Capítulo 62 – Na natureza selvagem
House olhou para os meninos.
"Prontos para serem aterrorizados?".
As meninas chegaram à cabana que ficava no interior de um clube. Organizaram suas coisas e foram para a piscina. Na bolsa de Mandy havia uns dez repelentes e pelo menos uns seis protetores solar, Wilson mandou tudo em exagero para a filha.
O temperatura estava muito quente naquele verão ensolarado e elas decidiram passar o dia na piscina. Bella e Mandy divertiam-se muito na água, se Wilson visse os saltos que sua filha dava... Enquanto isso Rachel e Mel conversavam sentadas na borda da piscina. Rachel, que já estava com saudades de Davi, tentava mandar mensagem para o menino sem sucesso, onde os homens estavam não havia sinal de internet.
Cuddy e Vicky tomavam sol e conversavam.
"Como é ter sua filha namorando?". Vicky perguntou para a amiga.
"Sinto-me velha". Cuddy falou e riu. "House está sofrendo, eu tento entendê-la e lidar com isso. Melhor ela sob nossos olhos do que longe de nós".
"Greg deve estar dando um trabalho". Vicky riu. "A vingança sempre chega. Quantas jovens inocentes ele desviou do caminho?". As duas riram.
"Eu o fiz prometer que trataria Davi como nossos filhos, mas estou apreensiva que ele possa querer se vingar do garoto de alguma maneira". Cuddy desabafou.
"Você tem dúvidas?". Vicky perguntou.
"Wilson estará lá para proteger o menino". Cuddy disse esperançosa.
"Ninguém pode com Greg quando ele cisma com uma coisa. Era assim desde o tempo da faculdade". Vicky falou e Cuddy gemeu com as possibilidades que poderiam brotar da mente de seu marido.
No acampamento semisselvagem dos meninos...
"Não devíamos ter vindo para um camping selvagem". Wilson comentou.
"É semisselvagem. Além do mais somos homens, você gostaria de ter ido para um clube como as mulheres?". House perguntou.
"Era mais seguro e teríamos mais entretenimento".
"Não se preocupe que teremos bastante entretenimento aqui". House garantiu. "Meninos, vamos levar as coisas para dentro".
Os meninos começaram a carregar as mochilas para dentro da cabana.
Estava muito calor e resolveram pescar no rio que ficava próximo da cabana. House explicou os perigos de nadar em rios e recomendou que todos estivessem acompanhados quando o fizessem, nunca sozinhos e sempre na área sinalizada como segura.
"Ouviu Tommy?". Ele ressaltou.
"Sim papai". O menino garantiu que havia entendido.
Divertiram-se pescando. House explicou como colocar a isca, como jogar a vara, como saber quando um peixe fosse fisgado. Eles passaram horas lá. Wilson e House levaram cervejas, os meninos tinham refrigerante. Cuddy não deixava os filhos tomarem muito refrigerante, mas lá... com o pai... eles tinham quanto queriam, isso era fantástico para eles.
"Bella nunca iria pescar, ela choraria se pegasse um peixe". Gael comentou.
"Nem mamãe". Tommy disse rindo.
"Pois é, mas nós iremos nos alimentar do que pescarmos hoje". House falou com orgulho de pai estampado no rosto.
"Será que Mandy está bem?". Wilson perguntou.
"Já te disse... ela está tão bem que corre o risco da menina pedir a emancipação quando voltar". House falou.
"E Rachel... será que está bem?". Davi perguntou e House revirou os olhos. "Você é pai dela agora?". Ele perguntou.
"House!". Wilson chamou a atenção dele.
"Eu me preocupo com ela senhor House". O menino justificou. Ele tinha uma admiração profunda pelo pai de Rachel, por tudo o que a menina dizia e pela postura dele. O pai de Davi era ausente e o menino sentia muita falta de uma figura paterna.
"Ela está muito bem pequeno Golias". House zombou do nome de Davi.
"Aqui não temos sinal de internet então não consigo falar com ela". O menino insistiu.
"Aqui temos coisas de homem para fazer". House disse.
"Peguei algum!". Tommy gritou e começou a puxar. House foi ajudá-lo. Era um dos grandes.
"Wow!". Davi e Gael disseram ao mesmo tempo.
