Capítulo 61 – Desentupidor de pia
House chegou à casa de Deb e quando ia sair do carro para chamar pela filha ele viu algo aterrorizante. Uma das cenas mais terríveis que ele já havia presenciado: Sua filha de doze anos estava beijando um menino. Na boca!
House não sabia o que fazer, ele ficou cego, surdo e mudo. Saiu do carro, mas imediatamente ele resolveu voltar para o carro e fingir que nada acontecia.
"Papai... Rachel está beijando aquele menino na boca!". Tommy disse.
"Não, ela não está. É impressão sua". O pai respondeu em negação.
"Ela está. Olhe!". O menino apontava.
"E o que você quer que eu faça? Vá lá e dê um chute nas bolas do menino?". House perguntou.
"Sim!". Tommy respondeu e seu pai balançou a cabeça negativamente.
"Tommy fique quieto. Se falar algo sobre isso para alguém, você não irá ao torneio regional". House ameaçou.
"Mas pai...".
"Shhhh".
"É Davi!". Tommy disse quando o menino se virou e Rachel entrou na casa.
"O que?".
"É Davi! Lembra-se dele? É Davi quem Rachel beijou". Tommy explicou.
"Ela não estava beijando ninguém, Tommy". House quase gritou e Tommy arregalou os olhos. "Agora vou buscá-la e você fique quieto, nem um piu".
House saiu do carro e foi em direção à porta. Quando a menina saiu não desconfiava de nada, entrou no carro e notou seu pai e irmãos mudos e estranhou, mas não disse nada. Ela estava muito feliz, sentia-se nas nuvens.
Quando chegaram a menina foi direto para o quarto e House chamou Cuddy.
"Preciso falar com você".
"Agora?". Cuddy estranhou.
"É urgente". House disse sério e Cuddy assustou.
"Tudo bem, venha!". Ela pegou na mão do marido o levando até o quarto do casal.
"Eu e Tommy vimos algo horrível". House começou.
"O que aconteceu?". Cuddy estava preocupada.
"Rachel...".
"Fala logo House!".
"Rachel estava se beijando com um menino. Tommy disse que é Davi".
"Tudo isso... por isso?". Cuddy estava incrédula.
"Sua filha de doze anos se beijava com um menino e você acha pouco?". House estava indignado.
"Tenho certeza de que você está sendo dramático. Namoros infantis, House...".
"Não... você não entende. Ela beijava Davi na boca. Ela estava o beijando como se ela fosse um desentupidor de pia. Foi uma cena horrível!".
"Você tem certeza?". Cuddy perguntou confusa.
"Absoluta. Pergunte para Tommy, até um menino de sete anos viu e achou um absurdo. Era um escândalo. Horrível".
Cuddy segurou o riso, a situação exigia uma conversa com Rachel, mas era muito engraçado ver House assim.
"Eu vou falar com ela". Cuddy disse.
"Eu não sei se vou conseguir tirar esse trauma da minha vida, acho que nunca mais tirarei essa cena da minha mente". House falou cheio de drama.
Cuddy deu um selinho no marido. "Você conseguirá!".
Durante o almoço Tommy e House estavam calados. Cuddy tentou quebrar o gelo. Gael e Bella ajudaram falando de banalidades. Ao final do jantar Cuddy deu um jeito de ficar sozinha com a filha.
"Tudo bem, filha?".
"Tudo mãe".
"Algo está acontecendo?". Cuddy tentou ser sutil.
"Por que está todo mundo estranho hoje?". Rachel perguntou.
"Impressão sua... Eu só achei que você está... diferente".
"Como você sabe que algo aconteceu?". Rachel perguntou surpresa.
"Pressentimento de mãe". Cuddy respondeu sorrindo.
"Eu... É Davi... ele voltou e foi lá na casa de Deb porque sabia que eu estaria lá. Nós... nos beijamos. Foi tão lindo! Nada planejado... simplesmente aconteceu". Rachel disse com um olhar apaixonado. "E acho que ele sabia usar a língua porque foi bom".
Cuddy, que era mais mente aberta para isso do que House, corou com a declaração da filha.
"Wow filha. Eu fico feliz por você". E ela abraçou Rachel.
"Isso quer dizer que eu agora estou namorando Davi?". Rachel perguntou.
