Capítulo 32 – Cadê o menino?

House levou os filhos para Cuddy. Ela já estava chorando quando olhou suas carinhas. Tommy com bastante madeixas loiras e Bella praticamente careca com esparsos cabelos escuros.

"Eles são lindos". Cuddy falou entre lágrimas.

"Sim". House respondeu beijando a testa de sua esposa. "E você foi uma guerreira".

"Olha o que fizemos. Que perfeitos!". Cuddy disse.

"Acho que agora você não tem mais aversão ao meu esperma e nem ao meu pênis". House respondeu e Cuddy riu entre lagrimas.

"Eu te amo!". Ela falou.

"Eu te amo mais". House respondeu.


Dr. Phillips fez questão de tirar uma foto do casal e seus bebês.

Eles retiraram a placenta e deram pontos em Cuddy e enquanto isso os pais estavam encantados com seus filhos.

Lá mesmo, eles limparam os bebês e o aqueceram. Dr. Phillips usou um estetoscópio para verificar os recém-nascidos. A enfermeira estimulou Cuddy a tentar amamentar seus filhos, e ela o fez. Tommy estava esfomeado e entendeu rápido o que fazer para conseguir o que precisava, ele sugava Cuddy com mais força do que ela pensou ser possível para um ser que acabou de vir ao mundo. Bella demorou mais, ela estava mais sonolenta, mas depois de alguns minutos começou a mamar, não com a mesma fúria do irmão.

"Te falei que esse menino nasceu para chacoalhar o inferno". House disse.

"Pare House! Meu filho não é o capeta". Ela o repreendeu carinhosamente.

"Você viu como ele mama? Esfomeado que nem o pai e adora um seio também". House falou e Cuddy não pode deixar de rir.

House estava com uma mistura de orgulho e pânico. Esses dois seres tão pequenos dependiam deles para tudo, ele era o pai, a figura masculina. Tudo bem que ele era o pai de Rachel, mas ela já tinha vindo pronta, Cuddy fez o mais difícil, ele pensou.

"Você não quis guardar a placenta para comê-la depois?". House perguntou e Cuddy fez uma cara de nojo.

"Não sabe que as mulheres estão aderindo a essa prática? Elas dizem que isso melhora a recuperação pós-parto, além de uma série de outros benefícios. Eu particularmente acho canibalismo". House continuou.

"Pode parar House. Não estrague nosso momento". Cuddy falou.

Depois da amamentação as enfermeiras levaram os bebês para os testes necessários garantindo que estavam em plena saúde. Cuddy sentiu uma dor no coração por largar seus filhos, ela chorou, mas a enfermeira garantiu que em breve eles estariam de volta.

"O pai pode vir conosco, se quiser". A enfermeira disse.

"Ele quer sim!". Cuddy respondeu. "House vá com eles e seja chato como você sabe ser".

"Pode deixar mamãe leoa". House respondeu e saiu com seus filhos.

House acompanhou todos os testes, questionou algumas coisas e estava a cada minuto mais encantado por seus filhos. Depois levaram as crianças para o berçário enquanto Cuddy descansava.

House foi até a sala de espera onde estavam os parentes e amigos. Quando ele chegou foi recebido por Arthur com um abraço forte que o surpreendeu.

"Parabéns, filho. Eu não tive essa oportunidade de vê-lo nascer, queria ter tido. Aproveite a sua chance".

De alguma maneira as palavras de Arthur tocaram o coração dele. Devia ser toda a situação emotiva do nascimento de Bella e Tommy, House pensou.

Blythe o abraçou, Julia também e até Arlene. Wilson levou um charuto e eles combinaram de acenderem mais tarde.

House os levou até o berçário para que conhecessem Tommy e Bella.

"Rachel, você quer conhecer seus irmãos?". House acordou a filha que dormia na poltrona do hospital.

"Papai. Cadê eles?". A menina se levantou rapidamente.

"Vamos vê-los".

Chegando ao berçário House ergueu Rachel e disse para todos: "Os meus filhos são os mais lindos, é fácil vocês identificarem".

"São aqueles!". Blythe apontou para seus netos. Tommy com uma touca e cobertor azul e Bella com touca e cobertor rosa.

"Falei que era fácil identificar?". House se gabou.

"Podemos vê-los mais de perto?". Blythe falou em prantos.

"Se você for chorar assim, vai assustá-los mãe".

"Eu não consigo conter a emoção". Ela disse abraçando seu filho.

House entrou no berçário devidamente vestido e pediu para que seus filhos pudessem ficar no quarto com Cuddy e sua família. A enfermeira concordou e disse que os levaria em breve.

"Vamos para o quarto onde Cuddy está, ela passou por muito esforço e está cansada. Vamos apenas ficar um tempo lá e depois deixá-la dormir com os bebês". House orientou preocupado.

