Tudo passa... Tudo se transforma... Na pior tristeza ou na maior felicidade, isso também passará.
Capítulo 55 – O bêbado e o ferro velho
Dias depois House e Cuddy levaram seus filhos até uma hamburgueria nova. As crianças estavam se esbaldando nos lanches, House também, diga-se. Bella, que não gostava tanto de carne, estava comendo um lanche vegetariano como sua mãe.
"Eu vou pegar mais molho especial para a salada". Cuddy falou e saiu.
"Quem pega salada em uma hamburgueria?". House perguntou.
"Mamãe". Rachel falou e todos riram.
Nesse momento uma mulher se aproximou.
"Greg!".
Ele olhou distraído enquanto ria com as crianças e quando viu quem era arregalou os olhos.
"Stacy?".
"Esses são todos seus... filhos?". Ela perguntou.
"Quem é essa mulher, papai?". Tommy perguntou com a boca cheia de batatas fritas.
"Esse é a sua cara". Ela falou apontando para Tommy e sorrindo.
"O que você quer Stacy?". House perguntou.
"Não pode me responder a uma simples pergunta, Greg?".
"Sim, são todos meus filhos".
"Você tem um mais novo agora?". Ela observou Gael e sorriu.
"Eu sou o caçula". Gael falou enquanto pegava catchup.
"Eles são lindos!". Stacy disse.
"Obrigada senhora!". Bella respondeu fazendo House rir.
"O que você quer Stacy? Não vou deixar você levar nenhum deles para jogar pelo telhado desse lugar". House disse.
"Ela joga crianças pelo telhado?". Rachel perguntou.
"Ela é uma bruxa?". Tommy perguntou ainda comendo. Nada impedia aquele menino de comer, nem a história mais aterrorizante.
Bella começou a ameaçar um choro e a olhar ao redor procurando por sua mãe.
"Não... eu... fiquem calmos... eu...". Stacy ia dizendo quando foi interrompida.
"Stacy!". Cuddy falou com ímpetos de matá-la.
"Lisa!".
"O que você faz aqui?". Ela perguntou.
"Eu estou tentando descobrir isso há dois minutos". House respondeu para a esposa.
"Eu estava aqui nesse restaurante até...". Stacy falava, mas foi interrompida por Gael.
"Hamburgueria".
House riu.
"Eu estava aqui nessa hamburgueria com alguns amigos quando vi Greg e as crianças". Stacy disse.
"E você resolveu se aproximar de meu marido e de meus filhos com qual intenção?". Cuddy continuou.
"Desculpar-me. Sei que isso não resolve as coisas, mas... eu estava doente. Eu tive muitos problemas em pouco tempo...".
"Tudo bem, você pode ir agora". Cuddy falou.
"Vocês têm filhos lindos. Parabéns!". Stacy falou.
"Obrigada senhora!". Bella agradeceu novamente.
House riu outra vez da filha e Stacy se foi.
"Quem era essa mulher?". Rachel perguntou.
"Uma ex-namorada do seu pai". Cuddy respondeu.
"Papai teve namoradas antes de você?". Rachel estava surpresa.
House riu. "Por que a surpresa?".
"Porque você não gosta que eu namore". A menina respondeu e agora foi Cuddy quem riu.
"Porque você é uma criança e crianças devem brincar e não namorar". O pai respondeu.
"Você fazia o que? Pegava na mão dela?". Rachel perguntou e Cuddy irritada não queria ouvir mais sobre Stacy.
"Chega! Stacy queria roubar seu pai de nós, ela é uma bruxa má". Cuddy disse e seus filhos arregalaram os olhos, inclusive seu marido com o comentário inesperado da esposa.
"Eu vou bater nela!". Tommy disse e ia saindo para chegar até Stacy.
"Você vai dar um chute nas bolas dela?". House provocou lembrando do evento no supermercado.
"House!". Cuddy chamou a atenção do marido.
"Ela não tem bolas, ela é menina". Rachel disse.
"Então eu vou dar um soco nos melões dela". Tommy falou e Cuddy arregalou os olhos enquanto House ria.
"Thomas House! Gregory House! Parem já com isso!". Cuddy falou.
Todos se calaram.
"Você vai nos largar?". Bella perguntou fazendo beicinho de choro.
"Não nos abandone, papai". Gael complementou.
