Capítulo 19 – O início de nossas vidas

- Chamo a corte o senhor Severus Prince Snape.

A voz do Ministro da Magia ressoou forte pelo recinto. Todos que estavam ali naquele lugar de julgamento olharam imediatamente para o homem sentado no fundo do local. Snape respirou fundo, ergueu a cabeça, apertou de leve a mão de Hermione que estivera a todo momento ao seu lado e a olhou nos olhos.

- Vai dar tudo certo, Severus. – Disse a menina dando-lhe um fraco sorriso.

- Se não der, saiba que não me arrependo de nossos momentos. – Sussurrou o bruxo levantando-se e arrumando o terno negro que vestiu para aquela ocasião.

Enquanto caminhava-se para a cadeira onde os julgados e testemunhas se sentavam perante o Ministro, Snape se mostrou firme, não havia em seu olhar ou passo nenhum resquício de vulnerabilidade. Ainda que aquele julgamento fosse para decidir se ele, como comensal de Voldemort, ficaria em liberdade ou seguiria para Azkaban onde seria preso por anos a fio.

Snape se sentou na cadeira com a postura ereta, a cabeça levantada e os olhos firmes, suas mãos repousaram nos encostos e ele aguardou, ao fundo era possível ouvir os batimentos de Hermione, nervosa com o que poderia acontecer com ele. Nem bem conseguiram voltar para a casa que agora era dos dois e o Ministério apareceu exigindo que ele comparecesse ao julgamento no dia seguinte cedo sem falta.

Aproveitando-se da queda de Voldemort, o novo Ministro, querendo mostrar serviço ao mundo, apressou os julgamentos dos comensais capturados e daqueles que eram cumplices de alguma forma, Snape se encaixava nesse último, uma vez que estava em serviço do Lord das Trevas, ainda que tenha sido peça chave para que a resistência se erguesse e assim conseguissem invadir a Mansão Malfoy.

Todos ignoravam como Voldemort havia morrido e que era apenas por culpa do amor de Hermione por ele que bruxo das trevas tinha morrido. O novo Ministro fazia questão de apenas dizer que Voldemort estava morto e assim fazia parecer que os aurores do Ministério tinham feito um ótimo trabalho. Hermione se enfurecera com isso, mas Snape apenas queria deixar tudo para trás e seguir uma vida ao lado da mulher que ama, sem que alguém mais o ordenasse a fazer tarefas que exigiam o seu limite.

- Temos a frente o senhor Severus Prince Snape. – Começou a dizer o porta voz do Ministro. – 38 anos, estudou os sete anos em Hogwarts, se formou com honras, trabalhou como garçom no Cabeça de Javali antes de se candidatar a professor em Hogwarts em 1981 e assim lecionar Poções até o final do ano letivo em 1996. No mesmo ano, lecionou Defesa Contra as Artes das Trevas no início do novo ano letivo, tornando-se diretor de Hogwarts em 1997 e ficando no cargo até a queda de Você-Sabe-Quem. O senhor confirma essas informações?

Snape respirou fundo, ele conhecia muito bem sua vida, não precisava que um engomadinho do ministério lhe dissesse cada passo seu, seu passado ainda estava bem nítido em suas lembranças e apesar de querer lançar algo ferino para aquele homem, apenas respirou fundo e disse um sonoro "Sim"

- O senhor confirma também que desde sua adolescência afiliou-se a Você-Sabe-Quem, tornando-se um comensal da morte?

- Sim.

- E permaneceu em seu cargo de comensal da morte até a queda de seu mestre, sendo até mesmo seu braço direito?

- Sim.

- Obrigada pelas confirmações.

Snape revirou os olhos quando o homem se sentou, é claro que eles deixariam tudo aquilo que fizera pelo mundo bruxo de fora, o interesse do Ministério era demonstrar que estavam a todo vapor prendendo os responsáveis por todo o sofrimento dos bruxos de bem. Ele não era um bruxo de bem, nunca fora e a sua captura diria muito para o mundo. Não podia negar que Snape era um nome forte para se estampar no jornal do dia junto com uma imagem sua na prisão. O mundo bruxo iria a loucura. Apesar disso, Snape estava calmo. Sentia dentro de si que qualquer culpa que quisessem jogar para cima de si, era merecida. Ele fizera muitas pessoas sofrerem, matara Dumbledore, não conseguiu ajudar Harry Potter a ficar vivo e muito antes disso, fora o responsável pela morte de Lilian Evans e Tiago Potter. Suas mãos estavam mais do que manchadas de sangue, estavam mergulhadas nele. Se sua sentença fosse viver o restante de sua vida em uma cela podre tendo em companhia seres como os Dementadores, ele aceitaria, assim poderia senti-los lhe roubando a única felicidade que tinha que eram as lembranças de Hermione e assim talvez em algum momento, enquanto definhasse, poderia sentir que finalmente pagara sua dívida com todos aqueles que matara.