Alguns minutos depois ele entrou no quarto com Rachel e os bebês. Cuddy abriu os olhos imediatamente sorrindo.

"Meus filhos". Ela disse.

"Mamãe! Eles são muito pequenos. Menor que minhas bonecas". Rachel disse abraçando sua mãe.

"Eles vão crescer querida, só precisam de tempo". A Mãe respondeu carinhosa.

House colocou os dois juntos com Cuddy e ela beijou a testa de Tommy e de Bella.

"Olha que cheiro delicioso a cabecinha deles têm". Cuddy falou para a filha que os cheirou.

"Cheiro de leite". A menina falou.

"Está todo mundo querendo entrar para vê-los, minha mãe, Arthur, Arlene, Julia e Wilson. Eu disse para eles que seriam só alguns minutos, pois vocês precisam descansar".

"Tudo bem. Peça para eles entrarem". Cuddy se arrumou na cama.

Ela não conseguia conter o sorriso imenso, ela estava muito feliz.

"Que lindos!". Blythe emocionada falou. "Parabéns Lisa eles são lindos. Perfeitos!".

Arthur tentou esconder os olhos marejados. Até poucos meses atrás ele não tinha família, agora ganhava dois netos de uma vez, a vida começou a ter uma cor diferente para ele após os setenta anos.

"Lisa, são lindos!". Julia falou olhando para os sobrinhos.

"De onde vem esse cabelo loiro?". Arlene perguntou surpresa.

"De Greg. Ele era muito loiro quando pequeno, aliás, Thomas é a cara de Greg quando bebê". Blythe falou orgulhosa.

"Tomara que só puxe a cara mesmo". Arlene cutucou.

"A cara e o pênis grande". House cutucou de volta fazendo sua sogra corar.

"Vovó você sabia que meus irmãos fizeram muita força e saíram pela vagina de mamãe?". Rachel disse fazendo todos rirem, exceto Arlene e Wilson.

"Deve ser uma vagina muito grande para passar os dois". Rachel concluiu pensativa.

House riu alto.

"Eu tentei falar sobre o buraco especial, era uma versão melhor para uma menina de cinco anos". Wilson disse.

"Mas é mesmo um buraco especial". House respondeu sarcástico.

Arlene olhou feio para o genro, mas ela só estava tentando esconder a grande satisfação e felicidade que sentia com a chegada de seus netos.

Depois de alguns minutos e de ouvirem muitos comentários como: "qual será que vai ser o tom do azul dos olhos deles?", "olha esse narizinho", "o rosto parece o de Greg", "a boca parece a de Cuddy", o casal estava cansado e despediram-se dos visitantes. Cuddy e os bebês precisavam dormir.

House saiu com Wilson para o telhado do hospital, fugiram para fumar o charuto.

"Você é pai! E de dois bebês muito fofos. Como isso é esquisito, não acha?". Wilson falou sorrindo e acendendo o charuto.

"Não sou pai de dois bebês muito fofos, sou pai dos dois bebês mais lindos do mundo". House falou orgulhoso.

"É muito estranho ouvir você, Gregory House, falando isso".

"É muito estranho falar isso". House concordou abaixando o tom de voz.

"Como é ser pai?". Wilson questionou.

"Assustador".

Wilson riu. "É... deveria ser mesmo".

"Eu nunca entendi essa coisa de amor incondicional, para mim não existia nada no mundo que não estivesse associado a uma condição. Mas... Rachel começou a me mostrar algo diferente do que eu acreditava e hoje... quando Bella estava sofrendo... eu... eu faria qualquer coisa para estar no lugar dela e não vê-la passar por aquilo".

Wilson sorriu impressionado.

"Quando eu os carreguei nos meus braços, percebi que eles são... tudo. Eles são minha vida. Minha vida não valeria nada sem Cuddy, Rachel, Tommy e Bella. E eu... eu faria qualquer coisa por eles".


House não saiu do hospital. Ele voltou para o quarto de Cuddy e ela dormia. House olhou mais uma vez para seus filhos e sorriu. Depois aconchegou-se na poltrona em frente a cama de sua esposa e cochilou.

Durante a madrugada acordaram com choro de bebê, corrigindo: de bebês. Tommy e Bella acordaram para mamar.

"Que horas são?". Cuddy perguntou.

"4:30". House respondeu levantando-se e indo até seus filhos.

Ele pegou os bebês e entregou para Cuddy. Ela colocou um em cada mama. Tommy desesperado começou a sugar com força, Bella era mais delicada e demorava mais para iniciar.

"Vamos ter que entrar com fórmula também Cuddy, você não vai dar conta de amamentá-los sozinha, olha o apetite desse menino". House falou.

"Não quero fórmulas, vamos tentar assim por um tempo".

