Capítulo 31 – Ele entendeu tudo

Duas semanas depois do Dia dos Namorados, Cuddy se preparava para ir a um jantar no hospital. O evento seria apenas para os membros do conselho e seus familiares. House odiou a ideia, mas Cuddy não podia deixar de ir. Dra. Clemens foi quem organizou tudo dessa vez, deixando Cuddy livre dessa pressão.

A uma hora da tarde do dia do evento Cuddy ouviu um barulho alto vindo da sala.

"House...". Nada dele ouvir.

"Houseeeee". Nada.

"Houseeeeeeeeeeee". Ainda nada.

Cuddy foi até o amplificador e desligou o cabo da guitarra. "House você não está em um concerto de rock, você está em uma casa".

"Oh mãe! Eu tenho que testar a acústica da casa".

"Faça algo útil e vá buscar um hambúrguer com muito bacon pra mim", Cuddy pediu.

"Ah?". House não entendeu nada.

"Estou com desejo. O que posso fazer?".

"Mas você é vegetariana". House estava confuso.

"Aparentemente seus filhos não são".

"Esses são meus garotos!". House falou orgulhoso. "Merece até uma música".

House plugou sua guitarra de volta no amplificador e voltou a tocá-la.

"House! Hambúrguer! Já!". Cuddy gritou mais alto que a som produzido pela guitarra.

"Harpia grávida louca está mandando, marido obedece". House largou a guitarra e saiu atrás do sanduiche.


Ela completou 31 semanas gestacionais, Tommy já havia virado para a posição de cabeça para baixo, Bella ainda estava de lado. Fizeram um novo ultrassom 4D e Cuddy estava encantada com cada detalhe de seus filhos.

"Olha, House. O nariz deles se parecem com o seu". Ela falou.

"Graças a Deus!". Ele respondeu fazendo ela lhe dar um soco leve no peito.

"As mãos de Tommy também parecem com as suas, mas as de Bella parecem as minhas".

"Graças a Deus outra vez". Ele falou sorrindo.

"Veja que Tommy é cabeludo, mas Bella é careca. Nisso eles inverteram. Ele parece você e ela eu". House comentou e os dois riram.

Cuddy ficou encarando as imagens do ultrassom por horas. Enviou fotos das imagens para Blythe, sua irmã, sua mãe, suas amigas, enfim, para todos os seus contatos.

A noite estavam prontos para o jantar, ambos vestidos com roupas de gala. Rachel ficou com Marina.

"Você acha que Stacy estará lá como acompanhante de Richard?", Cuddy perguntou para House dentro do carro a caminho do evento.

"Acho que sim". House respondeu.

"E você está bem com isso?".

"O que eu posso fazer?".

"Não saia do meu lado". Ela falou séria.

"E se você sair do meu?". Ele rebateu.

"Ficaremos próximo, dentro do campo de visão um do outro".

"E se você for ao banheiro?". House perguntou fingindo confusão.

"Só vou ao banheiro se perceber que ela está bem ocupada".

"Você vai ao banheiro a cada dez minutos, bom que ela esteja bastante ocupada então".

"Não vou beber nada lá que eu não veja sair da garrafa e ir direto para o copo. Faça o mesmo". Cuddy orientou House.

"Sim senhora!". Ele falou divertido.

Chegaram ao hospital e foram conduzidos até o salão do jantar. Eles estavam em uma mesa junto com Wilson, Dr. Lars e a esposa.

Cuddy rapidamente olhou ao redor e encontrou Stacy ao lado de Richard.

"Ela está aqui". Cuddy falou baixo para House.

"A galinha está em Piccadilly Square?". House perguntou.

"Sim". Ela respondeu séria.

House olhou discretamente. "É muito estranho vê-la com um velho de cem anos".

"Está com ciúmes?". Cuddy perguntou.

"Estou com dó de Richard Matusalém".

Em pouco tempo a entrada passou a ser servida e Cuddy precisou ir até o pequeno palco improvisado junto com Dra. Clemens.

"Boa noite a todos!". Cuddy começou. "Eu vou ser breve, pois meus filhos não me permitem alongar-me. Quero agradecer a todos vocês pela presença, especialmente a Dra. Clemens que organizou tudo essa noite. Esse é um evento anual para confraternizarmos uns com os outros e com nossos familiares. Aproveitem!". Cuddy foi breve e evitou olhar na direção de Stacy.

