Capítulo 58 – Sempre...

Meses se passaram, era verão. As crianças estavam animadas, a piscina na casa estava cheia e a diversão era diária: Sol, calor, férias, música, piscina, amigos...

Gael com cinco anos perdeu o medo da água, ele agora junta-se aos irmãos feliz na piscina, sempre com sua boia a tiracolo e um adulto supervisionando. O menino estava com cachos por todo o cabelo, Cuddy tratou de deixar crescer as madeixas do filho novamente. Cachos na cor mel, seu pai o chamava de leãozinho. Os olhos dele eram perfeitamente como os de sua mãe, nariz de seu pai, a boca era uma mistura dos dois e as covinhas na bochecha e queijo davam o ar fofo final. O menino fazia sucesso por onde passasse. Ele estava cada dia mais apaixonado por música, seus pais acharam por bem contratar uma professora, e ele agora tinha aulas de piano e violão, além de teoria da música, coisa que House detestava, para ele música era sentimento. Mas seu pai tocava com o filho e ainda dava algumas lições práticas.

Bella, com seis anos, era linda. Uma bela menina que preocupava seu pai. Lindos olhos azul turquesa, boca carnuda, cabelo brilhante na tonalidade castanha e uma personalidade forte. Podia-se dizer que a mais fortes de todos os filhos. Ela era teimosa, manipuladora, questionadora, desafiadora e tinha uma postura altiva que contrastava com sua doçura. Era uma personalidade forte e complexa.

"Essa menina é teimosa igual a você". House dizia.

"Ah, só eu sou teimosa nessa relação?". Cuddy respondia. "Você esqueceu-se de que ela é manipuladora quando quer algo, e isso me lembra alguém também...".

"Eu aceito a parte de que ela nos desafia como sendo 50% meus genes, mas a parte da teimosinha...". House ia dizendo e foi interrompido por sua esposa.

"Não senhor, a teimosia é no mínimo 70% sua".

"Ah é? E você é um ursinho de pelúcia?". House foi sarcástico.

"Longe disso, mas você é mais teimoso".

"Quando eu estou certo, o que acontece na maioria das vezes, eu sustento meu argumento, isso não é teimosia, é acreditar em mim". Ele disse.

"E com essa fala final é fácil notar de onde vem a altivez de Bella". Cuddy concluiu.

"Quer devolver meus 50% de genes?". House propôs.

"Cala a boca, eu te amo, e eu amo nossa filha". Cuddy disse e eles se beijaram.

Tommy, também com seis anos, estava se saindo muito bem nos torneios de natação, na verdade ele estava se saindo extremamente bem, tanto que alguns clubes e patrocinadores se interessaram pelo garoto. Cuddy negou tudo e todos, o menino era uma criança e devia fazer aquilo por diversão. Mas no próximo ano viria o torneio regional, ele queria competir e Cuddy estava apavorada, seria o primeiro torneio de real expressão. Tommy já lia, escrevia e fazia contas complexas para sua idade, o menino era um geniozinho realmente. A memória de Tommy era surpreendente, como uma esponja. Ele era um belo rapazinho, mais crescido que a média para sua faixa etária e cada dia mais parecido com seu pai fisicamente. O menino também continuava com sua atitude energética e insana em muitos momentos, e Cuddy vivia preocupada com ele.

Rachel estava bem crescida aos onze anos, cabelos longos, começando a apresentar mudanças da puberdade em seu corpo, o que levou sua mãe a uma conversa com a filha.

"Filha, você está virando uma mocinha, já tem onze anos e as coisas no seu corpo e na sua mente irão começar a mudar".

"Eu posso usar o esmalte vermelho agora?". A menina perguntou animada.

Cuddy riu. "Ainda não, só quando você for adulta, você é uma pré-adolescente agora".

Rachel bufou.

"Daqui a pouco você vai ter sua primeira menstruação".