"Você deu fórmula para Rachel e ela está saudável". House tentava convencê-la.

Cuddy olhou para ele cansada mais feliz. "Sei que você quer o melhor para mim, mas vamos tentar por um tempo".

Ele não tinha como negar nada para ela com aquele olhar.

Terminaram de mamar, House ajudou a chacoalhá-los até que arrotassem e os pequenos já voltaram a dormir imediatamente.

Ele os colocou nos berços improvisados que ficavam ao lado e sentou-se na cama com Cuddy. House alisou seu rosto com os dedos e a beijou suavemente nos lábios.

"Obrigado". Ele disse.

"Não tem porque me agradecer".

"Tenho sim. Tenho muitos motivos para lhe agradecer. Você me deu tudo o que eu nem sabia que queria da vida". Ele falou e Cuddy sorriu emocionada.

"E você me deu tudo o que eu sabia que queria, mas de uma maneira especial, muito melhor do que eu poderia sonhar". Cuddy respondeu.

Nisso Tommy fez um barulho e os dois olharam correndo. Não era nada demais, ele estava apenas suspirando. O casal riu da fofura do menino e da situação.

"Olha os rostinhos deles que coisa mais linda e perfeita". Cuddy comentou acariciando o braço do marido. "Olha o cabelinho loirinho dele e a carequinha dela. Olha as mãozinhas. São os bebês mais fofos do mundo".

"Em outro tempo diria que você é uma mãe coruja e exagerada, mas... eu tenho que admitir que eles são os mais lindos do mundo". House falou e Cuddy sorriu não contendo as lágrimas.

"Eles são nossos! Nós fizemos eles". Cuddy falou.

"Dizem que tudo o que é bem-feito exige trabalho árduo, mas eu não posso reclamar do processo de produção de nossos filhos". House disse.


O dia seguinte começou com House entrando no quarto com um buquê de rosas na cor salmão.

"Para a mamãe mais gostosa. Minha MILF". Ele disse.

Cuddy sorriu. "Obrigada, são lindas!". E deu um selinho em seu marido.

"Como estão os dois pestinhas?".

"Eles não são pestinhas".

Tommy e Bella estavam sendo amamentados por Cuddy.

"Eles vão realmente se apossar dos meios dois seios". House resmungou.

"Agora meus seios pertencem a eles por tempo indeterminado, sinto muito!" Cuddy falou sorrindo.

"Posso ter outras partes suas?". House perguntou malicioso.

"Só depois de 40 dias". Ela respondeu.

"39 dias se você começar a contar desde ontem. Na verdade, esse número é superestimado". House argumentou e sua esposa riu.

Durante o dia Cuddy recebeu diversas visitas. Dorothy que já exibia uma barriga saliente e descobriu que esperava uma menina. Alice e seu novo namorado. Alguns funcionários do hospital. O time de House que trouxe presentes: dois macacões, um para Tommy com os dizeres: Ninguém acreditou que eu existiria um dia. E um para Bella: Sou a prova viva de que as pessoas mudam.

"Muito engraçado". House disse.

"Meio que é engraçado sim". Cuddy respondeu sorrindo.

"Eles são muito fofos, você tem certeza de que House é o pai?". Treze provocou.

"Muita certeza". Cuddy respondeu divertida.

"Esse loiro aqui parece comigo". Chase provocou e House deu um chute em suas partes masculinas.

"Oh, House. Você está louco?". Chase protestou.

"Apenas protegendo minha cria". Ele respondeu fazendo todos rirem.

Blythe chegou depois com Arthur. Arlene também chegou com Rachel.

"Tommy e Bella, vocês são muito fofos, mas quero que vocês levantem e andem para brincar comigo". Rachel conversava com os irmãos. "Eles nem falam, nem nada".

"Não. Eles gritam". House respondeu.

"Eu também não falava quando era do tamanho deles?". A menina perguntou.

"Não filha, você aprendeu a falar só depois de um tempo". Cuddy respondeu.

"E eles fazem o que de legal?". Rachel perguntou inconformada.

"Eles choram, mamam, fazem coco e dormem". House respondeu.

"Que chatos!". Rachel concluiu.


A tarde Wilson levou dois ursos muito grandes, não entravam pela porta do quarto e tiveram que ficar do lado de fora.

"Wilson eu agradeço muito, mas os ursos estão atrapalhando a passagem no corredor do hospital e logo alguém vai pedir para você retirá-los". Cuddy falou.

"Os ursos são do tamanho da noção que Wilson tem". House disse sendo repreendido por sua esposa.

"House!".

"O que?". Ele se fez de desentendido.

"Relaxa Cuddy, eu conheço House". Wilson disse enquanto engolia um comprimido e saia recolhendo os ursos para deixá-los na sala de House.

"Outra vez!". Ele disse.

