Capítulo 65 – O amor não faz sentido

Meses se passaram e a família continuava viajando com frequência. O livro de House foi tão bem recebido que ele estava escrevendo um segundo volume, incluindo novos casos. Ele era convidado a palestrar com frequência, mas aceitava um convite por mês, então suas palestras eram sempre disputadas. A família viajava com ele, exceto quando era perto, a maioria de suas palestras eram em Princeton, quem queria ouvi-lo precisava deslocar-se para Nova Jersey, ou vê-lo através do Youtube. Cuddy começou a criar um canal que estava bombando. Era ela quem administrava e-mails, solicitações, mídias sociais e esse tipo de coisa. No último verão a família esteve na Austrália, estenderam suas férias para a Nova Zelândia.

"Onde está Rachel?". House perguntou.

"Estudando na casa de Davi". Cuddy respondeu.

"Estudando a anatomia humana?". House perguntou sarcástico.

"House!". Cuddy chamou a atenção do marido. Nos últimos meses Davi era uma figura frequente na casa dos House, mas ainda o pai pegava no pé do namorado da filha.

"Cuddy, ela tem catorze anos e ele quinze, o que você espera? Eu já fui um garoto hormonal com quinze anos, sei bem como é".

"Não é porque você foi um depravado que Davi também é. A família de Davi é judia e segue os princípios...".

"Bobagem". House a interrompeu. "Hormônios não respeitam religião".

"Nossa filha não fez sexo, se é o que você quer saber". Cuddy disse.

"E como você sabe disso?".

"Porque ela viria me falar se tivesse feito, ou se pensasse em fazer. Combinamos isso".

"Ah Cuddy...". House riu. "Como você é ingênua".

"Eu confio em Rachel. No mais... não é você quem diz que nossos filhos farão intercâmbio quando tiverem dezessete anos? Que escolherão um país para conhecer cada um? Aprendendo cultura e idioma? Ou isso só serve para seus filhos homens? Isso é machismo!". Cuddy provocou.

"Eles vão fazer intercambio antes da faculdade sim. Quero que eles vejam o mundo por si só, isso os ajudará a ter certeza do caminho que querem seguir. Mas com dezessete anos, não com catorze". Ele argumentou e Cuddy riu.

"Ela pode não ter feito sexo ainda, mas e quanto a mão boba de Davi?". House continuou. "Ou você está bem com nossa filha de catorze anos se amassando com o namorado?".

"Ela não fica se amassando, ela troca beijos com ele. Qual o problema disso?".

"E você acha que ele nunca pegou nos seios dela?". House perguntou.

"Tchau House, tenho mais o que fazer". Cuddy saiu do quarto rindo.

House ficou alguns minutos se acalmando, as cenas que sua mente criava de sua filha e Davi o deixavam fora de si. Quando ele chegou na sala Cuddy estava ao telefone.

"Sim, estamos indo imediatamente para aí". Ela dizia antes de desligar.

"O que aconteceu?". House perguntou preocupado.

"Bella brigou na escola".

"Bella?". House perguntou confuso.

Bella tinha uma personalidade forte, era uma menina teimosa, questionadora e muito autoconfiante, mas não era de arrumar brigas.

Chegaram à escola e entraram na sala da diretora. Bella estava lá.

"O que aconteceu?". Cuddy perguntou.

"Bella teve um desentendimento com um menino da turma dela, Tyler, e o agrediu com um soco, o menino está no hospital com a família pois quebrou o nariz". A diretora disse.

"Essa não é toda a história". A menina disse séria.

House arregalou os olhos contendo um sorriso.

"O que aconteceu filha?". Cuddy perguntou.

"Ele queria namorar comigo e eu disse que não, ele insistiu e começou a pegar minha mão a força e a me puxar. Eu me defendi". A menina explicou.

"E eu acho que minha filha está totalmente certa". House falou.

"House!". Cuddy o advertiu.

"O menino estava assediando minha filha, ela se defender é errado? Em que mundo vivemos?". House fez um drama.

"Violência nunca é o caminho". Cuddy respondeu e a diretora concordou.

"E o assédio é? O que vai acontecer com esse tarado juvenil?". Ele perguntou para a diretora.

