Cap – 09 – Arpies X Cannons.

Enfim o último treino. As coisas correram como Robert imaginava a semana toda, acrobacias, fintas, gols e tudo mais que uma bela partida de quadribol poderia proporcionar.

No jantar, todos felizes com os resultados de produtividade, a equipe parecia confiante em um único resultado: a vitória.

O mau tempo continuava inflexível, tão palpável que nem parecia que o inverno em si realmente já havia terminado há algum tempo em outra parte do mundo. Os calafrios e o vento cortante aumentavam em numero e gênero a sensação térmica congelante, que se infiltrava pelos ossos e causava dormência por varias partes pelo corpo.

Só restava a Harry relaxar um pouco antes de entrar em campo no dia seguinte e mostrar por que era um dos jogadores mais bem pagos de todo o mundo bruxo. Quando se deitou ligou o aquecedor em seu máximo, para enfim colocar seus músculos doloridos em posição privilegiada de descanso.

Logo que se sentiu pesado, sonolento, Draco imergiu forte em sua mente, sua imagem viva e preocupante diante das pesadas pálpebras de Harry.

Será que Draco estava realmente bem? Talvez... Meditou.

Algo tinha de muito estranho no modo calmo com que o loiro se despediu dele, como se visse ali uma oportunidade de se livrar de Harry. Dessa vez alguma coisa, ou algo, não tinha funcionado como das outras vezes em que ele estava a trabalho, bem longe de casa, bem longe do seu loiro.

Bem... Refletiu novamente. Veria por si se Draco estava recuperado ou não. Poderia constatar com os próprios olhos, na hora do jogo, a onde esperava com toda fé que pudesse ver do voou panorâmico sobre o campo o outro assistindo a partida, sentado satisfeito e orgulhoso dele, no camarote privado deles, próximo as balizes do adversário, onde costumava ficar, quando se dava ao luxo de aparecer, para ser localizado mais facilmente.

O moreno por fim penetrou o véu dos sonhos, e lá estava: ele e Draco, aos dezessete anos novamente, em um armário de vassouras, certa ocasião em uma festa a fantasia clandestina em Hogwarts. Sua primeira vez com Draco, tão memorável como a ultima.

Tudo tão real como sempre acontecia quando sonhava dessa forma, quando vivia suas lembranças antigas com o loiro.

Podia sentir o cheiro do sonserino se misturando com o seu, impregnado com o aroma de uísque venenoso de péssima safra, o forte aspecto olfativo de pedra viscosa, em homogeneidade com mofo dominando madeira de vassouras e lavanda para aromatizar os banheiros, tudo no mesmo local, no mesmo instante, naquele armário escuro.

As aranhas em seu tear natural, pendiam furtivas de suas teias do teto enquanto ele subia até o mais alto dos céus, diante de Draco lhe apalpando o corpo com desejo e violência, lhe sugando o pescoço, os lábios e sua pouca sanidade tão arruinada com a ajuda da bebida.

Quanto mais sonhava, mais se lembrava, mais se atrelava fortemente ao lençol. Sua parte mais interessada nas lembranças doía sufocada pela samba canção prensada contra o colchão, estendida.

Era inevitável que seu membro erétil assim como todo o resto do seu ser reagisse implacável com todos aqueles incentivos proporcionados pelo seu subconsciente.

Era todo aquele frenesi de hormônios e mais um pouco o que sentia de novo enquanto sonhava, tudo isso ligado por um indômito desejo. Adorava a sensação, seria grato quantas vezes ela quisesse se repetir, mesmo que isso não fosse consciente no momento.

Ele estava em estado de ebulição, com os músculos lisos de suor, tensos, precariamente cobertos por uma fina peça de seda úmida, prestes a se tornar realmente molhada se Harry não fosse cortado pelos "bips-bips" do despertador.

O gemido delirante de Draco passando as unhas na base de suas costas, uma resposta desesperada do loiro que recebia uma mordida impiedosa no mamilo tão sensível pelos estímulos malévolos que o moreno o submetia retumbou em sua mente.

Harry podia sentir as pernas longas e fortes, de pelos quase transparentes de tão finos e claros, enroladas tremulas em volta dele, enquanto instintivamente mudava o ritmo de seu quadril, se enterrando cada vez mais rápido e mais profundo no sonserino, em busca da promessa de um orgasmo explosivo para ambos.

O moreno não sabia se era o seu gemido ou de Draco se prolongando em seus ouvidos, reverberando ao longe, no fundo de sua mente enquanto arregalava os olhos amaldiçoando tudo e a todos. Era hora de acordar, mas era lamentável que seu sonho tivesse evaporado no meio, quase no auge de todo êxtase.

Ferro sobre seda pulsando, misto com o forte desejo de esvair-se em felicidade e saciedade. Era impossível, humanamente impossível, acordar neste estado pela manhã e constatar que ainda estava prestes a explodir como um colegial que já fora e não se sentir terrivelmente mal humorado. Para ajudar sua vontade de urinar dolorosamente presente o fez resmungar todos os impropérios aos quais se lembrava no momento.