"Cuddy você está linda!". Wilson disse.

"Obrigada. Ainda bem que alguém me elogiou já que meu marido não fez isso". Ela falou olhando séria para House.

"Mas eu te elogiou o tempo todo, você sabe que eu te acho linda, gostosa, sexy...". Ele ia falando, mas Wilson o cortou.

"Tudo bem, tudo bem".

"Tímido Wilson?". House provocou.

"House, deixe-o em paz". Cuddy falou. "Você viu Stacy com Richard?".

"Isso que eu ia dizer, não quero ser rude, mas não está um pouco... ridículo?". Wilson comentou.

"Muito ridículo". Cuddy comentou.

"Que feio isso, ficarem fofocando da vida alheia. Com certeza é amor verdadeiro". House falou sarcástico fazendo Wilson e Cuddy rirem.

"Wilson vamos ficar atentos essa noite, não quero problemas por conta dela". Cuddy falou.

"Pode contar comigo". Ele respondeu.

"Ela não quer que eu fique longe dela, Wilson. Caso eu me perca, você segura minha mão?", House comentou fazendo Cuddy virar os olhos e sorrir.

"Como está a gravidez?". Wilson perguntou pra Cuddy. "Eu vi as imagens do ultrassom e eles parecem muito fofos".

"E quem não viu as imagens do ultrassom? Acho que até o papa viu as imagens". House falou levando um apertão de sua esposa.

"Estou com 31 semanas de gestação, está chegando perto. Tudo certo por enquanto, Tommy já virou e agora temos que esperar Bella ficar na posição também". Cuddy falou.

"Espere... você quer parto normal?". Wilson perguntou.

"Você conhece Cuddy. Ela é louca, já cansei de discutir isso com ela". House falou.

"E eu cansei de dizer que as mulheres têm parto normal desde os primórdios". Ela respondeu.

"Nos primórdios elas não tinham escolha". House retrucou.

"Farei tudo no hospital, não em uma caverna". Cuddy respondeu.

"Oh que alívio!". House falou sarcástico.

"Não colocarei a vida de meus filhos em risco, só farei se estiver tudo certo".

"Ok... ok...". Wilson interferiu. "Eu entendo a preocupação de House".

"Homens sempre se unindo. Quem vai parir? Ele? Você?". Cuddy perguntou irritada.

"Se fosse eu pode ter certeza que seria cesariana. Eu não iria estourar minha uretra". House falou fazendo Wilson rir e Cuddy o encarar séria.

O jantar transcorreu sem maiores problemas. Stacy continuou na mesa de Richard, mas Cuddy percebeu que ela os olhava com frequência. Alguns minutos depois Cuddy precisou ir ao banheiro. House e Wilson ficaram na mesa.

"Ela está enorme House, logo seus filhos vão sair". Wilson provocou.

"Fala isso para ela e você será um homem morto. Nunca diga a uma mulher que ela está enorme". House o aconselhou.

"Mas é enorme no bom sentido".

"Isso não existe".

Nesse momento Wilson tomou uma pílula e foi ao banheiro, saiu sem falar nada. House o seguiu. E Stacy seguiu House.

Quando House entrou no banheiro não encontrou Wilson, ele devia estar dentro de uma cabine. House olhou embaixo e encontrou os pés de Wilson, quando ele iria bater na porta Stacy entrou.

"Olá, Greg". Ela disse.

"A menos que você tenha feito uma cirurgia de mudança de sexo nos últimos anos, você deveria sair". House respondeu.

"Está com medo de mim? Medo de não resistir a mim?".

"Medo nenhum, mas você entrou em um banheiro masculino público, logo alguém vai entrar".

"E você tem medo do que eles vão pensar nos vendo aqui juntos?". Ela se aproximava enquanto House afastava-se.

"Eles não verão nada diferente da realidade, uma mulher assediando um homem no banheiro masculino". House já estava encostado na pia, não tinha mais para onde ir.

"Será que vão ver isso mesmo? As pessoas veem o que queremos que elas vejam". Ela falou se aproximando e colocando a mão no peito de House.

"Stacy pare! Não vê que você está fazendo um papel ridículo?".

"Ciúmes de Richard?". Ela provocou.

