Capítulo 38 – Conhecer você é amar você
"Vamos deixar Wilson preso aí por dias, sem comida e só com água da pia ou da descarga". House propôs.
"Como?". Cuddy perguntou.
"Tenho um plano". House falou malicioso.
House contou seu plano para Cuddy e ela hesitou.
"Não é como se ele fosse morrer por conta disso, fique tranquila. Vamos dar uma lição nele apenas". House a convenceu.
Ao final do dia Cuddy trancou a porta de seu escritório com chave e recomendou aos seguranças e recepcionistas que sua sala não deveria ser aberta em nenhuma hipótese, pois haviam informações altamente confidenciais. Qualquer dúvida eles deveriam contatá-la.
Chegando em casa ela foi abraçar e beijar seus bebês e depois encontrou House.
"Será que fizemos a coisa certa?". Cuddy estava em dúvidas e apreensiva.
"Claro que sim, Wilson precisa aprender, quem manda invadir o escritório de minha esposa?".
"Mas ele ficará por lá a noite toda".
"Bom para refletir sobre a vida, sobre o sentido da paternidade, sobre a doadora da Casa de óvulos – A Origem". House falou sorrindo.
"E se ele nos viu fazendo sexo?". Cuddy perguntou com a voz baixa.
"Ele não nos viu, só nos ouviu. Marido e mulher fazendo sexo quente!".
"Nós falamos coisas...".
"Coisas de sexo durante o sexo". House deu de ombros.
"Coisas muito íntimas". Cuddy falou ainda com a voz baixa.
"Agora ele tem certeza de que somos muito bons e talvez até tenha aprendido algo".
"Você realmente não está nenhum pouco incomodado?".
"Claro que sim! Por isso nós o trancamos na sua sala. Mas veja bem, seria pior se ele estivesse embaixo da sua mesa, aí sim ele teria tido uma visão privilegiada".
Cuddy arregalou os olhos. "Eu nem quero pensar nessa possibilidade".
"Papai, papai... Olha o que eu aprendi a fazer hoje". Rachel correu para mostrar novos movimentos de ginástica artística para seu pai.
Enquanto isso Tommy engatinhava para alcançá-lo e Bella tentava falar no colo da mãe.
"Oh filho, você veio também". House falou com Tommy quando ele o alcançou. O menino tinha uma energia infinita, ele engatinhava o dia todo e era preciso que os adultos ficassem atentos, pois ele queria pegar tudo o que encontrasse pela frente.
"Tommy deixa eu falar com papai agora". Rachel disse enciumada.
"Pode falar filha, eu e Tommy estamos prestando atenção em você". House colocou o bebê sobre sua perna boa e o chacoalhou.
"Bella quer você". Cuddy disse entregando a filha que sorria para o pai.
"Mãe... papai e Tommy estão me olhando, estou mostrando os movimentos que aprendi hoje". Rachel protestou.
"Desculpe filha, eu e Bella também ficaremos olhando você".
Todos sentaram no sofá para a demonstração de Rachel. Enquanto Tommy se divertia com o chacoalhar da perna do pai e Bella brincava com a barba dele.
No dia seguinte House fez questão de chegar cedo ao hospital acompanhando sua esposa, ela ficaria até as 12:00 então as 7:00 eles já estavam no hospital.
Cuddy abriu a porta com House a tiracolo e encontraram um Wilson cansado e deitado no sofá.
"Eu me rendo!". Wilson disse levantando os braços.
"Wilson, o que você faz aqui?" House fingiu surpresa.
"Eu sei que você sabe e sei que vocês me deixaram aqui de propósito. Não é como se eu não merecesse de qualquer forma". Wilson assumiu.
"O que você estava fazendo no meu banheiro?". Cuddy perguntou tímida.
"Desculpe por isso, eu... não tinha a intenção... eu vim pegar essas fichas". Wilson mostrou os documentos para ela. "Como você não estava aqui me senti envergonhado e me escondi quando você entrava... não sei porque, foi... espontâneo". Ele disse.