A única coisa que se arrependia, era não ter se entregado antes para Hermione, assim poderia ter aproveitado mais o tempo junto com aquela menina, a menina de seu coração, a única dona de seu amor.

- Senhor Snape, estamos aqui para julgá-lo pelos seus crimes como comensal da morte e braço direito de Você-Sabe-Quem. Seus crimes vão de espionagem até assassinato. O senhor nega?

Hermione quicou de nervoso no banco levando as mãos a boca e mordendo o dedo.

- Não, senhor Ministro, eu não nego. Eu espionei Dumbledore a pedido do Lord das Trevas e cometi crimes em seu nome quando me era ordenado.

- Um comensal sincero, que milagre. Todos os anteriores negaram todo os crimes.

- Não tenho pretensão de fugir do que sou responsável, senhor Ministro.

- Bom, isso facilita minha vida. – O novo ministro deu um sorriso medonho, era claro que ele estava adorando o fato de ter em suas mãos a liberdade de Severus Snape. Aquela prisão só faria com que sua candidatura perdurasse por mais tempo. O homem estava propenso a condenar Severus para sempre se aquilo o levasse ao topo do poder. – Senhor Snape, o senhor tem alguma testemunha de defesa?

Hermione se ergueu no banco, ela dissera que iria testemunhar por ele, diria toda a verdade desde o início, diria quem havia realmente matado Voldemort e como, seria a seu favor, diria os motivos do professor. Ela faria aquilo por ele e Snape sabia que sim, e por esse motivo o ex diretor de Hogwarts apenas balançou a cabeça negativamente.

- Eu sou testemunha dele. – Gritou Hermione no fundo da sala. – Eu estou aqui para depor a favor desse homem.

- Senhorita Granger, ficamos muito aliviados ao descobrir que estava viva e mais felizes ainda em saber que estava junto com os aurores na mansão Malfoy ajudando a derrotar Você-Sabe-Quem. Mas peço que mantenha-se quieta enquanto procedo com esse julgamento.

- Mas eu sou a testemunha dele.

- Sinto muito, mas pelo que sei, a senhorita era uma serva desse homem, sendo assim não pode testemunhar nesse tribunal, pois seu testemunho pode não ser verdadeiro, uma vez que em seu lugar de serva tem que fazer o que seu dono ordena. Por favor se sente, ou pedirei que se retire.

- Severus. – Sussurrou Hermione sendo rodeada por três aurores que a forçaram a se sentar.

- Não toquem nela. – Disse Snape sentindo dentro de si uma raiva esquentá-lo. Poderia ir para Azkaban, mas não permitiria que tocassem em Hermione. Não em sua Hermione.

- Senhor Snape, permaneça em silêncio e fale apenas quando ordenado ou o prenderemos a essa cadeira para terminar o julgamento.

Snape viu as correntes tilintarem ao lado, estavam prontas para enlaçar seus braços se tentasse se mover. Suas mãos fechadas em punho se abriram aos poucos e olhou para o ministro com olhos perfurantes de raiva.

- Bom, pelo que vejo, não há testemunhas para falar pelo senhor e como o senhor mesmo não nega seus crimes, não me resta mais nada a fazer a não ser condená-lo a prisão perpetua em Azkaban.

Snape fechou os olhos quando o grito de desespero veio do final da sala, Hermione chorou seu nome e somente quando o grito parou de ecoar pelo ressinto que ouviu ao longe aquela voz que tanto conhecia. Era autoritária e estava muito zangada. Snape sabia o que aquela mulher podia fazer quando estava com raiva.

- Essa palhaçada acaba agora!

Quando Minerva McGonagall entrou naquela sala parecia que o próprio Dumbledore estava ali, a aura forte que vinha dela era quente e eletrizante. Seus olhos azuis estavam escuros e firmes, sua boca crispava e a varinha estava devidamente segura em seus dedos. Ela estava com trajes verde musgo com um chapéu preto no topo da cabeça, seus cabelos estavam presos com algumas mexas soltas. Apesar da idade ela marchava fortemente até a frente do Ministro, olhando-a dessa forma, parecia que a bruxa tinha crescido o dobro de sua altura. Naquele momento ela era a bruxa mais poderosa que estava ali e Snape sabia que se Minerva McGonagall quisesse derrotaria todos os aurores daquele lugar com os olhos fechados.

