Capítulo 46 – Mamãe ursa

A consultoria tem ido muito bem. House é muito requisitado e consegue tocar dois casos por vez, as vezes três. Mas Cuddy, como administradora, evita que ele trabalhe com três casos simultaneamente para tê-lo mais presente com a família. Ela o ajuda nos diagnósticos sempre que possível, e os dois discutem, brigam e fazem tudo o que sempre fizeram, no final do dia estão fazendo amor de reconciliação. Assim caminhou o relacionamento deles por cinco semanas e eles estavam mais do que satisfeitos.

Cuddy, como administradora da consultoria, negociava contratos, gerenciava os casos interessantes para apresentar ao marido, fazia os contatos com hospitais e clínicas, era a responsável pelos seguros e toda a documentação administrativa e financeira, além de auxiliar House com os diagnósticos. Mas ele também contava com a ajuda dos hospitais, já que os exames e testes eram feitos por médicos in loco, muitos deles completos idiotas, como House gostava de observar. Chase era um consultor sempre que podia, Wilson era o médico que House confiava para assuntos oncológicos.

House fez uma nova palestra em Princeton, novamente um sucesso. Ele havia recebido convites para escrever um livro sobre diagnósticos e para dar aulas em algumas universidades, ele recusou as aulas, não queria assumir compromisso fixo e tão pouco tinha paciência com alunos chatos e estúpidos, uma coisa era palestrar uma vez por mês e ganhar um bom dinheiro por isso, outra era dar aulas semanais, corrigir provas, não... isso ele não queria mesmo. Agora sobre o livro ele estava pensando, Cuddy percebeu que a ideia não foi rejeitada imediatamente e o incentivou dando um laptop para o marido "apenas no caso", ela alegou.

Cuddy também administrava as despesas da casa, era ela quem fazia o orçamento e agendava os pagamentos, House não gostava de administrar o dinheiro.

Gael estava com seis meses, ele era um bebê muito comportado, mais do que Tommy e Bella. Muito bem-humorado, mas estranhava todos que não fossem seus pais, seus irmãos, Blythe, Arthur e Wilson. Ele tinha definitivamente os olhos da mãe, o nariz do pai, o queixo com furinho fofo, uma covinha linda na bochecha e cabelos encaracolados na cor mel. Diferente de seus irmãos, o cabelo de Gael clareou. O menino adorava música, seu pai tocava muito para ele, isso o fazia rir e balançar os bracinhos. Era o mais musical dos irmãos, sem dúvida. Brinquedos que chacoalhavam e emitiam sons eram seus preferidos.

Bella continuava uma linda mocinha, mas tímida. Agora quase com dezoito meses a menina estava arredia a estranhos e mais apegada à seus pais. Bella tinha um xodó muito grande com Rachel, era só ela ver a irmã que sorria. Ela adorava livros infantis, principalmente livros com temas relacionados a animais, ela também gostava de jogos de encaixar peças. Quando ouvia música ela dançava de forma muito graciosa.

Tommy... O que falar do garoto furacão? Ele era a energia pura da infância. Tommy aprontava, quebrava coisas, se machucava, desmontava o que conseguia. Era um garoto feliz e sem nenhuma timidez, ao contrário de sua irmã. Ele aprendia muito rápido, qualquer coisa, mas não tinha paciência com livros, brinquedos de encaixar, ele arremessava as peças longe e saia correndo para algo de mais ação. Seus cabelos eram definitivamente loiros, não tão claros como quando ele nasceu, mas longe de serem castanhos.

Rachel continuava desenvolvendo-se graciosamente. Ela crescia tanto quanto o seu cabelo. Um dia Rachel quis pintar as unhas como as de sua mãe quando a manicure foi até a casa deles.

"Mamãe, me deixa pintar as minhas unhas também?". Rachel pediu.

"Tudo bem filha, mas só com um esmalte de base transparente". Cuddy falou enquanto a manicure passava preto em suas unhas.

"Ah mãe, rosa, por favor!". A menina protestou.

"Uma cor rosinha bem clarinha então". Ela disse e Rachel vibrou satisfeita.

Quando House chegou viu mãe e filha fazendo as unhas e arregalou os olhos.

"O que diabos é isso?".

"Mulheres fazendo as unhas". Rachel respondeu.

"Estou vendo só uma mulher, cadê a outra?". House continuou.