"Você gostou do show pornô grátis?". House o cutucou fazendo com que Wilson e Cuddy corassem.
"Eu... eu... não vi nada... não ouvi direito".
"Pare de enrolar Wilson, eu sei que você nos ouviu. Não temos do que nos envergonhar, foi sexo quente entre marido e esposa".
"Tudo bem, melhor eu ir!". Wilson queria sair daquela sala, daquela conversa.
"Ei, tome isso". House jogou um sanduiche e uma garrafa de água.
Wilson bebeu a garrafa toda em um único gole. "Obrigado!".
"E vá tomar um banho". Cuddy falou sorrindo.
"Até mais!". Wilson ia saindo. "Ah, eu ficarei com a 290324".
"O tempo trancado foi produtivo, está vendo?". House falou alto enquanto Wilson saia.
Dias depois Wilson estava coletando esperma para a concepção. Ele estava ansioso, mas decidido: ele iria ser um pai! Para celebrar ele queria passar um dia com os amigos fazendo coisas de homens.
"Cuddy, eu venho aqui até você, pois não quero que House distorça minhas palavras". Ele começou.
"Eu queria sair para pescar, sabe? Coisa de homem? Aluguei uma cabana perto de um lago e queria que House fosse comigo. Também chamei Chase.
"Quando isso?". Cuddy perguntou sem gostar muito da ideia de Wilson.
"No próximo final de semana".
"O que House disse?".
"Que ia falar com você".
"Wilson, você sabe que temos três crianças em casa". Ela tentou encontrar a justificativa mais óbvia para manter House em casa.
"É só um sábado. Vamos cedo e voltamos domingo de manhã".
"Então vocês pretendem dormir fora?".
"Cuddy, você tem House todos os dias, só estou pedindo um dia".
"Com Chase? O mulherengo?".
"House é fiel a você, ele te ama, é só uma pescaria".
"Vou falar com House".
"Por favor!". Wilson deu sua cartada final antes de sair.
Naquela noite...
"Você quer ir pescar com Wilson e Chase?". Cuddy começou o assunto.
"Sabia que você não ia gostar, eu falei para Wilson". Ele disse notando o tom de voz da esposa.
"House, estou perguntando se você quer ir".
"Wilson está celebrando a fecundação do filho dele, ele já esteve lá por mim tantas vezes...".
"Tudo bem. Você vai". Cuddy decidiu mesmo não sendo de boa vontade.
"Mas Cuddy, eu não quero te sobrecarregar com os bebês".
"Eu me viro, mas a noite sairei com as mulheres".
"Isso é vingança?". House não gostou nada de pensar em Cuddy em uma noite de garotas.
"Não, você vai em uma viagem com os rapazes e eu vou em uma noite com as garotas".
"Com quem?". Ele perguntou.
"Julia, Alice, Dorothy talvez, pois ela está enrolada com a bebê".
"Você sabe que vou a uma cabana no meio do nada, certo? Você vai a uma boate no meio de tudo". House falou incomodado.
"Se você não notou eu estou grávida de um filho seu". Ela disse.
"E tem homens com todos os tipos de fetiche".
"E o meu é você!". Cuddy falou e deu um selinho no marido.
"Promete que não deixará ninguém chegar perto, alisar a sua barriga, falar no seu ouvido, tocar nenhuma parte de sua pele?". Ele disse.
"Só se você prometer o mesmo".
"Prometo!". Ele disse.
"Eu também!". Cuddy concordou.
Sábado havia chegado. Seis horas da manhã e Cuddy dormia muito confortável abraçada ao marido quando tocou o despertador.
"Uhhh... Não quero me levantar daqui. Está tão bom, tão quentinho". Cuddy falou e agarrou ainda mais seu marido.
Eles haviam levantado às 5:00 pois Tommy estava gritando de fome, agora estavam mortos de sono.
"Eu também não, mas logo Wilson passa aqui para me buscar". House falou sonolento.
