Cap – 10 – Fuga do Segundo Lar: Saint Mungus.
Quando finalmente abriu os olhos estava em um lugar branco e limpo, nada de urros de felicidade. Pairava no ambiente somente um forte cheiro de limpeza e poções de cura, nada da tão conhecida euforia e êxtase exalando, nada de grito de vitória, então percebeu onde estava.
Como sempre, se estropiara e acabara inconsciente para finalizar mais uma partida de quadribol, acordando na tão familiar emergência do Saint Mungus. O lugar cheirava e exalava a morte e espíritos, Harry odiava senti-lo mais do que deveria.
Desnorteado tateou pelo óculos e não encontrou, com raiva ergueu o corpo bem a tempo de se arrepender por isso, estava tão puído que não sabia dizer como se manteve com os olhos abertos.
Puta que pariu! Tinha mesmo que bancar o herói de novo? E pior! Precisava desmaiar depois? I-D-I-O-T-A! Xingou-se infeliz.
Seu rosto analisou o quarto de um canto ao outro. Thomas dormia como um bebê no leito ao lado, a perna envolta por bandagens, mas nada demais, fora isso ele parecia perfeito, sem outras complicações.
Harry olhou para si e sentiu inveja da condição do outro. O espelho ao fundo da sala lhe transmitia seu aspecto, que no momento era terrível. Para ele pareceu sobrar todo o resto dos hematomas e mais as outras dores tão fora do rosto tranquilo de Thomas.
Contudo, não poderia ficar ali descansando, claro que não! Quando tinha uma tarefa muito pior do que capturar o desgraçado do pomo fugitivo de ouro.
Agora sua caçada tinha outro objetivo: a cabeça platinada de Draco e planejava o ato examinando mentalmente mais de mil maneiras de quebrar todos os ossos do loiro com suas próprias mãos.
Ah essas coisas do amor, ridículas, mas letais!
O moreno se levantou com as nádegas expostas ao vento gelado por causa do avental de hospital constrangedoramente aberto na parte de trás.
Com todo cuidado abriu a porta da sala em que estava sendo tratado, prestes a fugir, quando viu Robert e o time esperando no corredor, todos tensos, quietos, sentados, provavelmente esperando ele recobrar a consciência.
Harry escancarou um sorriso, o treinando tinha em mãos um pesado troféu em ouro e olhava para o objeto sorrindo quase imperceptivelmente com carinho obstinadamente, como se fosse algo com poderes extraordinários de hipnose.
O moreno fechou a porta novamente, pegou um avental sobressalente pendurado na porta do quarto e o vestiu, amarrando-o na frente do corpo, saindo para o corredor com as duas camisolas tampando o que podiam, embora ele soubesse, estava ridículo.
Desafiadoramente ele foi ao encontro dos colegas, cheio de hematomas em verde e roxo no rosto e no resto do corpo, os dois aventais brancos que tapavam seu peito e seu traseiro, deixando bem a mostra suas grossas coxas o fazendo caminhar esquisito, dolorido e encabulado.
- Então ganhamos! – Disse ele sorrindo de forma cansada, cheio de dores, assim que avançou no corredor.
- Harry meu rapaz! Como você está? – Robert veio ao seu encontro, com agilidade, o restante do time em seu encalço, todos parecendo um tanto assombrados com seu rosto destruído.
- Não tão bem quanto você treinador, mas estou, acho. - Brincou Harry sem o menor gosto de fazê-lo. Era esquisito ver borrado daquela forma, mas ele podia se virar bem com isso quando era necessário.
- Ah... É bom saber que você não perdeu a fibra, garoto! Por que se você tivesse se ferrado feio nesse acidente estaríamos encrencados para a copa mundial!
- Dá um tempo por favor, Robert, ele ainda esta de camisola, você não vai começar a falar de táticas de treino para ele ainda zonzo de poção, não é? – Marrow parecia sério, mas ofereceu um sorriso infantil para Harry enquanto analisava o moreno dos pés a cabeça. – Nossa Harry, você esta horrível! Tem certeza de que está bem mesmo?