"O que é isso, mãe?". A menina perguntou pois as mães de suas amigas ainda não haviam comentado sobre isso com elas, então era algo que Rachel ouvira falar, mas ainda não entendia bem.

"Todas as meninas passam por essa mudança em seu organismo, você vai deixar de ser uma criança e virar uma adolescente, isso acontece quando os óvulos amadurecem e começam a ser liberados, o útero precisa se preparar para uma eventual gravidez, então ele se enche de sangue, cria uma camada e, quando a gravidez não acontece, o sangue é eliminado por sua vagina".

"Eca!". Rachel disse fazendo Cuddy rir.

"Eu trouxe alguns livros para você. Leia e veja se tem alguma dúvida, venha me perguntar se você tiver. Esses livros mostram as mudanças nos corpos das meninas e meninos e também trata sobre reprodução humana. Importante que você tire qualquer dúvida comigo, é algo natural e devemos conversar sobre isso também de forma aberta e natural". Cuddy tentava deixar sua filha a vontade para procurá-la e encarar o sexo como parte da vida, sem tabus ou barreiras, mas com responsabilidade.

"Mamãe, mas eu não quero ficar gravida agora".

'Ainda bem', sua mãe pensou. "Eu sei querida, mas antigamente as mulheres se casavam muito cedo e tinham filhos muito cedo, o organismo é preparado para isso. Mas ter filhos é algo sério, muda toda a sua vida, então é preciso se prevenir para que você possa estudar, viajar, se divertir, antes dessa grande responsabilidade".

"Para engravidar é preciso fazer coisas com um menino, não é?". Ela perguntou e surpreendeu Cuddy.

"Onde você ouviu isso?". Cuddy perguntou.

"Na televisão, nos filmes, as minhas amigas falam, o Brian... ele já disse que teve muitas conversas com os meninos. Eles têm revistas com mulheres peladas".

Brian era o novo namorado da filha, House mais uma vez, surtou quando descobriu.

Cuddy também gelou... "O que Brian diz?".

"Ele diz que meninas e meninos transam e tem filhos, diz que é algo bom".

Cuddy corou, mas tentou disfarçar. "Sexo é algo muito bom, mas exige responsabilidades, pois você não só pode engravidar, como pode ficar doente. E é algo que mexe com você, é importante que você saiba o que está fazendo e porque está fazendo. É importante que você entenda e que você esteja pronta".

"Você fez sexo pela primeira vez com quantos anos?". A menina perguntou.

Cuddy não sabia como responder e resolveu ser sempre sincera, mas evitar detalhes desnecessários. "Eu era mais velha que você, e eu sabia o que estava fazendo, me cuidei. Mas se eu pudesse voltar atrás, teria feito de outra maneira, com alguém diferente, em uma situação diferente".

"Você faz sexo com papai, não faz?".

Cuddy nem tinha se recuperado da questão anterior e logo vem essa bomba. "Sim filha, marido e mulher geralmente fazem sexo. Você sabe que seus irmãos são frutos disso, não sabe? Você é fruto de sexo entre duas pessoas e isso lhe trouxe para mim, minha filha linda!".

Mãe e filha abraçaram-se.

"Eu vou levá-la para comprar alguns sutiãs e vou explicar sobre absorventes e todas as dúvidas que você tiver. Leia os livros e me procure depois".

"Mamãe, eu queria... aprender a ... beijar". Rachel disse.

Cuddy novamente se engasgou.

"As minhas amigas disseram que podemos treinar com a mão, ou em um copo com gelo". Rachel falou.

"Suas amigas já beijaram meninos?". A pergunta que Cuddy realmente queria fazer era se ela e Brian já estavam em vias de se beijarem.

"Não, nenhuma. Mas elas treinam e eu não, não quero ficar sem saber o que fazer...".

"Filha, o beijo é algo voluntário, cada pessoa beija de uma maneira. Alguns vão te agradar, outros não...".