"Eu não vou deixá-lo te levar". Cuddy falou beijando o peito nu de House.
"Eu também não quero ir". Ela acariciou o cabelo da esposa.
Caíram no sono novamente e foram acordados pelo celular de House.
"House, cadê você?". Era Wilson.
"Que horas são?". House perguntou sonolento.
"7:00".
"Oh meu Deus, perdi a hora". House falou levantando-se apressadamente e indo ao banheiro. "Me dê alguns minutos".
"O que foi?". Cuddy perguntou.
"São sete horas e Wilson está aí na frente me esperando". Ele falou colocando a roupa apressadamente.
"Fala para ele ir com Chase e deixar meu marido". Ela falou rolando para o lado.
Quando House estava pronto, Cuddy se levantou para acompanhá-lo até a porta. Ele olhou os bebês dormindo, Rachel e desceu as escadas até a porta da rua.
"Juízo!". Ela disse.
"Eu vou para uma cabana no meio do nada com dois homens, quem vai para a balada não sou eu". Ele disse enquanto tirava um cabelo do rosto da esposa.
"Mesmo assim, cuide-se! Não quero nenhum homem, animal, nada perto do meu marido". Cuddy falou antes de beijá-lo com intensidade.
Do lado de fora Cuddy acenou para Wilson e Chase e deu um selinho final em seu marido.
"Me ligue quando chegar".
"Te amo!". House respondeu.
"Wilson e Chase, se algo acontecer ao meu marido vocês perderão os testículos". Ela falou sorrindo e acenando para os rapazes.
House entrou no carro.
"O que aconteceu? Combinamos as sete horas e agora já são quase oito". Wilson repreendeu o amigo.
"O lago vai continuar lá, nada sairá do lugar. Se bem que, com esse clima horrível e esse frio, não foi uma boa ideia Wilson". House falou.
"Eu disse pra ele que podíamos comemorar a fecundação do óvulo em uma boate". Chase falou.
"Cuddy cortaria os meus ovos, se bem que ela vai para uma boate hoje a noite". House disse reflexivo.
"Vejo como você é um carneirinho dela. Come na mão dela". Chase falou sorrindo.
"É porque depois eu como outra coisa... Quem não entende deveria calar-se". House disse.
"Carneirinho! Carneirinho!". Chase e Wilson começaram a cantar.
"Não sou eu quem não consegue conquistar Treze, a mulher por quem eu tenho sentimentos, e tão pouco preciso comprar óvulos da Casa de óvulos – A Origem, ou alugar uma barriga para que meu embrião possa se desenvolver". House alfinetou.
Os dois calaram-se.
"Não precisa jogar as coisas nas nossas caras". Wilson falou.
"Eu não tenho sentimentos pela Treze, só queria dormir com ela. E... nem tenho me esforçado tanto assim". Chase justificou.
"Tá bom!". House disse rindo. "Quero café, não tive tempo de comer nada".
Pararam em uma loja de conveniência no caminho. House comprou café e panquecas. Chegando à cabana perceberam que o lugar era literalmente no meio do nada.
"Onde você achou esse lugar?". Chase perguntou.
"Internet". Wilson respondeu.
"Bacana!". House disse sarcástico.
Ele tentou mandar uma mensagem para Cuddy, mas não havia sinal.
"Obviamente não há sinal de internet, de telefone, nada...". House reclamou.
"É para que fiquemos alienados do mundo. Uma vida simples e rústica". Wilson disse.
House achou um misero sinal e mandou uma mensagem breve para a esposa.
Chegamos! O lugar é uma merda. Mato Wilson antes do final de semana acabar.
Entraram na cabana e deixaram as mochilas, começaram a preparar as coisas para a pescaria e a chuva iniciou. Não era uma chuva comum, era uma tempestade torrencial.
"Qual a ideia agora Wilson?". House perguntou entediado.
"A chuva vai passar, o sol vai abrir e vamos pescar". Wilson disse e os outros dois homens começaram a rir.
