Cap – 12 – Amor aos Pedaços.

Ao primeiro piar longínquo incrivelmente alegre de um pássaro canoro qualquer, Harry despertou de um salto.

Zonzo ele olhou tudo a sua volta e nada parecia mais bonito, mesmo borrado, do que a visão de Draco corado babando com exagero na fronha do travesseiro. Suas bochechas róseas, a pele branca como a neve, mas tão resplandecente que iluminava a sua figura.

Ainda que estivesse em estado de graça e mitigação pela aparência saudável de seu marido, Harry se lembrou que provavelmente Robert e o pessoal do Saint Mungus ficariam muito insatisfeitos com sua estratégica fuga do hospital bruxo.

Mesmo sabendo que não podia se dar ao luxo de simplesmente ignorar o resto do mundo por tempo indeterminado, o moreno fez um esforço para protelar as ligações que precisava fazer, afinal sua atenção ao menos naquele dia era totalmente de Grey.

Depois explicaria tudo para quem fosse necessário... Refletiu. Gina poderia ajudar, sendo curandeira particular bastante conceituada na Escócia a onde residia e tudo, não teria problemas em afirma que Harry estava clinicamente bem quando foi embora do hospital e tinha menos problemas morais em ajudá-lo.

Por outro lado, ele resolveu não procurar Gina, pelo menos por enquanto, Draco infartaria de ciúmes e eles precisavam de harmonia e calma no momento.

Logicamente ele poderia contar com Hermione, que também era curandeira e tocava uma clinica particular, que Harry e Draco eram sócios participativos, somente economicamente, mas só de pensar no sermão que ouviria ele já se sentia completamente esgotado.

Tinha que se preparar também para a extensa repreensão que ouviria de sua equipe de assessores, mas como era ele e Draco quem sustentavam essas pessoas, elas com toda certeza saberiam se colocar com mais delicadeza para não perderem seus empregos e seus polpudos ordenados.

Resfolegando e se espreguiçando, Harry deu de ombros para si mesmo enquanto bebia a vista de Draco, pois a única coisa que importava era ver com os próprios olhos míopes o quão seu Grey estava melhor.

Com cuidado ele pousou os dedos sobre a testa pálida, notando que o loiro estava sem febre. Um alívio forte varreu seus medos alegremente e como uma criança na manhã do seu aniversário, Harry pousou um beijo cálido no pescoço do outro, que ainda de olhos fechados virou-se em sua direção.

- Oh, bom dia, Harry. – O som do seu nome saindo da boca do outro era melodioso, forte, afável e amoroso, fazendo o moreno sorrir esfuziante. – E o jogo? – perguntou o loiro quase ronronando.

O moreno fez uma careta, denotando que já era passado, mas continuou calado. A falta de fala de Harry no entanto, despertou os instintos primários de Draco, que se remexeu desconfortável, provavelmente percebendo, ainda se ver, as reações de seu pseudo-marido e as interpretou muito bem, se apressando em responder com a entonação lamentosa que lhe cabia.

- Céus! Já foi? Oh... Sinto muito!

- Shiu, não precisa ficar chateado com isso, foi tudo okay, ganhamos. Se te conforta posso dizer que foi uma vitória e tanto, mas depois te conto os detalhes. Tudo que preciso saber agora é se você está melhor. – Inquiriu o moreno com docilidade, seu olhos cheios de dedicação e amor, acariciando o rosto do loiro com a ponta dos dedos em um afago de asa de borboleta.

- Sim, estou bem. – Resmungou Draco languidamente, ainda parecendo um tanto adormecido. – Só não tinha noção que estive tanto tempo na cama...

- Senti tanta saudades suas, Grey. – Harry admitiu baixinho, bastante emocionado para aquela hora da manhã.

- Também, Harry. Parecia que você não voltaria nunca! – Draco empurrou as cobertas do corpo e suspirou forte com os olhos cerrados embaçados ainda. - Só me faz um favor? Quero que você mate o gigante que me atropelou! Céus, meu corpo todo dói! – Draco estava de volta para ele, concluiu Harry imensamente alegre, pelo mal humor matinal do loiro, que ainda estava de olhos fechados.

Com uma espreguiçada exagerada Draco passou as mãos pelos cabelos suados. Sentou-se na cama, finalmente abrindo as pálpebras efetivamente, enquanto Harry o encarava hipnotizado.

- Você não se acostuma nunca com o meu magnetismo veela, Harry? – Brincou o loiro de costas sabendo que o outro estava o fitando.