- Como ousa invadir meu julgamento! – Disse o novo ministro se erguendo.

- Um julgamento sem pé nem cabeça, sem nenhum motivo ou fundamento perante as leis de nosso mundo. – Retrucou McGonagall entregando um pergaminho para Mafalda Hopkirk, sentada ao lado do ministro. – Onde já se viu um Ministro fazer um julgamento fechado e sem registrá-lo no departamento de aurores? Onde estava com a cabeça em pensar que poderia agir como Deus e sair sentenciando pessoas sem uma verificação adequada de seus atos? Cadê a investigação do ministério, senhor Brown? Eu digo onde está, não há nenhuma investigação. O senhor, que subiu ao cargo ontem, cometeu a loucura de forjar arquivos e manipular esse tribunal para que homens fossem condenados apenas para que o mundo bruxo o elegesse como um salvador.

- Que absurdo! Prendam essa mulher! – Ordenou o ministro para os aurores que estavam perto de McGonagall.

- Não se atrevam a chegar perto dela! – Disse Snape furioso, independente de qualquer coisa que já acontecera ou viesse a acontecer no relacionamento dele com a bruxa, jamais permitiria que tentassem subjugá-la. McGonagall poderia não saber, mas Snape a tinha com grande apreço e respeito, talvez até carinho. Por isso o bruxo tentou se levantar, mas as correntes da cadeira o prenderam com força. – Seu maldito!

Enquanto tudo acontecia, Mafalda Hopkirk terminava de ler o pergaminho dado por McGonagall. A mulher engoliu em seco e se ergueu, levantando a mão fazendo todos silenciarem. Com um aceno de varinha as correntes que prendiam Snape largaram-se no chão sem serventia. O homem rosnou em direção ao Ministro e se ergueu mexendo em seus pulsos enquanto olhava para o fundo da sala e via um auror segurando Hermione pelo braço.

- Por favor, solte a senhorita Granger. – Ordenou a senhora Hopkirk quando viu Snape indo na direção da menina. – Senhorita Granger, por favor se aproxime. – Hermione se aproximou ficando ao lado de Snape e McGonagall que lhe deu um sorriso cumplice.

- Mafalda, exijo que me explique o que é isso? Por que está passando por cima de minhas ordens?

- Porque o senhor não é mais o Ministro da Magia, senhor Brown.

- O que? Que absurdo é esse? Eu fui escolhido pelo conselho majoritário do ministério.

- Não, não foi. – Disse a mulher olhando firmemente para o homem. – Esse pergaminho tem provas que o senhor forjou todas as assinaturas do conselho, devo dar os parabéns pela façanha, pois os arquivos têm um feitiço muito poderoso exatamente para que não exista esse tipo de ato. O senhor se alto elegeu Ministro da Magia e sem embasamentos está mandando pessoas para Azkaban.

- Culpados, comensais, assassinos, como Snape.

- Severus Snape cometeu muitos erros em sua vida. – Disse McGonagall dando um passo a frente e falando para todos os presentes no recinto. - Mas foi devido sua coragem que a resistência cresceu e conseguimos combater as forças das trevas, e foi por causa dele que Voldemort fora derrotado de vez. Apesar do caminho torto e tortuoso, esse homem que vocês estavam prestes a mandar para definhar em Azkaban foi quem salvou a vida de vocês. A vida de todos os bruxos de bem desse país, pois só Merlin sabe o que ainda aconteceria conosco se aquele monstro continuasse no poder.

- Senhor Brown, o senhor está preso por falsidade ideológica, todos os julgados pelo senhor desde ontem serão libertados e aguardarão um julgamento correto após investigação de nossos aurores.

- Não podem me prender, eu sou o ministro.

- Não de acordo com esse documento. – Disse McGonagall apontando para o pergaminho entregue a Hopkirk. – O conselho votou e ela será a nova Ministra da Magia da Inglaterra.

O ex novo ministro foi levado pelos aurores e era possível ouvir seus gritos no corredor.

