Epílogo
Snape terminava de abotoar o último botão de seu sobretudo quando Hermione saiu do banheiro enrolada na toalha. A mulher olhou para Snape, agora seu marido e sorriu.
- Você está com alguns fios de cabelo brancos. – O homem deu um leve rosnado no fundo da garganta. – Eu gosto. Mostra que eu sou casada com um homem mais velho.
- Todo o mundo bruxo sabe que você é casada com um velho, não precisa de cabelos brancos para isso.
- O escândalo foi enorme, você lembra? – Questionou Hermione pegando a roupa no armário e rindo enquanto se lembrava das manchetes dos jornais anunciando o casamento de Hermione Granger, a salvadora do mundo bruxo e Severus Snape, ex comensal da morte. – Ficou pior ainda quando descobriram que eu estava gravida.
- Isso quase me rendeu um duelo com Molly.
- Não pode culpa-la Severus, ela me ama e jurava que você estava apenas me usando, só queria me defender. Ah se ela soubesse que eu é que uso você.
Hermione se aproximou e puxou Snape dando-lhe um beijo demorado. O professor gemeu em seus lábios e rapidamente a levou para cama mostrando claramente o tamanho de seu desejo.
- Vamos nos atrasar. – Sussurrou Hermione ofegando com os toques da mão dele.
- Eu serei rápido, sei que você gosta assim.
- Em outro momento talvez, mas temos que ir. É o primeiro dia do ano letivo, Alice espera nos ver ao entrar com os primeiranistas, não podemos nos atrasar.
Hermione esquivou-se de Snape e foi se arrumar. O homem permaneceu deitado por alguns segundos tentando fazer o sangue voltar para os lugares certos e então também terminou de se arrumar e de mãos dadas com sua esposa, saiu de seus aposentos nas masmorras do castelo e se dirigiu ao grande salão.
Estava tudo lindo e bem enfeitado para receber os novos alunos. Os alunos do segundo ano para cima já estavam em seus devidos lugares em suas casas e a maioria dos professores encontravam-se sentados na grande mesa ao fundo. A diretora estava em sua cadeira no meio, Snape sentou-se na cadeira ao seu lado direito e Hermione logo ao lado. Mesmo não sendo professora e sim trabalhar no ministério, a mulher tinha direito a sentar-se naquele lugar devido ser esposa do professor de DCAT, por morar no castelo e mais ainda, por ser considerada como uma filha pela diretora. Snape fora chamado para ser o vice diretor da escola, mas recusou com educação e indicou Neville Longbottom, professor de Herbologia, para o cargo. Claro que Neville aceitou com um sorriso no rosto, o bruxo era um dos mais queridos da escola, além de inteligente e grande bruxo, até mesmo Snape teve que concordar que aquele garoto que maltratava tornou-se um homem honrado e um exemplo a ser seguido.
A porta se abriu e por ela entrou Neville com os primeiranistas andando atrás de si com carinhas assustadas e impressionadas, a única que não carregava em seu rosto a surpresa era a menininha que vinha a frente. Ela era pequena, de olhos ambares, pele bem branca, com sardas nas maçãs do rosto e um cabelo preto escorrido. Era a perfeita junção de Snape com Hermione. A menininha já conhecia muito bem aquela cerimonia, assim como o recinto e muitos dos alunos que já estavam sentados ali. Alice Granger Snape nascera e crescera naquele castelo, ali era sua casa e agora se tornaria sua escola.
- Acalme-se. – Pediu Snape postando a mão na perna nervosa de Hermione. – Vai dar tudo certo.
- Claro que vai, ela irá para a Grifinória. – Disse Hermione respirando fundo.
- Não tenha tanta certeza. Alice é bem astuta, deve ir para Sonserina.
- Ah, por favor.
- Tem algum problema quanto aos meus alunos?
- De nenhuma forma, mas creio que ela irá ser mais feliz na Grifinória.
- Calados, os dois. – Cochichou Minerva.
Neville se adiantou e pegou o chapéu seletor o erguendo a frente de todos. O chapéu fez seu discurso do ano, diferente do anterior, mas não exatamente melhor. Depois o vice diretor começou a chamar um por um para por o chapéu e descobrir sua casa.
- Alice Granger Snape.
Hermione ficou quase na ponta da cadeira. Snape permaneceu imóvel, mas sua mão, ainda postada no joelho de sua esposa, deu uma leve apertada enquanto seus olhos se estreitavam.
Alice piscou os olhos grandes e se aproximou, deu um sorriso para Neville, de quem gostava muito e se sentou no banquinho segurando as laterais com os dedinhos.
- Ora, ora, ora, o que temos aqui. A filha de duas das mentes mais inteligentes que já passou por mim. Você carrega muito de seus pais garotinha, mas olha só que interessante, há muita personalidade única em você também.
A menina fechou os olhos com força.
- Eu sei bem onde te colocar menininha.
E então o chapéu abriu a boca e recitou a casa que receberia a garota.
- Lufa Lufa.
A mesa da Lufa Lufa se ergueu com aplausos e gritarias. A menina sorriu e correu para se sentar entre duas lufanas que lhe chamaram para se juntar a elas. Alice parecia feliz e seus olhos transbordavam alegria, principalmente ao olhar para a mesa dos professores e ver seus pais batendo palmas. Sua mãe acenou e mandou beijos, já seu pai bateu palmas discretamente. Poderia parecer que ele estava infeliz, mas Alice sabia muito bem reconhecer a felicidade nos olhos negros, ela era talvez a única que conseguia decifrá-lo e mais ainda a única que conseguia desarmá-lo de seu controle.