"Não sei filha. Você é muito nova para namorar assim... Mas eu precisarei falar com seu pai".
"Não... papai não".
"Seu pai te ama Rachel".
"Eu sei, mas ele vai ficar bravo. Ele não vai entender".
"Seu pai se preocupa com você, ele já foi garoto um dia, ele sabe como alguns garotos pensam...". Cuddy falava quando foi interrompida.
"Mas Davi é diferente. Davi sempre foi diferente".
"Davi é um bom menino, mas ainda é um garoto". Cuddy disse.
"O que você vai falar para papai? Tudo o que eu te disse?".
"Vou falar o que importa, não os detalhes". Cuddy explicou.
"Papai vai me odiar e odiar Davi".
"Não vai filha, deixe comigo, temos que ter paciência e saber como agir". Cuddy disse abraçando a filha.
No jantar House não conseguia olhar nos olhos de Rachel, ele não sabia por que, mas sentia-se traído pela filha. Tommy estava se segurando, mas Rachel começou a provocá-lo e ele não segurou mais.
"Pelo menos não sou eu quem fica beijando Davi como se eu fosse um desentupidor de pia". O menino disse e House, Cuddy e Rachel coraram ao mesmo tempo.
"Mamãe!". Rachel disse.
"Tommy!". Cuddy disse.
"Não olhem para mim, eu não fiz nada". House falou.
Rachel levantou da mesa e foi para o quarto batendo a porta.
"O que é beijar como um desentupidor de pia?". Gael perguntou confuso.
"Rachel vai ter um bebê?". Bella perguntou.
House engasgou e todos assustaram. Cuddy precisou bater nas costas dele até que ele cuspiu o pedaço de carne longe.
"Eca!". Tommy falou.
"Culpa sua!". House respondeu para Tommy se recuperando.
"Bella, porque você disse isso?". Cuddy perguntou.
"Porque Jennifer disse que se uma menina beija um menino eles fazem um bebê". Bella respondeu.
House ainda não estava totalmente recuperado. "Essa é uma das piores refeições que eu já tive na vida". Ele falou.
Cuddy foi falar com a filha. Ela bateu na porta.
"Rachel, me deixe entrar".
"Não". A menina respondeu.
"Rachel".
"Não".
Cuddy foi até House.
"Ela não quer me deixar entrar no quarto".
"Ela tem doze anos, ela beija meninos por ai, não abre a porta para a mãe, isso está demais". House falou.
"Calma House. Foi tudo muito emocional para ela. Primeiro beijo com seu primeiro namorado que voltou".
"Namorado? Ela não tem idade para ter namorado".
"Eu sei, mas temos que pensar em uma maneira de supervisionar isso, melhor aqui perto de nossos olhos, do que fora daqui. Não acha?".
"Eu ainda sou a favor da masmorra". Ele disse e Cuddy o abraçou.
"Eles crescem... temos que nos acostumar".
"Até outro dia era você quem estava louca quando Tommy elogiou Cameron". House provocou.
"Era Cameron".
"E agora é Davi". House não dava o braço a torcer.
"Tudo bem, vou tentar falar com ela novamente". Cuddy saiu em direção ao quarto de Rachel.
"Filha... mamãe não vai sair daqui".
Ela abriu a porta.
"Foi horrível". A menina reclamou.
"Eu sei... mas Tommy e seu pai estavam estacionados na casa de sua amiga quando você beijou Davi".
"O que? Eles viram? Que vergonha horrível. O pior primeiro beijo da história". Rachel reclamou.
"Não filha, você disse que tinha sido ótimo. Seu pai e irmão estando lá não muda isso".
"Claro que muda mãe!".
"Olha... você é muito nova ainda e seus pais precisam monitorar você e Davi. Quando você for mais velha poderá pensar em namorar com mais liberdade, não agora. Você ficará sempre com supervisão e isso é para o seu próprio bem". Cuddy explicou. "Não deixe que nada estrague seu dia, minha querida". Ela a beijou e saiu.
"Só nessa família essas coisas acontecem". Rachel ainda falou para a mãe antes de fechar a porta.
Nos dias seguintes Cuddy tentou convencer House de que o melhor a fazer era supervisionar sua filha e Davi e não proibi-los. Rachel ainda não estava falando com House e Tommy. Bella olhava todo dia atentamente para a barriga de sua irmã para ver se crescia, e Gael esqueceu-se totalmente do assunto.
