Epílogo – Até a próxima vida

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes - Soneto da Fidelidade


Oito meses depois...

"Você ganhou muita coisa...". Cuddy disse para Mandy após o chá de bebê.

"Ethan já virá ao mundo todo mimado". Mandy respondeu.

Eles teriam um menino.

"Meu neto será mimado demais por mim, pode ter certeza". Cuddy disse sorrindo.

Mandy alisou a barriga. "Eu não consigo mais imaginar minha vida sem Tommy e Ethan, e ele nem nasceu ainda...".

"Coisas da maternidade". Cuddy falou e elas riram.

No outro cômodo House estava com Wilson, Tommy e Gael jogando pôquer.

"Agora que você já se acostumou com a ideia de que o espermatozoide de meu filho fecundou o óvulo de sua filha, posso comentar que os 50% dos genes vindo do meu lado se sobressairão sobre os 50% dos genes vindo do seu lado".

Tommy riu.

"Quanta idiotice! Que esse gene da estupidez não tenha sido compartilhado com meu neto". Wilson respondeu.

"Imagine Ethan com os nossos olhos e com o cabelo todo certinho de tio Jimmy?". Tommy comentou com seu pai.

"Não é uma boa imagem mental, será como se eu tivesse fecundado os óvulos de Wilson". House falou.

"Por que não eu poderia ter fecundado os seus óvulos?". Wilson perguntou irritado.

"Porque se fossemos transexual, eu seria o homem com o pênis e você a mulher com o útero". House comentou.

"Você não sabe disso...".

Tommy ria alto, ele adorava a amizade dos dois.

"Eu ouvi algo sobre papai fecundar os óvulos de Wilson?". Gael chegou chocado.

"Nem queira saber". Tommy respondeu.

"Ethan pode nascer ruivo e com os nossos olhos". Tommy falou.

"Aí não teria nada de Wilson, pois Mandy não parece nada Wilson...". House comentou.

"Cala a boca!". Wilson falou.

"Seria como um guerreiro viking". Tommy disse rindo.

"Mas com o sobrenome HOUSE". Ele provocou o amigo e os três homens House riram.

"Eu vou ver como Mandy está". Tommy falou.

"Eu vou com você". Wilson saiu junto com o rapaz.

"Gael, pegue uma cerveja para nós". House pediu. "Pelo menos cerveja você bebe, não bebe?".

"Pai, eu não sou tão careta como você pensa". Gael respondeu.

"Tommy não bebe cerveja e não é careta". House falou.

"Tommy é um atleta profissional".

"E um médico aspirante. Qual estudante de medicina não frequenta festas loucas e bebe como se não houvesse amanhã? Tommy!".

Gael riu.

"Como está Mia?". House perguntou.

"Linda, inteligente, sexy, apaixonante". Gael respondeu.

"Um brinde a Mia então!". Eles brindaram.

"Sua irmã está casada há anos. Tommy será pai e se casará em breve, eu pensei que você seria o primeiro".

"Desculpe desapontá-lo". Gael respondeu sarcástico.

"O que você pretende fazer da vida?".

"Após a graduação eu pretendo viajar um pouco com Mia, descobrir os sons mais íntimos de cada lugar, ouvir muita música e tocar muita música". Gael respondeu.

"Sua mãe vai morrer de saudades".

"Só ela?". Gael perguntou.

"Eu também, mas só um pouquinho Romeu".

Gael sorriu e beijou a cabeça de seu pai. "Eu também te amo!".

"Mas qual luz abre a sombra deste balcão? Eis o oriente é Julieta, e o sol! Oh, e a minha mulher e o meu amor!". House declamou um trecho de Romeu e Julieta como uma forma de satirizar seu filho.

"A despedida é uma dor tão suave que eu te diria 'boa noite' até o amanhecer". Gael declamou outro verso.

Ele riram abraçados.


"Bella, querida. Ryan não virá para o jantar?". Cuddy chegou perguntando para a filha.

"Não, ele está jogando videogame com os amigos, que coisa mais interessante para se fazer...". A garota respondeu.

"Homens...". Cuddy respondeu sorrindo.

Sua filha estava cada dia mais linda e inteligente. Ela cursava Medicina Veterinária e já se planejava para cursar Direito tão logo concluísse a primeira faculdade, ela tinha planos reais de advogar em favor da causa animal, ninguém podia duvidar do que Bella decidisse fazer. Aliás, todos os seus filhos eram lindos, inteligentes e vivazes, Cuddy tinha muito orgulho deles.