"Uma foto de pescador". House falou e tirou uma foto do filho com o grande peixe.
"Vamos assá-lo na fogueira essa noite". House disse.
"Fogueira?". Wilson falou assustado.
"Não me diga que você também tem medo de fogueira?" House provocou o amigo. "Tudo bem... imagine um palhaço acendendo uma fogueira".
"Cale-se!". Wilson disse irritado. De repente ele gritou de dor. "Arghhhh!".
"Desculpe!". Gael falou.
Gael havia perdido sua isca e quando foi tirar a vara de pescar da água, o anzol acertou a bunda do tio Jimmy.
Todos riram, exceto Wilson.
"Cuidado Gael, esse bumbum de Wilson tem história". House falou rindo muito.
No clube das meninas...
"Como será que os meninos estão se saindo?". Rachel perguntou.
"Espero que bem". Cuddy disse.
Elas voltaram para a cabana e preparavam o jantar. Macarrão com queijo.
Rachel estava conversando com Mel sobre seu namorado, sobre beijos, sobre estar apaixonada. Mel ainda não havia beijado nenhum menino e estava muito curiosa.
"Mamãe, o seu macarrão com queijo vai ficar bom como o do papai?". Bella perguntou.
"Não sei filha, eu vou tentar". Cuddy respondeu.
House tinha mais dom para a cozinha, as crianças preferiam a comida dele, Cuddy também preferia a comida dele.
"Ainda é muito estranho para mim ver você e Gregory House casados e com uma família". Vicky confessou.
"Por quê?". Cuddy perguntou sorrindo.
"Conhecendo ele na faculdade... vendo como você ficou depois que ele partiu... realmente é a esperança de que almas gêmeas podem terminar juntas e felizes".
Cuddy riu. "E como é o pai de Mel?".
"Não é minha alma gêmea, definitivamente". Ela falou rindo.
As mulheres estavam se divertindo em um ambiente tranquilo e acolhedor.
Na cabana masculina...
"Vamos acender a fogueira". House disse.
"Oba!". Tommy falou empolgado.
Depois da pescaria eles nadaram no rio por algum tempo, voltaram e tomaram banho antes de prepararem os peixes para assar.
"Vamos pegar quanta lenha conseguirmos antes de escurecer totalmente". House orientou.
"Espere... precisamos passar repelentes". Wilson alertou.
"É como ter uma mulher aqui". House falou balançando a cabeça.
"Agradeça a mim por seus filhos não ficarem cheios de coceira depois e, quem sabe, pegar uma doença". Wilson disse.
"Claro porque aqui eles podem pegar Dengue ou Malária". House caçoou.
Wilson havia trazido repelentes e protetores solar suficientes para um exército.
Todos estavam atrás de lenha e conseguiram bastante, surpreendentemente.
"Senhor House, Rachel me disse que o senhor usava drogas". Davi perguntou.
Wilson riu.
"Ela te disse isso?". House perguntou envergonhado.
"Sim. Ela me disse que sente muito orgulho do senhor, pois você lutou contra todas as adversidades da vida para livrar-se das drogas e da dor na perna, ela disse que o senhor fez tudo isso por sua família. E disse que hoje o senhor é o melhor pai do mundo".
House se emocionou, mas não podia demonstrar.
"Tudo bem. E você não está buscando lenha, não?". Ele mudou o foco do assunto rapidamente.
"Sim senhor". O menino saiu rapidamente para procurar lenha.
"Esse menino é um bom garoto". Wilson disse sorrindo.
"Que menino nessa idade sabe o significado da palavra 'adversidade'"? House falou mudando de assunto.
House ensinou como acender a fogueira. Os três meninos ficaram muito empolgados.
Eles assaram os peixes que pescaram. Wilson e House haviam limpado os peixes com a ajuda dos meninos. Tommy e Davi acharam muito interessante, mas Gael ficou enjoado e se afastou.
Depois de comerem os peixes, eles assaram marshmallows na fogueira. House começou a jogar marshmallows no rosto de Davi e seus filhos riam.
"House pare!". Wilson ordenou.
"Sim mamãe". House respondeu e seus filhos riram, até Davi riu.
"Tudo bem, vou contar uma história de terror". House falou e os meninos vibraram.
"Acho melhor não, depois eles não vão dormir". Wilson falou.
