Capítulo 63 – Coração
"Vamos Bella, acorde!". Cuddy tentava fazer com que sua filha levantasse às 6:30 naquele sábado.
"Tommy...". Ela retirou o edredom do menino para ver se ele acordava.
"House Acorda!". Ela também puxou a coberta de House.
A essa altura Gael e Rachel já estavam acordados comendo seu cereal, mas os três dorminhocos não queriam levantar.
"Por que eu preciso ir ver esse jogo estúpido em pleno sábado?". Rachel reclamou.
"Não fale assim Rachel, é o jogo de sua irmã". Cuddy respondeu.
"Por que eles nunca acordam?". Gael perguntou referindo-se a seu pai e irmãos que dormiam, enquanto ele cavava seu cereal com a colher.
Cuddy voltou para os quartos.
"Bella... Você vai perder seu jogo. Acorde filha!". Cuddy dizia chacoalhando levemente a menina.
"Tommy... Tommy...". Ela chacoalhou o filho mais forte.
"House!". Ela jogou o travesseiro no marido.
Levou mais vinte minutos para todos estarem na cozinha. Bella mal-humorada, Tommy esfomeado e House sonolento, dormindo em cima da mesa da cozinha.
"Vamos pessoal, não podemos perder o jogo de Bella". Cuddy falou já pronta. Ela estava com uma calça jeans, tênis e blusa de moletom.
"Que animação em pleno sábado de madrugada". House disse. "Quem marca um jogo para a madrugada de um sábado?".
"Concordo!". Bella respondeu.
Após alguns minutos eles foram...
"Como vocês demoraram, pensei que assistiria a um jogo sem minha neta". Arlene reclamou.
"O que ela está fazendo aqui? Pensei que seria algo só para nós da família". House se queixou.
"Ela descobriu, não fui eu quem falou nada". Cuddy respondeu baixo para o marido.
"Você não vai estender o banner não?". House a provocou, ele não imaginava que realmente a sogra havia levado um banner, como fez na competição de Tommy.
"Claro que vou". Arlene disse e tirou um tecido da bolsa, começou a pedir licença para todos e chegou até o alambrado onde estendeu o banner.
"Tenho até medo de ir ver o que diz nesse banner". House falou para Cuddy que estava com olhos arregalados.
Tommy, que estava embaixo da arquibancada, subiu rindo. "Essa conseguiu ser pior que a minha". O menino falou e o medo de House aumentou.
"Mamãe, fala para a vovó tirar isso, já!". Bella que estava aquecendo com as outras meninas pediu.
Cuddy e House desceram para ter visibilidade do banner.
"Isabella Melody House, você é menina e não menino, saia já desse campo".
Cuddy ficou vermelha, só que de raiva. Ela foi até o banner e o retirou. Arlene protestava, mas Cuddy levou o banner sem dizer uma palavra.
"Dessa vez minha mãe foi longe demais". Ela falou para o marido.
"Sua mãe é uma bruxa, eu sempre digo". Ele respondeu.
Arlene chegou perto da filha. "Dê-me meu banner!".
"Nunca!". Cuddy respondeu irritada.
"Mas é a verdade. Ela pode fazer tanta coisa de menina e vai jogar futebol? Um esporte masculino e violento". Arlene argumentou.
"Minha filha pratica o esporte que quiser". Cuddy disse.
House só olhava mãe e filha digladiando.
As duas pararam quando a partida começou. Cuddy estava duplamente tensa, por Rachel e pela mãe.
Davi chegou e cumprimentou a todos, depois ficou ao lado de Rachel.
"Ninguém me disse que Davi viria, isso só piora". House comentou com Cuddy.
"Ele é namorado de Rachel". Cuddy falou irritada com toda a situação. Ela só queria ficar em paz para ver o jogo.
"E quem está jogando é Bella e não Rachel, logo, não há razão para ele estar aqui". House continuou.
"House!". Cuddy chamou a atenção dele e seu marido percebeu que era melhor calar-se.