- Não, acho que não.

Harry estava com uma aparência lastimável, mas não se dera conta até Draco praticamente gritar de susto ao encará-lo.

- Porra! Por Morgana Pragmática! O que fizeram com o seu rosto?

- Ah, isso? Não foi nada. Quero dizer, o de sempre: quadribol, você sabe, esporte um pouco bruto. Você não se acostuma nunca com o meu magnetismo para desastres acidentais? – Sorriu Harry cheio de dengo, tentando acalmar o loiro e chegar mais perto.

- Não, claro que não! – Draco passou as mãos pelo rosto do moreno olhando mais atentamente, enquanto Harry adorava a sensação dos dedos peritos e mágicos do loiro sobre sua pele.

- Grey... – Disse o moreno com cautela procurando os olhos brilhantes do seu companheiro. – Precisamos conversar.

Draco apenas engoliu seco, mas continuou concentrado a procura de mais hematomas em Harry.

Ninguém procurava melhor lesões em Harry do que o loiro. Nada como ter um Draco bem recuperado, morto de saudades, com suas mãos ladinas e lábios sedentos por tocar toda a extensão do seu corpo para o distrair. Os pensamentos de Harry se embaralharam na velocidade da luz, sem qualquer feitiço ou poção para isso.

Draco não queria falar, queria agir. Quando estava determinado, era difícil pará-lo.

- Grey, é sério, precisamos...

Maliciosamente, Draco se aproximou ainda mais, inspirando profundamente atrás da orelha de Harry, assoprando calidamente em seguida, como um lobo farejando sua presa, sabendo que estava atingindo os lugares certos em sua varredura criteriosa de ferimentos drásticos ao mesmo tempo em que conseguia transformar o moreno do estado de rocha sólida para poça liquida.

– Conversar. – Harry tornou a dizer, mas era em vão resistir, ele queria todo aquele contato tanto quanto Draco o instigava desejoso.

- Shiu, prometo, - Ronronou o loiro beijando a face de Harry, lambendo as covinhas sulcadas na maçã do seu rosto. - depois você pode fazer e falar o que quiser Harry, mas agora... Não.

Como negar? Meditou Harry com os pelos do corpo ficando eriçados.

- É... Você realmente está melhor. – Murmurou Harry, sentindo as mãos maravilhosas do loiro o apertando, lhe apalpando na medida certa, passeando atrevidas por onde bem lhe convinham.

- Hum-hã... - Draco respondeu enquanto beijava seu pseudo-marido, com força e gosto, entre um sorriso satisfeito e a alegria insana magnifica que era provar Harry.

Na hora em que Harry jogou Draco na cama e avançou voraz para cima do loiro não havia pensamento que resistisse ao sorriso safado de Draco dizendo:

- Vem matar minha saudades de você, meu leão estúpido. – Seus olhos cinzentos limpos, o encaravam com um "Q" devasso.

Harry respondeu mordiscando o lábio inferior do outro, o puxando prazerosamente com os dentes, antes de se perder completamente.

- Eu vou.

Com toda cede ao pote, ele foi.


~oOo~


Era maravilhoso começar a manhã assim... Meditou Draco encaixado nos braços de Harry um bom tempo depois.

Faziam alguns dias que Draco desejava ardentemente sentir o abraço forte do moreno o envolvendo, lhe protegendo, alguns dias que pareciam mais uma eternidade de tão intermináveis que se passaram.

Harry estava tão feliz por estar de volta, por Draco estar ali para ele, agora saudável. Então o moreno dedicava todos os carinhos e um pouco mais de atenção a tudo que viesse do loiro, se é que isso era possível.

A parte da manhã transcorreu basicamente na cama. Para alegria dos dois pombinhos amantes, que mataram a saudades um do outro alternando entre beijos, abraços e amassos, sexo, amor e mais amor, com tudo mais que poderia envolver a imaginação maravilhosamente interessante dos dois.

Para a incrível sorte de ambos, Harry se recuperava de ferimentos graves com uma velocidade impressionante, quase assustadora, muito incomum, com o apoio de sua magia peculiar grande e forte, o que deixava Draco ainda mais orgulhoso, embora em muitas dessas ocasiões o loiro tivesse que controlar sua histeria eminente todas as vezes que recebia alguma notificação do clube sobre machucados potencialmente perigosos e corujas melindrosas e polidas da Clinica Granger, tentando o acalmá-lo sobre as condições medicas de seu marido, o que era extremamente irritante, ou relatórios e convocações técnicas frias, do temido Saint Mungus, onde Harry tinha um historio hospitalar maior do que a ficha de atrocidades do falecido perdedor, Voldemort.

