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Capítulo 9
Desculpe o atraso, eu me perdi pelo caminho da vida
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Quando abriu os olhos, Sakura estava voltando para a cama em seus shorts folgados. Teve que piscar algumas vezes para se acostumar com a luz vinda da janela que invadia o quarto de hotel com sua presença aquecedora, sinal de que a cumulonimbus já estava bem longe de Kirigakure àquela altura. Não se importou em determinar a hora, ainda que seu cérebro tenha registrado que estava perto de meio dia, e sentiu a cama se mexer com a subida nada sutil da moça que parecia recém tomada banho apesar de ter colocando novamente o seu pijama.
A puxou para si antes que ela pudesse se acomodar em alguma posição ali e talvez ela o estivesse achando parecido com um cachorro enquanto ele encostava seu nariz na pele dela para sentir melhor aquele cheiro de sabonete, cama e Sakura que estava pairando deliciosamente. A moça ria alegando sentir cócegas, e nesse momento ele quis mesmo que ela as sentisse, mas seu alvo escapou fácil dos braços preguiçosos, girando para ficar frente a ele numa distância segura de um braço esticado.
Os dedos dela o mantinham longe enquanto as risadas escapavam pelo momento de tensão divertida. Ele sorriu para ela como quem faz uma promessa, fazendo com que a moça soltasse mais uma daquelas risadinhas nervosas de quem está se divertindo com o jogo de gato e rato que não faz nenhum sentido. Quando ele fechou os olhos deixando para trás a promessa fajuta, ela relaxou a tensão naqueles dedos contra seu peito nu, e ao invés de os deixarem, Sakura levou sua mão para o rosto do homem, arrastando aqueles dois dedos contra sua tez.
Kakashi abriu os olhos novamente para vê-la olhá-lo com a expressão leve, passeando pelo seu rosto enquanto tocava a ponta de seu nariz, descendo pela curva gentil de seu lábio e deslizando para aquele sinal herdado de sua mãe. Ele fechou os olhos novamente e os abriu apenas quando a mão dela deixou seu rosto. A mulher ainda tinha seus olhos verdes brilhantes sobre ele, o que o fez sorrir de maneira breve.
— Acho fofo quando você sorri e aparece essa dobrinha aqui perto da sua boca – A voz dela surgiu através do silêncio suave enquanto ela indicava o local utilizando o próprio rosto — E esse seu sinal é um charme.
— Fico feliz que gostou – Ele disse daquele jeito preguiçoso antes de passar o braço por baixo do travesseiro, deixando a cabeça mais alta.
Sakura colocou uma mecha de seu cabelo para trás da orelha parecendo, de repente, um pouco tímida.
— Acho que eu nunca vou me acostumar em te ver sem máscara.
Revelou como um segredo comum, e ele acabou rindo brevemente, achando fofo o jeito com que ela deixava aquilo escapar dos seus lábios. O silêncio mais acolhedor de todos os mundos se instaurou naquele momento, e ambos se olhavam trocando todas as palavras não ditas.
Até o bater na porta acontecer e Sakura, por reflexo, virar-se brevemente na direção dela, voltando a olhar para ele com aquela expressão de eu não quero me levantar, numa súplica para que ele fosse saber o que diabos queriam, e o homem, mesmo sem querer ir, prontamente o faria, mas havia um pequeno contratempo.
— É melhor você ir, eu to pelado.
E foi lindo quando o vermelho se espalhou rápido pelo rosto dela enquanto seus lábios tentavam segurar uma risada diante das palavras dele. Ela colocou a mão nos lábios deixando o som de sua risada nervosa se propagar, desviando o olhar em seu constrangimento enquanto o homem se deleitava com aquela reação tão genuína.
— Entendi.
Ela disse voltando a olhar para ele com divertimento, e não que a moça já não soubesse disso, na verdade a memória dos acontecimentos de horas atrás ainda estavam muito vivas em sua cabeça, mas quando ele colocava aquelas palavras de um jeito tão direto, Sakura sentia um pequeno desconcerto, e não precisava ser nenhuma boa leitora de pessoas para ver isso estampado naquele sorriso cínico dele.
Definitivamente, Sakura nunca ia se acostumar em vê-lo sem a máscara.
As batidas na porta se fizeram presentes novamente e Kakashi apenas puxou o cobertor para cima de seu rosto, fazendo a kunoichi revirar os olhos com humor antes de rolar para fora da cama, descobrindo Chika atrás da porta do quarto com uma carta branca em suas mãos endereçadas aos ninjas de Konoha, assinada por Terumi Mei.
Sakura voltou para a cama enquanto abria o envelope, sentando em cima dos joelhos no colchão macio ao passar seus olhos atentos pelas letras da Mizukage que pareciam tão sensuais. Até a caligrafia de Mei era pornográfica. Arqueou as sobrancelhas diante do conteúdo e Kakashi acompanhou aquela reação em expectativa quando Sakura finalmente o olhou.
— Fomos convidados para um coffee break no escritório da Mizukage.
Kakashi torceu o nariz.
— Pra quê?
Disse externando o mais sincero dos sentimentos, porque parecia que Mei não tinha nada melhor para fazer além de provocá-lo de cinco em cinco minutos, e tudo bem que foram provocações que o ajudaram a pensar, mas ela poderia ser um pouco mais suave na opinião dele.
— Ah, amanhã nós vamos embora, então acho que ela quer se despedir apropriadamente. – Sakura deu os ombros — De todo jeito, parece mais um convite para o meio da tarde do que para agora, então podemos almoçar em algum lugar.
— É mesmo... Nós vamos pra Konoha amanhã – Ele disse se dando conta que, em algum momento entre ontem e o agora, a informação tinha se perdido. — Passou rápido a viagem.
— Uhum – A moça concordou ao deitar do lado dele — Foi como piscar os olhos.
O olhar do homem se pendurou em Sakura por um longo momento onde o silêncio tranquilo se fez presente mais uma vez, e ela pôde perceber que ele pensava em algo, que coisas estavam acontecendo na mente dele enquanto sua expressão se mantinha serena, e talvez fossem as mesmas coisas que rondavam sua própria mente, que não eram pensamentos concretos, eram mais... sensações.
A sensação de algo novo, algo bom, algo óbvio e algo empolgante. A sensação de gostar de alguém e se deixar levar por isso de uma maneira que ela nunca tinha se permitido antes, e mais ainda, a sensação de algo certo.
— Eu tenho uma proposta para você.
A moça arqueou uma sobrancelha, porque apesar das palavras parecerem sérias demais, a expressão dele continuava tão tranquila quando sempre fora.
— Estou ouvindo. – Ela disse antes de se enfiar em baixo do cobertor e correr para dentro do aconchego de Hatake Kakashi, que a abraçou de bom grado, e ela sempre achava engraçado como ele fazia questão de cheirá-la quando eles estavam tão perto assim.
— Nós conseguimos chegar em Konoha em três semanas, certo? – Perguntou e Sakura concordou com a cabeça — Mas o que você acha de irmos ao porto nordeste de Kiri, pegar um barco para Kumo, conhecer o lugar, dar uma volta, e aí, se você quiser, podemos também ir lá pra Iwa, e depois voltar pra Konoha.
— E Suna? – Ela perguntou com humor.
— Ah, eu iria sugerir passarmos por lá, mas só quando estivéssemos em Iwa. – Ele disse dando os ombros — Da vez que fomos em missão acabamos passando por uma tempestade, mas os arredores têm oásis incríveis. Nem tudo é só deserto no País do Vento.
Sakura riu.
— Kakashi... Isso é uma viagem pra... um ano. – Ela disse com humor — Nós temos, no máximo, cinco semanas para voltar à Konoha. Além disso, sua nomeação é daqui a pouco, e eu não acho que seria interessante chegar com um atraso de um ano.
— Dá pra fazer em sete, oito meses... – Ele disse dando os ombros — E garanto que você vai chegar a tempo de ver Tsunade-sama me passando o chapéu cerimonial.
— Você é inacreditável – Sakura resmungou rindo — Shishou vai nos matar se fizermos algo assim. Na verdade, você vai viver porque caso contrário ela teria que ser Hokage por mais algum tempo. Eu quem morreria. – Ela riu sem nem considerar aquela proposta como válida.
— Ela não vai se importar – O homem disse tranquilo — Apenas diga sim e vamos continuar nossa viagem.
Sim, ela queria aceitar sem nem pensar, mas as coisas não eram exatamente como ele queria que fossem, e Sakura sabia dos compromissos que tinham com a vila, com seus amigos... Tinham muitas coisas a se considerar antes de pensar em ficar fora por quase um ano completo.
— A gente pode voltar pra Konoha agora e você participa da nomeação, e depois disso nós podemos ir para qualquer lugar.
— Você sabe que não funciona assim. – Kakashi suspirou — Uma vez que eu tiver o título de Hokage, sair da vila vai ficar muito complicado, e viagens como essa nossa não vão ser possíveis sem trinta ANBU's nos seguindo.
Sim, ela sabia, e só por isso ela se aconchegou um pouco mais nos braços do homem, afinal, seria a única viagem que poderiam fazer juntos daquela maneira. De repente, Sakura sentiu que deveria aproveitar ao máximo.
— Só diga sim, Sakura. – Ele disse depois um momento — Eu quero te levar para todos os lugares que eu já fui, e para aqueles que eu nunca fui também. – Falou deslizando os dedos pela pele das costas dela num vai-e-vem gostoso — Se eu não posso te dar o mundo, ao menos me deixa te levar para vê-lo.
Sakura riu baixinho sendo pega pelas palavras de um jeito que ela definitivamente não esperava. Ela passou a mão pelo pescoço dele, subindo até seu rosto e o olhou por um momento antes de encostar seus lábios nos dele de maneira leve. Não tinha o que pensar quando ele dizia aquelas coisas daquela forma. Ela também não estava pronta para dar fim àquela viagem, e mais ainda, queria passar mais tempo com ele antes que pudessem voltar às suas rotinas.
— Quando voltarmos a Konoha, eu vou colocar a culpa toda em você, entendeu? – Ela disse com um sorriso — Eu vou dizer a Tsunade-sama que eu não tive nada a ver com isso.
Kakashi sorriu.
— Não se preocupe, eu assumo a responsabilidade. – Falou logo depois depositar um pequeno beijo no rosto da mulher.
— Então vamos para Kumo. – A moça declarou jogando as preocupações para escanteio, afinal eram suas férias e a única coisa que deveria preocupá-la era aproveitar dos maravilhosos momentos que dividia com o homem que escorregava sua mão para além de suas costas.
— Vamos para Kumo, Iwa e Suna. – O outro fez questão de ressaltar entre os pequenos beijos que ia traçando rumo ao pescoço da moça sem nenhuma pressa.
— E todos os lugares entre as vilas, mas antes, temos um encontro com a Mizukage-sama e você precisa se arrumar. – Se apressou em dizer quando sentiu aquele mordiscar suave que a fez tremer, sabendo exatamente onde ele queria chegar e o que queria fazer.
— Uhum...
Foi a resposta dele contra sua pele num sussurro quente enquanto aquela mão por baixo das cobertas, quase vagarosa, redescobria territórios.
— Kakashi... – Ela disse tentando levantar algum senso de alerta ali, mas falhou miseravelmente quando suspirou ao final. Droga, ela era uma fraca.
— Sim...?
— A gente vai se atrasar... – A moça fechou os olhos por um momento enquanto suas pernas se movimentavam ali — Vai tomar banho. – Conseguiu pedir em meio a toda a distração que acontecia debaixo do cobertor.
— Só se você vier comigo.
Foi o que ele disse contra a pele dela, fazendo aquele tom vermelho se espalhar pelo rosto, orelhas, ombros... Ela se sentia queimar com a condição imposta, e quase não conseguiu responder, parte por sua timidez fora de hora, parte pelas distrações que estavam ficando cada vez mais distrativas.
— ... Mas eu já tomei banho.
... bem...
— Toma outro.
Simples.
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Foi o ninja Tanaka quem abriu a porta do amplo escritório para a dupla de ninjas que ali adentrava com uma hora de atraso, algo que Mei interpretou como atraso social tendo em vista os parâmetros de Hatake Kakashi. A Mizukage sorriu daquele jeito de sempre quando os viu entrar, se empertigando na sua cadeira branca de couro mirando a dupla de maneira divertida. Ah, ela iria sentir falta daqueles dois, principalmente de Kakashi, que se achava esperto demais, sem saber que perto dela, ele era apenas um garoto.