"E a língua? Não é nojento?".

Cuddy riu. "Não, se o menino souber usar, é muito bom...".

"E como eu sei se ele sabe usar?".

"Você aprenderá com a prática. Você vai beijar alguns meninos e vai percebendo do que você gosta, do que não gosta...".

"E se eu não souber usar minha língua e o menino não gostar? Preciso treinar".

Cuddy penso que se House ouvisse aquela conversa ele morreria ali mesmo, teria um colapso nervoso.

"Você pode treinar com as técnicas que suas amiguinhas recomendam, mas na hora de beijar vai ser diferente, você só vai aprender com a prática".

"Papai usa bem a língua dele?". Rachel perguntou objetivamente e Cuddy corou como nunca, pensamentos impróprios vieram a sua mente.

"Sim, papai usa bem a língua". Ela respondeu pensando 'e como usa bem!'.

"Mas você já beijou meninos que não usavam bem? Como era?".

"Já sim filha. Era... estranho... eles mexem a língua demais, como se fossem liquidificadores". Rachel riu. "Ou babam muito". A menina estava gargalhando. "Ou ficam sugando como se a língua fosse um desentupidor de pia. Mas seu pai não faz isso, seu pai beija bem".

"Papai é bom em tudo!". Rachel disse divertida e Cuddy não podia concordar mais.


Wilson estava oficialmente namorando com Vicky há quatro meses. Ele estava apaixonado e muito feliz. Ela foi a primeira mulher que ele apresentou para Mandy, agora com quatro anos. Felizmente Vicky estava conseguindo tirar o foco de Wilson da filha, ele estava conseguindo ser um pai menos encanado. Além disso, Wilson e Mandy começaram a conviver com Melany de 11 anos, filha de Vicky com o ex-marido.

O livro de House seria lançado naquela noite. Haveria um evento para lançamento em uma grande livraria de Nova Iorque. A família estava toda lá. House não queria evento, não queria festa, mas era uma exigência da editora.

A Arte da Medicina Diagnóstica - Procurando Zebras

Por Gregory House MD

Ele queria um título menos clichê, mas a editora não aceitou. E o dinheiro era bom, então ele concordou a contragosto.

Cuddy estava orgulhosa do marido, ela tinha certeza de que o livro seria um sucesso.

"Eu odeio dar entrevistas. Me nego a ficar autografando". Ele disse.

"Uh, vem cá". Ela puxou o marido e o beijou.

"Você não vai me convencer assim". Ele dizia enquanto se arrumava para ir ao evento.

"Você está lindo! Como eu estou?". Ela desfilhou para ele em seu vestido azul no quarto de hotel em que a família estava.

"Você está muito gostosa e agora prefiro deixar o evento para lá e fazer algo mais interessante com você".

"Depois eu prometo te compensar, prometo fazer valer a pena". Ela o provocou.

"Um dia você disse que não iria mais barganhar nada por sexo".

"Eu menti!". Ela disse com olhar malicioso indo ver como estavam seus filhos.

As crianças iriam com eles, mas ficariam só algumas horas. Marina os levaria para casa depois em um carro particular com um motorista.

"Papai é um escritor. Papai faz tudo!". Rachel disse linda em seu vestido rosa.

House riu com satisfação, era bom sentir o orgulho de seus filhos. Se eles o tivessem conhecido anos atrás... ele pensou.

Chegaram à livraria luxuosa, havia um banner na entrada divulgando o evento da noite. Cuddy riu feliz e orgulhosa ao ver a foto do marido em tamanho grande, ele era lindo e ele era dela.

"Olha o papai!". Tommy apontou para o banner.

"Ele está enorme". Gael disse rindo.

Lá dentro ele foi recebido com honras de famoso. "Mas é só um livro científico", House pensou. Afinal, esses não eram populares.

Mas a fila de pessoas aglomeradas para o evento dizia o contrário.