"Esperem filhos. Sua mãe está brincando. Papai nunca iria largar vocês, por nada e por ninguém". House falou e Cuddy envergonhada pelo comentário inadequado sobre Stacy, sorriu.
Naquela noite House estava dormindo e Cuddy se aproximou dele, deitou a cabeça no peito do marido.
"House". Ela o chamou.
"House". Ela continuou.
"Uh?". Ele respondeu sonolento.
"Tire a camisa, quero sentir sua pele". A esposa pediu.
"Estou com sono". Ele disse.
"Anda, tire a camisa, por favor". Ela suplicou e House a atendeu.
Ela deitou a cabeça no peito dele, sentindo sua pele, seus pelos, era tudo o que ela precisava para voltar a dormir.
Alguns meses se passaram. Tommy teve mais duas competições, em uma ele ganhou novamente a medalha de ouro em outra ele foi bronze. Tommy ficou bravo quando ficou em terceiro lugar e House precisou conversar com ele explicando que derrotas acontecem na vida, e que é preciso treinar mais, se dedicar mais para buscar melhorar. Cuddy ficou mais brava que seu filho quando ele ficou em terceiro, não brava com Tommy, mas brava pela circunstância: seu filho pequeno lidando com as contrariedades da vida. Ela não suportava a ideia de perder. Mas quando se acalmou ela também foi conversar com o pequeno e explicar que essas coisas fazem parte da vida, e novamente ressaltou que o importante é a diversão e o quanto eles o amavam independente do resultado.
O mais engraçado era que Cuddy queria usar a mesma calcinha em todas as competições do filho.
"A calcinha da vitória?". House caçoava dela.
"Deu sorte!". Ela rebatia.
"Você acredita mesmo nessa bobagem?".
"Deixe eu usar a calcinha que eu quiser". Ela falou.
"Bom mesmo era se você não usasse uma". House malicioso respondeu.
A família foi assistir a apresentação de dança de Rachel, ela dançou lindamente, Cuddy fez vídeos e se emocionou. Dessa vez ela estava mais calma, pois não envolvia competição.
Hoje seria O Dia dos Meninos e O Dia das Meninas. Cuddy sairia com Rachel e Bella, enquanto House sairia com Tommy e Gael.
"Aonde você levará os meninos?". Cuddy perguntou.
"Monster Truck, depois comeremos hambúrguer e beberemos cerveja. Coisas de macho".
"Juízo!". Ela orientou antes de dar um selinho no marido ao se despedir. "Me mande fotos".
Cuddy levou as meninas para o shopping, fizeram compras, almoçaram e depois foram fazer as unhas. Rachel adorava isso, Bella nem tanto.
"Mamãe, vamos fazer uma coisa mais legal". Bella disse.
"Depois vamos assistir filme comendo pipoca". Cuddy falou.
"Eba!". A menina comemorou enquanto esperava sua mãe e irmã.
"Mamãe, me deixa passar esse esmalte?". Rachel apontou para o vermelho.
"Nunca! Ou você escolhe um esmalte rosa claro ou o transparente". A mãe ordenou.
"Mas... Mamãe!".
"Não!".
"Quando poderei usar esse?".
"Quando você for adulta".
Cuddy olhou a foto que House mandou e riu. "Olhem filhas: seu pai e seus irmãos".
Já no dia dos meninos...
"Uau!". Os meninos diziam.
House havia comprado camisetas para eles, bonés, refrigerantes e cachorro quentes.
"Olha isso!". Tommy apontava impressionado. "Olha o tamanho desse pneu".
Eles aplaudiam, gritavam. Os meninos se divertiram com o orgulhoso pai.
House tirou uma foto dos três e enviou para a esposa.
Horas depois eles foram para a barbearia. House resolveu cortar o cabelo dele e de seus filhos, corte de macho. Cuddy iria surtar, mas... valia o risco.
"Vocês vão cortar o cabelo como quiserem hoje". Ele falou.
"Eba!". Tommy e Gael gritaram.
"House cortou o dele bem raspado nas laterais e arrepiado no topo da cabeça.
"Quero igual ao do papai". Tommy disse.
"Eu também". Gael concordou.
Então assim foi. Os três com o mesmo corte de cabelo.
"Adeus cachinhos". House falava à medida que o cabelo de Gael caia. "Sua mãe vai me matar".