A cada vez que Harry se machucava, Draco parecia sentir fisicamente a dor de alguma forma, como se alguém estivesse tentando tirar um órgão seu com uma faca lenta e cega a sangue frio, o que era obviamente fruto do seu pânico em perder o moreno, hipótese que ele já tinha chegado perto muitas vezes, todas elas desagradáveis em um nível indescritível a propósito.

Mesmo sendo atleta de auto-condicionamento, mais forte do que uma manada de centauros juntos, de tão resistente, Harry não era infalível, ou um imortal imbatível e a parte que lembrava Draco disso, era a mesma que o fazia pensar que um dia o seu amor partiria, o deixaria, ele só esperava, estoicamente que fosse primeiro, como uma condição natural humana, onde o mais fraco, ele reconhecia isso vergonhosamente para si, morria primeiro na seleção de oportunidades da vida.

Todo o seu ser sabia que ele não conseguiria sobreviver vinte e quatro horas como viúvo, seu organismo então tinha que trabalhar biologicamente com isso e ponto, como seu cérebro e coração já haviam decidido.

Um mundo sem Harry Potter não era uma opção para Draco. Cada vez que se lembrava que o moreno quase seguiu carreira como auror, o loiro estremecia em desgosto, por sorte o quadribol, mesmo que violento, era ainda mais contornável do que perseguir bruxo das trevas por dinheiro.

Draco estava acostumado a cuidar de si ao extremo. Raramente ficava doente e com sua rotina, ele mal se expunha a algo particularmente desastroso que pudesse causar danos por acidente, afinal ele era um Malfoy em raiz ainda e foi um sonserino além, ser perspicaz e cauteloso era basicamente sua natureza, não dando espaços para imprudências impulsivas improdutivas que pudessem terminar tragicamente.

Ambos estavam bem e juntos, depois do susto que cada um tinha pregado no outro. Contudo, dessa vez, algo estava diferente na cura e redenção entre eles.

Por mais que a alegria e a satisfação do amor vivo trocado entre o casal estivesse fresca e reluzente no ato de paixão no seu ninho de conforto, a experiência de risco para os dois, dessa vez, os tinha marcado profundamente, além de despertar considerações que Draco e Harry mal começaram a arranhar a superfície.

La pelas tantas, veio o momento da conversa séria, ainda deitados, nus, imensamente felizes e saciados por hora.

Harry abriu seu coração, contando desde o momento que chegou no quarto depois do jogo da semifinal, até o instante que retornou do Sanit Mungus e encontrou Draco enfermo na cama, falando sobre o socorro de Snape e aflição dos elfos do loiro.

Draco aproveitou o momento para ter um de seus raros rompantes de romantismo, onde mel parecia aguado diante das palavras que contavam com exatidão, saudades excruciante, tristeza e saudades novamente, sem conter as palavras afoitas que descreviam minuciosamente seu plano de desculpas.

Era difícil, mas reconfortante, ver que Harry lhe sorria compreensivo mesmo quando Draco admitia suas fraquezas, aceitando seu lado mesquinho. Com vergonha, Grey falou sobre descobrir que Harry não premeditara uma vingança, mas sim uma situação que forçasse sua mente a ser mais atenta aos compromissos e responsabilidades tão corriqueiras do casamento.

O loiro se deliciava com o bom humor de Harry ao ouvir sua saga, a qual passou determinado, mesmo que fracassando, ao tentar cozinhar com a ajuda do livro de receitas de Lilian Potter para agradar no intento de fazer as pazes entre eles tão necessárias.

Até os momentos de mal estar e obsessão de Draco, que envolviam banana caramelizada, pareciam algo extremamente engraçado, visto que a narrativa era rica e detalhada, recheada de falhas e de gafes diante de utensílios domésticos e tudo mais.

Das palavras adoçadas de Draco e do sorriso resplandecente de Harry o advento do perdão mutuo pareceu reforçar o elo que existia entre eles. As coisas se tornaram fáceis novamente, acabando bem em um piscar de olhos, como magia.

Harry desceu as escadas cheio de fome. Eram mais de duas horas da tarde, só Merlin e ele sabiam como era difícil tomar banho com Draco fazendo o mesmo.

Não pela demora de Draco em repetir a lavagem dos cabelos inúmeras vezes sequenciais em um meticuloso ritual que incluía massagem do couro cabeludo após lavar e ensaboar o corpo a perder de vista com toda a sorte de produtos.