"Eles têm nove anos". A mulher respondeu.

"Pior ainda. Imagina esse Ryan quando tiver quinze...". House falou.

"É Tyler. E a mãe dele está brava...". A diretora ia dizendo.

"E o pai de Bella também está furioso. Fala para a mãe desse tarado mirim me procurar". House disse e ia saindo arrastando a filha. Cuddy o interrompeu.

"House cale-se e pare já onde está". Ela ordenou. "Nós vamos conversar com Bella".

"Sim, para explicá-la como chutar os testículos do menino na próxima vez". House disse.

"House!". Cuddy estava extremamente irritada com toda a situação a essa altura.

Bella riu.

"Não toleramos violência aqui...". A diretora começou a dizer, mas foi interrompida.

"E assédio sexual? Estupro?". House a provocou.

"O que é estupro?". Bella perguntou.

"É quando...". House ia responder, mas Cuddy o cortou.

"Eu vou conversar com meu marido e com nossa filha". Cuddy falou para a diretora. "Mas realmente é importante que você aborde os dois lados da história e converse com os pais de Tyler, o que o menino fez foi errado, ele não pode obrigar as meninas a fazer qualquer coisa, coagi-las. Essa foi a razão de minha filha ter reagido. Entendo que o problema começou na postura desse menino".

House virou os olhos e saíram da sala com Bella.

"Você falou a mesma coisa que eu...". House disse.

"Mas de forma diferente, quando você vai aprender isso? Você pode falar o que quiser com o correto tom de voz e palavras adequadas". Cuddy respondeu.

"E vamos falar para Bella não bater nesse tarado mirim da próxima vez que ele tentar agarrá-la?". Ele perguntou.

"Claro que não". Cuddy sorriu.

"É por isso que eu te amo". Ele respondeu.


Naquela noite House e Wilson saíram para beber.

"Faz tempo que não fazemos isso, precisamos repetir com mais frequência". Wilson falou.

"Eu sei que nosso amor ficou em segundo plano, me desculpe por isso, tentarei recompensá-lo". House falou alto fazendo outras pessoas olharem para eles e rirem.

"Claro que você vai". Wilson respondeu se encolhendo.

"E Vicky, como está? Mad? Mel?".

"É Mandy. Estão todas bem e preciso de te dizer algo". Wilson começou.

"Vicky está gravida?".

"Não".

"Mad está grávida?".

"Cale-se House!". Wilson falou irritado. "Eu e Vicky... não teremos mais filhos, duas está de bom tamanho".

"Ainda mais agora que você encontrou alguém que se parece com você". House falou referindo-se a Mel que era a cara de Wilson apesar de não terem nenhuma ligação biológica.

"Não sei como você conseguiu ter quatro... eles dão muito trabalho".

"Isso porque você não teve nenhum Tommy...".

Wilson riu.

"Mel já está namorando?". House perguntou.

"Não...".

"Sorte sua". House respondeu e Wilson riu.

"Davi é um bom garoto".

"Mas tem quinze anos e é hormonal. O que você fazia aos quinze anos?". House perguntou.

"Me masturbava umas quatro vezes ao dia". Wilson respondeu rindo.

"Aí está". House falou balançando a cabeça. "Cuddy acha que é exagero meu".

"Eu te entendo". Wilson foi solidário. "Mas... eu tenho algo para te falar... Eu vou me casar".

"Wow... com quem?". House perguntou.

"Com Vicky, claro".

"Tão previsível".

"Cale-se". Wilson falou rindo. "Queria que você fosse meu padrinho de casamento".

"Que honra!". House disse fingindo que chorava. "Qual a cor do vestido que devo usar?".

Wilson riu.

Quando chegou em casa House encontrou sua esposa já na cama, aparentemente ela dormia.

"Ei". Cuddy o chamou. "Você bebeu demais?".

"Não... Wilson vai se casar com Vicky no próximo mês".

"O que? Ela não me disse nada...". Cuddy falou frustrada.

"Provavelmente falará nos próximos dias. Ele quer que eu seja o seu padrinho de casamento".

Cuddy sorriu. "Fico feliz por eles".

"Não sei como Wilson demorou tanto para casar-se pela quarta vez. Foi um recorde".