"Os meninos ou você?". House provocou.
"Conta a história papai, por favor!". Tommy pediu.
"Tudo bem". House disse. "Era uma vez um grupo que estava em um acampamento como esse. Eram todos homens e meninos".
"Como nós!". Davi falou.
"Eles fizeram uma fogueira e riam em volta dela, cantando e bebendo. Mas não sabiam que existia um serial killer na região, ele matava as pessoas que ficavam no acampamento e estava observando naquela noite".
"House! Menos... crianças aqui". Wilson disse.
"Esse assassino se disfarçava vestido de palhaço". House continuou.
"Cale-se!". Wilson falou nervoso e saiu.
Os meninos riram. "Ele tem medo de palhaço?". Davi perguntou.
"Tem pavor". House falou rindo.
Na cabana feminina...
As meninas estavam jogando cartas com Cuddy e Vicky.
"Mamãe não fique brava se você perder, tá bom?". Bella falou e Cuddy corou.
"Por quê? Sua mãe ainda não gosta de perder?". Vicky perguntou.
"Não! Ela odeia". Rachel falou.
"Ah é? Eu lembro bem de sua mãe na faculdade". Vicky riu e Cuddy estava envergonhada.
"Não é isso... Eu sou competitiva". Ela tentou justificar.
"Não... você fica descontrolada". Vicky falou.
"Ela jogou macarrão com molho na cabeça de papai uma vez". Rachel disse e Vicky riu alto.
"Ele estava me provocando". Cuddy tentava justificar.
"Vamos ficar longe delas meninas, se ela perder precisamos de uma zona de segurança". Vicky disse se afastando e todas riram.
Na cabana dos meninos...
"Wilson volte! O palhaço foi preso". House gritou rindo. "Vamos tocar alguma coisa?". House propôs.
"Sim!". Gael falou empolgado.
House havia trazido alguns instrumentos musicais, então ele ficou com o ukelele e Gael com um violão.
A noite era linda, estrelada e eles tocavam e cantavam.
Such is the way of the world
You can never know
Just where to put all your faith
And how will it grow
Gonna rise up
Bringing black holes and dark memories
Gonna rise up
Turning mistakes into gold
Such is the passage of time
Too fast to fold
And suddenly swallowed by signs
lo and behold
Gonna rise up
Find my direction magnetically
Gonna rise up
Throw down my ace in the hole
Davi que nunca havia tido essa experiência com seu pai estava em vias de chorar de felicidade. Ele queria muito ter tido um pai como o senhor House.
Na manhã seguinte eles acordaram cedo com um grito de Davi.
"Ahhhhhhhhhh".
"O que foi?". Wilson correu assustado para o menino.
Davi apontou para um sapo em sua cama. Wilson bufou e olhou para House que dormia.
"Wow, um sapo. Que legal!". Tommy falou tentando pegar o animal que fugiu.
"Eca! Que nojento". Gael falou.
O sapo sumiu.
Mais tarde durante o café da manhã Wilson tocou no assunto com House.
"Eu sei que você colocou aquele sapo na cama de Davi".
"Eu? Você está louco?". House defendeu-se.
"E eu sei que essa é a sua maneira de dizer que aceita Davi na vida de sua família". Wilson disse sorrindo e House fechou a cara, mas não falou nada.
Na cabana feminina...
As mulheres e meninas acordaram cedo e foram para a piscina, passariam aquela manhã por lá antes de pegarem o caminho de volta para casa.
"Você acha que os rapazes estão bem?". Cuddy estava preocupada sem noticias de seu marido e filhos.
"Não sei, não faço ideia". Vicky disse calma.
"Você diz isso nessa calma?".
"Mesmo que eles não estejam bem, vão arrumar uma maneira de sair da situação. Confio neles. Mesmo que estejam em um camping quase selvagem...". Ela dizia e Cuddy a cortou.
"Camping selvagem?".
"Sim, House não havia lhe dito?". Vicky perguntou.
"Não!". E Cuddy ficou apavorada.
Na cabana masculina...
Eles foram nadar no rio. Estava muito quente.
Após algum tempo saíram da água, exceto Tommy que queria ficar mais um pouco. Sentaram em frente ao rio, conversavam e riam.
"Acho que tem alguma coisa na minha bermuda". Davi falou.