"Meu marido virou um rockstar e eu não estou sabendo?". Cuddy perguntou com ar brincalhão de quem esconde um ciúme.

"Estou tão surpreso quanto você. Acho que eles divulgaram algo errado e confundiram as datas".

Mas não havia erro. O fato é que o livro era sim científico, mas os casos relatados por House, sempre respeitando a privacidade e não divulgando identidades, eram muito interessantes e despertou a curiosidade também do público geral. Estavam referindo-se a ele como o Sherlock Holmes da medicina, o interesse público acompanhou toda a expectativa.

House cumprimentou membros da editora e da livraria, ele estava tentando ao máximo ser simpático e atencioso. Cuddy ao seu lado ajudava, a mulher tinha o dom para negociar, socializar. Fizeram algumas fotos dele e quiseram fotografá-lo com a família. Em dado momento, ele estava sentado na mesa em que autografava os livros e seus filhos estavam ao redor, quando surge uma figura conhecida.

"Ora... ora... se não é o grande Dr. House. Nunca imaginei ver essa cena, ele lançando um livro e cercado por crianças fofas". A voz feminina disse.

"Olá, Cameron". Ele respondeu.

"Posso ver que as pessoas mudam". Ela provocou.

"O que posso dizer?". House respondeu.

"Quem são essas crianças lindas?". Ela perguntou com estranhamento, pois Tommy era uma cópia de House. Não seria possível... seria?

"Somos filhos dele, e você, quem é?". Bella perguntou sempre direta e reta.

Cameron levantou a sobrancelha. "Eu trabalhei com seu pai anos atrás... Quais de vocês são filhos dele?".

Todos os quatro levantaram a mão.

"Vocês todos?". Ela perguntou chocada.

"Sim!". Tommy respondeu.

"Você tem quatro filhos e... é casado?". Ela falou ainda mais surpresa quando olhou para a aliança na mão dele.

"Casado, com quatro filhos, publicando meu livro e dando autógrafos. Eu te surpreendi mesmo, não foi?". House perguntou sarcástico.

"Muito!". Ela disse ainda em choque. A mais velha tinha pelo menos uns dez anos, como uma menina de dez anos poderia ser filha dele? Nessa época ela ainda estava em Princeton e saberia se algo assim acontecesse, não saberia?

"Eu nunca pensei que iria conhecer vocês, na verdade nenhum de vocês, quem dirá quatro de vocês". Ela falou para os filhos dele.

"Doutora Cameron". Cuddy se aproximou surpresa.

"Doutora Cuddy". Ela a cumprimentou.

"Não sabia que viria...". Cuddy falou tentando esconder a contrariedade.

"Eu não podia deixar de vir...". Cameron respondeu sorrindo. "Quando fiquei sabendo eu já me programei para estar aqui, precisava ver isso pessoalmente".

"Mamãe, mamãe... compra esse livro para mim?". Bella pediu para Cuddy mostrando um livro de macacos.

"Sim querida". Ela respondeu.

"Você é filha de Cuddy?". Cameron não entendeu nada.

"Sim, eles são nossos filhos". House respondeu movimentando o dedo entre ele e a esposa.

"Você e... Não pode ser!". Ela estava em choque.

"Por que não?". Cuddy perguntou já se irritando. Quem aquela mulher acha que é para saber o que pode ou não acontecer.

"Porque... Vocês estão casados e tiveram quatro filhos? Essa é Rachel?".

"Sim, sou Rachel, você me conhece?".

"Eu vi você bebê, eu te peguei no colo... Agora você está enorme!".

"Você me viu bebê também?". Tommy perguntou. "Você é bonita".

Cuddy queria morrer, seu filho chamando a outra mulher de bonita.

House sentia a tensão no ar.

"Eu e Cuddy nos casamos, tivemos Tommy e Bella, gêmeos. Depois Gael. Rachel já veio no pacote". Ele disse e Rachel riu. Ela sempre ria quando seu pai dizia que ela veio no pacote. Ele geralmente dizia que ela era ao pacote mais bonito que ele já recebeu.