O que o deixava louco e completamente descontrolado, era assistir os jatos de água caindo sobre o corpo maravilhoso do loiro e suas mãos, fortes e sexys deslizarem sobre seus deliciosos músculos, em movimentos que para Harry eram exageradamente provocativos.

Ainda mais quando Draco estava disposto a judiar dele, dançando sensualmente embaixo da cascata de água, lhe chamando todo charmoso e irresistível com o dedo indicador com os olhos brilhando, famintos, prometendo que se Harry fosse muito bonzinho, teria um estripe para assistir a noite.

Céus, como ele era fraco! Anuiu Harry para si todo feliz da vida. Fraco pelo menos para resistir aos encantos poderosos de Draco sedutor.

As janelas da sala estavam abertas como Harry gostava que ficassem quando estava em casa. Finalmente o calor voltou a dar o ar da graça, então era sacrificante se manter de roupas mesmo que fossem assim, bem leves. O que ajudava eram as correntes de ar, a casa era bem arejada e as vezes Harry simplesmente se esquecia de recorrer a magia para o seu próprio bem estar.

Dink e Fany vieram ao encontro dos dois sugerindo mil coisas. Doces, sucos, comidas corriqueiras, até comidas exóticas, almofadas para os pés, qualquer coisa que desse o máximo de conforto aos dois amos, mais especificamente ao alvo de adoração das criaturas: Draco.

O loiro e Harry se sentaram a mesa da cozinha, um do lado do outro dessa vez, querendo mais proximidade possível a todos os momentos.

Fome, estavam com fome. Meio hora depois com as energias voltando e com as panças bem cheias, eles saíram da mesa em direção ao belo jardim dos fundos da casa.

Harry se esparramou no gramado próximo as repolhudas plantas as quais ele admirava a beleza, mas não tinha a menor ideia dos nomes. Graças aos cuidados dos três elfos o lugar parecia o jardim do Eden de tão bonito e bem cuidado.

Draco se jogou ao lado dele, reclamando, temendo que a terra prejudicasse seu cabelo belíssimo. Harry o aconchegou no próprio peito e o loiro aspirou profundamente o perfume do marido, que riu achando graça no olhar infantil do loiro que o abraçava doce e possessivamente.

- Seu cheiro, você mantém o mesmo cheiro delicioso de quando nós nos beijamos pela primeira vez, sabia? – Confidenciou o loiro extremamente sorridente.

- Que nós nos beijamos? Como se somente tivéssemos nos beijado naquele armário. – Lembrou-se Harry amoroso e sarcástico, levantando uma única sobrancelha, imitando quase que automaticamente um gesto que era do loiro. – Sabe que todo mundo passou mais de um mês na torre da Grifinória querendo saber o que houve com a Murta? Só me toquei que tínhamos alguma coisa haver com a mudança de comportamento dela por que a encontrei perto do nosso armário. Murta me perguntou sobre você de uma forma muito estranha. – Riu-se. – Acho que aquela noite a pobre viu em uma hora o bastante para lamentar a vida toda por ter virado fantasma antes de ter um namorado! Coitada! De certa forma, eu gostava dela.

Ambos olharam para o céu por um momento, observando o rastro de nuvens brancas, somente aproveitando a conversa e a satisfação da companhia um do outro.

- Sabe que Murta me ofereceu um espaço no banheiro feminino caso eu morresse na Câmara Secreta, no segundo ano? Ela até tentou me ajudar com o ovo na segunda tarefa do torneio! Um amor de fantasma, você não acha? – Harry cutucou divertido.

- Hei! Para um espectro chato Murta até que era muito atirada. Não sabia que ela tinha uma quedinha por você. Das poucas vezes que nos falamos, a garota nunca me disse isso. Se eu soubesse teria tramado algo com pirraça para que ele cuidasse direitinho dela! – Resmungou Draco, aumentando a intensidade do aperto de seus braços ao redor de Harry.

- Lá vem você cheio de ciúmes! Pensa no que está falando, Grey. Ela é uma fantasma! Fantasma! Pessoa não viva e mesmo que não fosse, ela não tem o seu brilho, a sua voz linda, o seu sabor e o resto que me faz amar tanto você! - Harry apertou Draco em um abraço terno mais vigoroso. O loiro sentiu o calor protetor de Harry e não respondeu, isso já era bom o suficiente.