— Kakashi, Sakura... Vocês estão radiantes nesta tarde. – Ela disse com aquele deboche característico.
A voz de Mei se propagou assim que puseram os pés na sala ampla, recheada com prateleiras cheias de arquivos e decoração impessoal. Haviam, assim como em Konoha, fotos dos antigos Mizukages, e também pilhas de papeis, pergaminhos... Mei sentava atrás de uma mesa larga, com duas cadeiras logo a frente e um longo dragão prateado era desenhado como um vitral logo atrás dela.
Sakura olhou ao redor encantada com a beleza imponente daquele vitral e da decoração característica. Lembrava o escritório de sua mestra, mas ao mesmo tempo tinha um ar mais sofisticado. Konoha nunca fora conhecido por extravagancias apesar de seus ninjas quase sempre se mostrarem peculiares em suas personalidades.
— Desculpe pelo atraso, Mei-sama. – Sakura disse tão educadamente que Mei queria apertar aquelas bochechas. — Tivemos um imprevisto.
Oh, sim. Eles podiam chamar assim. Kakashi pensou vendo aquele sorriso se espalhar pelo rosto de Mei, que vestia um belo vestido verde-água, com um tecido mais leve do que habitualmente usava, mais tão sedutor quanto.
— Não se preocupe com isso. – Ela maneou a mão e olhava para Kakashi enquanto dizia aquelas palavras — Me surpreende que não tenham demorado mais, na verdade.
— Cortesia de Sakura – Kakashi resmungou daquele jeito indiferente e Mei sorriu compartilhando com ele um segredinho.
— De toda forma, fico feliz que vieram – A mulher disse se levantando da cadeira e dando a volta em sua mesa parando em frente à dupla e arqueando as sobrancelhas quase inocente diante da moça de cabelo cor-de-rosa — Sakura, o que você anda fazendo aqui em Kirigakure, hm? Sua pele está incrível.
Começou. Kakashi pensou olhando para a mulher com sua expressão desinteressada de sempre ao passo que Sakura apenas pareceu precisar de um momento para responder.
— A-acho que deve ser da sauna – Disse, mas a verdade é que sequer tinha pisado na sauna do hotel.
— Oh... Uma sauna faz milagres, hein, querida? – E sorriu para ela com seus olhos maliciosos enquanto a mente de Sakura fervia em constrangimento, mas Mei não queria uma resposta, e por isso virou-se para Kakashi — Sua pele está fantástica até onde posso ver, Hokage-sama. Imagino que esteja fazendo bom uso da sauna também.
— Estou aproveitando o quanto posso.
Mei riu, Sakura o olhou vermelha e ele deu os ombros, afinal, quanto mais rápido Mei tivesse a resposta que queria, mais rápido eles podiam simplesmente parar de falar sobre a sauna e seguir com qualquer outro tema, que foi o que aconteceu.
Logo a Mizukage perguntou, em códigos, como havia sido a missão, também conversaram um pouco sobre a estadia da dupla, sobre os planos para a expansão marítima, pediu algumas orientações sobre administração do hospital a Sakura. No meio da conversa, fora servido chás, biscoitos e petiscos típicos do País da Água, mas Kakashi se absteve de comer qualquer coisa.
Após algumas poucas horas, Sakura anunciou que iriam partir para aproveitar sua última noite em Kirigakure, já que partiriam ainda na madrugada rumo Kumogakure.
— Mande lembranças para Tsunade. Diga a ela que a espero assim que se livrar do manto de Hokage para que possamos nos divertir um pouco, e vocês também, voltem sempre que quiserem.
— Obrigada por tudo, Mei-sama. Vamos voltar assim que possível, mas temo que não será num futuro breve – Sorriu encolhendo os ombros — E darei seu recado a Tsunade-sama assim que possível.
Mei maneou a cabeça, olhando para Kakashi por um segundo antes de voltar à Sakura.
— Tem certeza que não quer ficar mais um pouco, Sakura? Kiri tem muito a oferecer.
— Tenho boas memórias de Kiri, mas preciso voltar para Konoha – A moça falou com um sorriso tenro — Aliás, agradeça a Ryū pela companhia por mim. Acho que não vamos mais nos ver, mas eu jamais esquecerei da gentileza dele.
Foi uma das poucas vezes que Kakashi viu Terumi Mei sorrir de maneira genuína, sem aquela máscara de raposa que geralmente vestia para esses momentos.
— Transmitirei seus sentimentos – A mulher respondeu antes que finalmente pudessem se despedir de maneira definitiva.
Saíram do prédio momentos depois, o sol brilhando no céu de poucas nuvens se fazendo presente para os moradores que transitavam em suas tarefas diárias. Kakashi enfiou as mãos nos bolsos e olhou para Sakura ao seu lado.
— Tem certeza que não quer se despedir pessoalmente do Senhor Feudal?
Sakura o olhou numa breve surpresa pela pergunta, mas logo maneou a cabeça num gesto tranquilo. Ela não sabia o porquê de ele estar sugerindo aquilo, principalmente quando ele parecia saber exatamente que tipo de relação Ryuuji queria consigo, mas não pensou muito sobre isso. Talvez ele estivesse apenas se certificando que não haviam arrependimentos ali.
— Já me despedi dele ontem à noite. – Disse com uma voz serena — Não há mais nada para ser dito.
A olhou por um longo momento, absorvendo aquele sorriso nos lábios da moça que soava tão convicta. Ele gostava de como Sakura tinha esse ar decidido sempre, sendo tão honesta com o que queria. Acabou apenas concordando com a cabeça antes colocar aquela mão na cintura dela, fazendo-a dar uma breve risada. Ciumento. Resmungou mentalmente enquanto seguiam seu rumo para resto de seu último dia em Kirigakure.
Passaram naquele alfarrábio antes de voltarem ao hotel, e Kakashi finalmente se decidiu sobre quais livros iria adquirir para sua estante, deixando para trás Mãos que não se entrelaçam e alguns outros. Sakura aproveitou para passar naquela loja de suvenires, escolhendo alguns mimos para os amigos, incluindo um chaveiro com a miniatura do Rokubi para Naruto, porque todas as Bijuus tinham se tornado bastante populares depois da Grande Guerra.
Acabou que o dia logo passou, e a dupla partiu de Kirigakure na calada da noite, horas antes do sol nascer. Pegaram aquela estrada de barro até o porto nordeste, chegando nele após três dias, e uma vez acomodados num barco razoavelmente rápido, levaram apenas três semanas para pisar no território do País do Relâmpago. Passaram pela costa, vilarejos menores, encontraram alguns animais característicos da região, se embrenharam por um vale de árvores petrificadas, e desembocaram, após mais quatro semanas, em Kumogakure.
Foram recebidos por A e Killer Bee, que souberam de sua chegada por alguns ninjas de prontidão. Acabaram dormindo nos aposentos cedidos pelo Raikage, que já demonstrava inclinação para deixar o cargo num futuro não muito distante. Apesar da política, Kakashi e Sakura conseguiram turistar pelo local, provando comida boa, assistindo apresentações do teatro local, participando de cerimônias, e muitas outras coisas.
Partiram depois de duas semana, continuando sua viagem pela fronteira de Amegakure com o País do Fogo. Ame não era conhecida por sua hospitalidade, e mesmo depois da guerra, a situação naquele território ainda era hostil, então a decisão de evitar os arredores daquela vila foi rápida, fazendo-os atravessar diretamente para a Vila Oculta do Som, que não tinha nada de mais, e só por isso conseguiram cruzar tal distância em apenas mais duas semanas.
Estavam na divisa entre a Vila da Cachoeira e o País da Terra, num penhasco enorme onde o vento se fazia intenso dividindo seus ruídos com uma longa cachoeira que desaguava por ali. Sakura estava sentada sob a sombra daquela fileira de árvores com troncos enormes, as pernas femininas esticadas enquanto ela contemplava a vista panorâmica de todo o País da Terra bem abaixo de tudo aquilo, podendo ver os cânions tão distantes se projetando no horizonte, e também os picos que se escondiam entre as nuvens.
Já era verão e o sol estava brilhando intensamente. Ela e Kakashi já estavam a pouco mais de três meses viajando, sem contar o tempo que passaram em Kiri, e levaria quase um mês para chegarem efetivamente em Iwa, isto é, se fossem pelo caminho rápido, porque o ninja manifestou a breve vontade de adotar uma rota um pouco mais distante para que pudessem passar por um pequeno vilarejo onde havia uma senhora herbalista que entendia tudo sobre ervas.
E Sakura adorava como Kakashi era reconhecido em vários dos locais que passavam, trazendo problemas para a dupla em algumas situações, mas sendo bastante divertido em outros momentos. Sakura também tinha lá seus fãs, e acabava sempre sem jeito diante de muitos elogios. Ela não tinha feito nada além do trabalho dela, mas as pessoas insistiam em engrandecê-la. Tudo bem... Pelo menos, no caso dela, raramente trazia confusão.
Além disso, Kakashi conseguiu mostrar para a moça lugares e mais lugares, alguns deles guardavam memórias de um tempo difícil, e mesmo que não compartilhasse tais memórias, assim que Sakura fazia um comentário animado ou olhava em deslumbre, os locais eram ressignificados. Também encontrou daqueles cantos que nunca foi, e então memórias intocadas eram produzidas.
Viajar com Sakura era revigorante, e agora que ele não precisava se conter, tudo parecia melhor. Definitivamente, ela era a viagem que ele queria continuar a ter, e isso se confirmava a cada parada que faziam, a cada passo que davam, a cada revirar dos olhos verdes... E mesmo as desventuras apenas confirmavam aquilo que ele já sabia.
A viu sentada com as pernas estiradas, vendo a longa paisagem a sua frente. Ele se aproximou com passos suaves, colocando o cantil de água que havia acabado de enche no campo de visão da moça. Sakura segurou com as duas mãos enquanto recolhia as pernas para a posição de lotus, tomando água logo após agradecer pelo delivery. Ele se agachou ao lado dela na ponta dos pés e, quando a moça o devolveu o cantil meio-cheio, ele abaixou sua máscara para tomar um longo gole de água também.
O dia estava tranquilo e eles finalmente estavam entrando no território do País da Terra depois de um longo trajeto onde mal pararam. Amegakure e Otogakure não eram lugares ideias para passear, então eles apenas passaram direto e o mais rápido que puderam. Agora aproveitavam o vento forte para uma pausa sob a sombra daquela árvore enorme antes de finalmente se jogarem em meio as estradas de pedra e vegetação rasteira que compunha seu caminho até a próxima vila.
Sakura o olhava e ele plissou os olhos para ela, junto de um sorriso revelado. Era sempre assim. Ele tirava a máscara e a kunoichi tirava um tempo para simplesmente vê-lo sem ela, levantando aquele dedo indicador que se movimentava num chamado que Kakashi sempre fazia questão de atender ao beijá-la suavemente, as bocas frias pela água gelada que haviam recém tomado contrastando com o cálido gesto que perdurava no momento, e pouco depois de se separarem, Kakashi recebia aquele beijo menor e mais rápido.
— Pronta pra seguir? – Ele perguntou se permitindo ficar sem a máscara por mais alguns instantes, sentindo o vento bater em seu rosto por completo.
— Tá tão quente lá embaixo – Sakura suspirou — Vamos esperar aquela nuvem ali cobrir o sol...
Ele riu.
— Isso vai demorar – Alertou vendo os cabelos dela se agitarem com o vento. — A gente pode seguir de noite, se você achar melhor.
— Viajar a noite sempre é complicado – Resmungou — Não tem muito o que fazer, vamos agora.
E apesar do que disse, Sakura não se moveu um centímetro sequer para se levantar, o que o fez rir brevemente. Ele a beijou de novo tomando um tempo para si porque ele não tinha nenhuma pressa para continuar, se acomodando ao lado de Sakura logo em seguida.
— Se formos por aquela trilha ali, sempre teremos água disponível até chegarmos a Iwa – Ele apontou — O problema é que vamos esbarrar em muitos animais.
— Acho que conseguimos lidar com isso – Deu os ombros sem dar muita importância ao aviso — É pra lá que fica a herbalista?
— Ah, sim. Ela fica nessa rota, sim. Eu espero que ela ainda esteja viva, porque ela já era uma idosa quando a conheci.
— Que tipo de missão foi?