"Eu papai". A menina respondeu.

"Você? Você tem seis anos, é uma criança".

Cuddy riu.

"Tudo bem". House falou incomodado. "Depois eu sou exagerado quando prevejo um futuro sombrio". Ele continuou.

"Depois falamos". Cuddy disse simpática pois a manicure estava presente, além da filha.

Mais tarde naquele dia House não esqueceu o assunto e trouxe à tona na primeira oportunidade que teve.

"Seis anos, com namorado, pintando as unhas, o que mais?".

"House pare de drama". Cuddy disse séria, mas segurando uma risada.

"Já quer saber sobre absorventes, sobre os órgãos genitais masculinos, daqui a pouco teremos o que? Netos?". House disse indignado e Cuddy não conseguiu mais conter o riso.

"E você ri?". Ele estava chocado.

"Calma House. É normal que meninas queiram imitar a mãe, só isso. Faz parte do desenvolvimento. Ontem ela quis passar batom, eu apliquei um brilho labial...".

"O que? Batom também?". House quase gritou e Cuddy abraçou o marido e deu um beijo na bochecha dele.

"Eu te amo, papai dramático". Ela disse.


Era dia 18 de setembro e logo cedo House recebeu uma ligação de Wilson.

"O que foi menino Jimmy, ainda estou dormindo".

"Madeilene está nascendo". Ele falou quase surtando.

"Já?".

"39 semanas".

"Vocês não iam fazer a cesariana com 40 semanas?"

"Sim... mas... ela não esperou".

"Onde você está?" House perguntou e Cuddy acordou assustada.

"Hospital da casa de óvulos – A Origem".

"Esse lugar tem um hospital?". House perguntou surpreso.

"É mais uma maternidade". Wilson esclareceu.

"E você tem certeza de que é o melhor lugar pra sua filha nascer?". House questionou.

"Não, não tenho. Não havia pensado nisso, mas agora estamos aqui e ela fará cesariana em breve, vocês podem vir, por favor? Me sinto sozinho".

"Tudo bem". House disse, anotou o endereço e desligou.

"Nossa nora está nascendo". House falou para Cuddy.

Eles deixaram as crianças com Marina e Maria e foram para o hospital.

"Nunca ouvi sobre essa maternidade". Cuddy falou surpresa.

"Se não for um açougue já está de bom tamanho". House respondeu.

Chegaram e a recepção era luxuosa. Na parede um logotipo gigante feito com metal nobre, o logo tinha o formato de um vórtice. Sofás luxuosos na cor nude, tapetes vermelhos que iam receber os visitantes até a calçada de fora, garçons vestidos tipicamente traziam champanhe e caviar, lustres gigantescos.

"Mad deve ter custado uma fortuna". House observou. Ele vestia jeans e tênis destoando do lugar luxuoso.

Avisaram Wilson que estavam na recepção e ficaram aguardando.

Uma hora depois Wilson os encontra.

"Mandy nasceu". Ele disse sorrindo.

"Parabéns!". Cuddy abraçou o amigo.

"Não tive tempo para comprar charutos, mas tenho certeza de que eles devem ter algo do tipo por aqui". House disse.

Um garçom se aproximou e serviu champanhe para celebrarem e charutos cubanos.

"Óbvio". House disse pegando o charuto e o champanhe. "Vamos fumá-lo aonde?".

"Depois". Wilson disse ainda meio aéreo.

"Onde está agora a bebê de um milhão de dólares?". House perguntou.

"Não a chame assim". Wilson disse.

"Tudo bem. Onde está Mad?".

"Nem assim". Wilson respondeu.

"Isso já é implicância". House falou.

"Mandy está fazendo os primeiros testes, mas pareceu saldável". Wilson disse.

"E você não pode ir junto com ela?". Cuddy perguntou.

"Não".

"Como ela é?". House perguntou curioso depois da desconfiança do amigo sobre a troca de material genético.

"Não reparei bem. Só sei que é ruiva".

"Olha aí. Ruiva como a doadora, não trocaram o material dela então". House tentou animar o amigo.

"Eu vou lá, preciso estar com ela. Preciso olhar o rosto dela e ter certeza de que ela é minha". Wilson saiu em disparada.

Horas depois House e Cuddy foram conhecer Mandy. Wilson precisava alimentar a menina pela primeira vez.