- Não acredito que ele conseguiu forjar aquelas assinaturas. – Disse Hopkirk. – Ele estava fora de controle, mandando bruxo atrás de bruxo para Azkaban. Que sorte ter chego justo nesse momento Minerva, mais um pouco e o senhor Snape iria para Azkaban. Senhor Snape, por que não se defendeu?

- Porque eu não tinha do que me defender. Não nego meus crimes, senhora Ministra.

- Um homem com princípios. Muito bem. Como eu disse, todos os comensais serão investigados e apenas aqueles com flagrante de crime serão presos temporariamente no Ministério para aguardar o julgamento. Os outros aguardarão em liberdade. Pode ir para casa, senhor Snape.

Snape não aguardou mais tempo, acenou respeitosamente a Ministra, pegou Hermione pela mão e se dirigiu ao elevador, pegando sua varinha de volta na saída do tribunal.

- Severus, espere.

- O que quer Minerva? – Disse Snape sem olhar para a bruxa que se aproximava.

Antes que McGonagall pudesse falar o elevador chegou e os três adentraram ao mesmo. Por um momento ficou um silêncio constrangedor até que Snape virou-se de frente para McGonagall e olhou fundo em seus olhos.

- Sei o que vai dizer e não precisa. Não fiz mais do que eu deveria. Suas palavras eram verdadeiras e não deve se arrepender delas.

- Não me arrependo. Disse o que disse por me preocupar com Hermione e por ter a imagem de você como um comensal que só queria se aproveitar dessa menina.

- Professora. – Sussurrou Hermione olhando para McGonagall com olhos emocionados. – Não precisava.

- Claro que precisava, gosto de você minha menina. – Minerva passou a mão no rosto de Hermione e sorriu para ela. – Eu precisava te defender, ou pelo menos pensei que precisava.

- Severus não fez nada comigo, professora. Eu estou bem.

- Eu sei. Agora eu sei.

Snape bufou e abriu a porta do elevador quando o mesmo chegou ao saguão de entrada. Com pressa e ainda segurando firmemente a mão de Hermione, o mestre de poções se dirigiu a uma lareira e pegou um punhado de pó de flú.

- Severus, uma última coisa.

- Você está ficando pior do que aquele velho senil, Minerva.

- Dumbledore deixou para mim uma carta onde me contou toda a verdade da morte dele e de suas obrigações com Harry, da promessa a Lilian, tudo. – Comentou a bruxa se aproximando de Snape e estendendo a mão, postando-a em seu ombro e apertando de leve. – Espero que um dia possa me perdoar.

- Eu não tenho o que perdoar.

- Ainda assim eu gostaria do seu perdão. – Disse a bruxa tirando a mão do ombro dele e apertando uma mão na outra. – Eu voltarei a ser a diretora de Hogwarts.

- Imaginei.

- Quando quiser, sempre haverá um cargo de professor para você.

- Fazendo caridades agora?

- Severus, que grosseria. – Exclamou Hermione. – A professora só está te mostrando gratidão.

- Não se preocupe, Hermione. Eu conheço bem as falas ferinas de Severus. Bom, quando quiser é só me mandar uma coruja. Estarei sempre a disposição.

Snape acenou com a cabeça respeitosamente e foi para frente da lareira. Hermione se adiantou e abraçou a professora sentindo um acalanto em sua alma, McGonagall sempre fora sua professora preferida e tinha muito respeito por ela.

- Se cuida querida.

- Sim senhora, professora.

Com um sorriso McGonagall voltou para o saguão e se dirigiu a um elevador, possivelmente ainda tinha muita coisa para discutir com Hopkirk sobre Hogwarts. Enquanto isso Snape e Hermione entravam na lareira e juntos rodopiaram até a casa que agora era dos dois. O cantinho deles. Assim que saíram da lareira ambos puderam respirar. Snape se aproximou da menina e encostou a testa na testa dela. Hermione olhou em seus olhos e enterrou a mão nos cabelos negros.

- Por que ficou calado? – Sussurrou Hermione. – Você seria levado de mim. Severus não posso ficar sem você. Não posso.

- Está tudo bem. Estou aqui. – Disse Snape puxando-a para um abraço forte.

Hermione escondeu o rosto no pescoço dele e sentiu suas mãos subirem por suas costas e esconderem-se em seus cabelos volumosos.

- Eu preciso de você, Severus. Eu preciso muito.

- Estou aqui, sempre estarei aqui.