House riu e balançou a cabeça.

"Você merece fazer sexo decente, tenho certeza de que não consegue isso há meses com sua esposa enorme de grávida". Ela falou colocando sua mão nas partes intimas de House.

House se esquiva e sai do banheiro chegando à mesa de Cuddy transpirando, ela percebe que algo aconteceu e que Stacy está envolvida.

"O que Stacy fez?". Cuddy perguntou irritada.

"Ela tentou me estuprar no banheiro masculino".

"O que?". Cuddy praticamente gritou.

Nesse momento Stacy já estava conversando com o policial que fazia a segurança do evento. Ela estava com as roupas rasgadas e chorava muito.

O policial chegou até House e Cuddy e pediu para que eles o acompanhassem. House olhou para Cuddy já prevendo algum tipo de armadilha de Stacy.

"Fui informado pela senhora Stacy Warner de que você tentou estuprá-la no banheiro masculino. Ela me disse que você a arrastou a força para o banheiro e lá a assediou". O policial informou.

"Pois ela mentiu para você". House informou.

"Ela está com a roupa rasgada e bastante abalada". O policial informou.

"Senhor policial, eu sou Lisa Cuddy-House, reitora de medicina desse hospital, esse é meu marido Gregory House e essa senhora é ex-namorada dele. Ela não se conforma que estamos juntos e felizes e está nos perseguindo há algum tempo, a vítima aqui somos nós". Cuddy falou.

"Espere, meu amigo estava no banheiro também e presenciou tudo". House chamou Wilson.

"Pois não?", Wilson perguntou e contaram a história para ele.

"Senhor eu estava na cabine do banheiro e ouvi tudo. Stacy foi quem assediou House, ela praticamente o agarrou". Wilson contou.

Cuddy arregalou os olhos irritada.

"Melhor irmos todos para a delegacia apurar isso". O policial disse.

"Espere! Temos câmeras de segurança aqui no salão. Vou solicitar as imagens e você poderá ver se meu marido a arrastou para o banheiro". Cuddy falou e já saiu atrás do segurança que tinha acesso as câmeras.

"Eu não acredito que Stacy fez isso". Wilson falou.

"Você não a conhece". House respondeu. Eles estavam aguardando junto com o policial.

Depois de dez minutos Cuddy os chamou com as imagens prontas. Olharam e foi possível ver Wilson entrando no banheiro, House pouco tempo depois e logo em seguida Stacy entrando, sozinha. Após alguns minutos House saiu rapidamente indo em direção a mesa e Stacy saiu, procurou House e então começou a rasgar a própria blusa. Alguns minutos depois Wilson saiu com cara de assustado.

"As imagens falam por si só". Cuddy falou para o policial.

"Isso é um assunto sério senhora House, precisamos levar as imagens e todos vocês para a delegacia". O policial informou.

"Tudo bem, agora eu quero ir para a delegacia porque preciso prestar queixa contra essa senhora desequilibrada". Cuddy falou.

O policial foi chamar Stacy para a delegacia e ela ficou satisfeita, o seu plano estava funcionando. Richard foi com ela. Tentaram ser discretos para que ninguém percebesse, mas já se ouvia um burburinho.

Foram para a delegacia, cada um no seu carro. Wilson foi com Cuddy e House.

"Que absurdo! Ela era minha amiga também, ela nunca foi assim". Wilson estava indignado.

"Ela sempre foi assim, mas nunca mostrou para vocês. Eu a conhecia, mas nunca tinha visto isso contra mim, sempre contra alguém. Até achava isso atraente, eu só podia estar louco". House confessou e Cuddy segurou a mão dele.

"Ela não está bem. Mas não podemos conviver com ela ao nosso redor, teremos que prestar queixa e conseguir que ela tenha acesso restrito ao hospital ou a qualquer local próximo de nós". Cuddy disse.

Chegaram à delegacia e todos foram encaminhados para a mesma sala. Stacy fingia estar em choque e Richard olhava para House com ímpetos de matá-lo.

Relataram o caso para o delegado de plantão e colocaram as filmagens para que todos assistissem em conjunto. Ao término Richard estava confuso, Stacy, que não esperava câmeras de segurança na entrada do banheiro estava em choque, House sorria olhando para eles e agora era Cuddy que tinha ímpetos de matá-la.