Cuddy ligou para a mãe de Davi e conversou com ela. As duas concordaram com o monitoramento de seus filhos, pois eram muito novos ainda para namorarem.
O livro de House estava fazendo muito sucesso, já estava na segunda edição.
Wilson estava em um relacionamento sério com Vicky. Mel, a filha de Vicky, era incrivelmente parecida com Wilson, enquanto Mandy não se parecia nada com o pai.
Nesse dia a família iria para Nova Iorque acompanhar Tommy na competição regional. Davi iria com eles, Wilson e Mandy também.
"Soube que você tem um genro agora". Wilson provocou.
"Cala a boca Wilson". House não tinha humor para falar sobre isso.
Nesse momento Davi chegou.
"Bom dia, senhor House". Ele veio cumprimentar o pai de Rachel.
House apertou tão forte a mão do menino que ele ficou branco. Wilson percebeu e estava contento uma risada.
Quando o menino foi cumprimentar as outras pessoas, Wilson comentou. "Muito primata essa técnica de assustar com um aperto de mão".
"E o que você acha dessa técnica?". House disse e chutou os testículos de Wilson.
"Arghhh!". Wilson ajoelhou com dor. "Filho da puta".
"Olha a boca! Temos crianças aqui". House respondeu.
Eles iriam com um ônibus fretado. Entraram e Rachel sentou-se com Davi. House e Cuddy ficaram perto.
"Você nem pense em me fazer passar vergonha". Cuddy ameaçou.
"Se for preciso...".
"House!". Cuddy falou séria. "Até parece que você não foi um garoto um dia".
"Por isso que estou aqui cuidando de minha filha".
Cuddy virou a cabeça em negação, era irritante, mas também era fofo, ela não podia negar. Cuddy pegou a mão do marido e apertou, depois deu um selinho nele e deitou a cabeça em seu ombro.
"Você veio com a calcinha da vitória hoje?". House perguntou.
"Claro!". Ela falou e riu.
Lembrando que Cuddy sempre usava a mesma calcinha nas competições do filho, era uma superstição que House zombava.
"Me deixa ver?". Ele pediu.
"Não!". Ela falou rindo.
"Só uma parte". Ele insistiu.
"Você tem o que? Quinze anos?". Ela disse divertida e o beijou.
Rachel olhou para trás.
"Vocês dois parem. Que vergonha!".
A menina disse e os pais riram.
"Viu como é bom?". House provocou a filha, Cuddy riu e Rachel bufou.
Chegaram e foram até o complexo de piscinas. Eles precisavam caminhar uns dez minutos. Cuddy começou a ficar tensa por conta da competição de Tommy, e House começou a ficar tenso por conta de Rachel. A filha e Davi estavam de mãos dadas e o pai estava bufando.
"Mãos dadas não é um problemas, House". Cuddy dizia apertando a mão do marido. "Nós estamos de mãos dadas".
"Nós somos mais do que adultos e somos casados". Ele disse e Cuddy sorriu.
"Sua irmã está mesmo namorando Davi?". Mandy perguntou para Gael.
"Parece que sim, mas isso é nojento". Ele falou e Mandy concordou. "Quem quer namorar se podemos brincar?".
"Eu só quero dizer que o novo casal é fofo!". Wilson provocou House novamente, dessa vez ele protegia os testículos com as mãos.
House ignorou o amigo e Cuddy segurava um sorriso. Os últimos dias estavam sendo difíceis para o marido, ela pensou.
Todos foram para a arquibancada e os pais levaram Tommy até o vestiário.
"Mamãe te ama, Tommy. Independente de qualquer coisa". Cuddy repetiu. Ela sempre dizia isso e House segurou uma risada.
"Eu sei". O menino respondeu. Às vezes ele lembrava tanto House, não só fisicamente.
"Hoje está cheio de gente aqui para assistir, hein?". House falou e Cuddy o cutucou. Como ele podia falar isso para deixar o filho nervoso?
"O que foi? Ele não liga. É sempre bom ter publico para apreciar suas habilidades". House disse.
"Eu gosto de que me vejam competir". Tommy concordou com o pai.