Hermione afastou-se um pouco e o olhou com carinho, levou a mão ao seu rosto e traçou a linha de seu maxilar e então seus lábios. Snape fechou os olhos e suspirou. A menina então pegou a mão do mais velho e sem dizer palavras o levou pelos corredores da casa, diretamente para o quarto dele, o mesmo quarto que lhe trazia boas e más memórias e o mesmo quarto onde sabia que seu amor pelo homem se iniciara. Ao fechar os olhos a única lembrança que vinha era dos cuidados dele enquanto estava doente, era dele velando seu sono na cadeira ao lado, das leituras que ele fazia até que dormisse e da comida que ele lhe dava na boca devido sua fraqueza. Era de cada segundo que ele ficara ali consigo apenas aguardando sua melhora.

- Podemos trocar de quarto, ou de casa. Sei que te fiz muito mal e que há lembranças do que eu te fiz aqui nesse quarto. – Disse Snape olhando para o chão onde Hermione ficava deitada toda torta tentando dormir. – Jamais vou me perdoar por ter que fazer aquilo com você. Eu deveria ter pensado em outra estratégia.

- Não havia outra, eu sei disso assim como você também. Severus, se eu te perdoei, por que você não pode se perdoar?

- Porque eu não sei como se faz isso.

- Eu te ensino. Teremos tempo para isso.

- Sabe que ainda posso ser julgado e preso.

- Não vamos sofrer por antecedência. Ao invés disso, por que não vamos tomar um banho?

- Acho uma ótima ideia.

Snape deixou escapar um sorriso de canto e pegou a mão de Hermione a puxando para o banheiro. Ali dentro, com cuidado, o mestre de poções a puxou para perto de si, levantou seu rosto e levou seus lábios aos dela em um beijo inicialmente calmo. O coração de Hermione bateu com força dentro do peito quando as mãos de Snape postaram-se em sua blusa e a subiram a forçando a interromper o beijo para que ele tirasse a peça de roupa. Apenas de sutien, Hermione podia sentir os arrepios que o toque das mãos dele causavam em si. Ainda beijando o homem, agora mais intensamente, ela mesma levou suas mãos até os botões da camisa começando a desabotoar, expondo o tórax e abdômen, devagar passou a mão pelo peito dele subindo para os ombros e descendo junto com a camisa pelos braços, deixando a roupa descansar no chão. Snape interrompeu o beijo para olhar para Hermione, ela estava linda, seus olhos com as pupilas dilatadas, os cabelos emoldurando o rosto de bochechas vermelhas assim como os lábios entreabertos.

Os olhos negros atreveram-se a baixar o olhar pelo torso dela, admirando a beleza daquele corpo. Ainda com calma, levou a mão para as costas dela e soltou o fecho do sutien que rapidamente fora retirado. Snape engoliu em seco quando seus olhos se detiveram nos seios de Hermione. Eram lindos, pequenos e com bicos rosados, seus lábios se abriram e um ofego saiu de sua garganta ao sentir seu corpo responder ao que via. Aos poucos subiu o olhar de volta para os olhos de Hermione que viu a luxuria dançar nas íris dele.

Sentindo-se segura e confortável, Hermione pegou a mão de Snape, levou aos seus lábios e beijou-lhe os dedos, cada um deles e então a palma antes de baixar aquela mão até seu seio, deixando-a encaixada perfeitamente como se aqueles belíssimos montes fossem unicamente pertencentes aquelas mãos.

Snape fechou os olhos e apertou de leve a mão, sentindo o prazer daquele toque, antes de puxar Hermione para si roubando-lhe um beijo. Ambos se sentiram quente e cheios de desejo, um desejo que queimava a pele e subia por suas pernas. Agora não havia ar, não havia calma, apenas a urgência de se sentirem. Hermione apressou a mão pelas calças de Snape, desabotoando-as e as deixando cair no chão aos seus pés, Snape por sua vez apenas acenou a varinha fazendo as roupas de ambos sumirem. Estavam enfim entregues.

Hermione olhava intensamente para Snape, dentro de seus olhos negros agora transbordando de paixão. A menina aproximou-se e beijou o peito do homem sentindo-o respirar fundo, então encostou a cabeça ouvindo o som das batidas de seu coração abraçando-o com força. Snape a abraçou de volta e a puxou para mais perto beijando-lhe a cabeça e sentindo o perfume de seus cabelos.

- Severus? – Chamou Hermione virando o rosto para olhá-lo. – Eu te amo.

Snape olhou para Hermione com ternura não acreditando que estava diante daquela mulher linda, inteligente e corajosa. Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios, ele levou os dedos ao rosto dela e acariciou sua bochecha.