Tommy foi para o lado de Davi, ele e o namorado da irmã se davam bem. Gael estava distraído, seu pensamento estava longe.
"É um absurdo. Você tem uma filha que joga futebol parecendo um menino, e outra que tem namorado aos treze anos de idade". Arlene provocou a filha.
"Eu beijava meninos quando eu tinha treze anos de idade, o que você tem a dizer? Que você era péssima mãe?". Cuddy confrontou Arlene.
"Bruxa má, melhor ficar quieta, pois sua filha não está para muitos amigos". House alertou.
House ficou jogando pedrinhas na cabeça de Davi durante o jogo.
"House, pare!". Cuddy falou.
Rachel olhava para o pai irritada, mas Davi ria.
"Davi venceu Golias, ele há de sobreviver a umas pedrinhas". House justificava.
Em uma jogada particularmente dura Bella foi atingida por uma menina do time oposto. A filha de Cuddy rolou pelo gramado ferida.
"FILHA!". Cuddy gritou e correu até o campo.
"Oh meu Deus!". House disse rindo e tirando fotos. "Isso vai ser bom".
"PARE COM ESSA PARTIDA JÁ. ESSA MENINA É UMA ASSASSINA!". Cuddy apontava para a menina que atingiu Bella.
"Mãe... eu já estou bem". Bella tentava acalmar a mãe enquanto morria de vergonha.
"Filha você está bem? Precisa ir ao médico?". Cuddy dizia. "Sente alguma dor? Foi uma pancada forte".
"TIREM ESSA LOUCA DAÍ". Uma mãe gritou da arquibancada.
House arregalou os olhos, o negócio ficaria feio.
Cuddy voltou para a arquibancada pisando forte no chão.
"Como ousa me chamar de louca?". Ela falou para a mulher.
"Só uma louca entra em campo para socorrer a filha por conta de um machucadinho". A mulher provocou.
"Não chame minha filha de louca!". Arlene entrou no meio.
"Oh meu Deus!". House dizia enquanto gravava toda a situação.
"Então temos toda a geração de loucas aqui?". A mulher provocou.
"Nós somos loucas, mas é você quem sairá na camisa de força". Arlene disse e pegou o tecido do banner que estava com Cuddy e o enrolou na mulher.
House gravava tudo impressionado.
Os seguranças chegaram e retiraram as três mulheres. Elas foram expulsas da arquibancada e o jogo recomeçou. House e os filhos continuaram lá para prestigiar o jogo de Bella.
"Acha que mamãe ficará brava se não sairmos?". Rachel perguntou para o pai.
"Sua mãe já está brava, melhor ela lá e nós aqui nesse momento". Ele respondeu rindo. "Você está vendo em que família está se metendo? Depois não diga que eu não te avisei". House falou para Davi.
O jogo terminou. O time de Bella empatou, foi um jogo morno e sem gols. Ele esperou a filha.
"Que vergonha!". A menina disse para o pai.
"Bella... nem todos têm uma mãe tão passional como a sua, você devia se divertir com isso. Eu me diverti". House falou rindo.
"Mamãe e vovó com o banner...". A menina disse.
"E você nem é adolescente ainda... quando for será pior". House falou rindo.
Quando saíram do local, Cuddy estava sentada num banco com Arlene.
"Filha, desculpe. Eu...". Ela tentou justificar.
"Tudo bem mãe, só não sei se eu quero que vocês assistam a um jogo meu novamente...". A menina disse. "Você fez meu coração ficar triste".
"Oh filha... não fale assim. Isso não vai mais acontecer, prometo. Me desculpe se eu te envergonhei, eu só queria te proteger". Cuddy estava muito envergonhada e arrependida por ter perdido o equilíbrio daquela maneira. Mas também... House, Arlene, o machucado de sua filha e aquela mulher insuportável, tudo junto? Era demais.
"Tudo bem, mamãe. Vamos para casa logo". A menina pediu.
"Mamãe, foi a melhor partida de futebol de todos os tempos". Tommy zombou.
"E você? Nem para vir ver como eu estava". Cuddy falou irritada com o marido.