"Aproveita e raspa minha barba também, quero ficar parecido com eles". House pediu.
Ao final, tiraram uma foto para enviar para as meninas. Todos com o mesmo corte de cabelo e House sem barba ficava impressionantemente ainda mais parecido com Tommy.
Na foto os três mostrando a língua e felizes.
De volta ao dia das meninas...
Cuddy foi com as filhas para casa, o plano era assistir a algum filme animado comendo pipoca. Quando chegou a mensagem no celular dela...
"NÃO!".
As meninas ouviram um grito e assustaram.
"Mamãe!". Elas correram até ela na cozinha.
"Olhem isso". Ela mostrou para as filhas.
"Papai está sem barba". Bella falou.
"Isso e ainda pior, olhe o cabelo de seus irmãos, olhe o cabelo de Gael". Lágrimas escorriam pelo rosto de Cuddy.
"Eles estão iguais". Rachel falou.
"Legal!". Bella disse.
"Legal, filha? Os cachos do seu irmão já eram". Cuddy resmungou.
"Eles nascem outra vez mãe. Supere! Vamos ver ao filme". Rachel falou.
Cuddy respondeu a mensagem.
"Eu te mato!".
Ela nem conseguia prestar atenção ao filme depois disso. Mal via a hora deles chegarem em casa para ela poder matar o marido.
Enquanto isso, os meninos...
Saíram do cabeleireiro todos satisfeitos e foram comer alguma coisa. House os levou em uma lanchonete.
"Papai, você fica estranho sem barba". Gael falou.
"Eu prefiro você com barba, quando eu for grande vou usar barba que nem você". Tommy disse.
"Mas vai crescer outra vez. Em poucos dias. Isso é só para provocar sua mãe". House falou.
"Dói quando cresce a barba?". Gael perguntou.
"Não, só coça as vezes". Ele explicou.
"Por que você quer provocar mamãe? Ela briga com você". Tommy perguntou curioso.
"Você vai entender daqui a uns dez anos". House respondeu.
"Explica agora, papai". O menino insistiu.
"As mulheres gostam quando os homens a provocam, isso faz as coisas ficarem interessantes. Um homem que não provoca sua mulher ou sua pretendente... é chato, ela vai procurar outro mais interessante".
"Uh". Os meninos concordaram sem entender nada.
Um dia eles entenderiam.
Chegando em casa Cuddy os esperava plantada na porta.
"O que você fez com o cabelo dos seus filhos?".
"Olha mamãe, ficou maneiro!". Tommy disse empolgado.
"Ficou igual ao do papai". Gael falou feliz.
"Seu pai tem muito menos cabelo". Cuddy respondeu irritada.
"Veja só... levei os meninos para um grande dia, eles estão todos empolgados e você ainda ofende meus cabelos?". House fingiu indignação.
"Você não pode fazer isso sem meu consentimento". Ela disse brava.
"O cabelo cresce novamente, o momento não volta, passa...". House falou subindo para seu quarto. "No mais, eles estão lindos como o pai".
"Mamãe, foi irado! O Detonador é incrível". Tommy falou empolgado sobre sua experiência com Monster Truck.
"Foi irado!". Gael repetiu.
"Que bom que gostaram. Agora vamos subir que vocês precisam de banho e de lavar essas cabeças com esse cabelo novo". Cuddy disse para seus filhos.
"Papai vai tomar banho conosco?". Tommy perguntou.
"É... queremos papai!" Gael apoiou o pedido de seu irmão.
"Perguntem para ele". Cuddy orientou.
Ela sabia que era bobeira, mas ainda estava irritada. Ela adora o cabelo dos filhos. Até o cabelo de Tommy estava maior, a cor era linda e o cabelo também. House devia ter falado com ela antes.
Naquela noite ela foi dormir e House já estava na cama. Ela estava irritada e House sabia, então ele resolveu não a provocar, calou-se. Ou melhor, resolveu provocá-la calando-se. Ele sabia que surtiria efeito.
Cuddy que estava com raiva começou a se incomodar com o silencio do marido, ele lia algum livro e parecia muito interessado, nem fez as piadas usuais, nada. Ela começou a se mexer na cama para chamar a atenção dele. Nada...
'Será que ele ficou bravo comigo porque eu fiquei irritada com ele? Ela pensou. Mas eu tinha o direito, são meus filhos também'.
