Bom dia!_a saudação entusiasmada de Marguerite encheu toda a sala de jantar, surpreendendo a John.

Ouvir logo cedo a voz da mulher que povoou seus sonhos, sejam eles acordados ou dormindo, durante toda a noite atingiu Roxton de sobressalto, fazendo-o se engasgar com o chá que bebia.

Você está bem?_perguntou ela sem muita preocupação enquanto graciosamente estendia o guardanapo sobre seu colo.

Após algumas tossidas, o homem recuperou seu fôlego e conseguiu responder ainda que um pouco rouco pela violenta reação em sua traqueia.

Sim… apenas um pouco surpreso por vê-la de pé tão cedo._tossiu novamente já praguejando por tal expiração repentina.

A sensação de afogar-se era muito parecida com o sentimento que nutria por Marguerite, ele refletiu. Tossir era um reflexo involuntário do corpo na tentativa desesperada de expelir algo que bloqueia suas vias respiratórias. E ele, por mais que tentasse se livrar do amor que sentia, sabia que seu corpo respondia contra sua própria vontade e como uma mariposa que se via atraída por uma chama, quase sempre, ele deixava-se levar por seus instintos, mesmo sabendo que inevitavelmente iria se queimar.

Não se surpreenda, pois esta a partir de hoje será uma atitude rotineira._respondeu enquanto servia-se do requintado bule de café.

Algum motivo especial?_ele gostaria de transparecer pouca curiosidade, mas se corroía por dentro.

Oh, sim… ajudarei professor Challenger no laboratório, e ele parece ser um chefe muito exigente.

John quase se afogou novamente.

Isso realmente não é necessário._pensar em conviver com Marguerite durante todo o dia estava fora de cogitação. Já era torturante estar com ela por poucas horas sem poder tocá-la, a expectativa de vê-la muito mais tempo chegava a atordoá-lo.

Sinto muito, mas, receio que esta não é uma decisão sua. George Challenger é o responsável técnico pela Dusky e foi ele quem sugeriu que minha experiência seria extremamente útil para a empresa. A menos que tenha algo contra… você tem?_seus olhos cintilavam com a provocação.

Recordou-se, instantaneamente da parede de vidro fumê que dividia seu escritório do laboratório de análises e outras áreas da fábrica. O vidro especial permitia que Roxton pudesse ver todo o processo de fabricação do whisky e o controle de qualidade sem que os que estavam nos outros ambientes notassem sua observação. Imaginou a partir daquele dia passaria a maior parte do seu tempo, senão todo, admirando, como um lobo esfomeado, o comportamento de Marguerite tão perto de si, na sala ao lado. "Talvez fosse o momento de revestir sua sala por paredes de concreto" pensou "é claro que não" mirá-la durante todo tempo seria uma angústia excitante a qual estava tentado a experimentar.

Você está demorando para responder._ colocou um pedaço de mamão na boca. Enquanto ainda mastigava ela sugeriu mesmo com a fala prejudicada._tem algum problema em eu trabalhar na Dusky?_insistiu.

Marguerite levou suavemente o guardanapo ao canto da boca. John julgou aquela simples atitude algo muito sensual, a maneira que ela mastigava também era algo encantador. Ultimamente, tudo que a esposa fazia despertava seu interesse, principalmente de certas partes de seu corpo.

John…_ o chamou confusa. Era evidente que ele não estava participando do mesmo diálogo que ela.

Sim._ respondeu sem saber ao certo qual a pergunta.

Você tem alguma objeção? Qual?

Não. Quero dizer… você poderia ocupar seu tempo com coisas mais interessantes que ficar enclausurada em um laboratório gélido.

Ela sorriu.

Nada pra mim é mais interessante que um laboratório gélido cheirando a solventes orgânicos. Fique tranquilo, eu estarei bem no meu habitat. Se essa era sua questão, estamos acertados. Agora vamos terminar, pois eu não quero me atrasar no meu primeiro dia. Afinal, sou uma britânica, a pontualidade está no meu DNA.

Ao citar a frase que era o bordão de seu falecido irmão, Marguerite fez com que Roxton lembra-se do motivo pelo qual se casou. Não poderia se dar ao luxo de amá-la, tampouco, desejá-la. William e tudo como aconteceu sempre seria um fantasma assombrando a relação dos dois. O rosto do lorde então ficou sombrio e suas palavras saíram secas.

Então seja profissional, não terá privilégios._levantou-se não dando tempo para que ela respondesse.

*

"Perigo é ter você perto dos olhos, mas, longe do coração

Perigo é ver você assim sorrindo, isso é pura tentação… "

Perigo, Zizi Possi.