Em casa Cuddy alimentou os bebês, tomou café com a filha e estava agora arrumando seu quarto quando recebeu a mensagem de House. Ela sorriu. Não podia deixar de imaginar a cara de seu marido e como Wilson iria sofrer.
A noite ela havia combinado com as garotas de sair para dançar, quer dizer, o máximo que uma grávida poderia dançar. Não iam tarde, apenas ficariam algumas horas.
Blythe e Arthur viriam para ficar com as crianças.
Enquanto isso na cabana...
A chuva não havia passado e os homens resolveram acender a lareira, pois o frio estava fazendo arrepiar o último fio de cabelo.
"Que ideia idiota". House reclamava. "Eu podia ter dormido até mais tarde e depois feito sexo com minha mulher".
"Como você consegue dormir até mais tarde e fazer tanto sexo com sua mulher tendo dois bebês e uma criança em casa?". Wilson perguntou.
"Pois é! Você deve fazer mais sexo que nós que somos solteiros e sem filhos". Chase concordou enquanto comia uma Pringles.
"Coisas da vida". House falou roubando parte das batatas-fritas de Chase.
"Como você se sente agora que seu espermatozoide fecundou um óvulo?". Chase perguntou para Wilson enquanto estavam sentados em frente à lareira.
"Normal...". Wilson respondeu.
"Ele não teve sexo, envolvimento com ninguém, ele só ejaculou em um pote". House disse.
"Falou o experiente". Wilson retrucou.
"Eu já fecundei três óvulos e realmente os fecundei". Ele falou com a boca cheia de batatas-fritas.
"Você vai simplesmente receber o bebê ao final de nove meses? Não vai acompanhar nada?". Chase perguntou.
"Eu vou receber fotos, saber como a barriga de aluguel está, mas não terei informações de identidade e as fotos não mostrarão o rosto dela". Wilson explicou.
"Eu te conheço, Wilson. Isso vai dar errado em algum momento". House decretou.
"Vamos pescar!". Wilson decidiu.
"Você está louco?". Chase falou. "Chove torrencialmente e o frio por si só nos mataria".
House virou a cabeça negativamente empanturrando-se de batatas-fritas.
"Viemos aqui para isso". Wilson argumentou.
"Relaxa Wilson! Vamos ficar aqui em frente à lareira, abrir uma garrafa de vinho, colocar uma música romântica, acender algumas velas e nos abraçarmos". House zombou.
"Vamos beber! Trouxe absinto". Chase falou animado.
"Absinto? Você é gay ou o que?". House contestou.
"60% de teor alcoólico". Chase falou empolgado.
"Eu estou dentro". Wilson disse.
Começaram a beber, exceto House, ele fingia que bebia e jogava a bebida fora. Em pouco tempo Wilson e Chase estavam muito bêbados.
House pegou algo com mais sustância para almoçar enquanto os dois bêbados dançavam pela sala da cabana.
It's raining men
Hallelujah it's raining men, Amen
I'm gonna go out
I'm gonna let myself get
Absolutely soaking wet
House fez questão de gravar a bizarrice enquanto almoçava.
Quando cansaram foram se juntar a House, estavam morrendo de fome.
"Ué, cansaram de dançar?". House perguntou.
"Você não bebeu seu filho da puta". Wilson acusou.
House riu.
"Sabe o que eu estava pensando?". Chase começou com a voz de bêbado. "De todo mundo, House foi quem virou um pai de família. Foreman está a cada dia mais afastado depois de minha promoção, Taub daqui a pouco faz o bebê número três em outra mulher. Mas os dois vivem sozinhos. Eu e você Wilson, também... Agora House. Ele tem uma família de verdade com uma esposa gostosa".
"Ei, olha como fala de minha esposa".
"Mas ela é gostosa". Chase continuou.
"É mesmo". Wilson concordou. "Inteligente e engraçada também".
"Acho que vocês dois precisam transar, mas não um com o outro... se bem que... eu não vou impedi-los". House disse.