"Achei que você precisava ficar sozinha, e que alguém precisava ficar com nossa filha". Ele disse e ela não tinha muitos argumentos.
"Sua família é demais!". Davi falou impressionado. Ele realmente gostava da família House.
No próximo final de semana a família viajaria para Phoenix, House tinha uma palestra. Mas Gael adoeceu. Uma virose severa fez com que o menino tivesse febre, vomito e diarreia na véspera da viagem.
"Vamos desmarcar". House disse.
"Não. É importante, você precisa ir. Todos os lugares estão preenchidos". Cuddy disse.
Ele iria sozinho, isso nunca aconteceu desde que começou com as palestras, Cuddy e a família sempre estava por perto.
Gael passou as últimas noites na cama dos pais, o menino estava manhoso. Na manhã da viagem House estava na cozinha e sua esposa chegou.
"Tenha uma boa viagem!". Ela falou com um sorriso triste.
"Você não vai me dar nenhum beijo de tchau?".
Ela se aproximou de House que estava sentado e começou a beijar o pescoço dele.
"Uhhh". House gemeu e ela continuou. Depois de algum tempo ela se virou e o beijou na boca, um beijo escandaloso de boca aberta e muita língua.
"Agora você vai me deixar ir assim para Phoenix?". House disse tão logo terminou o beijo.
"Pensando em mim!". Ela respondeu maliciosa.
Quando House ia fazer algo a respeito Rachel apareceu.
"Papai... boa viagem!". A menina disse.
"Obrigado filha".
Ele se despediu dos filhos. Tommy e Bella não acordaram, então ele beijou a testa dos filhos enquanto eles dormiam.
"Quando eu voltar quero vê-lo bem!". House falou para Gael.
Na porta Cuddy despediu-se do marido.
"Se cuide!". Ele falou.
"Você também. Juízo! E afaste-se de suas fãs loucas". Ela disse sorrindo antes do beijo final.
E ele foi.
Chegando a Phoenix House passou rapidamente no hotel e já seguiu para o hospital.
Em casa Cuddy recebeu a visita inesperada de Arlene e Julia.
"Viemos ver Gael". Arlene disse.
"Oh... ele está dormindo, não dormiu bem a noite toda então agora ele conseguiu descansar". Cuddy explicou.
"E seu marido grosseiro?". Arlene perguntou.
"Mamãe!". Julia chamou a atenção dela.
"O marido dela é grosseiro, mas pelo menos não é um inútil como seu namorado". Arlene falou para Julia.
"Ele foi para Phoenix". Cuddy respondeu.
"Sozinho?". Arlene perguntou.
"Sim, eu tive que ficar com Gael". Cuddy disse.
"Olha... minha mãe costumava dizer uma coisa muito certa. Para você manter um homem na linha precisa de duas coisas: encher a barriga dele e esvaziar os testículos".
"Mamãe!". Cuddy e Julia falaram ao mesmo tempo.
"É verdade queridas. Senão alguém fará essas coisas por você. Espero que você tenha esvaziado os testículos de seu marido antes da viagem, Lisa". Arlene falou para Cuddy que corou.
"Pensei que preencher seu coração de amor era mais importante". Julia disse.
"Você é muito ingênua". Arlene falou para a filha. "Um homem pode amar uma mulher e ter tesão por outra".
"Tudo bem... acho que podemos parar por aqui". Cuddy disse.
"Não se faça de puritana". Arlene falou. "Sei que você e seu marido se divertem bastante".
"Mamãe!". Júlia repetiu mais uma vez o apelo para sua mãe parar.
"E você precisa encontrar alguém que te faça tão bem como Greg faz para Lisa". Ela falou para a filha.
"Tudo bem... eu vou sair. Me chame quando vocês mudarem de assunto". Cuddy falou.
Arlene respirou fundo.
"O que foi mamãe? Engoliu o veneno?". Cuddy falou divertida.
"Muito engraçado, mas eu estou sentindo uma pontada nas costas desde ontem. E meu estomago está ruim". Arlene respondeu.