"Senhora Stacy Warner, fica bem claro que sua história não confere com as imagens". O delegado falou.

"Eu... eu... estava em choque. Na verdade, eu me confundi de banheiro e entrei por engano no banheiro masculino, uma vez lá dentro ele tentou abusar de mim". Ela falava entre nervosa e chorosa.

"E por que você rasgou suas roupas quando saiu?". House perguntou.

"Senhor House, peço que não interfira". O delegado falou. "E por que você rasgou suas roupas quando saiu?". Ele repetiu a mesma pergunta de House fazendo com que Cuddy colocasse a mão na cabeça e House virasse os olhos.

"Eu... eu... eu não estava rasgando, estava tentando arrumar". Stacy disse.

"É bem claro que você rasgava a roupa". Agora foi a vez de Cuddy para receber um olhar repreensivo do delegado.

"Senhora Warner, está bem claro que sua história é mentirosa. Temos também senhor Wilson como testemunha". O delegado disse.

"Você está assumindo, mas não tem certeza do que aconteceu dentro do banheiro". Stacy falou.

"Posso falar?". House perguntou recebendo autorização do delegado. "Estou sendo assediado por ela já há algum tempo. Tenho mensagens de texto que provam isso, além do que aconteceu hoje".

"Gostaríamos de prestar queixa contra Stacy Warner e solicitar uma medida protetiva, pois não nos sentimos em segurança". Cuddy falou.

O delegado acatou a solicitação e impediu Stacy de entrar no hospital ou a estar próximo do casal e de seus filhos. Fez um registro no cadastro de Stacy Warner e liberou todos eles.

"Será que agora ela vai deixá-los em paz?". Wilson perguntou.

"Espero que sim". Cuddy falou cansada.

"Será que agora Richard acordará?". House perguntou.

"Ela e Richard que se explodam, mas eu não vou aceitá-lo mais no conselho. Levarei esse assunto para votação amanhã mesmo". Cuddy falou.

E foram para casa.


Os dias passaram. Cuddy fez reunião com o conselho e Richard foi afastado temporariamente até uma definição, pois encontraram indícios de que ele havia fornecido informações confidenciais para pessoas externas, incluindo Stacy. Agora eles não estavam mais juntos, já que Stacy terminou o relacionamento. Aliás, Stacy estava desaparecida desde então.

Blythe ficou aliviada quando soube que eles fizeram um boletim de ocorrência contra Stacy, ela e Arthur alugaram uma casa próxima de House e Cuddy e estavam vindo para ficarem mais perto. Eles não queriam invadir a privacidade da família, então estavam tomando cuidado de manter certa distância mesmo estando na mesma cidade.

Wilson começou a sair com uma fisioterapeuta do hospital, ele estava mais tranquilo agora que a tatuagem estava quase totalmente removida.

Cuddy estava na 37° semana. Ela reduziu a dose de progesterona que fazia uso desde a semana anterior, agora ela não via a hora que seus filhos resolvessem sair. Ela estava com as pernas inchadas e não tinha mais animo para nada. Cuddy afastou-se do hospital na semana anterior, e nas duas semanas anteriores ao afastamento, ela ficou basicamente trabalhando de casa.

Bella virou para a posição correta e Cuddy insistia no parto natural. House estava muito incomodado com a insistência dela, mas era voto vencido. Ela tentaria ter seus filhos pelos meios naturais, estava definido. Dr. Phillips, que nessa circunstância era mais favorável a cesariana, aceitou a escolha de Cuddy e se comprometeu a monitorar de perto e a alertar caso fosse preciso recuar.

"House... House...". Cuddy cutucou o marido que dormia.

"O que?". Ele falou sonolento.

"Precisamos fazer sexo". Ela falou.

"O que?". Ele perguntou surpreso e ainda sonolento.

"Temos que fazer sexo agora, os bebês precisam de estímulo para nascerem".

"Você tem evitado sexo e agora você quer sexo? Meu pênis está confuso".

De fato, quando atingiu 34° semanas Cuddy estava muito preocupada e tentando segurar a gestação até as 37° semanas, então ela estava evitando sexo com penetração, tornou-se especialista em sexo oral para deixar o marido satisfeito, ela também não deixava ele retribuir pois o orgasmo poderia estimular o parto nesse estágio. Quando faziam sexo com penetração, por insistência de House e fraqueza dela, era bem devagar, gentil, nada muito energético.