— Assassinato.
Sakura concordou com a cabeça.
— Eu voltei com um corte enorme aqui na coxa, estava sendo perseguido por ninjas de Iwa e estava difícil esconder meus rastros com uma ferida daquele tamanho. Acabei achando esse vilarejo e essa mulher me escondeu em sua casa, cuidou dos meus ferimentos... – Kakashi ficou em silêncio por um momento — Eu nunca entendi porquê, mas também nunca perguntei.
— Se conseguirmos vê-la, você vai perguntar?
— Não sei – Deu os ombros depois de um momento — Talvez. Você acha que eu devo?
— Ah... – Sakura disse olhando para a paisagem pacifica a sua frente antes de mirar o homem ao seu lado — No seu lugar eu iria querer saber.
O homem maneou a cabeça sem de fato pensar muito naquilo.
— Certo. Então acho que vou perguntar se a vir novamente.
Sakura sorriu para ele antes de deitar sua cabeça no ombro dele com conforto, abraçando aquele braço masculino mais próximo enquanto sentia o vento ruidoso agraciar suas peles com o frescor de uma tarde quente, e ele fechou os olhos satisfeito com o rumo que tudo estava tomando.
Sentiu, por um momento, que poderia viver naquele lugar.
Mas então a moça levantou a cabeça de seu ombro e ele abriu seus olhos, ambos se deparando com a ave branca que circundava logo a frente deles. Kakashi revirou os olhos com exagero, recolocando a máscara enquanto Sakura parecia tensa.
— Será que aconteceu alguma coisa na vila? – Perguntou mais para si do que para o homem que jogava um pergaminho aberto no chão.
— Duvido muito. – Ele respondeu já prevendo o conteúdo daquela mensagem.
E num instante, a ave se chocava com o papel, transformando sua tinta em caracteres legíveis no branco do pergaminho. Foi Sakura quem o pegou, engolindo seco enquanto lia a mensagem nada sutil que o pássaro trazia.
— Ok. Se seguirmos reto por ali conseguimos chegar em Konoha em apenas 5 dias.
O homem arqueou uma sobrancelha.
— Sakura, nós só conseguiríamos esse tempo se não parássemos para dormir e fossemos em uma velocidade absurda. – Disse pegando a mensagem das mãos dela para ver a letra garranchada de Tsunade num rabisco raivoso de que voltassem imediatamente.
Ou ela mesma iria atrás deles.
— Tsunade-sama vai nos matar.
... ia nada. O homem pensou.
Tudo bem que não era o primeiro pássaro que chegava para eles, mas Kakashi sempre tinha dado a sorte de interceptar as mensagens antes que Sakura pudesse vê-las, e assim a viagem seguiu seu curso mesmo que já tivessem sido convocados para retornar à vila algumas vezes durante aqueles quase três meses em que estavam rodando o mundo – sem contar o tempo em Kiri.
Mas duvidava que Tsunade fosse mesmo aplicar qualquer tipo de punição, primeiro porque Kakashi desconfiava fortemente que aquela viagem tinha sido armação da Hokage, e segundo porque era um exagero. Só estavam um pouco atrasados.
— Tenha calma, Sakura – O homem falou colocando as mãos nos ombros dela, fazendo a moça olhá-lo diretamente — Não precisamos ter pressa, ok? Eles sabem onde estamos, então sabem que não vamos voltar tão rápido assim. Além disso, ela vai estar irritada mesmo se chegássemos amanhã de manhã na vila, então apenas relaxe.
Fácil falar.
Ela era a discípula de Godaime Hokage e definitivamente não queria enfrentar a fúria dela, porém as palavras de Hatake Kakashi fizeram algum sentido em sua mente, e talvez fosse a convivência, mas Sakura sentiu-se considerar a situação em que estavam com mais serenidade.
— Mas ainda temos que voltar rápido pra vila.
— Tudo bem, vamos cancelar nossa ida à Suna. – Ele disse soltando os ombros da mulher — A gente vai pra Iwa rapidinho e aí voltamos.
... Inacreditável.
— Kakashi...
— De Iwa pra Konoha é rapidinho. A gente consegue ficar uns dias na Vila da Pedra e depois voltamos de trem para o País do Fogo.
— Você é louco. Não podemos. Tsunade-sama vai acabar com a gente.
— Não vai... Confia em mim. Eu disse que assumo a responsabilidade.
— Nós dois sabemos que não funciona dessa forma.
— Yare, yare... – O homem suspirou — Eu só acho que é um desperdício voltarmos agora, principalmente porque estamos bem perto de Iwa.
— Estamos a um mês de Iwa.
— Dá pra fazer em duas semanas.
— Kakashi...
Se olharam por um longo momento naquela conversa muda onde colocavam os prós e os contras de continuarem naquelas férias sem data para acabar, e Kakashi queria de verdade continuar no meio do mundo na companhia da kunoichi de cabelos cor-de-rosa, mas a verdade é que ele sabia que estava comprando alguns problemas. Ele já deveria ser Hokage àquela altura, e Sakura provavelmente já deveria gerir o hospital de Konoha naquele momento.
Ele suspirou derrotado, colocando a mão no rosto dela antes de apelar para o seu último recurso.
— Por favor.
Oh, sim. Porque um simples por favor, quando dito na entonação certa, com o olhar certo, e o timbre certo, poderia fazer uma kunoichi teimosa vacilar, principalmente quando tal kunoichi também não queria encerrar a viagem apesar do ultimato de sua mestra tão turrona quanto.
Sakura abriu e fechou seus lábios, desviando o olhar por um segundo antes de mirar os olhos de cachorro pidão que Kakashi lançava a ela enquanto a figura de sua mestra furiosa se materializava em sua mente com aquele olhar de quem está disposta a quebrar um prédio inteiro só por não ter sido obedecida.
Oh, céus...
— Você garante mesmo que vamos chegar em duas semanas?
Ele sorriu.
— Com certeza.
— Mesmo que nós passemos na herbalista?
— Vamos ter que viajar um pouco mais rápido, mas conseguimos sim.
— E só vamos passar três dias em Iwa. Só três, entendeu?
— Estou de acordo.
— Não esqueça que você disse que há um trem para voltarmos rápido.
— Vamos estar de volta antes que a Hokage perceba.
... Cínico.
Sakura o olhou muito séria, ainda decidindo se podia contar com a pontualidade do homem, mas lá estava ele com aquele sorriso já animado por baixo daquela máscara idiota, e Sakura só queria socá-lo por ser tão cara-de-pau.
— Combinado? – Ele perguntou, mal se aguentando enquanto a mulher o olhava naquela expressão única de quem ainda não se decidiu, mas que está quase. Quase. — Em três semanas estaremos em Konoha, que é mais rápido do que levaríamos se partíssemos daqui.
...
— Só você mesmo para me fazer descumprir uma ordem direta de Tsunade-sama. – Ela resmungou e nenhum treinamento do mundo conseguiu segurar aquele sorriso largo que Kakashi sustentava em sua vitória. — Droga de sorriso bonito que você tem. Até mesmo com essa máscara eu consigo vê-lo!
— Veja melhor, então – Ele disse projetando o rosto para ela numa clara sugestão para que ela tirasse sua máscara.
E ela o fez.
O que acarretou no atraso de algumas horas daquela viagem, mas na sincera opinião de Kakashi, tudo tinha valido muito a pena. E na de Sakura também.
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Era duas e quinze da manhã quando Kotetsu viu uma coruja sobrevoar o portão da vila, indo diretamente para a floresta além da estrada. A coruja de corpo pequeno e penas brancas rasgou o céu com um grito alto característico enquanto saía em busca de sua próxima refeição, pois faminta, não conseguiria passar nem mais uma noite sem se alimentar. Voou por algum tempo, o suficiente para esbarrar na dupla de ninjas que andava tranquilamente pela estrada leste que dava acesso a Konohagakure.
As estrelas brilhavam mais fracas devido à proximidade com todas as luzes que eram emitidas da área urbana logo mais à frente, mas Sakura ainda era capaz de distinguir algumas constelações mais óbvias, como Órion. As noites de verão eram sempre tranquilas, e graças a um forte repelente, os mosquitos estavam a uma distância segura do casal que finalmente fazia o seu retorno para casa depois de meses perambulando pelo mundo.
Estavam em silêncio. Kakashi andando brevemente à frente enquanto a moça caminhava logo atrás, distraída com as árvores, o céu, a brisa meio fria, e com a sensação do retorno. Daquele ponto onde estavam, ambos já conseguiam ver o largo portão da entrada leste pronto para recebê-los, e Sakura se sentia cansada de repente, como se apenas a sua cama pudesse lhe propiciar o conforto necessário para que ela recuperasse suas energias.
Mesmo assim, a sensação que tinha era que queria caminhar um pouco mais lentamente e aproveitar ainda mais os últimos minutos daquela viagem estranha que estava prestes a acabar. Ela olhou para as costas de Kakashi sob a luz fraca da lua crescente e desviou o olhar como se estivesse tentando desvencilhar-se de algo que insistia em retornar, mas a verdade é que desde que entraram naquele trem, Sakura começou a se sentir esquisita.
Sim, e quanto mais se aproximavam de Konoha, mais aquela esquisitice se expandia até tomar forma de uma simples pergunta: E depois?
Apesar de terem passado muito tempo juntos e sozinhos, Kakashi e Sakura não tinham conversado sobre o que de fato estava acontecendo entre eles. Ela tinha assumido o compromisso de se deixar levar e o cumpriu até os últimos instantes, sem cobranças ou expectativas, mas agora estavam diante da Vila da Folha, onde moravam com todos os seus amigos, colegas de trabalho... Onde suas rotinas e vidas se estabeleciam de fato, e, no momento, Sakura não sabia se aquilo faria parte daquela rotina.
Era só um romance de verão?
Bem... Ela gostaria que não fosse, mas também não queria ser a pessoa que pergunta.
Cruzaram os portões daquele jeito vagaroso, Sakura ainda mergulhada nas recentes incertezas sobre o futuro dali por diante, e Kakashi apenas cumprimentou a dupla que vigiava a entrada da vila. Izumo e Kotetsu acenaram polidamente, dando risadinhas que já anunciava que Kakashi iria enfrentar uma verdadeira inquisição assim que encontrasse Tsunade na torre Hokage, o que não seria as duas e quarenta da manhã.
Eles continuaram andando pelas ruas desertas da vila que estava bastante diferente. A reconstrução tinha avançado bastante e já havia prédios mais altos, postes mais robustos, lojinhas e lojões, restaurantes, ruas largas, praças... Tudo parecia novo. Konoha estava diferente, mas o clima ainda era o mesmo, e a casa deles continuavam no mesmo local.
A de Kakashi, que era um apartamento simples, ficava ali perto da delegacia de Konoha, enquanto que Sakura, que ainda morava com os pais, ficava perto da floricultura Yamanaka, numa rua adjacente no centro, e por isso a dupla parou naquela encruzilhada que separava os seus destinos depois de tanto tempo.
Kakashi se virou dando um bocejo largo, as mãos nos bolos, postura relaxada... Parecia o mesmo de sempre.
— Te vejo de manhã, bem cedo, certo?
Ela deu uma risada baixa.
— Tô sentindo que eu vou ter que encarar Tsunade-sama sozinha, porque você nunca chega bem cedo.
O homem maneou a cabeça com humor.
— Diga a hora e eu irei me esforçar.
— Ah, vai? – Ela debochou.
— Que tal se eu passar na sua casa? Assim você não fica esperando. – Ele sugeriu e a viu arquear a sobrancelha.
— Isso é inesperado.
— ... Você não quer que eu vá na sua casa? – Havia cautela na voz do homem e Sakura rapidamente hesitou.
— Não! Não é isso! Eu só tô pensando que você não é muito de se preocupar em deixar as pessoas esperando.
Uma risada sonolenta escapava dos lábios do mascarado fazendo uma nuvem de vapor surgir brevemente frente a seu rosto e se dissipar rapidamente na friagem noturna.
— Eu passo na sua casa então. – Ele disse olhando para a moça com aqueles olhos plissados.
— Certo – Sakura respondeu forçando sua voz a não vacilar — Ah! Você quer ficar com o colar?
— Não – Kakashi deu os ombros — Gosto dele em você.
A moça concordou com a cabeça, de repente, pensando no que mais poderia dizer.
— Boa noite então, Sakura. – Kakashi falou após o breve momento de silêncio.