"Dessa vez não fiz nada". House se defendeu olhando para Wilson.
O menino colocou a mão e tirou uma sanguessuga. Sua mão tinha sangue também.
"Ahhhhh! O que é isso?". Davi gritou e Gael quase desmaiou.
"Isso é uma sanguessuga, estava nas suas bolas?". House perguntou e o menino confirmou com a cabeça.
"Oh meu Deus!". Wilson disse.
"Não há de ser nada, mas quando voltarmos faremos alguns exames, por ora vá tomar um banho e passe um dos remédios que encontrar na bolsa de remédios de Wilson, lá deve ter até um kit para cirurgia, caso queira extrair suas bolas". House disse.
"Eu não quero senhor". O menino falou nervoso.
"Ele está brincando Davi. Vamos tomar um banho quente e eu te darei uma pomada". Wilson chamou o menino.
"Esse sanguessuga fez melhor do que eu poderia fazer...". House ia dizendo quando de repente avistou um crocodilo indo na direção de seu filho.
"TOMMY!". House gritou e o menino olhou para seu pai.
"VEM PRA CÁ JÁ!". House gritou em desespero.
O menino não entendeu nada, mas quando olhou para trás ele arregalou os olhos e entendeu tudo.
O menino começou a nadar rápido para chegar até a margem do rio. Wilson, Davi e Gael foram surpreendidos quando viram o crocodilo atrás de Tommy.
"Oh meu Deus!". Wilson disse apavorado.
"VEM TOMMY. RÁPIDO! NADE! MAIS RÁPIDO DO QUE NUNCA!". House gritava para o filho.
O menino chegou esbaforido e o crocodilo logo atrás.
"Tommy!". House abraçou o filho. "Você nadou e ganhou de um crocodilo. Você é foda!".
Os rapazes chegaram em casa após as mulheres, Cuddy já estava desesperada a essa altura.
"Graças a Deus vocês chegaram bem!". Ela disse indo abraçar seus filhos.
"Davi!". Rachel foi encontrar o menino, mas precisou controlar-se, afinal, seus pais estavam presentes.
Wilson correu para conferir se Mandy estava bem.
"Você não me disse que era camping selvagem". Cuddy falou.
"Semisselvagem". House corrigiu.
"Você é louco?". Cuddy falou irritada.
"Mamãe, foi muito legal. Nós pescamos, nadamos no rio, fizemos fogueira com marshmallow, papai contou história de terror e tio Jimmy ficou com medo". Tommy ia dizendo e Wilson corou. "Um sapo apareceu na cama de Davi e eu nadei contra um crocodilo".
"O que?". Cuddy perguntou. "Nadou contra um crocodilo?".
"Boa coisa é que Tommy venceu". House disse deixando a esposa boquiaberta.
"Ah... e Davi tinha um bicho nas bolas dele sugando todo o seu sangue. Como se fosse um bicho-vampiro". Gael contou e as mulheres todas viraram o rosto para olhar um Davi envergonhado.
Mais tarde naquele dia a mãe de Davi foi buscá-lo, mas antes House ouviu uma conversa de Rachel com o menino.
"Seu pai é demais! Eu queria ter tido um pai assim. Foi a melhor viagem da minha vida".
Meses passaram e House e Cuddy completavam oito anos de casamento.
Ele resolveu levá-la naquela noite para o clube de jazz onde estiveram anos atrás. Reservou uma boa mesa e o ambiente era o mesmo: romântico, pouco iluminado, boa comida e ótima música.
"Devíamos vir aqui mais vezes". Cuddy falou.
"Sim, devíamos". Ele respondeu.
Os dois estavam muito elegantes, ficaram namorando o tempo todo. Beijos deliciosos, conversa romântica e dança.
Voltaram para casa de madrugada, as crianças haviam ido dormir na casa de Julia e o casal não conseguiu chegar até a cama, aportaram no sofá cheios de excitação.
"Esse sofá me lembra da concepção de Gael". House falou entre beijos.
"Eu vou montá-lo como naquela noite". Cuddy provocou lambendo a orelha do marido.
E ela cumpriu o que prometeu, se envolveram em uma cavalgada selvagem.
"Oh meu Deus, mulher... você ainda vai me matar fazendo isso... mas... eu vou morrer feliz".