"São gazes". Julia falou e as irmãs riram.
"Quem está com gazes?". Gael apareceu. Seus irmãos estavam na escola.
"Oi meu neto lindo!". Arlene podia ser intragável, mas amava os netos.
"Oi vovó".
"Trouxe um presente". Ela disse e entregou algumas ervas para o menino.
"O que é isso vovó?".
"Faremos um chá com isso e você vai melhorar". Arlene respondeu e Cuddy virou os olhos.
"Mamãe, ele já está tomando remédios para melhorar".
"Lisa, você é médica e acha que sabe tudo, mas não". Arlene disse e foi para a cozinha fazer o chá para seu neto.
Novamente a palestra de House foi um sucesso, o auditório estava muito cheio e todos o aclamaram ao término. Como sempre, muitos queriam dar uma palavra com ele e no meio dessas pessoas uma figura conhecida: Cameron.
"Parabéns Dr. House". Ela falou sorrindo.
"O que você faz aqui?". Ele perguntou confuso.
"Eu trabalho aqui. Já há alguns anos, me surpreende você não saber".
"Eu estive ocupado nos últimos anos". House respondeu.
"Sou responsável pelo setor de emergência". Cameron explicou.
"Entendi". House cortou o assunto.
"Você não vai me negar um jantar, certo?". Cameron perguntou.
"Eu já estou comprometido, não posso aceitar um novo encontro com você, ainda mais depois do primeiro...". House falou sarcástico.
Cameron riu.
"Eu faço questão de te pagar um jantar, só uma refeição entre colegas". Ela insistiu.
House foi.
"Eu ainda estou chocada com você e Cuddy". Cameron iniciou a conversa.
"Por quê? Você acha que eu não a mereço? Eu também acho isso". House falou.
"Não... eu acho que ela não te merece". Cameron falou rindo.
House olhou sério para ela. "Ela merece muito mais do que eu posso oferecer".
"House apaixonado, isso é estranho". Ela falou.
"Aonde você quer chegar, Cameron?".
"Essa é só uma conversa entre dois colegas". Ela despistou.
"E seu marido, seu filho?". House perguntou.
"Estão bem". Ela foi vaga. "Seus filhos são lindos, puxaram o pai".
"E a mãe". House respondeu.
"Você quis ter filhos? Foi um acidente ou foi proposital?". Cameron perguntou curiosa.
"Qual seu ponto, Cameron?".
"Já disse... uma conversa entre dois colegas".
"Não sou bom com conversas".
"Então o que você sugere?". Ela perguntou maliciosa e o telefone de House tocou. Era Cuddy.
House cogitou sair de lá para atender, mas a garçonete estava impedindo a passagem e ele ficou preocupado com Gael, e se fosse algo urgente?
"Oi". Ele atendeu.
"Oi". Cuddy respondeu.
"Como está? Como está Gael?". Ele perguntou.
"Bem melhor. Hoje ele voltou a ser Gael". Ela disse feliz. "E como foi a palestra?".
"Foi bem". Ele foi vago.
"Você não pode falar agora?". Cuddy percebeu que House era vago.
"Não, depois eu te ligo". Ele respondeu.
De repente Cameron falou para a garçonete em tom de voz alto, mais alto do que precisaria.
"Por favor me traga um tiramisu. E o que você quer House?".
"Cameron?". Cuddy percebeu e House fechou os olhos irritado.
"O que?". Ele perguntou desconversando.
"Cameron... é a voz dela". Cuddy respondeu.
"Sim, ela está aqui. Ela trabalha no hospital". House respondeu com naturalidade.
"Você sabia disso?". Cuddy estava muito irritada.
"Não, claro que não". House respondeu e Cameron sorria.
"Você vai comer sobremesa com ela enquanto sua esposa cuida de seu filho doente?". Cuddy falou corada pela raiva.
"Cuddy...".
"Não diga nada. Boa sobremesa!". Cuddy disse e desligou.
"Cuddy ficou chateada?". Cameron perguntou.
"Não... ela está cansada porque nosso filho caçula está doente". House disfarçou.