Harry foi com todo cuidado urinar, o que nessas condições era um problema. Quando se tocou enfrente ao vaso sanitário com o único propósito de esvaziar a bexiga sentiu-se latejante demais, firme demais, para que o xixi saísse rápido, sem desconforto.

Tinha três saídas: ou faria xixi aos soquinhos com a desagradável sensação de tensão toda concentrada ali, ou pensaria em algo bem desestimulante, que lhe fizesse esfriar como um ferreiro colocando a espada forjada em água gélida.

Tinha a ultima porém infalível alternativa, que terminaria rapidamente com todo esse sofrimento, outro tipo de alivio que envolvia a sua imaginação bastante fértil e apenas uma de suas duas mãos.

Não demorou nada para que suas fantasias e lembranças com Draco voltassem a fluir com naturalidade em sua mente, protegidas da visão do banheiro insípido por suas pálpebras fechadas apertadamente, enquanto se mantinha tão entretido com o rito de prazer solitário, que seus dedos e sua palma bem cerrada voavam rápidas, automaticamente, em torno de sua ereção.

O clímax logo o atingiu como uma flechada certeira, enquanto ele mordia o lábio para não gritar o nome do loiro, desfrutando das milhares de sensações maravilhosas que o prazer trazia, enquanto seus olhos abriam um tanto pesados novamente e seu ritmo cardíaco se acalmava com lentidão, sua respiração difícil se tornando mais regular.

Um tempinho depois, já recuperado, se livrou totalmente da cueca, segurou a parte expansiva do seu corpo que agora descansava relaxada um tanto tímida e finalmente, urinou. Segundo alivio do dia.

Em um outro passo, se meteu no banho por quinze bons minutos para sair como novo, afinal precisava se alimentar bem, para em seguida, se concentrar no jogo que começaria em poucas horas.

A manhã transcorreu sem problemas... Considerou, mesmo que estivesse morto de saudades de Grey, tentando se manter longe de todo o nervosismo que pairava na concentração. Cada jogador executava seus tolos mais importantíssimos rituais de boa sorte a espera do horário em que enfrentariam o adversário.

Não Harry, que estava totalmente preocupado com Draco para pensar nesse momento em sorte, também não acreditava que sortilégios influenciariam no resultado de uma partida de quadribol, seu lado cético não permitia que as suas habilidades sofressem influencia de fatores tão incertos como sorte e pequenas simpatias.

À tarde ele vestiu meticulosamente o seu uniforme dos Arpies em vivas cores de roxo e bronze, calçou as luvas de couro, verificou o cadarço das botas, enfeitiçou o óculos para resistir o mau tempo e dedicou o restante dos minutos em que passou no seu quarto verificando a sua velocíssima e potente vassoura exclusiva, presente de Draco no seu ultimo aniversário, mesmo que o time tivesse investido no projeto.

Seu precioso modelo profissional de corrida, era peça única produzida por Olivaras, que até a atualidade era inteiramente dedicado à manutenção e fabricação de varinhas.

Reuniu-se com os demais jogadores no vestiário, escutando com eles as preces e os palavrões de Robert que emitia de varias formas a mesma mensagem: "Quero essa vitória!" e lá estava Harry sentindo aquele embrulho no estômago, o famoso frio na espinha tão característicos do nervosismo e da ansiedade.

Dois minutos viajando por chave de portal da concentração até o estádio com a adrenalina subindo vertiginosamente, lhe enjoaram do dedão dos pés até o ultimo filme de cabelo, o que foi suficiente para triplicar o mal estar que antecedia o inicio da partida, o inicio de qualquer partida.

O time silenciosamente tenso saiu do vestiário do estádio, caminhando lentamente pelo corredor que desembocava ao lado das arquibancadas reservadas para os Arpies.

À medida que o corredor fora terminado o rugido dos torcedores euforicamente animados vibravam nas paredes, transmitindo aos Arpies prestes a aparecer de fato, uma onda de entusiasmo que logo se sobrepôs a qualquer tipo de aflição.

Como capitão Harry fez as ultimas recomendações ao time, em seguida a tradicional pilha de mãos que explodiu em um único grito de guerra. A equipe estava pronto para entrar em campo e dar o seu melhor no jogo.

Assim que colocaram os pés no estádio a luminosidade amena de uma tarde cinzenta os atingiu por inteiro, junto aos gritos ensurdecedores intensos, tão fundidos entre saudações e vaias vindas de todas as direções das arquibancadas, que chegava a ser atordoante.

Os times se dirigiam para o meio do campo, quando Harry escutou de longe sem muita concentração, a voz do narrador esportivo Scott Fletcher dizer atleta por atleta toda a escalação dos Arpies e dos Cannons.