"Não vou deixar você morrer antes de... chegar ao orgasmo". Ela disse acelerando ainda mais o ritmo.
"Eu te amo!". Ela disse enquanto gozava.
"Sempre!". Ele respondeu.
O tempo havia passado, a família esteve na Alemanha e Bélgica no último verão, semanas após o acampamento. Gael treinava para seu primeiro recital de música nesse final de semana. Bella treinava para o primeiro torneio de futebol. Tommy para o campeonato nacional de natação nos próximos meses. Rachel, agora com treze anos, só pensava em Davi.
O livro de House estava sendo lançado pelo mundo, traduzido em diversos idiomas. O sucesso era arrebatador, os professores das universidades dos Estados Unidos já estavam incluindo o livro em sua grade escolar como um livro didático essencial para a formação do profissional médico.
A consultoria continuava, mas agora House tinha a ajuda de Chase em tempo integral e de Treze em alguns momentos. Foreman assumiu o departamento de Diagnósticos de Princeton e estava muito feliz por atingir seu objetivo.
"Filho fique tranquilo você treinou muito". Cuddy dizia para seu caçula. Ele se apresentaria em breve no anfiteatro da escola.
"Eu sei mamãe, mas estou tremendo, olha". O menino mostrou a mão para ela.
"Isso é normal meu caro, mas quando você começar a tocar vai melhorar. Confie, você treinou muito e... divirta-se!". House disse para o filho.
Gael era muito diferente de Tommy. Enquanto o mais velho tinha muita confiança e lidava bem com a competição e a pressão, Gael era mais sensível a esses fatores. Ele era muito perfeccionista e se cobrava demais, como sua mãe.
"E se eu for mal?". O menino perguntou.
"Independente do que acontecer, nós te amamos". Cuddy respondeu e House sorriu. Essa devia ser uma frase pronta de sua esposa para dizer aos filhos.
"Você não vai mal, você vai arrebentar!". House disse.
Os pais se juntaram aos irmãos, aos avós e a tio Jimmy com Mandy para assistir a apresentação do filho.
"Sua mãe não trouxe um banner hoje?". House perguntou.
"Ela queria, mas eu disse que era proibido". Cuddy respondeu.
"Obrigado Deus!". Ele falou e Cuddy riu.
"Ela queria trazer algo dizendo: Gael o anjo judaico da música, diferente de seu pai que é o fantasma da ópera".
"Claro que ela faria isso". House respondeu.
O menino entrou e foi muito aplaudido. Cuddy estava nervosa, mas não tanto como nas competições de Tommy, o nervoso dela agora era diferente, ela queria muito que seu filho fosse bem e não lidasse com a decepção em sua primeira apresentação.
Gael começou ao piano e foi perfeito, ele tocou A Primavera de Vivaldi. Doce e suave. Ao final o menino de seis anos foi muito aplaudido.
"Wow, você foi muito bem!". Cuddy falou para o filho nos bastidores.
"Não fui não mamãe, eu errei uma nota". Ele falou triste.
"Mas... ninguém percebeu... foi lindo".
"Eu percebi e papai também, não foi papai?". O menino perguntou triste.
"Sim, eu percebi. Mas porque eu, de alguma maneira, sou musico também, senão teria passado despercebido. Mas filho... você é uma criança, tem seis anos. Não seja tão perfeccionista, aprecie as outras notas todas que você acertou e a emoção que você fez as pessoas sentirem". House disse.
Cuddy mordeu o lábio, Gael havia puxado isso dela, com certeza. Ser perfeccionista o tempo todo, ele sofreria muito mais que seu irmão. Aproveitaria a vida muito menos do que seu irmão.
"Você se divertiu?". House perguntou.
"Um pouco". O menino respondeu.
"É isso que tem que mudar. Na próxima vez que você tocar em um palco precisa imaginar que estamos tocando em casa juntos. Não é divertido quando tocamos juntos?". House perguntou.
"Muito!". O menino falou sorrindo.
"Então... é assim que deve ser em qualquer lugar".
"Vou tentar". O menino disse já com o semblante bem mais leve.
Cuddy sorriu e agradeceu aos deuses por House ser o pai de seus filhos.
Músicas do capítulo:
Rise – Eddie Vedder.
A Primavera (das Quatro estações) - A. Vivaldi