"Apresento Madeilene Josephine Margot Wilson". O pai falou.

"Uau! É como se eu estivesse no século XVIII". House respondeu. "Porque você não melhora isso para: Madeilene Josephine Margot Wilson II?".

"Fique quieto". Wilson disse.

"Ué. Pensei que você ia me xingar de coisa pior". House comentou.

"Não em frente à minha filha".

House riu.

Mandy era ruiva, ela tinha muito cabelo, todo arrepiado. Ela era bem branca, olhos cinzentos, boca bem fina.

"Definitivamente o nariz é o seu". House disse.

"Ainda não dá pra ver nada, só o cabelo ruivo". Wilson contestou.

Cuddy pegou a menina e cheirou a cabecinha dela.

"Adoro esse cheiro". Ela disse. Depois ensinou Wilson a dar mamadeira para sua filha.

"Como é ser pai?". Cuddy perguntou.

"Não sei ainda". Wilson respondeu confuso. "Achei que ia sentir algo mágico, mas... talvez se eu tivesse uma mãe para ela...".

"Wilson, isso virá com o tempo". Cuddy disse.

"A mãe ou o sentimento de maternidade? Sim Wilson, porque você é a mãe aqui".

House respondeu e levou um pequeno chute de sua esposa.

"Ai Mulher. Isso dói!".


No dia seguinte a menina teria alta da maternidade, Wilson não sabia o que fazer então Cuddy o convidou para passar os primeiros dias lá com eles, assim eles poderiam ensiná-lo e auxiliá-lo.

Ela adaptou seu escritório com um sofá cama para Wilson e um carrinho de bebê para Mandy.

"Wilson, eu vou amamentar Gael, mas ele vai mamar no peito, House pode te ensinar a preparar a fórmula e colocá-la na mamadeira". Cuddy disse e House revirou os olhos.

Enquanto Cuddy amamentava o menino House ensinava Wilson a fazer uma mamadeira com leite formulado, o que Mandy tomaria.

"Boa coisa que Deus inventou as fórmulas e as mamadeiras". House falou divertido.

Wilson foi até Cuddy que amamentava e sentou-se na cama para dar mamadeira para Mandy.

"Eu, não te incomodo? Quer dizer... você está com o seio de fora". Wilson disse fechando os olhos ao entrar.

"Estou com meu seio coberto, fique tranquilo". Cuddy riu.

Ele sentou-se com a filha. "Ela está muito mole, acho que tem algum problema muscular genético".

House riu quando ouviu. "Com certeza ela deve ser filha de um molusco".

"Wilson, é normal que eles sejam assim quando recém-nascidos". Cuddy falou.

Gael olhava curioso para tudo ao redor.

"Seu filho é adorável. Essas covinhas dele são fofas, ele já veio geneticamente pronto para ser fofo". Wilson disse enquanto dava mamadeira para Mandy.

"Que papo de mães. Eu vou fazer alguma coisa de macho". House disse saindo.

"Como você consegue estar casada com ele?". Wilson perguntou.

"Eu o amo e sou muito feliz casada com ele". Cuddy falou sorrindo.

"Casamento é... difícil normalmente. E com House deve ser muito mais complicado".

"Ele é o amor da minha vida, ele cuida de mim ao mesmo tempo em que me desafia. Minha família é linda, ele é o pai carinhoso dos meus filhos, um gênio na profissão dele e está fazendo muito dinheiro, além de ser ótimo na cama. Por que eu não seria feliz?". Cuddy falou fazendo Wilson corar.

Ela terminou de amamentar Gael e começou a chacoalhar levemente seu filho para que ele arrotasse, também ensinando Wilson como deveria ser feito. Mas ele não conseguiu, pensou que ia machucar a filha, então Cuddy fez isso por ele.

Depois Cuddy o ajudou a dar banho na filha, a trocá-la, a colocá-la na cama. O dia todo Cuddy ficou acompanhando a rotina de Wilson e Mandy.

"Ela não está arroxeada?". Wilson perguntou nervoso.

"Não Wilson, ela está rosada, saudável". Cuddy respondeu tranquilizando o amigo.

"Você viu a... coisa dela?". Wilson perguntou.

"Coisa?".

"Sua vagina". Ele falou sussurrando.