Cuddy sorriu. Tinha coisas que ela nunca entenderia bem na personalidade de Tommy, mas House... Eles eram iguais em muito mais do que as aparências mostravam.
"Vamos brilhar em publico, não é tubarão?". House disse para o filho enquanto faziam um cumprimento ensaiado.
"Vamos!". Tommy gritou feliz.
Os pais subiram e foram encontrar-se com os familiares e amigos.
"Wilson, você grava as provas, por favor?". Cuddy pediu para garantir que a imagem não estaria totalmente tremula.
Tommy participaria de duas provas hoje.
House percebeu que sua esposa estava nervosa. "Relaxa Cuddy. Ele está bem, ele vai se divertir".
"Eu sei. Sei que vocês se entendem, sei que vocês pensam da mesma maneira, mas eu... eu sou mãe, sempre vou ficar nervosa pelos meus filhos". Cuddy respondeu e House a abraçou.
Nessa hora ele viu Davi abraçando Rachel.
"Moleque, larga dela". House falou alto o menino quase caiu da arquibancada. Ele a soltou e ficou a um metro distante.
Cuddy riu. "Você vai matar esse menino de medo".
"Essa é a ideia".
Wilson ria muito e Rachel bufava.
Os nadadores foram apresentados e a família gritou muito na vez de Tommy.
A prova começou e Tommy já saiu na frente logo na largada.
"VAI FILHO!". Cuddy gritava.
"ESMAGA TODOS ELES!".
"ACABE COM A VIDA DESSES MENINOS!"
House a gravou, pois depois ela não assumia o que gritava quando estava fora de si.
Ele amava essa mulher.
Tommy ganhou. Não uma, mas as duas provas. O menino tinha talento.
"Ele é campeão regional!". Cuddy pulava orgulhosa.
"Graças à calcinha da vitória". House respondeu ganhando um leve tapa de sua esposa.
"Seu irmão é bom!". Davi falou para Rachel.
"É sim". Ela respondeu e beijou seu namorado na boca rapidamente para que sua família não os flagrasse. Os dois coraram e os corações estavam acelerados.
Naquela noite todos jantaram na casa de House para celebrar. Pediram pizza, House e Gael tocavam músicas, o menino estava cada vez melhor. Rachel dançava com Davi e House ficava de olho para que nenhuma mão boba do menino pudesse se aproveitar de sua filha. Bella e Mandy brincavam. Tommy comia pizza como se não houvesse amanhã.
Depois do jantar Wilson e House foram para a Caverna do homem. Jogaram sinuca, beberam cerveja e agora estavam assistindo a televisão. Uma série de televisão estava sendo exibida e Wilson comentou quando uma atriz jovem apareceu.
"Ela é uma mulher gostosa, não é?".
"Sim, ela é uma mulher gostosa". House respondeu.
Cuddy estava entrando e ficou paralisadas. Ela sabia que era usual homens comentarem sobre outras mulheres, mas... ela ficou arrasada.
Depois de alguns minutos Wilson foi embora com Mandy e a família se reuniu em frente à televisão para assistirem a um filme. Cuddy fez pipoca e levou para os filhos.
"Dá pipoca para mim também, mãe". House pediu bem humorado.
"Claro!". Cuddy falou e jogou a pipoca na cabeça do marido.
"O que é isso?". Ele perguntou surpreso e as crianças riram.
"Sua pipoca". Ela disse e voltou a assistir o filme.
Cuddy era muito chata com a limpeza da casa, nunca que ela faria isso por brincadeira, House pensou. Mas o que poderia ter acontecido?
Minutos depois, House tentou se aproximar da esposa e pegar na perna dela e Cuddy o afastou irritada. House percebeu que definitivamente algo estava acontecendo.
Foram para a cama, Tommy havia colocado as medalhas que ganhou em um quadro de medalhas no seu quarto, sua coleção só aumentava.
"O que você tem?". House perguntou para Cuddy quando ela saiu do banheiro.
"Nada. Por quê?".
"Eu te conheço. Fala!". Ele disse.
"Não é nada". Ela insistiu.
"Então vem cá, deixe-me te beijar". House a provocou para obrigá-la a falar.
"Hoje não estou no clima". Ela se esquivou.
"Mentirosa. Você está com raiva de mim por alguma razão".