O pequeno e compacto juiz Trion Jenson ditou as regras, jogou a moeda no cara e coroa escolhendo aleatoriamente. Os Arpies ganharam à primeira posse de bola enquanto o outro time escolhia o lado do campo.

Trion e os dois times já estavam a postos nas vassouras quando Harry mais percebeu do que ouviu os espectadores se provocando com o marcador ainda zerado.

Os apanhadores, ambos capitães de seus times, se mantinham um metro a cima dos seus companheiros de equipe, esperando Trion entregar a goles e soprar o apito para demarcar o inicio da partida.

Como manda as normas desportivas, Harry apertou a mão de Dino Thomas o apanhador adversário, que estava o encarando abertamente raivoso. O pomo passou entre os olhos dos dois e logo fez sua mágica: desapareceu rapidamente em um lampejo dourado.

O aperto de mão fora vigoroso demais para seu gosto, quase um teste de resistência, admitiu Harry, mas ele não se deixaria intimidar pelo adversário.

Dino foi um dos primeiros de muitos colegas do circulo escolar, a expô-lo e expor Draco ainda mais a publicidade negativa em um passado bastante recente até, a alguns anos atrás, declarando que sabia do sentimento de Harry em relação à Draco e vice e versa, afirmando veemente suspeitar das tendências homossexuais do moreno já no primeiro ano escolar de ambos.

Na mesma nota fez questão de enfatizar que ele, Dino, não ligava para isso, mas que também não aprovava o relacionamento entre Harry e Draco, por que eles tinham que dar bons exemplos, se casando com mulheres, que era o certo para muitas religiões, bruxas e trouxas, para que a população mágica não decaísse ainda mais em sua tacha de natalidade e moralidade. "Longe dele julgar é claro!" Como teve o cuidado de dizer.

Na medida gentileza o apanhador dos Cannons ousou afirmar que não desacreditava dos dois colegas de escola serem homossexuais, mas sim de serem apaixonados um pelo outro.

Como se matar Voldemort não tivesse garantido a Harry publicidade vitalícia que ele tanto odiava para o resto de sua vida, precisando de um escândalo romântico para estar em evidência!

Na época de sua declaração o rapaz insistia em crer e propagar por ai, que o recém declarado amor mutuo, entre Draco Malfoy e Harry Potter não passava de um golpe publicitário agressivo, bastante profano, muito desesperado do casal, para manter seus nomes famosos em voga constante pelo bem de suas vidas financeiras.

A nota a respeito cedida pelo rapaz não passou de uma fofoca sensacionalista, relatada à revista "Você Bruxo" assim que Dino galgou a muito custo uma vaga de reserva no time dos Cannons como apanhador.

Felizmente, as pessoas que realmente importavam na vida de Harry, sabiam que Dino caluniou Harry de certa forma na tentativa de dar "o troco".

Talvez fosse sua única deixa para uma mesquinha e pequena vingança por Gina tê-lo dispensado anos e anos a fio, depois do rápido namorico escolar entre eles, arruinado por Harry no sexto ano dos garotos. Era incrível como o tempo atingia progressos miraculosos, mas às vezes não tinha o poder de dissolver certas magoas.

Harry queria usar a oportunidade para quebrar os dentes e o resto de Dino com as mãos na época, mas foi impedido por Draco, que achou a maior graça em toda essa atenção desnecessária da mídia em torno deles.

- Foda-se ele, Harry! – Dizia repetidamente o loiro na ocasião. – Odeio quando você da crédito a fracassados!

Foi no fervilhar de um novo mundo que o moreno recebeu precisamente na mesma época das noticias e fofocas, muitas e muitas propostas de trabalho, com direito aos mais absurdos caprichos, de diversos times e pode escolher tranquilamente qual equipe lhe apetecia mais e com isso os Arpies ganharam seu melhor jogador, o apanhador Harry James Potter.

As rápidas considerações mentais que desviaram Harry do momento, simplesmente se desmancharam diante do semblante gozador do apanhador adversário.

Dino sorria triunfante, enquanto aumentava o aperto de mão entre eles. O rapaz se posicionou mais a frente, ficando próximo ao rosto do moreno o suficiente para sibilar algumas gentilezas no chamado, contato "olho no olho" e com toda cara de pau do mundo provocou Harry.

- A taça é nossa, vocês não tem a menor chance, sua bicha de merda. – Disse entre dentes, mas bastante audível. - Vá se acostumando com a ideia de dar o seu melhor sorriso perdedor enfrente as câmeras! Ah... Mais você não da entrevistas, não é? Não aguenta a pressão, Bambi? Vai sair voando desesperado na direção da sua puta para ele te consolar por causa da derrota não vai, Harry?

Os lábios de Harry se espremeram um tanto tensos e Dino se aproveitou disso para continuar a falar.

- Vocês brincam de casinha? Quem é o papai? Ah... Pela sua carinha fofa já sei que é a mãezinha! Não que eu tenha algum interesse nisso, mas quantos viadinhos você e a biscate do Draco pretendem ter? Além de nojento é patético!