"O que tem a vagina dela?". Cuddy falou em tom de voz normal.

"Shhh... não fala isso alto perto dela". Wilson disse.

"Por que?".

"Tudo bem. Você viu a coisinha dela? Achou normal?". Wilson perguntou tenso.

"Normal. Por que não seria?". Cuddy perguntou respirando fundo para manter a calma.

"Não sei, eu só vi de adultas até hoje". Wilson falou corando.

"Está tudo normal Wilson, relaxe".

House ficou trabalhando e se revezando entre cuidar da janta e das crianças.

"Papai, essa bebê ruiva é do tio Jimmy?". Rachel perguntou.

"Dizem que sim". House falou sarcástico.

"Ela vai ficar para sempre com ele?".

"Espero que sim". House falou rindo.

"Papai... Ruiva". Tommy disse.

"Menino juízo, você é muito novo para já se interessar por ela, espere mais alguns anos, tudo bem?".

"Ruiva". Ele repetiu.

Bella estava ocupada vendo as figuras de seu novo livro.

Naquela noite House e Cuddy estavam no quarto depois de todos os filhos dormirem.

"Estou cansada". Ela disse.

"Você ficou cuidando de Gael e assessorando Wilson, me admiraria se você não estivesse cansada". House falou.

"E você, meu lindo marido, ajudou com as outras crianças e com a janta". Ela disse beijando-o na bochecha. "Mas eu não tenho pique para mais nada hoje. Desculpe".

Dormiram exaustos. No meio da madrugada batidas na porta. Era Wilson desesperado.

"Acho que ela está morrendo".

"O que aconteceu?". House e Cuddy perguntaram juntos correndo para o quarto onde Mandy estava.

"Ela está muito quieta e não se mexe". Wilson disse apavorado.

House a examinou com cuidado.

"Ela está dormindo Wilson". Ele falou. "Você deveria fazer o mesmo".

No dia seguinte pela manhã o ritual se repetiu. Cuddy ficou auxiliando Wilson e House trabalhando enquanto Maria e Marina tomavam conta das crianças. Rachel estava na escola.

"Tommy não é para jogar comida pela parede, é para jogar comida para dentro da sua boca". House falava com seu filho. "Por mais que você ache isso uma obra de arte, sinto lhe dizer, mas não é".

Tommy ria.

"Música". Bella pediu para seu pai e ele colocou músicas infantis para a menina ouvir. Ela adorava comer ouvindo música e balançando os bracinhos.

Nisso Cuddy chegou com Gael e Wilson a tiracolo. O bebê ouviu a música e começou a se animar também.

"Estou morrendo de fome". Cuddy disse e House tirou uma lasanha do forno.

"Você fez isso tudo?". Ela perguntou para o marido.

"O marido que vale por dez". Ele respondeu e Cuddy o beijou.

"Tudo bem... tudo bem... temos crianças aqui". Wilson disse.

"Wilson seu chato". House disse.

"Wilson, é saudável que as crianças cresçam presenciando o afeto entre seus pais". Cuddy respondeu.

"Vamos ouvir uma música criançada". House disse e seus filhos ficaram agitados. "Ele aumentou o volume".

Daddy finger, daddy finger, where are you?
Here I am, here I am
How do you do?
Daddy finger, daddy finger, what's your name?
Thumb I am, thumb I am, call me "thumb"

Mommy finger, mommy finger, where are you?
Here I am, here I am
How do you do?
Mommy finger, mommy finger, what's your name?
I am called "index finger", you know me

Brother finger, brother finger, where are you?
Here I am, here I am
How do you do?
Brother finger, brother finger, what's your name?
Middle finger, middle finger, now you know me

(...)

"Eu não aguento mais música para bebês". Rachel disse.

"Seus irmãos adoram essa música". House falou divertido e, de fato, os bebês batiam palmas e dançavam.

"Você vai acordar Mandy, desligue!". Wilson ordenou.

"Chato!". House falou fazendo Cuddy e Rachel rirem.

Algumas horas depois.

"Cuddy, olhe o umbigo de Mandy. É normal isso ou ela será aquelas pessoas com aqueles umbigos feios?". Wilson perguntou.

"É normal Wilson, fique tranquilo". Cuddy disse.

"Tem certeza?". Cuddy precisou explicar para Wilson todos os detalhes sobre os cuidados com o umbigo da bebê, pela segunda vez.