"Wow, é muita informação. Eu realmente estivesse ausente esse tempo todo, sem contato, sem notícias. Também estou casada e com um filho, Matt, gostaria de apresentá-los para vocês qualquer dia".

Cuddy sentiu um certo alívio. "Ótimo, vamos combinar".

"Seus filhos são todos lindos, Tommy é a cara de House e Bella a cara de Cuddy. Impressionante! Gael é uma fofura, uma mistura dos dois. Rachel é parecida com vocês também, parece filha biológica". Cameron disse e a menina ficou feliz.

"Obrigada". Cuddy respondeu querendo que a mulher fosse logo embora.

"Ah... por favor assine meu livro. Com uma dedicatória especial". Cameron pediu para House e Cuddy corou de raiva, era muita petulância.

"Tudo bem". House sentia-se entre a cruz e a espada e escreveu: Para Cameron, minha pupila. Gregory House. Ele esperava que isso agradasse Cameron para que fosse logo embora e não chateasse sua esposa.

"Obrigada!". Ela disse para House pegando a mão dele e Cuddy a fuzilou com os olhos. "Tchau crianças lindas".

"Obrigada pelo elogio, senhora. Você também é bonita". Tommy falou e Cuddy arregalou os olhos enquanto House segurou uma risada, senão apanharia da esposa.

"E você é um galanteador que dará muito trabalho para as meninas". Cameron respondeu se despedindo. "Afinal, você se parece com seu pai".

Cuddy olhou para House e não disse nada, mas House sabia que ouviria um comentário posterior de sua esposa.

Wilson chegou com Vicky.

"Olha só o homem autografando livros". Ele disse se aproximando e rindo.

"Também posso jogá-los na cabeça de quem me encher, são mais de 1.400 páginas e capa dura, pode causar sérios danos". House ameaçou.

Cuddy puxou Vicky e deixaram os homens sozinhos.

"Quem diria... Gregory House...". Wilson falou entregando o livro para ele autografar.

"Se eu ganhasse um dólar para cada vez que ouvi isso essa noite...".

"Cuddy está... estranha...". Wilson comentou.

"Cameron esteve aqui".

"Quando?". Wilson arregalou os olhos.

"Saiu há pouco".

"E eu perdi isso? Droga!".

House esmagou a mão do amigo com o livro.

"Ai!". Wilson gritou.

House havia autografado: Para Wilson, a minha amante de todas as horas. Greg House.

Cuddy estava conversando com Vicky na cafeteria da livraria.

"Como foi a viagem?". Vicky perguntou.

A família House havia estado em Oregon e Califórnia duas semanas atrás. House foi palestrar em dois hospitais e a família foi junto, como de costume, e fizeram turismo pela região.

"Foi ótimo!". Cuddy respondeu.

"Eu te conheço Lisa, algo acontece...".

"É só que... é bobeira... mas, uma ex-funcionária de House esteve aqui. Ela teve uma paixão por ele, eles até chegaram a sair uma vez e tiveram um beijo, pelo menos foi isso que meu marido me contou".

"E você está assim... por que?".

"Às vezes você parece tanto meu marido que me irrita". Cuddy falou rindo. "Eu sei que é bobeira... ela apareceu, o que House ia fazer... mas ter ela aqui perto da minha família. Do meu marido... dos meus filhos... e para completar Tommy disse que ela era bonita".

Vicky riu. "Estou rindo com todo o respeito, mas esse menino puxou ao pai, lembro bem de Greg na faculdade, ele era meio... todas as meninas eram a fim dele, você se lembra bem disso porque você cedeu aos encantos dele, eu só não cedi porque ele não me quis".

Cuddy olhou para a amiga enciumada.