"Agora deixemos de falar neles e venha cá para que eu faça o meu marido feliz". Cuddy o convidou maliciosa.


No dia seguinte...

"Mamãe... preciso conversar". Rachel chegou chorando.

"O que Davi te fez?". House perguntou nervoso.

"Nada... ele não fez nada". Rachel falou.

"Vamos subir filha...". Cuddy disse.

"Não... eu sou seu pai, o que aconteceu?". House exigiu.

"House não agora...". Cuddy ia dizendo quando Rachel a interrompeu.

"A família de Davi vai se mudar, ele vai junto". A menina falou chorando.

"Para onde eles vão?". House perguntou.

"Índia".

"Oh querida". Cuddy disse abraçando a filha.

"Não é o fim do mundo". House falou.

"House cale-se!". Cuddy ordenou.

"É o fim do mundo, eu o amo!". Rachel respondeu e os olhos de House arregalaram.

"Você não sabe o que diz...". House ia dizendo quando Cuddy o interrompeu.

"Vamos subir filha, vamos conversar".

House sentia um misto de alívio com a ida de Davi e de tristeza, ele não sabia explicar a razão desse segundo sentimento. Ele nem gostava do menino... Gostava?

"Filha... sinto muito". Cuddy falou.

"Nunca mais verei Davi". A adolescente falou.

"Você não sabe disso... Te contei minha história com seu pai, se foi possível para nós...". Cuddy a consolava.

A menina chorava mais.

"Você tem só catorze anos, muita coisa vai acontecer na sua vida ainda".

Mais tarde naquele dia Davi passou para se despedir. Os dois choraram muito e Cuddy também chorou por sua filha.

"Por que está todo mundo chorando?". Tommy perguntou.

"Porque Davi vai viajar para a Índia onde vai morar com a família". House explicou.

"Mas isso é longe, não é?".

"Sim Tommy, bem longe".

"Entendi porque todo mundo está chorando". O menino falou. Tommy tinha uma mente muito objetiva, como a de seu pai.

House riu.

"Onde está Bella e Gael?". O pai perguntou.

"Bella está lendo, ela só faz isso atualmente e Gael está tocando, ele também só faz isso desde... sempre". O menino respondeu. "Eu vou dizer tchau para Davi".

Depois de alguns minutos...

"Senhor House".

Era Davi.

"Oi Davi".

"Vim me despedir, foi um prazer conviver com sua família, eu sinto muito por ter que ir embora". O menino tinha lágrimas nos olhos.

"Vou cuidar de Rachel". House respondeu.

"Cuide dela até eu voltar?".

"Pode deixar que vou amarrá-la ao pé da mesa e não a deixarei sair". House respondeu fazendo o menino rir.

"Obrigado". E abraçou House.

Ele não sabia o que fazer com um garoto pendurado nele. Mas, de alguma forma House estava triste pela ida do adolescente.

"Eu... eu... também acho você um garoto legal". House disse.

"Isso significa muito para mim. Quando eu voltar, vou me casar com Rachel e serei parte de sua família". Davi falou.

"Veja bem, eu gosto de você, mas não abuse". House falou e Davi sorriu antes de partir.

Ver o menino se afastando da casa e Rachel se debulhando em lágrimas fez o coração de House quebrar.


Rachel ficou arrasada nos próximos dias. Ouvia músicas tristes, não queria comer, chorava. Sua mãe ficou preocupada.

"Rachel, filha... Davi está bem, vocês podem se encontrar no futuro". Cuddy dizia.

"Você não sabe disso". A menina respondia.

"Sabe que eu fiquei arrasada quando seu pai se foi da faculdade, tinha certeza de que eu nunca o encontraria novamente, mas a vida dá voltas".

"Isso não está ajudando, me deixe, por favor, quero chorar em paz".

Dias passaram...

"House, eu já fiz tudo o que podia, me ajude". Cuddy disse.

"O que você quer que eu faça? Que eu vá buscar Davi na Índia?".

"Fale com ela".

House bufou, mas foi.

Chegando no quarto ouviu uma música alta.

It must have been love but it's over now...

