As ruínas de Urquhart erguiam-se privilegiadamente nas margens do lendário lago Ness. Palco de diversas disputas envolvendo sua posse, o castelo após várias modificações, foi abandonado no século XVII, nesta ocasião, Urquhart foi parcialmente destruído por oficiais ingleses com intuito de não deixá-lo ser ocupado por forças jacobinas, que se organizavam contra a coroa britânica. Deste então, a edificação se manteve em ruínas e hoje não passava de uma bela paisagem rodeada de memórias nem sempre felizes.

Askwitch contara, sem orgulho, para Marguerite a história daquele lugar, e sobre as sangrentas batalhas que ocorreram naquela região alguns séculos antes. Como ex oficial devia obediência ao trono britânico, mas, como ser humano era capaz de julgar quando a soberania inglesa era imposta sobre a liberdade de outra nação. Próximo de Urquhart, em Cullonden Moor, famintos e miseráveis revolucionários jacobitas foram dizimados por soldados ingleses organizados e bem armados. A batalha de Cullonden foi o momento mais marcante e que destruiu a citada revolução Escocesa. Como castigo, o rei Jorge II da Inglaterra reprimiu a manifestação de costumes escoceses, extinguiu a existência dos clãs e proibiu o uso dos tecidos coloridos com padrão xadrez que identificavam as estruturas feudais características da highlands. Estas restrições foram mantidas por mais de 100 anos.

Marguerite conhecia das aulas de história um pouco sobre aquele assunto, mas era diferente de estar ali. Diante de tudo, era como se cada parede lhe contasse das alegrias e glórias, das festas, dos amores, das traições, do sofrimento e da dor que um dia ali habitaram. Assim como Andrew, ela concordava que nem sempre as vitórias de seu país foram justas e reconhecia que a luta por ideais de liberdade eram válidas em qualquer circunstância.

Parada em frente a uma janela de pedra, ela, enrolada em um tartã escocês que a protegia das rajadas de vento, observava a tempestade que se formava sobre o lago. Seus pensamentos estavam muito longe dali, sua tempestade interna era muito maior que a perturbação meteorológica que se aproximava. Ela havia pedido um sinal, um sopro de esperança, porém, o que recebeu em resposta foi o desprezo do homem que amava. Não conseguiria suportar nem mais um insulto ou desconfiança. Seu limite tinha sido alcançado, embora lhe doesse em sua alma, se divorciaria de John.

*

Quando venceu a última colina, John avistou ao longe as ruínas de Urqhart na margem do lago. Era uma paisagem de tirar o fôlego, mas ele não tinha tempo para admirá-la. A tempestade se aproximava e ele precisava encontrar Marguerite antes disto. Uma onda de alívio o atingiu quando percebeu o cavalo da esposa amarrado próximo a entrada do castelo. "Askwitch estava certo, acho que lhe devo um agradecimento" pensou.

Incitou o animal que montava a cavalgar mais rápido e em poucos minutos havia acabado por completo com a distância que o separava da histórica construção. Amarrou seu animal próximo ao de Marguerite e correu para dentro do castelo.

Marguerite! Marguerite! Onde você está?_ embora em ruínas, a estrutura era enorme e ele levaria algum tempo para encontrá-la se ela não colaborasse em responder ao seu chamado. Não tinha importância, ele a encontraria de qualquer forma. Quando notou a torre mais alta, quase intacta, teve certeza de onde ela estava.

Subiu a escadaria quase correndo, espiou em alguma das salas até que a viu próxima do que um dia foi uma janela. Seus cabelos negros esvoaçavam-se na melodia do vento, em resposta a uma rajada mais forte ela se enrolou ainda mais no tecido xadrez vermelho e preto que a envolvia. John hesitou por um instante, na angústia de encontrá-la não tinha pensado nas palavras que diria quando estivessem cara a cara. Estava decidido a deixar de lado tudo que o impedia de viver aquele amor, mas vendo-a tão próxima teve medo que mais uma vez colocasse tudo a perder. "Fale com o coração ". Como se o irmão estivesse ao seu lado, Roxton o ouviu sussurrar, não teve medo, nem se assustou, ao contrário sentiu-se encorajado era como se William estivessem abençoando o amor que ele sentia por Marguerite. Toda a culpa e remorso se foi, e ele estava preparado para se entregar a ela de corpo e alma.

Marguerite… _o arquiteto notou que o corpo da mulher se tensionou ao seu chamado, mas ela não se virou. Rapidamente recolheu uma lágrima do rosto, o que não passou despercebido por John. Então, ele se aproximou parando ao seu lado, fingindo também mirar a paisagem que a cada minuto se tornava mais sombria pelas nuvens pesadas. Ela tampouco se mexeu apesar da proximidade_ Eu a procurei por toda a parte… estava preocupado.