Sakura hesitou por um segundo, mas o que quer que estivesse em sua mente, ela apenas afastou, decidindo responder com um breve.
— Boa noite, Kakashi.
E apesar das palavras de despedidas, seus olhares continuaram presos um no outro por um momento longo demais, até que o homem apenas olhou ao redor antes de abaixar sua máscara furtivamente e beijar a moça numa despedida que soava bem melhor apesar dos pelos crescentes da barba dele pinicarem em sua pele – mas ela meio que gostava disso.
Ela meio que gostava de tudo nele.
E então ele recuou, e ela se sentia bem menos esquisita quando ele sussurrou aquele segundo boa noite a centímetros de seu rosto, beijando-o novamente num gesto breve. Só aí o homem a soltou, e pouco depois de levantar sua mão naquela despedida tão corriqueira, uma nuvem brotou no lugar onde a segundos Kakashi estava.
Sakura revirou os olhos com humor. Sumir num jutsu era tão a cara de Hatake Kakashi... E só restou a ela soltar um yare-yare sem sequer perceber que talvez estivesse pegando algumas manias do homem.
Voltou pra casa.
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A moça despertou com o cheiro do café da manhã invadindo seu quarto. Tinha se esgueirado pela janela afim de não acordar seus pais, tomou um banho na surdina, largando a bagagem no canto do quarto para se preocupar com ela apenas no outro dia. Colocou seu pijama confortável, aquele blusão vermelho com o circulo branco estampado nas costas e aquele short velho que estava descosturando na lateral. Dormiu razoavelmente bem tendo em vista ter sentido falta do seu travesseiro de viagem muito confortável, mas dormir na própria cama havia compensado, ainda que só tivesse se passado quatro horas.
Sim, ela precisava acordar o mais cedo que seu corpo permitisse, e por isso saiu da cama na direção do banheiro ouvindo o murmurinho escada abaixo. Seus pais não eram conhecidos por falarem baixo, e ela já sorria ouvindo-os discutir sobre as flores nova no jardim percebendo que sequer sabia que tinham um jardim.
Escovou os dentes, lavou o rosto, e fazer xixi nunca foi tão prazeroso, afinal, fazer qualquer coisa dentro da própria casa era mil vezes melhor. Desceu as escadas sem se preocupar com o barulho, e quando finalmente entrou na cozinha dando bom dia para os seus pais, a festa estava feita.
— Sakura-chan! – Sua mãe disse naquele volume alto enquanto dava a volta na mesa para abraçá-la — Meu amor, quando você chegou? Por que você não avisou?
— Cheguei de madrugada. Não quis acordar vocês sem necessidade. – Ela disse apertando seus braços envolta da mulher que era um dedo mais baixa que ela.
— Como você está, meu bebê? – Seu pai as envolvia, levantando as duas de uma só vez. Sakura deu um pequeno grito em surpresa, rindo logo em seguida enquanto Mebuki lembrava seu marido das dores nas costas.
— Inteira! – Sakura disse após ser colocada no chão, colocando uma mecha atrás do cabelo — E faminta!
— Então venha resolver isso, sente querida! – Mebuki dizia puxando uma cadeira para a filha — Como foi a missão?
— Boa. – Sakura deu os ombros pegando aqueles ovos mexidos — Eu não posso dar detalhes, mas foi tudo bem tranquilo.
— Você demorou tanto! Quase meio ano fora de casa! – Kizashi disse cruzando os braços — E depois de todo esse tempo não pode nem mesmo dizer o que fez?
— Pare com isso, Kizashi. Sakura não é mais uma genin! Ela é uma jounin de elite, e pega missões de acordo com a patente dela.
Sakura deu uma breve risada com aquele orgulho de sua mãe enquanto colocava um pedaço de pão na boca.
— Sinto saudades de quando ela era uma genin tampinha que podia me contar absolutamente tudo!
— Não seja tão dramático, papa. – A moça resmungou divertida — Eu só viajei bastante, comi muito, ajudei gente ali e aqui... Essas coisas – Deu os ombros — Eu que quero saber de vocês quais são as novas, porque tudo em Konoha parece diferente.
E Mebuki falou tudo o que havia mudado na vila, deixando Kizashi apresentar o novo jardim da família Haruno para sua filha, mostrando aqueles arbustos que floreariam logo que a primavera retornasse. Também falaram dos negócios, deram notícias sobre alguns amigos civis, riram de alguma fofoca que já não era tão nova enquanto Sakura fazia aquela expressão chocada.
Tudo estava bem, e sua mãe até notou o novo acessório no pescoço de Sakura, que apenas riu dizendo que era um presente para Tsunade, e que ela o guardou ali para não perder. Péssima desculpa, mas ela não podia dizer que era o item da missão. Então eles apenas colocaram o papo em dia, animados como só o casal Haruno era em Konoha, e logo a campainha tocou.
Sakura girou a cabeça na direção da porta e Mebuki saiu batendo as mãos no avental.
— Ah, obrigada pelo leite!
A mais jovem ouviu sua mãe dizer lá da porta e voltou a prestar atenção no que seu pai dizia, tão divertido, sobre como prédios tão altos o faziam ter vertigem.
— Temos visita! – Sua mãe voltou trazendo uma garrafa de leite e Hatake Kakashi a tira colo.
— Yo!
— Kakashi-sensei! – Kizashi falou daquele jeito espalhafatoso e Sakura, por algum motivo, começou a corar — Sente conosco! Coma alguma coisa!
— Eu estou bem, obrigado. – O homem disse ao ocupar uma cadeira na mesa estreita dos Haruno, bem ao lado da moça de cabelo cor-de-rosa. — Bom dia.
— Dia... – Ela disse tentando não rir ao colocar um pedaço de banana cozida na boca. — Chegou cedo.
— Eu disse que ia me esforçar.
Oh, céus...
— Né, Kakashi-sensei, talvez você possa nos contar um pouco sobre como foi essa missão que fez a Sakura ficar quase seis meses longe de casa! Essa menina não nos conta mais nada!
— Papa... Não seja dramático... – Sakura choramingou ainda devorando aquela banana. — Eu disse, não podemos dar detalhes.
— Tem certeza que não quer comer nada, Kakashi-sensei? – Mebuki perguntou já com um prato na mão ignorando o choramingo do esposo.
— Eu tomei café em casa.
— Besteira, coma mais um pouco! Eu tenho a impressão que vocês ninjas nunca comem direito quando estão em missão. Seis meses é muito tempo. – A mais velha insistia.
— Acredite, Mebuki, nós comemos muito bem. – Ele plissou os olhos. — E não vim dar trabalho a vocês. Só estou esperando Sakura para irmos ao encontro da Hokage.
— Não é trabalho nenhum! É o mínimo que podemos fazer por ter trazido nossa Sakura sã e salvo nessa missão.
Sakura enfiou um pedaço de pão grande demais na boca.
— Eu não fiz nada. Sakura é uma kunoichi muito capaz.
— Você sabe como os pais são – Kizashi disse maneando a mão — Pra mim, ela sempre será aquele bebê gordinho.
— Paaaaaii...
— Quê?
Kakashi riu brevemente, o que não passou desapercebido por Sakura que o olhou por um momento, recebendo aquela piscada de olho sacana logo em seguida. Ah, Rikkudou...
— Eu vou me arrumar pra gente ir. Você aguenta quinze minutos sozinho com esses dois? – Ela perguntou mais baixo aproveitando que seus pais tinham entrado numa conversa paralela a parte.
— Só quinze. – Ele disse com uma risada e Sakura balançou a cabeça bem humorada enquanto ele avançava um pouco mais para alcançar o ouvido dela — To com saudades — Disse num sussurro baixo em meio ao caos da manhã e Sakura se viu morder o lábio.
— Eu também. – Sussurrou de volta colocando a mão na perna dele por baixo da mesa. — Volto já. – E o olhou por um segundo mais longo antes de se levantar, passando por trás dele enquanto sua mão se arrastava pelos ombros dele até ela finalmente sair da cozinha.
O homem virou para acompanhar o rebolado sumir pelo portal que dava acesso à escadaria e quando voltou sua atenção ao que estava diante dele, viu Kizashi e Mebuki com expressões similares. Sobrancelhas arqueadas em uma evidente questão.
Kakashi pigarreou.
— E como vão os negócios?
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Quando desceu as escadas, em sua roupa vermelha e shorts pretos, Sakura se deparou com seus pais e Kakashi muito bem acomodados na sala de estar. Sua mãe ocupava um lugar cativo ao lado do ninja sentado no sofá, e seu pai sentava numa poltrona na lateral. O casal Haruno parecia animado demais, o que fez a kunoichi arquear uma sobrancelha confusa enquanto o homem plissou seus olhos.
— Sakura-chan! Mas por que você não nos contou as boas novas?
— Que boas novas? – A moça perguntou confusa ao ajustar o nó de sua hitaiate vermelha.
— Ora, sim! Kakashi acabou de nos contar a novidade!
A moça passou os olhos pelos três completamente confusa por dois motivos: Que novidade? Desde quando seus pais chamavam Kakashi só de Kakashi?
— Eh...? E eu posso saber que novidade é essa?
— Não se faça de bobinha, Sakura-chan – Sua mãe deu uma risadinha — Estamos falando, é claro, do seu namoro com Kakashi.
...?
— Que?
Foi o que ela disse, ignorando a vermelhidão brusca que invadia seu rosto enquanto olhava incrédula para o seu pai, mãe e... namorado? Confusa era uma palavra que não conseguiria definir o tamanho de seu estarrecimento diante da novidade, e ela demorou seus olhos em Kakashi, que parecia tão tranquilo quanto sempre.
Ouviu seu pai dar uma longa risada. É claro... Seus pais adoravam Kakashi desde sempre, então não era nenhuma surpresa que tivessem simplesmente abraçado a ideia.
Porém...
— Não estamos namorando. – Ela disse mais firme, ignorando seu constrangimento enquanto olhava para Kakashi, vendo a expressão hesitante dele se instaurar.
— Não?
— Não.
Seus pais se calaram enquanto presenciavam aquele diálogo cauteloso que se formava bem diante deles. Não ousariam interferir, preferindo acompanhar o desenrolar daquilo para entender o que diabos estava acontecendo com Kakashi e Sakura.
— Quer dizer... Eu não lembro de ter escutado nenhum pedido. – Sakura emendou depois de um segundo constrangedor.
Kakashi hesitou.
— Ainda precisamos de um pedido depois de tudo...?
E Sakura pareceu brevemente ofendida com a falta de tato do homem a sua frente, porque, bem... Era de conhecimento geral que a moça nunca havia tido um pedido de namoro. Quer dizer... Houve aquele pedido do Lee no primeiro dia do exame chunnin, e aquele carinha chamando-a para sair depois da guerra, mas nada disso contava porque ela não queria nenhum deles como namorado.
Tudo bem que ela já não era a mesma Sakura de antes que queria um lindo pedido de namoro – vindo de Sasuke – com flores, chocolates e, quem sabe, trilha sonora. O conceito de relacionamento amoroso tinha se tornado bem mais realista, mas ainda assim, Sakura sabia que queria um pedido de namoro, e não era pedir muito. Não precisava ser aquele pedido de namoro digno de livros de romance, mas tinha que haver um pedido.
Até lá, Sakura considerava seu status de relacionamento como solteira, porém indisponível.
— Sim, precisamos – Ela disse convicta, apesar de seu rosto continuar rubro de uma maneira que parecia o tom da sua roupa.
O casal Haruno jaziam parados, cada qual no seu canto, com os olhos atentos ao acompanhar o diálogo nada comum do outro casal na sala, que talvez não fossem um casal. Eles não sabiam. Estavam tentando descobrir enquanto Sakura parecia bem firme na sua decisão.
Kakashi pareceu constrangido pela voz certeira dela, mas levantou-se enquanto passava as mãos nas laterais de seu corpo como se estivesse um pouco nervoso. Não a enganou, apesar de tentar o seu semblante comum. Ela conseguia ver o tom tão rubro na face dele quanto o do rosto dela, mesmo que aquela máscara preta cobrisse grande parte do rosto masculino.
Ficou de frente para Sakura, olhando para ela sem desviar, e a moça já se sentia ansiosa.
Ele não faria aquilo ali, não é?
Não faria.
— Quer namorar comigo?
É claro que ele faria, e apesar da timidez, a voz masculina havia soado límpida, assim como seu olhar jamais hesitara.