Lay a whisper on my pillow

Leave the winter on the ground

I wake up lonely, there's air of silence

In the bedroom and all around

Touch me now, I close my eyes

And dream away

It must have been love but it's over now

It must have been good but I lost it somehow

It must have been love but it's over now

From the moment we touched 'till the time had run out

Make-believing we're together

That I'm sheltered by your heart

But in and outside I've turned to water

Like a teardrop in your palm

And it's a hard winter's day

I dream away

It must have been love but it's over now

It was all that I wanted, now I'm living without

It must have been love but it's over now

It's where the water flows

It's where the wind blows

It must have been love but it's over now

It must have been good but I lost it somehow

It must have been love but it's over now

From the moment we touched 'til the time had run out

It must have been love but it's over now

It was all that I wanted, now I'm living without

It must have been love but it's over now

It's where the water flows

It's where the wind blows

"Filha, me deixe entrar". House bateu na porta.

Ele ouviu a porta abrir.

"Wow, essa música é antiga, me surpreende que você a conheça". Ele falou.

"O que você quer? Vai dizer que eu sou muito nova para amar?". Rachel atacou.

"Não... Vou dizer que você é muito nova e muitas coisas boas vão acontecer na sua vida".

"Mamãe já disse tudo isso". A adolescente falou.

"Mas ela não sabe como é estar no lugar do rapaz que foi embora, eu sei". House falou e uma Rachel curiosa tirou a cabeça que estava enfiada no travesseiro e olhou para ele.

"Eu vivia viajando e não tinha opção, meu pai era transferido pelo exército e eu tinha que segui-lo, como aconteceu com o pai de Davi. Eu deixava amigos para trás, namoradas, escola, tudo... Não era fácil, mas eu conheci coisas importantes, coisas que me ajudaram depois na minha profissão, na minha vida. Nunca me esqueci das pessoas que deixei, mas algumas delas se esqueceram de mim. Davi deve estar com medo de que você se esqueça dele enquanto ele está fora. Se o seu amor é sincero, não vai desaparecer, nem o dele. O amor aguarda o tempo que for preciso para se concretizar".

"Nossa pai, que lindo. Você entendeu meu coração". Rachel falou o abraçando.

"Tenho certeza de que Davi não quer te ver assim. Quando ele voltar vai querer encontrar você bem". House continuou.

"Eu vou esperar por Davi e vou mandar mensagem todos os dias para ele saber que eu não vou esquecê-lo". Rachel falou com um outro semblante.

Rachel desceu e quis comer, estava outra pessoa.

"O que você fez com minha filha?". Cuddy perguntou espantada.

"Psicologia adolescente". House respondeu indo em direção a sala e deixando uma Cuddy curiosa para trás.


Chegou o dia do casamento de Wilson. Seria uma cerimonia simples em um salão de festa.

"Você está linda!". House disse para sua esposa que estava em um vestido vermelho.

"Você também está gostoso nesse terno". Ela disse e se beijaram.

"Vocês não enjoam um do outro não?". Rachel perguntou.

"Não!". Os dois responderam juntos e rindo.

Os meninos estavam muito elegantes com calça e camisa social, Tommy odiou, mas sua mãe o convenceu. Ambas as meninas estavam com vestido, Rachel com um vestido rosa, já que ela só queria coisas e roupas nessa cor, e Bella com um vestido azul, que combinava com seus olhos.

Todos a caminho do salão de festas.

Quando House chegou, Wilson estava muito nervoso.

"Você já se casou três vezes e ainda fica nervoso?".

"Por isso mesmo... dessa vez tem que ser a última". Wilson falou.

"Então faça ser, diariamente. Aqui na cerimônia não adianta ficar nervoso, você precisa cuidar de seu casamento dia a dia". House respondeu e Wilson arregalou os olhos.

"Eu sou casado há dez anos, você nunca chegou perto disso". House respondeu dando uns tapinhas nas costas do amigo.

Em pouco tempo a cerimonia começou. House e Cuddy estava ao lado de Wilson. Os filhos sentados nos bancos com Blythe e Arthur.

Rachel chorou muito, ela lembrou-se de Davi durante toda a cerimônia. Cuddy se emocionou também, pois lembrou-se de dez anos atrás, quando ela e House se casaram e em tudo o que construíram depois, nem em seus melhores sonhos ela imaginaria isso.