O jantar acabou duas horas depois, os monitores chefes e monitores das casas se encarregaram de levar todos os alunos para seus dormitórios. Os professores se levantaram para se dirigir aos seus aposentos. Antes de descerem para as masmorras, Snape e Hermione aguardaram a menina que vinha correndo em sua direção. Alice abraçou Snape pela cintura antes de abraçar Hermione também.
- Está feliz filha? – Perguntou Hermione.
- Estou sim mamãe, gosto muito da Lufa Lufa.
- Que bom, tenho certeza que a casa ganhou uma ótima aluna e que muitos pontos serão ganhos por sua culpa.
- Espero que não perca pontos. – Disse Snape cruzando os braços.
- Não vou perder, papai. – Disse Alice sorrindo.
Alice olhou para os alunos se distanciando, ela precisava se juntar a eles, agora era uma aluna de Hogwarts e deveria morar no dormitório junto com os outros alunos.
- Pai? – Chamou Alice ficando de frente com Snape que se abaixou ligeiramente para ouvi-la.
- Sim, filha.
- O senhor está feliz? Eu sei que o senhor não gosta da Lufa Lufa.
Snape respirou fundo, os olhos de sua menininha estavam repletos de insegurança onde antes havia alegria. O mestre de poções odiava que sua filha tivesse sentimentos ruins, fazia o possível para que ela pudesse ter uma vida completamente diferente da sua.
- Filha, vem comigo.
- Eu vou avisar o monitor sobre ela. – Disse Hermione deixando os dois sozinhos.
Snape pegou na mão de sua filha e saiu do castelo. Já era mais do que a hora de recolher, mas ele era Severus Snape, professor de Hogwarts e pai da menina mais linda daquele lugar, ele podia fazer o que quisesse.
- Filha. – Começou Snape parando na beira do lago negro e se sentando no pé de uma árvore antiga, exatamente onde ninguém poderia vê-los. Com delicadeza a colocou sentada em sua perna. Estava grande, mas ainda era pequena, apenas uma criancinha, seu eterno bebê. Ainda com delicadeza passou os dedos pelo rostinho dela a fazendo sorrir, colocou o cabelo atrás da orelhinha e sorriu para ela de uma forma que só ela conhecia. – Sabe que não me decepciono com nada que faz, por que acha que não ficaria feliz por ter ido para a Lufa Lufa?
- O senhor sempre fala mal dos alunos de lá e só fala bem da Sonserina.
- Eu sou o diretor da Sonserina, eu estudei na Sonserina e tenho um apreço por meus alunos, sempre os defenderei, pois ninguém mais fará isso por eles. Eu falo dos alunos da lufa lufa, pois muitos deles são preguiçosos e não se dedicam aos estudos como deve ser feito, mas isso eu não reservo apenas a eles, grifinórios e corvinos também recebem meus insultos igualmente. Mas você, Alice, será a melhor lufana que Hogwarts já viu em toda sua história, pois você é filha de Hermione Granger.
- E de Severus Snape. - Completou a menina.
- Sim, e de Severus Snape.
- Então tudo bem?
- Claro que sim. Só exigirei seu comprometimento completo com os estudos.
- Que bom papai. Estou muito feliz.
Alice sorriu e abraçou Snape recebendo de volta o aperto dos braços do homem, que fechou os olhos entendendo o quanto ele estava feliz naquele momento.
- Oi, posso participar desse abraço?
Snape sorriu e abriu os braços acolhendo Hermione ao seu lado. Por alguns minutos os três ficaram ali, sentados atrás daquela árvore centenária, olhando o reflexo da lua na superfície do lago.
- Papai, eu te amo.
- Eu também te amo minha filha.
Hermione sorriu, acariciou o rosto de sua filha que encostou a cabeça no peito do pai e fechou os olhos. A mulher olhou para Snape e não precisou dizer o quanto o amava, ele podia ver. Snape a puxou para um beijo e então voltou seu olhar para a lua entendendo que aquele era o momento mais belo e feliz de sua vida. Ele não podia pedir mais nada. Mas sua esposa era mais do que capaz de lhe fazer grandes surpresas.
- Severus. Estou grávida.
A lua brilhou mais forte ao mesmo tempo que Alice se atirou nos braços de Hermione e Snape abriu um sorriso que poucas vezes se via em seu rosto.
- Sabe o que isso significa, não é? – Perguntou Hermione de mãos dadas com Alice enquanto os três voltavam para o castelo.
- Sei. – Respondeu Snape revirando os olhos e respirando fundo.
- Ela será a madrinha, não vejo a hora de contar.
- Meu Mérlin. Minerva vai ficar insuportável.
Hermione riu antes de entrar pela porta menor da entrada. Snape fechou a porta com um aceno, beijou a cabeça de sua filha e a observou caminhar-se para a sala comunal da Lufa Lufa. O professor abraçou o ombro de Hermione, apertou de leve e sorriu. Por um momento lembrou-se do menino solitário de sua infância e como queria dizer a ele que ficaria tudo bem no final, mas sentiu dentro de si que no fundo ele sabia.
Fim