- Sim, estou legal, sério. Sei que não estou lá no meu normal, lindo, atleticamente irresistível, mas vou ficar melhor quando chegar em casa e...
Harry parou o que ia falando, logo se lembrando de Draco. A raiva em seu rosto lhe trazia um aspecto terrivelmente assustador, as sobrancelhas espessas contraídas em uma careta tricolor.
- Hum... Por acaso alguém viu Draco assistindo o jogo, ou depois, procurando por mim? – Perguntou sem qualquer cerimônia na voz furiosa.
Os colaboradores se olharam com significância, mas ninguém sabia o que dizer ao certo.
Rosa começou uma fraca explicação, que soou como um resmungo choramingado, já que ninguém falava nada e o silêncio de repente pareceu constrangedor demais para todos.
- Bem... Pelo menos eu não Harry, mas você sabe, pode ter acontecido alguma coisa. Draco parece uma pessoa ocupada pelo que você fala dele, pode ser que ele teve algum problema com o trabalho e não pode vir, ou se atrasou, não sei.
- Se ele teve algum problema por que não avisou? Caramba! Ele devia estar aqui pelo menos, não é? – O moreno reclamou desapontado.
- Não fica assim não Harry, o importante é que você está legal, vai poder ir para casa amanhã e vai saber o que aconteceu. Rosa está certa, vai ver ele teve algum problema de ultima hora e não pode ir ao jogo e não recebeu o recado do hospital. – Payton deu dois tapinhas amistosos nas costa de Harry como consolo, mas parecia que nada que alguém dissesse dissolveria o sentimento de raiva e magoa tão visível nos traços do moreno.
- Não vou para casa amanhã. – Sentenciou Harry. – Vou para casa agora.
Robert revirou os olhos da teimosia do seu apanhador. Seu jeito turrão sempre em primeiro e o time mais uma vez se entreolhou como se alguém pudesse ter de repente alguma ideia brilhante para convencê-lo do contrario.
- Irmão, tenho certeza que você bateu a cabeça com mais força dessa vez! Dá onde tirou essa ideia? Você tem que ficar em observação cara, não pode ir assim, do nada! – Sterton fez uma careta contrariada que indicava que ou o seu cérebro estava emperrado por causo do frio, ou estava insistentemente tentando pegar no tranco.
- Não, não vou mesmo. – Harry levantou os braços, gesticulando e resmungando.
Sua sentença fora firme e irrefutável e não havia criatura no mundo e nem fora dele que fosse capaz de impedi-lo.
Como poderia se recuperar tranquilamente no hospital se Draco não estava por ali e pior, poderia ser que não estivesse nem pensando nele, ou no pedido de ir assistir o jogo. Seu peito contraiu, incerto e bastante chateado.
Não havia outra forma de saber se o loiro estava bem e não foi ver o jogo por algum inútil problema de ultima hora, estando amarrado no hospital sem noticias.
Os curandeiros jamais o deixariam usar o Flu e a essa altura o hospital já tinha avisado aos seus contatos de emergência que ele estava internado, o que não o ajudava a entender em que buraco Draco Malfoy estava metido que não estava bem ali com ele, ao menos para ter certeza de que Harry estava vivo.
- Harry, nós até trouxemos a taça para você dar uma olhadinha, para ficar mais de boa e tem mais! Depois do salvamento do filho da puta do Thomas você voltou a ser lembrado como o herói do mundo bruxo, para ser mais exato, do quadribol! Rita Skeeter entrevistou a todo nós e não deixou de perguntar sobre você um minuto se quer. Nesse momento aposto que ela ainda está na recepção perguntando para qualquer curandeiro que passa quando você vai ter alta para te entrevistar!