- Eu também.

Hermione sorriu e se afastou pegando a mão de Snape e o puxando para debaixo do chuveiro. A menina estava bem consciente do corpo de Snape e mais ainda de como ele estava com desejo. A ereção que apontava em sua direção era clara, porém, ainda que todo aquele momento íntimo fosse novidade para si, tentou não se sentir envergonhada e apenas o aceitar a cada momento, mesmo sem ter contado nada a Snape sobre sua inexperiência, sabia que o homem a trataria com cuidado e que tudo seria perfeito. Pois estava com ele.

Snape por sua vez, sentia em seu corpo os arrepios da ereção, o desejo de estar dentro de Hermione estava gritando em seu quadril, mas usou de seu controle para segurar seu desejo enquanto passava o sabonete no corpo dela. Não sabia se Hermione era virgem ou não, imaginou que o seu namoro com Rony Weasley deveria ter lhe rendido momentos de extrema intimidade, principalmente por que os olhos dela estavam seguros, ainda assim iria com calma e deixaria que ela ditasse cada momento, faria apenas o que ela quisesse e quando ela quisesse. Seria dela, completamente e profundamente.

A menina usou esse tempo do banho, enquanto ficavam apenas se olhando e ensaboando para pensar no que veria a seguir. Estava nervosa, mas calma ao mesmo tempo. Seria perfeito.

Após fechar o chuveiro Snape se afastou alguns passos para pegar as toalhas e Hermione pode observar o corpo do homem por completo. Um comichão em seu baixo ventre aconteceu ao olhar a traseira dele enquanto caminhava. Snape não era um homem malhado ou sarado. Era extremamente normal, a pele de tom branco para pálido, não havia um único pelo naquele corpo e a ereção trazia um rosado difícil de parar de olhar. Os olhos de Snape também observavam Hermione que aguardava a toalha, era tão linda, com curvas naturais e belas, o cabelo molhado caia sobre seus seios, as gotas que saiam dos fios passeavam por sua barriga lisa e adentravam aos poucos e claros pelos pubianos. Era a mulher mais linda que ele já vira.

Após se secarem Snape surpreendeu Hermione ao erguê-la em seus braços enquanto a levava para a cama onde a colocou com delicadeza deitando-se por cima e beijando seus lábios com vontade. A ereção, que diminuira com o banho estava agora bem acordada e Hermione a sentia cutucar sua virilha a deixando excitada.

- Severus. – Sussurrou Hermione quando Snape desceu os lábios para seu pescoço ao mesmo tempo que retirava suas toalhas deixando seus corpos nus se encostarem. – Ah, Severus!

Um gemido saiu da garganta de Hermione quando o mestre de poções levou sua mão para o seio apertando de leve o mamilo entre os dedos. O corpo feminino mexia-se embaixo de cima roçando a intimidade dela na sua.

- Ah, Hermione, está me deixando louco.

- Assim como você está fazendo comigo, meu amor.

As pequeninas mãos puxaram os cabelos negros quando o lábio dele se ocuparam do outro seio, chupando o bico com carinho ao mesmo tempo em que levava a outra mão pelas curvas laterais dela diretamente para suas nadegas, apertando o monte quente e macio de sua bunda, trazendo-a para si e a fazendo sentir sua ereção dura em seu sexo. Hermione jogou a cabeça para trás e gemeu fazendo Snape sentir que poderia gozar apenas com aquele som, no entanto o homem segurou seu desejo e desceu sua boca, lambendo a pele saborosa dela até chegar em sua vulva. O homem olhou para cima aguardando os olhos de Hermione se abrirem e ela lhe pedir.

- Por favor, Severus. – Implorou acariciando os cabelos negros e vendo o homem baixar a cabeça devagar passando a língua em sua vulva até achar seu ponto mais sensível.

Hermione quase pulou quando a língua quente e atrevida encostou em seu clitóris. Em um reflexo puxou a cabeça de Snape o fazendo enterrar a boca em seu sexo. O mestre de poções segurou as nadegas de Hermione com as duas mãos trazendo seu sexo para sua boca, com sua língua saboreou cada canto regado de nervos sensíveis fazendo Hermione retesar o corpo. Com os olhos abertos deleitava-se com a imagem da menina se contorcendo na cama, sentia em sua cabeça a mão que estava pronta para obriga-lo a ficar caso tentasse se afastar. Como se ele quisesse parar de sorver aquele sabor delicioso. Em poucos minutos Hermione puxou seus cabelos ao mesmo tempo em que arqueava o corpo gemendo alto e liberava o gozo tão esperado, Snape não parou de lamber e chupar seu sexo, mesmo depois do gozo que escorreu por sua língua, por isso Hermione tremeu e implorou para que ele parasse. Snape riu baixinho e subiu os lábios beijando as pernas trêmulas dela.