Duas coisas no mundo tinham o poder de tirar Harry instantaneamente do seu juízo quase perfeito. Uma delas era insultar as pessoas que ele amava e a outra era ser desafiado.

O moreno não podia ver um bom desafio em sua frente que a coisa logo se transformava em questão de honra. Agora ganharia esse jogo só para que Dino amargasse mais um infortúnio proporcionado por ele, Harry e para fazer Thomas engolir com os dentes se fosse necessário a gozação que usou na mesma sentença com o nome de Draco.

Desafia-lo dava no mesmo de mostrar uma muleta vermelho carmim para um touro muito bravo. Como em uma boa tourada, a hora em que o toureiro vacilava, era o momento perfeito do animal brilhar metendo uma chifrada no traseiro do idiota a sua frente mostrando quem "mandava" realmente.

Tão nocivo quanto podia Harry sorriu para Dino. Dois sulcos ínfimos se formaram em sua testa enquanto ele estreitava os olhos com o sobrolho comprimido, numa clara afirmação de olhar assassino.

Quadribol também mexia com o seus brios... Considerou.

A resposta para a provocação do apanhador dos Cannons veio com tanta velocidade que surpreendera até o próprio Harry. Foi com grande prazer que ele também notou a cara aparvalhada de Dino que ouvia a sua resposta.

- Vou te atualizar rapidamente Thomas, fazendo o favor de te esclarecer alguns pontos importantes da vida, que infelizmente seu cérebro limitado, que deve ser menor do que seu pau, não alcança sozinho, okay? Primeiro: você gostando, concordando ou não, sou muito gay, adoro ser gay, nasci perfeitamente gay e não tenho problema nenhum com isso, muito menos Draco e te garanto que brincamos de casinha, curandeiro e paciente, troca-troca, meia nove, varinha no buraco, cabra cega, rabo no burro e muitas outras coisas, mas nem por isso somos menos gente do que qualquer outro ser humano decente no planeta!

Dino soltou uma risada zombeteira enojada que mais soava como um escarro, fazendo Harry ganhar mais ímpeto ao continuar.

- E no caso de você ter duvidas e não dormir a noite por isso, te afirmo que não tem uma bunda que seja mais deliciosa e mais bonita do que a de Draco Malfoy em todo o Reino Unido, que dirá no resto do mundo, em um comparativo com homens e mulheres que você nunca se quer terá a possibilidade de sonhar em arrastar para a sua cama vazia e fria! Uma bunda que valeu e vale a pena todo o sacrifício, sofrimento e problemas que tive que enfrentar de peito aberto para me manter vivo e ir atrás para conquistar de vez e para a minha sorte e toda a sua inveja e recalque, ela é só minha, assim como o meu traseiro também é dele para brincar como quiser e quando ele quiser até arder no dia seguinte, mesmo que isso não seja da sua conta! - Harry apertou o cabo da vassoura, escorregando um pouco mais para frente, para continuar sussurrando para que suas palavras chegassem somente ao outro homem a sua frente.

- Segundo e não menos importante, você não vai me ver implorando por ai por uma notinha em uma revista qualquer dizendo que você imitava a Madona no dormitório quando nós estudávamos juntos, só para me vingar da frustração, caso eu venha perder o jogo, o que é óbvio, não vai acontecer! Sou viado, puto, bicha, bambi, mãezinha e todas essas merdas, chame como quiser, mas gente suficiente para encarar o mundo e mandar todos que não me importam, lixos como você, se foderem sem precisar de ninguém para viver minha vida e pagar minhas contas!

As narinas de Thomas trepidaram ligeiramente. Ele inspirou o ar mais profundamente de forma involuntária e Harry soube que podia continuar com suas ofensas por que elas estavam surtindo o efeito esperado, por mais que ele soubesse que era uma desavença inútil e bastante infantil responder tais insultos.

- Por que não deixa de ser ridículo e começa a lidar com a verdade, Dino? Embora você não queira admitir nós dois sabemos da realidade por aqui, não é? Então ao menos se acostume! Vou ganhar esse jogo independentemente de ver você morrendo por isso, por que é uma questão de talento e de excelência, coisa que você não tem e você não vai superar nunca o fato de Gina não olhar mais na sua cara e ter preferido a mim um cara gay no sexto ano do que você TODO MACHINHO! E tem mais! Eu não lamento e nunca lamentei! Acho muito bem feito! Isso serve para você saber que é um idiota! Um mal amado! Um rejeitado qualquer!

Harry se desvencilhou de Dino e na sequência deu uma cambalhota no ar com as mãos livres e as pernas firmes travando o cabo da vassoura. Voltando à posição de igualdade com o outro capitão.

- Um tanto melhor ser mal amado e rejeitado do que ser uma aberração. – Revidou incerto Thomas no ponto mais delicado do seu controle.