"Sinto muito!". Cameron falou pegando na mão de House, ele puxou de volta.
"Ele está melhor". House disse referindo-se a Gael.
"Você não quer sobremesa?". Cameron perguntou.
"Não, preciso ir". Ele falou.
"Calma! Vamos dar uma volta... eu te mostro a cidade, tem coisas muito interessantes". Cameron falou com um grande sorriso.
"E seu marido? Seu filho?".
"Eles estão acostumados com meus horários malucos". Ela respondeu na expectativa de que ele aceitasse o convite.
Ele sorriu balançando a cabeça. "Claro que sim".
"Então... vamos?". Ela disse terminando de comer seu tiramisu.
"Agradeço o convite, mas estou cansado. Boa noite Cameron". House falou e saiu deixando uma nota de 100 dólares na mesa. Ele não queria dever nada para ela.
Cameron ficou visivelmente decepcionada. House não entendeu qual era a intenção dela de fato, mas não importava, ele precisava sair de lá e falar com sua esposa.
Chegando ao quarto ele tentou ligar para Cuddy, mas o celular dela estava desligado. Ele respirou fundo e mandou uma mensagem.
Me liga! Estou no quarto do hotel sozinho, se é que você desconfia de mim a esse ponto.
Nada...
Ele dormiu na expectativa de receber um telefonema da esposa ou uma mensagem.
De madrugada uma mensagem chegou, e ele acordou sonolento para olhar o celular. Era dela.
Minha mãe teve um infarto. Estou indo para o hospital.
"Oh meu Deus. A bruxa má!". House falou consigo mesmo. Depois ele ligou para a companhia aérea buscando uma passagem de volta para Nova Jersey. Ele conseguiu um voo para daqui à uma hora, então ele saiu em disparada para o aeroporto.
Ele tentava ligar para Cuddy durante todo o trajeto de volta e ela não atendia. Ele estava irritado, nervoso, preocupado.
Seis horas depois ele estava entrando no hospital com mala e tudo. Ele não tinha ideia de como estava Arlene e nem sua esposa.
"Arlene Cuddy está na cirurgia agora. Ala 13". A recepcionista informou.
Menos mal, ele pensou, isso significava que Arlene ainda estava viva.
House foi até lá e Cuddy o viu antes mesmo dele a vir.
"House!". Ela foi correndo na direção do marido e o abraçou forte enquanto chorava.
House abraçou Cuddy de volta muito forte também. Ficaram assim por alguns minutos, depois ele a direcionou para as cadeiras da sala de espera. Ele cumprimentou Julia e sua filha mais velha e sentou-se com Cuddy. Sua esposa afundou a cabeça no pescoço dele enquanto o abraçava. Ela chorava e ele alisava seus cabelos.
"Ela está passando por uma cirurgia de revascularização do miocárdio". Cuddy disse sem se mover.
"Ela vai sair dessa". House falou.
"Eu estava me sentindo tão desolada. Tão sozinha. Você chegou e parece que encontrei meu chão novamente". Cuddy disse baixo para House. Ele a abraçou mais forte.
Julia sentia um misto de preocupação por sua mãe e alegria por sua irmã, além de uma imensa solidão, pois o que Lisa tinha, não era fácil de encontrar.
"Tia Lisa sempre foi tão sozinha. Achava ela tão independente e forte quando eu era menor, mas hoje vejo que ela só era sozinha mesmo". A filha de Julia disse para a mãe em tom de voz baixo.
Julia sorriu abraçando sua filha.
"Agora ela está feliz". A jovem concluiu.
Meia hora depois...
"Está demorando". Julia comentou atraindo a atenção do casal.
"Essa cirurgia leva em média quatro horas". House disse.
"Deve estar terminando então". A filha de Julia, Abigayle, disse.
"Ela falou que estava com dores... eu não percebi nada. Sou médica, devia ter notado". Cuddy falou culpada.
"E você tem visão raio-x para ver o que se passava no organismo dela?". House perguntou.
"Se você estivesse lá... talvez tivesse percebido...". Ela falou.