A morena bufou com descrença.

Como se você se importasse._ disse secamente.

Eu me importo muito mais do que consigo demonstrar.

O que você está fazendo aqui? Como me achou?_ existiam altas doses de raiva e mágoa na voz da esposa, mas ele não se incomodou. Sabia que era merecedor de tal tratamento.

Askwitch me disse que você…

Lógico! Tão óbvio pra você pensar que eu fui atrás de meu amante!_finalmente ela olhou, mas havia tanto desprezo no seu olhar que John preferiu que ela tivesse se mantido inerte.

Não é nada disso! Marguerite, você tem que me escutar…

Não! Eu não tenho que escutar nada! Não te devo absolutamente nada! Não suportarei nem mais um insulto, nem mais uma desconfiança. Acabou!_ um trovão acompanhou a exclamação final de Marguerite.

O que quer dizer?_ele não sabia dizer se estava mais assustado com o barulho que os pegou desprevenidos ou com o que a esposa acabara de lhe dizer.

Esse casamento foi um erro. Você não me ama e nem permite que eu me aproxime para que possa conquistar seu amor. Não me deixa sequer saber que trauma traz do seu passado que o faz agir desta forma. Eu tentei, me esforcei para que desse certo… mas agora estou desistindo. Te libero de qualquer compromisso… voltarei para Londres. Eu quero o divórcio!

Não pode estar falando sério!_ ele a tomou em seus braços enquanto ela lutava para se desvencilhar. O marido a apertava ainda mais. Não a deixaria sair dali sem escutar o que ele tinha a dizer._Você não vai a lugar nenhum! Não sem me ouvir antes.

Não torne isto mais difícil!

Marguerite, eu não tenho o direito de lhe pedir absolutamente nada, mas em nome do amor que sente por mim, eu te imploro… apenas me ouça.

Marguerite parou de se debater e enxergou que havia verdade em seus olhos, talvez pela primeira vez ele estava sendo franco. Ela não precisava, mas lhe daria essa chance, afinal também queria uma explicação.

Me solte e eu o escuto.

Roxton a obedeceu. Controlando a respiração ele apoiou as duas mãos na janela e abaixou a cabeça. Então começou a dizer o que sentia no coração, tal qual a voz de William recomendara.

Eu tenho agido como um grande imbecil desde que nos casamos, talvez antes disto. Eu… eu nunca senti por alguém o que sinto por você, e isto de certo modo me assusta. Sempre estive no controle de tudo em minha vida e pela primeira vez me senti vulnerável. Tive medo de me entregar e tentei lutar contra esse sentimento, mas foi inútil. Morri de ciúmes ao vê-la tão à vontade na presença de Askwitch. E acabei sendo mais idiota ainda. Perdoe-me… Foi preciso a ameça de perdê-la para descobrir que minha vida não faz sentido sem você. Eu a amo Marguerite, a amo mais do que a mim mesmo. Você conheceu até agora o pior de mim, me dê a chance de a partir de hoje lhe mostrar o melhor que posso ser…

Ele não precisou pedir mais, antes que disse uma nova palavra, sentiu o toque suave da pequena mão de Marguerite sobre a sua. Teve, então, coragem de olhá-la e viu que seus lindos olhos verdes estavam marejados d'água, porém, em vez de tristeza ou mágoa, ele notou carinho, compreensão e amor. Sabia que ela o havia perdoado, e que estava disposta a ofertá-lo uma nova oportunidade. Nada podia fazê-lo mais feliz, pelo menos foi o que pensou.

*

Marguerite ouvia a declaração de John, e a cada palavra dita uma nova emoção preenchia seu peito. Sentia alegria, gratidão, ternura e muito amor. Por tanto tempo havia esperado ouvir do marido tal confissão. Nada mais importava, ele a queria tanto quanto ela a ele. Aceitou que este seria o sinal que tanto havia pedido, sim, ela poderia ser feliz com o homem que amava.

Quando notou que ele hesitaria tratou de tocar-lhe a mão encorajando-o. Ela precisava ouvi-lo, precisava escutar de novo…

Diga novamente… _ pediu quando seus olhares se cruzaram.

Ele demorou alguns segundos para entender do que se tratava. Quando descobriu o que ela desejava, um sorriso estampou seus lábios e iluminou seus olhos. Ela tinha aceitado o seu amor, e ele faria o que estivesse ao seu alcance para torná-la a mulher mais feliz do mundo.

Eu te amo, Marguerite._puxou-a para o seu abraço tomando-lhe a boca em um beijo apaixonado que foi perfeitamente correspondido.