"Como você conseguiu conquistar a Cuddy?". Chase perguntou, mas Wilson não deixou House responder.
"Eu já ouvi eles fazendo sexo, ela não é nada tímida...".
"Wilson!". House chamou a atenção do amigo.
"Espera... é verdade. Eu não vi nada, mas ouvi tudo. Nadinha tímida, ela é bem espontânea, se é que me entende". Wilson disse rindo.
"Ok Wilson". House tentava cortar o assunto, Cuddy iria surtar se ouvisse essa conversa.
"Sério? Onde você ouviu? Quero ouvir também". Chase perguntou curioso.
"Ok... ok... acho melhor pararem pois já estão falando bobagens demais, alucinando coisas". House tirou a garrafa de Absinto de perto deles.
"Você é meu pai?". Wilson perguntou e os dois homens bêbados riram.
"Mas House tem um pinto grande também, acho que isso conta...". Wilson soltou.
"Como você viu o pinto dele?". Chase perguntou chocado. "Vocês já...?".
"Não!". House e Wilson responderam juntos.
"Vi uma vez sem querer, ele estava com Cuddy". Wilson falou.
"Quantas vezes você o viu fazendo sexo com Cuddy?". Chase perguntou confuso.
"Wilson fica nos perseguindo porque é um enrustido de pinto pequeno". House desconversou. "Você pode repetir isso outra vez?"
"O que? Que você tem o pinto grande? House tem o pinto grande!". Wilson repetiu inocente.
"Ótimo". House riu após gravar a declaração do amigo. Isso seria engraçado.
Em casa Cuddy recebeu Blythe e Arthur, eles passaram a tarde juntos com os pequenos. Cuddy olhava no telefone de tempos em tempos para ver se havia recebido alguma mensagem do marido e nada... Ela sentia muita falta dele.
Voltando à cabana...
Wilson e Chase dormiram no sofá, um de cada lado. House os cobriu, pois o frio estava forte, colocou uma jaqueta quente e saiu. A chuva havia estiado, ele foi dar uma volta para tentar encontrar algum sinal de internet ou de telefone. Nada...
Ele ficou em frente ao lago e viu o barquinho que usariam para pescar, era um barco tão pequeno onde mal cabia uma pessoa, que dirá três.
"Wilson é mesmo sem noção". House pensou em voz alta e rindo.
Sem conseguir nada ele voltou para a cabana e resolveu tirar um cochilo também, pois não havia televisão, telefone, nada para o distrair.
Cuddy dançava como uma louca, a barriga chacoalhava muito e os seios estavam saltitantes em um vestido vermelho justo. Os homens todos babavam ao redor. De repente se aproximou um sujeito que aparentava uns quarenta anos de idade, ele começou a dançar muito próximo dela, Cuddy se afastou, mas o sujeito voltou a se aproximar.
"Você é linda!".
"Obrigada. Mas sou casada".
"Eu também!"
Ambos riram.
"Onde está o seu marido agora?".
"Foi pescar com amigos".
"Ele vai pegar peixes quando tem um tubarão assim em casa?". O homem falou malicioso e irônico.
"Para você ver. Estou tão sozinha". Cuddy falou.
"Não por muito tempo". Nessa hora Cuddy se jogou nos braços do homem e trocaram beijos apaixonados. A mão dele apertava a bunda dela e Cuddy gemia em sua boca.
Quando acabaram, o homem passou a mão na barriga dela e disse: "meu filho!".
Nesse momento House acordou suando e assustado. Ele foi até o banheiro e jogou água fria no rosto. "Foi só um sonho. Só um estupido sonho". House falava para si mesmo.
Ele olhou o celular novamente e nada de sinal. Logo Cuddy deveria ir para a boate com as amigas e ele estava apavorado.
Na boate...
Além de Cuddy, estavam na boate Julia e Alice. Dorothy ficou cuidando de sua filha que, aliás, era uma menina de tamanho normal.
"Vamos dançar!". Julia estava muito animada.