Naquela noite House e Cuddy estavam se beijando.

"Será que ninguém vai nos ouvir?". Cuddy perguntou.

"Por alguém você diz Wilson?".

"Sim".

"Ele sabe que fazemos sexo, caso contrário teríamos que ter ido a Casa de óvulos – A origem para fazer nossos três últimos filhos". Ele respondeu e Cuddy riu.

Eles seguiram com as caricias e estavam tirando suas roupas quando ouviram batidas na porta.

"Ah não!". House parou frustrado.

Cuddy colocou a roupa e saiu.

"Desculpe, mas Mandy está estranha". Ele disse.

Cuddy foi até lá, mas não era nada. "O bebê lactante pode produzir pequenos ruídos ou roncos. Fique tranquilo. Ela está bem".

Cuddy voltou.

"Desculpe marido, não era nada".

"Claro que não, Wilson acha que a filha está morrendo a cada segundo". Ele disse irritado.

"Onde paramos?". Ela falou maliciosa e começaram novamente os beijos e caricias quando ouviram nova batida na porta.

"Aumentou o barulho que ela está fazendo". Wilson gritou de fora.

Resumindo, naquela noite desistiram de fazer sexo após a terceira interrupção.

No dia seguinte Cuddy deixou Wilson fazer a maior parte das coisas sozinho, para estimulá-lo a aprender mais depressa e perder o medo.

House continuou sua saga de trabalho e dono de casa.

"Cuddy, coma um pouco. Você passou o dia tutoreando Wilson, você está amamentando e tem três bebês e uma criança para criar, cuide-se". House falou para a esposa.

"Sim, papai". Ela falou rindo e logo Tommy, Bella e Rachel começaram a rir também.

"Papai...". Tommy dizia achando muito engraçado.

"Lisa, você precisa dar mais autonomia para Wilson e Mandy, caso contrário ela vai te chamar de mamãe daqui a pouco". House falou.

"Com ciúmes papai?". Cuddy perguntou.

"Papai!". Tommy repetiu sorrindo.

"Não é ciúmes, é um fato. Ele está perdido se apoiando em você, mas vai chegar uma hora em que ele vai precisar ir. Contratar uma babá, uma mãe de aluguel, seja lá o que for".

"Eu sei, mas a menina foi tirada do ventre que ela conhecia e da mulher que a aconchegou por meses, você não tem pena da pobrezinha?". Cuddy perguntou.

"Ela era uma barriga de aluguel e não a mãe dela. Mad não tem mãe, por mais triste que isso pareça. Ela tem doadora e barriga de aluguel. Tudo bem, talvez uma mãe despreparada que está sofrendo depressão pós-parto: Wilson".

"Ela pode vir a ter uma mãe nessa vida se Wilson encontrar alguém".

"Com certeza, mas não será você".

"Quem disse que eu quero ser mãe dela?".

"Mas age como se quisesse". House disse. "Você não é a mamãe ursa que precisa abraçar a todos os bebês desamparados do mundo".

"Eu não quero, estou ajudando um amigo".

"Eu sei que você tem as melhores intenções. Eu também quero que Wilson e sua filha fiquem bem, mas isso só vai acontecer se eles fizerem isso acontecer. Isso foi escolha de Wilson, ele foi até a um curso de pais no último mês. Aprender a colocar fraldas, dar banhos, salvar o bebê de um engasgo, ele tem certificado de pai, eu vi, você viu. Ele fez questão de enquadrar o certificado e colocar no quarto rosa magenta de Mad".

"Papai... gato rosa". Bella apontava para o desenho em seu livro e mostrava para seu pai.

"Isso mesmo filha, é um gato e ele é rosa". O pai dizia orgulhoso. "Meus filhos são muito inteligentes, olha isso Cuddy".

De repente ouviram gritos vindo do andar superior.

"Ela morreu!".

Cuddy ia saindo e House a interrompeu. "Não, dessa vez eu irei".

"House, tenha paciência com ele. Wilson está assustado, é tudo novo...".

House sem ouvir subiu. Wilson estava dando banho em Mandy e a menina estava quieta.

"O que foi agora?".

"Ela está assim, apagada". Wilson disse assustado.

"Você nem parece um médico, como você acha que ela morre o tempo todo se ela continua respirando?" House perguntou nervoso e se aproximou gentilmente da bebê.