"Você sabe que sou sincera. Mas claro que depois de você se apaixonar por ele, eu não ficaria com ele, amigas em primeiro lugar". Ela disse e Cuddy sorriu.

"Agora... tal pai, tal filho, você foi se casar e procriar com ele e esperava algo diferente?".

Cuddy sorriu. "É bobagem minha, não é?".

"Total". Vicky respondeu e elas riam.

Cuddy voltou diferente para perto do marido e ele notou, mas nem tiveram a oportunidade de dizer nada um para o outro porque chegaram Blythe, Arthur, Arlene, Julia e Ravi.

Arlene estava muito orgulhosa do genro, mas não podia dar o braço a torcer.

"Agora mais pretencioso do que nunca". Ela chegou dizendo.

"Bruxa má, é melhor você nem gastar dinheiro com o livro porque não vai entender nada, muito complexo para o seu cérebro".

Era assim que eles se tratavam, mas um gostava do outro, por mais que fingissem o contrário.

"Filho, que linda ficou a capa, que livro enorme, e pensar que isso veio do meu bebê". Blythe dizia e House corou fazendo Arlene e Cuddy rirem.

"Menos, mãe". Ele pediu.

"Meu bebê?". Arlene não podia deixar passar.

"Para você se convencer definitivamente de que eu não vim de uma proveta". House respondeu sem perder a linha.

Nesse momento um homem estava conversando com Cuddy. Nitidamente ela queria se desvencilhar, mas o homem era insistente. Ele era um médico renomado que conhecia Cuddy da faculdade de medicina. Cuddy falava com ele, mas olhava para o marido o tempo todo.

Ravi se aproximou de Arlene.

"Olha o sujeito dando em cima da Lisa bem na frente do marido dela".

"E o que tem isso?". Arlene perguntou impaciente.

"Será que eles têm um caso?". Ravi estava tentando ganhar a confiança da sogra.

"Você acha mesmo que minha filha trairia o amor da vida dela? Olha para ela... Ela só tem olhos para o orangotango do meu genro". Arlene falou isso e Ravi calou-se envergonhado.

As crianças haviam voltado para o hotel com Marina e House estava assinando o que devia ser seu milésimo autografo. Muitos de jovens médicos que levavam seu currículo para ele e tentavam uma ajudinha em suas carreiras, outros de médicos renomados que tinham House como referência, ainda alguns jovens que o veneravam, não apenas pelas habilidades técnicas, mas por seu comportamento rebelde. A maioria público geral intrigado com o livro e com seu autor.

"Estou com tendinite". House falou para a esposa que riu.

Nesse momento chegaram os editores. "Você tem entrevista com dois canais de televisão".

"Não!". House contestou.

"Será muito importante". Eles disseram e Cuddy pediu um momento a sós com o marido.

"Você agora vai me chantagear com sexo para que eu aceite a entrevista?". House perguntou sarcástico.

"Eu nunca faria isso". Ela falou e ambos riram. "Acho que podemos negociar uma única entrevista com os dois canais ao mesmo tempo e só cinco minutos de duração".

"Três". House contra-argumentou.

"Três". Ela repetiu.

Por fim ele deu a entrevista. Cuddy pediu para seu marido ser tão paciente quando nas palestras e ele garantiu que tentaria. Ela ficou acompanhando de perto.

Na última pergunta...

"Doutor House, você dedica esse livro para alguém? Vi que na contracapa você só escreveu 'Sempre...', isso é uma mensagem subliminar para alguém?".

Ele olhou para a esposa que sorriu tímida.

"Eu dedico à pessoa que me deu a oportunidade de um emprego quando ninguém mais daria, se não fosse por isso eu não teria atendido todas essas pessoas e salvo a vida de cada uma delas. Também não seria o homem que sou hoje, talvez nem aqui estivesse mais. Devo minha carreira e minha vida para essa pessoa que acreditou em mim quando ninguém mais acreditava".

Cuddy chorou.