Sakura concordou com a cabeça, também sem desviar seu olhar ao mesmo tempo que sentia fumaça sair de seus ouvidos. Inacreditável em todos os sentidos.
— Sim, eu quero.
Foi a resposta dela pouco depois, com uma voz certamente envergonhada e um timbre levemente mais baixo, mas não hesitante. Ficaram ali se olhando por um segundo, e antes que pudessem pensar em fazer qualquer coisa, o som das vozes dos pais da moça ecoava em uníssono naquele ruído longo de quem está achando algo a coisa mais fofa do mundo.
Awwwwwnnnnn!
Sakura revirou os olhos ainda de frente para Kakashi e ele riu se inclinando para beijá-la no topo da cabeça com seus lábios encobertos, virando-se em seguida para encontrar seus sogros os olhando como se estivessem assistindo um filme adolescente de romance. Oh céus...
Ele coçou a nuca em um repentino constrangimento, completamente vermelho e Sakura habilmente driblou todas aquelas perguntas de seus pais, arrastando-os para fora dizendo que precisava trabalhar. É... Ainda tinham que fazer aquele relatório de missão, e Kakashi podia apostar que seria bem mais fácil encarar a fúria de Tsunade do que o momento cute-cute do casal Haruno.
Quando saíram, Kizashi olhou para Mebuki com um olhar divertido enquanto a esposa apenas deu uma longa risadinha.
— O que você acha, querida? – Ele perguntou cutucando o ouvido com o dedo mindinho.
— Que nós precisamos conversar com a Sakura-chan, porque ela pode ser uma ninja de elite lá fora, mas aqui dentro ela é nosso bebê e precisa de regras, principalmente quando o primeiro namorado dela é um tanto mais velho.
Kizashi riu.
— Eu tô feliz pra caralho. E dai se ele é velho? Pelo menos não é o moleque Uchiha. Aquele menino não serve pra ela.
— Não fale assim do rapaz, Kizashi. – A mulher revirou os olhos.
— Nada contra o menino. Que eles sejam amigos, saiam juntos, tudo bem, mas pra namorar minha filha, eu prefiro o sensei. O cara tem um emprego bom, a gente já conhece ele a muito tempo, e a Sakura-chan parece feliz. Tudo bem, eu concordo que você tem que falar com ela, porque eu não vou falar sobre... coisas de mulher com a Sakura...
— Ah, tu vai falar sim. – Mebuki interrompeu – Tu é pai, Kizashi. Não fiz sozinha não.
— Mas Mebuki! A menina vai se constranger!
— E desde quando isso é problema pra você? Eu hein.
— Porcaria... – Resmungou — Pra que falar com ela? Ela é médica. Sabe se cuidar.
— Olha bem pra minha cara, Kizashi e escuta o que eu vou dizer: Ela pode ser a médica bam-bam-bam lá fora, aqui em casa ela é minha filha de 19 anos. Nossa filha. Tu é pai e tu vai falar com ela sim.
— Me alivia, Mebuki...
— Vou te aliviar sim. Começa indo tirar a mesa e termina lavando os pratos, aí você já vai ensaiando o que vai falar pra Sakura.
— Poxa, e você vai fazer nada não?
— É claro que eu vou! Tenho uma hora marcada na manicure.
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— Você ficou irritada?
Foi a pergunta de Hatake Kakashi, minutos após iniciarem uma caminhada na direção da Torre Hokage, cumprimentando um ou outro conhecido que viam no caminho. Sakura o olhou saindo bruscamente dos seus pensamentos, e Kakashi se mantinha ao lado da mulher, com as mãos nos bolsos e aparência relaxada, o quê não combinava em nada com a pergunta preocupada que ele fez.
Demorou um segundo para voltar à realidade e perceber do que o homem estava falando. Sakura soltou uma risadinha em seu nervosismo, ainda com as bochechas coradas, uniu as mãos em suas costas enquanto caminhava, desviando novamente o olhar para sua frente onde as pessoas transitavam para lá e para cá.
— É claro que não – Disse depois de um momento e Kakashi sentiu como se ela quisesse dizer mais coisas além disso.
— Você ficou silenciosa.
— Você também.
O homem maneou a cabeça. De fato...
— Fui precipitado? – Ele perguntou depois e Sakura riu novamente, pareciam estar falando por códigos, mas a verdade é que tanto ele quanto ela não sabiam muito bem como agir depois de eventos tão agitados.
— Olha, pra te ser sincera... – Sakura começou fazendo Kakashi a olhar com cautela, e nos cinco segundos que demorou para continuar, o homem passou por todas as inseguranças que poderia ter diante de um primeiro relacionamento amoroso na vida — Eu só queria que você tivesse me feito aquela pergunta quando estivéssemos a sós.
Diante das palavras, o homem relaxou um pouco.
Mas só um pouco.
— Eu posso fazer a mesma pergunta em um outro momento. – Sugeriu imaginando que, de fato, poderia ter feito melhor, e então viu Sakura lhe olhando, ainda com suas bochechas coradas.
— Mas você já sabe a minha resposta – Disse um tom mais baixo que o habitual e ele sorriu inevitavelmente.
Deram mais alguns passos em silêncio. Sakura acenou brevemente para a senhora que varria a frente de uma padaria e ele viu Iruka carregando alguns papéis enquanto andava de maneira muito focada na direção da academia ninja. Konoha ainda era a mesma, ele pensou. Parecia que nada havia mudado, mas ao mesmo tempo, quando olhava para a moça ao seu lado, ele tinha a sensação que tudo estava diferente.
E então, seu olhar se demorou nela. Contemplativo, Kakashi percebia que não apenas ele era o primeiríssimo namorado dela, mas que ela era sua primeiríssima namorada. Oh, céus... Ele tinha trinta e poucos anos e nunca havia se relacionado daquela forma. As mulheres em sua vida eram passageiras, mas Sakura era permanência. Ele queria tanto que ela fosse permanência que sequer pensou nos detalhes de um pedido de namoro. Para ele, no momento em que a beijou no céu de Líridas, tudo foi acertado.
Mas, de toda forma, agora era oficial, e bem... Ele queria todos os benefícios.
Piscou aturdida quando sentiu o homem lhe tocar, virou seus olhos na direção da pele de sua mão que recebia a dele num gesto suave de entrelaçar de dedos. Quando percebeu, estavam de mãos dadas e novamente o sangue subiu rápido para o seu rosto. Os olhos verdes surpresos o miraram, e Kakashi sorria.
— Posso?
Nem soube quando prendeu a respiração, mas assim que abriu a boca para responder-lhe o ar entrou com força em seus pulmões. Acabou balançando a cabeça em concordância, porque sua voz havia sumido de repente. Inacreditável... Ela pensou sendo pega completamente de surpresa.
— ... Sim..
Ela sussurrou em resposta de maneira mínima e Kakashi, apesar de sua própria timidez, se sentia aquecido pelas reações honesta de Haruno Sakura, que não sabia ser menos ao apertar mais firme sua mão e ele sentiu que queria beijá-la, mas a vontade sumiu rápido demais quando ela soltou sua mão da dele. A olhou confuso e a moça encolheu os ombros.
— Eu quero contar pra Ino antes, então... – A moça se explicou ainda constrangida demais e o homem relaxou novamente. É claro... Ele também deveria contar para algumas pessoas primeiro, não é?
... Não.
Seria mais interessante se Gai e Yamato descobrissem sozinhos.
— Certo.. – Ele disse com um sorriso suave. — Você tem até o final da tarde para resolver isso.
Sakura arqueou a sobrancelha.
— Como assim resolver isso?
— Ora, depois disso eu não quero saber quem vai contar pra ela. Eu quero andar de mãos dadas com a minha namorada por aí.
Ele pôde ver a fumaça saindo dos ouvidos dela e se segurou fortemente para não lhe roubar um pequeno beijo, mas não se conteve em levar os lábios para próximo ao ouvido dela e sussurrar-lhe que o apartamento dele não estava tão longe assim.
A moça abaixou a cabeça, mordeu o lábio na tentativa de segurar aquele sorriso meio nervoso, meio incrédulo que tentava escapar.
— Vou te dar uns tapas. – Resmungou numa ameaça bem humorada.
— Podemos tentar desse jeito.
É claro...
— Você é inacreditável, Hatake Kakashi. – Disse antes de se empertigar ao lado dele, apoiando uma mão no ombro do homem para alcançar o ouvido dele, sussurrando na pele exposta — Mas prefiro quando é você que me dá uns tapas.
Eles se olharam e ele adorava como Sakura conseguia falar aquelas coisas com as bochechas naquele tom de vermelho. Ele a adorava, e só por isso apontou para a rua que levava, inevitavelmente, para seu apartamento. Sakura riu, apontando para a Torre Hokage.
— Primeiro o dever, senhor. – Falou antes de saltar rápido na direção do telhado mais próximo, rumando para a o escritório de sua mestra enquanto o homem apenas riu antes de segui-la em velocidade.
Não demoraram para atingir o terraço da Torre e Sakura já estava iniciando a descida pela escadaria quando Kakashi a parou, sugerindo que entrassem pela janela para evitar pessoas no geral, e protocolos. Sakura revirou os olhos, porque ele sempre fazia isso, mas não retrucou. Se fossem enfrentar a fera, então que fizessem isso logo ao invés de se torturarem na sala de espera.
Num piscar de olhos, os ninjas adentraram pela janela panorâmica que cobria a fronte do escritório de Senju Tsunade, Godaime Hokage, que estava sentada atrás de sua mesa enquanto resmungava sobre como era improdutivo assinar tantos papeis insignificantes antes de simplesmente virar-se na direção dos dois ninjas que invadiam sua sala.
O coração de Sakura gelou quando viu o olhar brando de Tsunade, junto com um sorriso amigável que ela conhecia bem. Era o sorriso antes de algo se quebrar, e esse algo provavelmente seria ela.
Kakashi, no entanto, apenas enfiou a mão nos bolsos quando se posicionou frente à mulher, plissando seus olhos.
— Eu vou dar apenas uma chance de vocês dois me explicarem o porquê de estarem perambulando pelo País do Relâmpago durante meses ao invés de retornarem à Konoha depois de concluírem a missão!
A voz da loira começou calma, mas foi se elevando à medida que dizia aquelas palavras e Sakura foi ficando cada vez mais apreensiva. No final, Tsunade praticamente berrava em seu estado de zero paciência para lorotas, mas Kakashi resolveu que seria um bom momento para soltar um yare-yare. Sakura o fuzilou com o olhar.
O que ele tava pensando?
— Ah, bem... Isso foi algo que aconteceu. Mas a missão foi um sucesso, e tudo...
— Me poupe de suas lorotas, Hatake Kakashi! – Tsunade bradou castigando a mesa com um soco forte, produzindo uma rachadura do tampo, o que mostrava seu autocontrole — Eu dei um prazo bastante flexível para vocês terminarem essa missão e aproveitarem um pouco de Kirigakure, e aí recebo a ridícula notícia de que dois dos meus melhores ninjas estão vadiando por Kumo! Por sua culpa, Hatake, eu ainda estou presa com esse monte de papel!
— Só aproveitamos para fazer a política de boa vizinhança em Kumo. – Ele disse dando os ombros — Veja, nossa desculpa para a missão foram férias, então não fazia sentido voltar correndo para Konoha, e também pareceria que estávamos favorecendo Kirigakure em nossas relações políticas se não passássemos em outras vilas, por isso fomos a Kumo.
Que mentiroso! Sakura pensou enquanto tentava não transparecer o quão perplexa estava com aquela desculpa esfarrapada que o homem dizia com tanta tranquilidade. Olhou para sua mestra de modo cauteloso, vendo a mulher estreitar os olhos com desconfiança enquanto encarava o homem de maneira intensa. Alguém corria risco de vida.
— E isso tudo você resolveu sem sequer mantar uma mensagem para a vila? Ou melhor... Me explique o porquê de todos os pássaros que eu mandei nunca terem chegado até vocês?
Sakura franziu o cenho.
— Que pássaros? – Kakashi perguntou inocente. — Só vimos o aquele último, não é, Sakura?
A moça engoliu seco com a tensão no momento em que sua mestra a olhou.
— Sim, Shishou! Não recebemos nenhum outro aviso além daquele de quando estávamos na fronteira.