- Discordo. - alfinetou Harry - Prefiro ser anormal, uma aberração, do que um broxa reprimido como você! – Respondeu já meio sem paciência, esperando dar fim a pequena rinha entre os dois, cutucando a mais dolorosa das feridas masculinas, a "virilidade".

Na verdade, Harry queria mesmo é fazer Dino engolir os dentes ao ter que lhe dar os parabéns pela vitória.

Em uma rápida olhadela para baixo o moreno vislumbrou o exato momento em que Trion entregava a goles verificada para Aghata Payton, uma das atacantes do seu time e aproveitou que o juiz colocava o apito na boca para dizer suas ultimas delicadas palavras antes do começo da partida propriamente.

- Meus pêsames pelo segundo lugar, Dino.

Em seguida fez um parafuso em direção ao céu. Ainda que tivesse ganhado velocidade pode ouvir à voz do outro se afastando na direção oposta berrando:

- Vai se foder, Potter!

Dino perde o controle muito fácil quando esta nervoso... Refletiu sorrindo, ainda que seu pequeno sorriso tivesse um "Q' maléfico, quase demente ele guardou o restante das ofensas para quando estivesse erguendo a taça da vitória diante dos olhos do outro apanhador.

As palavras tão descontroladas do outro deram a Harry muito animo, além da irrefutável certeza de que ganharia o jogo. Agora ele só precisava saber quanto tempo demoraria para conseguir essa façanha.

Ainda voando em espiral ele subia cada vez mais e mais e mais. O vento impiedoso, cortante, castigava seu rosto e conforme ele aumentava a velocidade, mas sua pele queimava e seus dedos tendiam a congelar em volta do cabo da vassoura.

Alto o suficiente, Harry começou sua primeira busca pela pequena esfera alada. O céu estava ameaçadoramente cinza chumbo, a umidade do ar tão densa que agredia seu pulmão, regelando-o por dentro.

Como estava bem acima do jogo em si, o silencio era um tanto anormal, com a euforia dos torcedores mais alto que um sussurro, fracamente audível. O assobio do vento se sobrepunha aos ruídos vindos distantes da partida, enquanto ele apertava seus olhos hortelãs por trás do óculos magicamente alterado na tentativa de vencer a fina camada de neblina que o atrapalhava.

Com suavidade, Harry descia um pouco conforme olhava em todas as direções circundando o que deveria ser o perímetro total do campo. Sua tensão aumentou a medida que seus sentidos se esforçavam todos juntos na tentativa de identificar um lampejo dourado que indicasse a posição da mágica bolinha mais valiosa do jogo.

Era cedo, mas a frustração faiscou pequenina em seu peito, nenhum sinal do pomo ainda.

Nunca desejou tanto que uma partida acabasse rapidamente como queria que essa terminasse. Sabia que se não fosse bem sucedido logo o tempo passaria, suas vistas ficariam suscetíveis ao cansaço e seus olhos não seriam capazes de enxergar o pomo mesmo que esse o capturasse.

Que Merlin se apiedasse e o fizesse ganhar ou perder logo o jogo, por que voar mais que um dia seria o fim... Avaliou severamente.

Sem contar com as condições climáticas instáveis que prometiam se intensificar com o avanço da hora, piorando sensivelmente o vento, varrendo a neblina apenas o suficiente para dar passagem a uma chuva torrencial que espreitava ansiosa pelo pior momento para desabar sobre suas cabeças.

Seus pensamentos não estavam ajudando na sua concentração. Na corrida contra o tempo na captura da pequena e valiosa esfera, se não tivesse todas as suas fibras voltas para a tarefa, ele teria que aguentar o rancor distorcido de Dino erguendo a taça e Robert querendo seu pescoço degolado por uma lamina bem afiada.

Aff... Não poderia pensar nisso. Perder o jogo era somente um medo, era cedo demais para se dar por rendido! Meditou.

Era hora de se concentrar e chegar mais perto e mais atento ao que acontecia na partida abaixo dele.

A medida que ele perdia altitude os sons voltavam a fazer sentido e Scott Fletcher narrava com empolgação o último gol marcado pelos Arpies.

Aghata Payton e Alex Morrow atacantes de sua equipe estavam se saindo muito bem, como sempre. A disputa estava acirrada, a goles ia e voltava ia e voltava passando velozmente de time para time. Os Arpies à frente nos pontos, por noventa a setenta até o momento.

Harry viu Thomas tão perdido quanto ele. Um instante que ele parou no ar para olhar na direção das arquibancadas foi o tempo suficiente para que virasse alvo fácil de um balaço rebatido por Hilda Darsh, à sanguinária batedora dos Cannons.

Ele teve um segundo para se livrar da ameaça em questão, manobrando com violência sua vassoura para a direita e abaixo. O balaço zuniu forte próximo ao seu ouvido esquerdo, indo feroz na direção de Sterton.

Imensamente feliz de ver Harry desviando o outro batedor revidou com toda força na direção do atacante dos Cannons que na intenção de marcar mais um gol não viu a bola do mal se aproximar e atingir suas costelas.