"O que?". Cuddy perguntou.

"Ele tomou o comprimido".

"O que tem?"

"Ele está usando alguma coisa, Cuddy. Ele toma esse comprimido e depois aparece com as pupilas dilatadas". House disse preocupado.

"Desde quando você notou?". Cuddy perguntou.

"Há mais de um mês. Ele nega, mas alguma coisa está acontecendo".

"E você deixou isso passar?". Cuddy perguntou surpresa.

"Estive ocupado". House falou. "Mas isso não vai ficar assim".

Nesse momento uma enfermeira entrou na sala para levar os bebês. Eles iriam fazer exames de rotina.


Alguns minutos depois trouxeram Bella de volta, mas nada de Tommy.

"Oi, bebê". Cuddy disse pegando sua filha no colo.

"Onde está Tommy?". House perguntou para a enfermeira.

"Me disseram que ele já estava aqui de volta".

"O que?". Cuddy quase gritou.

"Ele não voltou". House disse.

"Não sei o que aconteceu então, eu mesma vi uma enfermeira o pegando...".

"Pegar ela pegou, mas não para trazê-lo aqui". House falou saindo para a pediatria. Nada de Tommy... House procurou pela enfermeira chefe.

"Ele foi levado de volta para o quarto minutos antes de Isabella".

"Não, ele não foi. E se foi ele nunca chegou ao quarto". House estava desesperado. "Tranque o hospital e só quero que abram quando meu filho for encontrado".

House voltou para o quarto e contou para Cuddy. Ela quase teve uma sincope, precisou ser amparada pela enfermeira que estava junto deles. Logo em seguida ela ligou para Dra. Clemens e ressaltou a ordem de House para fechar todos os acessos do hospital. Então a enfermeira chefe entrou no quarto deles.

"Estamos procurando as câmeras de segurança, pois aparentemente uma enfermeira não reconhecida por ninguém pegou Thomas para trazer até vocês". Ela disse.

"Como assim? Como vocês entregam meu filho para uma enfermeira não reconhecida por ninguém?". House perguntou indignado.

"O hospital está fechado, vamos encontrar". A enfermeira chefe tentou contornar.

"Stacy". Cuddy que estava atônita só disse essa palavra.


House olhou nos quartos de outros recém-nascidos e nada, ele também olhou entre as roupas sujas tiradas dos leitos, nada. Praticamente metade dos funcionários do hospital estavam procurando por Tommy. Então veio a ideia de ir olhar no telhado, ele pegou o elevador e subiu.

Chegando lá ele viu de costas uma mulher loira segurando Tommy. O coração de House bateu rápido, ele se aproximou devagar, mas a mulher percebeu e se virou. Era Stacy.

"Se afaste ou eu jogo ele". Ela falou. Stacy vestia roupa de enfermagem e peruca loira.

"Stacy, o que você está fazendo?". House estava em pânico.

"Vocês já têm um, me deixe com ele".

"Não é assim que funciona".

"Então como é? Vocês ficam com tudo e eu sem nada?".

"Stacy ouça". House falou se aproximando.

"Não! Se afaste! Ou eu irei...".

"Calma! Por favor. Calma!". House tentou manter a sanidade. "Me explica o porque disso". Ele falou tentando ganhar tempo.

Enquanto isso ele discou para Cuddy e deixou no viva voz.

"Stacy olha para mim. Estamos aqui no telhado do hospital com Thomas recém-nascido, percebe como isso é insano?". House falou para que Cuddy ouvisse.

"Eu... eu... eu preciso de um filho seu!". Stacy falou.

"Mas você nunca quis ter filhos". House tentou argumentar.

"Nem você! Agora você tem dois e em nenhum".

"Stacy, nada disso tem lógica e você é uma mulher inteligente. Pense!". House tentou argumentar.

Nisso House notou que alguns policiais chegaram.

"Stacy, entregue Thomas para mim e podemos conversar. Você me diz o que precisa dizer".

"Não! Ele é meu!". Stacy estava intransigente.

"Stacy... Se você ainda sente algo por mim, me dê Thomas". House falou chegando perto dela e a olhando em seus olhos.

Stacy começou a chorar e a abraçar Tommy.

"Se eu o entregar... você fica comigo?". Stacy perguntou. "Comigo e com ele. Nós três?".

Cuddy chegou nessa hora a tempo de ouvir os últimos diálogos. Os policiais não a deixaram ir até lá, estavam acompanhando a distância. Cuddy tinha ímpetos de lutar para chegar até seu filho, mas eles a seguraram. Ela nem deveria estar em pé, fugiu do quarto atrás deles.

House demorou para responder e Stacy chegou perto da borda do telhado com Tommy.

"Stacy, se você fizer algo com meu filho, eu nunca vou te perdoar".

Continua...