Capítulo 47 – Tal pai, tal filho II
"Tommy você não pode tomar a mamadeira de minha filha". Wilson praticamente gritou e o menino começou a fazer beicinho de choro.
Nessa hora House chegou. "O que é isso? O que você pensa que está fazendo com meu filho?".
"Estou o educando". Wilson disse.
Gael e Mandy começaram a chorar também.
"Você mal pode cuidar de sua própria filha e quer educar o meu menino?". House estava muito irritado. "Vamos Tommy, venha com o papai, vamos sair desse lugar".
"House, não!". Cuddy disse.
"Não? Ele entra na minha casa, rouba a atenção da minha mulher, nem posso ter sexo mais com ela, ainda por cima quer roubar os seus seios e xinga meu filho? É demais para mim. Você escolhe agora Cuddy. Tommy e eu, ou Mandy e Wilson".
E saiu com seu filho.
"Que absurdo! Desequilibrado. E eu estou sem mamadeira para dar para Mandy que está chorando de fome". Wilson falou nervoso.
"Wilson quieto. Acalme-se". Cuddy falou brava e ele a olhou assustado.
"Nunca houve essa gritaria na minha casa, as crianças estão assustadas. Mandy está chorando porque ela está assustada e não com fome. Meu marido saiu com meu filho e eu preciso de um tempo".
Cuddy pegou Bella e Gael e os levou para o andar de cima, ela precisava ir para longe de Wilson imediatamente antes que fizesse alguma besteira.
"Tio Jimmy". Rachel o chamou. "Por que você está tão estranho depois que Mandy chegou? Você está chato e triste, ela é tão bonita era para você estar feliz. Você deixou meu papai e minha mamãe tristes também".
Wilson de repente refletiu, ele estava fora de si desde que recebeu a notícia do nascimento da filha. Ele não estava pronto, nunca se sentiu tão sozinho e desamparado no mundo.
"Desculpe Rachel, eu estou assustado". Ele falou.
"Quando eu estou assustada eu rezo ou papai e mamãe me acalmam. Você não tem uma mamãe e um papai?".
"Eu... eu sou o pai". Ele falou percebendo que precisava tranquilizar sua filha e não ser o covarde que ele estava sendo atualmente. Ele foi preparar uma nova mamadeira para alimentar Mandy.
Cuddy acalmou seus filhos, ela se deitou em sua cama com eles. Os beijou, os cheirou, os acariciou, fez cócegas. Eles estavam rindo felizes totalmente diferente do pranto de minutos atrás. Ela tentou ligar para House, mas ele não atendeu, ele devia estar dirigindo, ele saiu com o carro... Cuddy pensou. Então ela mandou uma mensagem.
Sempre escolho minha família. Amo vocês. Voltem!
Depois de algum tempo os filhos adormeceram. Cuddy colocou cada um em seu berço e voltou para sala.
"Cuddy". Wilson começou.
"Agora não Wilson".
"Cuddy eu preciso falar". Wilson disse enquanto amamentava Mandy.
"Filha, vai brincar que eu preciso conversar com tio Jimmy, por favor". E Rachel foi atrás de seus brinquedos deixando a mãe com Wilson na sala.
"Eu sinto muito por tudo o que aconteceu, mas foi muito importante para mim". Ele começou.
"Que bom que alguém está satisfeito". Cuddy falou nitidamente irritada.
"Isso me ajudou a ver que House estava certo, eu realmente preciso tomar as rédeas, eu... eu fiquei muito assustado e vendo você, sua família, você uma mãe para seus filhos... eu só queria essa segurança de uma mãe para Mandy. Sei que tenho exagerado e House...".
Cuddy o interrompeu. "E meu marido foi embora com meu filho, é isso o que aconteceu Wilson. Eu quero te ajudar, acredite em mim, mas tudo tem um limite, não posso colocar minha família em segundo plano, nunca. House esteve ocupado, eu estive ocupada, nós estamos cansados e você destratou Tommy, uma criança de um ano".
"Eu sei. Eu sei que exagerei". Ele falou cabisbaixo.
"Queremos o melhor para Mandy e para você e acho que o melhor é você começar sua vida com ela na sua casa, da sua maneira. Estaremos aqui para ajudá-lo sempre que precisar, mas...".
Dessa vez foi Wilson quem a interrompeu. "Concordo com você. Eu anotei tudo que me ensinou em um caderno, a cada final de dia ia anotando tudo, eu acho que preciso colocar em prática agora".