A goles caia enquanto Dino rapidamente voava em direção ao seu colega para checar se ele estava bem. Sterton socou o ar em vitória pelo acerto no alvo e continuou voando, procurando potencializar se possível, ainda mais seu bastão em combinação com o balaço.

Harry já se amaldiçoava, mais de uma hora de jogo e seus olhos não conseguiram o vislumbre do pomo nenhuma vez se quer. Com uma crescente preocupação, ele imaginava a onde estaria o pomo e agora que já estivera determinado tempo examinando as arquibancadas com cuidado, constatara com uma angustia profunda que Draco não estava por lá, para atrapalhar ainda mais seu foco.

Raios! Onde será que ele se meteu? A frase em sua cabeça expressava ambos os desejos: o de encontrar Draco torcendo por ele são e salvo e a localização do maldito pomo para terminar a partida antes que o outro time o fizesse com a vitória.

Mesmo que estivesse com a atenção dividida, acabou vendo pela primeira vez uma fagulha dourada em sua reta a mais ou menos dez metros de distância.

Harry aumentou a velocidade, indo direto ao ponto em que vira. Quando percorreu rapidamente os primeiros cinco metros, o pomo manobrou e rapidamente, trocando de direção. Ele e Dino se olharam assim que a bolinha sumiu de suas vistas em direção a baixo e ambos mergulharam com satisfação para o terreno.

Corpo a corpo eles foram descendo e descendo, se encarando as vezes com rivalidade, por mais que a vassoura de Harry fosse muito mais rápida, Dino estava se esforçando para emparelhar.

O equipamento de Thomas parecia mais estável, o que ajudava em tomadas calculadas, mas atrapalhava em ganhos repentinos de agilidade, o que era uma vantagem para Harry. Quando o chão parecia próximo, Harry fez um de seus truques mais loucos, que consistia em parar de forçar a vassoura, que obedeceu instantaneamente, para frear brusca e totalmente logo em seguida.

Dino demorou demais para entender o que se passava e continuou descendo em um zunido desimpedido. Flutuando, Harry simplesmente relaxou o corpo em cima da vassoura em mais um truque sujo desenvolvido por ele. O objeto despencou reto para baixo, como se não estivesse magicamente encantado para mantê-lo pairando, como se ele acabasse de pular de um prédio de trinta andares sem vassoura e sem para-quedas, com seu corpo caindo vertiginosamente reto.

Suas mãos envolveram o próprio peito, suas pernas esticadas de uma forma aerodinâmicas, descendo mais veloz que uma seta, fora do encaixe dos pés que havia. Ele passou por Dino mais uma vez como se estivesse em queda livre, sua posição completamente vertical, o tornando um tiro de revolver ou de canhão, tão veloz quanto.

A adrenalina agitava todo o seu corpo enquanto a torcida dos Arpies reagia primeiro com um sonoro "WOOOWWWW" preocupado, para depois compreender que se tratava de uma jogada ensaiada por Harry, voltando a grasnar os palavrões habituais misturados a alegria, como sempre.

Ele tirou um dos braços do peito divagar para não desestabilizar e colocou a mão no óculos quando sentiu que a lente deslocaria do seu rosto.

Sua capa mais um pouco subiria para a cabeça e Harry sabia que tinha que chegar junto ao pomo por que próximo do solo a bola guinaria para outro lado imprevisivelmente, ganhando ainda mais agilidade.

Enquanto alguns ainda duvidavam que ele estivesse com problemas, prestes a se chocar com o chão, o moreno trocou de posição, rapidamente encaixando seus pés na vassoura, para em seguida inclinar o tronco para a frente segurando firmemente no cabo de madeira.

Habilmente Harry se desviou para a direita, assim que a vassoura voltou ao seu comando com bastante empenho e Scott narrador gritou enfim, extasiado com o que acabara de ver.

"Senhoras e senhores, o que foi isso? Harry Potter acaba de arriscar a vida e com isso não inventou apenas uma, mais duas manobras? Tinha que ser o melhor jogador do mundo para brindar essa partida com algo tão insano, impressionante e inédito, torcedores! E Agora Dino Thomas? O que pretende nos mostrar? Acho que os Cannons preferem disputar o titulo ponto a ponto..."

Harry sorriu triste quando estabilizou a vassoura perto do gramado, o pomo novamente desaparecido, mas ele não poderia esmorecer, essa era a sua primeira tentativa e por mais que estivesse puto e aflito com Draco e com o pomo, ele ainda tinha que cavar uma nova chance de vencer.

Novamente ele retomou a busca pelo campo, quando observou Dino chegando com dificuldade para diminuir a velocidade da vassoura, o rapaz fez a curva e emparelhou com Harry para provoca-lo.

- Se distraiu com o cabo da vassoura no rabo, Potter? – Dino riu escandaloso da própria piada e não de dando por satisfeito completou aos berros. – Aposto que suas calças estão molhadas!