As semanas que se seguiram foi um misto de alívio e martírio. Era bom ter Marguerite por perto, observá-la sem que pudesse ser notado. Fantasiar situações em sua mente, como ele despindo-a daquele avental branco impessoal, soltando seus cabelos negros da touca e amando-a sobre a bancada de mármore do laboratório. Da privacidade de sua sala ele não podia ser julgado ou precisava disfarçar seu encantamento. Era só ele e sua ilusão de que podiam ser felizes juntos.

Marguerite por sua fez se mudara sua atitude desde a aquela fatídica noite. Não deixaria que Roxton a humilhasse nem mais uma vez, não imploraria seu amor ou suas carícias. Embora sua inexperiência a privara do conhecimento de alguns detalhes da intimidade masculina, era óbvio para ela que o marido a desejava. A maneira como ele a rechaçava era prova de que não conseguia se controlar, e por isso, a distância era a atitude mais segura. Ela só não sabia, ainda, o porquê de tanto aversão a se entregar a esta paixão. Estava disposta a descobrir, e para tanto colocou em prática o que intitulou plano de sedução por psicologia reversa. "Se era a indiferença que Lorde Roxton queria, era a indiferença que teria" porém, indiferença não significava ausência. A bioquímica se fazia presente sempre que possível e quase se divertia com os efeitos que isto causava no marido.

Ele bem que tentava disfarçar, mas a sua nova personalidade, tão profissional, técnica e distante o perturbava. Se por um lado era seguro manter distância de seu atraente corpo, por outro, ele sofria com a falta de sua companhia em conversas triviais. Marguerite sabia disso e se aproveitava dessa fragilidade. Sempre deixava a porta semiaberta, como um convite irrecusável, e seu suave sono a permitia notar quando o John, todas as noites, entrava em seu quarto e por algum tempo a fitava acreditando que ela dormindo. Ansiava que ele dissesse ou fizesse algo, mas John sempre saia antes de tomar qualquer atitude, isto a frustrava, porém, não ao ponto de fazê-la desistir. Ela era uma sobrevivente, obstinada por natureza e não se daria por vencida até que Roxton admitisse que a amava e que lhe explicasse por que agia daquela forma.

Em uma ocasião, ele se aproximou mais do que de costume da cama onde Marguerite "dormia". Seu coração batia em disparada diante da possibilidade de um avanço. Logo notou que suas belas e longas pernas estavam descobertas e este podia ser o atrativo perfeito. Reprovou-se mentalmente pela vulgaridade do apelo, entretanto, sabia que no amor e na guerra todas as armas eram válidas. John chegou mais perto, e agora tocava a colcha macia e impecavelmente branca. Internamente ela implorava que ele retirasse por completo o tecido de cima dela, seu corpo ansiava por seu toque como brasas que se incandescem num sopro de oxigênio.

Contudo, ele não o fez, ao contrário, num gesto que ela classificaria quase como de proteção, John subiu o tecido, deixando sua pele completamente coberta.

Ainda que hesitante não resistiu e acariciou os cabelos da esposa, como adorava a volúpia daqueles cachos, seu perfume e textura. Marguerite permanecia em inerte esperando o que ele faria a seguir, quando percebeu que se afastaria, ela engoliu seu próprio orgulho e o chamou.

John…

Eu sinto muito… não queria acordá-la.

John… por favor… _ seu pedido era quase uma súplica, refletia todo o seu desejo.

Eu… eu… sinto muito._ lamentou com sinceridade enquanto saia do quarto sem olhar para trás, sabia que se o fizesse não teria coragem de rejeitá-la novamente. Visitá-la todas as noites e vigiar seus sonhos tinha se tornado seu vício, quase uma compulsão, que o torturava ao mesmo passo que lhe dava prazer.

Sozinha novamente, Marguerite deixou escapar uma lágrima solitária. Estava a ponto de aceitar sua resignação. Então, pediu a Deus por um sinal, uma centelha de esperança, que a fizesse acreditar que um dia poderia enfim ser feliz com John.

*

Lorde Roxton, bom dia!_ voz e o entusiasmo irritaram John imediatamente.

Askwitch… _disse sem a miníma animação levantando os olhos dos papéis que examinava.

Estive em sua residência e uma adorável moça loira me informou que Lady Roxton estava trabalhando na destilaria.

Todas as palavras da frase de Andrew causavam raiva em Roxton, mas, como seu próprio título o conferia, preferiu agir amistosamente, como um lorde.

Sim. Tem razão, mas, como Verônica lhe informou, Marguerite está traba…_não teve tempo de acabar sua oratória.

Andrew!_ Marguerite adentrou com um sorriso irritantemente adorável._Que surpresa.

Roxton se perguntou a quanto tempo a esposa não lhe concedia felicidade de sorrir para ele daquela forma. Não podia culpá-la, não estava sendo merecedor do mesmo.

Vim visitá-la._ disse o capitão sem nenhum rodeio._Não a vi desde o acidente e queria saber como tem passado.