Encarou Sakura por um longo momento e a conhecia bem demais para saber que não estava mentindo, mesmo assim, manteve os olhos nela por mais um longo momento onde todos estavam em silêncio.
Exceto TonTon com seu oinc oinc.
— E por que você, Sakura, não tomou a iniciativa de me avisar sobre seus planos?
— Ah, Tsunade-sama...
— Não falei com você, Hatake. – A mulher interrompeu sem tirar os olhos de Sakura.
— P-porque eu e Kakashi achamos que p-pareceria suspeito se nós ficássemos em c-contato com Konoha durante nossas férias, e...
Oh, céus. Ela se sentiu como uma versão da jovem Hinata quando chegava perto de Naruto enquanto dizia aquelas coisas quase nervosa, e não que Sakura tivesse algum problema em contar mentirinhas, mas odiava ter que mentir justamente para Tsunade, a mulher que fez dela o que ela era.
A Hokage bufou com o ar saindo ligeiro de seus pulmões, e Sakura não fazia ideia do que se passava na mente da mulher até que viu os olhos cor-de-mel a mirarem com certo... tédio?
Não tinha muito o que fazer, é verdade.
— Desde quando você o chama apenas de Kakashi? – Questinou mais para si do que para Sakura, que parecia ainda mais desconsertada. A Hokage suspirou. – ... E a missão? Resolveram?
— H-Hai! – Sakura confirmou rapidamente, puxando o cordão que adornava seu pescoço — Recuperamos a Lágrima do Dragão sem nenhum contratempo. Tudo ocorreu como o esperado.
— E a Mei? Como ela está? – Tsunade perguntou antes de levantar-se da sua cadeira, mirando o pingente pendurado em Sakura.
— Disse que está esperando uma visita sua assim que tiver tempo. – Respondeu sentindo sua mestra tocar a pedra quando se aproximou — Ah! Deixa eu tirar isso. – Falou levando buscando o fecho do colar, mas Tsunade a interrompeu.
— Não é necessário. – Tsunade sorriu — Fique com ele.
— O quê!? Por quê!?
O semblante tranquilo da Hokage não se alterou diante da perplexa Sakura que lhe questionava as obvias perguntas. Tsunade riu daquele jeito comedido.
— É um presente meu para minha única discipula como um sinal de que seu treinamento acabou. – Tsunade disse de maneira solene olhando para os orbes verdes da moça — Eu não tenho mais nada para te ensinar, Sakura.
Soltou o ar em surpresa, seus olhos incapazes de desviar da mulher a sua frente, de repente se dando conta de que anos haviam passado desde aquele dia fatídico em que entrou naquela mesma sala, determinada a se tornar a melhor kunoichi que poderia ser. Todos os ossos quebrados, as horas que passou mediando, as injurias, os desafios... Todo aquele treino exaustivo e sobre-humano sob o qual se submetera parecia ter acontecido a tanto tempo.
Estava atordoada enquanto revia o filme da sua vida correndo diante dos seus olhos, e Tsunade, sua mestra, fortalecendo não apenas seu corpo, mas também o seu espírito. Não podia colocar em palavras a honra que foi poder atuar ao lado dela na guerra como uma igual, executando a maior invocação de Lady Katsuyu já vista, mas em nenhum momento Sakura pensou naquilo como o fim.
Para ela, Tsunade ainda tinha tanta coisa para lhe ensinar, e ela tinha tanta coisa para aprender.
— Shishou...
Disse num sussurro quase pasmo enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Aquilo era uma despedida, não apenas da pessoa de Tsunade enquanto moradora de Konoha, mas também de... Tantas outras coisas. O reconhecimento de Tsunade a acertou muito mais profundamente do que qualquer outra coisa.
— Você superou todas as minhas expectativas e se tornou uma kunoichi até melhor do que eu. Sinta-se orgulhosa, Sakura. Não chore. Lágrimas não combinam mais com você.
A mulher de cabelo cor-de-rosa engoliu o choro, mordendo seu lábio com força enquanto sentia aquele turbilhão de sentimentos se expandir dentro dela. Fungou mantendo sua postura diante da Hokage, que sorria daquele jeito duro e orgulhoso enquanto a encarava.
E era verdade... Ela não precisava chorar, não tinha porque chorar ainda que fosse de felicidade. Sakura balançou a cabeça positivamente enquanto aquela conversa silenciosa entre mestra e pupila acontecia, e quando tudo estava prestes a acabar, Sakura se curvou.
— Obrigada, Tsunade-sama. Eu vou honrar seu nome.
A loira riu.
— Você já honra.
E sentiu a mão de sua mestra passear nos seus cabelos por um breve momento antes que a mesma desse as costas, afastando-se para retornar à sua posição, mas ao invés disso, ela contemplou Konoha pela janela panorâmica do escritório, se mantendo de costas para a dupla.
— Agora me faça um favor, Sakura. – Ela disse em seu tom de voz habitual — Vá ao hospital e convoque Shizune. Não demore.
— Hai! – Sakura anuiu de maneira energética, ainda com seus sentimentos tão ferventes. Virou-se sem demora e viu Kakashi com seus olhos plissados e mãos nos bolsos. Sorriu pra ele com seus olhos e nariz avermelhados do choro que ameaçava a surgir, mas estava, como sempre, determinada a seguir os ensinamentos de Tsunade.
Não choraria.
Saiu da sala e Kakashi sorriu.
O silêncio pairou por um longo momento em que o homem via aquela cena como um daquelas fotografias em preto de branco, cheias de uma feliz melancolia enquanto a mulher contemplava todas as mudanças da sua vida. Era isso que ele sentia vendo aquela cena, que Tsunade via uma Konoha completamente diferente daquela que um dia conheceu. Dor, sofrimento, angustia... A mulher tinha passado pelos piores momentos, perdido todos ao seu redor, e mesmo assim deu tudo de si para fazer daquele lugar algo melhor.
Na verdade, ela também depositou grande parte de si mesma naquela que carregaria o seu legado, como uma aposta de que Sakura poderia se sair melhor que ela, e de fato. Ele sorriu um pouco triste também quando a viu levar uma mão até o rosto num gesto contido. O que se passava na mente dela? O que Tsunade sentia?
Ele só podia imaginar.
E então ela se virou, os olhares se cruzando em compreensão silenciosa. Ele acenou brevemente com a cabeça e ela concordou fechando seus olhos de maneira pesada antes de se sentar. Sugou o ar com força, e naquele momento, tudo ficou para trás. Quando abriu os olhos, a Tsunade que conhecia havia retornado.
— Agora somos eu e você, Hatake.
Disse com um sorrisinho de canto de quem estava pronta para quebrar todos os seus ossos na amizade.
— Yare, yare... – Ele suspirou maneando a cabeça — Devo assumir que essa missão, na verdade, não tem nada a ver com o Daimyō do País do Fogo? – Perguntou logo de cara.
— Não. Nosso Senhor Feudal realmente queria esse objeto, mas ele jamais saberia a diferença entre este e a réplica que o enviei meses atrás. Seria um desperdício deixar algo de tamanha beleza para um velho que não sabe apreciar o que a Lágrima do Dragão realmente tem a oferecer.
Kakashi arqueou a sobrancelha.
— O que? Achou que era uma missão inventada?
— Em parte sim. – Confessou com um olhar pensativo. — Não entendi por que fui mandado nessa missão.
— Não é óbvio? Sakura nunca se afastou tanto da vila estando sozinha.
— Você poderia ter mandado alguém com quem ela tivesse mais afinidade.
— E vocês não tem afinidade? – A loira perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Você acha que temos?
— Mas que diabos de conversa é essa, Hatake? – Ralhou — Se quer perguntar alguma coisa então pergunte de uma vez e pare de me fazer perder tempo!
Naquele momento, Kakashi se perguntou se todas as mulheres que se tornavam Kages eram difíceis de lidar.
— Eu só estou tentando entender por quê fui enviado numa missão quando nem mesmo um quarto eu tive direto no hotel.
...
— Ah, então você ficou chateado com isso? – Ela perguntou com aquele tom de falsa preocupação — Me poupa, Kakashi! Tu é um ninja! Se banha de ter um teto pra dormir! – Ralhou severa — Era só o que me faltava.
— O Time 10 teve quartos individuais-
— Supera Kakashi! – E bateu forte na mesa — O hotel tava lotado!
O homem maneou a cabeça enquanto ouvia a mulher resmungar sobre como as pessoas estavam perdendo a noção nos dias atuais. Kakashi suspirou.
— Além disso, por causa do seu atraso, vai ser descontado o valor do hotel nos seus rendimentos!
— O quê?
— Ah, o senhor Rokudaime achou que iria se livrar assim fácil? – Tsunade sorriu daquele jeito meio desdenhoso, meio vitorioso — Eu sei que você estava destruindo as aves de Sai, e sei que foi você que persuadiu Sakura a perambular por ai! Você quem vai pagar o hotel, e espero que você tenha noção de quanto é a diária do pacote completo num lugar luxuoso como aquele – Ela deu uma risada, que na opinião de Kakashi, soou maléfica e vingativa.
Sentiu a carteira chorar.
— Acho que podemos entrar num acordo.
— Acordo? Meu único acordo contigo, Hatake, é que você tomará posse ainda essa semana, porque eu não aguento mais lidar com esse monte de papel! – E novamente bateu na mesa, dessa vez, quebrando-a.
Essa tinha sido resistente.
— Yare, yare...
— Sem moleza! Quero você amanhã, bem cedo, vendo a costureira para confecção das suas vestes cerimoniais, e também passe no escultor para que tirem a medida do seu rosto!
O olhar desanimado pairou no rosto do homem, de repente querendo muito voltar no tempo para dar fim aquela ave antes que Sakura pudesse vê-la.
Tsunade, no entanto, apenas ignorou dando um longo suspiro enquanto resmungava irritada sobre a mesa ter quebrado, iniciando a catação de papeis ao agachar-se no chão.
— Oe, Tsunade-sama, apenas me responda uma última coisa – Pediu desistindo de tentar argumentar — Por que você pediu a Mei que tomasse conta de Sakura? Eu estava indo com ela, é claro. Não deixaria nada acontecer. – Ele falou se aproximando para ajudá-la.
— Porque você é um preguiçoso atrasado – Ela respondeu sem olhá-lo, colocando uma folha atrás da outra sem nem conferir do que se tratava.
O homem arqueou a sobrancelha e antes que pudesse responder, a porta da sala se abria com Sakura e Shizune adentrando o local – última repreendendo Tsunade por mais uma mesa quebrada em menos de três meses.
A Hokage não demorou para dispensá-los assim que Sakura retornou, terminando de catar a papelada com uma Shizune silenciosa. Quando reuniram os papeis, elas se entreolharam com uma risada cumplice e a loira se aproximou da janela quase furtivamente para ver Sakura caminhando na larga avenida, ao seu lado, Kakashi pendurava aquela mão na cintura da moça.
— Há! Eu te disse, Shizune! – Ela se virou — Azar no jogo e sorte no amor!
A outra revirou os olhos com humor.
— Acho que o ditado não é nesse tipo de contexto, Tsunade-sama.
— Dane-se o contexto, Shizune! Eu sou boa nisso! Já foi o Naruto, a Sakura... E ainda tenho mais uma semana em Konoha. Acho que consigo alguém pra menina Hyuuga.
— Tsunade-sama... – Shizune choramingou — Pare de brincar com os sentimentos das pessoas.
— Brincar? Eu tô ajudando esse bando de encalhado – Cruzou os braços com um bico, fechando seus olhos em sua birra, e então abriu apenas um na direção de sua assistente — Talvez a próxima devesse ser você...
— Não começa.
Tsunade riu.
Uma semana...
.
.
.
— Seja bem-vindo! – Sakura escutou a voz vinda detrás do balcão ao soar do sino que estava pendurado no alto da porta. Sorriu ao ouvir a voz da amiga.
— Nunca fui tão bem recebida por você em toda minha vida. – Ela respondeu com humor se aproximando.
— Sakura! – Ino disse correndo para dar a volta no móvel e abraçar a recém chegada — Minha nossa! Onde você tava esse tempo todo? Tsunade-sama estava louca querendo matar você e o Kakashi-sensei! – Ela ia dizendo enquanto apertava amiga com força.
— Não se preocupa, eu acabei de sair da Torre Hokage e estou bem viva – Disse após recuar a cabeça brevemente — Eu to com tanta saudade! Preciso te contar tanta coisa!