- Sim, muito, estou gozando litros, é tão gostoso, você deveria estar feliz também, Dino, relaxe e aproveite é só deixar entrar que tudo melhora!

Vendo que o dialogo "amistoso" não daria em nada, Harry deixou Thomas para traz, sobrevoando rapidamente sobre as arquibancadas, sentindo a energia dos torcedores.

Aproveitando a oportunidade, o moreno deu uma segunda olhada para seu camarote, ficando ainda mais ansioso, por que até aquele instante, não havia vislumbrado Draco por ali.

Payton e Morrow encaravam os Cannons sem medo, furando a defesa com brilhantismo, fazendo cada vez mais gols em jogas perfeitas, deixando a goles totalmente ao comando deles e o placar ficava cada vez mais distante, enquanto Sterton e Rosa Howell seus batedores, pareciam dois meio gigantes possuídos por um espírito maligno.

A cada balaço na direção dos Arpies a dupla Sterton e Howell rebatia perfeitamente, com técnica e maldade, sendo armas letais precisas, com seus tacos assassinos entusiasmados.

"Merlin! Cadê essa porra de pomo?" Esbravejou Harry diante da primeira dolorosa gota de água em seu rosto. Como previsto, a chuva começava desabar sem misericórdia e um minuto depois ele voava todo encharcado açoitado pelos pingos.

Mais de três horas exaustivas de procura e Harry só tivera fracas tentativas de captura. Os Arpies lideravam o placar por duzentos e cinquenta a cento e quarenta dos Cannons, por competência do restante do time, já que o moreno parecia estar de mãos e pés atados.

Ele já havia realizado a maior parte das manobras inéditas e as outras mais usuais para se desvencilhar de Thomas. Parafusos, espirais em queda livre, até ziguezagueou entre os atacantes tomando a goles dos Cannons como ensaiara com o restante do time, por causa de um palpite intuitivo de Robert, mas até agora nada de pomo, nada de acabar o jogo.

As vezes que vislumbrava a bolinha ou a chuva atrapalhava, ou Dino o fazia, tão colado a ele que Harry só tinha como esperança atrapalha-lo primeiro para depois voltar a procurar a esfera no ar, pensando em como fazer para capturá-la com o outro apanhador chato o fazendo de bússola para a tarefa.

Então logo o brilho do pomo desaparecia e a sensação de frustração crescia em Harry, que achava que a melhor tática de Dino não era achar o pomo em si, mas deixar para que Harry o achasse e ai sim, ele disputaria a bolinha homem a homem com o moreno.

Depois de todo aquele tempo sacrificante de partida, surgira mais uma oportunidade, o pomo sobrevoava as balizes do time adversário, mas dessa vez fora Thomas que se dera conta primeiro.

Parecia azar, mas ele viu com assombro que mesmo que aparatasse na frente da bolinha ele não conseguiria cobrir com mais rapidez a distância entre a pequena esfera e Dino.

Era uma das únicas ocasiões no jogo a qual o outro apanhador não estava colado nele e justo nessa hora, o pomo resolvera dar o ar da graça, mais próximo de Thomas do que ele gostaria que estivesse.

Dino estava à frente e mais abaixo, era questão de seguir reto e subir um pouco mais com os dedos a espera da captura bem sucedida.

Harry estava voando mais acima e bem mais distante, não sabendo como com todos os seus graus de miopia e a chuva forte ele conseguira enxergar algo tão pequeno de tão longe.

O apanhador dos Cannons disparou afoito, feroz e certeiro para o pomo e Harry estava atrás, dando tudo de si com sua vassoura, mas a cada avanço ele constatava que somente um milagre o faria chegar primeiro e sem pedir de novo o milagre aconteceu.

Sterton viu a oportunidade de ouro vindo em sua direção, rasgando o ar e a chuva. Com isso ele preparou o seu taco. Seus punhos envolveram o cabo de madeira com muita força. O apanhador se permitiu um sorriso demente, reconhecendo a chance de ajudar Harry a chegar primeiro onde merecia.

Philip esperou que o balaço chegasse muito próximo mesmo, para toca-lo dali com toda a sua fibra. Quando o momento chegou ele atingiu a bola girando os braços troncudos e o corpo todo ao mesmo tempo, triplicando a força do balaço que foi na direção que Sterton tanto desejara.

Como um míssil teleguiado a bola se transformou em um borrão vinho, atingindo em cheio Thomas na altura da vassoura, provocando uma fratura exposta na perna direita do apanhador e o rompimento da vassoura de Dino ao mesmo tempo.

Harry vira o exato momento uns pontos atrás do outro, Dino caindo sem se recuperar, segurando a vassoura partida em suas mãos.

Ele passou por onde Thomas despencava indo em direção ao gramado, inclinando o tronco em direção ao cabo, pensando rapidamente. Harry subiu primorosamente. O pomo não teve como escapar arrebatado, os dedos do moreno o seguraram firmes e raivosos sob sua palma fechada.