O fato é que aquele regime de silencio a estava matando. Então ela resolveu agir. Foi até o guarda-roupas e pegou uma lingerie provocante. Se trocou na frente do marido. House olhava de lado, para não deixar ela perceber.
'Mulher safada'. Ele pensava. 'Só porque sabe que é gostosa'.
O fato é que ele não pode deixar de olhar, mas fazia isso discretamente.
Ela se deitou na cama e aproximou-se dele. Começou a roçar sua bunda no quadril do marido. Qualquer casal normal conversaria, mas eles não eram normais e essa era maneira de se entenderem. Sempre envolvia algum tipo de provocação, de jogo, era a maneira deles e isso os ligava totalmente como um fósforo no incêndio.
House começou a virar de lado enquanto lia, mas deixando sua pelve roçar na bunda de sua esposa. Ela aumentou a provocação e logo eles estavam muito excitados. Mas ninguém queria dar o braço a torcer primeiro. Só que, de repente, os dois juntos começaram a se agarrar e se beijar apaixonadamente.
"Só vou dizer uma última coisa sobre esse assunto". Cuddy falou ofegante entre beijos. "Nunca mais raspe essa barba, parece que estou beijando uma criança. Gosto de beijar o meu macho com a barba arranhando meu rosto".
"Você só gosta da minha barba arranhando o seu rosto?". House perguntou malicioso e descendo pelo corpo da esposa. "Que tal ela arranhando aqui?". Ele disse beijando o interior da coxa dela e ainda subindo. "E aqui?". Agora ele beijava a virilha dela.
"Também. Gosto muito da sua barba arranhando todo o meu corpo". Cuddy respondeu excitada.
House arrancou a calcinha de sua esposa e abriu as pernas dela.
"E aqui?". Ele perguntou quando caiu sobre ela.
"Oh meu Deus!". Cuddy gemia alto. House estava preocupado que ela pudesse acordar as crianças, mas não parou.
"House... meu Deus!... Bem aí... não pare nunca!".
Ele continuava e o volume da voz de Cuddy estava cada vez mais alto.
"Oh... eu te amo demais". Ela quase gritou quando chegou ao clímax.
House esperou que ela retornasse à realidade. Ele estava com um sorriso cínico. "Eu acho que a barba não interfere muito nisso, posso continuar assim".
"Nem pensar! Você é muito bom nisso... o melhor. Mas a barba trás ainda mais sensações". Ela disse sorrindo e puxando o marido.
"Você não está sensível ainda?". House hesitou.
"Logo estarei outra coisa". Ela disse maliciosa começando a despi-lo.
"Eu te amo". Agora foi a vez de House declarar.
E fizeram sexo quente, nada silencioso, mas as crianças estavam cansadas, para a sorte deles.
Na manhã seguinte Cuddy estava enfrentando o desafio diário: acordar Tommy e Bella para a escola. Rachel se levantava tranquilamente e já bem-humorada, mas Tommy e Bella...
"Vamos filho, está na hora". Cuddy falava e ele nem se mexia.
Então ela puxava a coberta... nada!
"Parece que ele morreu". Rachel chegou dizendo.
"Não fale isso menina, nem por brincadeira". Cuddy disse séria.
"Mas é verdade, olha". Rachel pegou a mão dele, a levantou e a soltou. Nenhuma reação.
Cuddy ficou preocupada e foi verificar os batimentos cardíacos do filho quando House entrava no quarto.
"O que você está fazendo?". Ele perguntou segurando uma risada e uma xícara de café.
"Ele não se mexe". Rachel respondeu.
"E vocês acham que ele morreu?". House riu. "Vocês não conhecem Tommy? Pode cair o prédio que ele morrerá dormindo".
"Não fale isso nem por brincadeira". Cuddy disse.
"Bella também não quer se levantar". House falou.
Bella era diferente, ela acordava, respondia, mas virava para o lado e cobria a cabeça.
House foi até o banheiro, molhou a mão e deixou pingar água no rosto do filho que acordou assustado.
"Pronto! Boa coisa que ele sabe nadar". House disse rindo enquanto seu filho recuperava-se do susto.
Cuddy e Rachel ficaram chocadas com a técnica maldosa de acordar uma pessoa. Mas funcionou.