"Wilson a paternidade virá com a prática do dia a dia, com a experiência, contrate uma babá experiente, chame sua mãe, alguém familiar para ajudá-lo e em pouco tempo você estará habituado. Como disse, sempre que precisar pode nos dizer, mas eu tenho três bebês aqui e mais uma criança e um marido".
Sentados em uma praça estavam eles.
"Sabe, eu queria ter essa conversa de homem pra homem, de pai para filho, de House para House". Ele começou.
"House!". Tommy disse.
"A vida não é fácil quando temos essa genética, já te aviso, muitos não vão te entender e você também não vai se importar com eles, mas alguns sim e isso vai doer. Sua mãe diz que a dor acontece quando você se importa". Tommy ficava olhando fixamente nos olhos de seu pai.
"Eu costumava fugir da dor com entorpecentes, mas sua mãe e vocês me fizeram mudar muitas coisas. Tio Jimmy também vai mudar por Mandy, você vai ver. No mais, você se vinga dele depois pegando sua filha". Ele riu e Tommy riu junto.
"Agora vamos brincar, eu tenho feito muito esforço com essa perna aqui para estar apto a brincar com meus filhos".
Ele começou a correr o melhor que podia pelo parque e Tommy muito feliz atrás de seu pai.
Uma hora depois ele olhou o celular e leu a mensagem de sua esposa.
"Filho, está na hora de voltarmos para casa. Você quer ver mamãe?".
"Mamãe!". Tommy disse feliz.
Cuddy estava ansiosa entre olhar seu celular e olhar para a porta, nada de seu marido. Wilson estava dando banho em Mandy.
Ela ouviu o carro estacionando e correu para a janela, eram eles.
"Graças a Deus!". Cuddy se jogou em seu filho quando entraram. "Para onde vocês foram?".
"Brincar!". Tommy falou.
"Fomos ao parque ter uma conversa séria e depois brincar". House disse.
Cuddy se jogou nos braços de seu marido. "Desculpe-me, eu te amo".
"Não é culpa sua, você só estava tentando ajudar, eu perdi a paciência...".
"Não, você estava certo. É irritante, mas estava certo como sempre". Cuddy disse beijando seu marido.
Naquele noite Wilson não os incomodou e eles puderam fazer amor.
Na manhã seguinte Wilson ligou para duas babás pré-selecionadas antes do nascimento de Mandy e agendou uma conversa final com cada uma delas para aquela tarde em sua casa.
"Ei". Ele falou se aproximando de House.
"Ei". House respondeu.
"Desculpe ter falado daquela maneira com Thomas".
"Tudo bem, ele perdoa fácil, já deve ter esquecido".
"Você me perdoou também?".
"Eu já fiz coisas piores com você, sei disso, mas quando é com um filho seu, é mil vezes pior, você verá isso em breve".
"Eu imagino".
"Eu desconsidero os hormônios de gravidez e a depressão pós-parto, então estamos bem". House respondeu.
Wilson riu. "Obrigado!".
Cuddy que ouvia tudo a distância pensou: "Homens!".
"Sete anos. Como o tempo passa. Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que a vi". Cuddy falou.
"Eu também, ela vomitou em mim". House respondeu.
"Foi fofo, e não foi a primeira vez que a viu".
"Foi a primeira vez oficial".
Cuddy o beijou.
"Eu queria você na vida dela, queria você em nossa vida. Nunca imaginaria que teríamos o que temos hoje".
"Arrependimentos?".
"Nenhum". Eles se beijaram apaixonadamente.
"Ai mamãe, papai, parem!". Rachel disse.
"A aniversariante está irritada? E olha que nem é adolescente". House zombou e Cuddy riu.
"Vocês se beijam o tempo todo". A menina contestou.
"Ah, então você está irritada porque não namora mais Davi". House cutucou. "Até que eu gostava daquele menino".
"Mas agora eu tenho Kev". Rachel falou.
"O que?". House quase gritou.
Cuddy riu.
"Isso é o que? Um desfile de machos mirins?". House estava indignado.
"House!". Cuddy chamou a atenção do marido.
"Você tem que chamar a atenção dela, não minha". Ele disse frustrado.