Foram. Cuddy dançou um pouco, mas logo precisou de descanso, sentou-se em uma mesa e ficou observando as duas e o celular, caso House enviasse alguma mensagem.
"Olá!". Ela ouviu uma voz masculina.
Era um homem na casa dos quarenta anos.
"Olá!". Ela respondeu.
"Posso me sentar?". Ele perguntou gentil.
"Veja bem... inicialmente, quero deixar claro que sou casada". Ela falou e ele olhou com cara de dúvida. Então Cuddy mostrou sua aliança.
"Sabia que era boa demais para estar solteira". Ele falou se sentando.
"Tenho certeza de que você encontrará muitas mulheres disponíveis aqui".
"E o que seu marido tem na cabeça para te deixar sair sozinha? Com todo o respeito". O homem continuou. "E meu nome é Derek".
Cuddy riu pois lembrou-se de House trocando o nome de Davi por Derek. Se ele soubesse que havia um Derek em cima dela agora...
"Meu marido está com amigos e eu com amigas". Ela respondeu.
Da pista de dança as duas notaram o sujeito com Cuddy, resolveram observar divertidas.
"E então deve ter uma mulher se aproximando dele assim como eu me aproximo da esposa dele". Derek insinuou.
"Se houver, certamente ele a recusará como eu o recusarei". Cuddy disse afiada.
"Gosto de mulheres assim, é um desafio". O sujeito disse.
"Não existe desafio, Derek. Só não estou a fim".
"E se eu fizesse você estar?". Ele disse.
Ela riu. "Eu agradeço os elogios, mas eu amo meu marido".
"Nenhuma esposa ama o marido e nenhum marido ama a esposa a ponto de não estar interessado em algo diferente".
"De onde vem essa filosofia de gaveta? Não sei quais são as suas experiências, mas sinto dizer que você está enganado".
"Você o ama de verdade?". Ele perguntou surpreso.
"Você não tem ideia. E não é porque estou em uma boate com minhas amigas que procuro algo diferente, estou aqui apenas para curtir".
"Sorte dele". Derek disse.
"Sim. Sorte dele e sorte minha também".
"Lisa, venha!". As duas a chamaram.
"Me dê licença Derek". Cuddy disse levantando-se. Foi quando ele viu a barriga dela que estava escondida embaixo da mesa até então.
"Uau... você está...".
"Grávida. Sim! Meu quarto filho".
"Posso colocar a mão?". Ele perguntou. Cuddy lembrou-se imediatamente dos pedidos e recomendações de seu marido e sorriu.
"Melhor não!". Ela disse indo em direção a pista de dança se juntar as duas.
A noite passava e Cuddy começava a sentir-se cansada. Ela estava na mesa com Alice e quando olhou ao redor viu Julia conversando com um homem de meia idade.
"Alice, eu não quero atrapalhar Julia, parece que ela está se divertindo. Vou pegar um taxi para casa". Cuddy falou.
"Eu também quero ir, vou avisar Julia e voltamos juntas".
Na cabana...
Wilson e Chase dormiram o tempo todo. A noite começou um festival de mosquitos e House não teve muita escolha. Cobriu-se dos pés à cabeça e tentou dormir. Ele sentia falta de Cuddy a seu lado, mas depois de algum tempo conseguiu pegar no sono.
Na manhã seguinte o dia amanheceu ensolarado. House levantou-se e os dois ainda dormiam.
"Oh meu Deus!". House gritou quando olhou para Chase. Ele estava com a boca muito inchada.
"O que foi?". Wilson acordou assustado e com uma enorme dor de cabeça. Quando ele olhou para Chase também se surpreendeu. "Que diabos aconteceu?".
Chase acordou assustado.
"Wilson, se você vai beijar Chase durante a noite não precisa fazer esse estrago". House disse sorrindo.
"Você está louco?". Wilson protestou.
"O que aconteceu?". Chase correu para o banheiro. "Oh meu Deus!".
House ria.