Enquanto tomavam café, Tommy estava já com a energia a mil. Ele demorava para acordar, mas quando o fazia, nada o parava até a próxima hora de dormir. Bella ficava mal-humorada pela manhã, não queria brincadeira, cara amarrada. Gael não precisava ainda acordar cedo, mas Cuddy sabia que ele não seria um problema, ele era parecido com ela e com Rachel nesse ponto.
House levou Bella e Tommy para a escola e retornou para trabalhar, ele estava na consultoria de dois casos, um para o hospital de Seattle e outro para um hospital na França.
Cuddy estava negociando com alguns hospitais da Europa central. Pela manhã ela teve uma reunião via conferência com alguns reitores. House ficava excitado só de ouvi-la na pose de administradora.
Cuddy e House cogitavam criar um time para a consultoria, Chase era o primeiro que se juntaria a eles definitivamente. Cada um poderia trabalhar de sua própria casa, já que usavam os recursos dos hospitais consultantes.
Mais tarde, House estava arrumando seu velho carro. Cuddy insistia para ele vender aquilo.
"Isso é um ferro velho ambulante. Venda isso e compre algo novo".
Nesse dia ele estava fazendo uma manutenção para levar o carro à concessionária de automóveis no dia seguinte. Finalmente ele iria vender aquele veículo.
"Rachel, preciso de ajuda. Como você é a mais velha e mais forte". House começou e a menina olhou para ele feliz.
"Sim papai".
Ela ajudou o pai com algumas coisas, Tommy chegou e queria ajudar também.
"Tommy, sou eu quem estou ajudando o papai". Ela disse.
Ainda havia bastante desentendimento entre os dois e seus pais tentavam contornar.
"Vocês dois podem me ajudar. Tommy, vai pegar água, encha uma garrafa e me traga".
"Tá bom, papai", e o menino saiu muito rápido para providenciar a água enquanto Rachel o ajudava com algo diferente.
Naquela noite House estava na cama depois de colocar seus filhos para dormirem. Ele estava inquieto e não sabia a razão. Cuddy saiu do banho enrolada na toalha.
"Se você não tivesse feito a vasectomia eu iria achar que eu estava grávida". Ela disse.
"Por quê?". House perguntou.
"Estou atrasada e tive enjoo essa manhã".
"A menos que você tenha me traído..." House falou divertido.
"Ah sim, tem essa possibilidade também". Cuddy falou sorrindo enquanto se aproximava do marido.
"Eu já te disse... se vai me trair use preservativos". Ele continuou.
"Não deu tempo, papai". Ela respondeu e o beijou. "Será que minha menopausa está começando?". Cuddy perguntou.
"Acho cedo... Mais provável a gravidez". Ele falou fazendo sua esposa rir. "Seríamos como Abraão e Sara".
"Não... não... Já temos o suficiente. Quatro deles está bom demais, e Tommy vale por dois". Cuddy disse abraçando seu marido e rindo.
"Para quem achou que não teria nenhum...". Ele falou.
"Para quem achou que era estéril". Ela começou a beijá-lo.
Eles dormiam após fazerem amor. A noite eles se procuravam, seus corpos já estavam tão acostumados ao contato próximo que, mesmo durante o sono, eles buscavam um ao outro. Invariavelmente quando um se levantava o outro acordava dada a ausência do calor conhecido.
Naquela noite, House estava tendo uma madrugada agitada, ele não sabia a razão, mas algum pressentimento. Então ele se virava muito na cama.
"House pare de puxar todo o edredom para você". Cuddy resmungou sonolenta.
"Desculpe, é que eu sou alto". House falou.
"Mas esse edredom tem 2,70 metros x 2,50 metros, você não é tão grande assim".
Ele liberou o edredom.
"O que você tem?". Cuddy perguntou despertando.
"Insônia".
"Por que?".
"Se eu soubesse responder isso já estaria dormindo a essa altura".
"Você está preocupado com alguma coisa?".
"Não".
"Com a consultoria? As crianças?".
"Não, eu disse que não sei o que é".
"Quer falar de outro assunto?".
"Você precisa dormir, pode deixar que me levanto e fico na Caverna".
"Não!". Ela o abraçou. "Não quero que você saia da cama".
Ele sorriu e a abraçou de volta.