Estou muito bem, totalmente recuperada. Talvez queira me acompanhar ao refeitório para tomarmos uma xícara de chá ou café… ou uísque._brincou.

Os dois tinham tanta intimidade ao se tratarem que Roxton teve inveja da leveza com que o intrometido capitão podia levar sua relação com Marguerite.

Receio que em outra oportunidade. Infelizmente hoje tenho um compromisso e minha visita foi apenas passageira.

John quase sorriu da recusa de Askwitch.

É uma pena, permita, então, que eu o acompanhe até a saída, assim você pode retornar em breve._ Marguerite disse com muita hospitalidade.

"Espero que não volte nunca" pensou Lorde Roxton.

Adoraria sua companhia até a saída, Marguerite.

O arquiteto quase revirou os olhos de tão massante ouvir aquele derramamento meloso de elogios e simpatia.

Lorde Roxton_o capitão estendeu a mão.

Capitão Askwitch._cumprimentou e observou o homem se afastar sendo seguido ao lado por sua esposa.

Não pôde evitar a curiosidade de saber como seria a despedida dos dois. Por isso se aproximou da janela de vidro que dava vista ao estacionamento. Neste momento, Challenger entrou em seu escritório trazendo uma pilha de dados e tagarelando sem parar assuntos que pouco interessavam a Roxton no momento.

George, o que sabe deste Askwitch?_ seus olhos não saiam da rua. Marguerite e Andrew conversavam animados e John daria qualquer coisa para saber qual era o assunto.

Parece ser um bom homem, um ex oficial que agora leva uma vida civil. Quando soube que você assumiria a empresa foi cortês e não insistiu na compra. Algum problema?

Não, nenhum._ele respondeu mal-humorado quando percebeu que Askwitch beijou a mão da esposa deixando-a com um sorriso encabulado.

*

Como de costume, todas as quintas no final do dia, John, Challenger e Marguerite se reunião para deixar o empresário a par da nova formulação que os bioquímicos estavam desenvolvendo. Roxton pouco entendia dos índices técnicos, mas era delicioso ouvi-la falar coisas tão complicadas. A forma como a boca dela se contraia e relaxava para pronunciar palavras como flavonoides e taninos era muito estimulante, pensava que outros prazeres tal boca poderia lhe proporcionar. Sendo assim, ele esperava ansioso por esta ocasião na semana. Era o momento perfeito para ele admirá-la em plena luz do dia sem causar suspeitas.

Onde está Marguerite?_perguntou ao notar George entrando sozinho na sala de reuniões.

Ela pediu a tarde livre. _Respondeu sem muita preocupação organizando os relatórios sobre a mesa.

Por qual motivo?_indagou surpreso.

Ao que parece, Askwitch a convidou para um passeio esta tarde. Ela ainda não conhecia os pontos turísticos de Inverness._o professor respondia com tanta naturalidade que deixou Roxton ainda mais irritado.

A reunião está cancelada._jogou a caneta sobre a mesa e bateu a porta quando saiu.

*

Verônica! John ainda não acordou?_Marguerite perguntou quando notou as louças intactas no lugar do marido.

Na noite anterior ele decidiu jantar no quarto, evitando sua companhia. Não era uma atitude comum a ele, mas, ela decidiu não questionar. Havia tido uma tarde agradável com Andrew, ele estava sendo um bom amigo. Ela se divertiu como há muito tempo não fazia e não estragaria tal bem-estar discutindo com John. Porém, achou que iria encontrá-lo pela manhã.

Na verdade ele já saiu.

Marguerite a olhou confusa. Era comum Roxton esperá-la para irem juntos, esse era um dos únicos momentos do dia que a relação dos dois se assemelhava a de um casal, e ela gostava desta sensação.

Ele disse que tinha compromissos logo cedo e pediu para avisá-la que a reunião com professor Challenger ficou remarcada para as oito.

Lady Roxton verificou o luxuoso e raro relógio de parede se assustando com o adiantado da hora. Faltavam dois minutos paras o horário marcado por John. Isto era absurdo, costumavam chegar na destilaria mais tarde e sem nenhum aviso prévio o marido marcara uma reunião importante antes do início do turno. Isso lhe cheirava a provocação.

Então, estou atrasada.

Verônica encolheu os ombros e não teve tempo de responder já que a patroa passou por ela apressada.

*

Sinto muito pelo atraso._Marguerite estava ofegante quando chegou a sala de reuniões e encontrou os dois homens a sua espera._Não fui informada dessa reunião com antecedência e não pude me organizar.

Não há problem… _George começou a tranquilizá-la contudo Roxton foi mais rápido e incisivo.

Se você estivesse mas atenta a empresa saberia destas deliberações._ John exibia um humor desagradável e uma carranca que a assustaria a qualquer um, exceto a Marguerite.

O que pretende insinuar?