A chuva caia torrencialmente lá fora e com carinho John a afastou um pouco da janela evitando que os respingos os molhassem, isto sem deixar seus lábios nem por um instante. As mão dele soltaram o tecido que a envolvia, agora o tartã era um amontoado de pano no chão de pedra do castelo. Roxton fez com que as costas dela encontrassem a parede áspera com suavidade. Seus beijos, antes carregados de ternura, agora eram mais ousados, deliciavam-se com aquelas sensações como se fossem a primeira vez que as experimentavam. Ele diminuiu ainda mais a distância entre seus corpos subindo uma das pernas dela na altura de seu quadril. Marguerite pôde então sentir a excitação do marido, ela mesma sentia o seu corpo respondendo aos estímulos daquelas carícias. Seus seios estavam túrgidos e seus mamilos rijos e sensíveis. John ergueu sua saia de modo a alcançar as partes mais íntimas de suas coxas. Ela podia sentia que calor úmido que emanava do centro entre as suas pernas começava agora a molhar sua roupa íntima, logo ele notaria tal sinal também.

Marguerite arfou buscando ar quando Roxton deixou seus lábios traçando com beijos o caminho de seu pescoço e colo, o que ela lhe oferecia de bom grado. Estava ciente do que estava prestes a acontecer e sabia que era hora de ser honesta e dizer a verdade ao marido.

John…_sua voz estava quase sem fôlego tomada pelo desejo.

Não diga nada… eu prometo que não hesitarei desta vez._boca dele estava sobre o volume de seus seios e o arquiteto dizia as palavras sem afastá-la completamente da pele da esposa.

Eu preciso lhe dizer algo._ela parecia mais firme nesta nova tentativa de diálogo, isto despertou a atenção dele.

Não importa o que diga, nada mudará o que eu sinto por você._ encarou-a com doçura tentando tranquilizá-la e afastar a incômoda tensão.

É… bem… eu… _ela parecia constrangida.

Querida, qual o problema? Você não quer que façamos amor?_ sua voz era compreensiva ainda que por dentro ele se sentiria frustrado caso não saciasse o desejo que o consumia desde o dia que colocou seus olhos sobre aquela mulher.

Não!_ ela foi incisiva._ não é isso._ soltou-se dos braços dele e virou-se evitando seu olhar. Estava envergonhada por tratar de um assunto tão íntimo_John… essa é a primeira vez que… é a primeira vez que farei amor._contou por fim.

Roxton ficou confuso, pra não dizer atordoado. Duvidou se havia escutado perfeitamente o que a mulher acabava de lhe confessar. "Marguerite era virgem?" a inusitada informação causava nele um misto de sentimentos. Se por um lado ele se sentia o homem mais especial e sortudo do mundo, por outro, esteve terrivelmente enganado por todo esse tempo e isto fazia dele um canalha sem precedentes por ter a tratado como uma maldita criminosa. "Oh Deus… o que eu fiz" culpou-se pro fazer da vida da mulher que amava um perfeito inferno todos estes meses.

Percebendo o silêncio de John, Marguerite virou-se buscando encontrar qual era sua expressão. Notou seu olhar sombrio e diante disto, achou que deveria lhe conceder uma explicação.

Não quero que pense nisso como um puritanismo ou excesso de moralidade… apenas… não havia encontrado ninguém que considerasse importante o suficiente para compartilhar comigo de algo tão especial. Você consegue me entender?

Por que você não contou isto antes?_ sua pergunta foi tão espontânea que soou quase como uma reprovação. Não era essa a intenção. John não a julgava, ao contrário, ela acabara de se tornar ainda mais especial e rara. Quase uma divindade, se antes a amava mesmo imaginando que ela havia traído o seu irmão, agora Marguerite era digna de sua adoração eterna.

Na verdade nunca tive a oportunidade de mencionar…e… também não achei que você se incomodaria.

Só então, ele percebeu que novamente se fazia interpretar de forma errônea. Não podia culpá-la por isso, sempre tinha sido tão grosseiro que qualquer atitude diferente era motivo de desconfiança. Apressou-se em se retratar.

Não, meu amor, não me incomoda. Muito pelo contrário… você é tão perfeita que às vezes acho que não sou digno de tê-la ao meu lado. Não sei se sou este homem tão especial, talvez não seja merecedor de um presente como este._uso de toda a sua sinceridade.

Marguerite se aproximou do marido, afagou com uma das mãos sua barba e a outra passou pelos cabelos dele o admirando.

Eu o amo, isto já o faz o homem mais especial para mim. Quero ser sua e de mais ninguém.

Era um pedido irresistível demais para ser recusado. Roxton prometeu a si mesmo que se até aquele dia não havia sido merecedor da esposa, dedicaria o resto da vida a tal missão. A veneraria e a faria esquecer toda e qualquer lembrança ruim que eventualmente guardasse dele. Seria escravo e devoto incondicional do seu amor.

Retribuiu o carinho da mulher tocando-lhe o rosto da mesma forma. "Como eu amo" pensou.