- Você quer acabar comigo? – Perguntou a menina quando a olhou nos olhos e beijou seus lábios.

- Você não tem noção de como está acabando comigo. – Respondeu mexendo seu quadril a fazendo sentir o tamanho de sua dureza. – Senhorita Granger, não sabe a vontade que estou de invadir seu corpo e leva-la a loucura.

- Eu já sou louca por você, Severus. Acho que não dá para ser mais.

- Eu posso tentar.

Snape beijou Hermione enquanto com cuidado abria suas pernas e posicionava o corpo para que pudessem se completar. Levou uma mão até sua ereção e a posicionou na entrada dela, sua outra mão estava embrenhada nos cabelos dela segurando seu rosto em sua direção. Antes de se mover, Snape a olhou nos olhos buscando o consentimento e viu ali o mesmo querer que o seu.

- Faça-me sua, Severus.

Os lábios de Snape beijaram os de Hermione no mesmo momento em que a penetrou devagar sentindo o corpo dela aceitar o seu e o acolher em seu calor interno. Snape gemeu nos lábios da menina. Era tão quente e aconchegante, Hermione era deliciosamente perfeita. Interrompendo o beijo e olhando nos olhos ambares, Snape começou a se movimentar lentamente deixando-se sentir cada centímetro do sexo dela.

- Hermione. – Gemeu Snape em seu ouvido. – Ah, que gostoso, Hermione.

- Severus, isso. Mais rápido. – Pediu a menina arranhando as costas dele.

Snape aumentou a velocidade de suas estocadas, sentindo em seu corpo que logo chegaria ao ápice do prazer. Seus lábios atacaram o pescoço de Hermione que gemia a cada segundo. Como gostava de ouvir aqueles sons saindo de sua boca. Eram lindos e sonoros.

- Isso, Severus.

A mão do homem segurou o quadril de Hermione enquanto seu pênis entrava e saia dela rapidamente, estocando com força no fundo a fazendo gritar de prazer.

- Hermione! – Gemeu Snape. – Não posso mais segurar.

- Nem eu Severus, nem eu. Goza comigo.

Ouvir o desejo dela de chegarem juntos ao ápice de sua paixão o deixou frenético. Snape postou as mãos ao lado de Hermione no colchão, a menina enlaçou a cintura dele com suas pernas e abraçou seu pescoço o fazendo a olhar. Snape suava e seu rosto estava vermelho. Seu quadril projetava-se com força, sentia seu pênis inchando enquanto penetrava o sexo de Hermione.

- Agora! – Gritou Snape penetrando Hermione com força uma última vez.

Hermione jogou a cabeça para trás ao mesmo tempo que Snape fechava os olhos com força sentindo seu gozo sair em jatos dentro dela que derramava seu próprio desejo no homem. Alguns segundo se passaram até que Snape abrisse os olhos e visse a sua frente a imagem mais linda que poderia imaginar, Hermione com os lábios abertos, as bochechas vermelhas, a testa suada e os olhos repletos de amor a lhe olhar. Estava bela.

- Você é linda.

Ela sorriu e o puxou para um beijo antes de deitar a cabeça dele em seu colo e acariciar os cabelos suados. Snape respirou fundo, saiu de dentro do corpo dela ouvindo um pequeno resmungo, buscou a varinha no criado ao lado e com um aceno limpou os dois e só então se deixou relaxar nos braços dela.

- Hermione?

- Sim, Severus. – Respondeu Hermione já sentindo o sono começar a levar embora.

Snape se ergueu devagar deitando-se ao lado da mulher a puxando para que agora ela pudesse deitar em seu peito para dormirem.

- Eu te amo para sempre.

Hermione sorriu com o sussurro dele. Em resposta apertou-se mais em seu corpo.

- Pra sempre, Severus. Pra sempre.

- Senhor Severus Prince Snape, por favor se adiante.

Hermione segurou sua mão novamente e a apertou com força. Em seus olhos estava estampado o medo e a confiança.