"Alergia de mosquitos, você deveria me ajudar e não ficar rindo assim". Chase falava, mas era muito engraçado vê-lo tentar falar com a boca muito inchada.
Por sorte eles tinham Epinefrina.
"O dia está lindo! Não querem dar uma volta?". House perguntou para os dois amigos que enfrentavam a enxaqueca e a boca inchada, no caso de Chase.
"Vai se foder!". Chase respondeu.
"Você que traz Absinto. Wilson que te beija e eu que sou xingado? Mundo injusto". House falou saindo.
Ele foi dar uma volta pela região agora que o clima permitia, aproveitar ao menos um pouco a paisagem e a manhã ensolarada.
Em casa...
Cuddy teve dificuldades de dormir sem House ao lado dela. Ela sentia muita falta física dele, mas também falta de saber qualquer coisa. House não havia conseguido mandar novas mensagens e ela não sabia em que horário reencontraria o marido.
Blythe e Arthur dormiram no quarto de hospedes então estavam lá para ajudá-la naquele domingo.
"Bom dia, Lisa. Como foi ontem?". Blythe a recebeu com um pão caseiro maravilhoso para o café da manhã.
"Foi muito bom. Nos divertimos. Mas, estou preocupada com House, ele não conseguiu me mandar mais nenhuma mensagem". Ela falou.
"É muito bom ver que meu filho tem uma esposa que o ama tanto". Blythe falou apertando o ombro da nora. "Tenho certeza de que ele também está sofrendo sem conseguir falar com você".
"Será?". Ela perguntou carente.
"Absolutamente".
"Eu, queria que ele voltasse logo".
"Ele estará aqui em breve, até lá eu vou tentar te fazer companhia". Blythe respondeu.
"Obrigada Blythe, gosto muito de você". Cuddy disse.
"Eu também de você".
Na cabana...
"House, vamos! Quero pegar a estrada e chegar para o almoço". Wilson disse.
"Não era você que queria tanto uma vida simples e rústica?". House cutucou.
"Foda-se a vida simples e rústica". Wilson esbravejou.
No caminho para casa House encontrou sinal e mandou uma mensagem.
Amor da minha vida, estamos voltando para almoçar. Prepare muita comida, pois estou morrendo de fome. Wilson beijou Chase e ele está com a boca inchada, não repare!
Assim que o telefone vibrou Cuddy correu imediatamente para ele e leu a mensagem com um sorriso.
"É ele, não é?". Blythe perguntou.
"Sim! Eles estão vindo almoçar aqui. Temos que preparar um almoço caprichado".
"Eu sabia que era ele, seus olhos brilhavam". Blythe falou fazendo Cuddy corar. "Pode deixar o almoço por minha conta, vá cuidar dos bebês e se aprontar".
Quando entraram Cuddy estava na porta para recebê-los. Quando House a viu abriu um largo sorriso e ela se jogou nos braços dele.
"Que saudades eu senti!". Cuddy sussurrou no ouvido de House.
"Nem me fale". Ele respondeu.
Trocaram um beijo que era para ser breve, mas se estendeu fazendo Blythe e Wilson corarem.
"Pessoal, temos crianças". Wilson disse quando Rachel correu para seu pai.
Cuddy olhou para Chase. "O que aconteceu com sua boca?".
"Já esteve pior!". Wilson disse.
"Eles passaram a noite com intimidades no sofá e hoje Chase acordou assim". House falou.
"Foi um inseto". Chase esclareceu.
Almoçaram uma comida deliciosa preparada por Blythe. House e Cuddy trocavam caricias por debaixo da mesa, olhares e sorrisos por cima.
Ao final, os dois homens foram embora, assim como Blythe e Arthur. O casal passou a tarde envolto pelos filhos e a noite fizeram amor de forma apaixonada.
Duas semanas haviam passado e eles completavam aniversário de casamento e não podiam fazer muito por conta dos bebês, mas House disse que a levaria para sair. Cuddy estava com 23 semanas de gestação.