"Tenho um assunto que vai te distrair". Cuddy falou. "Ravi está tentando um novo negócio depois de falir o terceiro empreendimento".
"Como sua irmã continua com ele?".
"É o que minha mãe quer saber". Cuddy riu.
"John devia ser péssimo na cama para ela ficar com um perdedor desses".
"Ravi não é muito diferente, pelo que ouço". Cuddy falou rindo.
"Sua irmã precisa de terapia".
"Concordo!". Cuddy riu.
"Ou de um terapeuta". House disse referindo-se a um vibrador.
Cuddy riu alto.
"Qual o negócio revolucionário dessa vez?". House perguntou curioso.
"Pilhas recarregáveis através da energia solar". Cuddy falou rindo.
"Tenho quase certeza de que alguém já inventou isso". House disse.
"Mas ele disse que irá popularizar o produto".
"Oh Deus! Corremos o risco de que ele interfira no magnetismo da Terra".
"Pois é!". Cuddy disse rindo. "Mudando de assunto, Vicky e Wilson vão sair esse final de semana".
"Finalmente! Wilson precisa transar".
"É da minha amiga que você está falando". Cuddy fingiu estar ofendida.
"Ela também precisa transar, só quer saber de nossa vida, tem que arrumar uma para ela".
Vicky e Wilson se falavam por telefone e mensagens, mas ainda não haviam tido nenhum encontro, esse seria o primeiro. Cuddy saiu com a amiga e contou sua história com House, Vicky estava muito curiosa a respeito das circunstâncias que levou o casal a ter uma vida em comum.
"Posso te fazer uma pergunta?". Cuddy começou. "O que você está escrevendo?".
House riu. "Você demorou... pensei que roubaria meu laptop na primeira semana".
"Isso era uma pegadinha?".
"Não. Estou escrevendo um livro sobre diagnósticos. Na verdade, terminei, estou revisando".
"Oh meu Deus! Isso é sério?". Cuddy estava muito surpresa.
"Sim".
"Não acredito".
Ele pegou o laptop e mostrou o arquivo para ela.
"House, meu Deus! Isso tem 1.398 páginas. Isso é ouro, isso é incrível!".
"Você nem leu ainda". Ele riu.
"Tenho certeza de que será a bíblia do diagnóstico". Ela disse espantada.
"São só algumas coisas...".
"De todos os momentos em que você podia e devia ter sido humilde, esse não é um deles". Cuddy falou ainda com olhos vidrados no arquivo.
"Mas você compara meu livro logo com a Bíblia? Não podia compará-lo com algo real? Vai logo comparar com algo fictício?". House falou sarcástico e ela riu.
"Você pode ler? Ver se é coerente, se tem futuro?". House pediu com humildade.
"Claro! Eu adoraria e, eu tenho certeza de que isso é ouro. Faremos muito dinheiro e, mais importante, sua contribuição para a ciência". Ela beijou o marido e o abraçou forte.
Eles adormeceram momentos depois.
House acordou cedo para levar o carro até a concessionária de veículos. Deixou um bilhete na geladeira, como costumavam fazer.
C
Fui levar o ferro velho para vender, finalmente! Fique feliz, você sempre consegue tudo o que quer de mim.
H
Ele ligou o rádio e parou no farol que cruzava a avenida. Quando o verde acendeu, ele acelerou, mas a van que cruzava não parou...
O impacto foi violento e House bateu a cabeça desmaiando em seguida.
Em casa Cuddy ainda dormia quando recebeu a ligação de Wilson.
"Fique calma". Ele disse.
"O que aconteceu com House?". Ela já sabia que era algo grave e com ele, seu coração estava na garganta.
"Ele teve um acidente, está na UTI, em estado grave".
Cuddy não falou nada, só chorou.
"Cuddy. Estou aqui, ele terá o melhor. Foi uma batida de cabeça mundo séria, o outro motorista estava embriagado e foi preso".
Cuddy ainda não conseguia dizer nada. Ela só queria estar lá, com ele.
"Estou indo para aí". Ela falou e já saiu para ligar para Marina e poder ir até seu marido. Quando ela notou o bilhete na geladeira ela congelou, o choro veio violento, ela não podia perder esse homem, seus filhos não poderiam perdê-lo. Por que ela foi insistir para ele levar o carro para vender, por quê? Era tudo o que ela se perguntava.
Continua...