- Lembra quando a Lula Gigante atacou um sereiano? – Harry gargalhou alto junto com Draco recordando o por que do pobre sereiano ter sofrido um ataque da Lula Carente Gigante, que por pouco não janta "em sentido figurado" o ser aquático.

- Ah, mais eu te avisei Harry, que tinha alguém de olho na gente, só não sabia quem, na verdade o que era. Mas você não me deu a menor atenção. Também, tinha comemorado bastante na torre da Grifinória e estava cheio de uísque na cabeça, todo oferecido na frente do lago, com os pés na água e tudo. Você deveria é ter metido a cara no lago para curar a bebedeira, isso sim. Pobre Lula, ficou tão excitada que quase matou o tritão, mas os gritos do rapaz peixe, mesmo alto, não pareciam de sofrimento se quer saber e a forma como ele estava balançando a calda e revirando os olhos enquanto a Lula usava pelo menos três tentáculos nele pareceu bastante reveladora! Um inusitado exemplo de sexo selvagem eu diria! - O loiro arqueou uma sobrancelha duvidosa, fazendo Harry gargalhar com mais gosto ainda. - Que noite louca! Ainda bem que quando os professores chegaram lá, estávamos escondidos na orla, já devidamente vestidos. – Draco comprimiu as sobrancelhas pensativo, mesmo que estivesse exibindo um sorriso malicioso nostálgico.

- Não precisava se exibir tanto com a taça nas mãos, Harry! Quase tive um treco com aquele povo todo agarrando você no final do jogo. Morri de ciúmes. Queria muito ter te dado um abraço ou um beijo de parabéns pela vitória, mas não, os Ursinhos Carinhosos da Grifinória eram a sua prioridade, na época! – Resmungou o loiro se lamentando repentinamente.

- Por que se chatear com isso agora, hein? – Harry cobrou sutilmente, com a voz açucarada, chuchando as costelas de Draco, afrontando o loiro de brincadeira. – Até onde me lembro você matou a vontade de me beijar naquela noite. Não me recordo de você reclamando de ninguém enquanto tirávamos as roupas e rolávamos na grama, Grey!

- Pensa que me esqueci, Harry? Como você queria que eu prestasse atenção em alguma coisa ao redor se você estava embaixo de mim com as mãos por dentro da minha calça apertando o meu traseiro, tentando sugar minha alma com a boca, gemendo meu nome enquanto isso?

- E a culpa foi minha, Grey? – A voz de Harry era suave, risonha e nostálgica. – Lembre-se que eu não tinha tantas chances de ficar sozinho com você naquela época. Então, tinha que aproveitar todas as oportunidades, não é? E antes que me esqueça: eu estava feliz, não estava me exibindo no campo e admito que senti falta da sua língua em todos os lugares certos em mim assim que peguei o pomo!

- É... – Concordou Draco, quase ronronando de olho nas nuvens, que para ele tinham formatos bem interessantes: uma parecia com Harry enquanto dormia e a outra parecia com... Banana caramelizada!

Tentando não ceder ao pensamento de obsessão, Draco suspirou, continuando a acariciar o peito largo do moreno, enquanto os batimentos fortes de Harry martelavam abaixo do seu ouvido.

Draco nem ao menos tinha enviado uma coruja para agradecer Snape ainda por tê-lo acudido, seu marido era sua maior prioridade e sempre seria, o resto, era e sempre seria plano de fundo.

Só o pensamento de que poderia ter morrido por algo tão ridículo, porém delicado, dava calafrios em Draco. Se avaliasse bem, ele não tinha problema com morrer, mas tinha seríssimos problemas em pensar em perder Harry, isso sim seria o fim, depois de tudo que passou para conquistar definitivamente o moreno adorável que agora era todo seu, no mínimo ele teria que aproveitar ao lado do outro o dobro da idade do famoso Flamel.

Muito relaxado, bem servido e empanturrado de muitas maneiras bonitas, o loiro resfolegou seu contentamento ao comentar:

– Levei três dias para me livrar de toda aquela terra e grama nos meus cabelos maravilhosos e mais de uma semana escondendo suas marcas de vampiro apaixonado por todo meu lindo pescoço! Nunca agradeci tanto a Sonserina ser nas masmorras, por que sem as blusas de gola alta não podia fingir que estava com frio!

- Mesmo assim, acho que a Lula se entusiasmou mais que a gente. – Harry beijou-lhe a testa fazendo menção de se levantar.