"E o que é agora então?". Wilson estava em pânico.

"Ela está dormindo".

"Dormindo? No banho?".

"Sim, isso os acalma. Eu os entendo". House falou.

Wilson ficou com cara de choque.

"Tommy até hoje joga toda a água da banheira para fora quando toma banho. Ele bate as mãos na água, adora. O banheiro fica horrível, mas ele adora. Bella dormia muitas vezes também de tão relaxada que ficava. Gael tinha medo no início, mas agora ele se diverte e canta durante o banho todo, os bebês são assim". House explicou.

A noite Cuddy queria começar algo com seu marido, mas House a parou.

"Deixe-me ver se Wilson está dormindo". Ele falou e seguiu para o quarto dele e de Mandy. Quando chegou lá Wilson estava no escuro, em pé, encarando a sua filha que dormia.

"O que é isso?". House perguntou.

"Estou olhando-a dormir para garantir que tudo está bem". Wilson respondeu.

"Você está traumatizando sua filha, isso sim". House falou. "Isso é doentio, ficar encarando a pobrezinha assim. Ela ficaria menos traumatizada se fosse filha de Jason Voorhees".

"Eu... não sei como ser pai". Wilson sentou-se chorando.

"Você precisa conhecer sua bebê, passar tempo com ela. E você precisa entender que ela não vai morrer só porque está quieta e calma. Ela precisa te conhecer também, criar um vínculo e confiança em você. Da forma que está, ela vai criar vínculos com Cuddy ao invés de fazer isso com o pai dela. Deixe-a descansar, vá descansar também".

"Fica aqui comigo essa noite?". Wilson pediu.

"Por mais gay que isso pareça, não. Você precisa ficar sozinho com ela. Cuddy é boazinha demais e não está te ajudando com isso". Ele falou e voltou para seu quarto, mas Cuddy já dormia exausta e ele não a acordou.

No dia seguinte pela manhã Wilson estava confuso, deixou a mamadeira de Mandy em cima da mesinha do centro da sala e foi trocá-la. Tommy muito ligeiro viu e pegou a mamadeira da bebê, tomou tudo, até a última gota.

"Sabe o que eu estava pensando, Cuddy?". Wilson começou e House estava só ouvindo a distância.

"O leite materno é ideal para a saúde e evolução do bebê. Como você está amamentando Gael... tem leite... quem sabe...".

Os olhos de House arregalaram em pura ira, mas Cuddy falou antes dele pensar em se pronunciar.

"Não acho uma boa ideia Wilson, é melhor que você tenha autonomia com sua bebê. Temos ótimas fórmulas atualmente".

E então Wilson foi pegar a mamadeira e percebeu o que aconteceu.

"Tommy!". Wilson gritou. "Olha seu filho, Cuddy".

"O que foi?". Ela veio assustada com Gael no colo.

"Tommy tomou toda a mamadeira da minha filha".

O menino olhou para ela sorrindo com a mamadeira na mão.

"Como Taz tem tanta fome?". Rachel disse balançando a cabeça.

"Filho você não pode pegar a mamadeira de Mandy". Ela falou para ele.

"Só isso que você vai dizer?". Wilson estava indignado.

"O que mais vou fazer?". Cuddy falou. "Bater nele?".

"Não sei, talvez". Wilson a provocou.

Bella começou a chorar com o barulho e Rachel foi consolá-la.

"Tommy você não pode tomar a mamadeira de minha filha". Wilson praticamente gritou e o menino começou a fazer beicinho de choro.

Nessa hora House chegou. "O que é isso? O que você pensa que está fazendo com meu filho?".

"Estou o educando". Wilson disse.

Gael e Mandy começaram a chorar também.

"Você mal pode cuidar de sua própria filha e quer educar o meu menino?". House estava muito irritado. "Vamos Tommy, venha com o papai, vamos sair desse lugar".

"House, não!". Cuddy disse.

"Não? Ele entra na minha casa, rouba a atenção da minha mulher, nem posso ter sexo mais com ela, ainda por cima quer roubar os seus seios e xinga meu filho? É demais para mim. Você escolhe agora Cuddy. Tommy e eu, ou Mandy e Wilson".

E saiu com seu filho.

Continua...


Música do capítulo: The Fingers Family Song