- Hurgh! Nem matando Rita terá uma palavra minha! Não falo e nunca vou falar com aquela puta de antenas! – O moreno deixou escapar ainda mais frustrado e confuso do que antes. Até o momento nem se dera ao trabalho de pegar o glorioso troféu para olhá-lo com mais atenção, embora o objeto estivesse próximo dele reluzindo orgulhosamente.
- O que você não está entendendo meu rapaz, é que já é tarde e você não vai a lugar algum até um dos curandeiros liberar a sua saída! Preciso de você saudável e inteiro, entendeu bem? Então não faça tolices! Já chega mergulhar no chão para salvar o outro rapaz, agora lá vem com essa cabeça oca querer sair do hospital antes do tempo devido? Faça meu favor, Harry! – Esbravejou Robert, mas o moreno já não ouvia se quer uma palavra do que estava sendo dito. Sua cabeça já tramava um plano e quando olhou para a mochila de Sterton no ombro, a maior parte do seus passos já estavam planejados.
- Okay, vou ficar. Não precisam se preocupar! – Harry mentiu despudoradamente.
O time murmurou em aprovação e alivio, se dando por satisfeito com a atitude calma de Harry em aceitar passar mais umas horas em observação clinica.
- Então, gostou do troféu? Quer segura-lo? – Robert intrometeu o artefato nas mãos de Harry sem que o moreno pedisse. O treinador parecia feliz e mimado como uma criança em uma manhã de natal.
O moreno o segurou, finalmente. Era pesado e realmente muito bonito, enquanto seus olhos estavam fixos na parte superior do artefato a mente dele flutuava, buscando mais detalhes para escapar sem ser notado. Claro que também sem seu óculos, tudo parecia extraordinário, embora confuso, admitiu Harry para si mesmo, com um humor azedo.
- Ah Harry, trouxemos sua vassoura e sua varinha! – Morrow tirou dos ombros a vassoura de Harry devidamente envolvida em seu estojo protetor e de dentro das vestes do atacante saiu à varinha do moreno.
Os olhos hortelãs faiscaram e ele mordeu a língua junto com a vontade de avançar em suas coisas e sumir dali pela primeira lareira que aparecesse em sua frente, mas se conteve, precisava ir com calma, já tinha ideia do que fazer, por isso agiu como se não estivesse ansioso por pegar suas coisas de volta.
- Obrigado Morrow. – O moreno murmurou, esticando os braços para pegar de volta a suas coisas, mas o atacante não pareceu muito disposto a devolver de imediato.
- Hei, calminha, a varinha tudo bem, mas a vassoura, o que você vai fazer com ela? Guardar no quarto?
Harry agiu rápido, apelou para Robert sabendo que ele teria qualquer coisa do treinador se pedisse da maneira certa.
- Robert, fale para Morrow devolver as minhas coisas? Ele acha que vou fazer o que? Voar de Londres para Godric's Hollows?
Para sorte ou azar um curandeiro passou no corredor e parou para ver o que estava acontecendo exatamente naquele momento.
Depois de Harry mentir descaradamente, de que tinha acordado e tentara sair do quarto a procura de um banheiro, o curandeiro se foi e pediu que os demais visitantes se fossem também. Harry se despediu rapidamente dos colegas, devolvendo o troféu, recebendo e dando rapidamente os parabéns pela vitória, mas tomou o devido cuidado de abraçar Sterton por ultimo.
Todos lhe parabenizaram pela atitude heroica e pela captura do pomo e já saiam pelo corredor, mas propositadamente o moreno se demorou para despedir-se de Philip puxando assunto com ele falando do balaço enquanto o time já estavam próximos a recepção. Morrow devolveu suas coisas depois de um olhar reprovador de Robert.
Bendito seja o treinador encantado pelo troféu de ouro que nem notou que Harry estava prestes a montar na sua própria vassoura e sumir o mais veloz que podia para a sua casa!
- Eu sinto muito mesmo Harry, achei que ele desviaria e quebraria o braço! Não tinha ideia de que a vassoura dele partiria em duas junto com a perna dele!