- A onde você vai? Está tão bom aqui com você. – Confidenciou Draco, bem baixinho, preguiçosamente sem perceber, ignorando o fato de que ele tinha horror a se deitar ou encostar em qualquer superfície que não fosse minimamente higienizada.

- Adivinha o que eu vou fazer agora? – Falou Harry em tom enigmático.

- Hum, não sou bom com adivinhações, mas posso persuadir você a me contar. – Draco lhe sorriu desafiadoramente.

- Banana caramelizada! – Anunciou Harry, sabidamente.

Um segundo depois Draco pulara literalmente em cima dele, beijando o moreno euforicamente por todo o rosto como um cãozinho feliz.

- Oh Harry! Jura? Você é um anjo! – Elogiou o loiro alegremente. – Vou ficar na cozinha com você, adoro o cheiro quando você faz aquele troço com o açúcar e depois quando você taca fogo em tudo!

- O troço com o açúcar é torrar para virar calda e depois eu flambo, não taco fogo em tudo! Vai se acostumando, por que quando eu começar a te ensinar a cozinhar, quero você bem atento as minhas dicas. – Harry piscou malicioso, ajudando Draco a se levantar e abanar a sujeira inexistente de suas roupas, com toda vaidade que cabia ao loiro.

- Quem disse que eu quero aprender a cozinhar? – Quis saber Draco só para contrariar Harry.

- Bem, é melhor que você aprenda pelo menos chegar perto das panelas para a sua própria segurança. Não quero voltar um dia e descobrir que você ateou fogo em tudo, só por que teimou em fazer ovos fritos, Grey e não se esqueça: ainda me deve um jantar romântico!

Um momento depois e lá estavam eles, na santa harmonia de Merlin!

Harry torrando o açúcar contando todos os lances emocionantes dos últimos jogos e Draco conversando sobre coisas sérias e amenidades. Harry flambando as bananas sorrindo sensualmente e Draco reclamando das dificuldades que encontrava com os experimentos que estava trabalhando.

Draco distraído, sem prestar realmente alguma atenção, enquanto Harry colocava os ingredientes secretos da sobremesa, que consistiam em uma pitada de sal com noz moscada e apenas dez gotas de limão na calda pronta, nada que estivesse no livro de receitas da sua mãe.

Um truque curioso e inusitado que o moreno guardava para si. A única coisa positiva que aprendera observando sua tia Petúnia cozinhar para Duda enquanto ele morria de fome, aguado com a cena.

Por último, Draco se lambuzando em calda. Seus olhos brilhando dementes, matando toda a sua obsessão pela sobremesa, igual a um bebê estabanado cheio de fome, feliz com o sabor da fruta macia escorregando por sua garganta em grandes nacos apetitosos. Harry não quis a própria sobremesa, já era delicioso demais assistir o loiro se acabando de comer.

Foram necessárias mais cinco porções até que Draco se desse por satisfeito, limpando a boca e pedindo misericórdia ao botão da sua bermuda que o apertava.

Harry observou o loiro devorar empolgado o ultimo pedaço, enquanto ainda lambia os dedos e gemia de um jeito que deveria ser criminoso, de tão obsceno que soava para o moreno e com essa imagem calorosa e muito promissora ele foi ao banheiro cantarolando.

Quando voltou encontrou Draco todo melado e grato, seus magníficos olhos tempestade brilhantes e grandes, cheios e vivos como nunca.

O que rendeu ao moreno uma rápida sessão de sexo oral bagunçado, suado e eletrizante na própria mesa da cozinha, com a boca milagrosa do loiro fazendo todos os truques sujos e sacanas a qual era habilidosamente maldosa para executar com perfeição e certa banana de Harry nunca tivera uma chance de sair ilesa e pura disso, não com Draco tão abençoadamente determinado.

Mais tarde, Draco ainda curou e beijou todos os hematomas do moreno com alguns feitiços que o ex-grifinório nunca se lembrava como executava, então era a vez de Harry demonstrar os seus talentos e ensinar ao loiro o poder divino da retribuição.

Não houve espaço para a banana do ex-sonserino ficar frustrada, afinal ela havia sido muito bem tratada e estava totalmente satisfeita com a recíproca notória dada pelo moreno.

Nada poderia ser mais perfeito para eles do que terminar a noite com um striptease todo especial do loiro, que resultou em mais amor entre eles e mais contato e mais intimidade e mais cumplicidade e paixão do que poderiam ter imaginado.

Ai essas coisas do amor... Tão espontâneas, tão meladas, mais extremamente divertidas e felizes!

FIM