O jogo acabou, mas Harry tinha mais coisas a fazer.

Em queda livre Dino parecia um pontinho muito inferior da onde Harry parou no ar flutuando.

Teria que agir rápido, segundo seus cálculos mentais ele teria uma única oportunidade para salvar o outro e assim o fez.

Com a chuva dificultando as coisas o time dos Cannons estava voltado para o ataque, indo para as balizes dos Arpies sem perceber que o jogo havia acabado.

Até que as figuras se descem conta do que estava acontecendo, Dino teria atingido e afundado o chão, mesmo que o pomo tivesse um feitiço que avisava o juiz de sua captura, as coisas estavam acontecendo rápido suficiente para terminar em desastre.

Ele queria Thomas bem vivo para esfregar sua vitória na cara do bastardo e somente por isso, ele tomara a decisão de tentar salva-lo.

O goleiro dos Cannons também estava descendo em direção ao seu companheiro de time, talvez o único atento a merda que se desenrolava. O moreno viu Sterton fazer o mesmo, depois de se dar conta de ter exagerado na dose. Harry sabia que só sua manobra seria eficaz para chegar antes.

Espertamente, Harry usou alguns segundos preciosos enfiando o pomo dentro de sua luva enquanto novamente seu corpo despencava como um projétil para baixo, seus braços apertados sobre o peito, em uma das mãos a varinha fortemente segura, prejudicando a circulação do sangue, tornando o nó de seus dedos brancos.

Suas pernas bem esticadas, com todo seu corpo trepidando, a vassoura resistindo à pressão, com tudo parecendo difuso enquanto ele descia sem ter certeza de que iria parar antes que o chão o parasse primeiro.

Seu óculos desgrudou do rosto e se perdeu lamentavelmente. Sua blusa queria fazer o mesmo a qualquer custo pela cabeça, graça os braços cruzados no peito ela ainda se mantinha em Harry.

Então à hora chegou. Não conseguia calcular direito por causa da velocidade e pela falta das lentes, mas achou que faltavam uns trinta metros para Thomas atingir o chão e assustadoramente deveria faltar mais ou menos uns quarenta para ele fazer o mesmo.

Ele precisava só mais de alguns segundos para que pudesse ganhar mais velocidade e proximidade e foi o que fez, descolando com cuidado a mão da varinha. Tinha que ser preciso, ou os dois estariam encrencados.

Harry não ouvia a torcida, só conseguia escutar o barulho do seu corpo cortando o ar e a chuva torrencial como um uma lamina afiada o fustigando e então quando ele ficou mais ou menos três metros distantes de Dino, viu que ele rodopiava desgovernado, ficando mais ou menos dez metros de colidir.

Impulsionando o braço com todo o esforço na direção do apanhador dos Cannons, se desestabilizando um pouco por isso, o moreno agiu, apontando a varinha na mancha giratória que se transformara Thomas e sua partida vassoura e o enfeitiçou.

O feitiço por milagre o atingiu certeiro e com uns cinco metros do chão ele já tinha perdido velocidade suficiente para começar a voar mais devagar, desacordado, como uma pena ao vento enquanto todos os jogadores se tocaram do que havia acontecido e voavam ao encontro de Dino.

Assim que o feitiço foi lançado o moreno começou a girar e girar, agarrado na vassoura que girava junto e quatro metros depois ele realizou em si o único feitiço defensivo que era permitido em campo, o mesmo feitiço que aplicara em Dino, infelizmente não fora totalmente suficiente para aplacar a ferocidade da queda.

Por conta da força e rapidez vertiginosa ao qual vinha caindo o chão cresceu inundando sua visão turva e Harry aterrorizou mais rápido do que gostaria, largando a vassoura para que ela não se partisse, deixando seu corpo se chocar com o gramado abençoadamente enlameado.

Resultado final: duas costelas partidas, perna e braço direito luxados, varinha milagrosamente a salvo ainda com o que restara do seu corpo, sua vassoura obedientemente flutuando ao seu lado a meio metro do chão, graças a um amuleto de proteção que existia nela e os Arpies vencedores do campeonato por quatrocentos e cinquenta a duzentos dos Cannons.

Harry precisava de Draco assim como precisava de uma quantidade maciça de esquelecresce, era pena não levar com sigo uma garrafa de bolso com a poção.

Dino fora removido desacordado do campo. As arquibancadas vieram a baixo eufóricas. A cerimônia de comemoração teve inicio sem que o apanhador dos Cannons e Harry percebessem, pois o moreno se entregou ao cansaço e a dor lancinante que irradiava para suas gélidas partes do corpo, assim que foi socorrido, fechando os olhos, enquanto flutuava na maca ouvindo os curandeiros dizerem para ambos os times que seus apanhadores ficariam bem, que era simplesmente uma questão de colar os ossos para acordarem doloridos depois de algumas poções para fortalecer.

Com a garantia de que ele e Dino ficariam bem, Harry finalmente apagou por completo.