Na festa de aniversário Kev apareceu. O menino se preocupava com sua aparência, ele veio bem-vestido e passava a mão no cabelo a cada minuto, ele tinha longos cabelos que batiam no ombro. As vezes simplesmente virava a cabeça jogando o cabelo para trás.
"Olha isso, Cuddy". House falou espreitando o menino. "Menino arrogante".
"House pare. São crianças".
"Ele fica com essa pose de modelo mirim jogando o cabelo para trás. Se fosse na minha época esse menino ia apanhar tanto dos outros garotos".
"Ainda bem que não estamos na sua época". Cuddy falou.
"Que menino de sete anos faz isso?".
"Você se surpreenderia". Cuddy disse. "Mas ele tem oito anos".
"O que?".
"House fale baixo".
"Isso é praticamente pedofilia".
Cuddy riu e virou a cabeça em negação. "Pare de drama".
"Drama? É o segundo namorado dela, ela está fazendo sete anos hoje".
"House, ela não namora como nós. Ela namora como uma criança".
"Ainda bem, só faltava isso, imagina ela querer ir passar o final de semana viajando com o namorado". House estava indignado. "Como você sabe a idade dele?".
"Ela me contou". Cuddy estava achando tudo muito engraçado, mas lutando para conter as risadas.
"E porque contou para você e não para mim?".
"Sério que você está me perguntando isso? Olha como você está louco, você acha que ela iria te contar?".
"Eu não estou errado aqui, não tente inverter isso contra mim. Eu não entendo como você não fica louca". Ele falou e Cuddy calou-se.
"Ele tem uma tatuagem no braço?". House arregalou os olhos.
"Claro que não". Cuddy estava em choque com a atitude do marido.
"Olha aquilo". House apontou para o menino.
"É tatuagem que vem na embalagem de chiclete, House. Vai beber alguma coisa, relaxe". Cuddy falou e saiu de perto do marido.
"Eu preferia Davi". House gritou para Cuddy, mas Rachel ouviu e olhou para ele envergonhada.
Wilson veio sozinho, ele deixou Mandy em casa com a babá, pois a menina ainda não tinha sido completamente vacinada então ele não quis se arriscar. Quer dizer, ele a deixou com a terceira babá, já que duas delas desistiram depois de algum tempo convivendo com Wilson. Ele havia melhorado um pouco com relação ao pânico de que algo errado aconteceria a cada momento, mas ainda assim não era o ideal. Longe do normal.
"Decidi que farei o DNA". Wilson disse para House.
"Boa tarde para você também". House respondeu olhando de canto de olho Kev e sua filha.
"Mandy não se parece nada comigo". Wilson continuou.
"Ela puxou a doadora do óvulo, boa coisa que não puxou você. E se ela não for sua filha, o que você fará?". House perguntou enquanto Wilson digitava em seu celular displicente. "Quantas vezes você já mandou mensagem para a babá perguntando se Mad está bem?".
"Só duas". Wilson respondeu.
"Ótimo, outra babá que vai se demitir".
"Qual o problema de um pai preocupado?".
"O problema é que você chegou aqui há dois minutos e já mandou duas mensagens, isso dá... deixa eu ver... uma mensagem por minuto. Quando você chegar em casa essa babá vai ter empacotado todas as coisas dela para nunca mais olhar para você ou Mad".
"É Mandy".
"Você é louco". House disse. "Se você estivesse passando pelo estresse que eu estou passando agora com minha filha, já teria surtado". House falou olhando para Rachel e Kev que riam junto com outras crianças.
"O que aconteceu?". Wilson perguntou.
"Nada. Continue nessa sua bolha: O Mundo de Mad".
Wilson bufou.
"Olha o palhaço. Chegou. Pensei que não viria mais". House disse olhando o rosto do amigo que saiu correndo.
Não havia palhaço nenhum, Rachel não quis que sua mãe contratasse ninguém para animar a festa, ela disse que já estava crescida. Mas o fato é que Wilson ficou escondido a festa inteira com medo do palhaço inexistente.
Arthur e Blythe foram até House e Cuddy mais tarde durante a festa.
"Temos uma novidade!". Blythe falou.
"Engravidei sua mãe". Arthur falou e House fez cara de nojo.
"Vamos para um cruzeiro nas Ilhas Maldivas e queremos que vocês venham conosco. Por nossa conta!". Blythe falou.
"Mas...". Cuddy começou e Blythe a cortou.