"Depois desses anos todos, você ainda me acha atraente? Você ainda tem tesão por mim?".
"Que pergunta idiota. Você não vê como você me deixa? Se eu pudesse faria sexo com você o dia todo". House respondeu sem entender de onde aquilo vinha.
"Você faria sexo com uma planta". Cuddy disse sarcástica.
"Isso não é verdade. Não tenho nenhuma atração por aquela samambaia que você colocou no jardim".
Cuddy riu.
"Sério House... estou ficando velha e tem muita mulher jovem por ai".
"Não é como se eu estivesse ficando jovem...".
"Mas eu sinto muito tesão por você, muito! Não tenho vontade de ficar com nenhum outro homem".
"Nem eu... nunca quis ficar com nenhum homem... nem com Wilson".
Cuddy jogou o travesseiro nele enquanto os dois riam.
"Eu não sei de onde isso vem, mas posso te garantir que você é muito melhor do que qualquer mulher jovem. E que você me excita mais do que qualquer outra mulher nesse mundo". Ele disse.
"Você nunca pensou em me trair com alguém mais jovem?". Cuddy perguntou insegura.
"Nem mais jovem, nem mais velha, nem de outro sexo, nem de outro planeta. E olha que já me ofereceram um milhão de dólares por sexo". Ele respondeu com tom sério.
"E você não aceitou? Eu te mato". Ela disse rindo.
"De onde veio isso?". House questionou.
"Ouvi você e Wilson mais cedo". Cuddy confessou.
House finalmente conseguiu entender a origem dessa insegurança descabida.
"Existem mulheres gostosas por aí, claro que sim. Eu as acho bonitas e tudo mais, só... Depois que te vejo, que te cheiro, que te sinto, só existe você".
Cuddy sorriu satisfeita e se aproximou dele. Ela passou as mãos pela barba dele e o beijou sedutoramente, usando sua língua para deixá-lo louco.
"Uhhh". House resmungou e a jogou na cama de costas.
Ela riu e ele começou a descer pelo corpo dela.
"Vou beijá-la todinha para provar como eu te quero inteira. Desde o dedo mínimo de seu pé, até o seu último fio de cabelo".
E assim foi. Eles fizeram amor lento, delicado e intenso. Ambos se colocaram ali, naquele momento, com tudo o que tinham.
Alguns meses passaram, o namoro de Rachel estava indo bem, mas supervisionado. De tempos em tempos os dois adolescentes conseguiam se esquivar e trocar alguns beijos, mas era só. Bella começou a jogar futebol, ou soccer, como diziam nos Estados Unidos. Tommy treinava agora quatro dias na semana ao invés de três, Cuddy foi relutante, ela não queria sobrecarregar o filho, mas foi Tommy quem quis. Gael ainda fazia aulas de judô, mas o seu amor maior continuava na música.
Logo seria verão e a família planejava uma viagem para Bélgica e Alemanha. House e Cuddy tinham negócios por lá relacionados ao livro que seria traduzido para vários idiomas. Mas eles também planejaram uma viagem para uma cabana. Meninos e Meninas. Esse final de semana finalmente chegou.
House foi com Rachel comprar os últimos itens. Os meninos iriam para uma cabana e as meninas iriam para outra. Os meninos iriam para a floresta e as meninas para uma cabana em um clube.
Pai e filha estavam de volta ao normal, apesar do namoro com Davi. House nunca mais viu nenhum beijo, só mãos dadas, então ele fingiu que esqueceu que presenciou o primeiro beijo da filha.
Eles estavam no supermercado e Rachel disse que precisava ir ao banheiro, a menina saiu correndo e o pai estranhou. Ele foi atrás dela.
Rachel saiu do banheiro com o rosto pálido.
"O que foi filha?".
"Eu... eu preciso de mamãe". Ela falou.
"Por quê? O que aconteceu que seu pai não pode resolver?". House estava assustado.
"É que eu... eu menstruei".
House não sabia o que fazer, falar, nem o que pensar.
"É minha primeira menstruação, eu não sei o que fazer e minha bermuda está manchada".
Era tudo demais para ele. Realmente era melhor se Cuddy estivesse lá, mas ele teria que agir logicamente, afinal, ele era um médico, não era um ignorante.