"Vamos House. Quero montar em você garanhão!". Ela disse.

"Você precisa então me dar alguns estímulos antes". Ele disse a virando e começando a beijá-la.

Depois de alguns minutos de estímulo, ambos estavam prontos para o principal. House deitou-se de costas para a cama e Cuddy o montou, dessa vez nada sereno, ela o montou com força.

"Você está uma cowgirl safada hoje". Ele gemia.

"Porque você é um garanhão muito sexy". Cuddy respondeu com a voz cheia de excitação.

Os dois continuaram elevando o ritmo e o tom da voz. Ao término Cuddy caiu em cima de House e lá ficou por alguns minutos. Depois de algum tempo ela se mexeu.

"House... Caiu". Ela disse.

"O que caiu?". House perguntou ainda sem voltar totalmente a realidade.

"Meu tampão mucoso".

"Você está confundindo com o meu esperma". House disse.

"Eu conheço muito bem seu esperma e isso não é só seu esperma". Ela mostrou pra ele.

"Oh meu Deus. Seu tampão mucoso". Ele respondeu.

"Vamos ter os bebês logo". Cuddy falou animada.

House não foi para o hospital naquele dia, pois a perda do tampão mucoso significava que o trabalho de parto podia começar a qualquer momento. Em um parto comum, Cuddy poderia esperar em casa até que o trabalho de parto estivesse mais avançado, mas não era o caso agora já que ela tinha idade avançada e gestação de gêmeos que pretendia trazer ao mundo através de um parto normal.

House passou o dia trabalhando em um caso para o UCLA Medical Center hospital. Cuddy se distraiu o auxiliando. Quando se preparavam para almoçar Cuddy começou a sentir as primeiras contrações.

"Oh meu Deus! Começou". Ela falou.

"As contrações?". House perguntou assustado.

"Sim!".

"Tem certeza? Pode levar dias depois que o tampão mucoso cai".

"Tenho certeza absoluta. É diferente de tudo o que já senti". Ela assegurou.

Eles começaram a monitorar o tempo entre as contrações e ainda faltava um longo caminho a seguir. Pediram para Blythe pegar Rachel na escola e quando chegaram as contrações de Cuddy estavam mais intensas e com menor intervalo.

"Vamos para o hospital Cuddy". House falou.

"Não. Ainda está longe".

"Phillips disse para irmos, você não pode brincar com isso". House estava preocupado há meses com esse momento do parto.

"Só mais algum tempo. Prefiro ficar na minha casa do que lá esperando horas".

"Quando as contrações estiverem com 5 minutos de diferença nós iremos sem argumentos". House falou e ela concordou.

As horas passaram...

"O que mamãe tem?". Rachel perguntou.

"Seus irmãos estão chegando". Blythe falou emocionada.

"Mas por que eles fazem mamãe sofrer?".

"Eles precisam sair Rachel, eles precisam fazer força para sair e sua mãe também faz força para ajudá-los". House explicou evitando maiores detalhes que assustariam qualquer criança, até mesmo muitos adultos.

House chamou sua mãe de lado. "Mãe convença Cuddy em ir para o hospital, por favor".

"Você não sabe o que é lidar com essas dores de parto, eu não vou irritar uma mulher nessa hora". Blythe disse dando tapinhas nas costas do filho.

De repente ouvem batidas na porta. É Wilson.

"Oh meu Deus. Cuddy você tem que ir para o hospital agora". Ele falou assustado.

"Eu estou falando há tempos, mas essas mulheres são teimosas". House disse.

"Cala a boca House, estou no meio de uma contração. Ahhhhhhhh".

"Tio Wilson, meus irmãos são muito fortes. Eles fazem muita força para saírem. Só não sei por onde eles sairão". Rachel falou confusa.

Wilson corou, House riu e Cuddy ainda gemia por conta da contração.

"Por onde eles vão sair papai?". Rachel perguntou para um House que estava totalmente distraído e tenso aferindo a pressão de sua esposa.

"Pela vagina". Ele respondeu sem pensar e Wilson arregalou os olhos e ficou ainda mais vermelho.

"Não Rachel, eles saem por um buraco especial". Wilson falou tentando corrigir.