- Vai dar tudo certo, meu amor. Vai dar tudo certo.

Snape apenas assentiu, deu-lhe um selinho casto e se adiantou para frente do tribunal, faziam meses que estivera ali. Hermione, que estava apreensiva foi abraçada por McGonagall que estava ao seu lado. A diretora de Hogwarts exigiu estar presente no novo julgamento do mestre de poções.

Mafalda Hopkirk estava elegante com uma veste amarela, os cabelos presos em um coque no alto da cabeça e poucos adornos em seu colo, rosto ou mãos. A Ministra da Magia mostrava claramente que estava no lugar certo, sua inteligente e astucia fez com que a economia voltasse a girar e o mundo bruxo prosperar. Muitos ex comensais da morte foram julgados, alguns foram condenados a prisão perpetua, outros foram indiciados, mas seguirão em liberdade devido crimes mais leves, eles se submetiam a feitiços de localização, além daqueles que os impedia de aparatarem. Ela trouxe o mundo bruxo de volta para a luz depois de uma longa escuridão.

- Senhor Snape, nós avaliamos todos os pontos do seu caso, todas as provas que recebemos e ouvimos todas as testemunhas. Devo dizer que me surpreendi pela quantidade de pessoas que quiseram depor a seu favor, senhor Snape. Bom, após muita ponderação e conversas com os aurores responsável pela sua investigação chegamos a conclusão de que o senhor é culpado de seus crimes. – Snape nem ao menos piscou ao ouvir as palavras sérias da Ministra. Ao fundo McGonagall abraçava Hermione. – No entanto, também chegamos a conclusão de que os serviços que o senhor prestou ao mundo bruxo servindo de agente duplo, arriscando sua vida dia após dia junto a Você-Sabe-Quem para que Harry Potter pudesse ter a chance de derrotar o bruxo das Trevas e depois em que continuou agindo como agente duplo fazendo com que a resistência se erguesse além de ter sido fundamental para a morte de Você-Sabe-Quem, foram mais do que o suficiente para que considerássemos sua sentença paga. O senhor está livre, senhor Snape.

Hermione pulou no lugar comemorando o resultado, ao seu lado Minerva aplaudia com um sorriso no rosto.

- Obrigado senhora Ministra. – Cumprimentou Snape dando-lhe as costas e aproximando-se de Hermione que só não se jogou em seus braços por saber como ele era com demonstrações públicas.

- Parabéns, Severus. – Disse a menina sorrindo.

- Obrigado.

- Muito bem Severus, fico muito feliz pelo resultado. – Disse Minerva se dirigindo ao elevador como da última vez. – Sabe, agora que você teve a sentença revelada, quero te oferecer o cargo de professor de Hogwarts. Ainda temos poções e DCAT em aberto, as deixei assim de propósito, quero muito que aceite a oferta.

- Minerva...

- Severus. – Interrompeu Hermione ficando de frente para Snape no elevador sacolejante. – Acredito que é uma ótima oportunidade. Sei que Hogwarts te traz lembranças, porém, mais do que nunca, precisamos de um emprego garantido e um lugar que nos traga conforto e segurança. Não há lugar melhor do que a escola.

- Como assim agora mais do que nunca? – Questionou Snape franzindo a testa.

- Bom, eu pretendia te contar depois, mas, acho que agora é uma hora perfeita.

Hermione pegou a mão de Snape que permanecia com a testa franzida, e com um sorriso no rosto a postou em sua barriga. McGonagall levou a mão a boca arregalando os olhos. Snape por sua vez não se mexeu, apenas olhou para sua mão na barriga da menina e da mão dela sobre a sua.

- Vamos ter um filho, Severus.

- Um filho?

- Ou filha, não importa.

- Eu vou ser pai?

- Sim.

- Parabéns, Severus. – Disse McGonagall com um sorriso nos lábios. – Espero que considere minha oferta, novamente.

McGonagall saiu do elevador e se dirigiu as lareiras, quando sua mão já estava cheia de pó de flú a bruxa ouviu seu nome ser chamado. Ao virar-se encontrou-se com Snape parado a poucos metros a olhando.

- Eu quero o cargo de DCAT.

- Então ele é seu. O vejo no começo do ano letivo.

McGonagall jogou o pó de flu dentro da lareira e rodopiou sumindo em seguida. Snape se adiantou, pegou um punhado de pó de flú e então olhou para Hermione que segurou sua mão com firmeza.

- Vamos fazer as malas.

- Vamos!