- Não esquenta Philip, sei que você não tinha a intenção de matar ninguém e tudo, foi apenas um acidente e nós como jogadores experientes sabemos que quabribol é um esporte de auto-risco, mas seria legal da sua parte dar uma vassoura nova para Dino! – O moreno improvisou, desenrolando ainda mais suas manobras psicológicas para chegar onde queria.
- Oh... Não sei sobre isso, Harry! Ele mandou fazer a vassoura, como a sua e claro que não saiu tão boa quanto e embora eu ganhe bem meu dinheiro não é para ficar gastando com idiotas descuidados que não conseguem desviar das minhas tacadinhas. – Sterton riu-se, parecendo uma criança truculenta e desastrado como era deu um soco no braço frágil de Harry que gemeu de dor com o "carinho" sem noção.
- Okay Philip, mande flores e bombons então! Assim ele vai saber que você não esta rindo feliz por tê-lo quase o esmagado!
- Flores e bombons? Hum... Bem, estava pensando em algo mais macho, tipo um taco por exemplo, ou um uniforme limpo meu autografado! Vejo os caras de outros times fazendo isso as vezes depois das partidas, parece legal.
- Um taco novo seria um bom presente que você gostaria de receber e o uniforme limpo seria uma bênção para o time inteiro, não só para você. Conheço Dino muito bem, mande para ele um daqueles exemplares raros que contam as histórias sobre esportistas trouxas fotografados por bruxos, ele vai adorar, tenho certeza! – Improvisou o moreno, aliviando a consciência do seu colega, para distraí-lo com mais facilidade e não era de todo ruim por que o moreno sabia que Thomas realmente apreciaria, por ser mestiço, se seus gostos não tivessem distorcido tanto, assim como sua personalidade.
Logicamente ele não dava a mínima se o outro apanhador iria aceitar ou queimar o presente, o importante é que suas ideias estavam em andamento e assim que o batedor dos Arpies fosse embora, Harry daria um jeito de fazer o mesmo sem demora.
- Boa Harry! – Sterton piscou sem condenação em gratidão pela dica.
- De nada Philip, agora só preciso de um favorzinho seu. Será que você não poderia me deixar um de seus uniformes que estão na mochila? É por que o meu deve estar horrível sabe, no mínimo todo sujo de lama, se é que eles não rasgaram inteiro para me socorrer, como já aconteceu antes, então se Rita conseguir chegar a mim antes de Draco, vai ser ruim para a minha imagem ser fotografado nessas condições. Sei que seu porte físico é um pouco diferente do meu, mas aparecer com as roupas maiores é melhor do que todo sujo ou remendado.
Philip olhou desconfiando, sem saber que a assessoria de Harry jamais permitiria algo assim, a menos que a repórter idiota realmente conseguisse furar um regido bloqueio para chegar até ele, contudo não era impossível, milagres aconteciam, até os ruins como esse e o moreno não queria pagar para ver.
Depois de um momento de silêncio do batedor se esforçando para entender, Harry sorriu inocentemente enquanto empregava a maior calma em um mentirinha totalmente benéfica em seu ponto de vista. Confie em Sterton para fazer as perguntas erradas e não se preocupar com o principal bem no meio de suas fuças estranhas.
- Meus uniformes também estão sujos, Harry! Espera um pouco que vou pedir uma muda para Monrrow, que deve ter uma limpa e acho que tem mais o seu tamanho e...
- Não! Não! Olha só, não quero incomodar, se você não puder deixar comigo tudo bem, mas se puder, peço para Dobby, meu elfo lavar e te entregar pessoalmente depois, ele é tão caprichoso, você vai adorá-lo. Sabia que Dobby é livre? Trabalha para mim por salário e tudo, é muito interessante. – Harry comentou docemente, usando bastante paciência e simpatia ao se referir a Dobby, pois Sterton gostava muito de seu próprio elfo, Flicket, uma criaturinha fêmea muito mais racional que o dono, pelo modo como Philip sempre a elogiava carinhosamente e portanto o batedor parecia mais militante a favor dos elfos do que Hermione, o que era esquisito em muitos níveis.