"Onde é a vagina?". Rachel perguntava enquanto House estava em pânico a essa altura.

"Minha neta, toda mulher tem uma vagina, você também tem". Blythe disse e Wilson queria fugir de lá correndo, pois só piorava.

"Cuddy, vamos ao hospital agora. Você está tendo contrações a cada 5 minutos". House decretou e começou a colocar as malas dela no carro. Era 22:00 do dia 02 de Abril.

"Querem que eu faça algo?". Wilson perguntou perdido.

"Não Wilson, obrigada. Só... cuide para que House não surte de vez, tudo o que não preciso agora é de um marido entrando em colapso". Cuddy respondeu entre as contrações.

"Blythe, fique com Rachel, tudo bem?". Ela pediu.

House levou Cuddy até o carro e Wilson foi junto. No caminho, em uma contração particularmente dolorida, Cuddy agarrou o braço de House e quase ocasionou um acidente.

"Oh meu Deus Cuddy, quase batemos". House falou assustado.

"A culpa é sua". Ela gritou de volta.

"Eu não fiz nada". Ele falou.

"Claro que fez. Você me encheu com seu sêmen nove meses atrás e agora estou aqui, morrendo de dor". Ela disse e Wilson corou novamente no banco de trás do veículo.

"Pensei que você tinha gostado disso na época. Não ouvi você reclamar". House falou rindo.

"Mas agora eu estou. Posso devolver? Ainda está na garantia?". Cuddy respondeu séria.

"Vou falar para nossos filhos que você queria devolvê-los para as minhas bolas".

"Foda-se House!". Ela gritou em nova contração que iniciava.

Chegando ao hospital eles foram direcionados imediatamente para os quartos destinados ao parto. Dr. Phillips foi chamado, mas já iniciaram a monitoração e preparação de Cuddy. Já havia passado do momento de administrar os sedativos, então Cuddy teria que aguentar firme.

Ela havia se depilado totalmente em casa, ela estava fazendo isso quase que diariamente na última semana. A enfermeira verificou a dilatação e deu soro para estimular o restante da abertura necessária.

Wilson estava em uma posição que não conseguia ver nada mas mesmo assim virou de costas nessa hora.

"Que ótimo isso. Estou me sentindo totalmente invadida". Cuddy falou quando a enfermeira saiu.

"Eu te falei para virmos antes, agora já passou a hora para você tomar o anestésico". House disse.

"Esse não é momento para discussão". Wilson interveio muito ansioso.

"Senhor, só podemos ter um acompanhante. Você é o pai?". A enfermeira questionou Wilson.

"Talvez ele seja o pai de um dos gêmeos". House falou para a enfermeira confusa e Wilson tratou de corrigi-lo rapidamente.

"Não... eu não sou o pai de nenhum dos gêmeos".

"Ele não é o pai". Cuddy praticamente gritou. "Meu marido é o único responsável por isso".

"Então preciso que o senhor se retire, você pode esperar na recepção dessa ala, daremos notícias assim que possível". A enfermeira orientou.

"Claro. Boa sorte pessoal. Força Cuddy e comporte-se House". Wilson falou saindo.

O tempo passou e as contrações ficavam mais constantes e fortes. Dr. Phillips chegou e a examinou.

"Está tudo certo para o parto normal, Lisa, você precisará começar a fazer força e, você terá que seguir meus comandos". Ele disse.

Cuddy começou a empurrar e House tinha sua mão sendo esmagada por ela. Começou a ficar intendo, a dor era muita e Cuddy continuou.

"Eu quero dizer que se você chegar com esse pênis perto de mim outra vez te farei engoli-lo". Cuddy falou para House enquanto apertava sua mão.

"Logo eles nascerão e você estará implorando por meu pênis novamente depois de ver como são lindos nossos filhos".

Dr. Phillips e a enfermeira riram.

Enquanto isso Blythe ligou para Arlene informando que Cuddy estava em trabalho de parto e juntou-se a Wilson no hospital. Todos estavam na expectativa do nascimento das crianças. Wilson não parava de andar de um lado para o outro ansioso.

Cuddy continuava fazendo força, a dilatação já estava no máximo e a cabeça de Tommy apareceu.

"Estou vendo muito cabelo loiro aqui", Dr. Phillips disse.

"Cuddy sua vagabunda, me traiu com Chase". House disse divertido.

