O sonserino fechou os olhos rapidamente sentindo seu corpo vibrar intensamente de prazer, deixando seu fôlego escapar junto com um gemido necessitado. Quando abriu os olhos o moreno mordia os lábios entre o divertimento e a fome e os pensamentos de Draco simplesmente o abandonaram covardemente.

- Grey, o que você estava dizendo mesmo? – Arriscou Harry docemente, com as mãos dentro do uniforme de Draco e com mais um apertão vigoroso, aumentou o encaixa entre eles com força total.

- Hum...

Sinceramente não havia nada mais importante no momento se não voltar ao que estava fazendo, beijar Harry sem sentido e deixar que sua vontade pelo outro se satisfizesse, embora soubesse, Harry era bom demais em tudo que fazia e ele jamais se entediaria ou enjoaria do moreno.

O grifinório era uma febre que tomou conta dele e que jamais passaria. Bendito seja Merlin por isso.

- Her, esquece. – Ronronou Draco um instante antes de se dedicar de corpo e alma a Harry em seus braços, totalmente afável e cheio de paixão para ser domada...

Em seu quarto, na atualidade, o moreno dormia agitado na ponta da cama, os lençóis no chão. Se virava tanto na superfície macia atracado ao travesseiro que em uma investida de corpo mais drástica contra o pobre objeto de plumas ele acabou se estabacando no chão.

Infelizmente como dormia profundamente, imerso em lembranças em forma de sonhos não pode se proteger da queda. Com estrépito ele acordou no chão, sentindo uma dor incrível no baixo ventre se juntar com a louca vontade de urinar.

- Porra! – Gritou ele bravo e afônico. O travesseiro ainda seguro por uma de suas mãos, com ele ainda esparramado no assoalho do quarto de peito para baixo, considerando a má sorte de cair como um pão que despenca da mesa com a manteiga virada para baixo.

O travesseiro salvou seu rosto de colidir com o chão, mas não conseguiu a mesma proeza em salvar seu "orgulho" masculino diga-se de passagem tão "animado" de bater com força contra o frio assoalho.

Agora faltava pouco para a final! Ponderou ele, com desanimo.

Mais um treino, depois o jogo, Draco lá, o levando para casa na sequência e... E depois? O que será que viria entre eles?

Uma coisa era fato: não vivia sem aquele loiro safado, mas as coisas teriam que mudar, para que a relação deles fosse mais tranquila, sem pequenas chantagens e trapaças da parte de Draco para que ele, Harry, não acabasse sempre sendo o idiota que "cedia" aos caprichos do outro.

Harry se levantou como pode, ainda zangado de ser interrompido antes de alcançar a satisfação através do sonho. Mais um dia que começava. Foi tomar seu banho e claro, primeiramente urinar e checar se estava tudo okay com seu estimado "amigo" dolorido da pancada contra o chão. Não queria perder mais um café da manhã antes do treino, aguentar os chiliques de Robert era uma tarefa menos árdua de estômago forrado.