Quando a cerimonia terminou, começou a festa e Rachel correu para a pista de dança. Bella ficou mais tímida sentada na mesa com Gael, enquanto Tommy também se agitou para dançar.

Chase chegou com uma linda mulher preta e chamou a atenção de todos, pois ela parecia uma modelo, muito alta e esguia.

"Temos uma novidade". Blythe falou para House e Cuddy. "Nos casamos na Polinésia".

"Oh meu Deus! Parabéns!". Cuddy falou a abraçando.

House revirou os olhos.

"Como Tommy está enorme". Blythe comentou.

"Ele puxou o pai". Cuddy disse abraçando o marido. "E natação desde que ele nasceu, praticamente".

"Ele vai dar trabalho". Blythe comentou rindo.

O menino estava dançando com uma menina na pista de dança.

Tommy havia conquistado duas medalhas no último torneiro regional e estava prestes a disputar novamente o nacional. Os patrocinadores estavam loucos atrás dele.

"Tenho algumas palavras". A voz de House foi ouvida no microfone.

"Como padrinho de casamento preciso dizer algumas coisas". Ele continuou e Wilson corou antecipadamente. "Todos sabem que é o quarto casamento de Wilson, ou não? Desculpe Vicky se você não sabia, mas agora não dá mais para fugir". Todos os presentes riram. "Mas meu amigo Wilson quer que esse seja o seu último casamento então, boa sorte com isso Vicky". Novas risadas. "Boa coisa é que Wilson gosta de insanidades e loucuras, caso contrário não seria meu amigo até hoje, então não torne a vida dele muito certinha, faça-o tremer de medo as vezes, faça-o passar vergonha, ele adora isso". Wilson riu. "Vou pular a parte de que conheci Vicky na faculdade e de que ela tinha um crush em mim...". Todos riram e Cuddy revirou os olhos. "Desejo que vocês sejam felizes e tenham uma vida surpreendente, nada de marasmo e chatice, mantenham as coisas interessantes, como eu faço com minha senhora". House piscou para Cuddy. "Um brinde aos noivos!".

Assim que terminou House cruzou com Chase que dançava com uma japonesa. Ele ficou confuso, Chase não estava com outra mulher?

"House". Cuddy o chamou.

"Sim minha esposa". Ele a atendeu.

"Rachel quer dançar com você". Ela falou apontando para a filha.

"Seu pedido é uma ordem". House foi até a pista com sua filha.

"Dance comigo? Davi não está aqui". A menina reclamou.

"Mas seu pai está". Ele respondeu.

Depois de algum tempo House sumiu. Quando voltou ele foi até Cuddy.

"Venha ver o que eu achei". Ele a chamou.

"E as crianças?". Cuddy perguntou.

"Elas ficarão com minha mãe".

Foram. House a levou para um banheiro em reforma no subsolo.

"O que viemos fazer aqui?". Cuddy perguntou.

House levantou a sobrancelha algumas vezes. "O que você acha? Rebocar a parede é que não foi...".

"Não House, temos uma festa lá fora. Pessoas...". Ela relutou enquanto ele se aproximava.

"Você está tão linda". House sussurrou no ouvido dela.

"Tudo bem, mas terá que ser rápido". Ela concordou.

"Rápido será!".

House higienizou o vaso sanitário e sentou-se.

"Que excitante é você higienizando esse vazo enquanto espero". Cuddy riu.

"Cale-se, sou infectologista". Ele disse a puxando.

Começaram os beijos e mãos, estavam intensos, House levantou o vestido dela e retirou a calcinha, ela abriu o zíper dele puxando seu pênis, quando estavam prontos um barulho vindo do gesso do vaso sanitário.

"Oh meu Deus isso vai quebrar". Cuddy disse.

"Saia rápido". House pediu que ela saísse de seu colo para que ele pudesse levantar-se. "Não quero que o pequeno Greg tenha a cabeça decapitada".

Cuddy riu.

"Melhor abortarmos...". Ela ia dizendo quando House a levantou e a fez sentar-se na pia.

"E a higienização?". Cuddy perguntou ofegante.

"Não há tempo". Ele respondeu enquanto a penetrava.