"Rachel, eu vou buscar alguns absorventes. Espere".
House voltou ao supermercado para buscar absorventes. Ele olhou para tantas opções e não sabia qual levar. Ele viu o noturno com abas protetora e pensou que esse deveria servir.
"Filha". House chamou de fora do banheiro feminino. "Rachel".
Ela saiu.
"Aqui". Ele entregou para ela.
"Como eu uso isso?". Rachel perguntou.
"Sua mãe não te deu livros que explicavam?". House questionou.
"Sim! Mas eu não lembro".
"Me deixa ver". House pegou a embalagem e olhou. "Me parece que você fará assim". Ele explicou para a filha.
"Ótimo, eu vou tentar".
A menina entrou e saiu em seguida.
"Deu certo?". House perguntou.
"Acho que sim". Ela respondeu. "Minha bermuda, você consegue ver a mancha?". Rachel perguntou e andou na frente de seu pai. Ela estava com uma bermuda jeans escura.
"Não, nada...". Ele disse.
"Tudo bem".
Continuaram as compras, quando terminaram entraram no carro.
"Eu... eu não sei o que um pai falaria nesse momento. Eu... sou péssimo com essas coisas". House começou.
"Tudo bem pai, não precisa dizer nada".
"Eu... você precisa tomar cuidado agora que... é uma mocinha".
"Eu tomo cuidado pai".
"Eu digo... você agora pode virar uma mamãe também".
"Pare pai, por favor!". Ela falou envergonhada. "Não quero ouvir isso".
"Tudo bem, não diga que eu não tentei falar algo".
Eles foram mudos até a casa e quando chegaram House falou.
"Comprei algo para você".
"Tudo bem pai, não precisa".
Ele deu uma rosa para a filha, ele havia pegado no supermercado e escondido no carro.
"Para a mais linda nova mulher". Ele falou.
"Eu te amo papai". Rachel respondeu e o abraçou.
Quando chegou Rachel foi direto para seu quarto.
"O que houve com ela?". Cuddy perguntou.
"Talvez TPM". House respondeu e Cuddy riu.
"Sério House. O que houve? Vocês brigaram novamente por conta de Davi?".
"Ela... menstruou".
Cuddy arregalou os olhos. "Oh meu Deus! Isso é sério?".
"Seríssimo. E eu tive que ir atrás de absorventes e explicar como usá-los".
Cuddy riu. "Tenho que ir ver minha menina". Ela deu um selinho no marido e foi.
"É bom mesmo que você fale para ela sobre preservativos. Melhor... sobre não fazer sexo até os trinta anos". House gritou quando ela subia as escadas.
Cuddy entrou no quarto da filha. "Oh minha filha, você é uma mocinha".
"Papai te falou, claro". Ela disse.
"Claro que sim!". Ela abraçou a filha.
"Que rosa linda". A mãe disse.
"Papai me deu".
Cuddy sorriu orgulhosa de seu marido.
"Juízo marido! Vou sentir saudades!". Cuddy falou dando um selinho nele.
"Eu tenho todo o juízo do mundo". Ele respondeu. "E a senhora cuide-se e cuide de minhas meninas. Se precisar jogar alguém para os crocodilos, escolha Vicky". Ele falou abraçando-a com força e a beijando profundamente.
"Ei... ei... ficaremos fora só por uns dias, não é o fim do mundo". Vicky falou rindo.
"É o fim do mundo para mim". Ele falou e Cuddy o abraçou.
"Eu te amo". Ela disse.
"Eu vou vomitar!". Wilson falou.
As meninas foram no carro de Cuddy com ela: Rachel, Bella, Mandy, Vicky e Mel. Wilson passou uma lista com instruções sobe Mandy, era a primeira vez que a menina dormiria longe do pai.
"Prontas para se divertirem?". Cuddy perguntou animada.
Os meninos foram no carro de Wilson. Além dele, House, Tommy, Gael e Davi.
"Será que Mandy ficará bem?". Wilson estava preocupado, claro.
"Será um alívio para a menina ficar longe de você, corre o risco dela voltar e pedir a emancipação para morar sozinha". House disse.
"Cale-se!". Wilson respondeu ofendido.
House olhou para os meninos.
"Prontos para serem aterrorizados?".
Continua...