"Mãe, você viu meu livro que estava sobre a mesa?".

"Não filha".

"Vou procurar...". E a garota saiu.

Minutos depois ela retornou.

"Mamãe, acho que Mandy está em trabalho de parto". Bella chegou dizendo.

"Como assim?".

"Tenho quase certeza de que a bolsa dela estourou, ou existe outra razão para que o chão seja molhado por fluidos oriundos da vagina de uma mulher grávida de nove meses?".

"Oh meu Deus!". Cuddy foi correndo em direção a Mandy.

Realmente a garota estava em trabalho de parto.

"Vamos para o hospital!". Cuddy gritou para os homens que ficaram apavorados e andando em círculos como galinhas ciscando.


No hospital, enquanto esperavam pelo nascimento de Ethan, o primeiro neto do casal, Rachel também chegou com Davi.

"Eu tenho uma notícia e já que estão todos aqui... acho que é um momento adequado...". Rachel começou.

"Fala logo!". Davi disse.

"Eu estou grávida".

"Oh meu Deus!". Cuddy falou abraçando a filha e House congelou.

"É bom não é? Saber que sua filha teve o óvulo fecundado". Wilson disse enquanto dava um tapinha nas costas do amigo.

"E você que pensou que Gael seria o primeiro... errou muito feio! Estou tão feliz que você errou uma vez na sua vida". Cuddy disse rindo para o marido. "Não.. espere... você errou duas vezes".

"Davi seu judeu safado". House falou fazendo todos rirem.

"Pai!". Rachel chamou a atenção dele.

"Pior que meu neto terá o pênis dissecado". House falou e Cuddy riu alto.

"Não terá!". Rachel respondeu.

"Vocês não irão circuncidá-lo? Sábios!". House perguntou confuso.

"Não é isso... acontece que Chloe não terá um pênis". Rachel respondeu.

"É uma menina?". Cuddy perguntou em choque.

"Sim! Vocês terão uma neta". Davi disse.

"Oh meu Deus!". Cuddy os abraçou feliz e chorando de emoção. Era muito para um dia só.

Gael e Bella também os abraçou. Até Wilson, Vicky e Mel.

House estava paralisado.

"Sua filha muito ansiosa não quis esperar, quis fazer o exame de sangue para descobrir o sexo". Davi falou.

"Ah Davi... seu judeu safado... você irá sofrer agora tudo o que eu sofri. Deus é justo!". House falou com uma voz maligna. "Uma menina!". Ele gargalhava.

"Você não acredita em Deus". Cuddy comentou sorrindo.

"Bom... depois de tudo o que aconteceu na minha vida...".

"Você acredita em Deus?". Cuddy perguntou chocada.

"Deus? Quem disse isso?". House perguntou irônico.

Cuddy riu.

"Não ganho um abraço?". Rachel perguntou para seu pai.

Ele a abraçou forte. Ela amava perder-se naquele abraço de seu pai.

"E eu?". Davi perguntou.

"Você saia daqui antes que eu corte o seu pinto". House falou e Davi riu. Ele amava seu sogro como um pai.

Logo a enfermeira veio com a notícia de que Ethan havia nascido saudável. Ethan Evan House.

Eles foram olhar o bebê no berçário e Ethan era lindo, mas dormia. Ele tinha os cabelos castanhos claros arrepiados e um semblante de anjinho. Wilson e Vicky foram visitar Mandy, Gael estava ao telefone com a namorada, Rachel e Davi foram comer alguma coisa na cafeteria do hospital.

"Parabéns, meu filho!". Cuddy falou para Tommy o abraçando.

"Obrigada mãe".

"Sei que você será um grande pai para Ethan". Ela falou.

"Espero ser metade do que vocês foram". Ele respondeu beijando sua mãe

"Sei que você não fumaria um charuto com seu velho, você é saudável demais para isso. Que tal irmos lá em cima comer uma cenoura juntos para celebrar?" House propôs mostrando duas cenouras que ele havia trazido. Tommy e Cuddy riram.

"Vamos!".

Pai e filho subiram para a área de descanso do hospital.

"Tome sua cenoura". Ele estendeu o pacote e Tommy pegou uma.

"Agora sua vida mudará completamente, você não sabe em quantas maneiras...". House disse.

"Eu imagino...". Tommy respondeu.