Ele se via no espelho e ficava ainda mais excitado. Estavam indo rápido para que não se prolongassem demais. Tentavam abafar os gemidos, mas era um grande desafio e falharam miseravelmente. Sorte que o banheiro era no subsolo.

Quando terminaram, estavam se arrumando. House amassou um pouco a camisa e tentava alisá-la, mas o vestido de Cuddy estava intacto. Ela se limpou, recolocou a calcinha e reaplicou a maquiagem.

"Vamos?". Ela falou dando um selinho final no marido.

Um barulho na porta e Chase entrou com uma loira.

"Desculpe, mas está ocupado". House falou rindo.

"Oh, desculpe!". Chase disse.

"Você não estava com uma linda mulher preta, depois com uma japonesa?" House perguntou.

"Shhhh... Ela não é americana, não fala inglês, mas pode entender". Chase disse.

"Você é a pior espécie de homem". Cuddy falou balançando a cabeça.

"Eu... só...". Chase tentava se justificar.

"Sugestão... use a pia, não use o vaso sanitário". House falou enquanto saia com Cuddy.

Voltaram e Wilson interceptou House no caminho, Cuddy voltou para a mesa.

"Ei... eu trouxe um presente para Vicky, quer dizer... eu pretendo vesti-lo na nossa noite de núpcias. Você acha que ela vai gostar ou vai achar esquisito?". Ele perguntou.

"Oh, isso deve ser bom". House já falou rindo.

"Veja...". Wilson o puxou de canto e mostrou para ele uma cueca de elefante com uma tromba onde ficaria seu pênis.

House não sabia se ria, se queimava a cueca antes de Wilson pensar em vesti-la, ou se subia no palco e mostrava para todos a ideia estupida que seu amigo teve.

"Sorte que eu já tive minha noite de núpcias em seu casamento, pois é provável que eu tivesse disfunção erétil só de olhar para isso". House disse.

"Você fez sexo aqui?". Wilson perguntou chocado.

"Não aqui... aqui... mas... aqui no banheiro do subsolo". House respondeu.

"Você é louco?". Wilson perguntou.

"Essa pergunta é esquisita uma vez que não sou eu quem pensa em vestir uma cueca de elefante com tromba. No mais, tem uma fila no motel do subsolo, se você quer saber, Chase chegou também com uma loira".

"Oh meu Deus!". Wilson disse. "Meu casamento virou uma suruba?".

"Não é grande coisa. Agora você vestir isso é! Se você quer que seu casamento dure, queime essa coisa urgentemente".

"Você tem o que? Dezesseis anos? Não consegue manter seu pênis nas suas calças?".

"Se você tivesse a esposa que tenho não se surpreenderia. E melhor eu manter meu pênis fora das minhas calças do que nisso". House disse apontando para a cueca de elefante.

"É tão ruim assim?". Wilson perguntou.

"É pior que ruim. Confie em mim: queime isso!".

Enquanto isso na mesa...

"Foi uma boa rapidinha?". Blythe perguntou sorrindo.

"Desculpe?". Cuddy estava surpresa e pensando que estava ouvindo demais.

"Oh... relaxe! Isso mostra que vocês são um casal saudável. Muito saudável". Blythe riu.

Cuddy corou sem saber o que falar. "Eu...".

"Não diga nada e desculpe se eu te fiz ficar envergonhada, não era a intenção. Fico feliz em ver meu filho tão feliz e a fazendo tão bem".

"Cuddy venha aqui um segundo!". Vicky a chamou e Cuddy deu graças a Deus por isso.

"Beba comigo!". Ela falou e Cuddy brindou com a amiga.

"Quem diria que hoje estaríamos assim... Você casada com o lendário Greg House e eu com o seu melhor amigo?". As duas riram.

"Em Michigan eu não podia fazer ideia de quanto seria feliz no futuro". Cuddy falou.

Depois ela foi até House e o convidou para a pista de dança.

"Dá para imaginar? Dez anos se passaram...". Cuddy falou.

"E eu te amo mais a cada dia. Isso não faz nenhum sentido, não tem nenhuma lógica". House disse.

"E quem disse que o amor faz sentido?". Cuddy respondeu e o beijou.


Música do capítulo: It Must Have Been Love - Roxette