Ela estava ansiosa, fazia tempo que não saia com o marido e ficavam sozinhos. Vestiu um lindo vestido preto, o perfume preferido de House e olhou-se no espelho. Ela estava grávida, uma barriga despontava e ela se sentia muito bem, sentia-se bonita.
Seu marido colocou uma calça preta, uma camisa preta e um blazer cinza, além de uma boina preta. Ele aparou a barba e também fez uso do perfume preferido de sua esposa.
"Vamos esposa?". House disse. "Você está fantástica".
"Obrigada marido! Você também está muito bem".
Entraram no carro e House dirigiu.
"Aonde vamos?". Cuddy perguntou curiosa.
"Surpresa!". Ela falou rindo enquanto sua mão acariciava o joelho esquerdo dela.
"Chegaram a um clube de Blues. Era um pequeno lugar escondido, propositadamente com pouca luz, muito bem decorado e aconchegante. Eles tinham uma mesa reservada em frente ao palco. A mesa ficava entre dois sofás na cor vinho, muito confortáveis.
"Como você encontrou esse lugar?". Cuddy perguntou deslumbrada, olhando ao redor.
"Eu costumava vir aqui antes de... Stacy". Ele disse tentando evitar o nome da ex-namorada.
"E parou de vir por que?".
"Não sei... eu não encontrava mais uma razão. Aqui é um lugar para vir com o espírito leve e, nunca mais me senti assim".
"Você falou espírito? Você acredita em espíritos Dr. House?" Cuddy perguntou divertida.
"Me refiro a espírito como humor, emocional".
"Aham". Ela falou rindo.
Pediram alguns petiscos deliciosos e depois o show começou. House pediu para Cuddy sentar-se ao lado dele no sofá. Eles assistiram ao show abraçados entre caricias e beijos. Foi o show mais romântico que eles já assistiram. Eles não queriam que a noite terminasse, tudo era mágico: o lugar, a música, a comida, a companhia, a conversa, os beijos, os toques, o cheiro.
"Eu estou amando tudo isso!". Ela falou com a cabeça no peito do marido.
"Eu estou amando você!". Ele respondeu derretendo o coração de sua esposa ainda mais, se é que era possível.
Foram dançar, ficaram na pista abraçados por horas a fio, eles deixaram-se levar pela música, pelo momento, pelo sentimento.
To know you is to love you
But to know me is not that way, you see
'Cause you made me so happy
That my love for you grows endlessly
When i'm down and feeling sad
You always comfort me
When i'm down and feeling sad
You always comfort me
Baby, to know you is to love you
You smile when i see your face
'Cause there ain't no one on this earth
Baby, could ever, ever take your place
(…)
Quando olharam ao redor eram os únicos na pista de dança e a música já havia parado sabe-se lá há quanto tempo.
"Nossa! Quando a música terminou?". Cuddy perguntou sorrindo.
"Nunca termina para mim quando você está presente". Ele a cortejou antes de beijá-la.
Chegaram em casa já perto das 3:00. Marina havia ficado com os gêmeos, aliás, ela ganhou um aumento em seu salário.
Cuddy foi olhar se Rachel e os bebês estavam bem, e eles dormiam serenos. Marina estava no quarto de hospedes e também dormia. Quando Cuddy entrou no seu quarto seu marido o esperava ansioso e ela foi recebida com beijos. Naquela noite ele fizeram amor, lento, delicado, carinhoso. Duas vezes!
"Você tem quantos anos? 22 anos?". Cuddy perguntou para seu House insaciável.
"Perto de você não tenho período refratário". Ele respondeu a abraçando.
Cuddy deitou a cabeça no peito dele e pode ouvir o coração de seu marido. Ela fechou os olhos amando a ideia de que ela, de alguma maneira, foi responsável pelo estado de espírito do marido atualmente: em paz, finalmente depois de tantos anos. Ele merecia! Eles mereciam!
Músicas do capítulo:
It's Raining Men – Versão de The Weather Girls.
To Know You Is To Love You – B.B. King