"Cala a boca! Seu sêmen é o único culpado por tudo isso". Ela respondeu entre empurrões.

"Ele está vindo. Continue Lisa. Muito bem". Dr. Phillips incentivava.

"Quero colocar uma música especial como trilha sonora para o nascimento de meu filho". House disse pegando o celular e dando play e a música começou.

(…)

Born to raise hell, born to raise hell
We know how to do it and we do it real well
Born to raise hell, born to raise hell
Voodoo medicine, cast my spell
Born to raise hell, born to raise hell
Play that guitar just like ringin' a bell
Take it or leave it.

(…)

"House tire isso!". Cuddy ordenou. Mas ele não obedeceu e Tommy veio ao mundo ao som de Born To Raise Hell de Motorhead.

Quando Tommy veio ao mundo o relógio marcava 00:01 de 03 de Abril. Ele chorava como se realmente fosse um cantor de heavy metal. O cabelo loiro todo espetado.

"Esse é meu garoto". House disse. "Cuddy, ele tem muito cabelo e é muito loiro".

Ele cortou o cordão umbilical de seu filho e ficou dividido entre ver os primeiros cuidados das enfermeiras com Tommy e acompanhar Cuddy que agora empurrava Bella.

Cuddy continuava empurrando e suando. "Vamos Lisa, só mais um pouco e você terá seus dois filhos nos braços". Dr. Phillips falou.

House voltou ao lado de sua esposa e apertou a mão dela.

"Você está se saindo muito bem meu amor, estou orgulhoso. Pode até esmagar minha mão novamente se quiser". Ele disse.

"Se você colocar essa música pra Bella eu te castro". Ela falou enquanto empurrava.

"Não, pra ela seria um canto gregoriano, pensando na castidade que ela terá que manter por toda a vida". House respondeu e Cuddy apertou ainda mais sua mão.

Seis minutos depois, 00:07, eles retiraram Bella, a menina estava começando a ficar roxa porque o cordão estava levemente apertado em seu pescoço.

"Oh meu Deus". House foi correndo vê-la quando notou o problema.

"O que foi? Pelo amor de Deus! Ela está bem? House?". Cuddy estava em desespero sem conseguir ver nada.

"Bella, reaja filha!". House falou em choque.

As enfermeiras correram com os primeiros cuidados, Cuddy estava quase se levantando para ir ver o que acontecia com sua filha, Tommy chorava em um berço ao lado e House fazia algo semelhante a uma oração, já que ele não acreditava em Deus. O fato é que ele começou a se apegar a qualquer coisa superior para salvar sua filha.

De repente, o som mais lindo do mundo. O choro de Bella!

"Filha!". Cuddy gritou enquanto House ia até a menina.

"O cordão enroscou no pescoço dela no final da passagem, mas não foi nada muito grave, só reduziu o fluxo de ar momentaneamente, mas não cortou completamente". Dr. Phillips falou enquanto a enfermeira entregava a menina para seu pai cortar o cordão umbilical.

House pegou a filha e inicialmente a abraçou com força, ele nunca havia sentido nada assim. Depois cortou o cordão dela e entregou para a enfermeira que a cobriu e protegeu contra a mudança de temperatura, fez alguns primeiros testes e rapidamente colocou as pulseirinhas de identificação.

Thomas Gregory House – 2,700 Kg.

Isabella Melody House – 2,550 Kg.

Depois de alguns minutos, a enfermeira entregou para House seus filhos: Tommy e Bella. Ele pegou seus dois filhos nos braços e entendeu tudo. O mundo tinha um sentido diferente agora e ele estava apavorado.

House levou os filhos para Cuddy. Ela já estava chorando quando olhou suas carinhas. Tommy com bastante madeixas loiras e Bella praticamente careca com esparsos cabelos escuros.

"Eles são lindos". Cuddy falou entre lágrimas.

"Sim". House respondeu beijando a testa de sua esposa. "E você foi uma guerreira".

"Olha o que fizemos. Que perfeitos!". Cuddy disse.

"Acho que agora você não tem mais aversão ao meu esperma e nem ao meu pênis". House respondeu e Cuddy riu entre lagrimas.

"Eu te amo!". Ela falou.

"Eu te amo mais". House respondeu.


Música do capítulo: Born To Raise Hell de Motorhead.