- Melhor ainda ser o seu uniforme, Philip! Rita vai me dispensar rapidamente quando sentir o cheiro de decomposição nas roupas! – Harry ousou dizer falando parcialmente a verdade e debochando ao mesmo tempo, por que só Deus sábia o quão desagradável era a fragrância do batedor depois dos treinos.
Philip fez uma carranca feia, mas logo a desmanchou. Os dentes grandes e desalinhados de Sterton rasgaram sua face em um sorriso rouco e abobalhado que se transformou em uma gargalhada bizarra, era claro que ele levara o assunto do seu próprio odor como uma pequena brincadeira de Harry.
- Cara, você é mesmo engraçado. – Confidenciou. – Olha Harry, vou deixar o meu uniforme com você com uma condição:
Harry ficou surpreso mais agiu com cautela.
- Qual?
- Se o idiota, desculpe, o tal de Dino Thomas acordar, diga que estive aqui e sinto muito ter quebrado a perna e a vassoura dele, okay?
- Oh, sem problemas Philip, pode deixar, digo sim. – Harry respondeu com alivio. - Mais alguma recomendação?
- Mais nenhuma. Só gostaria que você entrasse no seu quarto e se metesse debaixo das cobertas, para esperar por seu curandeiro para melhorar logo. Está frio aqui e você fica horrível vestindo esse treco! Credo! Ninguém merece ver você quase pelado de camisola! Hurgh!
O moreno riu da ingenuidade de Sterton e das caretas que ele fazia enquanto apontava para o que Harry estava vestindo, mas não ousava acompanhar o movimento da sua própria mão com os olhos, já era para Philip muito assustador encarar o rosto colorido e inchado de Harry, que dirá o resto desnudo.
- O que? Está curioso de novo? – Harry girou no próprio eixo, bastante zombeteiro mesmo que suas entranhas estivessem formigando de raiva e de decepção por baixo de sua aparência calma. Enquanto falava mal conseguia parar de pensar em Draco e a onde o loiro se metera. – Ficou decepcionado de não ver o meu traseiro musculoso maravilhosamente grande e delicioso de fora, Philip?
- Afff Irmão! – Exclamou o batedor desesperadamente. - Assim você me assusta! Não quero nem pensar que você tem um traseiro!
- Tudo bem Philip eu vou fingir que eu acredito. – Brincou Harry recebendo o fedegoso uniforme do batedor.
- Não me importa que você não acredite, só não me diga nada a respeito da sua bunda que eu vou continuar sendo seu amigo! – O batedor fechou a mochila e se despediu de Harry.
O moreno entrou no quarto novamente, com a roupa de Sterton em mãos, o nariz tapado para não sentir o cheiro de animal morto no tecido meio úmido que parecia embolorado.
Na posse de sua varinha e sua vassoura, nada mais era necessário para que saísse dali direto para a sua casa, assim como pretendia fazer desde que abriu os olhos na ala hospitalar.
Com muito nojo e a muito custo, trocou o que cobria o seu corpo vestindo os trajes esportivos de Sterton. Era como vestir um modelo exclusivo confeccionado em lixo orgânico de mil anos atrás e Harry rezou para que seu nariz morresse logo para não sofrer tanto. Provavelmente suas roupas estavam na lavanderia do hospital, se é que elas tinham ficado inteiras e não tinham sido banidas por um evanesco assim que ele deu entrada no hospital, coisa que já havia acontecido antes.
Mal podia respirar com suficiência pela garganta, já que mantinha o nariz completamente tapado para não vomitar sobre Thomas pelo mal cheiro que desprendia da roupa que usava.
Então Harry colocou a vassoura nas costas, pegou a sua varinha e fechou a porta do quarto sem barulho, lamentando a ausência de seu óculos.
A cada passo bem medido que dava em direção a saída do hospital seu sangue borbulhava com violência pensando em qual inutilidade Draco se prendera dessa vez para faltar no compromisso com ele.