Não é insinuação. Trata-se de um aviso.

Pois então seja mais claro._o desafiou.

O que estou querendo dizer é que você impôs sua presença na empresa sem ser convidada, eu aceitei e apenas exigi que fosse profissional.

Pode me exemplificar a ocasião na qual falhei com meu profissionalismo?

Não me parece profissional abandonar o trabalho para passear com um dos seus admiradores. Sente falta do seu harém inverso?

As palavras foram duras e insultantes. Marguerite poderia argumentar que foi Challenger quem a incentivou a fazer um passeio vendo que há muito tempo ela não fazia nada que a divertisse. Podia apenas golpear o marido por questionar sem motivos sua moralidade, mas, preferiu não tornar aquela situação um circo maior do que já era. George não tinha porque presenciar aquela briga, John prezava tanto pelo profissionalismo, tratar dos seus ciúmes no ambiente de trabalho era algo muito pouco profissional.

Sendo assim, eu me demito!_arrancou o crachá que trazia na gola da camisa e jogou sobre a mesa na frente de Roxton. Haviam faísca de ódio e ressentimento em seu olha. Não toleraria mais nenhum um insulto daquele homem. Virou as costas e saiu da sala em passos largos.

MARGUERITE! Volte aqui imediatamente! Eu ainda não terminei!_gritou ele se preparando para ir atrás dela.

Chega, John!_ foi a vez de Challenger intervir._Ela precisa de espaço, e você também.

Você não sabe o que está falando.

É claro que eu sei! Acha que não notei o que está acontecendo. M. Summerlee.

Fique fora disto!

John! Me escute! Eu cuidei de você e do seu irmão desde que seus pais morreram, é minha obrigação dizer quando você está errado.

Eu não estou errado!

É claro que está! Ama essa mulher e agora está a ponto de perdê-la por causa dessa promessa de vingança sem sentido.

Ela matou William!

Não! Não foi ela… ele mesmo escolheu seu destino. _Challenger precisava ser duro com o amigo._ Marguerite é uma mulher boa, inteligente, criativa… você sabe disso, tanto sabe que se apaixonou por ela. Acha mesmo que William estaria satisfeito com essa vingança que só está trazendo sofrimento ao seu irmão e a mulher que ele amava.

As palavras do professor tocaram o coração do arquiteto. Challenger tinha razão, não poderia manter essa farsa por muito mais tempo. Seu irmão era a pessoa mais compreensiva e benevolente, nunca estaria de acordo com suas atitudes. Talvez fosse hora de enterrar para sempre o passado e começar de novo, fresco e leve.

Não sei se ela me perdoaria… _disse com sinceridade.

Você nem tentou… procure-a, peça desculpa e diga que a ama.

O arquiteto sorriu.

Para um homem da ciência, você conhece bem sobre assuntos do coração, meu amigo.

Todo homem tem seus segredos._ o ruivo piscou._Agora não perca mais tempo, vá atrás de sua esposa.

Roxton assentiu e saiu correndo da sala.

*

Marguerite!!_gritou com entusiasmo quando enquanto ia se encaminhado para a escadaria.

Sinto muito, Milorde. Ela não está._ Verônica o conteve.

Para aonde foi?

Ela não disse… apenas pediu que Ned selasse o cavalo e partiu.

Droga! _praguejou chutando a cadeira. Não podia imaginar onde a mulher teria ido, porém, tinha um bom palpite.

*

ASKWITCH!!!!_ John entrou pela residência do capitão sem nenhum convite.

Lorde Roxton, que surpresa! Que bons ventos o trazem?

Chega de falsa simpatia, Andrew. Exijo falar com a minha esposa!_disse sem rodeios.

Não me diga que perdeu sua esposa novamente?_havia sarcasmo e ironia na voz do capitão.

Eu poderia socá-lo agora mesmo, entretanto, estou mais interessado em falar com Marguerite. Agora deixe de provocações e me diga de uma vez onde ela está.

Sinto muito, Roxton. A companhia de Marguerite é muito agradável, mas, eu a deixei em sua propriedade ontem no final da tarde.

Maldição! Onde essa teimosa se meteu?

Andrew mediu o homem um pouco mais jovem que ele. Se tinha algo do qual se orgulhava era sua capacidade de perceber a verdade nas pessoas. Roxton estava desesperado por encontrá-la, embora tivessem suas divergências sabia que ele era um bom homem e merecedor de seu voto de confiança.

Escute, Roxton. Você não é minha pessoa favorita, é arrogante e presunçoso e tão pouco acho que é merecedor do amor de Marguerite. Porém, é óbvio que ela o ama, e que só será feliz estando de bem com você. Está claro como dia que também a ama, embora falhe em demonstrar. Se está realmente disposto a encontrá-la e a tratá-la da maneira que ela merece, acho que posso ajudá-lo. Acredito que sei onde está…