"Não você não imagina...".

Tommy calou-se.

"Seu coração viverá fora do seu peito todo o tempo, é como se você tivesse uma parte de seu coração andando ao seu redor pela sala, pedindo o seu colo, chorando desesperadamente, dando o sorriso mais lindo que você já viu. O problema é quando eles começam a ganhar independência e fogem dos seus olhos".

Tommy tinha lágrimas rolando em seu rosto.

"Parabéns, meu filho! Que Ethan te traga tantas felicidades quanto vocês trouxeram para mim".

Eles se abraçaram emocionados.

"Mas que seja um pouco menos arteiro do que você". House disse e Tommy sorriu entre lágrimas.

"Eu te amo, pai!".

"Eu sei".

Eles riram


Mais tarde naquele dia House e Cuddy tiveram um momento a sós com seu neto, Ethan.

"Como é pegar seu neto no colo?". Cuddy perguntou enquanto entrega o neto para ele.

"Ainda mais estranho do que pegar meu filho. Ethan é praticamente uma figura mitológica, algo que está fora do seu tempo, em outra dimensão, que não estava fadado a acontecer". House respondeu fazendo Cuddy rir.

"Nada é mitológico, Ethan não é um unicórnio". Cuddy falou.

"Talvez um centauro". House respondeu.

"Nós construímos isso. Juntos! Uma família linda, uma vida maravilhosa que valeu cada segundo". Ela respondeu cheia de amor olhando para seu marido com o neto nos braços.

"Sim. Quem diria, hein?".

"Temos filhos lindos, inteligentes, sadios e felizes. E Ethan é o primeiro de muitos netos que vão perpetuar nossos genes avançados". Cuddy falou e dessa vez foi House quem sorriu.

"É estranho pensar que meu neto tem genes de Wilson...". House falou e Cuddy riu. "É como se fosse um incesto".

"Cale-se, House". Ela falou sorrindo.

"Praticamente nossa linhagem é uma evolução do Homo Sapiens Sapiens". House falou.

"Tenho certeza de que em breve a ciência reconhecerá isso". Cuddy respondeu sorrindo.

Ethan abriu os olhos bem arregalados e House jurou que ele deu um leve sorriso. Ele tinha olhos de bebê, cor indefinida ainda, mas olhou atentamente para os avós.

"Ele é definitivamente um House". Ele falou olhando para o neto.

"Definitivamente". Cuddy respondeu.

"Lembra que você disse que queria que nossos filhos fossem pequenos novamente?". House perguntou.

"Sim".

"Eles não serão pequenos novamente, mas... nossos netos sim. Nossa casa estará cheia deles nos finais de semana e férias. Seremos os avós mais legais do mundo". House falou empolgado.

Cuddy sorriu cheia de amor. "Eu te amo demais, sabia?".

"Claro que sim, porque eu também te amo demais". Ele respondeu.

"Não... você não sabe o quanto eu te amo desde a primeira vez que eu te vi naquela livraria. Você não tem ideia...".

"Quem disse? E se eu te amar mais?". House falou sorrindo.

"Impossível alguém amar mais do que eu te amo. A pessoa morreria". Cuddy disse.

House fingiu sua morte. Ela riu.

Seria sempre assim a relação deles, dia após dia, ano após ano.

"Olhe!" Ela mostrou para ele a pedra ametista que ele havia lhe dado anos atrás. Cuddy havia a transformado em um pingente para uma corrente de prata. "Eu sempre ando com você perto de mim e quando eu morrer serei enterrada com você, é meu último desejo".

"Você está falando muito em morte hoje. Estamos aqui celebrando a vida". House disse. Ele tinha pânico de pensar em perdê-la.

"O senhor trate de acreditar em vida após a morte porque eu vou atrás de você aonde for. Nunca te deixarei em paz". Cuddy o ameaçou carinhosamente.

"Nem depois de morrer?".

"Nunca!".

"Que azar o meu". House respondeu sorrindo.

Pela milionésima vez em suas vidas eles riram e se abraçaram. Era perfeito, nada mais faltava.

"Sempre!".

"Sempre!".

FIM.


Agradeço a todos os que acompanharam essa pequena viagem, foi muito divertido escrevê-la, espero que, de alguma maneira, tenha sido interessante lê-la.

House e Cuddy são eternos e, na minha mente, viverão para sempre juntos. Afinal, essa é uma história de amor.