Você tão linda._deixou escapar um de seus pensamentos em forma de fala. Ela sorriu e ficou ainda mais bela._Eu te amo e juro que serei merecedor de seu amor.

Tudo que aconteceu a seguir ocorreu como em câmera lenta, Marguerite queria registrar na memória e no coração cada detalhe, carinho e palavra. John estendeu, sobre a palha que se acumulava no piso, o tecido vermelho e preto que estampava os padrões do clã McDusky. Em silêncio a convidou que o acompanhasse até a cama improvisada.

Se ajoelhou diante dela sentando-se sobre suas próprias pernas, ela o imitou hipnotizada sem soltar de suas mãos. Estavam de frente um para o outro, podia notar o desejo crepitando nos olhos do marido, mas como um cavalheiro ele se controlava para que tudo acontecesse com calma e no seu momento. Eram como dois adolescentes apaixonados ansiosos por compartilharem seus corpos.

O coração de Roxton batia acelerado como se também experimentasse do amor pela primeira vez. E assim o era, sabia que jamais se entregaria a alguém com a mesma doação que o faria com Marguerite. No instante em que se unisse a ela, sua esposa seria dona de todo seu ser e não seria capaz de viver sem que estivesse ao seu lado. Isto era assustadoramente excitante, lhe parecia encantador atar sua vida e sua alma aquela mulher, estava pronto para mergulhar neste novo mar de sensações, estava pronto para amá-la.

Os botões começaram a ser soltos em ambos os que vestiam, era um movimento ritmado ao som das gotas de chuva que não cessavam em cair. A cada peça de roupa retirada o marido cobria a pele da esposa com beijos entusiasmados. Agora estavam completamente nus. Ele já tinha a visto sem roupa, sabia o quanto era perfeita, porém, Marguerite concluiu que estava certa no que havia imaginado milhões de vezes, John era extremamente atraente e viril. Seus músculos bem definidos e sua pele morena era um convite ao toque. A expressão máxima de sua masculinidade era excitante ela estava em êxtase por experimentá-la, entretanto, descobriu o quanto o esposo era detalhista em suas carícias e estava focado em fazê-la sentir prazer em níveis que ela mesma não sabia que poderiam ser alcançados.

Enquanto sua boca se dedicava a sugar deliciosamente um dos mamilos enrijecidos da mulher, uma das mãos que a afagavam desceu ao encontro do centro de sua intimidade. Marguerite gemeu com o gesto inesperado.

Apenas relaxe, meu amor. Confie em mim, eu não a machucarei._disse ao notar que o corpo que amava se apresentou subitamente contraído. Ela o obedeceu e deleitou-se com as sensações que ele podia lhe proporcionar.

Entretanto, Lorde Roxton não se contentou apenas com isto. Podia sentir a pulsação de Marguerite na ponta de seus dedos, sua umidade era irresistível e ele necessitava saber seu sabor. Afastou um pouco seus joelhos e desceu percorrendo seu tronco para enfim explorá-la com sua língua.

Oh… _ ela deixou escapar um gemido rouco quando sentiu a carícia. Nem em todas as descrições que havia lido ou ouvido sobre o assunto eram fiéis ao que realmente estava sentido. Marguerite se viu adentrando aos portões do paraíso.

John a saboreava, e a cada ruído de prazer que amada lhe oferecia via aumentando sua vontade de possuí-la. Ela estava muito próxima de chegar ao ápice, então, ele cessou o citado carinho e posicionou-se entre suas delicadas pernas. Sua ereção era evidente. Marguerite estava ciente do que estava prestes a suceder. O marido pediu com o olhar um consentimento o que ela concedeu prontamente. Começou então a invadi-la com cuidado, como alguém que estivesse tomando posse do que era seu ao mesmo tempo preocupado em cativá-la para todo o sempre. O arquiteto era delicado e esperava que a mulher se adapta-se ao novo arranjo, ela considerou esta atitude de um extremo zelo que a fez se enamorar ainda mais. O desconforto inicial foi rapidamente substituído por ondas infinitas de satisfação. Era incrível e poderoso, como a manifestação da natureza que os envolvia pelo lado de fora do castelo. Relâmpagos e trovões contemplavam o gesto mais sublime do amor. Uma lágrima rolou dos olhos verdes dela, sentia a plenitude genuína. Teve certeza que valeu a pena esperar o momento certo... a pessoa certa. John prontamente a secou a lágrima com um beijo. Por um instante preocupou-se se estava ferindo-a, mas, a forma como sorria e o abraçava dizia exatamente o contrário. As pontas dos dedos de Marguerite ficavam brancas diante de tamanha pressão que ela exercia sobre as costas do homem incitando-o a continuar, mais rápido e cada vez mais fundo. Não demorou muito para que ambos atingissem o clímax. Eram finalmente um do outro, de corpo e alma.