— Com certeza precisa! – Ino disse olhando-a como se estivesse tentando identificar qualquer mudança mínima — E precisa cortar o cabelo.
Sakura riu.
— Eu sei! Essa semana eu passo na cabelereira, mas... Ino, essa viagem... uau... Eu sinto como se ela ainda não tivesse acabado. Até agora eu tenho sido bombardeada com tanta coisa boa sabe? O tempo todo eu pensava "quando a Ino souber disso..."
Ino sorriu mal se aguentando para saber de tudo.
— Eu quero saber tudo! Você vai me contar cada detalhe desse seu sumiço! A viagem de três meses virou seis! O que aconteceu?
A loira foi tirando o avental enquanto Sakura começava do começo.
Se sentaram naqueles bancos acolchoados que eram brevemente desconfortáveis, mas Sakura não se importou enquanto estava distraída ao falar de tudo o que tinha acontecido como um longo relato e Ino se mostrava aquela ouvinte perfeita, fazendo os comentários precisos nas horas certas, cheia de expressões, risadas, provocações... Ino continuava a mesma, e era ótimo poder compartilhar todas aquelas coisas com ela.
Principalmente com a cara de chocada-porém-adorando que a loira fazia diante de certas passagens, como na aula de anatomia, ou no clichezão de uma só cama. Se abanou quando ouviu falar em Ryuuji, ficando indignada que Sakura não partiu pra cima do Lorde Feudal nem pra tirar uma casquinha. Desperdício! Foi o que ela berrou completamente imersa na narrativa da amiga, que revelou também as intenções dele.
E ainda por cima é fofo!
Sakura concordava com a opinião de Ino, mas não tinha muito o que fazer desde que ela queria mesmo era o Hokage preguiçoso que a acompanhava. E a loira apenas riu nervosa, sem acreditar que eles tinham passado noites dormindo juntos e não tinham dado umazinha sequer até o final da estadia no hotel. Caso perdido, ela disse para Sakura com seu olhar de reprovação, ressaltando também que quando falou que ela precisava transar com um jounin gostoso, ela estava falando dos jounins de Kiri.
Só Sakura mesmo para estar numa vila cheia de homem bonito, com um Daimyō gostoso – ela tinha noção do quão raro era encontrar algo assim? – dando em cima dela, e todo aquele sol, praias e caras bronzeados... E mesmo assim acabar pegando a única alma Konohagurense que havia no recinto.
Ali gostava da culinária da terra.
Tudo bem, a loira admitiu que Kakashi tinha lá seu charme, mas disse também perto dos homens lindos de Kirigakure, o sensei se tornava apenas um cara branquelo com cara de quem não queria estar ali.
— Apesar de você ter distorcido minhas palavras, eu estou contente que você pelo menos transou com alguém que não fosse o Kiba.
Sakura revirou os olhos com humor antes de olhá-la com um sorrisinho.
— E vou continuar transando porque fui pedida em namoro esta manhã.
— QUÊ?
E Sakura não parava de surpreendê-la.
O papo rendeu, e Ino se acabou de rir com o pedido malfadado de namoro. Também se emocionou com a conclusão definitiva do treino de Sakura, sentindo-se orgulhosa pela amiga. Elas conversaram por horas enquanto a Yamanaka se divertia com tudo o que era dito e sem conseguir desgrudar da amiga, a convidou para almoçar num restaurante popular bem pertinho da floricultura. Sentaram, as duas, numa mesa perto da janela.
— Sabe, é meio esquisito te ver falando Kakashi. Digo, sem o sensei junto.
— Sério? Pra mim foi tão... normal. – Deu os ombros — Como sei, sei lá...
— Sei lá. – Ino repetiu provocativa, encarando a amiga que apenas revirava os olhos, bebericando a água que pediram antes da refeição — Mas me conta, quem é melhor na cama, Kakashi-sensei ou Kiba?
— Puta que pariu, Ino! – Ela engasgava, tossindo e batendo no próprio peito.
— Pensando bem, eu sempre achei que você preferiria gatos, mas agora acho que você é dog type.
— Ino, cala a boca. – Ela riu em seu resmungo.
— E nem começa com essa de puritana pra cima de mim. Eu sempre te falo do meu rank, quero saber do seu. Mesmo que sejam apenas dois. – Completou maneando a cabeça.
— Ino, pelo amor do Rikkudou... Eu não vou comparar os dois! Não tem nem comparação!
A loira soltou uma longa risadinha antes de recostar na cadeira com sua expressão de sabe-tudo.
— Obrigada pela resposta, testuda.
Sakura abriu a boca para retrucar ao perceber que, é, ela meio que deu uma resposta, mas ainda queria dizer para Ino calar a boca. A verdade é que ela só estava muito feliz de poder conversar daquele jeito com alguém, porque sua amiga loira e linda sempre era a melhor das companhias, principalmente num almoço, entretanto, estavam num restaurante popular no centro, sentadas à janelona do lugar enquanto esperavam pela refeição.
É claro que alguém iria aparecer.
— Falando no diabo... – Ino resmungou arqueando a sobrancelha e Sakura girou sua cabeça para ver Inuzuka Kiba entrando no lugar com Akamaru à tiracolo.
O cabelo estava um pouco maior, mas ainda o mesmo Kiba que se lembrava, usando um casaco de capuz ainda que fosse apenas o começo do outono. O homem se escorou no balcão, falou com o atendente de maneira polida e então, inevitavelmente o olhar dele pendeu para a garota de cabelo cor-de-rosa.
Sorriu daquele jeito malicioso antes de iniciar um desfile na direção da moça. Na opinião de Sakura, Kiba era gato, o que era irônico já que ele era um cachorrão, mas havia algo nele que quebrava todo o clima de garanhão comedor que ele deveria ter.
— E ai, rosinha. – A voz esganiçada soou quando ele chegou na mesa, e aquilo foi bizarramente nostálgico — Finalmente voltou, hein?
— Argh... — Essa foi Ino sem suportar o jeito com que ele se lançava para Sakura.
— Ah.. e aí, Ino? Tá gostosa como sempre...
— Me erra, Kiba.
Sakura riu.
— Voltei de madrugada. – Respondeu antes que Ino tivesse vontade de matá-lo — Como você tá?
— Como sempre, apenas indo e vindo. – Deu os ombros — E você? Sentiu saudade do cachorrão aqui?
A loira revirou os olhos com exagero enquanto soltava um daqueles ruídos de nojo e reprovação, ao passo que Sakura apenas tentou não rir.
— Ai, Kiba... Ouvindo você aqui e agora, acho que tive saudades sim – Confessou porque, bem, ele era seu amigo afinal e estavam passando bastante tempo juntos — Mas não como você está imaginando.
— Não precisa ser como eu imagino, Sakura. Adoro quando é você que dá as ideias. – Piscou o olho e Sakura teve que colocar a mão sobre a boca delicadamente, porque ela só queria rir.
Mas Ino estava achando tudo grotesco!
— Kiba, não vão ter mais ideias. – Ela respondeu com sua voz o mais gentil e sincera possível — Eu tô namorando. – Disse de uma vez.
Viu o homem recuar brevemente em surpresa e Ino pareceu, finalmente, se interessar pelo olhar confuso do Inuzuka.
— Quem?
Era a pergunta de um milhão de ryōs.
— Kakashi.
Estreitou os olhos para a moça e era como se equações matemáticas e análises geométricas estivessem passando em sua mente naquele momento. Kakashi? Hatake Kakashi? O Copy-nin? Futuro Hokage?
— Kakashi-sensei?
— O próprio.
Precisou de um segundo para a surpresa de Kiba se esvair e dar lugar a um sorriso largo de quem estava achando tudo tão...
— Caralho, rosinha! Homens mais velhos, é isso aí!
Ino voltou a revirar os olhos e Sakura encolheu os ombros.
— Aconteceu.
— Você é jogo duro, doutora. – Falou como se a mulher estivesse em um novo patamar. Como se ela fosse um brother e tivesse acabado de pegar alguém muito além do alcance de todos.
— Pois é, Kiba – Ela disse sem saber muito bem como responder aquilo, algo que acontecia com certa frequência nos diálogos que tinha com ele, mas que sempre eram divertidos de algum modo — Então eu espero que possamos ser amigos sem os benefícios.
— Mas com certeza! – Kiba respondeu sorrindo, e quando abriu a boca para continuar, o atendente o chamou no balcão. Pedido pronto. — Tenho que ir, mas depois você me conta da sua viagem.
— Vamos marcar!
Ele anuiu com um gesto de cabeça, virando o corpo para ir embora, mas hesitou. Sakura arqueou uma sobrancelha enquanto o olhar dele pendeu para Ino por tempo o suficiente para que a mulher tivesse que olhar de volta.
— Que é?
— Você contou pra ela?
— Cala a boca, Kiba.
— Contou o quê? – Sakura perguntou enquanto os dois tinham uma espécie de conversa com o olhar e então, a moça de cabelo cor-de-rosa teve um insight — Vocês tão transando?
— Não! – Ino respondeu indignada — Eca!
— Mas quando você quiser, o cachorrão vai tá pronto pra você – Kiba emendou.
— Me erra, Kiba!
O atendente o chamou mais uma vez, e Kiba teve que sair correndo logo após lançar uma piscada sacana na direção da loira, que o retribuiu com o dedo do meio e sua unha bem polida. Sakura deu uma risada enquanto a amiga praguejava de maneira não muito educada, então finalmente suspirou.
— Certo, se vocês não estão transando, o que você não me contou?
Ino revirou os olhos.
— Sakura, esquece o que o retardado disse. Desde quando o Kiba fala alguma coisa que preste?
— Ino... O que tá acontecendo? – Perguntou mais direta, mais séria.
— Cachorro sardento – Ino resmungou com mau humor — Testuda, você não deveria saber disso por mim, sabe?
— Que tipo de informação é essa que logo você não pode me contar?
— Por favor, Sakura... – A outra implorou — Eu realmente quero te dizer, mas eu acho melhor o Naruto...
— O que aconteceu com o Naruto? – A voz era urgente.
— Nada! Ele tá bem! Tá todo mundo bem! – Ino disse apressada enquanto os olhos verdes a miravam com total foco. — Só que.. Sakura, eu acho melhor ele te contar.
— Ino, desembucha!
Viu a amiga hesitar. Parecia querer contar, mas algo a impedia. Nesse meio tempo, o pedido do almoço finalmente chegava à mesa, e assim que o atendente se foi, Ino percebeu que o olhar de Sakura não havia mudado. Maldito Kiba e sua boca enorme.
— Tudo bem... – Ela deu os ombros — Olha, muita coisa aconteceu por aqui também no tempo que você ficou fora, e uma delas foi o julgamento do Sasuke-kun.
Sakura gelou, olhado para a amiga com cautela.
— Ele foi absolvido, é claro. Sasuke-kun é um homem livre para integrar a sociedade e seus crimes foram perdoados pelas cinco nações. – Ino disse e Sakura sentiu nada mais que alivio — Ele ficou um tempo na vila para resolver a papelada, mas logo deixou claro que a intenção dele era fazer uma viagem para... eu não sei, algo como redenção? – Deu os ombros — Você sabe que ele é sempre muito filosófico com essas questões...
— Ino, foco.
— Ok. Certo. É... Então, o Naruto não desgrudou dele até o último segundo dele na vila, e aí, no portão Leste, eu lembro bem – Disse como se tivesse presenciado a cena, o que não era o caso. Tinha sabido tudo por Genma, que soube de tudo por Kotetsu, que era o porteiro naquele dia – O Sasuke-kun, antes de partir, se confessou para o Naruto.
...?
— Se confessou? Como assim? – Franziu o cenho em confusão.
— Ele disse que ama o Naruto. – Ino revelou cautelosa — Com essas palavras. – Ressaltou vendo a expressão receosa de Sakura enquanto ela abria e fechava a boca repetidas vezes.
Como assim??
— Ama como um companheiro de time? – Perguntou cautelosa e Ino fez uma careta enquanto balançava a cabeça negativamente — Como um amigo...? – A loira continuou com sua expressão ouvindo a amiga sugerir — Um irmão? – E Sakura via Ino manear a cabeça, como se estivesse no caminho, mas ainda distânte do ponto. — ... Um amante?