Em um dos seus devaneios malignos ele imaginava chegar em casa e encontrar uma rave acontecendo, com Draco usando quase nada, basicamente de tanga de lycra holográfica, todo besuntado de glitter dourado, dançando desavergonhadamente com um outra rapaz estilo Antônio Bandeiras.
Em uma de suas viagens mentais, Harry esmorecia só de pensar em Draco com uma dúzia de novos elfos, servindo-o, com a casa redecorada ao estilo de Baco, o Deus do vinho, com o loiro vestindo algo indecente em seda vermelha recebendo uvinhas na boca de um sedutor escravo com um porte altivo e com a cara do Antônio Bandeiras. Sofria só de imaginar, que provavelmente o escravo não era um eunuco.
"Porra! Por que sempre que estou nervoso com ele sempre acho que Draco me dispensou por alguém parecido com Antônio Bandeiras? Isso é muita loucura! Concluiu.
"Por outro lado, Draco já provara que seria capaz de cada um desses atos, ou feitos mais arrojados do que esses..." Pensou frustrado.
Harry subia alguns andares com bastante cautela, sempre se escondendo em portas e vãos obsoletos, tomando cuidado para não ser notado, na esperança de sair na cobertura do prédio sem que ninguém desconfiasse ao vê-lo perambulando tão fora de sua cama uniformizado com a vassoura pronta para um voo.
Bem que tentou algumas portas, a procura de alguma lareira disponível, mas como esperado, não encontrou nenhuma, então desistiu para não ser flagrado e além disso só a recepção parecia ter Flu aberto, o que era uma merda completa.
Da cobertura voaria tranquilamente para o primeiro endereço que se lembrasse que pudesse usar a rede de lareiras, ou aparataria, só que nas condições que ele se encontrava, a chance de se estrupiar por estar muito fraco era imensa.
O importante era chegar ao seu lar doce lar ou mais precisamente: no pescoço alvo e maravilhoso do seu querido Grey.
Até que o Saint Mungus desse por sua falta, ele já teria entrado em contado com Gina, pedindo encarecidamente para que ela explicasse ao hospital a sua saída tão estilo a francesa. Não seria a primeira vez, contudo, ele esperava que fosse a ultima.
Obviamente ele poderia ser mais racional, exigindo que a direção do hospital trouxesse Draco ou Hermione, mas ele estava tão puto da vida que precisava agir e nesses momentos o melhor, na verdade, o pior dele, sempre vinha à tona e esse outro eu era imprudente e muito impulsivo e fazia a primeira coisa que lhe viesse à mente.
Nessas horas se dava conta de que ter um amigo curandeiro como Hermione ou até mesmo Gina, que ele praticamente ignorava por causa do ciúme inumano de Draco a respeito da ruiva, era melhor do que ter um amigo coveiro, não que fizesse algum sentido a frase para ele, mas esse pensamento trouxe para Harry uma momentânea vontade de rir descontroladamente da própria piada infame.
Nervoso. Com toda certeza era o nervoso, o levando aos pensamentos mais absurdos, principalmente aqueles que incluíam ele socando Antônio Bandeiras só por que uma vez Draco viu o galã em uma revista feminina trouxa e assobiou de admiração.
Pobre Harry, mal sabia ele que era só mais uma das brincadeiras de Draco para deixá-lo sempre muito fulo da vida. Mas que funcionava, funcionava.
Harry finalmente saiu na cobertura do Saint Mungus, a onde não viu se quer uma alma viva. O frio ainda era ameaçador e incomum, muito fora da estação atual e a garoa caia com chatice agora, fina e insistente quando montou na sua vassoura soltando o ar, voltando a respirar pelo nariz.
Em campo aberto os odores horrendos e mórbidos impregnados no uniforme do companheiro de equipe diminuíam sensivelmente por conta do vento.
Abençoada seja Merlin, errava em muitas coisas, mas acabava acertando por pura cagada em outras!