"Ei... ei... ei... pare com isso. Vocês a trouxeram rápido e ela vai se recuperar. Não temos como prever tudo o tempo todo, coisas ruins acontecem". Ele disse e ela o abraçou novamente.
Minutos passaram e Cuddy quebrou o gelo.
"Você... e Cameron...". Ela perguntou.
"Nada aconteceu, Cuddy. Ela trabalha lá, eu não sabia, ela estava na palestra e me obrigou a jantar com ela, fui e logo voltei para o hotel sozinho".
"Ela te obrigou a jantar com ela?". Cuddy perguntou.
"Praticamente. Mas isso foi tudo o que aconteceu". Ele disse querendo cortar o assunto.
"Ela não deu em cima de você? Não queria que você comesse a sobremesa dela?".
"Ela é casada e com filhos e eu também".
"Isso nunca impediu ninguém". Cuddy respondeu.
"Quer dizer que você não liga para isso?". House fingiu estar chocado.
"House, você entendeu". Ela disse.
"Ela queria ir dar uma volta pela cidade depois do jantar e eu recusei, voltei para o quarto sozinho".
"Sabia! Vagabunda!". Cuddy falou alto fazendo Julia e sua filha olharem para ela.
"Não é nada...". Cuddy disfarçou.
"Eu te amo!". House disse e beijou a cabeça da esposa.
"Eu também. E você nunca mais vai viajar sozinho para palestras, não posso arriscar deixá-lo com essas fãs malucas". Ela declarou.
"Eu não queria ir...". Ele falou a beijando novamente.
O médico veio dar noticias e eles levantaram em um pulo.
"A cirurgia foi um sucesso e ela está se recuperando, em poucas horas deve acordar e vocês poderão vê-la".
"Graças a Deus!". Cuddy abraçou o marido e Julia abraçou a filha.
Eles ficaram lá, aguardando Arlene acordar. House dormiu na poltrona e Cuddy continuava agarrada a ele, com a cabeça em seu peito.
Horas passaram...
Arlene acordou e as filhas entraram para vê-la.
"Mamãe, que susto!". Julia disse.
"Eu sou forte. Vou me recuperar". Arlene disse.
"Sim, você vai!". Cuddy falou.
"House e Abigayle estão lá fora". Julia disse.
"Deixe-os entrar". Arlene ordenou.
Eles entraram. A menina falou com sua avó e House ficou a distância.
"Você não estava em Phoenix?". Arlene perguntou.
"Estava e voltei". Ele respondeu. "Uma bruxa passou mal, acho que caiu da vassoura e fui chamado de volta".
Arlene riu.
"Filhas... eu estou bem, fiquem tranquilas". Arlene falou. "Agora, deixe-me sozinha com Greg, por favor". Arlene pediu e os olhos de House arregalaram.
"Mamãe, não é a hora...". Cuddy ia dizendo.
"Deixe-me!". Ela ordenou e assim fizeram.
"Se eu vou morrer preciso te dizer algo". Arlene começou.
"Você irá morrer, todos iremos, mas não agora". House falou.
"Cale-se, pelo menos agora". Ela pediu e ele obedeceu.
"Você é um ótimo genro". Arlene disse fazendo os olhos de House arregalarem novamente.
"O melhor marido que minha filha poderia ter, e eu sou muito grata a Deus por isso. Você fez muitos sacrifícios para se adaptar a vida familiar e é um ótimo marido e pai. Não ser judeu é algo que não é relevante, pois você é melhor que meu marido já foi, Lisa que não nos ouça pois ela venerava o pai, mas ele não era quem ela pensava que fosse, não o tempo todo. Você, ao contrario, fez muitos absurdos em sua vida, mas quando se comprometeu com minha filha... você realmente se comprometeu. E a faz muito feliz. Nunca vi minha filha tão feliz. Obrigada por isso!".
"De nada?". House disse.
"Agora, se eu não morrer você vai fingir que nunca ouviu isso, eu negarei até minha morte". Ela falou e House riu.
"Temos um acordo!".