"Ajudaremos com as crianças, e será só em abril, vocês têm tempo para se organizarem. Celebraremos a festa de Tommy e Bella em grande estilo". A sogra de Cuddy continuou.
"Não ter sua mãe será um bônus". House disse.
"Agradeço, mas vamos pensar e responderemos em breve". Cuddy falou.
"Ann virá com um prostituto hoje?". House perguntou para Cuddy tão logo Blythe e Arthur saíram.
"Não, ela não virá hoje".
"Por que?".
"Ela está em repouso pós-cirúrgico".
"O que ela tem?". House perguntou surpreso.
"Silicone".
"O que? Tia Ann com peitões?". Ele estava em choque.
"Não só... Nádegas e seios". Cuddy respondeu rindo.
"Oh meu Deus! Eu amo sua tia". House riu alto. "Exceto quando ela quer bancar a parteira louca".
"Minha mãe está muito brava". Cuddy disse.
"Ótima informação". House disse com olhos de quem faria algo a respeito.
"House! Controle-se".
As crianças se divertiam. Gael com nove meses brincava animado, ora com seu pequeno piano, ora com seu chocalho de dinossauro. O menino adorava dinossauros e instrumentos musicais. Bella brincava com Jennifer e Tommy suando corria pela casa toda, mesmo com os inúmeros apelos de sua mãe para que ele sossegasse. Rachel continuava as brincadeiras com o grupo de crianças de sua escola, incluindo Kev.
"Ora... Ora... Soube que estão fazendo uma excursão na sua família para a clínica de implantes de silicone, e que você é a próxima na lista". House provocou a sogra.
"Eu sou sim, mas é para colocar o silicone no seu pênis". Arlene falou alto e House riu, mas Cuddy que estava a uma distância mínima corou.
"Mamãe... Tommy se machucou". Rachel veio alertar.
"O que?". Cuddy quase desmaiou só de ouvir essas palavras.
House e ela correram para vê-lo, ele havia cortado o supercílio.
"O que aconteceu?". House perguntou estancando o sangue com a mão.
"Dodói". Tommy falou tranquilo, ele não chorou e nem se assustou.
"Ele caiu e bateu o rosto no degrau da escada". Rachel disse.
"Mas eu fechei o portão de segurança para ninguém acessar a escada". Cuddy falou preocupada.
"Tommy abriu". Rachel respondeu e saiu correndo de lá, ela não podia ver sangue.
Cuddy estava paralisada.
"Cuddy, pega uma toalha e meu kit médico". House falou enquanto levava o filho para o banheiro.
Cuddy custou a lembrar-se onde estava o kit de primeiros socorros, mas por fim o encontrou.
"Segure Tommy, vou anestesiar o local". House disse.
"O que? Você vai dar injeção?". Cuddy estava destruída.
"Claro que sim, ele precisa de pontos".
"Não! Coitado". Cuddy tremia de nervoso.
"Jeção não". Tommy falou.
"Vamos Cuddy". House disse e ela, com muita dor no coração, segurou o filho.
"Não Cuddy, mais forte".
"Não consigo". Ela chorava.
Nisso Wilson apareceu.
"Onde você esteve?". House perguntou.
"Isso vem ao caso?". Ele respondeu e segurou forte o menino.
House aplicou o anestésico local e Tommy batia pés e braços. Cuddy chorava e acariciava o rosto do filho.
"Vai dar tudo certo bebê". A mãe dizia.
House limpou o corte e deu dois pequenos pontos.
"Pronto. Muito bem-feito, quase um cirurgião plástico, nem vai ficar cicatriz". House falou admirando sua obra. "Agora vamos dar um doce para o menino corajoso, tudo bem?".
"SIM!". O menino gritou esquecendo-se quase que imediatamente da dor.
"Mas antes vamos trocar de roupa". House disse, já que a camiseta de Tommy estava suja com sangue.
"Tudo bem?". House perguntou para Cuddy.
"Vai... vai com ele, eu preciso me recompor". Ela disse com lágrimas nos olhos. "Vai você também Wilson. Obrigada".
Cuddy foi ao banheiro e chorou. Será que Tommy seria como seu pai até nisso? Será que seu coração viveria na mão por seu filho como sempre viveu por seu marido? Mesmo quando eles não tinham um relacionamento íntimo, Cuddy sofria com as loucuras de House, será mesmo que Tommy tinha herdado não apenas a aparência física de seu pai? Essa possibilidade a apavorava.