E a loira concordou com a cabeça ainda muito atenta a expressão chocada de Sakura, que tinha o queixo no chão enquanto recostava na cadeira completamente pasma. O ar escapou da moça juntamente com risadas nervosas ao passo que seus olhos viajavam pelo local sem realmente enxergá-lo. Demorou um longo momento até que voltasse para Ino, maneando a mão como se não soubesse o que dizer direito.
— Eu sei, amiga. – Ino disse em compadecimento da reação da moça.
— Um filme tá passando na minha cabeça, e agora tudo tá fazendo muito mais sentido. – Sakura revelou antes de se aproximar novamente da mesa, segurando no tampo enquanto olhava completamente surpresa — Sasuke-kun é gay. – Sussurrou depois de uma risada nervosa.
— Ai, no fundo eu sabia. Quando me contaram eu fiquei surpresa, mas parte de mim só ficou... Sabe? Você já sabia disso, Ino.
Sakura concordou com a cabeça.
— Nossa... Eu to completamente atordoada, mas ok! Sasuke-kun é gay! – Disse mais convicta, se acostumando com a ideia de que sofreu anos por um cara gay — Mas e o Naruto? Quando o Sasuke-kun se confessou, o que ele disse? Como ele reagiu?
— Sakura, pelo amor do Rikkudou! Como você acha que ele reagiu? – Ino perguntou como se fosse óbvio enquanto se servia de tudo na mesa — Ele ficou chocado na hora, mas ai eles meio que se acertaram.
— Se acertaram? Conta essa história direito, Ino!
— Eles se acertaram, Sakura! Meio que o Naruto tá esperando pelo Sasuke-kun. – Deu os ombros — Hinata tomou um porre nesse dia... Teve que dormir lá em casa. Ela bebada é um saco.
— Owww... Naruto é gay?
— Sakura, eu acho que sim, não sei! Talvez ele seja bi, já que ele tinha um crush em você. – A loira suspirou — Meio que você vai ter que perguntar pra ele, eu acho. Ou não. Mas se fosse o Shikamaru ou Chouji, eu perguntaria.
— Caramba... – Sakura disse recostando novamente na cadeira enquanto a amiga começava a comer – Passei seis meses fora, mas parece que eu não piso aqui a cinco anos.
— É amiga, as reuniões do time 7 vão ser encontros duplos – Ino disse dando uma longa risada e Sakura revirou os olhos.
— Só falta você me dizer que o Yamato-taichō e o Sai tão se pegando também – A outra comentou com uma risada enquanto se preparava para fazer seu prato.
— Então...
— Sério?
— Não, eu tô brincando. Mas eu peguei o Sai, e... Nota 5.
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Dias se passaram, coisas aconteceram, e a vida continuou.
Tsunade finalmente se livrou de todas as responsabilidades enquanto Hokage, e Kakashi assumiu como novo líder da folha, encobrindo um pouco o furdunço causado pelo novissimo casal da Vila da Folha: Hinata e Rock Lee.
Aparentemente as habilidades casamenteiras de Tsunade eram muito boas, mas isso não significava que ia ser fácil para os dois, afinal, Lee era um ninja sem nenhuma estirpe, enquanto que Hinata era a herdeira de todo um clã tradicional e de renome. Mesmo assim, o casal estava formado.
Sakura também inicou seus planos para a Clínica Infantil de Assistência Médica Mental do Hospital de Konoha, juntamente com Ino, que não cansava de se envolver em diversos projetos. Seja trabalhando na floricultura, ou enfurnada na divisão de inteligência, a loira estava sempre em movimento. Naruto também estava se dedicando à seu sonho, estudando para se tornar chunnin o quanto antes, e Sasuke às vezes estava na vila, às vezes não.
Quanto a Kakashi... Esse tinha que sair de casa arrastado por um ANBU, e apesar de enrolar para começar o trabalho, mas era tão eficiente no trabalho que Konoha estava mudando do dia para a noite. Sempre havia algo novo para ser construido por ai, ou alguma melhoria estrutural. Kakashi estava sendo um ótimo gestor, e não tinha perdido suas habilidades ninja, como a furtividade, já que invadia a casa dos Harunos na calada da noita sempre que podia e nunca tinha sido pego.
Naquela noite, entretanto, Haruno Sakura havia contado uma mentirinha para os pais, usando um plantão como desculpa para ficar na casa do Hokage enquanto eles dividiam aquela garrafa de cachaça, sentados no chão da sala do apartamento do homem. Era forte, como ela prevera, mas ainda assim o gosto era incrivelmente dominante. Sakura adorou, e adorou mais ainda as caretas de Kakashi ao virar as doses naqueles copinhos.
Na segunda dose, Kakashi já parecia alto, e na terceira, o homem já estava falante o suficiente, mas Sakura quis garantir, e deu apenas uma quarta dose, só para se certificar que o efeito ia durar, e então ela tinha, diante dela, um homem com a lingua embolada que estava falando demais sobre qualquer assunto.
E ela estava adorando.
— Me conta logo o que você vai dar pra eles... – O homem pediu falando palavra por palavra de um jeito tão moroso que fazia Sakura querer rir.
— Não! Você vai roubar a minha ideia. – A moça disse comendo um daqueles salgadinhos que tinha levado para a noite de bebedeira.
— Você é minha namorada! Deveria me ajudar a escolhar alguma coisa – Ele resmungou gesticulando de um jeito que ele nunca faria — Sakura... Me ajuda...
Ele disse tombando a cabeça para o lado, o corpo indo junto. Sakura riu com humor e nervosismo, puxando o braço dele para que ele não tombasse de vez, e o homem continuou seus protestos de como ela deveria ser mais complacente com a situação dele.
— Eu não sou criativo. Não sei o que comprar. Tudo parece ruim. Sakura... Sakura... Você devia me ajudar! Por que você não me ajuda? Por que você não gosta mais de mim?
— Meu bem, calma – Ela riu — Tá bom, tá bom! Vamos dar um presente juntos, ok? Eu ponho seu nome na etiqueta. – Disse olhando para ele de maneira quase didática, movendo a cabeça para cima e para baixo com Kakashi seguindo seu gesto para mostrar que estava acompanhando a fala dela. — Certo? Vamos dar um presente como um casal.
— Certo – Ele disse com um sorriso largo, bonito e bebado. — Mas o quê eu vou dar pra eles...? Sakura, eu preciso saber! Eu não posso dar algo que eu não sei o que é! Por que você não me fala? Por porque você não gos-
— Vamos dar uma câmera fotográfica – Interrompeu antes que a chantagem emocional começasse — O Sasuke-kun não fica tanto tempo assim na vila, então nos momentos em que estiver, ele e Naruto podem tirar algumas fotos para recordação.
— Você é tão criativa. – Ele disse olhando para ela como se estivesse fascinado — Tudo que você faz é tão lindo. Você é tão linda.
A moça mordia o lábio e nem conseguia corar diante daquilo, porque era apenas engraçado.
— Sabe de uma coisa, Sakura? – Kakashi disse, de repente sério — Naruto tá é certo! Pra quê esperar? – Disse gesticulando daquele jeito exagerado enquanto se levantava.
— Ei, vai pra onde? – Ela perguntou antes que ele pudesse se pôr de pé.
— Na Torre Hokage! – Respondeu convicto — Eu vou pegar aquele chapeu e vou dar pro Naruto!
— Hein? Por quê?
— É o meu presente de casamento! Naruto vai ser hokage!
Se estivesse tomando alguma coisa, Sakura teria cuspido tudo fora de uma maneira nada educada, porque a gargalhada que lhe escapou não foi nenhum pouco discreta.
— Kakashi, faz isso amanhã, tá?. – Ela pediu colocando a mão no joelho dele — A gente combinou que seriamos só nós dois essa noite. Sem trabalho. Então amanhã você pensa nisso.
Amanhã você ri disso.
— ... Certo... – Concordou meio a contra gosto — Mas assim que eu fizer isso, nós dois, eu e você, vamos pra Suna.
— Suna? O que vamos fazer lá?
— Viajar! Nós vamos viajar! Eu vou te levar em todos os lugares do mundo! – Disse daquele jeito certo, batendo na mesa enquanto Sakura apenas ouvia achando tudo tão fofo — Eu já viajei tanto, e vi tanta coisa, mas tudo com você é novidade, então... Então... Sakura, vamo viajar. Vamo ganhar esse mundo. Vamo ser feliz junto, só eu e você.
— Certo, vamos viajar – Ela disse com um sorriso porque não podia rir daquilo — Vamos ser felizes juntos.
— EU JÁ SEI! – Ele bateu na mesa de centro — A gente podia casar também!
— O que? – Riu.
— Vamo casar, Sakura! – Disse se levantando — Eu vou pegar o formulário de casamento na torre, e ai a gente assina, eu carimbo e casados.
Oh, céus... Sakura se sentia envergonhada, mas a risada insistia em escapar. Uma risada um tanto nervosa, um tanto divertida. Ainda era um pedido de casamento e isso tinha impacto, mas a cena era cômica o suficiente para que ela pudesse deixar o impacto para lá e focar no humor.
— Kakashi, eu acho que você não pode carimbar sua prórpia certidão de casamento – Ela disse encolhendo os ombros — Acho que vamos ter que esperar Naruto virar Hokage, amanhã.
O homem a olhou pensativo, soltando aquele ruído caracteristico enquanto encarava fixamente os olhos verdes.
— Eu vou chamar o Shikamaru. Ele carimba. – Disse balançando a cabeça positivamente.
— Vamos precisar de testemunhas.
— Eu chamo o Yamato! Pode ser o Gai! Ou, ou... A INO! A Ino é sua amiga!
— Eles estão dormindo, Kakashi.
— A gente acorda eles! Eu sou o Hokage! Eu posso acordar eles!
Sakura riu.
— Só em emergências.
— ISSO É UMA EMERGÊNCIA! EU VOU CASAR!
A moça colocou a mão sobre a boca tentando segurar a risada longa que queria escapar bastante estridente.
— EU JÁ SEI! SAKURA! – Ele disse mais animado — Vamo chamar a Tsunade.
— Tsunade-sama?
— Sim! Ela que nos juntou! Ela que me fez fazer essa viagem maravilhosa com você e você é tão incrível. Sakura, eu sou tão sortudo. – Disse todo apaixonado, se agachando perto dela para segurar sua mão. — Vamos chamar a Tsunade, amor.
— Eu acho que ela tá lá no País da Água – Sakura disse — Podemos mandar uma carta amanhã.
— Ela tá no País da Água?
— Eu acho que sim.
— Sakura! SAKURA! ISSO É PERFEITO!
E ela amava toda vez que ele falava daquele jeito impressionado, como se acabasse de ter a melhor ideia do mundo.
— A TSUNADE E A MEI PODEM SER NOSSAS TESTEMUNHAS! VAMOS CASAR EM KIRI DURANTE O FESTIVAL!
Céus... Sakura não tinha palavras para descrever o nível de fofura que acertou seu coração em cheio naquele momento, porque o bebado Kakashi estava com os olhos brilhando naquele deslumbramento enquanto planejava o casamento deles em Kiri. A moça deu uma risadinha daquele homem bebado e empolgado, beijando-o de leve antes de sorrir para ele.
— É realmente perfeito, mas vamos ver os detalhes disso amanhã, tudo bem?
— Tudo bem! – Concordou sorrindo — Mal posso esperar pra ver você de novo, sob aquele mar de estrelas, e tão linda... tão bonita! Eu te amo tanto, Sakura. Eu te amo. Céus... Eu te amo!
Ele podia não ter se tocado, mas era a primeira vez que dizia aquelas palavras para ela, e só por isso Sakura precisou de um momento para absorver aquilo, beijando-o mais intensamente enquanto o que fora dito se espalhava por ela. Quando o beijo cessou, Kakashi logo avançou novamente querendo mais, mas ela recuou brevemente, olhando-o divertida.
— Será que você vai lembrar disso amanhã? – Perguntou quase contra os lábios dele.
— Sim. Eu vou lembrar de tudo – Ele respondeu sem desviar.
Sakura riu, beijando-o brevemente.
— Espero que lembre, então, que eu também te amo.
O homem sorriu.
— Disso eu nunca vou me esquecer.
E de fato, nunca esqueceu.
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HEY GUY! 3
Voltei pra finalizar essa história e agradecer pelo carinho de todas vocês! Em breve respondendo todas as reviews 3 OBRIGADA POR CONTINUAREM COMIGO, E VEM MAIS FANFIC POR AI! ME SEGUE 3
